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sábado, 20 de junho de 2020

GOLPE DE ESTADO DO STF


O jurista Evandro Pontes foi entrevistado pela colunista Ana Paula Henkel, para falar sobre os recentes fatos envolvendo o Supremo Tribunal Federal e os atos de seus ministros que levaram a uma enxurrada de pedidos de impeachment. Mestre e doutor em Direito Societário pela USP, Evandro Pontes defendeu que há um golpe de Estado em curso. De fato, Pontes defende que o golpe já ocorreu.

Pontes iniciou a entrevista afirmando que “estamos assistindo a uma quebra constitucional irreversível. O STF já cruzou linhas que constituem verdadeira atividade paraestatal”. Após uma explicação de como se define um golpe de Estado, ele afirmou: “Ora – para mim é claro e mais do que óbvio que esse golpe já ocorreu. Na medida em que o STF age a latere do sistema, age de forma a violar a própria constituição, o próprio STF já consolidou um verdadeiro golpe de estado em que todos os poderes foram criminosamente usurpados pela Corte: ela julga, ela investiga, ela legisla, ela manda abastecer navios, ela atua como executivo e impede a extinção de conselhos, ela impede o executivo de enxugar a máquina – enfim, o golpe de estado já foi dado diante de nossos olhos e ninguém simplesmente não fez nada para restaurar a ordem”.

Em resposta à surpresa da entrevistadora, que questionou se não se trataria de atos isolados de alguns ministros, com crimes isolados de responsabilidade, Evandro Pontes respondeu:

“Adoro o professor Carvalhosa, a quem tenho como Mestre muito querido, mas neste ponto eu discordo de meu Mestre sob o ponto de vista estratégico. Veja: quando uma ordem do STF é emanada por um Ministro usando papel timbrado da corte e todos os demais se calam, não há dúvida que esse silêncio integra a decisão ilegal dada pelo colega. O silêncio da corte quando um sistema paraestatal é montado e levado a plena operação, significa exatamente que a ilegalidade contaminou irremediavelmente a atuação dos demais ministros. Exemplo contrário disso foi o do Desembargador Favretto: ao tentar lançar mão de um expediente ilegal, a Corte como um todo se insurgiu e impediu que a ordem ilegal saísse com o timbre do TRF4. Os demais colegas preservaram a integridade institucional da Corte. Se o STF não faz o mesmo e aceita que ordens sejam emanadas em nome da Corte, a responsabilidade é sim colegiada e recai sobre aqueles que preferem reclamar na imprensa (que não é função de um juiz) e deixam de agir como juízes impedindo que um sistema paraestatal seja colocado em operação.

O STF é hoje, sem a menor sombra de dúvida (por isso não falo das pessoas, falo da corte mesmo, pois no caso da decisão da transferência do Lula, em que houve supressão de instância, a Corte integrou a decisão com 10 votos favoráveis; pense-se também no caso do Inquérito de Censura à Crusoé: foi claramente um ato institucional da própria Corte e não de ministros isoladamente), uma entidade de poder suprema e de atuação paraestatal. Suas decisões sequer são respaldadas em seus próprios precedentes (um indício de que o seu histórico foi completamente abandonado), nem mesmo na Constituição: basta ler as decisões que citei e procurar o dispositivo constitucional que serve de base para a decisão – não há, simplesmente não há. São atos de puro totalitarismo gestados a latere. Desta forma, Ana, o golpe já foi dado. Tudo o que decorrer dele é mera consequência de um golpe, jamais será uma resposta em ato isolado ou um golpe a parte ou contragolpe. Já estamos na marcha da história para recobrar o sistema que já foi rompido por iniciativa clara e desabrida do STF (e, repito, a responsável por isso é a corte sim e não os ministros isoladamente) ou simplesmente aceitá-lo.

“A escolha agora cabe ao povo brasileiro”.

 FONTE: Folha Política
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TRIBUNAL DO JÚRI – HISTÓRIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO NO DIREITO PROCESSUAL PENAL É LANÇADO PELO ADVOGADO VERCIL RODRIGUES

Com prefácio do professor de Direito Penal, Processo Penal e Criminologia, e delegado de polícia civil da Bahia, Dr. Clodovil Soares, o advogado Vercil Rodrigues, que também é jornalista e professor, acaba de lançar seu mais novo livro, o quarto na seara jurídica, “Tribunal do Júri – História, origem e evolução no Direito Processual Penal”, pela Direitos Editora.

