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sábado, 2 de janeiro de 2021

RETALHOS – Cora Coralina

 


Retalhos

 

"Sou feita de retalhos.

Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha

e que vou costurando na alma.

Nem sempre bonitos, nem sempre felizes,

mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.

Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior...

Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho,

uma saudade... que me tornam mais pessoa,

mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz:

de pedaços de outras gentes

que vão se tornando parte da gente também.

E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados...

haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.

Portanto, obrigada a você

que faz parte da minha vida

e que me permite engrandecer minha história

com os retalhos deixados em mim.

Que eu também possa deixar pedacinhos de mim

pelos caminhos e que eles possam ser parte da sua história.

E que assim, de retalho em retalho,

possamos nos tornar, um dia,

um imenso bordado de 'nós'."

                     

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Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Publicou seu primeiro livro quando tinha 76 anos e tornou-se uma das vozes femininas mais relevantes da literatura nacional.

 Ligue o vídeo abaixo:



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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO O quarto Rei Mago



O Quarto Rei Mago

 Há uma lenda que, sem fazer parte da Revelação, nos ensina o que Deus espera de nós.

Dizem que houve um quarto Rei Mago, que também viu a estrela brilhar em Belém e decidiu segui-la. Como presente, pensou em oferecer ao Menino um baú cheio de pérolas preciosas. 

No entanto, em seu caminho, ele encontrou várias pessoas que estavam pedindo sua ajuda.

Esse Rei Mago os assistiu com alegria e diligência, e deixou a cada um deles uma pérola. 

Mas isso estava atrasando sua chegada e esvaziando seu baú. 

Ele encontrou muitos pobres, doentes, aprisionados e miseráveis, e não podia deixá-los sem supervisão. 

Ficou com eles pelo tempo necessário para aliviar suas dores e depois partiu, sendo novamente interrompido por outro desamparado.

Aconteceu que quando finalmente chegou a Belém, os outros magos não estavam mais lá e o Menino fugira com seus pais para o Egito, porque o rei Herodes queria matá-lo. 

O Rei Mago continuou procurando-o sem a estrela que o guiara antes.

Ele procurou e procurou e procurou ... 

Dizem que ele passou mais de trinta anos viajando pela terra, procurando a Criança e ajudando os necessitados. 

Até que um dia chegou a Jerusalém, justamente quando a multidão enfurecida exigia a morte de um homem pobre. Olhando-o, ele reconheceu algo familiar em seus olhos. Entre dor, sangue e sofrimento, pode ver em seus olhos o brilho daquela estrela. 

O miserável que estava sendo executado era a criança que ele havia procurado por tanto tempo.

A tristeza encheu seu coração, já velho e cansado pelo tempo. Embora ainda guardasse uma pérola na bolsa, era tarde demais para oferecê-la à criança que agora, transformada em   homem, pendia de uma cruz. 

Ele havia falhado em sua missão. E sem mais para onde ir, ficou em Jerusalém para esperar a morte chegar.

Apenas três dias se passaram quando uma luz ainda mais brilhante do que mil estrelas encheram seu quarto. Foi o Ressuscitado que veio ao seu encontro! 

O Rei Mago, caindo de joelhos diante dele, pegou a pérola que ficou e estendeu-a a Jesus, que a segurou e carinhosamente disse:

"Você não falhou. Pelo contrário, você me encontrou por toda a sua vida. Eu estava nu e você me vestiu. Eu estava com fome e você me deu comida. Eu estava com sede e você me deu uma bebida. Eu fui preso e você me visitou. Bem, eu estava em todas as pessoas pobres que você assistiu no seu caminho. Muito obrigado por tantos presentes de amor! Agora você estará comigo para sempre, porque o Céu é a sua recompensa". 

A história não requer explicação ...

  

Somos o quarto Mago e damos continuidade ao seu trabalho todas as vezes que ajudamos alguém ao longo dessa caminhada chamada Vida. 


(Autor não mencionado)

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

RAIAR DE DIAS MELHORES - José Sarney


Depois de longo período de pessimismo, todos nós, uns mais, outros menos, vivendo entre o medo e a solidão, entre o mistério e a angústia, sem saber o que aconteceria não somente com nossas pessoas e famílias, mas também com o mundo, surge, embora de maneira tênue, um primeiro raio de esperança, com a possibilidade de entrarmos num período que todos esperávamos há tanto tempo: o início do processo de se imunizar a população e afastar o temor de se ser vítima de uma doença que surgiu como um mistério, que ninguém sabia o que era exatamente, quais suas consequências, até onde ela podia chegar e se a Humanidade estava numa ameaça que podia a levar a sua destruição total, ou ao menos a impor uma nova e diferente forma de viver em sociedade.

