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terça-feira, 8 de agosto de 2017

JORGE PORTUGAL LANÇA LIVRO NA FLIPELÔ

Por que o Subaé não molha o mapa  é o título do livro que o compositor, professor e atual Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal, vai lançar no próximo dia 11, sexta feira, as 17h30  na Casa das editoras baianas no Pelourinho.
O lançamento fará parte da programação da FLIPELÔ.

O livro que leva o selo da Caramurê Publicações, reúne 15 crônicas e tem como cenário a cidade de Santo Amaro, ou “Santinho”, como carinhosamente cita o autor na dedicatória. Numa abordagem particular e uma linguagem muitas vezes bem humorada, Portugal, consegue mostrar a cidade no seu íntimo, com personagens anônimos e conhecidos se relacionando num misto de ficção e realidade.

Antes dos autógrafos o autor convida Pasquale Cipro Neto e Roberto Mendes em um bate papo com o público sobre literatura e música.“Portugal é um ícone da cultura da Bahia, ele tem o carisma do educador e alma de compositor, comenta o editor da Caramurê Fernando Oberlaender.

A Caramurê na Flipelô

Além do lançamento do livro de Jorge Portugal vários outros autores da editora estarão participando de eventos na Casa Amarela como: Ruy Espinheira Filho, que junto com Antônio Brasileiro participará de uma mesa de bate papo no dia 10/8, quinta feira ás 20h com o tema “Literatura e perspectivas”. Em seguida Ruy estará autografando o seu livro “Uma Alegria na Família”. Antes, as 15 h, os autores Saulo Dourado e Breno Fernandes estarão na mesa “Literatura Contemporânea   nas Mídias Sociais”.

 No dia 11/8, sexta feira, a agenda será cheia. Além do lançamento a autora Maria Antônia Ramos Coutinho participa da mesa “Mestres dos saberes na literatura infantil” e às 17h Aleilton Fonseca autografa o seu livro “As Marcas da Cidade”.

 As 17h30, ​no dia seguinte, (12) ​o poeta José Carlos Capinan bate um papo com Gesse Gesse sobre música e literatura e autografa o seu livro “Vinte Canções de Amor e um Poema quase Desesperado”. E no Domingo, dia 1​3​ /8, com a produção da Caramurê, a autora Emília Nunes faz contação de história e autografa o seu livro “A menina da Cabeça Quadrada”.

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Mais informações à imprensa:
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TRUMP QUER INVESTIGAR SE COTAS RACIAIS PREJUDICAM BRANCOS

3 de agosto de 2017

O jornal americano “New York Times” informou ontem que o governo do presidente Donald Trump prepara uma investigação sobre se a política de cotas para negros em universidades americanas está discriminando candidatos brancos. O Departamento de Justiça americano estaria iniciando a seleção de pessoal para investigar as políticas de ação afirmativa — o que pode vir a ser a base para uma mudança das políticas que visam reduzir a diferença de escolaridade e de renda entre brancos e negros nos Estados Unidos.

De acordo com fontes sigilosas ao jornal, a proposta partiu do procurador-geral Jeff Sessions, considerado um dos nomes mais conservadores do governo Trump e que, no início de sua carreira, chegou a ser rejeitado como juiz federal por ter sido acusado de ser adepto de teses racistas. O “New York Times” informou que seriam redirecionados recursos da área de direitos civis do Departamento de Justiça para esta investigação — e não da área de Oportunidades Educacionais, que tradicionalmente cuida do tema —, e que ela poderia gerar ações judiciais sobre “discriminação intencional baseada em raça” nos processos de admissão de faculdades e universidades.

Muitos estudos indicam que as populações negra, latina e indígena tiveram mais acesso à educação superior a partir das políticas de cotas. Muitos países, inclusive o Brasil, se inspiraram nestas políticas para criar diretrizes que facilitam o acesso de negros e pobres às universidades, com reservas de vagas ou aumento de pontuação nos processos de seleção.