No “Tribunal do Júri – História, origem e evolução no Direito Processual Penal”, declarou Dr. Clodovil Soares sobre o neojurista e sua obra: “Percebo que se trata de exame percuciente, próprio do talentoso historiador e advogado, da origem histórica e estrutura do Tribunal do Júri, trazendo informações de uma incursão histórica pelas civilizações antigas, em seu modo de punir e julgar, até o Tribunal do Júri como garantia fundamental presente na Constituição Federal, com abordagem que de maneira didática e leve, surge como uma boa leitura para advogados, acadêmicos de direito, carreiras jurídicas ou leigos”.

Disse ainda o prefaciador: “Na segunda parte, o autor expõe de forma brilhante os principais elementos do Tribunal do Júri, seus princípios reitores, garantias, formulações e recursos. Esquematicamente aponta o surgimento e construção estrutural da concepção de Tribunal do Júri, juízo competente para julgar os crimes dolosos contra a vida e os conexos. Enfim, temos em mãos um livro que as suas qualidades, por si só, justificam a empenhada publicação. Sem exagero se constituirá, num guia, primeiro e último, a ser consultado por todo profissional da área que se dedique à teoria e prática do Tribunal do Júri”.

O advogado criminalista e um dos fundadores da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (Aljusba), Dr. Cosme Reis, a quem coube apresentação do Tribunal do Júri – História, origem e evolução no Direito Processual Penal, declarou: “Tenho certeza de que você ao concluir a leitura desta obra estará com seu horizonte ampliado, com a visão crítica aguçada, traçando paralelos entre o nascedouro da instituição do júri – século XIII, no ano de 1.215, a Magna Charta Libertatum e a sua manutenção em todas as Constituições do Brasil, que reconhece expressamente a soberania de seus vereditos, neste que é o mais democrático de todos os institutos processuais penais, permitindo aos jurados decidirem com mais liberdade e mais sintonizados com os anseios da sociedade do que os juízes togados, pois, ao contrário destes, não precisam motivar suas decisões”.


O autor – Vercil Rodrigues é advogado, professor e jornalista. Diretor-fundador dos jornais Direitos e O Compasso. É fundador da Academia Grapiúna de Letras (Agral) e membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), idealizador-fundador da Academia de Letras Jurídicas do Sul da Bahia (Aljusba) e autor de 5 livros. Filiado à Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

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Livro: Tribunal do Júri – História, origem e evolução no Direito Processual Penal
Autor: Vercil Rodrigues
Editora: Direitos
Páginas: 164
Ano: 2020
Tema: Jurídico
(73) 98852 2006 – 99134 5375 e 3613 2545

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sexta-feira, 19 de junho de 2020

A PERDA DO JOCA - Cyro de Mattos


A Perda do Joca
Cyro de Mattos

Acordo assustado com a notícia desagradável de que a Bahia perde o jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes. Jornalista combativo, conhecido como o pena de aço, sonetista dos melhores, ensaísta exemplar, contista brilhante, torcedor apaixonado do Bahia. Membro da Academia de Letras da Bahia, efetivo e eficiente. Um bom amigo, nosso contemporâneo desde os idos de 1955, no Colégio da Bahia (Central), passando pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, no período compreendido entre 1958 a 1962, ao longo de militância cultural por mais de sessenta anos.

 A Bahia perde um grande homem, os de sua geração um enorme companheiro, inteligente e solidário. Em Agudo Mundo, livro inédito, presto uma modesta homenagem a esse escritor singular de pluralidades significativas, talento soberbo, com o “Poema do Joca”, como assim era chamado pela voz carinhosa dos amigos. 

Abaixo transcrevo o poema, que com prazer lhe dedico, mas que nos seus versos agora me deixa saudoso e triste.

  
Poema do Joca

João Carlos Teixeira Gomes,
moço apelidado de Joca,
De tanto afeto que por ele temos,
quem não sabe fique sabendo.

Eis que surge menestrel
no Colégio da Bahia,
na Faculdade às voltas
com o direito e as letras.

Eis o Joca jornalista
arrojado, contundente.
é o ensaísta de Gregório,
boca de fogo como ele.

Eis o Joca poeta grande, 
nesses rincões da Bahia,
de gafanhoto domador,
contemplativo da esfinge. 

De bom gosto sonetista,
entre tesouro e labirinto,
um dos melhores no Brasil.
Até mesmo em terra lusa.

O conhecido Pena de Aço,
não há outro que o iguale,
estremece o poderoso,
iluminado como sempre.

