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domingo, 16 de dezembro de 2018

PALAVRA DA SALVAÇÃO (109)

3º Domingo do Advento – 16/12/2018

Anúncio do Evangelho (Lc 3,10-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” João respondia: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” Foram também para o batismo cobradores de impostos, e perguntaram a João: “Mestre, que devemos fazer?” João respondeu: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. Havia também soldados que perguntavam: “E nós, que devemos fazer?” João respondia: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!”
O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”.
E ainda de muitos outros modos, João anunciava ao povo a Boa-Nova.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do  Padre Roger Araújo:

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Advento: travessia... para a solidariedade

“Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem” (Lc 3,11) 

Em meio às sombras, perplexidades, contradições, provocações e intolerâncias, que constituem o atual momento histórico, queremos, neste Advento, dar vez a um brado de esperança e expressar a fé no futuro da nossa vida. A esperança tem raízes na eternidade, mas ela se alimenta de pequenas coisas; nos despojados gestos ela floresce e aponta para um sentido novo. É preciso um coração contemplativo para captar o “mistério” que nos envolve.

A esperança, como força transformadora da realidade, inclui uma clara tomada de decisões de dirigir as energias vitais para ir ao encontro daquilo que é imprescindível para a vida. Por isso, em um mundo de muita injustiça social, onde milhões de pessoas vivem em condições de pobreza extrema e submergidos em círculos de violência, a esperança se apresenta a nós como uma força capaz de despertar nossa consciência adormecida e assumir nossa responsabilidade. A esperança é sempre inquieta e mobilizadora, é impulso que nos faz desejar e buscar uma mudança decisiva que favoreça instaurar um mundo mais humanizador, abrindo-nos a um “mais além” que já está próximo. Mesmo diante dos profundos dilemas internos e sociais, achamos possível ser e viver de outro modo, inventamos e reinventamos opções, criamos novas saídas... e, sem cessar, sonhamos com o “mais” e o “melhor”. Afinal, somos seres de “travessia”... 

Essa “travessia” não é apenas geográfica; trata-se de uma experiência que requer a atitude de “saída de si” para ir ao outro como diferente; e isso implica “passar” para o seu lugar, aprender a ver o mundo a partir de sua perspectiva, deixar-nos questionar e desinstalar-nos por ele, tão despojado da condição de pessoa.  Ir ao encontro do outro só é possível a partir do cultivo da sensibilidade, entendida como o movimento afetivo necessário para olhar e sentir a verdade na realidade de quem sofre. Não se trata de “dar coisas”, mas deixar-nos “afetar cordialmente” pela dor do outro. 

Neste 3º. domingo do Advento, o apelo à mudança, na voz de João Batista, se torna mais concreto. “Quê devemos fazer”? Tal pergunta é uma prova da sinceridade daqueles que se aproximavam de João. Com três pinceladas o Batista enfatiza a necessidade de mudar a maneira de pensar e de agir: é preciso abrir-se à alteridade até chegar a partilhar com outros, é preciso sair do estreito círculo do “meu” para que a escravidão do possuir abra passagem à liberdade de preferir o bem maior da relação; ativar a alegria de saber que uma túnica sobrante abriga agora o corpo de um irmão; a economia deve estar a serviço da vida e de todas as pessoas; reacender o impulso a ser “pacifistas ativos”, defendendo e protegendo os pobres e indefesos.

Encontramo-nos aqui diante da razão ética originária que não se baseia tanto numa compreensão da realidade, mas na compaixão com a pessoa do “outro”, excluído, pobre, dominado, marginalizado... Lucas apresenta a mensagem de João Batista a partir de uma perspectiva ética, que pode e deve aplicar-se a todos os povos. Deixa de lado os aspectos exclusivamente religiosos (confessionais) de sua mensagem e o condensa em um programa ético de deveres sociais, que se aplicam primeiramente a todos os homens e mulheres e logo a dois grupos especiais: os publicanos e os soldados. 

Esta é uma mensagem muito simples. Não precisa reuniões episcopais, nem conselhos de países, nem comissões internacionais. É uma mensagem imediata e próxima, de comunhão humana, pacífica, generosa. É uma mensagem que crê no ser humano. Não se trata de “matar” os publicanos e os soldados, mas de descobrir que também eles são humanos, iniciando a grande revolução da igualdade e partilha de bens.

