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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

SABEDORIA E CONHECIMENTO ANDAM JUNTOS EM 'NEGO VÉIO'


Por Shirley M. Cavalcante(SMC)

José Carlos Barbosa nasceu em 2 de setembro de 1948 em Serra Azul (SP), na Fazenda Belo Horizonte. Radicou em Ribeirão Preto desde 1955, terra que o adotou como se fosse sua terra natal. Sempre estudou em escolas públicas, mas ao ingressar na universidade não chegou a terminar o curso de administração.

Tem outros cursos com certificados extracurriculares:
IBTF – Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância, Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, Habilidade Específica em: Negociação e Resolução de Conflitos e A Gestão de Equipes do Programa Auto Emprego, com carga horária de 200 horas. Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho dezembro de 2006; Certificado: IBTF – Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância, Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, com Habilidade Específica em: Como Elaborar um Plano de Empresa I e II, do Programa de Auto Emprego, com carga horária de 200 horas, Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho dezembro de 2006; Certificado –IBTF: Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, com Habilidade em: Plano de Marketing Estratégico, do Programa de Auto Emprego, com carga Horária de 145 horas, Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, dezembro de 2006. Foi caminhoneiro por algum tempo,  fundador do primeiro jornal no norte de Mato Grosso “Negócios e Negócios do Notão”, microempresário no ramo atacadista e representante comercial. Aposentado, hoje é presidente da Ordem dos Jornalistas de Ribeirão Preto e Região, membro da Casa do Poeta de Ribeirão Preto; UEI “União dos Escritores Independentes” de Ribeirão Preto; Grupo Médicos Escritores e Convidados. Barbosa é autor da Mostra dos Escritores de Ribeirão Preto e Região e Diretor do Sarau de Todas as Tribos.

Boa Leitura!

Escritor Barbosa, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que mais o atrai na arte de escrever?

Barbosa - Quero dizer que se falar José Carlos, não vai encontrar viv’alma que me identifica; agora se falar “o Barbosa escritor”, como sou conhecido em minha cidade e região... Para mim, escrever é como se estivesse viajando. Quando o tema chega, esqueço de tudo ao meu redor, então sento e as horas se vão, e chego a escrever um livro em uma noite, como tenho o mais recente escrito, ainda no prelo.

Como surgiu inspiração para o seu livro “Nego Véio”?

Barbosa - Desde a juventude eu gostava de escrever. Quase todo fim de tarde sentava e escrevia alguma coisa; era como se transferisse para o papel as confidências do dia a dia, mas acabava de escrever, acho que o estresse estava ali depositado, então jogava fora. O livro “Nego Véio” começou a ser escrito em um maço de cigarros desmanchado; guardei no bolso e depois criou vida, então guardei. Isto foi na década de 70, no entanto, foi publicado só agora em 2013.

Apresente-nos a obra.

Barbosa -“Nego Véio” nasceu em algum lugar da África, e quando estava atingindo o Kafo,foi capturado, como todos os escravos; foi comprado e viveu em uma fazenda. Era um exemplo e conselheiro dos escravos, era um iluminado que foi chamado para ser acompanhante e conselheiro do patrão, mesmo a contragosto dos seus.

Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio do enredo que compõe “Nego Véio”?

Barbosa - Transmitir aos demais que, mesmo sendo escravo, ele parecia ter um conhecimento que não se sabe o porquê, e como uma mente àquela época tão distante poderia ser iluminada.

Quais os principais desafios para a escrita desta obra literária?

Barbosa - Esta obra foi escrita em 1974, e é a única obra publicada pela FUNPEC –Editora. Em 2013, um editor me fez um desafio:disse que publicaria um livro meu se eu entregasse os originais no prazo oito dias e me daria de graça 500 livros. Esse foi o tempo suficiente para remontar o livro e assim foi. Ele perdeu a aposta e cumpriu com o prometido.

Qual o momento que mais o marcou enquanto escrevia o enredo que compõe o livro?

Barbosa - O ponto crucial deste livro foi o pranto no seu final, mas foi a minha maior felicidade, porque a maioria dos que o leram chorou ao ler o final. Então, foi um livro que causou comoção em todos os meus leitores.

Além de “Nego Véio”, você tem outros livros publicados. Apresente-nos os títulos e segmento.