Claro que tanto o NYT como o GLOBO, ambos ícones do “progressismo”, iriam pintar tal decisão como racista e equivocada. Ela teria partido de alguém que já foi acusado de racismo, e “muitos estudos” indicam que as “minorias” se beneficiaram das cotas raciais. São sempre os “especialistas”…

Que tal perguntar, então, a Thomas Sowell o que seus vários estudos sobre a política apontam? Sowell, não custa lembrar, é negro. É também um respeitado economista de Chicago, e escreveu um livro com profundas pesquisas sobre cotas nos Estados Unidos e em outros países. Suas conclusões não são nada favoráveis. Ao contrário: ele mostra como elas são perigosas.

Na melhor das hipóteses, as cotas raciais beneficiam as elites negras, não os mais pobres, e à custa dos pobres brancos. O jornal afirma que populações negra, latina e indígena tiveram mais acesso, mas aumentaram as vagas totais ou eles entraram no lugar de pobres brancos? Se é jogo de soma zero, por vagas finitas, então um precisa sair para o outro entrar, um deve perder para o outro ganhar, não? Elementar.

O que Trump quer é investigar justamente isso: houve uma política de discriminação contra brancos, por serem brancos, para favorecer negros? Isso não seria racismo reverso, indo contra o que o próprio Martin Luther King desejava, com uma nação que julgassem com base no mérito, não na cor da pele?

As cotas raciais acabaram segregando ainda mais a população, e nunca antes na história americana o clima esteve tão dividido, graças em parte ao próprio ex-presidente Obama, que soube abusar da cartada racial e incitar o racha, mesmo quando era para proteger marginais negros e condenar policiais como racistas.

A quem as cotas efetivamente ajudaram? A educação pública está em declínio evidente, e Sowell, assim como Walter Williams, outro respeitado pensador negro, condenam as cotas e pregam, em seu lugar, o voucher para que os pobres, todos os pobres, independentemente da cor, tenham acesso a melhores escolas particulares. A “charter school” também é uma alternativa melhor, pois delega a administração ao setor privado, reduzindo o poder dos sindicatos e melhorando o mecanismo de incentivos.

Ou seja, quem quer realmente melhorar a situação não só dos negros, mas de todos os americanos mais pobres não deveria enaltecer a política de cotas raciais, e sim defender meios que efetivamente melhorem o resultado final da educação. O modelo atual tem falhado visivelmente, em todos os aspectos.

Todo liberal, defensor da isonomia, da igualdade perante as leis e da meritocracia, deveria condenar as cotas raciais. Os racistas podem gritar “Black Lives Matter” enquanto defendem bandidos que matam policiais, brancos e negros. Mas os patriotas deveriam gritar “All Lives Matter”. Trump acertou mais uma.

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal.




Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO - A moralista

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(Ilhéus, 1925 – a moralista)


            De férias em Ilhéus Eurico e Emílio, filhos de dona Julieta, e eu, filho de dona Eulália – Emílio festejara treze anos, Eurico e eu ainda não – enchemo-nos de coragem, adentramos o puteiro de Antonia Machadão (em Gabriela mudei-lhe o prenome para Maria), o mais renomado da zona cacaueira. Além de nacionais vindas da Bahia, de Aracaju, do Rio, nele exerciam uma francesa e uma polaca, profissionais civilizadas, as gringas faziam de um tudo.

            Alvoroça-se o mulherio  ao ver os filhos-de-família, infantes decerto cabaçudos, somos cercados, abraçados, beijados, riem, debocham, oferecem-se para a festa do desvirginamento. Emílio tenta bancar o veterano Eurico emudece, encabulado, a polaca senta-se em meu colo. A algazarra traz Antonia Machadão à sala, foi o dia do juízo final.

            Conhecida e estimada por todos na cidade apesar do comércio que explorava com proveito, Antônia tivera duas filhas de xodós diferentes, adotadas uma e outra por famílias ilheenses, dava-se com as senhoras da sociedade, as esposas dos fregueses do castelo, nenhuma lhe negava o cumprimento. Com minha mãe batia longos papos quando habitávamos na Rua do Unhão, não longe da pensão alegre. Ao lado de Lalu, sentadas as duas no batente da porta, comentavam a chuva e o bom tempo, a previsão da safra e o preço do cacau. Na região Grapiúna onde ainda se morria e se matava pela posse da terra, as distinções sociais não ditavam os costumes.

            Ao nos ver nos braços das raparigas, em vias de escolher parceira, ir para a vida na cama, Antônia Machadão virou fera.

