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quinta-feira, 8 de junho de 2017

2017: ONDA DE SACRILÉGIOS CONTRA A EUCARISTÍA, CONTRA NOSSA SENHORA E CONTRA OS SANTOS

7 de junho de 2017

Capela com o relicário do cérebro de don Bosco na basílica, antes do roubo sacrílego.
No destaque fotográfico: a artística urna com a preciosa relíquia do santo
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs

O ano de 2017 vem sendo marcado por uma onda de sacrílegos atentados contra Nossa Senhora em diversos países coincidindo estranhamente com o centenário das Aparições de Fátima.

Eis alguns satânicos exemplos:
Roubada urna com o cérebro de São João Bosco

O mundo católico inteiro estremeceu pelo roubo da urna-relicário que contem parte do cérebro de São João Bosco, segundo informou “Il Corriere della Sera” e a grande imprensa italiana.

O relicário se encontrava na Basílica de Colle Don Bosco, no município de Castelnuovo, Asti, numa capela por trás do altar principal.

É o local exato em que o grande don Bosco nasceu o dia 16 de agosto de 1815. 
Basílica de Colle Don Bosco, no local onde nasceu o santo,
Castelnuovo, Asti
Os demais restos do grande santo repousam numa capela monumental no santuário de Maria Ausiliatrice, em Turim.

Os preciosos restos estavam custodiados num requintado relicário.

Os autores do atroz atentado agiram no fim do dia 5 de junho aproveitando a escuridão.

Um apelo do arcebispo de Turim, Mons. Cesare Nosiglia, para que os profanadores devolvam as relíquias caiu no vazio

O prefeito de Castelnuovo, Giorgio Musso, disse o que todos os fiéis pensam: “jamais aconteceu uma coisa deste gênero, mas nos tempos que correm tudo pode acontecer”, noticiou o jornal “La Repubblica”. 

De fato, o furor do inferno parece sentir seus dias contados e tenta seus derradeiros, mas piores golpes.
Furto da coroa da Imaculada Conceição de Fourvière na França

Na noite do dia 12 de maio, desconhecidos roubaram a excepcional coroa da Imaculada Conceição, venerada na famosíssima basílica de Fourvière, em Lyon, França.

Essa coroa tinha um valor único. Em 1899, aristocráticas famílias lionesas a ofereceram em agradecimento à Imaculada Mãe de Deus por ter afastado da cidade a invasão do exército prussiano e a eclosão da revolução comunista, ou Commune, que tocou fogo no país.
Principal jornal de Lyon noticia o furto sacrílego da coroa de Nossa Senhora de Fourvière.
A joia simbólica tinha um grande valor material – incluía 1.791 pedras preciosas doadas por essas famílias – e estava no Museu de Arte Religiosa, de onde também foram roubados mais dois objetos: um anel e um cálice, segundo o site Aleteia. 

O arcebispo da cidade, Cardeal Philippe Barbarin, manifestou indignação e comentou:

“Em Lyon, todo mundo ama Nossa Senhora de Fourvière. Quando Ela é agredida, os lioneses se sentem feridos”.

Porém, não se tem notícia de atos religiosos encomendados pela diocese em reparação proporcionada à ofensa cometida.
Destruição de imagem de Nossa Senhora de Guadalupe no Peru

Imagem de Nossa Senhora de Guadalupe destruída em Lima, Peru
Em Lima, capital do Peru, “desconhecidos” destruíram sacrilegamente uma imagem da Virgem de Guadalupe num santuário arquidiocesano.

Os paroquianos não conseguiam acreditar no que havia acontecido face ao ódio satânico então manifestado, informou ACIDigital. 

A imagem de gesso apareceu esmigalhada no chão, disse o pároco Pe. Rafael Reátegui. Havia 15 anos que era venerada numa gruta do lado de fora do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no bairro La Victoria.

Uma nova imagem foi colocada na mesma gruta e recebeu repetidos atos de reparação oferecidos espontaneamente pelo povo.

A profanação aconteceu, observou o pároco, exatamente num “momento difícil e dramático no Peru”, onde estão se “perdendo os valores e atacando a família e a vida”.

