É um assunto sempre atual quando se fala de aura,
persispírito, os
chakras e os campos de energia humanos.
Recentemente tive a oportunidade de ouvir um comentário
durante um seminário de um amigo e palestrante, sobre a aura do saudoso médium
Chico Xavier. Segundo o interlocutor, de grande proporção e medindo 3 metros, quando
ainda atendia ao público em Uberaba, em razão da sua excepcional qualidade de
espírito evoluído. As pessoas sensitivas é que têm a capacidade de observar as
condições da aura humana.
O meu primeiro contato com a Kirliangrafia foi em outubro de
1975, através do Curso de Atualização em Parapsicologia, a nível informativo, ministrado
pelo professor Edson Nunes, na Capital. No final do curso todos os participantes
foram convidados para tirarem a foto da aura do dedo polegar, através de uma
máquina apropriada, vindo diretamente de São Paulo.
Fiquei perplexo porque uma participante com distúrbios
mentais, apresentou a sua aura diferente do grupo pelo seu formato. Quem estava
bem emocionalmente a aura tinha uma coloração agradável, uma auréola luminosa e brilhante. Pode-se fotografar todos os dedos ou a aura do corpo inteiro, no
entanto esta técnica é mais dispendiosa.
Há algum tempo li o livro “Fotos Kirlian”, Como Interpretar de
Newton Milhomens. Achei interessante do início ao fim, pois, trata-se de um pesquisador
que montou o protótipo de uma máquina "Kirlian", cuja aura aparece
numa tela de vídeo, em preto e branco.
Chega mesmo a parecer incrível que depressões, fobias,
conflitos emocionais, estados alterados da consciência (transes), sentimentos e
complexos de culpa, inflamações, infecções, tudo isso e muito mais, possa ser revelado
com grande precisão e exatidão por uma simples "Foto Kirlian" da ponta
de um dedo.
Hoje, no exterior e no Brasil, muitas pessoas já adquiriram
Máquinas Kirlian e estão pesquisando de acordo com o "Padrão Newton
Milhomens". E o autor consegue expor tudo numa linguagem simples,
acessível a qualquer interessado, num estilo leve e descontraído.
No final o livro leva-nos a vários questionamentos,
inclusive como todos espíritas reconhecem, da existência da vida, após a morte.
ANTONIO BARACHO – Poeta, psicólogo.
Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL, ocupante da
cadeira nº 11.
O grupo de alunos e ex-alunos da Escola Técnica Estadual de
Teatro Martins Pena, da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), fará a
apresentação da leitura dramatizada da peça O casamento suspeitoso, do
Acadêmico Ariano Suassuna (1927-2014), no dia 26 de junho, quarta-feira, às
15h15min, no Teatro R. Magalhães Jr, Avenida Presidente Wilson, 203, 1º andar,
Centro, Rio de Janeiro.
A leitura tem a duração de aproximadamente 90 minutos e terá
a direção de Cecilia Vaz. O texto, uma comédia de costume nordestino, tem como
foco um casamento por interesse econômico. Entre ciladas e trambiques, o noivo,
herdeiro de uma grande fortuna, fica dividido com as tramas da família de sua
noiva e a esperteza de seus serviçais.
Lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar,
ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019
[Fotos: Cleia Viana / Câmara dos Deputados]
Paulo Henrique Américo de Araújo
O auditório encontrava-se lotado. Todos os presentes
pareciam muito à vontade, quase como se estivessem em casa. Homens, mulheres,
casais jovens; e para completar, muitas crianças corriam e brincavam entre as
poltronas, através dos corredores, deixando-se filmar e fotografar. Mas o
leitor se enganaria, julgando tratar-se de festa de aniversário ou reunião de
pouca importância. Não! Lá estavam vários deputados federais, jornalistas
aglomerados; e na tribuna, uma Ministra de Estado.
