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segunda-feira, 22 de maio de 2017

HOMILIA DO PAPA EM SÃO PEDRO DAMIÁN


Francisco: "A inveja, a calúnia, a inveja é o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs"

21 de maio, 2017,
 Jesus Bastante

 - Mansidão e respeito. Esta é a linguagem do Espírito Santo, que tem de estar entre os seguidores de Jesus. Contra isso, "a inveja, o ciúme, a maledicência, a ambição , " que para o Papa, " são o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs".

"É a verdade, isto destrói" , disse Francisco durante a homilia na paróquia romana de São Pedro Damián , confiada às comunidades neocatecumenais. Após seu encontro com os meninos, o Papa participou da Eucaristia com a comunidade.

Em uma homilia improvisada, Francisco repetiu algumas das suas maiores preocupações: as lutas internas, o afã por aparentar, pelo poder entre os cristãos. Uns contra os outros.
" Quando nós cristãos, atiramos pedras uns aos outros, o diabo se diverte . Para o diabo, isto é um carnaval", denunciou o papa.

"O Espírito está em nós, e em cada um de nós. O recebemos no Batismo, de Jesus e do Pai , " começou o Papa, que disse que " temos dentro de nós, o próprio Deus, um Deus que nos acompanha , nos diz o que temos que fazer, e como devemos fazer, um Deus que nos ajuda a não desfalecer,  a não cair em tentação. Ele é o advogado que nos defende do Maligno."

Como proteger o Espírito que habita em nossos corações?
"Com a oração de adoração, sentindo como própria, a inspiração do Espírito Santo, que é o que nos diz o que é bom, o que é mau, o que é certo ou errado. Ele leva-nos para a frente," clamou Bergoglio.

Um Espírito que nos faz viver, falar, sentir, "com mansidão e respeito". E  que " a linguagem do cristão que é inspirado pelo Espírito Santo é uma linguagem especial ". "Não fala em  latim, não,  há uma outra linguagem,  é a linguagem da ternura e respeito."

"Isso pode nos ajudar a pensar qual é o nosso modo de ser cristão. É doce ou irado? Ou amargo? É tão difícil de ver pessoas que se dizem cristãs e estão cheias de amargura ... ", disse ele. Ao contrário, "da linguagem do Espírito Santo, que é o doce hóspede da alma. E respeito, sempre respeitar os outros. Ensina a respeitar os outros."(  saber escutá-los sem julgamento)

Frente a isto, "o Diabo, que sabe como se intrometer no serviço a Deus, e dentro de nós, vai fazer de tudo para que a nossa linguagem não seja doce nem respeitosa. Mesmo dentro da comunidade cristã."

"Quantas pessoas se aproximam de uma paróquia, buscando sua paz, seu respeito e delicadeza, e encontra lutas internas entre os fiéis. As calúnias, a competição, a luta de uns contra os outros .... 'Se eles são cristãos, eu prefiro  ficar pagão ', dizem. E vão dividir novamente. Porque eles não se sentem HABITADOS pelo Espírito e com esta linguagem de ambição, inveja, ciúme, tantas coisas que  aparecem hoje, afastam as pessoas "denunciou o papa.

"Não deixamos que o trabalho do Espírito de atrair as pessoas, permaneça ," assinalou Francisco, que "claramente,  lhes digo este é o pecado mais comum de nossas comunidades cristãs ".

Neste ponto, o Papa voltou-se para a imagem da Virgem da paróquia, que pisa a serpente, que está com a boca aberta e a língua, longa ... e disse : “Far-nos-á bem  saber  que uma comunidade cristã que não age de acordo com o Espírito Santo, com mansidão e  respeito, é como aquela cobra com uma longa língua".

Meio brincando, meio a sério, o Papa recordou "um padre me disse uma vez, falando sobre isso, que na sua paróquia há alguns, que poderiam tomar a comunhão  a partir da porta de entrada,  pois com a língua que têm, chegariam até  o altar ..."

"É a verdade, isto destrói," disse Francisco. " Falemos com mansidão e respeito, e não com as palavras que o diabo nos ensina . Este é o inimigo que destrói a comunidade."

"atirássemos pedras uns contra os outros. O diabo se diverte, isto é um carnaval para o Diabo",Realmente, isso me dói no coração. É como se nos  culminou Francisco, que mais uma vez voltou a pedir de "escutar o Espírito Santo em nós, não raptá -lo , e que o nosso comportamento em relação a todos, cristãos ou não, seja um comportamento de mansidão e respeito, porque o Espírito Santo faz  isto com a gente. "


www.periodistadigital.com

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O FUXICO NO ABC DO ALENCAR OU A NOITE NO BECO DO CABOCLO - Adriana Dantas


          Para entendermos este título, é preciso irmos por partes!