A primeira adaptação, a do relacionamento. Não se conhecia outro método de prevenção senão o isolamento, que por sua vez nos obrigava a não ter contato com as pessoas, inclusive as mais próximas, as mais ligadas pela amizade e pelo carinho. Usar máscara, tirar o prazer de ver os rostos queridos, lavar as mãos, excluir cumprimentos e evitar qualquer contato de grupo.

Por outro lado, todos sentimos o impacto sobre a economia, com a perda de empregos, de trabalhos, o fechamento das lojas, dos mercados e a disseminação do receio da contaminação.

O desconhecimento de quaisquer formas de tratamento fez com que estas fossem sendo descobertas à custa de muitas vidas, ao lado dos fantasmas dos medicamentos promovidos como eficazes sem respaldo científico e em total descompromisso com suas consequências e seus efeitos colaterais.

Acompanhamos o esforço gigantesco das autoridades sanitárias para enfrentar os perigos e a perda de tantas vidas de profissionais de saúde, verdadeiros heróis, que desafiaram — e desafiam — a morte e deram o máximo de solidariedade e conforto aos doentes e a seus entes queridos, no sofrimento da espera e do desconhecido. Continuamos a viver nesse clima, mas até agora não chegava a nós, concretamente, qualquer forma de enfrentamento deste mal.

Nos resgata a ciência e a determinação do homem em colocar o seu saber a serviço do próximo e de todos os povos. Nunca houve um esforço científico da magnitude do que foi feito para encontrarmos os caminhos de salvação.

Enquanto isso, paralelamente, assistíamos à disputa desumana de grupos econômicos, pensando nos lucros que adviriam a quem encontrasse sucesso em suas pesquisas, e até de países pensando em geopolíticas. Nada de pensar na Humanidade, no sofrimento, na morte dos atingidos e sim nas oportunidades que a miséria podia gerar.

Depois da escuridão, da longa angústia e do sofrimento, surge um raio de luz com o anúncio de que já no início do próximo ano haverá alternativas de vacinação para proteger a humanidade. Estamos mais uma vez num ponto de inflexão — aqui mesmo o País cresceu 7,7% no último mês, aquém do que era esperado, mas nos dando um sinal de que em algum momento vamos retomar nosso crescimento — e sentimos a esperança voltar ao mundo, no que para nós é o caminho cristão, marcado pelo Natal do Menino Jesus. Que, com Ele, não nos faltem a fé e a esperança.

O Estado do Maranhão, 06/12/2020

 

https://www.academia.org.br/artigos/raiar-de-dias-melhores

 

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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.


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OS PINGOS NOS IS


 

O QUE O ÍCONE DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO TEM A VER COM O NATAL?


Tom Hoopes publicado em 28/12/20

O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não é associado ao Natal, mas deveria

Depois de anos sem prestar muita atenção a ele, o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se tornou minha imagem favorita de Natal neste Advento.

A imagem é, de fato, um ícone bizantino do século 13, que atualmente instalado na Igreja de Santo Afonso em Roma. Ele retrata a A Virgem Maria e o Menino Jesus ao centro, além dos arcanjos Miguel e Gabriel em cada lado.

Adam Jan Figiel | Shutterstock


Os anjos e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

O ícone me fez lembrar que as coisas que me desencorajaram no passado são o que me atraem agora, revelando todo o significado do Natal.  Os anjos, portanto, são lembretes do verdadeiro poder do Natal. Os dessa imagem sempre me lembravam insetos incomodando a Mãe Santíssima. Mas é claro que não são. Ao contrário: eles são mensageiros de Deus carregando uma cruz e pregos.

Além disso, Eles são lembretes de que Jesus nasceu em Belém para morrer por nós no Calvário. E sua morte não foi uma coisa fácil, porque ele era, de fato, Deus. Foi, portanto, uma coisa dolorosa que o assustou porque ele também era homem. E, como um verdadeiro homem, precisava de apoio e encorajamento. Ele herdou isso de sua mãe, e nós também podemos herdar.

Jesus

Jesus se parece com uma criança e com uma pessoa mais velha ao mesmo tempo, lembrando-nos que o Natal é para todos. No ícone, seguindo os costumes das Igrejas Orientais, não parece infantil. Este é um bom lembrete de duas coisas. Primeiro, que mesmo quando adulto, seu relacionamento com a mãe perdurou. Segundo: ele nos convida a esse relacionamento com ela, não importa nossa idade.

Da mesma forma, o filme A Paixão de Cristo expressa a mesma ideia quando a presença de Maria dá a Jesus a força para enfrentar a Paixão. Isso está especificamente em uma cena em que Maria o confortou quando criança.

No ícone ele segura a mão dela assustado com os sinais de sua Paixão, um hábito que teria começado na primeira noite de Natal – e um hábito que pode começar para nós agora mesmo.

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Neste ícone, a imagem séria de Maria nos lembra que o Natal é mais profundo do que a superficialidade com que o vestimos.

