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terça-feira, 27 de setembro de 2016

A BICHARADA - João de Paula

A Bicharada

Somos todos bichados e nada mais

 Quem gosta de ser chamado de bicho?
Quem gosta de ser chamado de bicha ?
Quem gosta de ser comparado a bicho ou a bicha ?
Quem quer ser animal mortal?
Quem quer fazer parte do mundo da bicharada?
Bicho, tu tá é doido, né ? Pior, ainda, é ser bicho feio, mau, horripilante, mutável, deformado e com o encantamento de ser perfeito.
Na verdade ninguém quer ser bicho ou bicha nenhuma...

Quer ser “tapuru”...
Quer ser verme...
Quer ser micróbio...
Quer ser lama...
Quer ser pó...

Ninguém quer ser algo que fede, que desmorona, que será extinto, que seja animal dócil, que seja animal selvagem, que seja mortal. 

Ninguém quer conhecer a verdade, conhecer nenhum motivo e o conhecimento do porquê nascemos, crescemos, vivemos: e que vamos deixar de viver neste nível e plano terrestre; e vamos retornar as nossas origens e essências.
Vivemos num eterno encantamento !

Vivemos num mundo em que a verdade dói!
Vivemos como animais!
Vivemos num mundo de vida e morte, mundo de sofrimento, conflito, doença, guerra, decepção, competição, ignorância, orgulho, inveja, imponência e poder, porque estamos encantados com o mundo que vemos e que temos incluso em nossa consciência.

Preferimos o encantamento do que o desencantamento !

Preferimos o falso elogio do que a verdade tal como ela é !
Preferimos o encanto e o encantamento de sermos chamados de anjos bons:
- Amados de Deus,
- Anjinhos perfeitos,
- Boa alma,
- Boa prosa,
- Bom cristão,
- Boa criatura e uma pessoa imortal pelos feitos que fazemos ao invés de chegarmos à razão de que somos animais racionais e mortais, que retornaremos de onde viemos com toda a transformação do eletro magnético de que somos constituídos: bons e maus.
Precisamos ser bons e precisamos conhecer a cultura racional, para voltarmos ao mundo dos viventes puros, limpos e cristalinos em outro astral, em outra planície. Por isso, tenho dito que a vida é algo mais do que aquilo que os nossos olhos vêem.

Desejos de poder e riqueza, poder e estatus, desejos de ser importante, uns melhores do que os outros, desejos de ser o primeiro, desejos de ser o melhor são conceitos de vida terena; conceitos, desejos e procedimentos que ultrapassam as virtudes de ser singelo e puro. sem as ambições e as maldades que residem em nossa formação.

Na verdade, hoje ou amanhã, retornaremos as nossas origens, as nossas essenciais ao mundo de onde viemos.

Quem gosta de ser chamado de bicho?

Quem gosta de ser chamado de bicha ?
Quem gosta de ser comparado a bicho ou a bicha ?
Quem quer ser animal mortal?
Quem quer fazer parte do mundo da bicharada?
Bicho, tu tá é doido, né ? Pior, ainda, é ser bicho feio, mau, horripilante, mutável, deformado e com o encantamento de ser perfeito.

João Batista de Paula 
Escritor e Jornalista

* * *


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

CAMINHADA... - Wagner Albertsson


CAMINHADA...

SE SOUBÉSSEMOS QUE
A VIDA É UM LIVRO VAZIO,
PENSARÍAMOS DUAS VEZES
ANTES DE INICIARMOS
A JORNADA.

TODO PASSO  DADO
TORNA-SE UMA SENTENÇA
OU UMA ABSOLVIÇÃO
NO CÓDIGO PENAL DE DEUS.

MAS NÃO É JUSTO
VIVERMOS NESTE CAMPO MINADO
CHAMADO DE  MUNDO,
ASSUSTADO PELAS TOPADAS
E TROMBADAS DA CAMINHADA.

A PERFEIÇÃO
PERTENCE AO MESTRE.
A NÓS, SÓ A VONTADE
DE SER FELIZ.