          O Caboclo, que na verdade é mulato, é o sorocabense que se mudou para Itabuna com a mãe, quando tinha três anos de Idade. Portanto, considera-se mais baiano do que paulista. Não por vontade própria, mas por obrigação, teve de escolher a profissão de comerciante, ajudando o padrasto no açougue de sua propriedade.

          Alencar é o seu nome verdadeiro: Alencar Pereira da Silveira. Ficou conhecido por Caboclo porque ele próprio chamava os fregueses de caboclo, quando o nome deles lhe fugia da mente. Já como o feitiço costuma virar contra o feiticeiro, o apelido pegou. Muito conhecido no comércio, por causa do açougue, passou a ser chamado, por todos, dessa maneira.

          O porquê a sigla ABC?

          Bem, quando o consumo do óleo animal passou a ser substituído pelo óleo vegetal, as carnes gordas, como as banhas e toicinhos, sofreram uma queda acentuada no mercado de carne. Percebendo o enfraquecimento do comércio, o Caboclo Alencar, que no fim dos anos 50 assumira o açougue sozinho, resolveu mudar de ramo, aproveitando o ponto para transformá-lo em um bar. Em 1962, no dia 28 de julho (dia do aniversário da cidade), vendendo bebidas e tira-gostos, o bar veio a ser inaugurado. Como nessa época havia casas comerciais com o nome ABC  (como era o caso do ABC da Bicicleta) e por sugestão de um dos seus clientes que também conhecia um bar ABC, em uma outra cidade, Alencar não se deu ao trabalho de pensar muito num outro nome. Assim, o ponto foi batizado com o nome ABC, ou melhor, ABC da Noite, já que, nessa primeira fase, o Caboclo Alencar mantinha o bar aberto até as vinte e uma horas.

          Com 41 anos de funcionamento, o ABC da Noite, inevitavelmente, é um bar tradicional na cidade. Localizado na Rua Adolfo Leite, mais conhecida pelo nome  Beco do Fuxico (a viela levou este nome porque cortava as ruas do meretrício: Quartel Velho e rua do Lopes – antiga rua da Garapa – ali costumavam ser marcados os encontros amorosos com as raparigas!), está aberto todos os dias somente das dez ao meio-dia e meia e das dezessete às dezenove horas – horários cumpridos, na íntegra,  pelo metódico Caboclo Alencar e respeitados (que jeito!) pelos assíduos frequentadores. Comparável a um boteco, pois nele não há mesas e o atendimento é feito no balcão, em pé, o ABC da Noite não teria nada de especial, não fossem as bebidas que o Caboclo Alencar põe à venda. Desde o início, as famosas “batidas” têm sido o segredo do bom negócio: frutas da época misturadas com uma cachacinha de primeira,  funcionando como um chamariz para os apreciadores das bebidas quentes. Quem as degusta com prazer, termina sempre encontrando um bom motivo (ou boa desculpa!) para beberica-las: após o trabalho, para aliviar o cansaço do expediente; antes do almoço, para abrir o apetite; no calor do verão, para refrescar; no inverno, para esquentar; nos momentos  de tristeza, para esquecer; nos de alegria, para comemorar... Assim, quem começa com a bebida de gengibre, quer também provar a de caju, a de pitanga, a de cajá... hic! A receita de como prepara-las o Caboclo Alencar não dá a ninguém. “A Coca-Cola também não dá a sua receita, por que eu daria a minha?!” – explica-se.

          Para manter a qualidade das batidas, Caboclo Alencar resolveu reduzir tanto o horário do expediente, quanto o cardápio, pois percebia que não dava conta dos pedidos da clientela. Sem querer ampliar o espaço e nem contratar funcionários, pois se dava por satisfeito com o pequeno empreendimento, decidiu fechar a cozinha, para poder dedicar-se diariamente à sua manufatura predileta. Com notável especialização, por vezes dá-se até ao luxo de inventar novas receitas com frutas exóticas como pêssego, damasco ou ameixa, mesmo assumindo o risco de não vendê-las, pois elas se tornam muito mais caras do que as feitas com frutas regionais. Preparadas com capricho, cada uma delas tem um gosto especial, mas se perguntarmos ao Caboclo de qual batida ele mais gosta, a resposta é imediata: “a que mais gosto é aquela que mais vendo”. E, de fato, esse exímio comerciante tornou-se tão especializado em sua área que não precisa temer a concorrência. Todos os dias, o número de pessoas que se reúne na porta do bar é tão grande que a rua, que já é estreita fica engarrafada. Interessante é notar que, ainda hoje, 98% dos fregueses são homens. Frequentado por profissionais liberais, funcionários públicos,  bancários e comerciantes, o “fuxico” preferido é a política. Até o dono do estabelecimento admite que, se conversa de bar adiantasse, os clientes dele já teriam resolvido, há muito, os problemas do mundo!