Esta é a moral natural de João Batista. Este é para Lucas o ponto de partida para chegar ao evangelho. Jesus vai além (é gratuidade). Mas, para chegar a Jesus é preciso passar por João Batista. A resposta de João Batista não é teoria vazia. É através de gestos e ações concretas de justiça, respeito, solidariedade, partilha e coerência cristã que se vai construindo um tecido social mais digno de filhos(as) de Deus, realizando as transformações radicais e profundas que as pessoas e a sociedade tanto necessitam. Frente a diferentes públicos, João não faz alusão nenhuma à religião; o que ele pede a todos é melhorar a convivência humana. O envolvimento com o “outro” nos conduz à autenticidade, à libertação de apegos e avareza, à liberdade para partilhar e receber e a uma imensa felicidade. 

A “sensibilidade solidária” suscita em nós um desejo novo que articula um novo horizonte de sentido às nossas vidas e gera um horizonte de utopia e de esperança por um mundo justo e fraterno. A solidariedade é a não-violência em ação; é a fonte de todas as qualidades espirituais: a capacidade de perdão, a acolhida compassiva, a tolerância e todas as demais virtudes. Além disso, é a que de fato dá sentido às nossas atividades cotidianas e as torna construtivas. 

A solidariedade permeia e ressignifica, assim, toda a nossa existência. Não é um evento, um ato isolado. Ela torna oblativa a vida em suas diferentes expressões, fermenta o cotidiano de nossas existências, infunde sentido e razão de ser àquilo que somos e fazemos.

Nas experiências de “convivência” com os pobres adquirimos os valores evangélicos da capacidade de celebrar, da simplicidade, da hospitalidade... Eles tem um jeito de nos trazer de volta para o essencial da vida. Eles são uma fonte de esperança, uma fonte de autenticidade. Eles se tornam nossos amigos.

Importa, portanto, “re-inventar” com urgência a solidariedade como valor ético e como atitude permanente de vida; não uma solidariedade ocasional, mas uma solidariedade cotidiana que se encarna nos pequenos gestos de inclusão do dia-a-dia. Na criação da “nova comunidade” dos(as) seguidores(as) de Jesus, a partilha substitui a acumulação e a abertura aos outros se apresenta como alternativa às relações interpessoais de opressão e exclusão; aqui está configurada uma das propostas mestras na proclamação do Reino de Deus.

Com nossos gestos solidários nos mobilizamos e nos aproximamos do Senhor que chega. Neste dia Deus discernirá entre o trigo e a palha que existem em nossa conduta. Vivemos a cultura da “palha”, que nos força permanecer na superficialidade, na aparência, na exterioridade da vida, impedindo-nos perceber o trigo presente em nossa interioridade. 

Vivemos, muitas vezes, imersos em meio a tanta palha que nos afoga e nos incapacita viver a cultura do encontro solidário. De fato, a cultura da superficialidade, da aparência, da vaidade... são as marcas de nossa sociedade atual; marcas que nos desfiguram e nos desumanizam. Só quem sai de si em direção ao outro, através de gestos solidários, é capaz de peneirar a palha para deixar emergir o trigo de vida que carrega dentro. 

Somente a “sensibilidade solidária” será capaz de fazer a pessoa retornar à sua casa, ao centro, ao seu eu profundo; só ela ativará os recursos consistentes, os pontos de luz, o trigo que carrega dentro. O ego não ama ninguém além de si mesmo, atendendo apenas às suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com os outros. Ele não se dá conta de que vive fechado em si mesmo, prisioneiro de uma lógica que o desumaniza, esvaziando-se de todo dignidade. Aumenta seus celeiros, mas não sabe ampliar o horizonte de sua vida. Aumenta sua riqueza, mas diminui e empobrece sua vida. Acumula bens, mas não conhece a amizade, o amor generoso, a alegria e a solidariedade. Não sabe compartilhar, só monopolizar.

Finalmente, acaba-se por criar uma dura cortiça que defende e isola a pessoa do entorno e que a aliena numa insensibilidade para com tudo aquilo que não seja sua própria realidade. É uma espécie de "embriaguez" na qual a alteridade desaparece.

A verdadeira riqueza é investir numa única fortuna: a do amor, do favorecimento da vida, a do descentramento de si, o do encontro solidário em favor dos mais pobres e desfavorecidos. 