É, pois, corrente que o furor do demônio está desatado.
Imagem de Santa Rosa de Lima substituída por símbolos satânicos, Lima, Peru.
No vídeo embaixo mais detalhes.
Atentado satânico contra Santa Rosa de Lima, em sua cidade

Ainda na capital peruana, no bairro San Juan de Lurigancho, outro grupo sacrílego atacou uma imagem de Santa Rosa de Lima e desenhou símbolos satânicos sobre sua urna, informou ACIDigital. 

Agentes de segurança conseguiram recuperar a imagem no exato momento em que os profanadores tentavam fugir. Porém, foram liberados poucas horas depois, como está se tornando costume nos países que menosprezam a Lei de Deus

Segundo jornal televisionado 24 Horas, os satanistas picharam o santuário com uma cruz de cabeça para baixo, uma estrela invertida e o número 666, símbolo do anticristo.

Os fiéis reinstalaram a imagem em seu altar.


Guarulhos, SP: profanação sacrílega da Eucaristía

No Brasil, um ódio inexplicável se patenteou na invasão e profanação da igreja de Nossa Senhora do Rosário, na diocese de São Miguel Paulista (SP).

A comunidade ficou “estarrecida” pela diabólica violência contra a Eucaristia, noticiou também ACIDigital. 

“Teve vandalismo, roubo dos cofres do dízimo, profanação do Santíssimo Sacramento”, relatou em sua página de Facebook a Paróquia São João Batista, em Itaim Paulista, à qual pertence a comunidade Nossa Senhora do Rosário.
Profanação na Igreja de Nossa Senhora do Rosário,
São Miguel Paulista
Na página foram publicadas fotos mostrando a depredação e hóstias jogadas sobre uma mesa.


“O Sacrário foi aberto e violado, espalharam hóstias, reviraram a sacristia toda, espalhando objetos sagrados”, relataram.

O pároco, Pe. Edmilson Leite Alves, disse que “muitas pessoas ficaram estarrecidas com tamanha violência com o Santíssimo Sacramento”.

Ele mesmo relatou que em 15 anos nessa paróquia nunca havia vivido algo parecido.

Os fiéis participaram de uma missa de desagravo ao Santíssimo Sacramento, com grande participação de paróquias vizinhas.

O Pe. Edmilson não abriu uma ocorrência na delegacia devido à impunidade existente em relação ao crime. “Nós nos sentimos impotentes”, lamentou.

Os homens podem ser impotentes, moles, relapsos, cúmplices ou ainda pior. Porém uma coisa é certa: quando o demônio desencadeia seu furor infernal é porque sente que seus dias estão contados.

O grande dia de Nossa Senhora está perto e então todos os crimes do chefe das potências infernais e de seus acólitos humanos serão punidos pelos anjos com magníficas manifestações de poder, enxotando Satanás e seus esbirros para os antros infernais.





 * * *


JUNHO - MÊS DE MACHADO DE ASSIS (II)

ERRO


Erro é teu. Amei-te um dia

Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Não foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, — como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro… Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras…



Machado de Assis

(Crisálidas – 1864)


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Os poemas de Machado, inseridos no contexto do romantismo (1836-1880), na verdade, não resistem mesmo é à comparação. É difícil crer que o autor da sutil sedutora Capitu pudesse ser tão pouco cativante em verso.

Mesmo sem nunca ter se engajado no romantismo, Machado parece atraído pelo ideário dos poetas de morte precoce que louvavam a espiritualidade e a juventude.

Em "Lúcia", por exemplo, canta os 15 anos da mesma forma que o contemporâneo Casimiro de Abreu se debruçou sobre os 8:

"Deixava entrar da primavera os bálsamos;
A várzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sós estávamos
E tínhamos quinze anos!".
  
         Lygia Fagundes Telles, escrevendo sobre Machado de Assis, aposta que outro poeta, Carlos Drummond de Andrade, daria, em sua opinião, um excelente interlocutor para o autor de "Dom Casmurro". Mas, se Drummond e Machado conversassem, apreciaria o primeiro a poesia do segundo?

Que julgue o leitor - relançamentos também servem para isso.


CYNARA MENEZES
ESPECIAL PARA
Folha de São Paulo 



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quarta-feira, 7 de junho de 2017

A LÍNGUA DA FICÇÃO, por Felipe Moura Brasil


A Língua da Ficção

“O que a gente vê, até mesmo em outros casos, é que a Justiça Eleitoral ou é muito enganada facilmente ou se deixa enganar muito facilmente, porque acaba aprovando contas que, na verdade, são uma ficção.”

