Dia 09/12/2020 às 10 horas
Escola Arco-Íris
Rua São Marcelo, 131, Zildolândia
Itabuna, BA - 45600 - 700
Fones: (73) 3211-8274; (73) 3617-3174
* * *
Dia 09/12/2020 às 10 horas
Escola Arco-Íris
Rua São Marcelo, 131, Zildolândia
Itabuna, BA - 45600 - 700
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3 de dezembro de 2020
Na biografia de São Francisco Xavier de Daurignac, encontra-se o
seguinte trecho de uma carta a D. João III, rei de Portugal, escrita pelo
santo:
“Senhor, ignoro que valor poderão ter as vossas escusas quando responderdes: Senhor, eu escrevia todos os anos para aqueles países e todos os anos recomendava o maior zelo, os maiores trabalhos pela Vossa glória e pelo literal cumprimento de Vossos preceitos. Não vos responderá então Deus: Pois bem, mas vós deixáveis impunes todos aqueles que se mostravam indiferentes a essas ordens”.
* * *
Observem com que liberdade um grande santo se dirige a um grande rei —
um dos potentados da Terra naquele tempo — e como o desempenho do mandato
apostólico leva a pessoa a ter uma franqueza e um denodo, que antigamente tinha
um lindo nome: “franqueza apostólica”.
É a franqueza do apóstolo, a franqueza de quem representa a Deus e tem o
direito de falar desse modo. E, portanto, tem o direito de dizer as coisas mais
desagradáveis e tem o direito de ser ouvido. E fazendo uso desse direito, São
Francisco Xavier falava ao rei e obtinha provavelmente ao menos alguma inflexão
na linha de conduta real. Mas ainda que não obtivesse, não vem ao caso. As
brasas estavam acesas sobre a cabeça do rei e quando ele morresse, teria que
prestar contas a Deus.
Notem como tudo isso é lógico e belo… e como tudo isso está envelhecido!
Envelhecido não por uma senectude, por uma velhice intrínseca, não porque em si
mesmas essas coisas tenham envelhecido. Mas porque os homens decaíram de tal
maneira que não aceitam esses princípios e não querem mais ouvir essa
linguagem. E afirmam caluniosamente que é uma linguagem de um desalmado, sem
caridade, sem espírito católico.
Ora, aqui está a linguagem de um dos maiores santos da Igreja Católica:
São Francisco Xavier. Esta era a linguagem dos santos e não a atual linguagem
adocicada de ecumenismo falso, de irenismo, de quantas outras coisas que assim
haja.
https://www.abim.inf.br/franqueza-apostolica-de-sao-francisco-xavier/
Para um menino, ser
chamado de mariquinha era um terror. Carimbava. Fosse hoje seria demolido pela
rede social, imaginem um efeminado, bicha, pederasta, guaxeba, boneca, jiló,
gobira, viado, 3x8. O 24 era o viado no jogo de bicho. Todos tinham pavor de
ser o 24 na lista de chamada da escola, virava motivo para bullying, era pior
do que ter tuberculose, lepra ou gonorreia. Era ser humilhado com o riso das
jovens, levava surra dos pais, ouvia o choro das mães. Fosse religioso, não
obtinha a absolvição na confissão, não podia comungar. Ser maricas era um
pecado.
Ser maricas ou mariquinha era
tormento, a vida tornava-se um inferno. Tive vários amigos assim rotulados.
Alguns deixaram a cidade, formaram-se, fizeram carreira. Outros foram
destruídos, “carimbados” que estavam. O mundo masculino era implacável. Entre
os machões estava um de apelido Chola. Nunca soube seu nome. O pai tinha
abandonado a mãe, ele fora expulso da escola. Sua avó comandava o jogo do bicho
no bairro. Feroz, mandão, humilhava o tempo inteiro. Ele tinha determinado
dezenas de garotos como maricas, dizia que não servem para nada, não enfrentam
uma briguinha de fim de aula, se pegam sarampo ou resfriadinho se apavoram com
medo de morrer. Certo dia, quando a situação chegou ao insuportável, uniram-se
os maricas e os supostamente mariquinhas, porque muitos dos não maricas assim
tinham sido rotulados em algum momento de suas curtas vidas. A quadrilha do
ódio era ativa. O grupo se armou com pedras, estilingues, cabos de vassoura com
pregos e folhas serrilhadas de abacaxi, que cortam dolorosamente. Cercaram
Chola no jardim. Intimidado, ele “pulou” para trás, deu o falado por não
falado. Chola era conhecido, dizia sim, depois dizia não. Falava pau e depois
dizia que era pedra, galo virava galinha. Dizia e desdizia. Atemorizado, ele
negou:
“Vocês maricas? Que
isso? São machos pra valer. Não! Nessa turma ninguém é maricas. Quem disse que
eu disse isso?”.