Barbosa -
01 - Coisas de Boteco 1- Trocando o Divã pela mesa dos bares (3ª edição, esgotado)
02 - Coisas de boteco 2- A Caneta Etílica(esgotado)
03 - Coisas de boteco 3 - Verdades e mentiras
04 - Coisas de Boteco 4 - Essas mulheres
05 - Zumbi dos Palmares - O Rei Negro do Brasil 
06 - Luiz Gama - Precursor abolicionista (1ª biografia)
07 - Serra Azul - Oitenta anos de causos e prosa
08 - Nego Véio
09 - Organizador de uma Antologia da Ordem dos Velhos Jornalistas de Ribeirão Preto.
Aguardem, vem aí, para início do ano, “Quem matou o Mortalha?”

Onde podemos comprar seus livros?

Barbosa - Meus livros já foram enviados para vários países de três continentes; então quem se interessar, pode solicitar por: http://www.kgebeditora.com.br/vitrine.php (Pag Seguro); E-mail: kgebeditora@gmail.com

Você, por necessidade, se tornou editor de seus próprios livros; hoje ajuda outros escritores a produzirem os seus livros de forma independente. Comente sua trajetória literária e como é realizado este apoio.
Barbosa - Quando resolvi publicar o primeiro livro “Coisas de Boteco”, fiquei sabendo o que era a diferença entre livro publicado e editado, pela Biblioteca Nacional. Então, fiquei sabendo que o editor registrava os livros dos escritores, todos no seu ISBN e o Código de Barras também era o seu. Isto me irritou e comecei a alertar os escritores, então comecei a fazer os registros no nome de cada um e provar que aquela editora era um engodo. Era não, eles continuam sendo até hoje. Vários escritores não acreditavam que isto acontecia até que um deles foi se inscrever na UBE (União Brasileira dos Escritores) e não foi aceito porque o ISBN estava no nome desta editora. Somente aviso: – o livro não é seu.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor José Carlos Barbosa. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Barbosa - Se você é apenas leitor, deixo um texto:
“Em meus textos, quero chocar o leitor, não deixar que ele repouse na banguela dos lugares-comuns, das expressões acostumadas e domesticadas. Quero obrigá-lo a sentir uma novidade nas palavras”
João Guimarães Rosa

Agora, se você tem a intenção de ser um escritor!
Venha agora mesmo, temos uma série de oportunidades irresistíveis. É chegada a hora. Orçamentos sem compromisso, facilidade no pagamento. Enviamos seu livro a qualquer parte do país ou fora dele.

Fazemos digitação, diagramação, antologias, livros de família, livros técnicos etc. Fazemos também seu registro em seu nome na Biblioteca Nacional com ISBN e seu Código de Barras.

Oferecemos consultoria literária, auxiliamos na confecção do livro, do começo ao fim. Se tiver algum escrito engavetado, fale conosco, e lhe devolvemos em livro.


José Carlos Barbosa
Rua João Nuti 76 – Jd. Mosteiro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
CEP14085-510
Publicar:
Facebook: kg&b Editora
Twitter: @editorakgeb.com.br
Blog: KGeB Editora

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

RIO, DO BRASIL - Nélida Piñon

Rio, do Brasil

Meu coração recrimina quando ajo como se o Rio de Janeiro não merecesse ser a cada golpe inaugurado pelos meus olhos. Não fosse em si uma dádiva que me chegou junto com a vida que arfa teimosa. Uma paisagem cuja beleza é centro da fantasia brasileira, nela estão encravados os mitos nacionais.

Com estofo de heroína, aguento as benesses e os malefícios, examino os efeitos de seu repertório urbano na psique carioca. De caráter dual, espécie de Juno de duas faces, o Rio oscila entre pobres e ricos que esbarram nas esquinas sob falsa harmonia social. Contudo falam todos a mesma língua, a despeito dos tropeços gramaticais. Aliás, no capítulo linguístico, o carioca demonstra pendor para narrar. Seu humor inventa histórias que não viveu. Mas perdoa quem o lançou ao fogo do inferno e merece o cárcere. Pois sua frágil cidadania não ausculta as graves mentiras que lhe contam. Acolhe os políticos como membro da família.