A frase foi dita por Rodrigo Teles, procurador do Rio Grande do Norte, na mesma terça-feira em que o TSE começou a julgar a chapa Dilma-Temer.

Teles se referia à aprovação pela Justiça Eleitoral – tão somente “com ressalvas” – das contas de campanha de 2014 do então candidato a governador Henrique Eduardo Alves, mesmo após o TRE do RN tê-las rejeitado.

Alves, ex-ministro do Turismo dos governos Dilma e Temer, foi preso, acusado de receber propina na construção da Arena das Dunas, em Natal.

Nesta quarta-feira, o relator da ação contra a chapa Dilma-Temer, Herman Benjamin, disse que nem com ressalvas as contas da campanha presidencial teriam sido aprovadas se o TSE soubesse o que sabe agora a respeito delas.

Ele não explicou se o TSE foi muito enganado facilmente ou se deixou enganar muito facilmente, mas as condenações de Marcelo Odebrecht e João Santana pelos pagamentos à offshore do marqueteiro do PT reforçam que Dilma foi eleita com propina do esquema de corrupção da Petrobras.

As planilhas, os contratos forjados e os extratos das contas bancárias no exterior foram anexados ao processo do TSE, de modo que, não podendo desmentir as provas, os ministros que atuam em favor de Temer tentam invalidá-las, alegando que fogem à ação inicial do PSDB e que o relator não podia ter ouvido as testemunhas da Odebrecht, não convocadas pelas partes.

O momento mais cômico da sessão desta quarta foi a aula de pontuação dada por Benjamin em suas refutações das alegações petistas e peemedebistas.

“O juiz, ou o relator, poderá ouvir terceiros, referidos pelas partes, ou testemunhas, como conhecedores dos fatos e circunstâncias que possam interferir na decisão da causa”, justificou, lendo por extenso as vírgulas da lei.

Argumentou, assim, que o trecho “referidos pelas partes” vem antes de “testemunhas”, limitando apenas o caso dos “terceiros”; e acrescentou que investigar é dever inerente a qualquer Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

"Na Justiça Eleitoral, nós não trabalhamos com os olhos fechados", sentenciou o relator.

Em tribunais politizados, no entanto, aprova-se a ficção de olhos abertos.



Felipe Moura Brasil


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RIVÂNIA: A MENINA QUE SALVOU OS LIVROS!


A menina que salvou os livros


A menina Rivânia gerou comoção, após ser fotografada com uma mochila cheia de livros e material escolar, ao ser resgatada de uma enchente, no município de São José da Coroa Grande, no litoral sul Pernambucano.

No domingo (29/05/2017), o rio Una transbordou devido à chuva, e a família foi resgatada em uma jangada. As imagens registradas por Valter Rodrigues comoveram internautas, que ficaram sensibilizados pela escolha da menina de salvar os livros e os materiais.

Ela foi alertada pela avó (Maria Ivânia) sobre a necessidade de sair às pressas e salvar o que tivesse de mais importante. Como mostra a imagem, ela deixou brinquedos e roupas de lado e preferiu encher a mochila com seus poucos livros e o que tinha de material escolar.

Inegavelmente, um tapa na cara dos nossos políticos corruptos, que só se preocupam em encher suas infames malas de dinheiro sujo.

Parabéns a essa digna nordestina de apenas oito anos!


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.
  
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POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS – Clarice Lispector


Por Não Estarem Distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.

Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.

Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não.

Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.

Então a grande dança dos erros.

O cerimonial das palavras desacertadas.

Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.

No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.

Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.

Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.

Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.

Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.

Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.



(do livro A Descoberta do mundo: crônicas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 508)

Ligue o vídeo abaixo:




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JUNHO - MÊS DE MACHADO DE ASSIS (I)


ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL estará, até o dia 21/06/2017, festejando os 178 anos de Machado de Assis, com postagens diárias relacionadas à vida e obra do escritor. 
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RELÍQUIA ÍNTIMA


Ilustríssimo, caro e velho amigo, 
Saberás que, por um motivo urgente, 
Na quinta-feira, nove do corrente, 
Preciso muito de falar contigo. 

E aproveitando o portador te digo, 
Que nessa ocasião terás presente, 
A esperada gravura de patente 
Em que o Dante regressa do Inimigo. 