WAGNER ALBERTSSON

* * *

DA PREGUIÇA MENTAL À LOUCURA- Gregorio Vivanco Lopes



Da preguiça mental à loucura 

  

   Existem dois tipos de loucos. Um é o pobre coitado que, por uma deformidade cerebral, congênita ou adquirida, ou mesmo pela idade avançada, perde a capacidade de se autogovernar. Merece ele nossa compaixão e ajuda em toda medida do possível.
             Mas há outro tipo de louco, este culposo. É aquele que, sem padecer de nenhuma anomalia cerebral, viciou-se em agir de modo contrário à razão e ao bom senso. Peca contra a sabedoria, em geral porque se entregou a alguma paixão desvairada que o tiraniza e lhe impede o reto agir e pensar.
           As subespécies deste tipo de loucura são infindas. Exemplifiquemos.
           Logo se poderá pensar na paixão da sensualidade, com sua variante romântica, que cega o indivíduo e o faz transgredir todas as normas da prudência e do bom senso, e por vezes também da justiça, podendo facilmente chegar até o crime. Tudo para satisfazer um impulso irracional que o escraviza e arrasta. É um louco.
          Mas a sensualidade é apenas uma das paixões que enlouquecem o homem. Poderíamos falar da ambição, do orgulho, da inveja etc.
            Pode parecer surpreendente, mas talvez a preguiça, sobretudo a mental, seja a paixão mais frequente em produzir mentecaptos. Habituando-se a não fazer esforço, a não querer enfrentar o ambiente hostil que o rodeia, a nunca lutar — “dá trabalho”… “dá preocupação”… “exige empenho”… “não é comigo”… — a pessoa acaba ficando meio abobada e se deixa levar pela televisão, pela moda, pela opinião dos outros, como uma folha seca que o vento carrega para qualquer lado e acaba por ser pisada como inútil e desprezível. É um néscio, um idiota, um imbecil com o qual não se pode contar para nada de sério ou racional.
            A preguiça mental costuma exercer forte tirania em relação aos seus escravos, a ponto de estes preferirem qualquer coisa a terem que lutar ou fazer algum esforço.   Disseram-me que o colesterol é produzido por gorduras que aderem às faces internas das veias e impedem o sangue de circular normalmente. A imagem me é muito cômoda para exprimir esse “engorduramento” das veias do pensamento, que impede a irrigação do cérebro pelo sangue vivo e borbulhante da reflexão bem feita, da observação precisa, da análise objetiva da realidade. E, tudo isso, porque pensar pode levar a conclusões desagradáveis, pode ser um convite à luta, ao esforço, em suma, obriga a sair de entre os lençóis mentalmente “engordurados” da preguiça para o campo de batalha. Se as evidências furam os olhos, o melhor é fechá-los para não ver e não ter que sair das prazerosas comodidades interiores da moleza.
          Esse gosto mórbido da inação mental explica que tenha sido possível aos arautos da esquerda ir introduzindo no convívio social das nações, sem oposição proporcionada, as maiores aberrações intelectuais, como a Ideologia de     Gênero, a generalização da matança de inocentes no ventre materno, os horrores da arte moderna; e, na Igreja, a contestação de doutrinas evidentes, a demolição de cerimônias ancestrais belíssimas, de costumes tocantes. São máquinas de opinião pública que vêm despejando sobre as pessoas esses e outros horrores, como certos tubos enormes despejam asfalto numa via de terra para se constituir ali uma estrada, enquanto o “louco” olha para isso com olhar desagradado, mas aparvalhado.
            Alguém dirá: mas muitas pessoas não estiveram de acordo com essas novidades malsãs!
         
         O problema é exatamente esse! A grande maioria dos que não estavam de acordo não quis lutar, limitou-se a um choramingo, a exprimir um desagrado. Preferia que não houvesse essas mudanças, mas deixar suas comodidades interiores para entrar no campo de batalha ideológico, muitas vezes psicológico, isso não! Ante tal omissão, as muralhas da civilização cristã foram sendo derrubadas uma a uma, sem que os habitantes da cidade de Deus se levantassem em denodadamente para impedir a entrada dos inimigos. Hoje estes dominam.
             Tudo isso é verdade, pode-se ponderar, mas agora já é tarde, o mundo está entregue e muitos pastores se transformaram em lobos. O que fazer?
            Nossa Senhora prometeu em Fátima que ao final de todo esse processo de horror e de pecado o seu Coração Imaculado triunfaria. Comecemos nós a rezar e a lutar para que, quando esse triunfo se der, ele encontre almas prontas a recebê-lo e a entusiasmar-se com ele. E não almas modorrentas que só servem como palha para o fogo.

      Triunfarão com a Santíssima Virgem aqueles que agora, in extremis, se levantarem e lutarem por Ela. Surrexerunt fili ejus, et beatissimam praedicaverunt (Prov 31,28) — Seus filhos se levantaram e A proclamaram bem-aventurada.