“Você disse, xingou. Escorraçou tanto
que a gente nem podia sair na rua.”
Atemorizado com a folha de abacaxi
ameaçadora diante do rosto, Chola saltou de banda, como se dizia, tirou da
seringa.
“Vocês sabem! Me conhecem! Sabem até
o que minha mãe diz? Que eu falar e um burro cagar é a mesma coisa. É assim
mesmo, sou mentiroso.”
“Mas hoje você apanha ou ...”
“Ou o quê?”
“Vai tomar um vidro de sal amargo.
“Ou uma concha de óleo de rícino”,
sugeriu Josué, de todos o mais tímido.
Para quem nunca ouviu falar, sal
amargo e óleo de rícino eram os piores purgantes. Gosto horroroso, resultados
tenebrosos. Era tomar, esperar um pouco, correr para o banheiro. Às vezes,
vergonha, nem dava tempo de tirar a calça.
“Um vidro? Não, um vidro, não. Uma
colherinha! Só uma. Uma, uma...”
“Uma para cada um que você xingou.”
E assim aconteceu. Nem calculam.
Foram três dias passados na casinha. Depois Chola foi transferido para a Santa
Casa onde o bondoso doutor Koury, santo homem, conseguiu estancar a cachoeira
malcheirosa e nos garantiu:
“Como médico gástrico, em meus 87
anos, tenho visto que todos aqueles que posam de valentes, corajosos, machões,
prepotentes, no fundo não passam de maricões camuflados, enrustidos,
envergonhados. Na hora H se borram. Borram e negam tudo”.
O Estado de S.
Paulo, 20/11/2020
https://www.academia.org.br/artigos/maricas-e-quem-me-xinga
..............
Ignácio de Loyola
Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de
2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.
* * *
e Eletrogóes concedem Prêmio
ao Escritor Cyro de Mattos
A Academia de Letras da Bahia e a Eletrogóes concederam o Prêmio Conjunto de Obra deste
ano ao escritor Cyro de Mattos, autor baiano (de Itabuna), com cerca de 50 livros
pessoais publicados, de diversos gêneros,
organizador de dez antologias, também editado em Portugal, Itália,
França, Espanha, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, além de participar de
dezenas antologias no Brasil e exterior. Neste ano, Cyro de Mattos publicou os
livros Prosa e Poesia no Sul da Bahia, ensaios, Infância com Bicho e Pesadelo,
contos, na Coleção Mestres da Literatura Baiana, e O Discurso do Rio, poesia,
em Portugal.
O Prêmio Conjunto de Obra Academia de Letras da Bahia e Eletrogóes consiste em uma placa alusiva à obra do escritor homenageado e valor em espécie, que serão entregues ao agraciado em sessão online, na festa de confraternização natalina da Academia de Letras da Bahia, em data a ser designada neste mês de dezembro. Este prêmio é o mais elevado da Academia de Letras da Bahia e já foi conquistado nas edições anteriores pela poeta Myriam Fraga, escritor Hélio Pólvora, educador Edvaldo Boaventura, historiador João José Reis e romancista Gláucia Lemos.
* * *
Anúncio do Evangelho (Mc 13,33-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de
Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos
seus discípulos: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará
o momento. É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua
casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua
tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
Vigiai, portanto, porque não
sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao
amanhecer. Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre
dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
https://liturgia.cancaonova.com/pb/
---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe.
Roger Araújo:
“Ficai atentos, porque não
sabeis quando chegará o momento” (Mc 13,33)
Com o Advento,
iniciamos mais um novo “tempo litúrgico”. Qual o sentido dos tempos litúrgicos?