Texto bíblico:  Lc 3,10-18

Na Oração: Segundo o Batista, a conversão exige “saber peneirar” (saber selecionar ou eleger), “recolher o trigo” (ir ao essencial e não ficar na superfície) e “queimar a palha” (eliminar o que não serve ou o que imobiliza); acolher a Boa Nova da vinda do Senhor requer essa conversão.

- Se sua vida “passar pela peneira”, o quanto de trigo permanecerá? O quanto de palha deve ser lançado fora?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 15 de dezembro de 2018

LINHA DIRETA - Merval Pereira


Uma afirmação do presidente eleito Jair Bolsonaro no discurso na cerimonia de diplomação chama a atenção pelo que revela da estratégia que o novo governo pretende usar na negociação com o Congresso. “O poder popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes”.

Por trás das palavras a favor da soberania popular e da disposição de ser o presidente de todos, Bolsonaro manda um recado claro de que pretende usar as redes sociais para governar, assim como fez sua campanha eleitoral com baixo custo e ligação direta com os eleitores.

A cerimônia de diplomação, alias, foi cheia de recados indiretos. Como quando a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, discorreu sobre a necessidade de proteção às minorias, que o candidato Bolsonaro disse que deveriam se submeter às maiorias.

O presidente eleito Bolsonaro, pelo contrário, deixou explícito que governará para todos, mas insinuou que continuará a ter uma relação direta com os cidadãos, o que pode levar à tentativa de adotar a democracia direta, com referendos e plebiscitos, se as negociações com o Congresso não forem no caminho que considera o melhor.

O sociólogo Manuel Castells, considerado um dos maiores especialistas nos efeitos das novas mídias na sociedade, avalia, em seu mais recente livro “Ruptura”, que existe uma crise profunda da relação entre governantes e governados, demonstrada pelo descontentamento generalizado com as instituições políticas.

A falta de representatividade dos partidos políticos, e não apenas no Brasil, anunciaria o colapso gradual da democracia liberal, que seria substituída pelo que chama de "democracia real", a que surge a partir dos movimentos nascidos nas redes sociais.

Muito tempo antes das consequências desse desprestigio das classes politicas desaguarem na eleição de Trump nos Estados Unidos, no movimento pelo Brexit na Inglaterra e na eleição de Bolsonaro no Brasil, Manuel Castells já previa em entrevistas e em livros que a descrença na democracia representativa poderia levar a que os cidadãos mandassem todos os políticos embora, mas ele acreditava que o sistema bloqueava as saídas.

Em parte tinha razão, pois, pelo menos no Brasil, alguns representantes da chamada “velha política” sobreviveram às eleições, como o senador Renan Calheiros, que insiste em ser novamente presidente do Senado. Se for derrotado nessa pretensão pelos novos senadores eleitos, e pela nova configuração política que chegou ao Congresso junto com a vitória de Bolsonaro, confirmará que os efeitos dessa ruptura são mais amplos.

Sua admiração pelos novos meios de comunicação, no entanto, não faz dele um defensor radical da sua eficácia autônoma. Em livros anteriores ele advertiu que “não basta um manifesto no Facebook para mobilizar milhares de pessoas”. A mobilização dependeria do nível de descontentamento popular e da capacidade de mobilização de imagens e palavras.

 “A internet é uma condição necessária, mas não suficiente para que existam movimentos sociais”. Mas a frase do presidente eleito sobre os cidadãos não precisarem mais de intermediação, referindo-se claramente aos partidos políticos, mas também aos meios tradicionais de comunicação, se baseia em Castells, que considera que agora o cidadão tem “os meios tecnológicos para existir independentemente das instituições políticas e do sistema de comunicação de massa”.

Essa ação através das mídias sociais tenta preencher o que Castells define de “vazio de representação”, criado pela banalização da atividade político-partidária, que caiu no descrédito da nova geração de usuários da internet. Manoel Castells sempre achou que um político ligado aos partidos convencionais dificilmente conseguiria superar essa rejeição, e a vitória de Bolsonaro parece confirmar essa teoria, embora o radar de Castells estivesse enviezado à esquerda, fazendo com que, a certa altura do processo, identificasse a presidente da Rede, Marina Silva, como quem teria condições para isso.
O Globo, 12/12/2018

Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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A PRIMEIRA MULHER E A PONTE


A Mãe Lua chamou a Primeira Mulher para vir a uma assembleia sobre a nova ponte. Os primeiros animais queriam alcançar a grama verde e a floresta do outro lado do rio, mas o rio era muito largo e profundo para que os animais menores atravessassem.

