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terça-feira, 30 de agosto de 2022



 

Quadrinhas

Cyro de Mattos

 

Ingratidão tira afeição,

Pior se feita pelo irmão,

Sendo a vida boa e bela,

Uns não dão valor a ela.

 

O ímpio com certeza  

Faz a beleza ficar feia,   

Põe as amargas na pança,   

Rancor grande na veia.      

 

A soberba é farto vício,

O duro orgulho também,

Bebe e lambe essas drogas  

Quem nunca gosta do bem. 

 

Sem justeza o audaz vivente,   

Descontente chuta o menos,

Sua cegueira não permite 

Ter remorso, volte atrás.  

 

Deus o livre do pequeno,

Sua presença mal lhe faz,

Com os comparsas comilões   

O seu arroto vale mais.

 

Cyro de Mattos é contista, poeta, romancista, ensaísta, cronista e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Jô 2: Ser H na vida

Ignácio de Loyola Brandão



As noites de nosso grupinho com Jô Soares começavam com um rabo de galo no 'Jeca', esquina da Ipiranga com São João, ainda não tanto celebrada. Aperitivo para diminuir o estresse do dia, se é que aquilo era estresse, adorávamos a tensão jornalística. Prosseguíamos com uma parada num banco da Praça da República para decidir onde ir. Ficávamos ali entre oito e meia e nove. Parece loucura, o tempo era outro. Hoje não atravesso praça ao meio-dia.

A decisão era a mesma, jantar no Clubinho, o Clube dos Artistas e Amigos da Arte, no porão do Instituto dos Arquitetos, na Rua Bento Freitas. Durou de 1945 aos anos 70. Bebida e comida baratas e um picadinho imbatível (que reencontrei agora no Bar da Dona Onça, da Janaína Rueda). Ali estavam, sempre, Polera, pianista - que, se não me engano, era irmão de Joubert de Carvalho, autor da canção Maringá -, Rebolo, Mario Gruber e Clovis Graciano, Sérgio Milliet, Arnaldo Pedroso d'Horta, Marcos Rey e seu irmão e Mário Donato, cujo romance Presença de Anita tinha sido best-seller fenomenal, o que levava Jô a dizer, 'o melhor pornô que já li, dá tesão e é boa literatura'.

Ali circulava Maiza Strang da Rocha, jovenzinha, autora de um romance, Incerteza, de 1959, que deu uma entrevista ao nosso Dorian Jorge Freire dizendo coisas como 'o homem esquece que a mulher tem direito de ter sexo' - ou seja, foi pioneira do feminismo. Pela entrevista, Jô, naquela noite, pagou o jantar de todos e, imenso, redondo, abraçou apertado o Dorian, que pequenino, magérrimo, quase foi sufocado.

As noites eram longas e os lugares, muitos. Vinha o roteiro dos 'inferninhos', designação estranha, nunca definida. Eram bares onde rolava prostituição disfarçada. Ali as mulheres ficavam à espera do chamado dos homens para uma bebida e o acerto do quantum pelo programa. A região era a boca de luxo. Aquelas mulheres deviam ter sempre ao lado um homem que era um falso noivo, falso marido, etc. Este acompanhante era chamado de 'H' e era pago pelo dono da boate para fingir companhia. Não era um cafetão. Jô, Gilberto di Pierro - antes de ser o célebre colunista Giba Um -, Marco Antonio Rocha - depois editorialista deste jornal - , o jornalista José Roberto Pena, um dos criadores da revista Quatro Rodas, David Aierbach, comentarista político, e eu, algumas vezes consideramos a possibilidade de, tendo fracassado na vida, quando velhos, lá pelos 60 anos, sermos um H, sem nada a fazer, sentados num bar, ganhando um uísque, talvez obtendo uma graça de graça de uma daquelas jovens. Dorian e Pena morreram há muito anos, Marco e eu sobrevivemos, Jô tornou-se um gênio que deixou um vazio no ar. Lamento, continuarei.