Manda-me pois dizer pelo bombeiro 
Se às três e meia te acharás postado 
Junto à porta do Garnier livreiro: 

Senão, escolhe outro lugar azado; 
Mas dá logo a resposta ao mensageiro, 
E continua a crer no teu Machado.



© MACHADO DE ASSIS 
(In A Estação, 15 jan. 1885) 
In Poesia Completa - Dispersas, 1854-1939 
Ortografia atualizada 

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Perfil do Acadêmico

Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.
(ABL)

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TSE JÁ CASSOU CHAPAS DE SILVIO SANTOS E COLLOR E "LIBEROU" FIM DA DITADURA...

Arte/UOL
"Silvio Santos não vem aí." A manchete do jornal "Diário Popular" (rebatizado em 2001 como "Diário de São Paulo") de 10 de novembro de 1989 utilizava o bordão do apresentador para noticiar a decisão unânime tomada um dia antes pelos ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E assim era encerrada a candidatura que abalou, em apenas dez dias, as eleições presidenciais daquele ano.

Tido como histórico pelo próprio TSE, o julgamento correu rapidamente pela proximidade com a data do primeiro turno --as eleições eram realizadas em 15 de novembro.

Antes, em outra decisão marcante da corte, o tribunal já havia liberado os delegados que votariam na eleição presidencial indireta de 1985 a escolherem candidatos de outras legendas --o que foi determinante para a derrota de Paulo Maluf (PDS) para Tancredo Neves (PMDB) e, consequentemente, decisivo também para o fim da ditadura. Depois, barrou a candidatura de Fernando Collor à Presidência em 1998, seis anos após ter sofrido impeachment.

Nas três situações, todas as decisões foram unânimes e tomadas em apenas um dia. Os pareceres sobre a fidelidade partidária e a candidatura de Silvio Santos duraram em torno de três horas; o sobre Collor, 20 minutos.

É candidato ou não é?

Silvio Santos resistiu de 31 de outubro a 9 de novembro como presidenciável pelo pequeno PMB. A articulação envolvia o então presidente José Sarney (PMDB) e parte do PFL (hoje DEM). Ele substituíra o "nanico" Armando Correa, pastor da Assembleia de Deus que tinha direito a cinco minutos na TV, graças ao único senador mantido pelo partido no Congresso, Ney Maranhão (PB) .

Cartaz da campanha de Sílvio Santos

Nos dias em que Silvio manteve a candidatura, 17 ações de impugnação foram apresentadas à Corte Eleitoral. Mesmo assim, o dono do SBT foi a estrela, por cinco dias, dos programas do PMB --cujo jingle era uma adaptação de "Silvio Santos vem aí", sua marca registrada.

Coube ao advogado da coligação do candidato líder nas pesquisas, Fernando Collor de Mello (PRN), Celio Silva, apresentar a denúncia mais contundente. O pedido foi apresentado em 6 de novembro e demorou três dias para ser julgado. Silva pedia a exclusão do PMB por não cumprir as exigências legais de funcionamento --a legenda, articulada em 1985, funcionava com registro provisório, que perdera a validade em 15 de outubro. O partido pedira o registro definitivo, que seria concedido mediante a confirmação de diretórios estaduais em ao menos dez Estados. Havia, no entanto, irregularidade em seis localidades (Distrito Federal, Paraíba, Rio de Janeiro, , Bahia, Amapá e Roraima.

Em decisão unânime, em 9 de novembro, o TSE considerou que o PMB não havia realizado o número mínimo de convenções regionais exigidas por lei, e a candidatura foi impugnada --a tese era a de que não existem candidatos sem partidos , e o PMB não existia.

Quatro juízes ainda entenderam que o apresentador não poderia postular à Presidência por ser dono de rede de TV. O anúncio do indeferimento foi feito em cadeia de rádio e TV pelo então presidente do TSE e ministro do STF, Francisco Rezek, no dia seguinte. "A inelegibilidade não desabona ninguém", disse, ao fim do julgamento.

"A inelegibilidade não desabona ninguém"
Francisco Rezek, presidente do TSE, após o julgamento sobre a candidatura de Silvio Santos


Com a eleição de Fernando Collor, Rezek seria nomeado ministro das Relações Exteriores. Ficaria no cargo até abril de 1992, quando seria reconduzido ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo próprio Collor.

