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terça-feira, 10 de setembro de 2019

ENTREVISTA: LITERATURA INFANTIL E JUVENIL BAIANA


Entrevista de Cyro de Mattos,  concedida a Normeide Rios, Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana. 


Normeide Rios - Como o senhor se tornou escritor? O que o motivou a escrever para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - Publiquei meu primeiro conto “A Corrida” no suplemento literário do Jornal da Bahia, editado por João Ubaldo Ribeiro, em 1960. Daí para cá nunca mais parei. Meu livro de estreia foi Berro de fogo, contos, em 1966. Está riscado de minha bibliografia porque seu texto envelheceu em pouco tempo. Pelo menos serviu para deflagrar meu processo criativo. Escrever começou assim na adolescência e se fez dentro de mim fundamental como o amanhecer. Ainda que seja um grão no deserto, escrever é a minha maneira de inaugurar sentidos, estar sozinho e solidário num só tempo, dizendo silêncios. Este é meu lugar onde arrisco tudo. Agradeço à ternura que herdei de minha mãe a inclinação para escrever livros infantojuvenis. Quando já tinha escrito uma vintena de livros para adultos, aconteceu no escritor idoso o menino acordar e pedir que eu escrevesse para crianças e jovens. Tudo foi de repente, sem programar nada. Não sei explicar. De uns vinte anos para cá, tenho escrito para crianças e jovens.  Vem dando certo, com prêmios importantes e reedições sucessivas de livros.

Normeide Rios - Existem diferenças entre escrever para adultos e escrever para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - O livro para adultos tem suas características próprias, sua técnica, espaço, tempo, lugar e modo. Tratamento e abordagem que o diferem da obra escrita para crianças e jovens. O livro infantojuvenil possui universo criativo específico, com suas nuances, linguagem, ritmo, psicologia. Mas livro bom é o rico de sentidos, servindo para idosos e pequenos. Convenhamos que Kafka, Pessoa, Jorge Luís Borges, Eça de Queiroz e Machado de Assis, entre outros, que eu saiba não escreveram seus livros importantes para crianças e adolescentes.  Não é o caso de Bartolomeu Campos Queirós, Ana Maria Machado, em parte Monteiro Lobato, esse que veio para encantar e morar no coração de crianças e jovens. Para não se falar em Cecília Meireles com o seu admirável Ou isso ou aquilo.

Normeide Rios - O que é preciso considerar para escrever para o público infantojuvenil?
 Cyro de Mattos - A psicologia do que se pretende dizer deve emergir e corresponder às razões e emoções da criança e do jovem. A linguagem ser clara, sem perder o poético. Ternura, graça, ritmo ágil, rima cativante. Na prosa uma história que prenda do princípio ao fim, como aprendi em minhas primeiras leituras das revistas em quadrinhos, os meninos de meu tempo chamavam guri e gibi. 

Normeide Rios - O conceito de literatura está sempre mudando, de acordo com o contexto histórico e cultural. Qual é a sua visão de literatura? O que é literatura?
Cyro de Mattos - Forma de conhecimento da vida através dos sinais visíveis da escrita. Não resolve os problemas econômicos, políticos, sociais e religiosos. Mas torna a vida viável e viver sem ela é impossível.  Meu livro de crônicas Alma mais que tudo traz esta epígrafe retirada de Drummond: Se procurar bem, você acaba encontrando/ Não a explicação (duvidosa) da vida/ Mas a poesia (inexplicável) da vida. Se quiserem, é como digo neste poema mínimo: Poesia. Meu amor. Minha dor. Ó flor.

Normeide Rios - O que é literatura infantojuvenil?
Cyro de Mattos - Caminhos da escrita que se abre para a formação de uma mentalidade em crescimento. Dá prazer, faz sorrir, viajar na infância ou juventude, enriquece e nada toma em troca. Como a que é feita para adultos, sua matéria são as palavras - o pensamento, a ideia, a imaginação – estando ligada diretamente a uma das atividades básicas do indivíduo em sociedade: a leitura.  Busca alcançar o leitor iniciante para uma formação integral, em que entra o eu mais o outro mais o mundo. Seu espaço, como se vê, é o da iniciação à vida, que cada um deve cumprir e viver em seu meio social.  

Normeide Rios - A literatura direcionada a crianças e jovens durante muito tempo foi marginalizada por ser considerada um gênero menor. Qual a sua opinião sobre isso?
Cyro de Mattos - Esta é uma visão que se ressente de perspectiva crítica. Um grande equívoco, preconceito calcado em uma ótica de que o que vale é o sujeito adulto, criança e jovem ainda não são gente, seu universo pouco tem a dizer, dado que superficial e inconsequente.  Isso é um absurdo adotado pelos distraídos que ainda não perceberam que a verdadeira evolução de um povo se faz ao nível da consciência de mundo, situações e circunstâncias   que cada um vai armazenando desde a infância.  