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Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Membro titular da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.
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ALGUMAS FRASES PARA MEDITAÇÃO NESTE DIA 19 DE JUNHO, NO QUAL A SANTA IGREJA CELEBRA O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

19 de junho de 2020

“Vistes o inferno para onde vão as almas dos pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado”.
(Revelação de Nossa Senhora de Fátima)
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“Deus concede-nos as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; que as peçam a Ela; o Coração de Jesus quer que, a Seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria”.
(Santa Jacinta de Fátima)
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“A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele quem curará todos os nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”.
(Pio IX)
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“Nossa Senhora saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande tarefa de nosso reerguimento moral. Com o Coração de Maria, todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu, aberta de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta, ninguém a poderá fechar — nem o demônio, nem o mundo, nem a carne”.
(Plinio Corrêa de Oliveira)




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quinta-feira, 18 de junho de 2020

UM MESTRE DA CRÔNICA ESQUECIDO - Cyro de Mattos

Um Mestre da Crônica Esquecido
Cyro de Mattos

            De origem grega, a palavra crônica vem de chronos, que quer dizer tempo. Forma textual de narrativa curta, possui uma inclinação para os fatos da vida diária, contemporâneos. Escrita para o jornal ou revista, televisão ou rádio, o estofo literário retira-lhe a condição estrita de jornalismo, cuja linguagem é objetiva para informar o fato. Conciso e útil,o jornalismo pretende aproximar  do evento os  seres humanos com a linguagem precisa, onde quer que estejam,  para que tomem  conhecimento do que acontece no mundo, enquanto a crônica ameniza a notícia ou o evento levado ao leitor sobre a vida diária.
    
            Na crônica de humor, o autor faz graça com o cotidiano. Na crônica ensaio, o cronista tece crítica ao que acontece no sistema organizado, detectando falhas nas relações sociais e de poder. Na crônica filosófica logra extrair do cotidiano reflexões sábias a partir de um fato. Na jornalística enfoca aspectos particulares de notícias ou fatos, que podem acontecer na área esportiva, policial e política ou em outros campos da atuação humana.

            Pode ser atemporal, se o assunto, extraído da realidade exterior sob bases sentimentais, revestir-se de arcabouço literário, servindo para ser lido tempos depois   desgarrado do seu contexto e ainda assim causando emoção.  Sempre dando tratamento agradável ao assunto em que está descrevendo, a crônica é de tal forma argumentativa ou digressiva nos devaneios dos sentimentos. Seu lirismo poetiza a vida, aviva o evento com graça, tornando-o ameno pelo eu que o recorda no relógio do peito.

            A crônica atingiu o ápice na Idade Média quando passou a registrar uma série de acontecimentos e a obedecer uma sequência linear. Nessa época era destituída de qualquer interpretação nas informações de natureza histórica. Com a significação dos fatos em fase moderna entrou em uso no século XIX, passando a designar textos que, embora remotamente se ligam à forma originária, revestem-se de tratamento literário para tornar o assunto menos insípido e fugaz.  Em nossas letras, Machado de Assis, no século XIX, com engenho e arte encontrou os meios necessários para lhe dar expressividade.

             A crônica no seu arcabouço de escrita híbrida, entre o jornal e o literário, não apresenta limites muito definidos. Sujeita ao efêmero que passa  ante o eterno que fica, o espaço que melhor  achou para morar e se expandir  foi  o jornal, lugar em que  demonstra  leveza na informação do fato e corresponde  ao que os ingleses chamam de commentary, sketch, light essay, literary column, human interest stor.. Usa a oralidade na fala dos personagens e o coloquial na escrita, a linguagem é simples, alguns querem que seja   como poesia espontânea em forma de prosa.

             A crítica não aceita a crônica como uma expressão literária significativa, se comparada ao romance, à poesia e ao conto.  Nenhuma literatura se faz grande com livros de crônicas, alega-se. No Brasil, quando se fala em cronistas de primeira grandeza soam com aplausos os nomes de Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Carlos Heitor Cony, Henrique Pongeti, Stanislaw Ponte Preta, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues e Fernando Veríssimo.

            No elenco formado por esses cronistas de primeira qualidade poderia figurar o baiano (de Ilhéus) Fernando Leite Mendes?

