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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

É ERRADO FALAR DE NOSSA SENHORA ENQUANTO MÃE SOLTEIRA? – Padre David Francisquini

 19 de novembro de 2020


Anunciação – Girolamo Lucenti (1602-1624). Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia.

Padre David Francisquini

Pergunta — A freira americana que fez um discurso contra o aborto na convenção do Partido Republicano, elogiando as iniciativas pró-vida do presidente Trump em defesa dos direitos do nascituro, disse uma frase que me chocou: “Como cristãos, conhecemos Jesus pela primeira vez como um embrião no ventre de uma mãe solteira, e o vimos nascer nove meses depois na pobreza de uma gruta”. Por mais que a frase estivesse destinada às moças que ficam grávidas, recomendando-lhes que não abortem, essa analogia me pareceu inapropriada, pois parece esquecer a virgindade perpétua de Nossa Senhora e o fato de que Ela estava casada com São José. O que o senhor pensa disso?

Resposta — A Igreja tem muitas formas de censura para as proposições contrárias ao seu ensinamento. São chamadas de “notas teológicas”. As mais graves se relacionam com o conteúdo das proposições censuradas: herética, errônea na fé, temerária. Outras se referem à forma defeituosa pela qual elas são expressas: equivocada, suspeita, malsoante. Por fim, uma formulação pode não ser errônea no conteúdo e na forma, mas ser censurada pelos efeitos que produz num contexto determinado, qualificando-se então como escandalosa, perigosa, sedutora dos simples ou ofensiva aos ouvidos pios. Por exemplo, seria verdadeira uma ladainha que dissesse São Pedro renegado, rogai por nós, porque de fato ele negou Nosso Senhor três vezes. Mas a piedade dos fiéis ver-se-ia contundida pela evocação desse gravíssimo pecado no contexto de uma ladainha em que se pede sua intercessão. Da mesma maneira, é louvável o corajoso discurso contra o aborto, evocado na pergunta; mas foi muito infeliz a formulação com que a freira se referiu à concepção virginal, pois choca os ouvidos piedosos dos fiéis, especialmente dos devotos de Nossa Senhora.

É preciso reconhecer que a frase da freira é até certo ponto materialmente verdadeira, pois no momento da Anunciação e da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria Ela ainda não estava casada legalmente com São José, nem vivia com ele sob o mesmo teto. Essas duas realidades estão declaradas explicitamente no primeiro capítulo do Evangelho de São Mateus. No versículo 18, ele diz que Nossa Senhora tinha concebido por virtude do Espírito Santo “antes de coabitarem”. E no versículo 20, que o anjo disse em sonhos a São José: “Não temas receber Maria por esposa”, o que significa que ele ainda não a havia recebido como tal.


O anjo disse em sonhos a São José:

“Não temas receber Maria por esposa”

Como explicar que no primeiro dos versículos citados se diga que Maria estava “desposada com José”? Como podia recebê-La por esposa, se já estava desposado com Ela? A aparente contradição resulta das traduções portuguesas da Bíblia, pois nas traduções em outras línguas os substantivos e verbos indicam claramente que Nossa Senhora estava apenas prometida, e ainda era noiva de São José. Essa afirmação pode causar surpresa em alguns leitores, mas será desfeita conhecendo-se melhor a legislação e as tradições matrimoniais dos judeus.

No início da história do povo eleito — como fica patente no relato do casamento de Isaac com Rebeca — eram os pais que negociavam o casamento de seus filhos. Depois passaram os próprios filhos a escolher suas futuras esposas, como ocorreu com Sansão. Querendo casar-se com uma filha dos filisteus, ele pediu aos pais para negociarem a boda, pois o candidato deveria oferecer um dote que fosse aceitável pela família da moça. Uma vez obtido o consentimento desta, fazia-se um contrato, que era verbal antes do cativeiro na Babilônia e passou a ser escrito depois, como o que foi redigido conjuntamente por Tobias e o pai de Sara.