Um menino mais ousado subiu correndo até a área das
autoridades, e se escondeu sob a mesa junto da qual se achava a Ministra. A
mãe, em estado avançado de gravidez, rapidamente alcançou o pequeno atrevido, e
após pequena luta conseguiu retirá-lo daquele lugar inapropriado. Todos os que
presenciaram a cena, inclusive a Ministra, sorriam e achavam graça.
A descrição que acabo de fazer é fidedigna. Eu mesmo a
acompanhei, e seria facilmente confirmada por todos os presentes no lançamento
da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2
de abril de 2019.1 A alegria distendida da cena pode surpreender o leitor,
e foi certamente sentida pelos frequentadores dos carrancudos ambientes
parlamentares de Brasília, assim amenizado pela presença incomum de tantas crianças
em evento que dizia respeito a elas.
As crianças amenizaram com sua presença o importante evento
Defender os filhos da corrupção moral
Por cima do debate sobre o ensino domiciliar (home schooling),
durante aquela sessão as atitudes, o convívio, as maneiras de ser revelavam
algo de profundamente distendido, gentil, suave, algo autenticamente
brasileiro. Bem o oposto do que se costuma ver no Congresso: carrancas,
manifestações furiosas, gestos histéricos, violentos até.
Como argumento mais recorrente a favor do ensino domiciliar,
os deputados integrantes da Frente Parlamentar apontavam sobretudo a defesa da
família, sob os aplausos entusiasmados da audiência. A Ministra Damares Alves
foi especialmente ovacionada quando afirmou: “O Estado é laico, mas nós
somos cristãos”.
Poderia haver nos presentes algumas discrepâncias de
métodos, mas um princípio era compartilhado por todos: a educação das crianças
cabe primeiro aos pais. Ao Estado cabe apenas a função supletiva, acessória. Os
pais têm o direito e o dever de defender seus filhos, especialmente quando se
sabe que o ambiente escolar está impregnado de doutrinação marxista e
degradação moral. Assim, a bandeira do home schooling adquire, em
linhas gerais, um inegável caráter contra-revolucionário.
Algumas ponderações e distinções se impõem. Em seu
depoimento aos participantes, uma mãe de dois filhos com problemas mentais
indicou que o home schooling não é para todos, mas sim para os pais
que desejarem e tiverem condições para tanto. Para os militantes da esquerda,
contrários à educação dos filhos em casa, deixou este recado, sob aplausos do
auditório: “Nós não somos extra-terrestres!”.
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Fracos argumentos contra o ensino em casa
A argumentação contrária ao home schooling alega
que a educação cabe primeiro ao Estado, e secundariamente à família. Num
evidente embaralhamento de conceitos, exemplifica com crianças hipotéticas, que
fora das escolas públicas não teriam oportunidade de interação, convívio com
pessoas diferentes (na verdade, recorrem a termos tendenciosamente manipulados,
como “diversidade”, “socialização”, “preconceitos”, etc). Os pais que negam
isso aos filhos são pejorativamente tachados de retrógrados, conservadores
obtusos, religiosos fanáticos.
Nesse sentido, é reveladora a declaração de Telma Vinha,
professora de Psicologia Educacional da Unicamp: “Se a família tem visões
racistas ou preconceituosas, a escola tem que transformar esses valores em
socialmente desejáveis. Cada família vai estar centrada nos seus valores e
achar que são únicos, só que a gente tem que pensar que educa as pessoas para
uma sociedade democrática, plural”.2
A mensagem da professora não poderia ser mais tendenciosa:
deve-se corrigir as famílias de seus “racismos” e “preconceitos”, quer dizer,
de seu posicionamento contra o homossexualismo ou contra a ideologia de gênero,
por exemplo. E a escola se apresenta como o lugar ideal para libertar as
crianças de tais ideias religiosas “radicais” e “discriminatórias” vindas dos
pais…
Ainda mais ostensivamente contrária é a opinião da
jornalista Renata Cafardo, num pequeno artigo para “O Estado de S.