            - Fora, fora daqui, seus moleques descarados, fora agora mesmo que haveriam de dizer dona Julieta e dona Eulália se soubessem que permiti que seus meninos frequentem casa de mulher-dama. Fora daqui!

            Expulsos, humilhados, o galanteio das putas se transforma em vaia, saímos rua a fora rabo entre as pernas: Antônia Machadão, caftina, zelava pela moral na cidade de Ilhéus.


(NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM)
Jorge Amado.
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JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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UILSON SOUTO para Eglê S Machado

Uilson Souto para Eglê S Machado



Machado muito afiado,

A cortar nosso vernáculo,

Em poema bem rimado,

De conteúdo espetáculo;

Sobretudo pra quem lê,

Teus lindos versos, colega,

Quem vê a obra de Eglê

Além de adorar, se apega.


Uilson Souto
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UILSON SOUTO - Bancário Aposentado, Ciclista e Poeta.


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TURISTA DE QUINTA - Geraldo Carneiro

Turista de quinta


Sou um turista de quinta categoria. Sempre me identifiquei com uma frase atribuída a Nelson Rodrigues, que, segundo seus amigos, declarava: “Quando atravesso o Túnel Rebouças, sinto uma enorme nostalgia do Brasil.”

Na verdade, não sou tão radical. Adoro o Rio além e aquém túnel. E é claro que viajo pelo planeta, quando é inevitável, fingindo que estou me divertindo horrores. Às vezes até me divirto mesmo.

Semana passada cheguei de Bariloche, onde fui a convite de meus sogros, Inabel e Paulo. Um hotel belíssimo. A companhia? Magnífica. Mas fiquei contemplando aquela neve toda e me sentindo como um pinguim em Copacabana. Poderia alegar que houve contratempos: minha musa torceu o joelho descendo de esquibunda — não se pode confiar num esporte com tal nome; eu, pelo menos, não confio. A verdade, porém, é que sou sempre aquele brasileiro anedótico, que compara as maravilhas do universo com as trivialidades de sua terra natal.

Quarenta anos atrás, por exemplo, morei alguns meses no centro histórico de Roma, e só fui ao Vaticano 20 anos depois. Claro que tinha curiosidade de conhecer a cúpula do Michelangelo, as esculturas de Bernini etc. A preguiça turística, no entanto, não me permitia atravessar o Rio Tibre.

Se meus anfitriões, Amelita Baltar e Astor Piazzolla, me mostravam a silhueta do Coliseu, visto de uma varanda da burguesia socialista, eu declarava solenemente: “Prefiro o Diagonal.” Se me apresentavam outra maravilha, como a Fontana di Trevi, eu dizia: “É bonita. Mas prefiro o Diagonal.”

Um parêntese. O Diagonal, para quem não sabe, era o epicentro do Baixo Leblon, conjunto de botequins do bairro, frequentados pela fina flor da arte e da boemia. Quase todas as pessoas interessantes do Rio apareciam por lá, de Nelson Cavaquinho a Tom Jobim. Em matéria de atmosfera, o Diagonal dos anos 70 era a versão carioca do Café de Flore, 20 anos antes, em Paris. Embora concretamente fosse um barzinho mixuruca, com um cheirinho nauseabundo e algumas baratas quase sempre de plantão.

Hoje, graças à mudança dos tempos e à saúde pública, melhorou muito. Fecha o parêntese.

Alguns meses depois, Piazzolla veio ao Brasil para fazer shows, como fazia quase todos os anos.

Assim que chegou, me pediu, com seu sotaque indefectível: “Llevame a Diagonal!” Obedeci. Quando lá chegamos e ele se deparou com a precariedade daquele templo da boemia, emitiu uma exclamação tão pejorativa que não posso reproduzi-la neste almanaque dominical.

Depois ele compreendeu que toda cidade é uma invenção da memória sentimental de seus moradores.

Cada cidade é uma Troia, mesmo que não guarde a memória de sua tragédia. E é também um Tivoli Parque, onde nossa imaginação será feliz para sempre.

Em suma, o mundo inteiro não vale o meu bar.

O Globo, 06/08/2017


Geraldo Carneiro - Sexto ocupante da Cadeira 24 da ABL, eleito em 27 de outubro de 2016, na sucessão de Sábato Magaldi e recebido em 31 de março de 2017 pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.