Podemos representá-los
graficamente, visualizando um círculo onde começamos com o Advento, percorremos
os “tempos” da vida de Jesus, com suas celebrações mais importantes, e o “tempo
comum”, que culmina com a festa de Cristo Rei.
Acaso
não é assim o grande círculo da vida? Tempos para gestar a vida, para trazê-la à luz,
para alimentá-la e cuidá-la, “tempos comuns” para descobrir a inspiração do
viver cotidiano, buscando o sentido de tudo o que fazemos e o que acontece ao
nosso redor; às vezes, estes tempos são áridos e cinzentos, outras vezes,
iluminantes e coloridos; tempos com a marca da solidão e da perda e tempos de
primavera em que a vida brota de novo... Podemos dizer que nós, como num
espelho, nos vemos no tempo litúrgico, para compreender e inspirar nossa vida a
partir de “Jesus” e da “comunidade cristã”.
Vivemos hoje tempos
conturbados, tensos...; partilhamos um momento de grande inquietação social, de
aridez espiritual, de drama sanitário, de distúrbios existenciais, de profundos
dilemas morais...
No
entanto, resistimos! Em meio às sombras, perplexidades, contradições,
provocações e promessas, que constituem o atual momento histórico, queremos
expressar a fé no futuro da
nossa vida.
Ainda
que soframos ventos contrários e as nuvens se adensem no horizonte, sabemos e
confessamos com o profeta Jeremias, e pela graça do Espírito, que “há esperança de um futuro” (31,17).
Para
cada momento histórico sempre foi válido o alerta de Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”. A
liturgia deste primeiro domingo de Advento se atreve a proclamar de novo sua esperança, como uma
grande trombeta, que não chama para a morte, mas para a vida.
A esperança é um
princípio vital, expresso na sábia constatação de que “enquanto há vida, há esperança”. Mesmo
diante de desafios quase intransponíveis, consideramos possível ser de outro
modo, inventamos e reinventamos opções, criamos novas saídas... e, sem cessar,
sonhamos com o “mais” e
o “melhor”. A esperança cristã destrói
os “germes de
resignação” da sociedade moderna e combate a “atrofia espiritual” dos
satisfeitos. Por isso, a esperança cristã tem os pés plantados no “hoje” da
nossa história, inspirando o esforço de transformação deste mundo marcado por
muitos sinais de morte.
É
ela que introduz na sociedade a sede de justiça e o compromisso de humanização.
Aquele
que vive com esperança se
sente impulsionado a fazer o
que espera.
Nesse
sentido, o futuro esperado
se converte em projeto de ação e compromisso.
Ao
adentrarmos, mais uma vez, no tempo do Advento, sentimos ressoar, no mais íntimo, a voz
do Mestre da Galiléia, que nos convida a estar vigilantes e atentos, a viver
despertos...
E temos muitas frentes
abertas: superar o medo que nos paralisa, renovar a esperança no sentido da
vida, avançar com a comunidade para uma nova Igreja em saída, ser as mãos de
Jesus no mundo para curar, consolar, repartir o pão... Tempo para despertar e
cuidar da “casa” que foi confiada à nossa responsabilidade.
A “vigilância”, de
que fala o evangelho, é o outro nome para a atitude de “atenção”.
Para
Simone Weil “a atenção é
uma prece”, pois ela nos mobiliza para uma aliança com o “hoje” da
vida; se não formos prudentes e generosos para manter os olhos bem abertos
sobre o presente, perderemos a possibilidade do encontro com o surpreendente.
Viver tem a marca da simplicidade, que precisamos redescobrir, despojando-nos
de todas as cataratas existenciais que bloqueiam a visão, para deixar-nos
conduzir pelo fluir contemplativo. Estamos muitas vezes alienados da vida,
separados dela por uma muralha de discursos, de ideias vazias, de esperanças
confusas... Com o olhar contemplativo, podemos perfurar esse muro e
deixar-nos impactar pelo novo que se revela do outro lado.