Normeide Rios - Apenas recentemente a literatura infantojuvenil começou a abandonar o vínculo com a pedagogia, que a marcava desde o seu surgimento, e buscou se afirmar como arte literária. Como escritor de obras literárias para crianças e jovens, quais as suas considerações sobre a relação literatura infantojuvenil, pedagogia e arte?
Cyro de Mattos - O livro predisposto a fazer a cabeça da criança e do jovem revela deformações flagrantes. Tal predominância parece-nos sem sentido. Estamos com Nelly Novaes Coelho quando diz que a Literatura, em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor//livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola.  A escola é hoje o espaço em que a relação entre o leitor e o livro mais se desenvolve na descoberta do eu mais o outro mais o mundo. Natural que os princípios ordenadores da vida neste espaço transmitidos contribuam para motivar o acontecimento de uma nova civilização. De outra parte, a literatura infantojuvenil é arte que se faz com engenho e linguagem sedutora.  As relações de aprendizagem e vivência são fundamentais nesta perspectiva que nos informa ser somente ela, como a que é feita para adultos, capaz de devolver à criatura humana o que é próprio da criatura humana: inteligência e sentimento.

Normeide Rios - E sobre a tríade autor-obra-leitor?
Cyro de Mattos - Ninguém escreve um livro para ficar no fundo da gaveta.  O autor pretende com o livro transmitir uma experiência de vida e estabelecer uma dialética de tácito entendimento com o leitor pelas vias e arredios do ser, entre o belo e o feio, o alegre e o triste, o riso e o rancor, o amor e o ódio, a aventura e o risco, a vida e a morte.

Normeide Rios - Como autor, de que forma o senhor busca interagir com o seu leitor?
Cyro de Mattos - Comprometido com as verdades essenciais do ser humano. Cheio de sonho.

Normeide Rios - Como é o processo de criação de suas obras literárias infantojuvenis? Quais os elementos que o senhor considera essenciais para garantir a qualidade artística das produções?
Cyro de Mattos - É uma viagem gratificante sob os instantes do menino e jovem. Retorno ao tempo colorido do antigamente, que já vai longe. Reúno pedaços da infância e adolescência que os homens trancaram na alma.  Noto que os componentes estruturais do texto resultante desta pulsação do coração devem corresponder ao mundo da criança ou do jovem. Tanto na forma como no fundo. Entra nisso como ingredientes importantes   a espontaneidade e a habilidade, que o autor deve possuir na criação de um livro de poesia ou prosa de ficção para crianças e jovens. A expressão deve se manifestar com simplicidade no aparentemente fácil...

Normeide Rios - Como aconteceu o seu primeiro contato com livros literários? O que costumava ler na infância e adolescência?
Cyro de Mattos - Quando era pequeno comecei lendo revistas em quadrinhos. Descobri Júlio Verne, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Poe e Dickens na biblioteca de seu Zeca Freire, o dono da farmácia em minha cidade natal, e também na livraria e papelaria A Agenciadora. Quase adolescente fui estudar interno em Salvador, e, na biblioteca do Colégio Maristas, foi a vez de ler Castro Alves, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, José de Alencar, Humberto de Campos e Machado de Assis. Ingressei na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia e nesse tempo gostava de visitar pela tarde a Livraria Civilização Brasileira, na Rua Chile. Sedento, buscava ali o pote da leitura.  Foi o tempo do conhecimento  de Dostoiewski, Tolstoi, Checov, Katherine Mansfield, Sartre, Kafka, Pessoa, Brecht, Joyce, Faulkner,  Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Adonias Filho, Lúcio Cardoso, José Lins do Rego, Jorge Amado,  Autran Dourado, Aníbal Machado, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Mário de Andrade,  Drummond, Cecília  Meireles, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima,  entre tantos admiráveis escritores  que me ensinaram a  ver melhor a vida,  equilibrar-me entre vazios,  crenças e verdades,  que se formavam  tecidas com  os fios eternos do imaginário. 

 Normeide Rios - Qual a sua opinião sobre a atual produção de obras para crianças e jovens?
Cyro de Mattos - Muita boa, digna de qualquer literatura no mundo. Lembro Bartolomeu Campos Queirós, Elias José, Ana Maria Machado, Lígia Bojunga, Sylvia Orthof, Mário Quintana e outros. Entre nós baianos, gosto da literatura infantojuvenil de Gláucia Lemos.

