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domingo, 30 de dezembro de 2018

POEMA DE CYRO DE MATTOS FIXADO EM MONUMENTO AO MONSENHOR MOISÉS COUTO


“A gente se sente útil quando nosso fazer literário repercute nos outros”. (Cyro de Mattos).
Poema do Cyro de Mattos fixado no monumento que homenageia o monsenhor Moysés Couto, fundador da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna /BA.


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

* * *

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FREI JOAQUIM CAMELI, A SERVIÇO DE DEUS E DOS HOMENS

Foto: Portal Católico

Ligue o vídeo abaixo:

Em Ripatransone, Itália,
Dia primeiro de Abril,
Mil novecentos e trinta,
Nasceu vivaz e gentil;
Veio pensado por Deus,
Que levou os passos seus
Rumo à missão no Brasil!

A dezenove de abril, (1)
Filho de Lavínia e Sante,
Recebeu nome: Giuseppe,
Na Igreja militante;
Pelo batismo de Luz
E pelo amor de Jesus
Foi recebido o infante.

No templo do lar materno,
Aos onze anos de vida,
Pelo chamado de Deus
Sentiu sua alma atraída:
Giuseppe!... Giuseppe!... E ao Eterno,
Ao Seu amor sempiterno
Entregou-se sem medida.

Foi a quatro de Outubro, (2)
Dia do Santo de Assis,
Que entrou no Seminário
Dos Capuchinos – assim quis;
E, na cidade de Fano,
O rapaz consciente e ufano
Foi muito forte e feliz.

Já no seu noviciado, (3)
Que se deu em Camerino,
Mudou de nome Giuseppe,
Deixando de ser menino:
Assim, Joaquim seria
Igual ao pai de Maria,
Mãe de Jesus – seu destino!

E cursou Filosofia (4)
Em Ancona, bela cidade;
Teologia em Loreto, (5)
Muito estudo e atividade;
Com obediência e temor
Exercia com louvor
O valor da caridade!

Aos dezoito de Dezembro (6)
Deu-se sua Ordenação
Na cidade de Loreto,
Para a sublime missão;
Destemido, sem vertigem,
No Santuário da Virgem
Consolidou a vocação.

Dois anos depois, Joaquim,
Chega às terras do Brasil,
Coração missionário
Em tempo bom ou hostil.
Cidade de Salvador,
Depois Feira de Santana,
Com a coragem espartana
E confiança varonil!

Deixou a terra natal
Zero grau – em pleno inverno,
Chegando ao Rio de Janeiro,
40 graus – tira o terno;
Itália, a sua nação,
Brasileiro por opção,
Missionário do Eterno!

Ensinou francês, latim,
História e geografia.
Na área educacional
Atuou com maestria;
Dali foi pra Jaguaquara,
Onde, educando, doara
O seu saber com alegria!

Praticou com muito zelo
As Virtudes Teologais
Mantendo a Fé, a Esperança,
E a Caridade, essenciais;
Irmão da Santa Pobreza,
Teve o Amor por riqueza,
PAZ E BEM seus ideais...

Como terna mãe que embala,
Corrigia com carinho;
Longe de jugo ou porfia,
Indicava o bom caminho.
Foi prudente e perspicaz,
Nunca tirano ou mendaz
E nunca esteve sozinho.


Homem leal, para o qual
“Tempestade era chuvisco”,
Frei Joaquim foi fortaleza,
Mas, como a gazela, arisco;
Diligente educador,
Tão clemente confessor,
Ideal de São Francisco.

Transferido pra Itabuna,
Teve a ditosa missão:
Substituir Frei Justo
Na Igreja da Conceição;
Ali atuou demais
Em atividades pastorais,
Sonho do seu coração...

Mas... “Santa Rita de Cássia”
Já brotando igual jasmim,
Surgia recém-criada
E parecia um jardim:
Seu primeiro jardineiro,
Que lhe deu jeito altaneiro,
Foi quem?! – o Frei Joaquim!


E o jovem missionário
Não se sentiu inseguro,
Gostava de criar ponte
E jogar ao chão o muro,
Em dois anos, fé e expensas,
Naquelas áreas extensas
Inaugurou o futuro!

Dava atenção aos mais fracos,
Pra não viverem de esmolas,
Protegia sempre a todos
- Brancos, índios, quilombolas;
Com atitudes tão belas
Permitiu que nas capelas
Funcionassem escolas!

Nessa Paróquia atuou,
Irradiando a virtude;
Orando em favor das almas
Atingiu a plenitude;
Amparar foi seu anseio,
Da Igreja foi esteio
Desde a tenra juventude!


Foi uma graça de Deus
Nas várias comunidades
Da Paróquia Santa Rita
E doutras localidades.
Quem o conheceu de perto
Sentiu e viveu decerto
Enorme felicidade!

Obediente ao Senhor,
Foi honra para os conventos.
Foram de paz e ternura
Os seus melhores momentos;
De alma imensa e festiva,
Construiu a Igreja viva
E foi construtor de templos!