            Como todo bom autor, ele escreveu um sem-número de crônicas para todos os gostos com fina sensibilidade. Dariam, se publicadas, vários volumes. Ficaram esparsas, esquecidas, perdidas no baú do tempo. O único livro desse cronista admirável, Os olhos azuis de D. Alina e algumas crônicas (1985), hoje uma raridade bibliográfica, foi publicado postumamente, graças à iniciativa do sobrinho Gumercindo Leite Mendes. O volume reúne cinquenta crônicas, algumas antológicas, como “Os gatos”  e  “Elogio do urubu”, a primeira de humor e a segunda com sabor de prosa poética; “João da Verdura”   e  “Adeus, Tamiroff”, crônicas, como de resto,  além do cotidiano, de tão humanas, atingem o universal, em seus tons carregados de subjetividade comovente.   Apresentam-se pontuadas de ternura na exposição do drama.
  
            Jornalista de talento excepcional, de Salvador seguiu Fernando Leite Mendes com sua vocação para o Rio onde, nos anos em que residiu na metrópole, nunca esqueceu as raízes baianas, sintonizadas em Ilhéus e Salvador. Em terras cariocas, no seu voo de homem inteligente,    se impôs como editor, redator e cronista dos principais veículos da imprensa.  Lúcido, esteve presente em algumas colunas importantes que assinou: “O homem da rua”, “A poesia do asfalto”, “Sextas-feiras estórias”.  Foi editor político do jornal “Última Hora”, redator da “Revista da Semana” e do “Consórcio Time-Life”, exímio editorialista do “Diário de Notícias” e do “Correio da Manhã”, redator-chefe do “Diário Carioca”. A notícia informada por ele estava em boas mãos.

             Intensamente humano, autêntico  lírico que gostava de expressar  o lado encantador da vida, como mostra em várias passagens de “Os olhos azuis de D. Alina”;  com a alma triste pelo  que percebeu  na figura de Jacinto de Gouveia, um tocador de piano no cabaré de Ilhéus, que fumava cachimbo inglês e usava cachecol, na cidade atlântica de clima tropical,  vivendo pobremente, e que, na última vez que viu o cronista,  pediu-lhe que trouxesse do Rio a partitura do poema sinfônico Finlândia, de Sibelius; irônico como pede o assunto em Um comedor de vidro”; alegre com os lances aguerridos da pelada,  vista da janela, quando então se revoltou  com o adulto que quis interrompê-la,  depois aceitou  o convite dos meninos e foi pegar no gol.

            Com uma capacidade de falar de modo simples e, ao mesmo tempo, sedutor e culto, de gesto solidário e terno, o tempo não quis que esse amanuense da palavra vivesse mais anos aqui entre os humanos.  Foi-se embora aos 48 anos. Tivesse mais tempo para esbanjar seu talento verbal, certamente teria posto numa festa demorada da vida mais riso, fraternidade, esperança e sonho, companhias necessárias, ontem como hoje. Haveria mais leitura desses momentos fotográficos que ele registrou no teclado da sua máquina portátil Remington, levada para ser usada onde estivesse, em Hong Kong ou Paris. Mais escuta sensível dos seres humanos haveria, graças a um senhor gordo, com alma de menino, um relógio de cordas suaves no peito, cujos ponteiros costumavam marcar como poesia os passos da existência. Mais divulgado, em seu brinquedo preferido, a crônica, ensejaria minutos de delícia às novas gerações.
 
*MENDES, Fernando Leite. Os olhos azuis de D. Alina e outras crônicas, Fundação Cultural do Estado da Bahia, Salvador, 1985.


Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Também publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Dinamarca e Rússia. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.  Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia e Pen Clube do Brasil. Advogado aposentado. Jornalista com passagem na imprensa do Rio quando foi redator de O Jornal, Jornal do Comércio, dos Diários Associados, Diário de Notícias, Revistas Posto de Serviço e Brasileira de Turismo, editadas por Sebastião Nery e Fernando Leite Mendes.
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quarta-feira, 17 de junho de 2020

MARIA DO SOCORRO – Ariston Caldas


            Doutor Ricardo ouviu-me com muita atenção quando lhe expus meus sintomas. Eu disse-lhe que sentia minhas mãos esfriando quando à tarde aproximava se e, em seguida, vinham uns arrepios súbitos, e uma vontade de matar alguém enchia meus ânimos; acrescentei, ainda, que a figura do sujeito gordo surgia em minha cabeça, enquanto uma mulher num “baby Doll” aparecia misteriosa. Vinha-me uma sensação de desmaio, minha temperatura subia, um suor frio umedecia meu corpo. Depois de algum tempo nessa agonia súbita, a situação ia-se normalizando, minha lucidez voltava.