Celebrava-se então com certa solenidade a cerimônia do noivado, durante a qual o noivo dava à noiva (se ela fosse menor, ao pai dela) um anel de ouro ou algum outro objeto de certo valor. A duração do noivado era de um ano, para dar tempo à noiva de se preparar para o casamento e aprontar seu enxoval. Durante esse período os futuros esposos permaneciam em suas respectivas casas, só se comunicando através do “amigo do esposo”, personagem ao qual São João Batista se comparou quando explicou a seus discípulos que não era Cristo, mas um enviado para anunciá-Lo.

Porém é necessário notar que, ao contrário de nossos dias, o noivado era tão irrevogável quanto o casamento; de tal maneira que, se a noiva se deixasse seduzir por outro homem, era punida de morte por lapidação, tal como acontecia com uma mulher adúltera já casada. E caso seu noivo viesse a morrer antes do casamento, ela deveria ser desposada por um cunhado, não podendo casar-se fora dessa família com um estranho, respeitando o costume do levirato (Deut. 25, 5). Devido ao caráter irrevogável do noivado, não existia na língua hebraica uma palavra específica para designar esse período, sendo assimilado linguisticamente ao casamento.


Os desponsórios da Virgem

– Sebastián López de Arteaga (1610-1652).
Museu Nacional de Arte, Cidade do México

À vista dessas considerações, compreende-se por que São Lucas, ao escrever que o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, “a uma virgem desposada com um varão, chamado José”, não quis dizer que Nossa Senhora estivesse casada, mas apenas comprometida a casar-se com ele. Tanto os verbos desponso despondeo da Vulgata latina, quanto o verbo μνηστή do original grego e seus derivados, significam prometer em matrimônio, pedir em casamento, pretendente, noivo. Por isso São José e a Virgem Maria não viviam sob o mesmo teto, como refere São Mateus, pois os costumes só autorizavam a coabitação depois das núpcias. Foi após a visita de São Gabriel que “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado, e recebeu em sua casa sua esposa” (Mt 1, 24).

Essa explicação dos fatos, que corresponde inteiramente às tradições do povo judeu, não é desmentida por São Lucas quando, ao relatar a subida do santo casal a Belém para o recenseamento (portanto, depois das núpcias), se refere a Nossa Senhora com as palavras μνηστευμέν ατ (original grego), traduzidas por desponsata sibi uxore na Vulgata latinao que literalmente quer dizer, como vimos acima, “sua noiva”. É possível que o evangelista tome aqui o verbo grego no sentido de “casar-se”, que por vezes tem. Contudo, o mais provável é que tenha desejado expressar-se com uma delicadeza suprema, para dar a entender que, no tocante ao Filho divino que Maria portava em seu seio virginal, Ela era apenas a prometida de São José. De qualquer maneira, São Jerônimo achou por bem acrescentar uxore — ou seja, esposa — para deixar as coisas bem claras.

Em resumo, e para concluir a resposta ao consulente, podemos dizer que a Santíssima Virgem Maria, na hora bendita da Anunciação, ainda não estava casada com São José. Isso não significa que fosse realmente solteira, pois já estava comprometida com ele mediante um contrato irrevogável, prescrito pela tradição judaica. Portanto, ainda que a expressão “mãe solteira” tenha sido utilizada com boa intenção pela religiosa mencionada na pergunta do consulente, ela é inapropriada e até chocante quando associada à concepção virginal de Maria Santíssima.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 839, Novembro/2020.

https://www.abim.inf.br/e-errado-falar-de-nossa-senhora-enquanto-mae-solteira/

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

VOCÊS SABEM COMO A VIRGEM MARIA MORREU?

 


Assim morreu a Virgem Maria, segundo São João Damasceno, Doutor da Igreja.

 

A Mãe de Deus não morreu de doença, por não ter pecado original, não tinha que receber o castigo da doença. Ela não morreu de idosa, porque não tinha que envelhecer, pois, ela não lhe chegava o castigo do pecado dos primeiros pais: envelhecer e acabar por fraqueza.

Ela morreu de amor.

Era tanto o desejo de ir para o céu onde estava o seu filho, que esse amor a fez morrer.