Normeide Rios - No panorama nacional, como se posiciona a produção de escritores baianos?
Cyro de Mattos - Há quem diga que a melhor poesia brasileira está sendo feita hoje no Nordeste e, em especial, aqui na Bahia. Concordo. Ressalto que contistas e alguns romancistas daqui são também de qualidades insuspeitadas.  A literatura brasileira está entregue hoje em boas mãos aqui na Bahia. Não entendo por que ainda não se escreveu uma crítica e ampla   História da Literatura Baiana, de Gregório de Matos aos tempos atuais. Seria um projeto para ter o apoio do   Governo do Estado, executado por um corpo de professores universitários e autores expressivos, que preencheria certamente uma omissão no mínimo lastimável.     

Normeide Rios - Suas obras infantojuvenis são produzidas tanto em verso quanto em prosa. Há predileção do autor entre essas duas formas de escritura?
Cyro de Mattos - Sinto-me à vontade na prosa como no verso. Quem determina se prosa ou verso é o assunto, o momento, a inspiração, ou seja lá o que for. 

Normeide Rios - Cyro de Mattos recorre a lembranças da infância e da adolescência para criar seu mundo ficcional? Pode-se dizer que Histórias do mundo que se foi é um livro de “memórias da infância”?
Cyro de Mattos - A infância é uma das vertentes de minha poesia para adultos, da prosa de ficção para crianças e jovens. Como acontece em Histórias do mundo que se foi, “memórias da infância” transfiguradas como ficção podem ser encontradas também em Roda da infância, novela que está acabando de sair do forno da editora Dimensão, e O Menino na memória, pequeno romance juvenil ainda inédito. 

Normeide Rios - O menino e o trio elétrico é a história de um sonho que se realiza, mas é também uma narrativa que aborda questões culturais e diferenças sociais. Houve o objetivo de fazer denúncia social? Qual o papel da literatura infantojuvenil frente aos problemas sociais e econômicos presentes na realidade do leitor?
Cyro de Mattos - Não tive intenção de fazer denúncia social na história triste do Chapinha com final feliz. Do texto escorre humanismo social entrelaçado com a poesia da vida. Não forcei nada. Simplesmente busquei representar o real com ternos sentimentos de mundo, ser coerente frente aos problemas e contradições do carnaval hoje em Salvador. Alguns críticos disseram que fui o primeiro a trazer a realidade aguda do carnaval de hoje, em Salvador, para a literatura infantil, numa história bem concebida, escrita com espontaneidade, solidariedade e amor.  


    
* Entrevista concedida à professora Normeide Rios, da Universidade Estadual de Feira de Santana, incluída na tese de mestrado Os caminhos da literatura infantojuvenil baiana: em sintonia com o leitor, apresentada na Universidade Estadual de Feira de Santana, aprovada com distinção e louvor. A dissertação foi publicada como livro pela Editora da Universidade Estadual da Bahia – EDUFBA.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: 10 usos surpreendentes e desconhecidos da casca de banana!


É difícil encontrar alguém que não goste de banana.
Não por acaso, ela é a fruta mais consumida no mundo.
A banana não é apenas saborosa, mas também muito rica em nutrientes como vitamina B6, potássio, fósforo e pectina.

 Comer bananas regularmente ajuda a combater os radicais livres, a reduzir o inchaço, a prevenir câimbras e a estimular o sistema nervoso.
 Esta saborosa fruta também pode ajudar a prevenir muitas doenças, como a osteoporose, câncer renal e diabetes.
 Mas a força da banana não se resume apenas à parte macia da fruta.
 A casca também é muito poderosa.
 É o que você vai ver agora.

Selecionamos algumas utilidades da casca da banana desconhecidas por muitas pessoas:



1. Tratar psoríase
Basta esfregar a parte interna da casca de banana na região afetada (limpa e sem resíduos de cremes ou outros produtos).
No início, a pele deve ficar mais vermelha do que antes.
Mas não se preocupe, é normal.
Você verá uma grande melhora em poucos dias.

2. Tratar irritações de pele e picadas de insetos
A casca da banana é rica em nutrientes e pode ajudar a aliviar a dor e a diminuir a coceira.
Esfregar o interior da casca de banana diretamente sobre a área irritada.
A casca também mantém a pele hidratada.

3. Eliminar verrugas
Há duas maneiras de usar a casca de banana para remover verrugas.
Você pode esfregar a parte interna da casca de banana diretamente na verruga.
Ou fixá-la como um curativo sobre a verruga e deixar durante a noite para agir.

4. Combater rugas
Casca de banana é excelente para hidratar e nutrir a pele.
Ela fará a pele do rosto mais suave, além de melhorar a elasticidade e reduzir as linhas finas.
Basta esfregar a parte interna da casca de banana diretamente em seu rosto diariamente, à noite, e verá resultados surpreendentes.