           Após longo questionário o médico receitou-me uma pílulas verdes, garantindo que tudo ia melhorar, passei a dormir dez horas por dia e as reações esquisitas passaram a atormentar-me somente em sonhos como pesadelos. Reparando bem, eu concluí que as crises pareciam relacionadas com ocorrência entre mim, um homem gordo e Maria do Socorro, minha mulher. Sofri o mal por muito tempo, andei perneando à toa pela rua, escorado nas esquinas e só voltava para casa quando as crises se anunciavam. Começavam pelos vexames, minhas mãos esfriavam, a figura do indivíduo gordo surgia ao lado da mulher; eu ficava perturbado, a febre chegava e as coisas iam-se embaralhando em meu juízo. Tudo isso repetia-se havia algum tempo e quem assistia comentava que meus olhos ficavam vermelhos, com ar de espanto.

           Não escrevi estas linhas com o intuito de transmiti-las para ninguém, mas tão somente como registro das ocorrências que me alucinavam e por exigência do médico, certamente para seu fichário de doidos. O que está aqui anotado é realmente uma cópia da verdade, o motivo que levou o doutor receitar-me as pílulas verdes.

            Pois bem, tudo começou numa tarde muito quente, quando eu descansava com Maria do Socorro no quarto que dá para a varanda do quintal; bateram na porta da rua. Ela encontrava-se calma, sem os estalos costumeiros. Num berço ao lado nossa filha Vilma resmungava às voltas com uma chupeta entrelaçada com uma fita vermelha; minha cabeça doía. No dia anterior eu relutara com Maria do Socorro para não ir à praia, ela insistiu e eu fui, agora lá estava chiando a rebombada; nem pude ir para o trabalho. Após o almoço fui direto para a cama, a cabeça em brasa. Depois que arrumou as coisas na cozinha ela veio cantarolando para o quarto e deitou-se ao meu lado, falando coisas bestas sobre a irmã que gostava de tecer encrencas com o marido.

            A dor de cabeça passou mas meu corpo parecia uma pamonha. Pelo suporte da janela do lado eu olhava as Palmas de um coqueiro indo e vindo ao sabor do vento; Maria do Socorro olhava, absorta, para o telhado. Estaria pensando ainda nas encrencas da irmã? Sentia-me meio zonzo, o telhado parecia-me opressivo, o coqueiro continuava balançando lento no morro em frente. O corpo de Socorro era perfumado e o cheiro ativo subia para meu nariz; pela janela entrava uma réstia de sol. Quando eu era menino gostava de olhar réstias de luz entrando pelas gretas do telhado, por isso, naquele momento, lembrei da minha infância. Na cozinha um objeto caiu, estridente, parecendo uma panela, provavelmente malinação de Marujo, gato que Maria do Socorro recebera de presente não sei de quem. Ela não deu importância ao baque na cozinha. No escritório estariam reparando minha falta, nem mandei avisar nada à empresa. Nunca gostei de deitar-me depois do almoço, hábito pelo trabalho; se me deito, fico pensando asneiras, revivendo assuntos que me incomodam. Naquela tarde quente, minha cabeça doendo, um coqueiro tremulando em frente, transportei-me para um passado nem muito antigo; Maria do Socorro passava séria, de saia curta, pernas bem-feitas, passos lentos, cabeça inclinada para o chão. Depois, namoramos, casamos e Vilma nasceu. Ora, quantas vezes eu já teria lembrado dessas coisas!

            Minha cunhada tinha o gênio pior que o de Maria do Socorro. Sujeitinha pequena, nervosa, aperreada; não gostava de mim nem entendia que o marido fosse homem pobre; só falava em luxo, e achava que ele tinha obrigação de mantê-la num padrão alto; mas iam vivendo, graça ao bom caráter do rapaz. No dia em que ela se azedava, as coisas ficavam pretas de verdade; no auge do escândalo, Maria do Socorro corria ao meu encontro, gritando: “Acuda, Juvêncio, aquele sujeito quer matar Berenice!”. Eu saía todo aporrinhado, sabendo que tudo não passava de presepada das duas. Lá estava Berenice descalça, cabelo assanhado, derretendo-se em lágrimas. Quando o bate-boca acalmava, Socorro embebia um algodão em água canforada levando-o ao nariz de Berenice que fingia um desmaio, depois esfregava-lhe o capucho ainda úmido na fronte. Sabiam escandalizar.

            Vilma havia completado seis meses; não era criança doente, mas comia pouco e o médico dizia ser uma menina normal. Mesmo assim Maria do Socorro trazia-me de corda curta e eu tinha que levar a garota ao médico quase toda semana. Quando o doutor não passava uma receita, ela azedava: “minha filha, assim, finda morrendo! Esse médico parece um charlatão”. Esbravejava.