          A popularidade do ABC da Noite deve-se também ao Carnaval. Segundo conta o próprio Caboclo Alencar, ainda na década de 1960, um engenheiro que construía um trecho da estrada Ilhéus-Una apareceu em Itabuna no início de um dos carnavais, sugerindo a lavagem do Beco do Fuxico, à imitação do Beco Maria Paz,  em Salvador, . Dois dias depois, ao retornar à cidade com um pequeno carro-pipa e os apetrechos necessários, como vassoura e sabão, resolveu dar início ao trabalho de esfregamento. A moda pegou. A população aderiu. A prefeitura apoiou. A festa cresceu. E haja batida para acalmar a sede dos foliões! Entretanto, a festa popularizou-se de tal forma que o Caboclo Alencar, atualmente, prefere fechar o bar durante o Carnaval. “No início era divertido, o povo lavava mesmo a rua com água e vassoura e ainda tinha os blocos que faziam presença na porta do bar. Houve até o bloco A Escolinha do ABC da Noite, que durou sete anos. Hoje, a festa é tão grande que até já se tornou anônima” – avalia.

          Há 52 anos trabalhando como comerciante (doze anos como açougueiro), o Caboclo Alencar ainda não se cansou de trabalhar. “Trabalho porque preciso e também porque não gosto da inatividade, nem física nem psicológica” – declara. Levando uma vida sistemática, estruturando seu dia com as horas de trabalho, dedica boa parte do seu tempo livre aos livros. O seu grande sonho era tornar-se humanista e poder continuar os estudos, pois só pôde concluir o curso primário com o professor Chaloub. (Dessa época, ele ainda lembra o retrato do Presidente da República Getúlio Vargas, pendurado na parede da sala de aula). Mas não gosta de se queixar do destino que a vida lhe reservou, pelo contrário, sente-se feliz por sua conquista profissional.

          “O comércio já me proporcionou boas coisas. Nos tempos bons, cheguei até a comprar um carro e vivia bem. Hoje, com a crise, ganho a média de 20 a 30 reais, por dia, o que também não é tão mal assim, porque vou conseguindo me manter e manter a esposa. Aliás, estabilidade não é problema de dinheiro, mas de consciência. A gente se estabiliza com o que tem.”

          Aos 70 anos de idade e 16 de casado, Caboclo Alencar não teve filhos, e, por isso, sabe que a sua herança vai terminar ficando para Itabuna:

          O ABC DA NOITE DO CABOCLO ALENCAR, NO BECO DO FUXICO.

          Acertei o título?



(ITABUNA Histórias e Estórias. EDITUS Editora da Uesc -Ano 2003)
Adriana Dantas Andrade-Breust

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ACADÊMICO E PROFESSOR ARNALDO NISKIER COORDENA NA ABL O SEMINÁRIO “BRASIL, BRASIS” DE MAIO, INTITULADO “O NOVO CURRÍCULO DA ESCOLA BRASILEIRA”


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade a sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2017 com o tema O novo currículo da escola brasileira, sob coordenação do Acadêmico e professor Arnaldo Niskier e as participações de Maria Helena de Castro e Carlos Alberto Serpa. O seminário está programado para o dia 25 de maio, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.
 O coordenador-geral dos Seminários “Brasil, brasis” de 2017 é o Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício Proença Filho.

Acadêmico Arnaldo Niskier convida para o Seminário "Brasil, brasis"

Saiba mais

ARNALDO NISKIER

Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior, e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz, Arnaldo Niskier nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1935. É diretor-presidente da Consultor Assessoria de Planejamento, desde sua fundação, em 1972.