5. Tratar dor de cabeça
Sabia que você pode aliviar a dor de cabeça com uma simples casca de banana?
Pois é!
Basta colocar a casca na parte frontal da cabeça e atrás do pescoço.

6. Clarear dentes
Há muita polêmica sobre este uso.
Mas a verdade é que esta é a forma mais natural, simples e econômica de clarear os dentes.
Basta esfregar a parte interna da casca de banana em seus dentes por dois minutos.
Depois escove os dentes como de costume.
Repita isso duas vezes por dia e em breve começará a ver os resultados.
Se você pesquisar na internet, vai ver texto dizendo que funciona, texto dizendo que é farsa, mas nós testamos e podemos afirmar: funciona.
Então, nossa sugestão é: não entre em polêmica.
Faça o teste da casca de banana nos dentes e tire você mesmo(a) sua conclusão.

7. Tratar acne
Os antioxidantes da casca de banana destroem bactérias e ajudam contra a acne.
Basta esfregar o interior da casca diretamente na face por 1 minuto.
Repita três vezes por dia e. no decorrer do tratamento, verá a pele melhorar.

8. Polir móveis
Economize e deixe seus móveis brilhando usando apenas casca de banana.
Basta esfregar a casca de banana (a parte interna, sempre) diretamente sobre o objeto que você deseja polir e depois lustrar com um pano.

9. Dar brilho aos sapatos
Quer deixar seus sapatos com aparência de novo?
Basta esfregar a parte interna da casca de banana neles e depois passar um pano limpo para finalizar.

10. Tirar arranhões de CD
Acredite!
Você  pode "ressuscitar" aquele seu velho CD cheio de arranhões com uma simples casca de banana.
Aqui você usa, além da casca, a polpa da fruta: esfregue a banana em movimentos circulares no CD.
Depois esfregue a casca e limpe com uma flanela.
Finalize borrifando o limpa-vidros e tirando todo o resto da fruta com um paninho limpo.


Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui um especialista. Consulte sempre seu médico.



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PRECONCEITO, ESSE MAL BEM MAL DISSIMULADO! - Antonio Nunes de Souza


Embora existam inúmeras Ongs na defesa dos direitos humanos, leis, decretos etc., acredito que jamais vamos conseguir extinguir esse sentimento que entranhou dentro dos seres vivos. Digo vivos, pois até no reino animal, este é comprovado cientificamente.

No nosso país, onde o coquetel de cores é de uma riqueza esplendorosa, encontramos em todas as camadas sociais, empresariais e econômicas, uma discriminação tão evidente e clara como a luz solar.

Nas grandes festas e comemorações, as pessoas de cor são agraciadas com convites, sempre com as expressões ridículas e consideradas normais: Vamos chamá-lo que ele é um preto muito importante e diretor da Simpson Company, ela é uma negra lindíssima e atriz de TV, é um cara de muita classe e rico que nem parece que é preto, ele é preto e um pouco casca grossa, mas é um grande jogador de futebol e vai abrilhantar a festa. E assim sucessivamente, dizendo com a maior simplicidade e naturalidade esses chavões grotescos, querendo separar o joio do trigo, quando na verdade somos todos um monte de joios metidos a trigo.

As empresas no recrutamento de funcionários, sem dúvida nenhuma, quando se referem a “boa aparência”, querem dizer nada mais nada menos, que preto ou mulato, só se for muito bonito e extremamente competente. E, podem observar através das atrizes e modelos, que os negros aproveitados nessa área, são os que têm características faciais brancas. Secretárias então, raramente nos batemos com uma feia ou de cor Não conheço nenhum negro (a) considerado bonito que tenha suas características faciais normais predominantes (Narizes chatos, lábios grandes e grossos, cabelos “pimenta do reino” e queixos pronunciados). Não falo dos dentes, pois nesse particular eles são imbatíveis. No setor comercial/empresarial ainda existe, além do preconceito racial na admissão, a evidente discriminação de salários entre os “coloredes” e os pseudos brancos. Esses últimos, sempre são mais bem remunerados e ocupam os melhores cargos.

Não é que esse mal seja genético, mas é uma tradição colonial que enraizou em nossas entranhas através de vários séculos que, infelizmente, hoje se consegue disfarçar, às vezes até muito bem, mas nunca elimina-lo totalmente. Talvez, com a miscigenação desenfreada que campeia no mundo, daqui a alguns milhares de anos, quando fatalmente seremos todos pretos e mulatos (pela força poderosa da etnia negra), possamos comemorar uma igualdade de cor e direitos. Mesmo assim ainda correremos o perigo de algum mulato metido a besta, que por seu tataravô ter sido irlandês, queira se achar com direitos especiais.