Eu já vi, entretanto, versões do ícone em que os artistas colocam um sorriso no rosto de Maria. Eu entendo por que eles fazem isso. Seu rosto parece duro e desagradável para nós, pessoas do século 21, acostumadas a celebridades sorridentes e fotos de perfil selecionadas.

Mas as pessoas da maioria dos tempos e lugares do mundo reconheceriam esse olhar: é a expressão de uma mulher que sabe que a vida é difícil e que o futuro trará mais dificuldades. Entretanto, ela olha para o céu em busca de esperança – e sabe que ela virá.

As sandálias

A sandália caindo do pé de Jesus me lembra que há Alguém maior do que João Batista aqui. Além disso, o fato de a sandália estar caindo pode significar que Ele não esta amarrado a esta terra, pois ele também é divino.

Para mim, esta cena sempre me faz pensar em João Batista, que repetiu notoriamente durante o Advento que não era digno de amarrar as sandálias de Jesus. Gosto de lembrar que Maria, sim, era digna de fazer isso.

Enfim, no Natal, esse ícone me lembra que, embora o presente mais importante que recebemos seja um salvador glorioso, o presente secundário que recebemos é uma ótima mãe.

O Natal, portanto, é o tempo perfeito para nos consagrarmos a ela!

 

https://pt.aleteia.org/2020/12/28/o-que-o-icone-de-nossa-senhora-do-perpetuo-socorro-tem-a-ver-com-o-natal/?

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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A VERDADEIRA BELEZA ATRAI A JUVENTUDE - I

 29 de dezembro de 2020

 


Catedral de Westminster (Londres)

Plinio Maria Solimeo

 

Estudo recente de uma organização de jovens britânicos afirma que “são muito influentes na conversão de um jovem ao cristianismo o próprio prédio físico da igreja”. Analisando esse estudo, o Telegraph cita que “cerca de 13% dos adolescentes disseram que decidiram se tornar cristãos depois de visitarem uma igreja ou catedral”.

Para o jornal londrino, a “influência do edifício da igreja na conversão de adolescentes é mais significativa do que a participação deles em um grupo de jovens, em um casamento, ou o fato de eles conversarem com outros cristãos sobre a fé”. O estudo sugere que métodos utilizados pela Igreja, como grupos de jovens, são menos eficazes para atrair adolescentes do que a oração ou a visita a uma igreja.

O que atrai esses jovens ingleses nas igrejas e catedrais, muitas delas verdadeiras joias medievais, roubadas ao culto católico durante a apostasia e o cisma do lúbrico rei Henrique VIII? Na verdade, eles são atraídos pela beleza da arquitetura, pelo colorido dos vitrais, pelas esguias torres e cúpulas que desafiam os tempos. Enfim, tudo aquilo que falta nas igrejas modernas, feias como o pecado…

Isso nos remete a uma questão filosófica. O que pode ser realmente considerado belo? O Belo é algo subjetivo ou objetivo? Na verdade, desde a antiguidade, filósofos — o principal deles foi Aristóteles — se debruçaram sobre o assunto à busca de uma explicação satisfatória. São Tomás de Aquino, seguindo os passos do filósofo grego, tratou com maestria desse tema em sua Suma Teológica.

Segundo o Prof. Gabriel Ferreira, ao comentar o Doutor Angélico, esclarece que ele aponta três condições da beleza: a primeira delas é integridade ou perfeição do ente. Ou seja, quanto mais o ser for completo e íntegro de sua natureza; quanto menos lhe faltar para que seja aquilo que é; portanto, quanto mais perfeito, mais belo será tal ente.

A segunda das condições é o que Santo Tomás chama de proporção ou harmonia. Que seja proporcional entre suas diversas partes, ordenadas para o fim que lhe é próprio. Por último, São Tomás acrescenta um traço pouco explorado, isto é, o brilho, a claridade ou o esplendor. Pois o que é belo exibe uma espécie de halo que coroa seu grau de perfeição e está de acordo com ele.

A beleza portanto se encontra naquilo que os sentidos e o intelecto encontram satisfação e nossos apetites são aplacados. A experiência da beleza conjura a unidade dos nossos desejos — do intelecto e da vontade — e as satisfaz, uma vez que o bom e o belo são o mesmo. É essa “satisfação” em encontrar esse “bom e o belo” que atualmente atrai muitos jovens. Pretendo voltar ao tema. Até breve.

https://www.abim.inf.br/a-verdadeira-beleza-atrai-a-juventude-i/

 

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

ANO NOVO NA DESORIENTAÇÃO

28 de dezembro de 2020

Péricles Capanema

 

2021 está na esquina. Quantas diferenças em um ano! Sobre um ponto quero abaixo compartilhar reflexões. Quase mais nada existe da generalizada atmosfera de superficial otimismo que perpassava dezembro de 2019. Em linhas muito gerais, a economia crescia, Trump tinha a reeleição provável, a via de novas conquistas parecia aberta para grande parte da população. O que gerava a sensação de segurança, de rumo e de perspectivas realizáveis, condições favoráveis ao equilíbrio emocional. Dava para caminhar.