No teatro carioca, as classes sociais simulam entender-se no período carnavalesco ou diante de uma desgraça. Os desprovidos da sorte ainda confiam no que lhes prometem os donos do poder público.

O Rio é belo, sem dúvida, mas não lê. Quase todos igualam-se na escassez de conhecimento. Não dispõem de um arsenal de saberes que apure o seus direitos cidadãos.

É uma cidade musical. Domina o Stradivarius e o tamborim. Seu carnaval dita pautas temporariamente felizes. Descendo das comunidades, as escolas de samba causam assombro com sua refinada estética. Sua arte maior sara as feridas, reconcilia-nos com a vida indigna.

Cumprimos no Rio, berço, ribalta e cova nossas, as etapas de nossas biografias. Devemos à pedagogia da cidade a esplêndida mestiçagem. Ela é o epicentro do Brasil, a metáfora eternizada por Machado de Assis em sua obra.

É proibido, porém, contemporizar com as mazelas morais com que tentam abortar o Rio. O veneno que a elite política nos injetou, há que vomitar. Mas como amo esta urbe, afugento o desencanto. Há que restaurar a cidadania ofendida. Entoar o hino pátrio enquanto exaltamos o privilégio de viver sob a resplandecência deste céu que se abate azulado sobre nós com a força do seu mistério . Estou cansada de pessimismo.
O Globo, 24/12/2017



Nélida Piñon - Quinta ocupante da Cadeira 30 da ABL, eleita em 27 de julho de 1989, na sucessão de Aurélio Buarque de Holanda e recebida em 3 de maio de 1990 pelo Acadêmico Lêdo Ivo. Em 1996-1997 tornou-se a primeira mulher, em 100 anos, a presidir a Academia Brasileira de Letras, no ano do seu  Centenário.

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CENTRO LUSÓFONO RUSSO PREPARA ANTOLOGIA DE CONTOS BRASILEIROS QUE INCLUIRÁ O ESCRITOR CYRO DE MATTOS

Centro Lusófono russo prepara 
antologia de contos brasileiros 
que incluirá o escritor 
Cyro de Mattos


O Centro Lusófono Camões, da Universidade Estatal Pedagógica Herzen, de São Petersburgo, Rússia, está preparando a publicação de uma antologia de contos brasileiros contemporâneos em edição russo-portuguesa. Segundo o diretor do Centro, professor Vadim Kopyl, responsável pela publicação, a antologia reunirá mais de 30 autores, e, entre eles, estará presente o baiano (de Itabuna), Cyro de Mattos. A antologia será dedicada à memória do ex-embaixador do Brasil em Portugal (1979-1983), Dário Moreira de Castro Alves (1927-2010), antigo sócio honorário da instituição, que exerceu postos na Embaixada do Brasil em Moscou, foi chefe de gabinete no Ministério das Relações Exteriores e presidente do Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA), em Washington, entre outros cargos.

O escritor Cyro de Mattos (foto) participou em 1973 da antologia Ao Sul do Rio Grande (K Yug of Rio Grande) com o conto “O Velho e o Velho Rio”, tradução de Elena Riánzova, publicada na Rússia pela Editora Molodóia Guardia. Nessa antologia figuram, entre outros, Julio Cortázar, René Marques, Mário Benedeti, Rosário Castellanos e o baiano Ricardo Cruz. Cyro de Mattos tem contos e poemas publicados em antologias e revistas de vários países europeus, Estados Unidos e México. Possui doze livros pessoais publicados em várias editoras da Europa. Já na antologia que está sendo preparada pelo Centro Lusófono Russo Luís de Camões figuram, entre outros, Anderson Braga Horta, Caio Porfírio Carneiro, Cunha de Leiradella, Helena Parente Cunha, Iacyr Anderson Freitas, Luiz Ruffato, Rejane Machado e Ronaldo Cagiano.

Em abril, na Embaixada do Brasil em Moscou, foi lançado o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1881-1922), publicado por uma editora de Moscou. Nos anos anteriores, foram apresentados ao público os livros Contos de Machado de Assis e Contos Escolhidos de Machado de Assis, publicados em edição bilíngue russo-portuguesa pelo Centro Lusófono Camões, em 2006 e 2007, respectivamente, com prefácios do escritor e professor Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP).