Devem todos os farsantes hipócritas tirar suas máscaras de defensores dos direitos humanos e, em vez de punições tolas que não corrigem o problema, apenas faz com que as pessoas reprimam as palavras, mas não os pensamentos, o importante é educar as crianças desde o maternal (e muitos pais também), para que aprendam desde cedo que nós somos iguais, apenas com características diferentes.

No âmbito geral o fato é também digno de atenções, pois num país onde se bate no peito e diz que não existe preconceitos de cor, raça e credo, diariamente você ouve as expressões mais absurdas contra essas pessoas e crenças. Por exemplo: Quando alguém de cor comete um lapso: “Só podia ser coisa de preto!”. Se for estrangeiro: “Esse gringo branquelo pensa que está na terra dele”. Se for índio ou descendente: “Lugar de índio é no mato!”. Com as religiões o procedimento é levado para a chacota: Se você não é farrista é “crente”. Se alguém tem manias é “macumbeiro”. Se a moça não quer ficar é “freira”. E assim, sucessivamente, existem milhares de exemplos que caracterizam claramente o sentimento preconceituoso, nada velado, do povo brasileiro.

Em vez de tantos órgãos para defender (?) os direitos humanos, muito mais importante seria um investimento maciço na educação, ensinando o que é respeito humano.

                                                                    
Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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domingo, 8 de setembro de 2019

SANTO TOMÁS DE AQUINO



“Somos de vidro, também de pedra, água e areia...

Viajantes do tempo. O remetente e o destinatário.

Tudo que jogamos contra o vento vem ao nosso encontro.

Somos o próprio reflexo que vemos no espelho e além dele.

Somos a vida e a morte. O tudo e o nada.

Somos idealizadores.

Sonhadores.

Propagadores.

Feitos de inocência num mundo de regras.

Maldosos ou bondosos - no tempo exato...

Ora oferecemos riscos, ora somos a mais perfeita das ternuras.

O ponto de encontro está em cada um de nós; encontrar-se é o desafio.

Entender-se sagrado é o caminho. Enxergar além de, é o que falta.

Permitir-se acolher o irmão e entender que ele é tão frágil e tão forte como nós é a meta.

Que ninguém é melhor do que ninguém. No final das contas somos pó...

Nem sempre intactos. Nem sempre puros...

O importante é buscar, olhar para dentro de si e observar que o mundo é benção, que somos filhos da Graça - temos a divindade dentro de nós..."

Sejamos gratos às pessoas que nos proporcionam felicidade, são elas os adoráveis jardineiros que nos fazem florir a alma.


Santo Tomás de Aquino - Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.
Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (147)


23º Domingo do Tempo Comum – 08/09/2019


Anúncio do Evangelho (Lc 14,25-33)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito, qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’
Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Teólogo leigo Afonso Giglio Junior:
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Decisões vitais
“Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33) 

O verbo que marca o início do relato evangélico deste domingo não indica seguimento, mas acompanhamento. Seu significado: “viajar com”, “caminhar junto a”, está longe de manifestar adesão ao projeto ou identificação com a pessoa com quem se compartilha a caminhada. 

As grandes multidões, às quais o relato de Lucas faz referência, vão se somando, pelo caminho, à marcha dos seguidores de Jesus. Agregam-se ao passo do Galileu, mas não se comprometem com Ele e com a causa do Reino. Por isso, Jesus provoca uma brusca parada e se dirige à multidão. 

Suas palavras interpelam cada um dos seus integrantes e pretendem fixar as linhas que distinguem acompanhantes de seguidores. Não basta simplesmente acompanhar Jesus; isso não leva a lugar nenhum. Chegou o momento de tomar decisões. Segui-lo, aderindo-se a seu projeto, exige dar-lhe completa prioridade. Jesus é bem claro e não fica na superfície; não quer entusiasmos que sejam fogos artificiais. 

Ninguém deve sentir-se enganado. Ficam claras as condições que marcam a fronteira entre “ser massa” e formar parte do grupo daqueles(as) que se identificam com Jesus. As três condições expostas (vv. 26-27; v. 23) não deixam lugar a dúvidas e terminam do mesmo modo: “não pode ser meu discípulo”. Só no contexto do seguimento de Jesus, podemos entender as exigências que propõe aos que o seguem (preferir-lhe à família, carregar a cruz, renúncia de tudo).