            Fiquei satisfeito com o nascimento de Vilma. Além da novidade, trouxe-me a esperança de que Maria do Socorro mudaria de comportamento. Tendo de quem cuidar, ela deixaria as andanças pela rua e pelas casas vizinhas, afastando-se mais de Berenice. Pois bem, naquela tarde de calor eu remoía essas coisas, ouvia os resmungos de Vilma no berço ao lado; olhava um coqueiro tremulando ao vento. Bem, como eu ia explicando, bateram na porta da rua, pancadas fortes, repetidas. Tranquila, Socorro levantou-se, vestiu a saia, calçou as sandálias e saiu abotoando-se. Sem que ela pressentisse, eu a segui à distância, cauteloso para não ser notado; Socorro abriu a janela por metade, passando a entender-se com alguém do lado de fora. Dei-lhe um chega pra lá e ainda pude ver um homem gordo vestido de branco, com chapéu de abas curtas, paletó apertado com uma cinta pelo meio. O vi pelas costas, passadas miúdas e apressadas; na esquina tomou um carro que parecia esperá-lo. Desconfiada, Maria do Socorro tentou explicar-se antes que eu indagasse-lhe qualquer coisa: “ele queria saber onde fica a casa de Berenice”, disse, baixando a cabeça. Fiquei apreensivo. Em verdade, o sujeito não queria saber de casa de ninguém, mas ver Socorro. Pensei com firmeza. Esqueci das palmas do coqueiro e da réstia de sol que me lembrou da infância. Ela, sem dizer mais nada, rumou para o quarto, tirou a saia e deitou-se de “baby Doll”, esticando as pernas, de olho duro para o telhado. Vilma choramingou de novo, certamente sem conseguir ajeitar a chupeta. Senti uma pontada na cabeça e minhas mãos começaram a esfriar; minha vista escureceu. As pontadas no miolo não esbarravam um minuto, infernizando-me. Será que o homem gordo teria vindo à procura de Berenice? Quem seria ele e por que veio bater em minha porta? Cochichou com minha mulher e saiu de supetão, apressado como quem foge. Eram conjecturas embaralhadas. O que havia em tudo isso? Maria do socorro estaria me traindo? No guarda-roupa do meu quarto havia um revólver entupido de balas, um 38 seguro; com ele eu poderia pintar o diabo, dar um tiro na testa de Socorro ou no sujeito gordo. Mas eu não sabia quem era ele nem porque havia conversado com minha mulher. Queria saber a casa de Berenice. Mentira; pensei angustiado, traído, um corno! O que eu deveria fazer? Por onde iniciar uma investigação? Não encontrava caminho. Seria melhor interrogar Maria do Socorro, espremê-la até uma explicação razoável. De súbito ela levantou-se e foi para a cozinha onde ficou cantarolando e bulindo nas panelas; levantei-me e fui encontrá-la mexendo mingau para Vilma. Minhas mãos continuavam frias, corpo arrepiando e uma sensação de tontice rondava minha cabeça. Entrei para meu quarto, olhei para o revólver no guarda-roupa. O homem gordo insistia em meu pensamento. Manuseei a arma e tornei a colocá-la no mesmo lugar. Acendi um cigarro e saí em direção à varanda do fundo.

            “É verdade, já estou com uma filha de seis meses. É franzina, mas saudável e bonitinha”, eu pensava. Como seria o nome do homem gordo? Olhando por trás parecia um porco baé. Suor frio tomava meu corpo e a vontade de matar Maria do Socorro voltava. Na verdade eu não teria coragem de coisa assim. Mais fácil daria um tiro no sujeito. Mas, por que matar? Eu queria era que Socorro desembuchasse aquela encrenca. O chão parecia distanciar-se de mim, como se à cama estivesse subindo para o telhado. Minha cabeça parecia cheia de grilos. Vinham novos arrepios, meu corpo esquentava. Socorro entrou novamente, assustei me. Calada, debruçou-se sobre o berço da menina e colocou-lhe a mamadeira na boca. Vilma choramingou. Fiquei olhando, abismado, para as pernas bem-feitas de Socorro.

            O doutor foi diminuindo as doses do remédio, a sonolência sumiu, minhas mãos não esfriaram mais e os arrepios desapareceram, assim como a vontade de matar uma pessoa. O homem gordo, para quem eu tinha um revólver cheio até a boca foi-se apagando aos poucos de minhas ideias.