Cerca de quatorze anos após a morte de Jesus, quando já tinha empregado todo o seu tempo em ensinar a religião do Salvador a pequenos e grandes, quando tinha consolado tantas pessoas tristes, e ajudado a tantos doentes e moribundos, avisou aos Apóstolos que já aproximava-se a data de partir deste mundo para a eternidade.

Os Apóstolos amavam-na como a mais bondosa de todas as mães, e apressaram-se a viajar para receber dos seus lábios maternais os seus últimos conselhos, e das suas sacrossantas mãos, a sua última bênção.

Foram chegando, e com lágrimas copiosas, e de joelhos, beijaram essas mãos santas, que tantas vezes os tinham abençoado.

Para cada um deles, teve a excelsa Senhora palavras de conforto e esperança.

E aí, como quem dorme no mais plácido dos sonhos, foi ela fechando santamente seus olhos. E sua alma, mil vezes abençoada, partiu para a eternidade.

A notícia correu por toda a cidade, e não houve um cristão que não viesse chorar ao lado do seu corpo, como pela morte da própria mãe. Seu enterro mais parecia uma procissão da Páscoa que um funeral. Todos cantavam “o aleluia”, com a mais firme esperança de que agora eles tinham uma poderosa protetora no céu, para interceder por cada um dos discípulos de Jesus.

No ar, sentiam-se suavíssimos, mas fortes aromas, e parecia ouvir cada um, harmonias de músicas muito macias. Mas Tomás, Apóstolo, não tinha chegado a tempo. Quando chegou, eles já tinham voltado de enterrar a mãe abençoada.

Pedro, - disse Tomás - Não podes negar-me o grande favor de poder ir ao túmulo da minha Mãe Amabilíssima e dar um último beijo a essas mãos santas que tantas vezes me abençoaram. E Pedro aceitou.

Foram todos para o Santo Sepulcro, e quando já estavam perto, começaram a sentir de novo, suavíssimos aromas no ambiente e músicas harmoniosas no ar.

Eles abriram o sepulcro, e em vez de ver o corpo da Virgem, encontraram somente uma grande quantidade de flores muito lindas.

Jesus Cristo tinha vindo. Tinha ressuscitado Sua Mãe Santíssima, e a tinha levado para o céu.

Isto é o que chamamos de Assunção da Virgem Maria.”


VIVA NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO!

E quem de nós, se tivesse os poderes do Filho de Deus, não teria feito o mesmo com a própria mãe?

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

REFLETINDO COVID-19



Bom dia!


Vamos refletir? 

Há um ano, quando estávamos planejando as festas de final de ano, fizemos muitos planos para o futuro de 2020.

Reclamamos muito de 2019;

Reclamamos mais do que agradecemos, não é verdade? 

Daí, chegou o tão esperado 2020!

Quantos sonhos e planos...

Quantos planejamentos e expectativas por um ano de número par... dois mil e vinte.

E 2020 foi um ano ímpar!

Diferente de tudo que já vivemos até hoje!

Famílias separadas, 

Avós adoecendo sem ver os netos,

Netos sem afagos dos avós, 

Pai e mãe longe de seus filhos, 

Filhos longe de seus amigos;

Partidas sem despedidas!

Muito choro, sem entender por que tão rápido!

Sorrisos embaixo de máscaras, 

Rostos cansados, com marcas de máscaras, 

Mãos aflitas à procura de água, sabão e álcool gel;

Médicos e profissionais da saúde exaustos,

Cidades vazias, Hospitais cheios, 

Cemitérios lotados de rico, pobre, velho, jovem, crianças, negros, brancos, artistas famosos, anônimos! gente dos quatro cantos do mundo indo para o mesmo lugar!

Um lugar sem volta!

Um vírus e milhões de sonhos cancelados;

Um vírus e milhões de famílias destruídas;

Um vírus e milhões de expectativas trancadas em casas;

E você, que lição tirou de tudo isso?!

Já agradeceu por ter chegado até aqui? 