Paulo”: “Com 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, o governo
de Jair Bolsonaro escolheu priorizar em seus primeiros cem dias o ensino em casa,
praticado por cerca de 7 mil famílias”.3 Note-se que o vozerio
altissonante da esquerda em favor das minorias (sobretudo a autointitulada
LGBT) aplaude qualquer iniciativa governamental que as favoreça, mas isso não
vale para as minorias do home schooling, nas quais não reconhece o direito
de existir.
Com esta comparação se percebe como a iniciativa da educação
em casa tem causado dores de cabeça aos revolucionários de nossos dias.
A reação anticomunista se fortalece
Após a referida reunião no Congresso Nacional, em 12 de
abril o Governo Federal apresentou projeto de lei para regulamentação do ensino
domiciliar.4 É claro que os contrários esperam barrar essa iniciativa,
para manterem como obrigatória para todas as crianças a escola que no
entanto qualificam como “plural”, “diversa” e “cidadã”. Os campos estão bem
delimitados, nessa batalha que não deve terminar tão cedo.
O ambiente distendido e alegre no Congresso Nacional, por
ocasião do lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, em nada diferia
das multidões pacíficas, tipicamente brasileiras, que se aglomeraram nas
principais cidades do País a partir de 2013. Pois os pais que se preocupam com
os perigos da doutrinação esquerdista e a degradação moral nas escolas
acompanham e apoiam também as incontáveis outras reações sadias da opinião
pública nos últimos anos — manifestações firmes, serenas, contra o socialismo e
a imoralidade, sem nada de agressões nem agitações.
Esse panorama trouxe-me a recordação de uma entrevista
concedida por Plinio Corrêa de Oliveira ao Prof. Marcelo Lúcio Ottoni de
Castro, na ocasião em que este preparava sua dissertação de mestrado em
História.5 Quando o diálogo tratava do desequilíbrio de forças da
Revolução e da Contra-Revolução, especificamente entre as décadas de 60 e 90 do
século XX, o entrevistado deixou claro o que pensava:
“No desequilíbrio de forças, a da Contra-Revolução aumentou
mais. Por quê? Porque a Revolução se tornou mais radical. E tornando-se mais
radical, muita gente que era da chamada ‘terra de ninguém’, entre Revolução e
Contra-Revolução, se assustou e voltou para trás. São os ‘agredidos pela
realidade’. Esses voltaram e acrescentaram em algo o círculo de influência da
Contra-Revolução. Não ficaram propriamente contra-revolucionários, mas ampliou-se
o círculo de influência da Contra-Revolução”.
A constatação acima se apresenta ainda mais verdadeira ao
analisar os fenômenos de opinião pública ocorridos no Brasil recente. Nos 13
anos dos governos Lula-Dilma, aguçou-se uma reação veemente de grande parte dos
brasileiros contra a cavalgata esquerdista. E aí está o fenômeno do “ensino
domiciliar”, a comprovar o fato. Assim cresce o círculo de influência da
Contra-Revolução.
Qual é o problema com o alto escalão do Judiciário
brasileiro?
Tempos atrás, a revista Crusoé publicou um artigo dizendo
que o nome do ministro Dias Toffoli foi citado durante uma troca de e-mails
entre executivos da Odebrecht.
Toffoli se irritou e acionou o ministro Alexandre de Moraes
… A partir daí, iniciou-se uma caçada contra a revista, que foi censurada,
processada, multada, enfim, até a PF foi acionada para cumprir mandatos de
busca e apreensão.
Ressaltando que a Crusoé não agiu de forma ilegal … Não
obteve documentos de maneira criminosa.
Pois bem …
Há cerca de duas semanas, o site The IntercePT tem provocado
uma anarquia generalizada no país fazendo uma espécie de chantagem ao reter
mensagens e áudios obtidos ilegalmente através do hackeamento de celulares de
agentes públicos (juízes, promotores, políticos e sabe-se lá mais quem).
Se a intenção do jornalista fosse realmente ajudar o país ou
‘fazer justiça’, o mesmo já teria procurado a PF e o Ministério Público e
entregado uma cópia dessas supostas provas (*** obtidas de maneira ilegal ***)
Mas não …O ativista, travestido de jornalista, está fazendo
todo um país refém de algo que ‘supostamente teria ocorrido’ … Em outras
palavras, Greenwald está conspirando contra uma Nação.