Frente à multidão que “só acompanha”, Jesus apresenta dois casos em forma de duas pequenas parábolas. Embora muito diferentes, apontam para uma mesma direção. Os protagonistas de ambos exemplos se encontram frente uma ação a realizar. Precisam tomar uma decisão. No primeiro caso, trata-se de construir uma torre; qualquer um dos integrantes da multidão pode ser o ator principal: “qual de vós querendo construir uma torre...” É preciso refletir sobre si mesmo e fazer cálculos das possibilidades que se tem em mãos. No segundo caso, fala-se de uma terceira pessoa, um rei que vai enfrentar uma batalha: “qual é o rei que ao sair para guerrear com outro...? Trata-se, nesse caso, de atuar com prudência, prevendo acontecimentos hostis que possam surgir a partir de fora.

No primeiro, ressalta-se a atividade construtiva e pacífica; no segundo, aparece um risco: o movimento destrutivo motivado por uma guerra que surge repentinamente. Ambas situações parecem concordar com as duas condições antes expostas. Uma, exige dar um passo adiante, seguindo o que fora projetado. Outra, pede uma parada estratégica para medir a possibilidade de enfrentar o risco que pressiona. Trata-se de pensar; pensar antes de fazer; e fazer requer discernimento. 

Temos a impressão que o tema central do evangelho deste domingo é tão forte que se torna quase impossível abordá-lo de frente. Por isso, o melhor é pôr em prática o conselho que recebemos dele: “sentar-nos para pensar”. Temos a sensação de que o seguimento de Jesus implica sempre o dinamismo de mover-nos, deslocar-nos e caminhar; mas, às vezes, o mais aconselhável seja isso: parar um pouco e sentar-nos.

A advertência de Jesus revela grande atualidade nestes momentos críticos e decisões que ajudam a dar uma feição original ao seu seguimento. Jesus chama, antes de mais nada, a um discernimento maduro: os dois protagonistas das parábolas “se sentam” para refletir, discernir... Seria uma grave irresponsabilidade viver hoje como discípulos(as) de Jesus que não sabem o que querem, nem para onde pretender ir, nem com que meios poderão contar.

Não se pode dar o passo sem medir as consequências. Requer-se “sentar e pensar” com calma. Porque a condição para formar parte do reinado de Deus implica a ruptura com os impulsos do ego: auto-centramento, apegos, busca dos próprios interesses, busca de projeção e poder... 

Os apelos de Jesus são absolutos e constantes. Se estamos apegados ao que temos, jamais seremos capazes de “fazer estrada com Ele” e participar da preciosa vida que Ele nos oferece. Para seguir a Jesus, devemos esvaziar-nos; para entrar na posse “do todo” temos de renunciar ao “nosso todo”. Os “apegos” imobilizam-nos, congelam-nos..., impedem-nos crescer.

“Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. Trata-se de uma atitude, uma postura, uma entrega. E a palavra é “tudo”. Um discípulo, com um “pé atrás”, não pode ser discípulo. Não servem as entregas pela metade. Jesus não pode se contentar com “amor a prestações”, com retalhos de vida. A entrega parcial não é entrega. O “apego” a algo ou alguém, que esvazia o seguimento, anula o resto da entrega e torna impossível que nossa relação com Jesus cresça, se desenvolva e plenifique nossa vida.

Todos temos a experiência de que viver é estar continuamente tomando decisões. Desde o momento em que levantamos até à hora de deitar, estamos decidindo, algumas vezes sobre questões simples, outras vezes, sobre assuntos de maior envergadura. Sabemos que nossas decisões vão modelando nossa vida e orientando, de uma maneira ou outra, para um fim. Qual é esse fim? 

Como seguidores(as) de Jesus, somos seres em contínuo discernimento: como “cristificar” (prolongar o modo de ser e agir de Jesus) nossas opções, ações, valores, compromissos...? Sabemos que é no decidir que a pessoa torna-se pessoa, que o indivíduo torna-se sujeito. São “significativas” as decisões que imprimem uma direção à sua vida, que a constroem dia após dia; decisões carregadas de vida, abertas à vida, comprometidas com a vida... São as decisões que fazem a pessoa; formam sua personalidade, definem seu caráter e integram sua vida. A base da pessoa são suas decisões, suas determinações, fazendo com que sua vida tenha a marca da criatividade e da ousadia: construir o caminho de vida, rejeitar alternativas que a atrofiam e avançar na rota, em direção a um fim pleno de sentido.

Decidir é viver, decidir é definir-se; por isso, ao entender e refinar suas próprias maneiras de decidir, a pessoa está entendendo melhor e refinando mais sua vida.