Desde a sua fundação em 1999, o Centro publicou também em edições bilíngues os livros Guia de Conversação Russo-Portuguesa Contemporânea, Poesia Portuguesa Contemporânea (2004), que reúne poemas de 26 poetas portugueses, e Vou-me embora de mim (2007), do poeta português Joaquim Pessoa. Em 2013, a Embaixada do Brasil em Moscou apoiou a publicação da segunda edição revista do livro Contos Escolhidos de Machado de Assis. O Centro Lusófono Camões  mantém estudantes nos níveis zero, médio e superior.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

MORRE O ARTISTA PLÁSTICO BAIANO ÂNGELO ROBERTO

O artista plástico baiano Ângelo Roberto deixou as dimensões deste velho mundo na manhã deste domingo (28), aos 80 anos. O corpo dele  foi cremado na segunda-feira (29), às 11, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.
Ângelo era especialista em ilustrações com bico-de-pena, e muitos de seus quadros retratavam cavalos. A causa da morte não foi divulgada pela família.

O falecimento de Ângelo foi comunicado pela sua filha Iana Landim, em uma postagem nas redes sociais. No comunicado, Iana se refere ao pai como seu maior ídolo e artista. Ângelo nasceu na cidade de Ibicaraí, no sul da Bahia.

Amigos e familiares fizeram comentários de pesar. "O artista se eterniza na arte, e o pai, na família, que é a continuação de tudo... Força... Um grande abraço em todos vocês", observou contrita uma dessas pessoas.

Com exposições no exterior, prêmios importantes, Ângelo Roberto pertenceu à Geração de Glauber Rocha, que na década de 60 movimentou o ambiente cultural de Salvador, com os jovens Florisvaldo Mattos, Paulo Gil Soares, João Carlos Teixeira Gomes e Fernando Rocha Perez.  Ilustrou capas e livros de autores baianos, como Florisvaldo Mattos, Guido Guerra, Cyro de Mattos e Ruy Espinheira Filho. Do itabunense  Cyro de Mattos ilustrou os livros A Casa Verde e Outros Poemas”, “Histórias Dispersas de Adonias Filho”,  “Oratório de natal”, “As Criações de Adonias filho”, “Alma M ais que Tudo” , “Cancioneiro do Cacau”, “Poesie Brasiliene della Bahia”, publicada na Itália,  e “Onde Estou e Sou”.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: OS PAIS ENVELHECEM

Os pais envelhecem


Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho.

Plena de emoções, por vezes angustiante, ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.

Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça.

Basta vê-los para que o coração se alargue em riso e cor. Um sorriso é capaz de abrir as portas de um paraíso.

Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.

Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. Trilham novos rumos, afastam-se da matriz.

O tempo se encarrega da formação de novas famílias. Os netos nascem. Envelhecemos. E então algo começa a mudar.

Os filhos já não têm pelos pais aquela atitude de antes. Parece que agora só os ouvem para fazer críticas, reclamar, apontar falhas.

Já não brilha mais nos olhos deles aquela admiração da infância e isso é uma dor imensa para os pais.

Por mais que disfarcem, todo pai e mãe percebe as mínimas faíscas no olho de um filho.

É quando pais idosos, dizem para si mesmos: Que fiz eu? Por que o encanto acabou? Por que meu filho já não me tem como seu herói particular?

Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.

Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mas impertinente. Praticamente não ouvem mais os conselhos.

A cada dia demonstram mais impaciência. Acham que os pais têm opiniões superadas, antigas.

Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas. E tentam fazer os velhos pais se adaptarem aos novos tempos, aos novos costumes.

Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle. Quando eles estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber. Raramente são ouvidos quando tentam fazer algo diferente.

Passeios, comida, roupas, médicos - tudo passa a ser decidido pelos filhos.

E, no entanto, os pais estão apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Por que então desrespeitá-los?

Por que tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?

Sim, é o que a maioria dos filhos faz. Dá ordens aos pais, trata-os como se não tivessem opinião ou capacidade de decisão.

E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor. Naquelas mãos trêmulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia.

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A cada dia que nasce, lembre-se, está mais perto o dia da separação. Um dia, o velho pai já não estará aqui.

O cheiro familiar da mãe estará ausente. As  roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa.