                      Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM





Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

* * *

domingo, 25 de setembro de 2016

O AMOR - Gibran Khalil Gibran


O Amor

E alguém disse: Fala-nos do Amor!
- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele; apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais frágeis que tremem ao sol, também penetrará até às raízes sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo, para poderdes ser o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor, para poderdes conhecer os segredos do vosso coração, e por este conhecimento vos tornardes o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor, a caminho do mundo sem estações, onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo.
O amor não possui nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis que podeis guiar o curso do amor; porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos, deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor.
Voltar à casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado, e na boca, um canto de louvor.



Gibran Khalil Gibran, 06 de janeiro de 1883 –10 de abril de 1931, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.

* * *

DUETO: OSCAR & EGLÊ (II)

       
POETA EGLÊ,


     Poetisa e boa amiga
     não nos falamos há dias,
     a preguiça que o diga!
     Não, por favor, não sorrias!

     A culpa é do mar e antiga,
     e praianas confrarias,
     que não gostam da formiga,
     mas, da cigarra e cantorias!

     Espero que esteja bem,
     você e família, também.
     Aqui vim pra descansar,

     neste bom Porto Seguro,
     donde só paz lhe auguro,
     – Santos Benício Oscar.


           Oscar Benício dos Santos


                   ******
       
POETA OSCAR,


     Meu ilustre Oscar Benício,
     Para dizer a verdade
     Sem usar de artifício,
     Estou sentindo saudade...

     Sei que do mar o bulício
     Leva a ti felicidade,
     E poetizar é teu oficio
     Tua boa realidade!

     Que a Deusa Musa do Porto
     Dê à tua alma conforto
     E ao teu corpo benefício!

     Sendo poetar o meu vício
     Fico da paz à mercê,
     Sempre tua amiga EGLÊ!


           Eglê S Machado




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sábado, 24 de setembro de 2016

PRIMAVERA! - Glice Bernadete

Primavera!
Este jardim interior, cultivado dia após dia
Com imenso labor
Traz rosas, hortênsias e jasmins, 
Que perfumam os dias 
Atraindo pássaros com os seus longos assovios e trinados:
São os bem-te-vis, sabiás, rouxinóis e beija- flores!

Não é privativo
Atraem amigos que celebram a vida, 
Assimilando como bênçãos a aurora
Que revigoram cada dia e criam um novo amanhecer!
As diversas cores existentes nas flores e pássaros são matizadas
Outras suaves, muitas multicoloridas e intensas;

Os olhos não resistem a tanta beleza,
Funcionam como imãs atraindo o olhar
E deles não pretendo me afastar!
A brisa perfumada deixa no ar um convite 
É primavera! A mãe natureza renovada está em festa
Como abelha que busca o pólen

Aproximo e sinto que não devo me furtar!
Nesta estação a terra é o cenário 
Para a mais perfeita inclusão,
Eu e você comungamos em um olhar ou em um abraço, 
Seguiremos lado a lado, com a fauna e a flora 
Buscando participar em comunhão com a água de uma vida plena, convidativa e preciosa.
 
Glice Bernadete

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

QUANDO EU MORRER, por Adeildo Marques


Quando eu morrer


No dia em que eu morrer
Não quero que ninguém chore,
Cantem os hinos que eu sempre cantei,
Abracem todos os meus amigos
Como sempre os abracei!

Neste dia, de nada vou saber...
Sei que meu corpo será velado,
Creio que a mulher e meus filhos
Por certo irão chorar...
Não chorem... Apenas vou descansar!

Não vou deixar herança
Pois nada aqui era meu.
Deixarei o meu bom caráter,
Foi dádiva que Deus me deu.

E quando eu irei morrer? Não sei...
A verdade é que um dia irei partir...
Deixarei a vida para entrar na história
Em busca do reino da glória,
Se assim, meu Jesus permitir!

Quando lá vou estar? Ainda não sei...
Sei que a salvação só poderei alcançar,
Se meu Jesus me acordar,
Na primeira ressurreição.

E quando na Jerusalém eu chegar
Quem eu gostaria de encontrar:
Jesus, Adão, Moisés, Elias e João...
Em fim todos os meus amados irmãos
Que em vida eu tanto amei...   
De todo meu coração!

Por estas dádivas eu vou lutar!
Para se um dia no céu eu entrar...
Quero ver, meu querido Adão,
Recebendo os frutos da árvore da vida
Do Jesus que morreu para todos nós salvar.


Adeildo Marques Santos

O poeta popular

Adeildo Marques - Presidente do Clube do Poeta Sul da Bahia e membro da Academia Grapiúna de Letras - AGRAL
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