Você entendeu que os planos de Deus são diferentes dos nossos? 

Você entendeu a importância do Agradecer?

Você entendeu a importância e a falta que um abraço faz? 

Você entendeu que a sua família vale muito? 

Você entendeu que a ganância por ganhar dinheiro não vale a pena? 

Você entendeu que a cor da pele não faz diferença? 

Você entendeu a importância de viver o hoje? 

Você entendeu a importância de dizer "eu te amo" pra quem você ama agora? 

Você entendeu a importância de pedir perdão a quem você ofendeu? 

Você entendeu que bens materiais como:  roupa de marca, o carro do ano e a mansão tão cobiçada, nada disso você leva quando vai embora?

Você entendeu a importância dos minutos com seus filhos? 

Você sabia que muitas famílias não vão comemorar o Natal esse ano? 

Você sabia que você é privilegiado em ter a sua família reunida neste Natal? 

Você entendeu o que é gratidão? 

Gratidão é agradecer a Deus por cada minuto vivido;

Gratidão é ter o aconchego da família;

É poder respirar e sorrir sem máscaras;

Gratidão é poder compartilhar um abraço entre pessoas;

Gratidão é viver o hoje intensamente;

Gratidão é viver em harmonia!

Agora eu te faço um convite:

Vamos orar e agradecer pelo ano de 2020 e planejar menos em 2021? 

Vamos somente orar por dias melhores? 

Vamos aproveitar mais cada minuto ao lado de quem a gente ama? 

Vamos reclamar menos? 

Vamos deixar Deus conduzir à maneira Dele? 

Vamos refletir o que realmente importa? 

Cada minuto vale muito, lembre-se disso!

Cada minuto importa!

Que Deus nos abençoe!

Amém!

 

(Autor desconhecido)


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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

NOVA FASE DE UMA RESISTÊNCIA QUE NÃO CESSOU, MAS SE REARTICULA E REVIGORA

14 de dezembro de 2020


Fonte: Revista Catolicismo, Nº 840, Dezembro/2020

 

Em 1974, quando a chamada Ostpolitik do Vaticano (política para o Leste, ou seja, em relação aos países comunistas) empreendia uma aproximação diplomática com o mundo comunista, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira [foto acima] percebeu que ela abriria as portas do Ocidente para a entrada e aceitação do regime comunista. No entanto, isso se faria contrariando ensinamentos do Supremo Magistério da Igreja, cujas veementes condenações ao comunismo não deixavam margem à menor dúvida.

A principal consequência da Ostpolitik para os países católicos — cujos regimes eram de modo geral democráticos, liberais, e sobre os quais não pesavam tais condenações — poderia ser a implantação e perpetuação de governos ditatoriais, contrários ao direito de propriedade e à livre iniciativa. Podiam-se prever facilmente os prejuízos morais, econômicos e em muitos outros campos, tanto para os fiéis católicos quanto para os seus próprios países. Isto ficou claro, alguns anos depois, quando a derrocada do comunismo evidenciou a decadência e pobreza generalizadas nos países por ele dominados.

Como a diplomacia deve sempre se orientar por ordens superiores, cabia unicamente ao Papa (Paulo VI, então reinante) tolher o passo a essas tratativas.

De comum acordo com as diretorias das TFPs autônomas então existentes, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira redigiu uma declaração de resistência à Ostpolitik do Vaticano e orientou sua posterior divulgação em todo o mundo livre. Este documento pode ser lido integralmente em nosso site http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0280/P01.html

Não se tratava de ‘palavras ao vento’, destinadas a aplausos vazios e fugazes, mas se transformou na principal bandeira de combate dele juntamente com seus amigos e seguidores. Durante todos os anos que se seguiram a essa publicação, todas as tentativas de avanço internacional do comunismo foram denunciadas e fustigadas meticulosa e constantemente, colaborando assim para sua final derrocada. Era a continuação da resistência, da qual fez parte a denúncia dos efeitos da Ostpolitik vaticana.