Somos
seres “desejantes”. O
instigante tempo do Advento ativa em nós os desejos mais nobres e oblativos, nos fazem
ultrapassar a barreira do imediato e entrar no movimento que nos impulsiona a
ir além, a entrar em sintonia com Aquele que vem e, ao mesmo tempo, já está
presente. Desejar o encontro com “Aquele que vem” nos sensibiliza a perceber
presente “Aquele que é”.
Por
isso, o evangelho de hoje nos apresenta uma imagem sugestiva, que reúne no
desejo duas atitudes importantes: o tempo da espera e o permanecer em vigília, ambas
vivido no “estar despertos”.
A espera e a vigília
da vinda plena do Senhor não nos afastam da realidade presente. Pelo contrário,
faz-nos encarnar mais lucidamente nela. Nesse novo tempo litúrgico, a
comunidade cristã permanece à escuta dos passos de Deus, em nosso
mundo, em nossa vida. Porque o novo, não vem de fora, mas o sentimos e o
tocamos por dentro.
Aquele que espera o
encontro com o Senhor começa a ler a história como história redentora; descobre
os momentos de inovação; é capaz de ver as libertações sendo gestadas no
silêncio; conecta com as promessas ainda abertas e pendentes: a nova aliança, o
novo povo, o novo êxodo, o Messias...
A
atitude de vigília nos faz descobrir os sinais da chegada do Reino no tempo: não nos
contentamos com o tempo vazio, “normótico” e sempre igual a si mesmo;
descobrimos o tempo de salvação no qual há revelação e realização do novo, da
justiça e da graça.
Os
“esperantes” cristãos precisam aprender a “ressignificar” o tempo, pois o tempo
de Deus e do Reino é o tempo da decisão em favor da vida (kairós). O reino tem
seu tempo e seu ritmo. Não é questão de pressas, não é questão de datas e
lugares, não é questão de cálculos. Tentar acelerar sua vinda seria como
esticar o talo da planta para que cresça mais rápido. O importante é ter a
paciência de quem sabe que a semente do Reino está semeada em nossa história e
ninguém poderá deter seu desenvolvimento.
Nesta
tremenda e instigante história, da qual fazemos parte, precisamos nos situar
bem. Não só com a cabeça, pois aí já temos as coisas mais ou menos claras, mas
com nossa sensibilidade, com compaixão, com nossos modos de falar e de olhar,
com aquilo que deixamos que toque e afete às nossas vidas. Trata-se da
sabedoria de “sentir o
tempo”.
Diante do tempo
dramático que vivemos, nossa tentação é querer saltá-lo, fugindo de suas
exigências.
Advento vem ser,
então, um tempo para
voltarmos para o interior em meio à agitação, olhar para dentro e deixar-nos
perguntar: presto atenção à história que todos vivemos, às suas dores e à sua
beleza? Reconheço seus poderes (augustos, herodes, quirinos) e a vida
vulnerável de Deus iluminando-se nela, apesar de tudo?
Somos iniciados a
“sentir o tempo” de um modo novo, a fazer-nos amigos dele, a nomear e
acompanhar o tempo que nos toca viver, a habitar com intensidade todas as
etapas de nossa existência. Cada momento esconde sua pérola, e é muito
emocionante poder chegar a descobri-la. Precisamos recuperar a força do “hoje”
de Deus fazendo “memória” dos grandes personagens do passado: Isaías,
Jeremias, Elias, João Batista, Isabel, Maria de Nazaré, José... Eles continuam
falando, continuam desvelando sinais de vida plena na história presente. Só uma
sensibilidade marcada pelo tempo do Advento é capaz de entrar em sintonia com
as surpresas de Deus; e a história é o rumor dos Seus passos.
Texto bíblico: Mc
13,33-37
Na oração: Caminhamos
para Deus quanto mais nos adentramos no profundo de nós mesmos e da
realidade. O maior enraizamento no tempo que nos toca viver desperta maior
sensibilidade para sermos surpreendidos pelo novo que brota nos lugares menos
esperados; é precisamente ali onde a vida renasce e amadurece.
- Como você se situa
diante deste “tempo pandêmico”? Desespero? Medo? Desejo de saltá-lo?...
- Qual é o “novo” que
você vislumbra no meio deste tempo? Você percebe algum sentido nele? Para onde
ele aponta? É revelador de algo diferente?...
https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2199-advento-sentir-o-tempo