Agora a(s) pergunta(s):
“Por que é que o STF, especificamente os ministros Toffoli e
Moraes, não agem da mesma maneira que agiram com a Revista Crusoé?”
“Por de que é que esses ministros não abrem um inquérito e
colocam a PF para ‘chutar as portas’, como foi feito com a Crusoé?”
“Por que é que os ministros não censuram as matérias do site
The IntercePT?”
“Por que é que o jornalista Glen Greenwald não foi conduzido
‘sob vara’ para depor sobre o caso?”
A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série
de Seminários “Brasil, brasis” de 2019 com o tema O lugar da literatura na
imprensa hoje, sob coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta
Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de
2006), e coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres (Oitavo ocupante
da Cadeira 23, eleito em 7 de novembro de 2013). Participante convidado:
jornalista e escritor Rogério Pereira. O seminário está programado para o
dia 25 de junho, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, Avenida
Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão
ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.
O CONVIDADO
Rogério Pereira nasceu em Galvão (SC), em 1973. É
jornalista, editor e escritor. Em 2000, fundou em Curitiba o jornal de
literatura Rascunho. De janeiro de 2011 a abril de 2019, foi diretor da
Biblioteca Pública do Paraná. Entre as curadorias realizadas, destacam-se as
bienais do livro do Paraná, Manaus e Minas. Em 2006, criou o projeto Paiol
Literário, do qual participaram cerca de 70 escritores. Tem contos publicados
no Brasil, Alemanha, França e Finlândia. É autor do romance Na escuridão,
amanhã, finalista do prêmio São Paulo de Literatura, menção honrosa no Prêmio
Casa de Las Américas (Cuba), e traduzido na Colômbia.
Em outra oportunidade, há bastante tempo, cheguei a falar
sobre esse fato observando alguns pontos de vista, naturalmente indo de
encontro de muitas pessoas, inclusive as orientações governamentais e seus
decretos, para mim, impensados!
Imagino que seria muito mais justo e correto, oportunizar
com igualdades de condições os negros, pardos e índios, dando para eles as
mesmas condições de escolas qualificadas, creches, auxílios financeiros e
assistência médica, pois, com essas proteções, temos certeza que serão
melhorados os níveis de intelectualidades, tornando as oportunidades iguais
para todos!
Por que razão instituir “cotas” para os negros, mestiços e
índios?
Será que eles são menos inteligentes?
Com certeza absoluta são tão inteligentes como qualquer outra
etnia, ou raça como comumente se diz. Apenas são completamente esquecidos, mal
assistidos, enfrentam discriminações sociais, moram e se alimentam pessimamente
e, pela pobreza e falta dos itens citados, aqueles que conseguem estudar,
tornam-se péssimos alunos porque passam o dia trabalhando para ajudar a
manutenção da família. Aí entra a desproposita “cota”, colocando nas
universidades alunos sem as qualificações necessárias, somente porque são
negros, mestiços ou índios. Isso é uma incoerência absurda! E o que ocorre
normalmente é que essas pessoas “cotistas” não conseguem acompanhar o
seguimento das aulas e, infelizmente, desistem antes de terminar as suas
formações!
Discriminar dando “cotas” é uma demonstração de que essas
pessoas são uns coitadinhos e merecem benevolências! Creio ser isso um absurdo
e falta de um critério justo e sensato!
Tenho convicção que não estou sozinho nessa opinião, uma vez
que muitas associações já se rebelaram e são completamente contra essa atitude
insólita de com uma forma paliativa, agradar uma fatia dessa perseguida e
desprezadas de pessoas!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e
os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que
eu sou?”
Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros,
que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que
ressuscitou”.
Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.
Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a
alguém. E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado
pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e
ressuscitar no terceiro dia”.
Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir,
renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser
salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim,
esse a salvará”.