Em outras palavras: “somos o que são as nossas decisões”; e a decisão pelo seguimento de Jesus é aquela que mais nos humaniza e potencializa todo nosso ser; afinal, somos chamados para “seguir uma Pessoa”, aquela que foi “humana por excelência”.  Por isso, precisamos conhecer detalhadamente quais são e como as tomamos; queremos saber se nossas decisões são realmente nossas ou se são imitação daquilo que os outros fazem, ou submissão ao que os outros nos dizem para fazer. 

A coragem de decidir com firmeza e clareza é o que distingue o(a) seguidor(a) de Jesus como tal, e lhe dá sua dignidade e personalidade. Não há melhor escola humanizadora do que saber decidir. Essa é a grande contribuição que a tomada de decisões dá à nossa vida: ativar ao máximo nossos recursos, fazer valer tudo o que trazemos dentro de nós, dar vida a todo o nosso ser, que é feito para conhecer, querer e decidir. Se evitamos decisões ou fugimos de responsabilidades, condenamo-nos a viver num canto, encolhido e prostrado. Para desenvolver ao máximo nossas potencialidades, temos de enfrentar dilemas, encruzilhadas, perplexidades e responsabilidades. Isto nos faz ter acesso à vida plena, mobilizar nossas forças, encontrar a nós mesmos, encontrando-nos com Aquele que nos inspira.

Texto bíblico:  Lc 14,25-33

Na oração: No encontro com Deus deixar aflorar aquilo que é a base, o sólido, o fundamento, que dá sentido à sua vida. Sobre quê valores, critérios, opções... você vai construir sua vida?
- A Bíblia fala do equilíbrio entre o olho, ouvido, coração e mão, quando se refere à decisão:
- olho: atenção (ler os sinais, interiores e exteriores);
- ouvido: escutar-auscultar: captar vozes do coração;
- coração: é a decisão com afeto;
- mão: é a ação (realizar na prática, a decisão). 
 * Fazer memória das suas decisões diárias: elas são “cristificadas” ou tem a marca do “ego inflado”?
Elas são oblativas, abertas, descentradas..., ou centradas no próprio interesse?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 7 de setembro de 2019

A INDEPENDÊNCIA, A CHIBATA MORAL E AS INGLÓRIAS LUTAS DOS GRADUADOS


7 de setembro de 2019

PL1645, Revolta da Chibata e as lutas inglórias.

Apenas uma reflexão rápida sobre o passado e o presente.

A festa da independência é data propícia para lembrar que a história já consagrou como corretas as atitudes de vários subordinados que – acreditando que estavam agindo corretamente – decidiram lutar pela defesa de seus pontos de vista. A própria proclamação da independência foi vista como um ato de rebeldia de um subordinado que não aguentava mais ser explorado, aviltado por seus superiores. Na época justamente alguns oficiais generais portugueses exigiam que Dom Pedro continuasse a se submeter completamente e tentaram até obrigá-lo a retornar para Portugal.
  
Em 9 de janeiro de 1822 o príncipe regente avisou que permaneceria no Brasil, a data é conhecida como o Dia do Fico. Os fatos evoluíram naturalmente e alguns meses depois o Príncipe insubordinado declarou a independência do Brasil.

A Revolta da Chibata

90 anos após a declaração de independência, em 1910, um grupo de militares ousou, em nome do fim dos castigos físicos na Marinha do Brasil, após muitos pedidos por meio dos chamados “tramites hierárquicos”, também lutar para defender seus pontos de vista. Acabaram se vendo obrigados a se rebelar de vez e – como homens de coragem – se recusaram a continuar passivos, sendo tratados como animais.


Na verdade vejo-os como os mais disciplinados de todos os tempos, só depois de anos ou décadas assistindo punições ou sendo eles mesmos punidos com castigos físicos – as vezes centenas de chibatadas – ousaram se sublevar. Todos deveriam ser considerados heróis e seus descendentes sim deveriam ser encontrados e recompensados por aquilo que seus antepassados sofreram. Estes deveriam ser chamados ao Palácio do Planalto e ali deveriam receber em sessão solene as desculpas do estado brasileiro, das Forças Armadas.

A coisa acabou crescendo mais do que os próprios marujos esperavam e o movimento ficou conhecido como a Revolta da Chibata. “Um protesto que se transformou numa revolta”, são as palavras do próprio João Cândido, que é representado por uma discreta estátua num canto da Praça XV no Rio de Janeiro.

Alguns negam que foi João Cândido que comandou a chamada sublevação dos marujos.

A mim isso não importa, penso que ele na verdade representa uma classe que era tratada como animais. Por isso todas as vezes que passo por ali rendo-lhe uma homenagem silenciosa àquele homem… àqueles homens de brio, com honra.

