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domingo, 6 de agosto de 2017

PALAVRA DA SALVAÇÃO (38)

Transfiguração do Senhor - Domingo 06/08/2017

Anúncio do Evangelho (Mt 17,1-9)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:


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A luz que nos trans-figura

 “O seu rosto brilhou como o sol e as suas vestes ficaram brancas como a luz” (Mt 17,2)

“Saí de vossas trevas! Deixai para trás a segurança do vale e empreendei sem medo a subida ao monte, porque lá no alto a luz vos espera!”. Este poderia ser o apelo do evangelho da Transfiguração, que pede de nós mobilidade para sair das falsas seguranças de uma vida sem horizontes.

De fato, há em nós uma força atrofiadora que nos faz preferir a acomodação, permanecendo tranquilos, perdidos no imediato e alheios à capacidade de transfiguração que se esconde por detrás da aparente normalidade das pessoas e das coisas.
“O mundo está cheio de esplendor espiritual e de segredos maravilhosos, mas basta um pequeno cisco sobre nossos olhos para que tudo fique escondido”(Baal Sem Tov).

Por isso, no Evangelho de hoje, e com diferentes graus de intensidade, o evangelista sai da esfera plana das descrições precisas e exatas e se expressa na linguagem do excessivo, do simbólico, do totalizante: “seu rosto brilhou como o sol”, “suas roupas ficaram brilhantes como a luz”, “uma nuvem luminosa os cobriu”... E como contraste escuro frente a tanta luz, três pobres homens assustados que balbuciam disparates, que preferiam dormir e ficar aí junto a esta situação tão surpreendente.

A Transfiguração está nos dizendo quem era realmente Jesus e quem somos realmente cada um de nós. Essa cena que Mateus relata é um símbolo das muitas “experiências de transfiguração” que todos experimentamos. A vida diária tende a fazer-se cinza, monótona, cansada, e a deixar-nos desanimados, sem forças para caminhar. Mas, eis que surgem momentos especiais, com frequência inesperados, em que uma luz atravessa nosso coração, e os olhos de nossa interioridade nos permitem ver muito mais longe e muito mais fundo daquilo que estávamos acostumados a olhar até esse momento.

A realidade é a mesma, mas nos aparece transfigurada, com outra figura, revelando sua dimensão interior, essa na qual tínhamos acreditado, mas que com o cansaço do caminhar tínhamos esquecido. Essas experiências, verdadeiramente espirituais, nos permitem renovar nossas energias e, inclusive, entusiasmar-nos para continuar caminhando, com o sentimento de “como se víssemos o Invisível”.

Aquele Monte (Tabor) foi um espaço instigante para Jesus, lugar alto de sua experiência radical, de onde Ele podia ver os problemas da humanidade, para senti-los, para assumi-los e mudar... O mesmo Jesus nos faz subir à grande montanha para que vejamos as coisas de outra forma, de outra perspectiva...

É preciso, de vez em quando, tomar distância e nos afastar do cotidiano rotineiro e atrofiado, para ampliar nossa visão e contemplar o drama humano; é decisivo nos situar diante do calor de Deus (sarça ardente) para desvelar nossa verdadeira identidade. Somente assim a Montanha nos transfigurará para que nos empenhemos no serviço em favor dos “desfigurados” do mundo.

Todos nós aspiramos por experiências como a dos discípulos de Jesus no alto do Tabor. Mas nós não podemos nos encontrar com Jesus no Tabor da Galiléia. Necessitamos buscar nosso Tabor particular, os rincões de nossa morada interior onde estão as fontes que mais forças nos dão, as luzes com as quais nos sintonizamos para iluminar e dar um novo significado ao nosso compromisso primeiro. Todos nós somos portadores de uma luz que procede de dentro, uma iluminação interior, que só aquele que vive a partir de sua própria interioridade consegue ter acesso a ela.

Ao relatar suas experiências espirituais, muitos místicos fazem referência a uma luz que ilumina com força seu interior. É uma graça que não se revela rara, pois temos consciência que “Deus é luz” e que o mesmo Jesus se definiu como a “Luz do mundo”. Somos envolvidos providencialmente por esta expansiva Luz. Todas as pessoas que fizeram esta experiência de encontro com o “Deus da Luz”, puseram os meios para fazer a viagem interior e ativar a “faísca da luz divina” ali presente. Na medida em que se deixaram invadir por essa luz, aproximaram-se cada vez mais dela para vivê-la com mais intensidade e para deixá-la refletir em seus rostos e ações. Por isso, foram pessoas de presenças originais e iluminantes em seu meio.