O Estado de S. Paulo, 28/08/2022

 https://www.academia.org.br/academicos/ignacio-de-loyola-brandao

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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sábado, 27 de agosto de 2022


      TROVA DE AMIGO  
     Cyro de Mattos



Eu vivo Itabuna,
Itabuna vive em mim,
Nunca pensei ser grande,
Tudo fica é mesmo aí.

Quem quiser se engane,
Ache até que é um deus,
Na cidade dos pés juntos
Onde estão os sonhos seus? 

Tudo cabe nas gavetas,
Essa fome não sossega,
Já pensou quanta soberba
Ela engole mais e mais.

Procure ter mais juízo,
Não se julgue um porreta
Nas asneiras  do que faz,
Quem te avisa aqui jaz.

 

Cyro de Mattos é contista, poeta, romancista, ensaísta, cronista e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Academia de Letras da Bahia- Trecho do Livro Tenta dos Milagres de Jorge...

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Amor (Hilda Hilst)

 


AMOR

Hilda Hilst

 

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

 

Hilda de Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst, foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. 

Nascimento21 de abril de 1930, Jaú, São Paulo

Falecimento4 de fevereiro de 2004, Campinas, São Paulo

(wikipédia)

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JAIR BOLSONARO - PÂNICO - 26/08/22

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

O LADRÃO livre foi um tiro no pé veja o desespero da PETRALHADA






Claro que os petistas já perceberam que a soltura de Lula seria um fiasco. A estratégia falhou. Eles pensaram que Lula botaria fogo no país, voltaria a mobilizar as massas, e ressurgiria como a Fênix de Garanhuns. Ledo e mortal engano. A soltura do bandido mostrou aos petistas a face mais cruel da realidade: o desprezo do povo pelo ex-presidente LADRÃO. Lula, hoje, é carregado por um punhado de puxa sacos pelo país, como um cadáver putrefato, fedorento, que as pessoas sentem náusea ao avistar.

A figura do LADRÃO causa repulsa, nojo, asco, na maioria do povo. Seus discursos não conseguem reunir um número minimamente decente de pessoas, nem na internet, e ainda por cima, têm de aguentar os protestos e xingamentos de muitos (fora a já tradicional CHUVA DE OVOS).

A desmoralização é total, e os petistas notaram isso. Estão estupefatos, pois o choque de realidade foi grande demais. Agora, estão sem saber o que fazer com a carcaça pútrida. Preso, ainda tinha alguma relevância, por conta do discurso vitimista. Solto, perdeu tudo, até mesmo a narrativa mentirosa de preso político.

Mas, a vida segue. Rei morto, rei posto. Afinal, agora, o Sistema aceitou que não pode mais contar com uma hipotética ressurreição de Lula.

Então agora, eles têm um problema: quem poderia substituir o LADRÃO na batalha pelas eleições de 2022? O Sistema não consegue encontrar alguém na centro esquerda ou mesmo no Centrão, que seja páreo para Bolsonaro. Na esquerda, Ciro Gomes não tem mais relevância. Maia? Uma piada! Huck? Pior ainda!

Calcinha Atolada? Suicidou politicamente!

A esperança era Lula. Lula não existe mais. Poderiam apelar para um plano B, mas a verdade é que também não existe um plano B. O desespero é grande. A tendência é que, se não encontrarem um nome forte, terão de aguentar a reeleição de Bolsonaro, e, ainda o ver fazendo um sucessor. O golpe seria duro demais.

Pior para o Sistema composto por vermes que infestam e aparelham todo o testamento político e burocrático, e que terminarão morrendo à míngua. Melhor para os patriotas e pessoas de bem, deste país.

São novos tempos…Graças a Deus!

Texto de Devacir Carneiro

https://verdadealagoas.com.br/2021/11/04/o-ladrao-livre-foi-um-tiro-no-pe-veja-o-desespero-da-petralhada/

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