            Nunca questionei o assunto com Maria do Socorro, minhas consultas com o médico jamais chegaram ao seu conhecimento; eu tomava os comprimidos verdes escondido dela. passei quatro meses engolindo as pílulas e mesmo depois da alta que o doutor me deu, continuei sentindo reações ocasionais, e com força de vontade consegui afugentar de mim as alucinações, graças, também à considerável ajuda psicológica do doutor Ricardo. Depois de tudo isso modifiquei meu comportamento em casa, relegando certos absurdos de Maria do Socorro, ora, mesmo assim, nossa vida continuou confusa, mas lhe vou suportando como Deus é servido. O que ocorreu naquela tarde entre nós dois e o sujeito gordo teria sido somente uma coincidência.

            A mamadeira de Vilma sumiu. Ela está completando agora três anos e anda falando coisas engraçadas. Socorro já lhe matriculou numa escolinha.

            Será que o homem gordo procurava mesmo era a casa de Berenice?


(LINHAS INTERCALADAS - 2ª EDIÇÃO)
Ariston Cardoso
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terça-feira, 16 de junho de 2020

O JURAMENTO – Catulo da Paixão Cearense


PATRÃO!!... Veja agora a Lua,
como está clara tão clara,
que Inté parece que é o leite
que está saindo do peito
d’uma vaquinha... a escumar!

Uma noite assim tão branca
só os véios, meu patrão,
é que sabe apreciá!
Eu juro... (Nem de prepósito!)

Por via de um juramento,
enquanto a Lua, o que é cheia,
o céu e a Terra alumêia,
um causo eu vou contá.

Patrão!  Ninguém neste mundo
pode amá cumo eu amava
a muié, que se chamava
- Tereza Rosa Jesus!

Deus nunca mais mas fazerá
outra muié cumo aquela,
que era mais linda e mais bela
do que a alegria da luz!
Deus nunca mais fazerá
uma muié tão fermosa!

Quando abria aquela boca
e óiando a gente, se ria,
vassuncê via uma rosa,
toda, toda avremeiada,
e dento, os dente pequeno,
cumo os pingo do sereno,
que fica em riba da rosa,
que se abre de madrugada.

Os óio, o corpo, os cabelo...
vassuncê pense, patrão,
magine cumo quisé!
Tereza Rosa Jesus
era a fia do demônio,
com o corpo de uma muié!

Eu sei que a prêmêra vez
que eu vi a minha Rosinha
foi numa rucegazinha
em casa do Pedro Ingá.
Quando eu cheguei, a cabôca
já tava se apreparando
prá sambá!

Thereza era uma andorinha...
taliquá!

 Cumeçava n’um cantinho,
a punteá, cum os dois pézinho,
sempre no mêmo lugá!
Despois, ia, de mansinho,
abrindo os braço prôs lado,
 cumo querendo avoá!

Ficava toda tremendo,
toda a se saçaricá,
assim cumo um passarinho,
na bêra d’um corgozinho,
sastifeito, a se lavá!!

Depois, toda sacudida,
saía a sapatear!!

Despois, de repentemente,
naquele avôo aparando,
ficava a tremer no ar!...

Pra depois vim se abaxando,
e logo se alevantá,
e, de novo, vim brincando,
inté cum o chão rastejá...
e avoando, sempre avoando,
se perder de nosso oiá,
cumo faz uma andorinha,
quando é tempo de viajá.

Desde essa noite, seu moço,
cumecêmo a namorá.

O pai, que foi n’outro tempo
um valente jangadêro,
um cabra corudo e forte,
não queria que eu casasse
cum a Therezinha Jesus,
pru via de eu já tá feito
(e fiz, não nego...) três morte.

Matei cum muita razão.

A primeira foi prú móde
d’um curêma rebingudo
 me tê dado um bofetão.

A segunda (nesse tempo
já era um cabra soquêro...)
foi prú via d’um milonga
me chamar de milonguêro!

A terceira foi das três
a mais bela e naturá:
eu xapinhei um lordaça,
que me queria incrizá.

Falando, de coração,
o véio tinha razão.
Mas, porém, um belo dia,
o jangadêro isturdido
pulas tuia dos pedidos,
finalmente consentiu!

Eu era noivo... Apois bem!

O véio só me pediu
que eu deixasse aquela vida
de zanzadô de pagode, 
deixasse a mamãe-sacode,
e fosse um hôme de bem.

Vire, mexe, larga e péga,
o seu Quinca Meia Noite,
cumo eu era lá chamado,
(apois era nessa hora
que eu chegava nas fonção...)
brocou e fez um roçado,
que era um gosto, meu patrão.