No ritmo do cotidiano, o dom imenso da luz passa desapercebido. Que o digam aqueles que não podem ver; que o digam aqueles que nunca puderam estremecer-se diante de um pôr-do-sol ou diante das cores vivas de uma pintura; que o digam aqueles que nunca puderam ver o brilho de uns olhos cheios de amor... Na costumeira cotidianidade, o perigo de não valorizar a luz é evidente; no entanto, para quem contempla sua cotidianidade, a formosura da luz que se derrama sobre nós que vivemos neste planeta sem luz própria é a prova da generosidade de Deus para conosco.

Por isso mesmo, há vidas luminosas e vidas obscuras. Há pessoas cuja luz interior transfigura suas vidas: vivem na transparência da luz, seus gestos e atos são luminosos, admiram-se com o brilho da vida e desejam que tudo tenha esse brilho, iluminam com sensata positividade tudo o que acontece ao seu redor, colocam-se sempre na perspectiva de quem desfruta da cor e do amor no encontro com os outros... O resplendor da Transfiguração brilha no interior de cada um de nós; não nos vemos vazios por dentro porque no mais profundo de nós, na morada mais interior, está o “sol de onde procede uma grande luz” (Santa Teresa de Jesus).

Deixar-se transfigurar. Somos seres de luz e nossa verdadeira transformação nasce de nosso interior. Na Transfiguração, Jesus nos faz descobrir nosso verdadeiro ser, que vemos refletido n’Ele. A transfiguração não é condição de um “iluminado”, mas a realidade de toda pessoa que é capaz de “sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Deixar-se transfigurar é descentrar-se e expandir sua luz, para realizar aquele chamado único de Jesus dirigido a todos nós: “Vós sois a luz do mundo”.

Transfiguração é festa da luz: Jesus é a Luz e no encontro com Sua Luz podemos ativar a tímida luz presente no nosso interior. Só assim podemos ampliar os espaços de luz em nossas vidas, para contagiar-nos de luz e para comunicar uma mística de luz em nosso entorno. Não se trata de falsas iluminações, mas de alcançar outra perspectiva de vida, mais luminosa, mais positiva, mais esperançada.

Para transitar na noite de nosso tempo precisamos buscar na Transfiguração a Luz que a ilumine e nos indique a direção e o sentido de nossa existência. A “noite de nosso mundo”- carregada de tanta corrupção, violência, preconceito - pede pessoas marcadas pela experiência da Transfiguração, capazes de ver a presença d’Aquele que é a Luz no meio das realidades simples e cotidianas, no profundo do coração de cada ser humano, de cada realidade vivente, de cada palmo de nossa terra, no mistério insondável do universo grávido de graça.

Precisamos cultivar não só olhos que vejam a realidade, senão que sejam capazes de contemplar, no meio da noite, a presença da Luz: uma luz que brota das profundezas da realidade, do profundo do ser onde o Deus, Fonte de vida, sustenta tudo; uma luz que nos faz descobrir nosso ser essencial: filhos e filhas amados(as) e irmanados(as) com todos e com tudo.

Texto bíblico:  Mt. 17, 1-9

Na oração: Na nossa vida cristã não faltam momentos de claridade e certeza, de alegria de luz. E tudo depende de nossa visão, ou seja, se nosso olhar só capta o imediato e rasteiro que nos rodeia, ou se é capaz de descobrir o profundo e o luminoso em tudo... “Tudo é segundo a cor da lente com que se olha”.
- Como é seu olhar? Mais além do imediato que o rodeia? você é capaz de ver a presença da Luz, da profundidade de sentido, da presença de Deus... que há por detrás de cada circunstância?
- Você é capaz de transfigurar o olhar para captar a presença da luz que tudo resignifica?

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Campinas-SP



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sábado, 5 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO – As duas casas

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(Buquim, Sergipe. 1936 – as duas casas)


             Meu pai vem passar uns dias comigo em Estância: sucos de graviola, caju, cajá, de manga e umbu, almoços monumentais em casa de parentes, banhos de rio na bacia das moças. Em sua cidade natal o coronel do cacau rejuvenesce. As três irmãs surgem, curiosas, querendo conhece-lo, afoitas voltejam em torno do velho João Amado. Velho? Anda pelos cinquenta anos, com a mão alisa os bigodes negros, ajeita as mechas da cabeleira, os olhos brilham. Mede as moças, cada qual mais formosa, passa a língua pelos lábios: sinto meu harém ameaçado.