Em Itabuna construiu,
Em cada comunidade,
Muitas e belas capelas
Que enriqueceram a cidade,
Desde o singelo oratório
Até o tão meritório
Santuário da Piedade!


Construiu a ‘Piedade’
E pra Medelín viajou.
Passou por lá algum tempo
E, quando, enfim, regressou,
Teve a alma contristada
Vendo a igreja depredada,
E Frei Joaquim chorou!...

Dedicou à Virgem Mãe
Templos de fé e acolhida:
Vitórias, Do Carmo, Lourdes,
Das Dores, Aparecida,
E Nossa Senhora Das Graças;
Que ali, ferrugem ou traças,
Jamais encontrem guarida.

Construiu outras igrejas
Dedicando com carinho:
Ao Coração de Jesus,
E ao grande Santo Agostinho,
Bom Jesus, Santa Luzia,
Pois ao povo pretendia
Demarcar o bom caminho.


Deixar o mundo feliz
Foi a sua meta, enfim;
E ergueu novas igrejas:
Para o Senhor do Bomfim,
Santos Cosme e Damião,
Também São Sebastião
- Igreja é refúgio, sim!

O paciente missionário
Não endureceu a cerviz;
Franciscano construtor,
Alma temente e feliz,
Não edificou por acaso
A igreja no Banco Raso
Pra São Francisco de Assis!

Confessor hábil e clemente,
Tirou almas de prisões,
Sorrindo lhes dava a bênção
Alegrando corações;
Já no final da “peleja”,
Só almejava ir à igreja
Atender às confissões.


Recebeu o honroso título
De Cidadão de Itabuna. (7)
Dos fracos foi defensor
Nesta plaga Grapiúna.
Comendador duas vezes, (8)
Enfrentou ímpios reveses,
O altar foi sua tribuna.

E Frei Joaquim Cameli
É também nome de rua, (9)
E no Hospital de Base
A homenagem continua,
Com seu nome em uma ala
Onde a esperança ainda fala
Da paz da mensagem sua!

Poeta da irmã Pobreza,
Que sempre doa o que tem;
Militante do Evangelho,
Frei Joaquim foi além:
Teve coração de atleta
E decisão de profeta,
Arauto de ‘PAZ E BEM’!


Repousou sobre seus ombros
A tarefa de ser lume,
Sua verve de guerreiro
Fez dissipar o negrume;
Com paciência sorria.
Com competência servia
- servir era o seu costume!

Em 2017, (10)
Partiu pra longe dos seus,
Deixando Itabuna em prantos
Foi para a festa nos céus;
Combatente de alma mansa,
Enfim, Frei Joaquim descansa,
Aos pés do trono de Deus!

E Frei Joaquim Cameli,
Que está na Santa Mansão,
Descansa atento aos aflitos
Em carinhosa atenção;
Seu coração solidário
Foi do Cristo-pão, sacrário.
Não padeceu solidão.


O pobrezinho missionário
Legou riqueza infinita:
“Combateu o bom combate”
Manteve a alma bonita.
Homem virtuoso, enorme,
O seu corpo agora dorme
Na igreja de Santa Rita. (11)

Há de elevar-se aos altares
Da Igreja de Jesus
Ele, que deu esperança,
Foi animação, foi luz,
Paciente, alegre e manso,
Fez da missão seu remanso,
Jamais se queixou da cruz...

Desvelo com a juventude
Que na vida corre risco;
Fiel apascentador
Das ovelhas do aprisco.
No seu carisma eu invisto:
São Francisco – “um novo Cristo”,
Frei Joaquim, - “novo Francisco”!


A Paróquia Santa Rita
Inaugura soberana
Monumento ao Frei Joaquim,
Com a emoção que emana,
Do afeto e do respeito.
Com a devoção e preito
Da Família Franciscana!

Roga por nosso triunfo
O confessor Frei Joaquim,
Cujo viver nos mostrou
Que é o homem do “sim”
Ao Deus que ama e perdoa,
À Caridade que doa
E ao encanto do amor sem fim!
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Poetisa: Eglê Santos Machado (OFS)
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Revisão: Profa. Laura Gonzaga de Aquino Souza
Motivador: Antônio Carlos Saadi
Itabuna-BA. 03 de abril de 2018


PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA
Rua Juarez Távora, S/N, São Caetano, CEP: 45.607-410 Itabuna/BA.
Pároco Frei José Genilton Costa dos Santos Fone: (73) 3617-2722 E-mail: santaritadecassia@ig.com.br
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(1) – 1930
(2) - 1941
(3) - De 1947 a 1948
(4) - 1949
(5) - De 1952 a 1954
(6) - 1954
(7) – 1983
(8) – Comendas São José e Firmino Alves
(9) – Rua Frei Joaquim Cameli, bairro Pedro Gerônimo
(10) – 10 de Julho
(11) – Itabuna /BA.


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