Licenciado em Matemática e Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Arnaldo Niskier trabalhou 38 anos nas Empresas Bloch (Manchete) e na Rede Manchete. Tem doutorado em Educação pela Uerj, é catedrático por concurso da mesma Universidade e também professor titular de História e Filosofia da Educação (aposentado a partir de 1995). 
Jornalista há mais de 50 anos, foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia; de Educação e Cultura; de Cultura; e Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Membro efetivo da ABL, Niskier presidiu a Academia no período 1998/1999. Foi membro do Conselho Federal de Educação e do Conselho Nacional de Educação. Presidente da Câmara de Ensino Superior, é professor Emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme); Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão; Membro da Academia das Ciências de Lisboa (a partir de 2000); além de Presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

Arnaldo Niskier é autor de mais de 50 livros, entre os quais: A nova Educação; Tecnologias educacionais; Educação brasileira: 50 anos de história; O impacto da tecnologia; Qualidade do ensino; Tragédia do ensino púbico; O padre Antonio Vieira e os judeus; e Dr. Roberto (coautor). Na literatura infanto-juvenil, publicou, entre outros, O dia em que o mico-leão chorou; A coragem da tartaruga careta; O saruê astronauta; A Constituinte da nova floresta. Editou, ainda, Maria da Paz e Revelações de Isabela (romances); Uma nova maneira de pensar; A educação da mudança e Magia da educação (crônicas); O Souza e a pasta; Você viu o terremoto?; Um santo remédio; e O mistério do baixinho (contos).
Entre distinções e condecorações, recebeu o da Legião de Honra da França; Ordem do Mérito Militar (Grande Oficial); Ordem do Mérito Naval; Ordem do Mérito Aeronáutico; Ordem do Mérito de Portugal; Ordem do Leão da Finlândia; Colar do Mérito Judiciário – Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; e Medalha Visconde de Mauá – Associação Comercial do Rio de Janeiro.

MARIA HELENA DE CASTRO

Socióloga e Mestre em Ciência Política pela Unicamp, Maria Helena de Castro é professora aposentada dessa Universidade/IFCH, onde atuou também como pesquisadora do Núcleo do Estudos de Políticas Públicas/NEPP.

Atualmente, é Secretária Executiva do Ministério da Educação e “rapporteur” da GAL junto ao Comitê Diretivo de Educação 2030. Foi Conselheira Titular do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (2010-2016) e Diretora Executiva da Fundação Seade de São Paulo até 16 de maio de 2016.

No Governo do Estado de São Paulo atuou, de 2007 a abril de 2009, como Secretária de Educação. Foi, também, Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social e Secretária de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do mesmo Estado.

CARLOS ALBERTO SERPA

Carlos Alberto Serpa formou-se Engenheiro Industrial e Metalúrgico pela PUC-RJ, em 1964. É Presidente da Fundação Cesgranrio desde 1971. Foi agraciado com inúmeras condecorações nacionais e estrangeiras, entre as quais a Medalha do Mérito Educacional no grau de Comendador, a Medalha Educacional Justiniano de Serpa, conferida pelo Governo do Estado do Ceará; Prêmio Cidadania, concedido pelo jornal A Folha Dirigida; a Medalha João Ribeiro, outorgada pela Academia Brasileira de Letras, e a Ordem do Mérito Cultural, concedida, em 2016, pelo Ministério da Cultura.

O professor Carlos Alberto Serpa, de acordo com seu currículo, é um cidadão voltado também para área cultural. Criou o Prêmio Cesgranrio de Teatro e a Orquestra Sinfônica Cesgranrio.

Dentre os cargos que já exerceu e exerce, destacam-se: Professor associado da PUC-RJ (desde 1964); Diretor do Departamento de Ciências dos Metais e Metalurgia da PUC/RJ (1965 – 1970); Diretor de Admissão e Registro da PUC-RJ (1967-1970); Coordenador Geral do Projeto MEC-Uniplan (1970-1971), quando diagnosticou e depois assessorou a implantação da reforma universitária em todo o país; Vice-Reitor de Desenvolvimento da PUC-RJ (1971-1975); Presidente da Associação Brasileira de Acesso ao Ensino Superior (1971-1981); Presidente da Comissão Nacional de Vestibular Unificado (Convesu) do MEC (1971-1976); Vice-Reitor Administrativo da PUC/RJ (1972-1973); Primary Member da International Association for Educational Assessment (desde 1974); Reitor Interino da PUC-RJ (1974); Conselheiro Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro (1975-1979); Membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação (desde 1990); Criador do Projeto Sapiens (1990); Presidente da Academia Brasileira de Educação (desde 1992); Reitor da Universidade Gama Filho (1999-2000); Conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (1996-1998); Membro do Conselho de Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica/RJ (desde 2002); Membro do Conselho Superior da International Association of University Presidents – Iaup (desde 2007); Presidente da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro (desde 2008); Membro do Conselho Diretor das “Faculdades Católicas”, Associação Mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (desde 2008); Diretor Geral da Faculdade Cesgranrio (2016); Provedor da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

18/05/2017





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domingo, 21 de maio de 2017

A PERDA DE UM MESTRE - Arnaldo Niskier


A perda de um mestre


Eduardo Mattos Portella era baiano, mas passou a maior parte de sua existência, de 84 anos, no Rio de Janeiro, onde construiu uma sólida carreira universitária, especialmente na UFRJ. Era o 2º Decano da Casa de Machado de Assis quando faleceu, no dia 2 de maio.