De repente se fechou o carreiro ascensional, o mundo afundou, apareceram abismos antes encobertos pelo otimismo generalizado. Já em fevereiro a pandemia do COVID-19 veio forte, logo depois as cidades foram fechadas e as ruas ficaram desertas. Empresas faliram, explodiu o desemprego, milhões e milhões despencaram na pobreza. Os governos abriram as burras para auxílios emergenciais e o déficit fiscal disparou. De outro lado, a pandemia provocou intensas disputas entre grupos políticos, o choque das opiniões esgarçou ainda mais a sociedade. A recuperação, se vier, será difícil. E não deveria ser apenas econômica. Comentarei abaixo a respeito.

Joe Biden ganhou nos Estados Unidos à frente de coligação que inclui correntes radicalizadas, socialistas e libertárias. Ele terá que satisfazê-las (e já as está contemplando na alta administração) ao cumprir compromissos assumidos na campanha. O que virá dali? É ponto que exige atenção e preocupa. Observei que a recuperação econômica, se vier, será difícil. Como todos sabem, suporá a aplicação de vacinas seguras, fazendo realidade a imunidade de rebanho. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, advertiu que os investimentos em vacinas contra a COVID-19 são muito mais baratos que as aplicações em auxílios emergenciais. Deseja aplicações maiores e urgentes. É preocupação do mercado, lembrou ainda: “Há uma disputa por vacinas. Quem terá a vacina primeiro e como a logística será feita muda todos os dias. Estamos concentrados nas vacinas e o mercado também”. Na mesma direção, advertiu Marcelo Pacheco, secretário executivo do ministério da Fazenda: “Com a vacina a população vai se sentir mais segura e, com isso, a economia vai se recuperar. Temos feito de tudo para prover os recursos necessários para a vacinação”.

População protegida, disseminação controlada, é o objetivo. Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra já estão vendo luz na boca do túnel. Outros países vão no mesmo rumo. Nós também, só que com passos lerdos. Ainda preparamos a caminhada; brigas, desleixo, obsessões, cegueira, incompetência, impediram-nos de atender populações expostas, como, por exemplo, agora o fazem Estados Unidos, Inglaterra e tantos outros. Quando tal fato se dará no Brasil? Ninguém sabe ao certo; é triste, chapinamos no pântano dos palpites.

Duas características que provavelmente permanecerão: o “home office” e o aumento dos pagamentos e compras pela rede. Não tratarei aqui de modificações psicológicas, morais, políticas, tema muito vasto.

Falei de equilíbrio emocional, sensação de segurança, sensação de rumo, perspectivas realizáveis. Acabaram, veio a desorientação. E há motivos. Será dura a recuperação, tempos difíceis pela frente, o déficit fiscal vai pesar por anos. Empregos melhores e rendas em aumento, se vierem, chegarão em conta-gotas. Medidas que poderiam ajudar a retomada do crescimento, com o consequente alívio, em especial para os mais pobres, comportariam enérgico programa de privatizações, diminuição do tamanho do Estado, cancelar programas malucos como a reforma agrária. Mas temos tumores de estimação no corpo social, parece que não podem ser tocados. E aqui se unem pessoas de todas as correntes, congregadas pelo objetivo de preservar dentro do corpo social os tumores de estimação. As advertências melancólicas do Dr. Salim Mattar são apenas um sintoma, significativo embora, de tal realidade desoladora.

Agora, o ponto que pretendo destacar tem relação com o equilíbrio emocional. Seria trágico repetirmos o que aconteceu nos anos 20 do século passado, “les années folles”, os anos loucos. O povo, cansado da guerra, cansado da gripe espanhola, jogou pela janela o sofrimento, não fez dele pedestal para a formação do caráter e raiz de vida temperante; e lançou-se na folia, quis esquecer tudo o que havia passado. Poucos anos depois o sofrimento e as privações voltaram multiplicadas, era a 2ª Guerra Mundial. Não lancemos nós agora o sofrimento pela janela. Não passou ainda, pode demorar algum tanto a volta à normalidade e 2021 começa com a sensação de falta de rumos. Desorientação. Um ponto deveria estar sendo cogitado: não desperdiçar o confinamento, o sofrimento e as privações, mas fazer desse depósito pedestal para a formação do caráter. Nutrimento da temperança. Já será grande coisa. Que Deus nos ajude. Bom Ano Novo a todos.

https://www.abim.inf.br/ano-novo-na-desorientacao/


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