            Meu pai leva-me a Buquim em visita à sua irmã mais velha, minha tia Yayá. Meu avô José Amado de Faria faturou 21 filhos, 18 do primeiro matrimônio, 3 do segundo. Yayá, primogênita, completara 84 anos e seu marido José era um ano mais velho.

            Casa ampla de comerciante rico, na praça central de Buquim, a sala de visitas é aberta aos visitantes, os móveis caros e pesados são despidos de coberturas que os resguardam, a ocorrência é solene: visita de irmão fazendeiro de cacau em Ilhéus, de sobrinho escritor de nome nos jornais. Conversamos durante o almoço grandioso, oito pratos, peixes, camarões, pitus, galinha – a galinha de parida de minha tia Yayá, falada até em Aracaju -, carne de boi e de porco, feijão, branco e mulatinho, arroz, farofa, abóbora, fruta-pão, jiló, maxixe, chuchu, batata-doce, aipim, inhame, banana-da-terra e por aí afora, um desparrame.

            Na mesa, além do casal – minha tia Yayá é monumental, buço forte sobre o lábio, quase um bigode, usa óculos, enrola o cabelo num coque alvo de algodão, ar de senhora grada, meu tio José é um caboclo de muitos sangues misturados, o rosto aberto, as mãos poderosas, a grenha e os bigodes brancos, o cigarro de palha, o riso fácil -, além deles a filha viúva, a filha solteirona e o filho mais moço, Antônio, único varão, terá seus cinquenta anos, por aí, bigodudo como o pai de quem herdou as feições morenas e o riso cordial. Antônio, acanhado, conta-me que leu Jubiabá e Mar morto, tece elogios. Três filhas morreram num surto de bexiga e minha tia abortou de gêmeos. Aprendo histórias da bexiga negra que, em mais de uma ocasião, lavrou em Buquim sua lavra de morte.

            Após o almoço tio José, lépido apesar dos 85 anos de labuta, toma do chapéu e da bengala e nos convida a dar uma volta. Volta que nos leva à casa militar, numa rua de canto, residência tão ampla quanto a da casa civil e ainda mais agradável, pois fica no centro de vasto terreno plantado de mangueiras, cajueiros, abacateiros, umbuzeiros, cajazeiras, pés de pinha, graviola e fruta-pão, mangabeiras, uma roça de pitangas, além do agreste jardim de flores tropicais.

            Tio José nos apresenta a Rosa, mulata bem fornida de carnes, risonha, a bunda vistosa empinando a saia, formosura doce e sensual: hoje já não se fazem dessas mulatas de antes, gordas e belas, são magras e xexelentas. Na carapinha bem cuidada uma flor do campo, colares e pulseiras de ouro, os dentes de morder, admiráveis, os olhos lânguidos, Rosa nascida para a cama. Várias crianças vêm correndo da casa e do pomar tomar a bênção ao pai, a mais velha andará pelos quinze anos, a mais moça, de meses, dorme no colo da ama-de-leite. 

            Redes brancas nas varandas, para a sesta. No comando de um batalhão de mucamas Rosa serve doces e compotas incomparáveis: doce de banana de rodinha, de jaca, de caju, de batata-doce de abacaxi, de limão inteiro e descascado, cada qual mais divino. Que dizer do requeijão que os acompanha, a manteiga escorrendo? O café fumega nos bules esmaltados.

            Os olhos cúpidos do coronel João Amado demoram nas ancas de Rosa, nos seios que se revelam no decote da bata branca. Também meus olhos se perdem naquelas formosuras.

            Rosa sentada atrás da rede onde tio José descansa pitando seu cigarro de palha, faz-lhe cafuné, carinhosa, arrulha no riso de dentes brancos. No calor da tarde a brisa convida ao cochilo, o tempo passa.

            Vamos regressar à casa civil, à majestade da tia Yayá, no portão da casa militar, ao deixarmos a mansidão de Rosa, meu pai aponta o bando de crianças que corre entre as árvores, os filhos da amásia:

            - São todos seus, José?

            O velho ri sob os bigodes brancos:

            - Todos meus, João Amado. – Amplia o sorriso, nos olhos a malícia e a ternura: - Meu filho Antônio me ajuda um pouco...


(NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM)
Jorge Amado
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JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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NOSSO CONVÍVIO – Valdir Azambuja


Nosso Convívio


A poesia é uma terapia para a vida pentelha que, às vezes, a gente é obrigado a levar.

Não quero mudar o mundo, quero que, de repente, as pessoas saquem um ponto focal comum e que cada um, do seu jeito, mude de vida, conquiste a cada dia mais poder, não sobre os outros, mas o poder de ser e tornar o mundo cada vez mais humano e melhor.