Portella teve uma significativa carreira de homem público, primeiro na Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (durante o governo Chagas Freitas).

Depois, na Casa Civil do Governo JK, de quem foi um bom amigo. Depois, na Unesco, em Paris, onde chegou a exercer as funções de diretor, com grande destaque. Desde 1962, era o diretor cultural das Edições Tempo Brasileiro.

Em 1979, convidado pelo presidente João Figueiredo, Portella assumiu o Ministério da Educação, Cultura e Desportos. Ficou um ano e meio no cargo. Deixou uma frase que se notabilizou: “Eu não sou ministro, eu estou ministro”.

No discurso de recepção na Casa de Machado, onde foi o sexto a ocupar a Cadeira nº 27, na sucessão de Otávio de Faria, em 18 de agosto de 1981 , o saudoso Afrânio Coutinho, com muita propriedade, destacou: “No Brasil, a Literatura é a mais importante expressão do espírito nacional. Somos um povo literário por excelência. Foi a Literatura que desenvolveu, desde Anchieta, a nossa identidade de povo e de nação. É ela que vem empreendendo, de maneira progressiva e pertinaz, o processo brasileiro de descolonização mental. É ela que melhor reflete em nosso país as formas de sua unidade na variedade”. 

Eduardo Portella foi mais do que um dos nossos maiores críticos de literatura. Foi um crítico de ideias, filosoficamente fundamentado e sustentado; um crítico da Cultura, voltado ontologicamente para tudo o que diga respeito ao homem universal.

A sua família perde o líder e, agora, aumentam as responsabilidades da esposa Célia e da filha Mariana. Que encontrem forças na imortalidade de sua obra.

O Dia, 18/05/2017

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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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sábado, 20 de maio de 2017

O ESTRANHO MISTERIOSO E O PESSIMISMO DE MARK TWAIN por Bruno Inácio

Livro escrito no fim da vida do escritor estadunidense retrata egoísmo da humanidade


 Autor de importantes obras, como As aventuras de Tom Sawyer e O príncipe e o mendigo, Mark Twain atingiu o seu ápice como escritor já na velhice, quando decidiu que o rótulo de artista bem-humorado não o cabia mais.

Ele estava amargo, solitário e com pouca fé na humanidade. Percebeu que as décadas haviam passado, mas os problemas dos homens eram os mesmos: apego aos bens materiais, ganância, falta de empatia, individualismo e até mesmo barbáries.

Twain decidiu que precisava escrever sobre aquilo e mostrar qual era a sua visão de mundo ao fim da vida. Como interlocutor de todos os problemas que gostaria de evidenciar no livro, Twain escolheu ninguém menos do que o próprio diabo como personagem. E assim surgia o livro “O estranho misterioso”, publicado postumamente em 1916, seis anos depois da morte do escritor.

A história se passa numa aldeia, durante a idade média, e narra o encontro de três crianças com um estranho, que se apresenta como um anjo chamado Satã. Rapidamente o homem sinistro conquista a atenção do trio com suas habilidades especiais, como leitura de mentes, a capacidade de fazer aparecer alimentos e até de criar vida.

Ao mesmo tempo em que demonstra certo interesse pela vida humana, Satã a despreza, dizendo que a mente dos homens é pouco desenvolvida e que suas ações são irracionais e sem sentido. Para ilustrar o que diz, ele chega a criar uma pequena comunidade de pessoas feitas à argila e não demora muito para que elas comecem a brigar entre si, devido à ganância e disputa pelo poder.

À medida que a narrativa avança, Satã acaba se envolvendo com a aldeia de diversas formas. Suas ações acabam influenciando a vida de várias pessoas do local, porém as três crianças permanecem como as mais próximas dele, especialmente Theodore, o protagonista e narrador da história.

Os diálogos elaborados, repletos de metáforas e ironias, trazem inúmeros questionamentos a respeito do senso moral e da natureza humana. Satã evidencia que o egoísmo nos isola, enquanto criamos uma dependência quase cega pelos bens materiais.