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domingo, 6 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO - Posfácio por José Saramago

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posfácio
Uma certa inocência


          Durante muitos anos Jorge Amado quis e soube ser a voz, o sentido e a alegria do Brasil. Poucas vezes um escritor terá conseguido tornar-se, tanto como ele, o espelho e o retrato de um povo inteiro.

            Uma parte importante do mundo leitor estrangeiro começou a conhecer o Brasil quando começou a ler Jorge Amado. E para muita gente  foi uma surpresa descobrir nos livros de Jorge Amado, com a mais transparente das evidências, a complexa heterogeneidade, não só racial, mas cultural, da sociedade brasileira.
           
            A generalizada e estereotipada visão de que o Brasil seria reduzível à soma mecânica das populações brancas, negras, mulatas e índias, perspectiva essa que,  em todo caso, já vinha sendo progressivamente corrigida, ainda que de maneira desigual, pelas dinâmicas do desenvolvimento nos múltiplos sectores e atividades sociais do país, recebeu, com a obra de Jorge Amado, o mais solene e ao mesmo tempo aprazível desmentido.

            Não ignorávamos a emigração portuguesa histórica nem, em diferente escala e em épocas diferentes, a alemã e a italiana, mas foi Jorge Amado quem veio pôr-nos diante dos olhos o pouco que sabíamos sobre a matéria. O leque étnico que refrescava a terra brasileira era muito mais rico e diversificado do que as percepções europeias, sempre contaminadas pelos hábitos selectivos do colonialismo, pretendiam dar a entender: afinal, havia também que contar com a multidão de turcos, sírios, libaneses e tutti quanti que, a partir do século XIX e durante o século XX, praticamente até aos tempos actuais, tinham deixado os seus países de origem  para entregar-se, em corpo e alma, às seduções, mas também aos perigos, do eldorado brasileiro. E também para que Jorge Amado lhes abrisse de par em par as portas dos seus livros.

            Tomo como exemplo do que venho dizendo este pequeno e delicioso livro cujo título – A descoberta da América pelos turcos – é capaz de mobilizar de imediato a atenção do mais apático dos leitores. Aí se vai contar, em princípio, a história de dois turcos, que não eram turcos, diz Jorge Amado, mas árabes, Raduan Murad e Jamil Bichara, que decidiram emigrar à América à conquista de dinheiro e mulheres. Não tardou muito, porém, que a história, que parecia prometer unidade, se subdividisse em outras histórias em que entram dezenas de personagens, homens violentos, putanheiros e beberrões, mulheres tão sedentas de sexo como de felicidade doméstica, tudo isto no quadro distrital de Itabuna, Bahia, onde Jorge Amado (coincidência?) precisamente veio a nascer.

            Esta picaresca  brasileira não é menos violenta que a ibérica. Estamos em terra de jagunços, de roças de cacau que eram minas de ouro, de brigas resolvidas a golpe de facão, de coronéis que exercem sem lei um poder que ninguém é capaz de compreender como foi que lhes chegou, de prostíbulos onde as prostitutas são disputadas como as mais puras das esposas. Esta gente não pensa mais que em fornicar, acumular dinheiro, amantes e bebedeiras. São carne para o Juízo Final, para a condenação eterna. E, contudo...

            E, contudo, ao longo desta história turbulenta e de mau conselho, respira-se (perante o desconcerto do leitor) uma espécie de inocência, tão natural como o vento que sopra ou a água que corre, tão espontânea como a erva que nasceu depois da chuvada. Prodígio da arte de narrar, A descoberta da América pelos turcos, não obstante a sua brevidade quase esquemática e a sua aparente singeleza, merece ocupar um lugar ao lado dos grandes murais romanescos, como Jubiabá, Tenda dos Milagres ou Terras do sem-fim.

            Diz-se que pelo dedo se conhece o gigante. Aí está, pois, o dedo do gigante, o dedo de Jorge Amado.