 
Pouca gente menciona, mas a marujada não queria só o fim dos castigos físicos. Sempre pediram oportunidade para estudar, uma escala de serviço mais humana e o afastamento dos oficiais violentos. Mas, as reclamações eram vistas como coisa de indisciplinados, revoltados e jamais a sua luta foi oficialmente reconhecida como razoável, coerente.

Naquele tempo ainda se achava que homens com estrelas nos ombros eram os salvadores da pátria e suas decisões estavam sempre corretas. A própria sociedade civil os via como uma espécie de deuses da sabedoria.

Por mais obvio que seja que rejeitar castigos físicos é algo natural, louvável, o governo Brasileiro e as Forças Armadas se negam a aceitar João Cândido como um herói.

Rejeitando um projeto de lei

Nas últimas semanas vemos uma grande movimentação de militares da reserva tentando levar até o parlamento e ao Presidente da República suas contestações contra um projeto de lei que acreditam que vai prejudicá-los. Como em 1910, graduados não têm voz, suas associações não são reconhecidas e somente a cúpula se acha no direito de discutir suas carreiras, ainda que nas Forças Armadas existam duas carreiras. Uma de oficiais e outra de praças.

Depois de tantos casos complicados, como o 28.86%, poucos acreditam que os primeiros realmente velam pelos segundos.

No projeto apresentado – entre tantos absurdos – há um item curioso.
Por mais que os regulamentos cobrem que todos os militares representem bem as forças, o Ministério da Defesa teve a desfaçatez de inserir no PL 1645, somente para os generais – na ativa a reserva – uma gratificação de representação. Estarão todos os demais isentos de ser obrigados a bem representar as Forças Armadas? Note-se que representar é algo que abrange muito mais do que o vestir-se bem.
Representação engloba comportamento em público, modo de falar, higidez financeira etc.

Alguns itens enquadrados como má representação

– Contrair dívida ou assumir compromisso superior às suas possibilidades, que afete o bom nome da Instituição;

– Esquivar-se de satisfazer compromissos de ordem moral ou pecuniária que houver assumido, afetando o bom nome da Instituição;

– Ter pouco cuidado com a apresentação pessoal ou com o asseio próprio ou coletivo;

– Portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura …
Estarão todos – exceto os generais – dispensados disso tudo?

 Indo ao Parlamento

Alguns – que se acham superiores – insistem em ver como afronta a hierarquia e à disciplina o fato de sargentos e suboficiais levarem até os parlamentares as suas queixas. Ora, pessoalmente, como militar da reserva, sociólogo e jornalista, enxergo mais como afronta a hierarquia o fato de um general da ativa – ocupando cargo civil e falando em nome de um Presidente da República que sempre incentivou as associações de graduados a lutar por melhorias salariais – se dirigir à grande mídia se referindo a seus subordinados como “estamentos muito inferiores”, que por isso não teriam o direito de levar a sociedade e parlamento a discussão sobre um projeto de lei que os afeta diretamente.

Lembro-o que projetos de lei são discutidos por parlamentares, eleitos pelo povo. E que – portanto – o povo tem o direito de opinar sobre as suas decisões.

A afirmativa que diz que os chefes sabem o que é melhor para seus subordinados é derrubada vez por outra, sempre que – com a ajuda da justiça – se revelam as inúmeras arbitrariedades e erros cometidos por aqueles que ocupam os luxuosos gabinetes, nos andares mais altos.

As próprias medalhas concedidas para mensaleiros – cassadas só após muita pressão popular – são também grande prova de que generais nem sempre acertam.

Chefes militares devem ser reconhecidos sempre como tais, as instituições não subsistem sem a hierarquia e sem a disciplina. Mas, devem ter também a humildade de reconhecer que as instituições precisam evoluir – não só em aspectos tecnológicos – mas também no trato com o pessoal.

Infelizmente. E muito infelizmente mesmo! Quase todas as mudanças para melhor no que diz respeito a humanização de nossas instituições chegaram após lutas como as de João Cândido e de muitos outros, tantos quantos em algum momento ousaram ir contra o senso comum. Está na hora de mudar isso.

Hoje não é mais necessário tomar navios, pegar em armas ou ir contra a legislação vigente. A batalha se dá no campo das ideias, da argumentação, contra as negativas, caras feias de superiores hierárquicos e até mesmo de pares que nem sempre discernem muito bem o que e legal do que é ilegal.

Um salve, um Bravo Zulu, um brinde e nossa melhor continência para todos que ousam ingressar em lutas inglórias, bem intencionados e em favor daquilo que acreditam. Afinal, aquele que hoje é reconhecido como o Rei dos reis foi quem empreendeu a mais inglória de todas as lutas.

Robson / Militar R1, Cientista Social, jornalista.



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