Esse enorme esforço publicitário ficou registrado para a História em numerosos documentos, disponíveis em arquivos midiáticos. E não cessou até os nossos dias, em que o processo revolucionário atinge em cheio o campo da moral católica e dos costumes em geral. Quem depara hoje com as mentiras e exageros do ambientalismo; com o aborto dizimando legalmente vidas inocentes; com a propaganda escancarada em favor de pecados contra a natureza — deve entender que estamos diante dos mesmos inimigos da Igreja que a combatem há séculos, podendo-se mesmo falar em milênios.


Algo similar àquela declaração de resistência de 1974 se faz hoje, em relação aos importantes problemas atuais, com a publicação de um manifesto, lançado no dia 28 de outubro último, do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e outras 25 associações coirmãs e autônomas nos cinco continentes.

[Para ler a íntegra dessa declaração do Instituo click aqui: https://ipco.org.br/urgente-apelo-para-resistir-a-traicao-e-ruina-do-ocidente-fina-flor-da-civilizacao-crista/

Em tal documento é enunciada a posição de resistência ante a atitude concessiva de autoridades eclesiásticas em vários assuntos no âmbito da vida pública, das relações sociais, da moral e dos costumes, aos quais os Papas anteriores opuseram sempre a condenação ou censura.

Da redação de Catolicismo

 

https://www.abim.inf.br/nova-fase-de-uma-resistencia-que-nao-cessou-mas-se-rearticula-e-revigora/

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

NATAL – Cyro de Mattos

 



                                                  Natal

Cyro e Mattos

 

Que o Menino Jesus com suas luzes
nesse Natal faça desaparecer o mal

desses tempos tristes. Para que a vida

seja sempre verde como na campina.

Seja sempre mansa como na colina.

Como a desse menino dormindo

no presépio seja sempre amiga

e em nossos caminhos cresça.

 

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

VARIEDADE E UNIDADE NAS CANÇÕES DE NATAL – Plinio Corrêa de Oliveira

13 de dezembro de 2020


Por meio de seus cantos natalinos, cada povo glorifica a seu modo o Menino Jesus

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Nas diversas nações, os cânticos de Natal variam de acordo com a índole nacional, mas em todos estão sempre presentes as mesmas notas apropriadas à Noite Santa. Há canções natalinas norte-americanas, brasileiras, italianas, alemãs, francesas, espanholas etc. São bem diferentes umas das outras, entretanto manifestam-se em todas os mesmos sentimentos despertados pelo Menino Jesus, por Nossa Senhora, por São José, pelo presépio. Quais são esses sentimentos?

O primeiro é a inocência. Os vários povos souberam compor verdadeiramente hinos de entusiasmo à inocência do Menino Jesus, que repercutem sob a forma de acordes a inocência de cada um ao glorificá-Lo. O entusiasmo que cada povo manifesta pela inocência do Divino Menino reflete um elemento de inocência que há em nós. Se não tivéssemos inocência alguma, não nos interessaríamos por Ele. Há quem não se interesse por Ele, ou aparenta interesse por pura formalidade. Como há em nós uma inocência, nos interessamos e cantamos a inocência presente n’Ele.

Está presente também o sentimento de ternura, pelo fato de o Menino Jesus ser tão frágil e pequeno, sendo ao mesmo tempo Deus. Há uma espécie de ternura, de compaixão, pois Ele é o Homem Deus — tão grande, entretanto contido naquela Criancinha. Disso decorre a vontade de proteger o Menino Jesus contra qualquer fator agressivo. Assim, algumas canções de Natal sugerem uma nota de defesa do Divino Infante.


As canções natalinas dos diversos países apresentam certa analogia com o sol, cuja luz tem a mesma cor; porém, quando ela atravessa um vitral, seus raios tomam coloridos diferentes, mas harmoniosos. A luz do sol que incide sobre o vitral projeta belezas como a de pedras preciosas.