Rasga-letra, galanjão,
curvela, manivainho,
frô de Cuba, quebradinho,
jandaia, feijão gordura...
tudo eu tinha com fartura!
Em mêno de sete mês,
o meu baú de sordado
tava cheio de dinheiro,
ganhando cum o meu roçado!...
Veja que sastifação
prá um hôme arado de fome,
que sempre foi miquiado!

Agora peço a vancê
a vossa honrada atenção.
Eu tinha tanto ciúme
daquela maia-de-fogo,
que eu digo, sem mais aquela,
que eu tinha inté, meu sinhô,
ciúme dela cum ela!

Prú via disso, patrão,
eu supliquei à cabôca
que não sambasse mais, não!
Pruquê, quando ela sambava,
não havia um timbopéba,
que não ficasse ali mêmo
de rede sôrta no chão.

Eu pedia, eu supricava,
cum carinho e cum quêxume,
pruquê o ciúme me matava!

Apois um dia, patrão,
dei um tiro em minha sombra,
pensando que era um rivá,
só prú mode do ciúme!

Mas porém, meu bom patrão,
Thereza Rosa Jesus,
desde aquele santo dia
que o véio pai consentiu
na nossa acuiêração,
jurou, pela fé de Deus,
que não sambava mais, não.

E assim passêmo uns três mês.

O véio tava contente
prú me vê trabaiadô!...
Eu amava mais a Rosa
e a Rosa me tinha amô!...
O baú táva pesado
e dava gosto se vê
e prantação do roçado!

Eu tinha muita confiança
em Therezinha e no pai;
mas porém em casamento
de cobra tatu não vai.

E prú via e mais prú mode,
maginei uma viagem
prá um lugar, que maginei,
me adispidi de Thereza,
e... ali... pertinho, fiquei.

No dia que fez dez dia
daquela minha partida,
eu sube que a minha noiva
ia outra vez n’outra festa
em casa de Pedro Ingá.

Apois eu fui tocaiá.

Meu sinhô!... (veje esta lua,
que parece um sol de leite,
quando está mêmo a escumá!)

A muié tava sambando
c’um cabra que eu tinha rêxa,
o Bastião Sarará!!!

Beijando a faca espeiáda,
Jurei , prú Deus, que eu havéra
de me vingá... me vingá!...

Uma sumana despois,
sube que a Rosa Thereza
tava cum o ramo-ruim!
Tava quage vai, não vai!

Era três hora da tarde.

Pela boquinha da noite
ia tomá Nosso Pai!

Fingi que tinha chegado
de viagem, naquele dia...
(vancê me entende...) e prá casa
de Rosinha me botei.

Toda a famia chorava!
Eu chorei!... Também chorei!

Já vinha findando o dia!

A gente, afrita, esperava
prú Nosso Pai, que tardava!

De  vez em quando, eu saía
e oiáva lá pras estrada...
mas porém... não via nada!...

A estrada táva vazia!...

Um corria prá acolá!

O outro prá ali corria!...

Um vinha d’ali prá cá!...

O outro d’aqui prá lá!...

Lá, naquele bafafá,
em casa o jangadêro,
já ninguém mais se entendia!

Agora, o pai, lá de dento,
vinha correndo, correndo,
gritando, cum os braço aberto:

“Minha fia tá morrendo!...
Minha fia! minha fia!
Eu quero morrê também!”

“E Nosso Pai que não vem!!
Me acuda a Virge Maria!”

Foi aqui que toda gente
correu prô meio da estrada,
e enxergando alguma coisa
gritava, lá da cancela:
 - Lá vem – Lá vem Nosso Pai!
– Já tá passando a pinguela! –

E aquele mundão de gente
 as duas mão sacudia,
aflita, a fazê siná!!!...

Eu não podia esperá!!!

Entrei no quarto! A doente
já táva a sossorocá,
cum as mão garrada na cruz!

Dei um salto, uma comborça,
e cravei cum toda força
a minha pernambucana
no coração da muié,
que tinha jurado farso
pulo nome de Jesus!!!...

Despois, saí cumo um doido,
correndo nos mato a fora...
n’um choro desembestado!!!

Patrão! O nome de Deus,
seu santo nome sagrado,
esse nome, que é divino,
se foi um dia jurado,
deve ser arrespeitado
no beijo d’um namorado,
cumo no ferro espêiádo
da faca d’um assassino.


(POEMAS BRAVIOS)
Catulo da Paixão Cearense

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