A falta de empatia, o pré-julgamento e o medo do conhecimento também são brilhantemente abordados na obra literária, sempre com um pessimismo quase kafkiano.

Satã, ocupando o papel de porta-voz do próprio Mark Twain, traz provocações a respeito daquilo que somos e acreditamos. Questiona, por exemplo, o uso da palavra desumano quando é dita por um dos garotos, depois que um bêbado agride um cão sem motivo algum. Lembra que nenhum ser no universo é capaz de tantas barbaridades, a não ser, justamente, o humano, o que torna essa palavra no mínimo contraditória.

Em outro trecho, ele reflete a respeito da relação entre inteligência e felicidade. Diz que apenas os que têm uma visão extremamente distorcida da realidade conseguem ser realmente felizes. Os demais, quanto mais inteligentes forem, mais tristes serão, pois perceberão o que o mundo realmente é: um grande palco de injustiças e desigualdades.

Por fim, no trecho que pessoalmente considero o melhor do livro, Satã começa a questionar se Theodore realmente existe ou se ele é apenas o fruto de um pensamento. Neste, que é o último diálogo do livro, o anjo decaído reflete sobre o que é realidade e apresenta o conceito de múltiplas dimensões.

Muitas das temáticas do livro viriam a ser abordadas posteriormente por escritores existencialistas, como Jean Paul Sartre, ou mesmo no campo da psicologia, por Jung.

No ano de 1985, foi lançado o filme As aventuras de Mark Twain, um desenho animado em stop motion no qual o autor e três crianças - Tom Sawyer, Huck Finn e Becky Thatcher - viajavam por diversas obras do escritor. Há a cena baseada em “O estranho misterioso”, que é bastante perturbadora para uma animação. Confira o vídeo:




Bruno Inácio
Jornalista, especialista em Literatura Contemporânea e em Gestão Cultural e estudante de Filosofia e Direitos Humanos. É autor dos livros "Gula, Ira e Todo o Resto" e "Coincidências Arquitetadas". Gosta de rock clássico, Simpsons e do Darth Vader. Não gosta de beterraba, da carreira solo do John Lennon e de livros de autoajuda.




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PALAVRA DA SALVAÇÃO (27)

6º Domingo da Páscoa - 21/05/2017


Anúncio do Evangelho (Jo 14,15-21)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.

Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.


— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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ESPÍRITO SANTO: "desbloqueador" de interioridades


“Vós o conheceis, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (Jo 14,17)

O evangelho de João nos oferece diversas imagens de Páscoa: vida, pastor e porta, morada de Deus… O evangelho deste domingo(6º Dom Páscoa) nos apresenta a Páscoa como promessa e esperança do Espírito Santo, o “Paráclito” (defensor/consolador) dos(as) seguidores(as) de Jesus. Jesus mesmo tinha sido o Paráclito de seus discípulos, mas agora envia seu Espírito para que seja presença interior e companhia.

A Páscoa apresenta-se, assim, como experiência de Presença, Deus em nós. Esta é a grande promessa que sustenta o caminho do seguimento na história, tantas vezes obscuro e angustiante para o ser humano. Presença que desvela nossa identidade e nossa verdade mais profunda: filhos(as) amados(as) do Pai.

O Evangelho de João é uma verdadeira catequese do Espírito, que se revela como “Espírito da verdade”, pois atua justamente na intimidade das pessoas, desvelando sua originalidade interior e comunicando-lhes luz e força para expandir suas vidas na direção do serviço aos outros.

Este “Espírito da verdade” não deve ser confundido com uma doutrina. Esta “verdade” não deve ser buscada nos livros dos teólogos nem nos documentos da hierarquia. É algo muito mais profundo. Jesus diz que “ela vive conosco e está dentro de nós”. É alento, força, luz, amor... que nos chega do mistério último de Deus. Devemos acolhê-la com um coração simples e confiante.

Este “Espírito da verdade” está no interior de cada um de nós, defendendo-nos de tudo o que nos pode afastar de Jesus. Convida a nos abrir com simplicidade ao mistério de um Deus, Amigo da vida. Quem busca a este Deus com honradez e verdade não está longe dele.

A sociedade pós-moderna apostou pelo “exterior” e se distanciou da dimensão essencial da vida humana: a interioridade. Tudo nos convida a viver a partir de fora; tudo nos pressiona a mover-nos com pressa, sem nos deter em nada nem em ninguém; a paz já não encontra espaços para morar em nosso coração; vivemos quase sempre na superfície da vida; estamos esquecendo o que significa saborear a vida a partir de dentro. Vivemos a globalização da dispersão e da superficialidade.