A Donzela Primavera,  a Mãe Verão, a Feiticeira Outono e a Anciã Inverno tinham concordado em ajudar a criar uma ponte para eles. Elas se sentaram ao sol do lado de fora da caverna da Anciã Inverno para discutirem o que elas precisariam fazer.

Eu preciso fazer uma lista de todos os materiais de que nós precisaremos, disse a Donzela, entusiasmada com o projeto. Nós precisaremos desenhar uma estrutura para a ponte, planejar um cronograma para construí-la e resolver tudo o que precisamos. Quanto mais detalhado, melhor! 

Eu acho que deveríamos falar com os animais primeiro, sorriu a Mãe, para ver de que eles precisam e ajudá-los a se envolverem – de maneira que eles sintam que a ponte pertence a eles.

Eu acho que deveríamos desenhar a ponte enquanto a construímos. Vamos sentir o fluxo, sentir por onde ela deveria ir e estarmos abertas a quaisquer ideias que forem surgindo, disse a Feiticeira, inclinando-se para a frente e com brilho em seus olhos. 

Eu acho que deveríamos lembrar que esta ponte não é apenas para esta geração de animais, mas para seus filhotes também. Precisa ser uma boa ponte para todo mundo, disse a Anciã, fechando seus olhos e se recostando na parede da caverna.

Mas nós não podemos ser espontâneas, disse a Donzela. Nós temos que saber o que nós estamos fazendo e como vamos fazê-lo. Nós precisamos conseguir os materiais. É irresponsável ir fazendo qualquer coisa que sentirmos!

Irresponsável!  Gritou a Feiticeira, levantando-se. Eu não sou irresponsável. Você é rígida. Não tem nenhuma criatividade. Você construirá uma ponte, mas ela não terá uma alma!

Sob as árvores, a Primeira Mulher olhou para a Mãe Lua e sussurrou: O que deveríamos fazer? 

A Mãe Lua caminhou afastando-se das árvores em direção à reunião. Ela olhou para a Feiticeira, que se sentou sentindo-se um pouco constrangida.

Paz! disse a Mãe Lua suavemente.

Donzela e Feiticeira, vocês são irmãs. Vocês têm a mesma energia – dinâmica segura e criativa. Ambas precisam mudar coisas e fazer as coisas acontecerem. A única diferença é a sua perspectiva. Vocês têm mais em comum do que pensam. Vocês são reflexo uma da outra.

E vocês duas precisam uma da outra.

A Mãe Lua virou-se para a Feiticeira.

Feiticeira, ame gentilmente a necessidade da Donzela por estrutura – porque, sem estrutura, suas energias estarão dispersas e a ponte poderá nunca ser terminada ou ser forte nos lugares certos.

Ela se virou para a Donzela.

Donzela, aprecie a criatividade inspiradora da Feiticeira com amor. Mantenha sua estrutura para a essência vital da ponte e então dê a ela Liberdade e Espaço para criar com sua intuição e mágica.

Eu tenho uma ideia, disse a Feiticeira cautelosamente.

Ela olhou para a Donzela.

Talvez nós pudéssemos colocar plantas nas laterais da ponte. Isso tornará a ponte parte do cenário e também daria aos animaizinhos um esconderijo e um lugar para descansar. A ponte será um longo caminho para eles caminharem e rastejarem.

Oh, que ótima ideia! exclamou a Donzela. Eu nunca teria pensado nisso.

E logo elas estavam discutindo um monte de ideias com grande entusiasmo. 
Enquanto a Mãe Lua e a Primeira Mulher se afastavam, a Mãe Lua disse par a Primeira Mulher:  o que você aprendeu?

A Primeira Mulher fez uma pausa e disse:  ambas querem produzir alguma coisa, mas elas têm modos diferentes de fazê-lo. Porém, quando elas se juntam com amor – então elas formam uma ponte!

(Recebi via WhatsApp. Autor não mencionado)

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

CRENÇA - Cyro de Mattos


Amigos e Amigas
Desejo-lhes um Natal com abraços e ternuras,

Cyro de Mattos.

 
Crença

Cyro de Mattos
  
Por que os homens
Amam a droga
E não da abelha
Os favos de mel?
Por que os homens
Amam as balas
E não a paz
Sem nenhum fuzil?
  