Da mesma forma, o Menino Jesus é um só. Mas, quando cantado pela alma anglo-saxônica, notamos certo tipo de beleza; pela alma germânica, outro aspecto do belo; pela alma latina, brasileira, hispano-americana, surgem outras belezas. Já ouvi canções eslavas, inclusive russas; muito bonitas, mas com outras notas. Todas essas canções formam como que um vitral do Menino Jesus.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 30 de dezembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/variedade-e-unidade-nas-cancoes-de-natal/

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (213)


3º Domingo do Advento – 13/12/2020

Anúncio do Evangelho (Jo 1,6-8.19-28)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

 

Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”.

Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”

João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:


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Deixar o Advento des-velar nosso "eu verdadeiro"

 


imagem: pexels.com/andrea-piacquadio

“Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo? (Jo 1,22) 

 

Vivemos um tempo de múltiplas imagens e estímulos, de novas versões e mudanças radicais, de diversidade de comunidades, religiões e línguas, de quebras de paradigmas em todos os campos da humanidade, de profundas transformações sociais, de rompimento de fronteiras... Este contexto de pluralidade faz com que todos se perguntem sobre sua identidade: “quem sou eu? quem somos nós?”

O ser humano está sempre em busca de sua identidade; não lhe basta existir, ele quer saber quem é, para se compreender e encontrar o sentido de sua própria existência.

Como cristãos que somos, não estamos protegidos dos ventos do momento em que vivemos; quem não se define, morre. Por isso, somos desafiados a falar de nossa identidade e adentrar-nos nas profundezas da nossa vida, para apresentar, num contexto global e totalmente mudado, qual é o nosso “rosto” hoje.

Frente às nossas falsas imagens e mentiras, frente às mascaras que nos escondem, frente às convenções sem alma, frente aos silêncios cúmplices, frente à impossível busca da perfeição, frente à negação das nossas próprias capacidades..., o tempo do Advento nos inspira a despojar-nos de capas ridículas que nos cobrem, para deixar aflorar nossa verdade desnuda, nosso “eu original”. É preciso atrever-nos a ser nós mesmos, a partir do mais interior e nobre. Há um grito que se eleva das profundezas existenciais: Viva! 

O evangelho deste domingo (3o Dom Advento) quer ser um convite a “desvelar nossa identidade”, descobrindo o que é mais original em nós, lançando-nos a superar aquilo que talvez nos impeça manifestar o que somos e expressar aos outros a riqueza que trazemos dentro de nós...

Sabemos que o ser humano age de acordo com a visão que tem de si mesmo. A percepção íntima da própria identidade é o supremo motivo e explicação das opções e mudanças importantes na vida pessoal.

João Batista tem consciência de sua identidade profunda e por isso proclama: “eu sou a voz que grita no deserto”. Ao mesmo tempo, deixa transparecer uma íntima sintonia entre sua identidade e sua missão; ou melhor, sua identidade se visibiliza na missão de “aplainar o caminho do Senhor”.

Minha identidade determina o meu comportamento. “O que eu sou determina o que eu faço”. O “quem sou eu?” é a base do “que faço eu?”  Todo ser age de acordo com sua própria autoimagem.

O agir se segue ao ser. Assim, conhecendo a mim mesmo acabo conhecendo o segredo de minhas ações e, fazendo emergir o que é mais nobre em mim, posso dirigir o curso dos meus atos, tornando-os mais oblativos e descentrados.

“Eu sou as minhas ações”, porque o que “eu sou” é o que positiva e visivelmente aparece em minhas ações. Quanto mais sou eu mesmo mais amplo é o alcance de minhas atitudes e mais transcendente o sentido de minhas opções.

Portanto, da identidade, assumida e vivida, é que brota a missão.

A identidade faz parte da missão, está em função dela, a inspira, a anima e é por ela configurada.

Com isso fica claro que a Identidade e Missão são inseparáveis, assim como a unidade insuperável entre ser e agir. Não é suficiente continuar adiante com a missão se não o fazemos como João Batista: abrasado com o amor de Deus, deixa transparecer sua verdadeira identidade na missão de ser o “precursor” do Messias.

Ter uma missão sem uma identidade que a inspire é cair no ativismo, na tarefismo, na ação insensata, ou seja, sem sentido, sem motivação e sem horizonte (para quê? para quem?).