E o ser humano “disperso e superficial” é um ser “desordenado”, ou seja, vive seduzido por estímulos ambientais, envolvido por apelos vindos de fora, cativado pela mídia, pelas inovações rápidas, magnetizado por ofertas alucinantes...  E então, ele se esvazia, se dilui, perde a interioridade e... se desumaniza.

A exterioridade absorve a interioridade humana. A pessoa foge de si mesma, tem medo de encontrar-se. Por isso, acompanha o ritmo dos outros, repete a linguagem dos outros, adota os critérios dos outros..., e acaba sendo influenciada e dominada por pressões e hábitos externos.

Quê pode dizer a espiritualidade do Evangelho ao ser humano deste 3º. milênio? Um aspecto decisivo que emerge, entre tantos outros, é este: o valor do interior, ou seja, tudo o que se refere à dimensão do coração, das intenções profundas, das decisões que partem das raízes internas.

Para “desbloquear” nosso interior, fechado e petrificado, Jesus Cristo promete o envio do Espírito Santo, presença que examina e purifica as trilhas do coração humano, pois nosso interior é lugar da intimidade com Deus, espaço de contemplação, ambiente de discernimento e construção de decisões.

Nesse sentido, ser seguidor(a) de Jesus significa ser um aprendiz do Espírito, deixando-nos conduzir por Ele em direção à fronteira da interioridade, do nosso próprio “eu profundo”. Presença que desvela regiões não contaminadas em nosso coração, onde tudo começa a ser percebido como novo, de onde brotam esperanças adormecidas e desejos ocultos.

É próprio do ser humano mergulhar e experimentar sua interioridade-profundidade. Auscultando a si mesmo, percebe que brotam de seu “eu profundo” apelos de compaixão, de amorização e de identificação com os outros e com o grande Outro (Deus). Dá-se conta de uma Presença que sempre o acompanha, de um Centro ao redor do qual se organiza a vida interior e a partir do qual se elaboram os grandes sonhos e as significações últimas da vida.

Essa interioridade é um modo de ser, uma atitude de base a ser vivida em cada momento e em todas as circunstâncias. Mesmo nas atividades cotidianas mais simples, a pessoa que criou espaço para a profundidade e para a interioridade mostra-se centrada, serena e cumulada de paz, caminhando junto com os outros na mesma direção que aponta para a Fonte de vida e de eternidade.

Sabe-se e sente-se habitada por um Maior que é uma Fonte irradiante de ternura e de amor. Irradia vitalidade e entusiasmo, porque carrega Deus dentro de si, carrega o Sentido do universo, de cada coisa. Acolhe e interioriza experiencialmente esse Mistério sem nome e permite que Ele ilumine sua vida; dialoga e entra em comunhão com Ele, pois o detecta e o sente em cada detalhe da realidade.

Toda experiência espiritual significa um encontro com um rosto novo e desafiador de Deus, que emerge dos grandes desafios da realidade histórica. Esta “vida interior” é, ao mesmo tempo, a terra onde a pessoa planta suas raízes e a fonte onde ela pode apagar sua sede.

A partir da interioridade, tudo se transfigura, tudo tem sentido, tudo vem carregado de veneração e sacralidade. Viver a interioridade é desenvolver a nossa capacidade de contemplação, de compaixão, de assombro, escuta das mensagens e dos valores presentes no mundo à nossa volta.

Sem interioridade, Deus parece distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho torna-se lei, a Igreja uma simples organização, a autoridade transforma-se em poder, a missão em propaganda, o seguimento se burocratiza, a liturgia vira ritualismo...

É triste perceber que as comunidades cristãs não sabem cuidar e promover a vida interior. Muitos não sabem o que é o silêncio do coração, não se ensina a viver a fé a partir de dentro. Privados de experiência interior, sobrevive-se esquecendo essa dimensão mais original: escuta-se palavras com os ouvidos e pronuncia-se orações com os lábios, enquanto o coração está ausente.

Com isso, no coração de muitos cristãos está se apagando a experiência interior de Deus.
Quê sentido pode ter a Igreja de Jesus se deixamos que se perca em nossas comunidades o “Espírito da verdade”? Quem poderá salvá-la do auto-engano, dos desvios e da mediocridade? Quem anunciará a Boa Notícia de Jesus em uma sociedade tão necessitada de alento e esperança?

Texto bíblico:  Jo 14,15-21

Na oração: A oração é o caminho interior que nos faz chegar até o nosso próprio “eu original”, aquele lugar santo, intocável...; este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, onde mergulhamos no silêncio, à escuta de todo o nosso ser.