“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo...” (lc
9,23)
Depois do longo e intenso percurso pascal, retomamos o tempo
litúrgico conhecimento como “Tempo Comum”, seguindo o evangelista Lucas (Ano
C).
A cena do evangelho deste domingo é muito conhecida, pois
ela é relatada nos três evangelhos sinóticos, embora com grandes diferenças. Os
discípulos já levam um bom tempo acompanhando Jesus. Por que o seguem? Jesus
quer saber qual é a motivação presente no interior de cada um deles. Por isso,
dirige uma pergunta ao grupo: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Esta é a pergunta que também deve ter ressonância em nosso
interior; afinal, dizemos ser seguidores(as) de Jesus. Seguimos, de fato, uma
pessoa ou seguimos uma doutrina, uma religião, uma moral...? Não é suficiente
repetir fórmulas aprendidas na catequese. Aqui trata-se de expressar uma
identificação profunda com a vida e com o modo de ser do Profeta da Galileia.
Por que o seguimos? Não basta afirmar que Ele é o “Messias de Deus”; é preciso
dar passos no caminho aberto por Ele, acender também hoje o fogo que Ele quis
espalhar no mundo. Como podemos falar tanto dele sem sentir sua sede de
justiça, seu desejo de solidariedade, sua vontade de paz?
Na experiência humana ressoa, desde sempre, a marca ou o
chamado a transcender-se, a ir além de si mesmo. O seguimento de Jesus
pressupõe a pessoa capaz de sair de si mesma, de descentrar-se. Deixar ressoar
a voz do chamado no próprio interior implica um investimento de toda a pessoa.
O ouvido se abre, o olhar se aclara, a mente se expande, o coração compreende,
o corpo se ergue e a vida se reinicia. Vida aberta e sempre em movimento,
pronta para acolher e viver as surpresas.
Estamos inseridos numa cultura onde as entregas são vividas
pela metade, as opções são de fôlego curto e os projetos não tem consistência.
Vivemos a chamada “cultura líquida” onde tudo parece que nos escapa das mãos.
Não há solidez nas decisões pois elas são apressadas e superficiais, porque o
horizonte está obscuro.
Jesus não impõe nenhuma condição, não quer gente que busque
carreiras ilustres, riquezas, prestígio.... Quer pessoas que sejam capazes de
descentrar-se, de renunciar ao próprio ego, de desapegar-se daquilo que as
atrofia e as limita, para investir numa proposta de vida que dê direção e
sentido à própria existência. Este é o lema de Jesus: “renunciar a si mesmo,
tomar a cruz cada dia e segui-Lo”. O que significa “renunciar a si mesmo”? Significa
sair da visão egocentrada, nascida da crença errônea de que somos o ego. Talvez
pudesse ser expresso desta forma: “Deixa de crer que és o eu separado e
descobrirás a riqueza de tua verdadeira identidade; nem sequer vê a tua vida a
partir do ego, porque sofrerás e farás sofrer; contempla-a a partir de tua
verdadeira identidade, onde há uma unidade profunda, mas sem apego nem
comparações”.
Não é a renúncia o que nos salva, mas o desenvolvimento e a
expansão da vida em direção à plenitude. A renúncia é sempre lícita e
aconselhável quando fazemos por algo melhor. O apego a nós mesmo, às coisas ou
às pessoas, impede-nos de mover com facilidade. Perdemos o fluxo da vida e o
impulso do movimento, a suavidade do “deslizar pela existência”.
Na vida cristã, o seguimento é questão de sedução, de
paixão, de atração, de coração...; isso significa que Jesus Cristo é de fato o
“amor primeiro”, aquele que antecede a qualquer outro, de maneira especial o
amor a si mesmo. Daí nasce a harmonia interior. Quando o seguimento se torna o
eixo central, todos os elementos da vida, todas as afeições, todas as
potencialidades do espírito, encontram-se em “seus lugares”, estabelecendo uma
deliciosa experiência de paz. Os afetos “orientados” e “ordenados” à pessoa de
Jesus, cria um novo referencial, um novo centro afetivo.