Mas eu creio nessa manhã
Anunciada em Belém
Por um menino rei
Em seu berço de palha.
  
Eu gosto de ouvir
Sua canção na estrada
Falando duma união geral,
Que viver vale a pena
Quando a vida é uma dança
Com os homens como irmãos,
Cantando como passarinho,
Sorrindo como criança.
  


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro efetivo das Academias de Letras da Bahia, de Itabuna e de  Ilhéus. Doutor Honoris  Causa pela Universidade  Estadual de Santa Cruz. 

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ITABUNA CENTENÁRIA, UM SONETO: Gonzagão (Romântico ativista) - Oscar Benício dos Santos.


GONZAGÃO 
(Romântico ativista)


Gonzaga boiadeiro do baião.
Seu cantar um aboio de vaqueiro,
sopro do fole do sanfoneiro,
que chorava a dor do seco sertão.


Poeta ativista via a escravidão
subjugar o pobre catingueiro;
cantando no palco e no salão
pedia justiça ao povo brasileiro.


Aza branca voou da branca sanfona
e coroou a lua qual uma corona
– prismas sonoros cobriu todo Brasil.


Refrãos animados e notas mil
denunciavam o tratamento vil
– Protesto oculto do Rei Gonzagão.



 Oscar Benício Dos Santos‎  
para Eglê S. Machado

14/10/2016


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

FELIZ – Antonio Baracho


Feliz 

Para Helena Baracho (In memoriam)

Sinto-me feliz
Ao vê-la dizendo:
Eu te amo muito,
Meu filho,
Seja feliz, feliz, feliz...
Dádiva do céu,
Boníssima como a luz,
Que transluz,
Ergo-a perene
No pedestal dos mártires
E heroínas, majestosa
Como uma estrela,
Mas ainda vacilante
Na quintessência
Da sua amabilidade.
Na síntese  do seu olhar sublime,
Uma vida, com tantas vidas,
O querer ser útil
Para doar e ajudar
A todos que a cercam.
Por tudo isso, minha mãe,
Nesse momento,
Ainda sou pequeno,
Pra dizer que te amo.
   
                                             Antônio Baracho
Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL), ocupante da cadeira nº 11.
E-mail: antoniobaracho@hotmail.com.


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PRESIDENTE BOLSONARO - Íntegra do discurso da diplomação de Bolsonaro


O presidente eleito, Jair Bolsonaro, recebe da presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Rosa Weber, o diploma que o habilita a assumir a Presidência — Foto: Evaristo Sá/AFP

Confira abaixo a íntegra do discurso:

"Em primeiro lugar, quero agradecer a Deus por estar vivo. E também agradecer a Deus por essa missão à frente do Executivo. Tenho certeza que ao lado dele venceremos os obstáculos. Parabenizo, aqui, a família da Justiça Eleitoral pelo extraordinário trabalho realizado nas eleições de outubro do corrente ano.
A cada um de vocês, integrantes do TSE, dos Tribunais Regionais Eleitorais, das Forças Armadas e do Serviço Exterior Brasileiro, mesários voluntários e tantos outros cidadãos que participaram das eleições expresso o meu muito obrigado e o meu reconhecimento por essa demonstração de civismo e amor ao Brasil. Hoje, eu e meu contemporâneo, general Hamilton Mourão, recebemos os diplomas que nos habilitam a investidura nos cargos de presidente e vice-presidente da República.

Trata-se do reconhecimento de que o povo escolheu seus representantes, em eleições livres e justas, como determina a nossa Constituição. Não poderia estar mais honrado com a confiança demonstrada pelo povo brasileiro. Essa vitória não é só minha. O caminho que me trouxe aqui foi longo e nem sempre foi fácil. Durante a minha vida pública como militar, vereador e deputado federal, sempre me pautei pela defesa dos valores da família, pelos interesses do Brasil e pela soberania nacional. Orientei a plataforma da minha campanha à presidência da República pela defesa desses valores.

A todos aqueles que me apoiaram e que confiaram na minha capacidade de lutar em favor do Brasil, o meu muito obrigado. Agradeço, com carinho, a minha família, a minha mãe Olinda, ainda viva, com 91 anos de idade, minha esposa Michelle, meus filhos Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e a minha querida filha Laura.