Se a nossa oração for um autêntico “deixar-nos conduzir pelo Espírito”, ela deverá fazer emergir à nossa consciência as profundidades desconhecidas do nosso ser. O Espírito liberará em nós as melhores possibilidades, recursos desconhecidos, capacidades, intuições... e nos fará descobrir em nós mesmos(as), nossa verdade mais verdadeira de pessoas amadas, únicas, sagradas, responsáveis...

Das raízes profundas brotarão as respostas mais criativas e duradouras que terão impacto na realidade onde nos encontramos, desencadeando um movimento de profundas mudanças.
- Busque, na oração, cavar mais profundamente, até atingir as raízes de seu ser, o núcleo original de sua personalidade, a verdade de sua vida.

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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CRIMES EM SÉRIE – Por Merval Pereira


Crimes em série



O que se ouve nos áudios que registraram conversas nada republicanas entre o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves com o dono da JBS Joesley Batista, em momentos distintos, é uma série de crimes sendo descritos, sendo premeditados. E demonstram que continua em marcha uma ação no Congresso para anistiar os parlamentares acusados de corrupção na Operação Lava-Jato e obstruir as investigações.

As conversas demonstram que os procuradores de Curitiba e o Juiz Moro têm razão ao defender as prisões preventivas alongadas para impedir que os crimes continuem acontecendo. Mesmo assim, eles acontecem, como fica claro nos diálogos. Eduardo Cunha tem a atuação semelhante aos chefes de facções criminosas, que continuam controlando o crime de dentro da cadeia.

Tanto Temer quanto Aécio Neves, presidente afastado do PSDB, pedem apoio do empresário para que pressione parlamentares ainda indecisos – como o presidente da Câmara Rodrigo Maia – e também que organize uma ação de empresários para conseguir a aprovação no Congresso da anistia política, esta uma sugestão de Temer que ele pede para que não seja atribuída a ele.

O presidente Michel Temer ouviu relatos estarrecedores de Joesley sobre ações de apoio ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lucio Funaro, a partir do minuto 11 do vídeo: "Zerei tudo, liquidei tudo e ele foi firme. Veio cobrou, eu acelerei o passo e tirei da frente", diz o empresário. Joesley disse ainda que Cunha, mesmo na cadeia, cobrava o que considerava ser uma dívida de propinas.

A certa altura, Joesley diz que, depois de todas essas providências, está bem com Eduardo Cunha, e ouve do presidente Temer: “Tem, que manter isso, viu?”. A sequência da conversa não deixa dúvidas, como ressalta o Procurador-Geral Rodrigo Janot, de que falavam de dinheiro que Joesley dava aos dois presos “todo mês. Eu tô segurando as pontas."

Além do relato sobre a mesada a Cunha, Joesley Batista deu detalhes estarrecedores ao presidente Michel Temer sobre como está “se defendendo” das investigações de que é acusado. Contou que está “segurando” o juiz e o juiz-substituto do caso, estaria tentando mudar o procurador “que está atrás de mim”, e conseguira infiltrar um procurador na força-tarefa que investiga a JBS.

O presidente Temer ouviu tudo sem pelo menos um comentário crítico, e quando reagiu, foi para repetir: “Está segurando os dois”. O procurador infiltrado é Ângelo Goulart, preso ontem pela Operação Patmos. Ele já esteve no Congresso defendendo as 10 medidas contra a corrupção apresentadas pelos procuradores de Curitiba.

Essas mesmas medidas, apresentadas como soluções para a crise moral em que estamos afundados, seriam o instrumento para uma legislação que anistiaria os parlamentares acusados de corrupção.   O senador Aécio Neves, suspenso de suas funções parlamentares pelo ministro do Supremo Luiz Edson Fachin, comentou com Joesley que estavam trabalhando em um projeto de anistia dentro das 10 medidas contra a corrupção.

Em um linguajar recheado de palavrões, ele relatou que “o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na... Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez... Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra”. 

Resolvido isso, o senador Aécio Neves diz que o projeto é “entrar no abuso de autoridade”. Ele garante que já conversou com o presidente Michel Temer, que prometeu aprovar a nova legislação.

O presidente Michel Temer disse ontem à tarde, em tom enfático, que não renunciará por que sabe o que fez e não teme delações premiadas. Temer parece ter perdido a noção do que seja certo ou errado, já que a conversa que teve com o empresário Joesley Batista o desqualifica para continuar exercendo a presidência da República.

O Globo, 19/05/2017


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Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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