Se queremos fazer caminho com Jesus temos de acolher suas
condições e entendê-las como Ele as entende. “Renunciar a si mesmo” é
descentrar-se, não ser já o centro de seu próprio projeto. É pôr a vida inteira
a serviço do outro, neste caso o projeto de Jesus. A isto Jesus chama “perder a
vida por sua casa”. E quem assim fizer, “ganhará”, salvará sua vida. A condição
que Jesus propõe para segui-lo não pretende negar nossa autonomia, mas orientar
nossas energias e valores para a construção do Reino que Ele iniciou,
renunciando, também Ele, a si mesmo, para cumprir em tudo a vontade do Pai. Na
medida em que nos desprendemos de todo apego, incluído o apego à vida, a favor
dos outros, estaremos amando de verdade e, portanto, crescendo como ser humano.
Nossa Vida com maiúscula se potenciará, e a vida com minúscula, adquirirá,
então, todo seu sentido.
A resposta à pergunta de Jesus (“e vós, quem dizeis que eu
sou?”) implica adesão à pessoa d’Ele e ao seu projeto, o Reino; significa fazer
o caminho com Ele, colocar-se onde sempre se colocou, na margem, na
periferia... Isso acarreta oposição, perseguição, cruz.
Em quê consiste “carregar a Cruz?” É acaso suportar tudo sem
reclamar como se toda contrariedade nos é mandada pelo Deus mesmo? É
submeter-se à dor pela dor, como se a dor fosse um valor em si mesmo? Algo ou
muito disto temos entendido assim e não tem nada a ver com a condição que Jesus
propõe para que sigamos seus passos. Ele quer dizer que todos devem estar
dispostos a viver da mesma maneira que Ele viveu, embora sabendo que este
estilo de vida pode acarretar a perseguição e talvez a morte. Tomar a Cruz significa
prontidão, estar preparado, mobilizado... Essa é a cruz de Jesus e também deve ser
a nossa. Não inventemos cruzes sob medida, não coloquemos cruzes sobre nós ou
sobre os outros. Sigamos os passos de Jesus, assumindo seu estilo de
vida!
Nesse sentido, a cruz de Jesus não é um “peso morto”; ela
tem sentido porque é consequência de uma opção radical em favor do Reino. A
Cruz não significa passividade e resignação; ela nasce de sua vida plena e
transbordante; ela resume, concentra, radicaliza, condensa o significado de uma
vida vivida na fidelidade ao Pai, que quer que todos vivam intensamente.
“Jesus morreu de vida”: de bondade e de esperança lúcida, de
solidariedade alegre, de compaixão ousada, de liberdade arriscada, de
proximidade curadora. Aquele que acompanha Jesus vai também tomando consciência
que a opção pela vida pode conduzi-lo à Cruz. Mas não basta carregar a Cruz; a
novidade cristã é carregá-la como Jesus. Essa é a nova maneira de carregar a
Cruz que Jesus nos ensina: transformá-la em sinal e fonte de amor e de entrega.
A palavra “cruz” – em grego “staurós” – vem do verbo “ficar
em pé”. “Tomar sua Cruz” não é, portanto, suportar passivamente sua vida,
tornar-se escravo de um destino tirânico; significa prontidão, estado de
vigilância... para passar de uma vida suportada para uma vida escolhida.
Texto bíblico: Lc 9,18-24
Na oração: “Quem é Jesus para mim?” Pergunta instigante
que nos ajuda a captar a originalidade de Sua vida, a escutar a novidade de Seu
chamado, a deixar-nos atrair pelo Seu projeto, contagiar-nos por Sua liberdade,
empenharmos por viver seu caminho.
- Cada um de nós deve se colocar diante de Jesus, deixar-se
olhar diretamente por Ele e escutar, a partir do mais profundo de si mesmo, Sua
pergunta: “Quem sou Eu realmente para você?”
- A esta pergunta responde-se mais com a vida que com
palavras sublimes.