Em minha caminhada de esperança muitos caminharam lado a lado comigo, me dando força, ânimo para continuar e juntos crescermos.

A poesia é minha utopia, por isso convido a você: venha trazer o seu tempero, materializar o sonho, sonhando comigo, experimentando viver e conviver, mantendo sempre a diversidade pessoal para sermos mais.

O fascínio pela beleza de fazermos juntos nos permite criar coisas interessantes, instigantes que são resultados, reflexo do mais puro, do mais bonito e continuidade desse convívio. Assim cuidamos um do outro com trocas nutritivas, sinceras e sem jogos.

A emoção pode ser a nossa música interior pedindo para ser ouvida, raiz e asa para a verdade de ser vir à tona.

Com a poesia saio da clandestinidade; faço minha inserção cultural, minha ideologia, minha voz e interferência no espaço da cidade.
Experimentamos novas formas de convívio, regado a muita poesia e conversa boa, afinal com a técnica enfrentamos; enfrentaremos os combates materiais da vida. Mas a vida mesmo, só vive quem sente e tem coração.

Assim, tornamos esses dias inesquecíveis, criamos um vínculo afetivo, uma identificação, produzimos conhecimentos e poesia luz.

Eu gosto de trabalhar
A poesia me fascina
Às vezes fico durante dias
Olhando-a em cada esquina pessoa.


(MEMÓRIAS DO FUTURO)

Valdir Azambuja

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO – Aeroporto

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(Bahia, 1966 – aeroporto)


            No aeroporto Zélia e eu aguardamos Neruda que, estando no Brasil, vem passar o fim de semana conosco na Bahia, matar saudades. Esbaforido aparece Ariovaldo Matos*, a quem eu dera a informação. Ariovaldo publica um semanário, tem dificuldades de dinheiro e de censura, vive entre a redação e a cadeia.

            Pablo viajara ao Brasil para a cerimônia de inauguração em São Paulo do monumento em memória de Garcia Lorca. Obra de Flávio de Carvalho. Menos de uma semana após a solenidade o monumento foi destruído pelos esbirros da ditadura militar, as forças armadas não estimam os poetas.

            Acompanhado por Matilde, Pablo desce do avião, nos abraçamos peito contra peito, face contra face, faz tempo que não nos vemos. Tendo vindo para o júbilo do reencontro fraterno na cidade predileta – o casario, a música, a capoeira, o vatapá, os camarões e as lagostas – e não para a masturbação dos funerais, Pablo sussurra-me ao ouvido, a voz magoada:

            - No me perguntes por nadie, compadre, se murieron todos. Restamos solamente nosotros.

            Sob a batuta de Ariovaldo, as baianas cercam o poeta, atam-lhe no pulso a fita do Bonfim, a branca, a de Oxalá, dão-lhe as boas-vindas.


*Ariovaldo Matos (1926/1988),escritor e jornalista.


 (NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM)

Jorge Amado

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ITABUNA CENTENÁRIA: UM SONETO – Ler – Oscar Benício dos Santos

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LER


Você não gosta de ler
é só porque já morreu
ou, quem sabe, se esqueceu
já aborto de nascer.

Do ventre onde iria crescer
foi expulso – pigmeu –
e nem assim você leu
a bula do Bom Viver.

Vive dobrado quem lê,
pois da vida é dublê
e faz do livro oração.

Conduz o que lê, da mente
com poder clarividente,
ao imo do coração.


Oscar Benício Dos Santos

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO - Gabo

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(Frankfurt, 1970 – gabo) 


            Nos portos do mundo encontro Gabriel Garcia Márquez. Em Barcelona ele nos espera em companhia de Carmen Balcells, a agente literária, terror dos editores, o editor Alfredo Machado a estimava: ela briga para defender os autores. Fomos tomar o café da manhã em botequim das proximidades. Em Cartagena, do navio avistamos Gabo e Mercedes, sua mulher, vamos saborear o café da Colômbia na residência dos pais do Prêmio Nobel. Em Havana jantamos em sua casa na companhia de Fidel Castro.

            Leio Garcia Márquez de há longo tempo, não sei se fui eu quem recomendou Cem anos de Solidão a Glauber Rocha ou se foi Glauber quem chamou minha atenção para o livro do colombiano. Gabo escreveu dois romances definitivos: o dos Cem Anos e O Amor nos Tempos do Cólera.