Nada disso teria sido possível sem o amor e o apoio incondicional de vocês. Agradeço também a todos os que acreditaram e que estiveram comigo desde o início de minha trajetória, nos momentos felizes, mas, sobretudo, nos momentos difíceis. Essa vitória é de todos nós. Agradeço muito especialmente aos mais de 57 milhões de brasileiros que honraram com o seu voto.

Aos que não me apoiaram, peço sua confiança para construirmos juntos um futuro melhor para o nosso país. A partir de 1º de janeiro serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião. Com humildade, coragem e perseverança, e tendo fé em Deus para iluminar as minhas decisões, me dedicarei, dia e noite, ao objetivo que nos une: a construção de um Brasil próspero, justo, seguro e que ocupe o lugar que lhe cabe entre as grandes nações do mundo. Esse é o nosso norte. Esse é o nosso compromisso.

Senhoras e senhores, somos uma das maiores democracias do mundo, 120 milhões de brasileiros compareceram às urnas de forma pacífica e ordeira. Respondemos ao dever cívico do voto com serenidade e responsabilidade. Nós, brasileiros, devemos nos orgulhar dessa conquista.

Em um momento de profunda incerteza em várias partes do globo, somos um exemplo de que a transformação pelo voto popular é possível. Esse processo é irreversível. Nosso compromisso com a soberania do voto popular é inquebrantável.

Senhoras e senhores, os desejos de mudança foram expressos de forma clara nas eleições, a população quer paz e prosperidade, sem abdicar dos valores que caracterizam o povo brasileiro. Nossa gente é trabalhadora, constituída por homens e mulheres, por mães e pais, que criam seus filhos com suor e dedicação, tendo todos a esperança de uma vida digna. Gente que não mede esforços para obter o sustento de seus familiares. Gente que precisa de um governo que garante condições adequadas para desenvolver seu potencial com liberdade e criatividade.

A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer uma ruptura com práticas que historicamente retardaram nosso progresso, não mais a corrupção, não mais a violência, não mais as mentiras, não mais manipulação ideológica, não mais submissão do nosso destino a interesses alheios, não mais mediocridade complacente em detrimento do nosso desenvolvimento”.

Todos conhecemos a pauta histórica de reivindicações da população brasileira: segurança pública e combate ao crime, igualdade de oportunidade com respeito ao mérito e ao esforço individual. Todos sabemos disso, mas ainda não conseguimos oferecer à população o que lhe cabe por dever do Estado.

Sempre no marco da Constituição Federal, nosso dever é transformar esses anseios em realidade. Nossa obrigação é oferecer um Estado eficiente que faça valer a pena os impostos, pagos pelo contribuinte.

Nossa obrigação é garantir que os brasileiros regressem a seus lares em segurança após um dia de trabalho. Nosso dever é oferecer condições para que o empreendedor crie empregos e gere renda ao trabalhador.

Tenho plena consciência dos desafios que se colocam diante de nós. Sem subestimá-los, trabalharei com afinco para que daqui a quatro anos possamos olhar para trás com orgulho pelo caminho trilhado em benefício do nosso amado Brasil.

Senhoras e senhores, vivenciamos um novo tempo. As eleições de outubro revelaram uma realidade distinta das práticas do passado. O poder popular não precisa mais de intermediação, as novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes. Nesse novo ambiente a crença na liberdade é a melhor garantia de respeito aos altos ideias que balizam nossa constituição. Diferenças são inerentes a uma sociedade múltipla e complexa como a nossa, mas jamais devemos nos afastar dos ideais que nos unem: o amor à pátria e o compromisso com a construção de um presente de paz e de futuro mais próspero.

Senhoras e senhores, que esse trabalho coletivo que garantiu a legitimidade do processo seja um exemplo da união em prol do Brasil. Com o apoio e engajamento de todos, vamos resgatar o orgulho de ser brasileiro. Vamos resgatar o orgulho pelas cores da nossa bandeira e pela força do nosso hino, porque temos a certeza de que esse país tem como destino a prosperidade e a paz.
O Brasil deve estar acima de tudo, que Deus abençoe o nosso país e a todos nós brasileiros. Meu muito obrigado a todos."

Bolsonaro e a presidente do TSE, Rosa Weber, caminham entre dragões da independência perfilados na sede do TSE durante cerimônia de diplomação do presidente eleito — Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

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