Então, valorize o tempo de agora com os pais idosos. Paciência com eles quando se recusam a tomar os remédios, quando falam interminavelmente sobre doenças, quando se queixam de tudo.

Abrace-os apenas, enxugue as lágrimas deles, ouça as histórias (mesmo que sejam repetidas) e dê-lhes atenção, afeto...

Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.



Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v.13, ed. Fep.

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O MASSACRE EM FORTALEZA E UMA NAÇÃO QUE ODEIA O POBRE - Sônia Meneses

Triste Realidade

 No dia 7 de janeiro de 2015, há três anos, dois atiradores, Saïd e Chérif Kouachi, mataram 12 pessoas em Paris, incluindo parte da equipe do jornal Charlie Hebdo. Até aquele momento, aquele atentado foi considerado um dos piores que Paris havia presenciado e, imediatamente, uma gigantesca comoção mundial se fez. O clamor, a dor, a indignação tomou conta das redes sociais. Orações de desespero, manifestações de solidariedade e EMPATIA com a dor dos franceses que foi demonstrada nos milhões de perfis no mundo que passaram a estampar as cores da bandeira francesa com o lema solidário, "Je suis Charlie". Aqui no Brasil isso não foi diferente, de tal maneira que, na época ficava-se na dúvida sobre em que país estávamos. 

Pois bem, ontem dia 27 de janeiro de 2018, um grupo armado metralhou um clube pobre da periferia da capital cearense, Fortaleza, e muito pouco se falou. Os mortos foram adolescentes, mulheres, alguns trabalhadores autônomos num forró. Ninguém mudou o perfil, tão pouco, empunhou algum slogan dizendo, "Je suis Cajazeira", "Je suis Fortaleza"...

Quem se importa com isso? Foram 18 pobres a menos, "que se matem" é o que dizem e pensam alguns. Para a periferia, acossada pelas facções criminosas que dominam esses bairros, não há democracia, não há solidariedade. Há o medo, o desespero, a desgraça de não ter nascido em Paris.

O simples espaço geográfico que habitam condiciona os olhares, os sentimentos, a desconfiança, a rejeição. Meus conterrâneos são os esquecidos moradores de uma periferia de uma capital do Nordeste. São invisíveis. A lista de mortos do jornal não trazia nomes, "duas adolescentes", "um motorista de aplicativo"  "um ambulante..."  não são ninguém, só têm um sexo e uma idade.
Nesse país grande e equivocado chamado Brasil, se chora pelo distante e se comemora a tragédia e a dor dos que estão perto.

Uma nação que odeia o pobre porque é o reflexo no espelho que quer negar.

Professora
Dra. Sônia Meneses,

Universidade Regional do Cariri.

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REALIDADE FICCIONAL É DESTAQUE EM 'MEMÓRIAS DISPERSAS'

                                                 
Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Wagner Torres de Araujo, carioca da Zona Norte, não adaptado à formação de técnico de nível médio e ao trabalho em indústrias. Na verdade, sempre ansiou pelo conhecimento e cultura mais amplos. Por isso abraçou a formação em História, e com ela, exerce o magistério no ensino básico. Araujo tem trabalhado em cursos e colégios, públicos e privados, em vários locais do Rio de Janeiro.
Atualmente atua no tradicional Colégio Pedro II. Além disso, participa também de um laboratório pedagógico dedicado à formação continuada do professor, administra dois blogs direcionados aos estudantes de ensino básico (Engenho da História e Com o Tempo) e uma página do Facebook com sugestões de leituras (Wagner Comenta Livros) que também é apresentada como blog.

“A ficção se aproxima tanto da realidade, que alguns pensam que os contos sejam relatos de experiências. Não são. Gosto da expressão “realidade ficcional”.”

Boa Leitura!

Escritor Wagner Torres de Araujo, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos,em que momento se sentiu preparado para publicar “Memórias Dispersas”?

Wagner Torres - Este trabalho estava latente havia anos. Desde criança escrevia versos que imaginava que fossem poesia. Um ou outro podia não ser de todo ruim. Em 2013, uma de minhas crônicas, “Questão Política”, foi publicada na coletânea feita pelo Prêmio UFF de Literatura. Isso me animou bastante. Nos últimos anos fui muito incentivado por minha mulher e resolvi transformar alguns dos contos escritos em um livro. Assim surgiu  “Memórias Dispersas”.