            Eu o conheci pessoalmente há mais de vinte anos num encontro de escritores da América Latina*, decorrido  no quadro da Feira de Livros de Frankfurt, no qual professores e estudiosos alemães demonstraram conhecimento e interesse acerca das literatura de nossos países e uma boa parte dos convidados hispano-americanos exibiu-se despudoradamente em busca de editor. Ainda outro dia recordei com Eduardo Portella a indignação de Adonias Filho, pouco afeito à disputa feroz por um lugar ao sol no mapa do universo literário, ao assistir à competição de títulos alardeados pelos candidatos a traduções e artigos, Adonias ficou sufocado: não vim aqui para isso, nos disse, a Eduardo e a mim, éramos os três brasileiros presentes, corpos estranhos na algazarra castelhana dos confrades. Chamou-me a atenção o comedimento de Garcia Márquez, em silêncio numa ponta da mesa, sem participar na feira das vaidades.

            Vindo a Moscou, Gabo  telefona-me em Paris para dar recado de Doc Comparato, pergunto em que hotel se hospeda, ouço-lhe o riso

            - Jorge, quando um escritor latino-americano chega a certa idade, se tem juízo, deve fazer o que fizeste, comprar um apartamento em Paris –  dá-me o endereço e o telefone.

*Frankfurt, 1970

                                                                                                        (NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM)
Jorge Amado



JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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EDITORA DA ESPANHA PUBLICA LIVRO DE POESIA DE CYRO DE MATTOS


Editora da Espanha Publica Livro 
de Poesia de Cyro de Mattos


            A Editora Verbum, de Madri, Espanha, acaba de publicar  o livro Donde Estoy y Soy (Onde Estou e Sou), poesia, do escritor e acadêmico  Cyro de Mattos, com tradução e prefácio do poeta espanhol-peruano  Alfredo Pérez Alencart, e posfácio do poeta e filólogo mexicano Juan Angel Torres Rechy, ambos professores da Universidade de Salamanca.
 
            Criada há 27 anos, a Editora Verbum é uma das mais importantes da Espanha, com uma rede de distribuição de livros que alcança a Europa, América e  Ásia. Seu catálogo supera mais de 1000 títulos e 1500 autores. E, entre eles, figuram  Rubén Darío, José Martí, Mario Vargas Losa, Gabriel Garcia Marques, Fernando Pessoa, Unamuno, Cervantes, Garcia Lorca e Alfredo Pérez Alencart.

            O livro de Cyro de Mattos figura na Colección Poesia, na qual  participam, entre outros, o norte-americano E.E. Cuming, e os cubanos Gastón Baquero e  José Lezama Lima. Donde estoy y Soy é uma antologia com poemas retirados dos livros Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, A Casa Verde, Oratório de Natal e Vinte e Um Poemas de Amor, e dos inéditos Agudo Mundo,   Rumores de Relva e Mar e Devoto do Campo..

             Para AlfredoPérez Alencart, Cyro de Mattos é “un poeta brasileño que merece un ciertísimo aplauso: Poesía y Vida, un largo camino que ahora se acopia para que no exista destierro: y tampoco olvido. ¡Purifica la emoción, Poesía!”

            Para Juan Angel Torres Rechy, “De Mattos domina con maestría y finura extremas la tradición literaria renacentista del soneto, pero también rompe cánones y crea voces de vanguardia. En «Duro mundo» su impulso poético transgrede la sintaxis, su lirismo deambula por ambientes surrealistas. «Galope» en efecto resulta un sonoro galopar de sus caballos. En sus poemas encontramos al niño que conoce por primera vez el mar y al hombre mayor que detiene sus pasos en un punto del camino y los oye volver con una oleada de recuerdos. Una fragilidad abierta a los disparos y los abrazos del mundo. Al inicio de su libro encontramos el poema «Lugar». La perspectiva del sujeto lírico no ensalza a las personas, ni a la naturaleza, no engrandece ni pone por alto a nadie.Lo pone en valor y nos lleva a atisbar el sentido de la vida de nuestro poeta: vivir el miedo, las lágrimas, el beso, la risa; ser música y ser sueño[...]


            Com este Donde estoy y Soy, o ficionista e poeta Cyro de Mattos alcança a marca de dez livros publicados na Europa, sendo quatro em Portugal, três na Itália, um na França,  um na Espanha  e um na Alemanha. Seus contos e poemas estão incluídos em antologias literárias   importantes de Portugal, México, Espanha, França, Itália, Dinamarca, Rússia e Estados Unidos. É autor premiado  no Brasil, Portugal, Itália e México.
......
É do pintor espanhol, de Salamanca, Miguel Elías, o desenho da capa do livro Donde estoy y Soy  
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