(A DESCOBERTA DA AMÉRICA PELOS TURCOS)
Jorge Amado

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JOSÉ SARAMAGO, escritor português - (16 de novembro de 1922 — 18 de junho de 2010)
Escritortradutorjornalistapoetacronistadramaturgocontista, romancista, teatrólogoargumentista ensaísta. Foi galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

(Wikipédia)

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HIROSHIMA LEMBRA 72 ANOS DA BOMBA, COM APELO AO DESARMAMENTO NUCLEAR

Cerimônia começou com um minuto de silêncio na hora exata em que a bomba atômica foi lançada pelos EUA. Homenagem contou com a participação de representantes de cerca de 80 países e da União Europeia.
Por Agencia EFE
06/08/2017

Homem reza por vítimas da bomba de Hiroshima durante cerimônia de homenagem no Japão (Foto: Kyodo/via REUTERS )

A cidade japonesa de Hiroshima lembrou neste domingo (6) o 72º aniversário do lançamento da bomba atômica que matou centenas de milhares de pessoas ao final da Segunda Guerra Mundial, com uma cerimônia na qual se apelou ao desarmamento nuclear global.

O ato aconteceu no Parque da Paz desta cidade do oeste do Japão, situado perto do ponto central da devastadora explosão nuclear, e começou com um minuto de silêncio às 8h15 (horário local, 20h15 de sábado em Brasília).

Essa foi a hora exata na qual o B-29 Enola Gay da Força Aérea dos Estados Unidos lançou no dia 6 agosto de 1945 o Little Boy, nome com o qual o primeiro artefato nuclear da história foi batizado.

Após o minuto de silêncio, o prefeito da cidade, Kazumi Matsui, pediu a todos os líderes mundiais que apoiem o tratado adotado por 122 membros das Nações Unidas no começo do mês para proibir as armas nucleares, o primeiro deste tipo a nível global.

"É o momento que todos os governos devem lutar para avançar rumo a um mundo livre de armas nucleares", afirmou Matsui, pedindo em particular ao Governo de Japão "que manifeste o pacifismo estabelecido pela sua Constituição e faça todo o possível por facilitar a adoção global do pacto".

Tal acordo foi aprovado por quase dois terços dos países membros da ONU, ainda que tenham se mantido à margem todas as potências atômicas e muitos dos seus aliados, Japão entre eles, o que representa uma dúvida para o sucesso da iniciativa.

Cerimônia em homenagem às vítimas da bomba atômica de Hiroshima (Foto: Kyodo/via REUTERS )

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, evitou mencionar diretamente o tratado durante a sua intervenção, ainda que tenha destacado a necessidade de que tanto as potências nucleares como os demais países "se envolvam para se conseguir um mundo verdadeiramente livre de armas atômicas".

"O Japão está decidido a liderar a comunidade internacional, mantendo os seus princípios de não produzir ou possuir armas nucleares nem de permitir a sua entrada em território nacional, e pedindo a todos os países para tomar medidas similares", disse Abe no seu discurso.

A cerimônia contou com a participação de representantes de cerca de 80 países e da União Europeia, entre eles potências nucleares como Reino Unido, França, Estados Unidos e Rússia.

A subsecretária geral das Nações Unidas e alta representante para o desarmamento, a japonesa Izumi Nakamitsu, afirmou que os sobreviventes do bombardeio atômico de Hiroshima "enviam uma mensagem heroica ao mundo e uma lembrança dos devastadores efeitos destas armas", em uma mensagem lida em nome do secretário geral da ONU, Antonio Guterres.

A bomba lançada sobre Hiroshima detonou com uma intensidade de 16 quilotons a cerca de 600 metros de altura muito perto de onde se ergue o parque onde aconteceu a cerimônia, e matou imediatamente cerca de 80 mil pessoas.

O número aumentaria até 1945, quando o balanço de mortos subiu para 140 mil, e nos anos posteriores as vítimas pela radiação somaram mais do que o dobro.

Três dias após o ataque sobre Hiroshima, em 9 de agosto de 1945, os EUA lançaram uma segunda bomba nuclear sobre a cidade de Nagasaki, o que levou à capitulação do Japão seis dias mais tarde e pôs fim à Segunda Guerra Mundial.

Os ataques atômicos sobre ambas as cidades japonesas foram os únicos deste tipo executados até hoje.

Em março passado o número total de "hibakusha" ou sobreviventes dos bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki era de 164.621, comparado com os 372.264 que havia em 1980, e a sua idade média era de 81,41 anos.



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