Por outro lado, uma identidade que não se expressa na missão é vazia, é carente de humanidade e se fecha num intimismo alienante. Portanto, a identidade já é missão e a missão é revelação da identidade.

A identidade nos dá um rosto, centra-se tanto no ser como no fazer.  

Toda pessoa é um mistério para si mesma e para os outros. E quanto mais rica for sua vida, mais profundo o mistério. Mas é no coração que está a fonte, a origem e o mistério do ser humano.

O coração é a expressão da pessoa em sua interioridade e totalidade.

É no coração que se origina a necessidade de comunicação, de relacionamento e de comunhão.

É preciso ter a coragem de mergulhar até o mais profundo de si mesmo, em busca dessa luz infinita que emerge de dentro, quando se tira tudo o que é máscara e revestimento. O “eu original” é livre, criativo, transparente, iluminado... Ele escolhe os melhores caminhos que levam à plena realização de si e à transcendência.

Se a maneira pela qual nos conhecemos determina a maneira pela qual nos comportamos, quanto mais nós nos conhecemos e a tudo o que existe dentro de nós, melhor poderemos orientar nossa vida e dirigir conscientemente nossas opções.

Somos ainda, em grande parte, uma “terra desconhecida” para nós mesmos, e a viagem de descoberta é como a viagem imaginária a uma nova terra, estranha e bela, que desperta assombro frente aos seus encantos e à novidade de suas mil maravilhas. Perceberemos, depois, com surpresa e alegria, que a bela terra nova a que chegamos sem saber é nosso próprio país natal esquecido, subestimado e abandonado. A redescoberta de nós mesmos é a maior e sem dúvida a mais gratificante aventura de nossa vida.

Redescobrindo a nós mesmos, vamos encontrar o nosso lugar na história. Quanto melhor conhecemos o nosso verdadeiro ser, melhor será o valor de nossa vida para os outros.

De onde minha identidade ganha seus contornos originais? No mistério da alteridade, no encontro com o outro que me provoca a ser. A alteridade está no centro da construção da identidade, porque esta não se acha totalmente dada (como a existência), mas está para ser construída.

A identidade de João Batista é realçada pela alteridade do Messias que “está no meio de vós...; e eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.

A alteridade é fator constitutivo da identidade. O outro não é o inimigo, o intruso, mas facilitador de minha identidade. O outro é exatamente aquele que, justo por sua alteridade, chama-me, convoca-me e assim me faz sair do enclausuramento em mim mesmo. Aqui se revela o dinamismo mobilizador presente no próprio nome

Cada um de nós tem um nome, que é próprio, não comum. É de uma pessoa. Ele expressa o nosso ser,  indica uma missão a realizar, uma vocação, um apelo a responder.. Somos chamados. É isso que significa ter um nome. É preciso crescer na consciência de que o próprio nome tem uma história e manifesta uma identidade única, irrepetível, original. O nome próprio está relacionado com nossa realidade pessoal, responsável, criativa e livre.

Na Bíblia, o nome é algo dinâmico, é um programa. A troca de nome implica uma missão que deve ser realizada pela pessoa (Gen, 17,5; Jo. 1,42).

Um nome novo: uma aventura que começa; uma história a ser construída. Nosso nome secreto Deus o conhece. Ter recebido um nome de Deus significa tomar um lugar na história, uma missão a cumprir. 

Texto bíblico:   Jo 1,6-8.19.28 

Na oração:  Diante da presença de Deus, procure estar aberto ao contato com a própria realidade interior, para que venha à superfície aquilo que o sustenta e dignifica o seu viver.

- Dirija seu olhar para o que é mais íntimo em você, onde nascem sentimentos e valores, desejos e atitudes... onde você é convidado a se alegrar com os rastros da Graça. 

- Qual é a verdade original presente no seu nome?

- Quê você acredita ser o mais autêntico em sua maneira de ser e viver?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2207-deixar-o-advento-des-velar-nosso-eu-verdadeiro

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