A debandada que derrubou a ditadura

A convenção nacional do PDS --partido de sustentação do regime militar e que, depois de uma série de mutações e fusões, tem hoje como sucessor o PP-- foi a primeira amostra de que os anos de chumbo viviam seus últimos dias. Realizada no dia 11 de agosto de 1984, foi vencida pelo ex-governador Paulo Maluf, dono de 493 votos, contra 350 do ministro do Interior, coronel Mário Andreazza. A candidatura de Maluf não era unânime entre os pedessistas, e no dia seguinte o candidato da oposição, Tancredo Neves (PMDB), já contabilizava 66 votos de dissidentes para o pleito indireto de 15 de janeiro de 1985. O temor de a debandada significar a derrota de Maluf --e, por consequência, o fim de 21 anos de regime autoritário-- fez o PDS entrar com uma ação no TSE ameaçando de expulsão quem votasse contra a orientação do partido.

Jorge Araújo/Folhapress
Maluf durante a campanha presidencial de 1984

A resposta foi a de que a diretriz partidária não era suficiente para obrigar o voto em candidato apontado pela convenção --e que os votos que elegeriam Tancredo poderiam ser dados a candidatos registrados por outro partido político. "Não pode partido político fixar, como diretriz partidária, a ser observada pelo parlamentar a ele filiado, membro do Colégio Eleitoral, a obrigação de voto em favor de determinado candidato", afirma a ata assinada pelo então presidente do TSE, Rafael Mayer, e o relator Néri da Silveira.

"Havia um dispositivo de fidelidade partidária, mas o Colégio Eleitoral era uma assembleia de eleitores", afirma Néri da Silveira, hoje com 85 anos e morando em Porto Alegre (RS). "Dei um voto longo no acórdão. Na hora do voto, o parlamentar não era um membro do partido, mas parte de todo o eleitorado. Cada um deveria ter a plena liberdade de votar, e foi essa a tese que prevaleceu. E com base nela se deu a eleição do Tancredo.”

O mineiro venceria no Colégio Eleitoral com 480 votos, contra 170 dados para Paulo Maluf. 

"O sistema e a Constituição não vinculam o magistrado a quem os indica. Ele vai votar pela Constituição ou pela convicção. A mesma circulação de notícias que existe hoje havia naquela época: que a decisão seria na linha da Presidência, do candidato apoiado pelo governo. Era uma tese no direito saber se no TSE vingava a vinculação partidária. E o julgamento se deu dessa forma", afirma Néri da Silveira, que, indicado pelo general João Baptista de Figueiredo em 1981, votou contra os interesses de Maluf, candidato indicado pelo general.

"A mesma circulação de notícias que existe hoje havia naquela época: que a decisão seria na linha da Presidência, do candidato apoiado pelo governo. Era uma tese no direito saber se no TSE vingava a vinculação partidária"
José Néri da Silveira, ex-ministro do STF e do TSE, sobre o julgamento da vinculação partidária no Colégio Eleitoral de 1985

A última tentativa de Collor

No desfecho do processo de impeachment em 1992, o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello renunciou ao mandato antes que o Senado decidisse pela cassação, o que o impediria de disputar cargos políticos nos oito anos seguintes. Sem poder julgar o impeachment, a Casa votou pela inabilitação do político para o exercício de função pública por oito anos.

Foto Jorge Araújo/Folhapress - 14.set.2006
O ex-presidente Collor em campanha
É inconcebível que alguém que não possa exercer função pública concorra à Presidência da República

Eduardo Ribeiro, ministro do TSE, sobre a tentativa de Collor ser candidato em 1998

Em 1998, Collor tentou novamente ser candidato, valendo-se do argumento de que a inabilitação de exercício de função pública não implicaria a impossibilidade de exercer mandato eletivo. O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da chapa, e o TSE seguiu a orientação em um julgamento relâmpago --que durou 20 minutos, incluindo os dez destinados à defesa do ex-presidente.

A decisão, unânime, foi assinada pelo então presidente da corte, Ilmar Galvão. "É inconcebível que alguém que não possa exercer função pública concorra à Presidência da República", afirmou na ocasião o relator do pedido de cassação da candidatura, ministro Eduardo Ribeiro.

"Todo ministro tem que ser técnico no julgamento e aplicar a lei ao fato. Isso é uma postura técnica", afirmou o ex-presidente da corte ao UOL. À época, Galvão acumulava a chefia do TSE e a vaga de ministro do STF, a exemplo do que ocorre hoje com o ministro Gilmar Mendes.



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