Apresente-nos a obra.

Wagner Torres - Não é tarefa simples fazero que você pede. Este livro conta com 29 histórias bastante diferentes. Mesmo assim, há relações entre todas elas. São situações predominantemente urbanas, mas bastante variadas. Acima de tudo, os contos mostram os sentimentos dos personagens. Mostram as pessoas de forma tão natural e suave, que todos os leitores se identificam com algum personagem ou situação.

Quais temáticas estão sendo abordadas por meio dos textos que compõem a obra?

Wagner Torres - As temáticas são bastante variadas, como são diversas as situações e os ambientes onde se passam. Algumas são bem curtas e outras um pouco mais longas. As histórias estão ligadas a ocorrências cotidianas, humanas, onde os sentimentos dos personagens são mostrados intensamente. Os personagens estão sempre ligados ao Rio de Janeiro por viverem na cidade, mas nem sempre são cariocas, nem todos os eventos acontecem no Rio de Janeiro. Se os locais fossem alterados, não mexeríamos com as ideias básicas, pois as situações são humanas. Tudo é fruto das observações do autor e da imaginação. A ficção se aproxima tanto da realidade, que alguns pensam que os contos sejam relatos de experiências. Não são. Gosto da expressão “realidade ficcional”.

Quais critérios foram utilizados para escolha do título que compõe a obra?

Wagner Torres - A ideia do título do livro brotou em minha mente quando estava fazendo a revisão de um dos contos, que recebeu o mesmo título. Imaginei naquele momento que muita gente apostaria que essa e as outras fossem histórias vividas. Entendi que todos os contos causam a impressão realista, como se fossem memórias. Ao mesmo tempo, tudo resulta de fragmentos de observações que faço às pessoas com quem convivo, que observo nas ruas, casos que me contaram, que li nos jornais. Esses fragmentos são misturados, processados, ressignificados e transformados em criação ficcional. Portanto, são memórias, sim, embora dispersas nas vivências humanas em geral.

Qual o conto que mais o marcou no momento da escrita?

Wagner Torres - Cada conto me emociona de forma diferente, mas todos são intensos para mim. Eles me emocionaram quando escrevi, me tocaram em cada revisão que fiz e tornam a me emocionar a cada nova leitura que faço.

O que mais o encanta nos contos?

Wagner Torres - Eles são expressão literária, portanto, são minhas construções artísticas. Assim sendo, a emoção dos personagens é o ponto alto. Alguns dos leitores já me deram retorno nesse sentido, dizendo que se emocionaram. Essa é a minha maior alegria.

Onde podemos comprar o seu livro?

Wagner Torres - Os livros estão disponíveis no Brasil na versão física (papel) e na versão digital (e-book): Livraria Saraiva (https://www.saraiva.com.br), Livraria Martins Fontes (https://www.martinsfontespaulista.com.br) e Livraria Cultura (https://www.livrariacultura.com.br).
Em Portugal, o livro pode ser adquirido na Chiado Editora (https://www.chiadoeditora.com/livraria), na Chiado Café Literário, em Lisboa (https://pt-br.facebook.com/ChiadoCafeLiterarioLisboaAvLiberdade)e no Porto (https://pt-br.facebook.com/chiadocafeliterarioporto).

Quais os seus principais objetivos como escritor? Pensa em publicar novos livros?

Wagner Torres - Tenho um novo livro de contos pronto para ser publicado, com título escolhido, “Transgressores do tempo”. Espero que o lançamento aconteça em 2018. Projetos, tenho vários. Um romance e uma coletânea de poesias devem aparecer em breve.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Wagner Torres de Araujo. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Wagner Torres - As realizações da humanidade têm os sonhos como antecedentes. A criação ficcional tem muito de sonho, mas é criação de mentes inventivas. Ler ficção literária alimenta a capacidade de as pessoas sonharem e produzirem novas ideias. Por isso, todos que buscam atividades criativas devem ler ficção, ouvir música e apreciar as variadas expressões de artes visuais. O mundo tem saídas, e todas exigem criatividade. Uma delas está na realidade ficcional.


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