Havia uma grande esperança do establishment: que Bolsonaro
fosse “desidratar” quando a campanha começasse e as entrevistas colocassem o
candidato contra a parede. Até agora não se viu nada disso. No Roda Viva, na
GloboNews e no Jornal Nacional, o que se viu foi um candidato engolindo seus
entrevistadores, todos aprisionados numa bolha cognitiva.
A surra dessa semana foi no JN. Renata Vasconcellos tentou apertar Bolsonaro
sobre a questão da desigualdade salarial entre homem e mulher, uma pauta
endossada pelo movimento feminista radical. Só há um problema: é falso que
mulheres ganham menos, dada a produtividade. Quando o entrevistado puxou da
cartola que o próprio William Bonner ganha mais do que a colega, gerou mal
estar, mas não mentiu.
Se os jornalistas lessem Thomas Sowell em vez de tentar
“lacrar” atendendo as demandas dos movimentos organizados, saberiam que esse
papo de desigualdade é pura falácia. O que se faz é manipular estatísticas
distorcendo seus resultados, ignorando conceitos como média, comparando laranja
com banana.
A agenda LGBT também foi trazida à tona, novamente para
“lacrar” com a turma do Projaquistão. No entanto, o candidato lembrou que o
problema não é com homossexual, mas sim com a doutrinação em sala de aula, para
crianças. Ao mostrar um livro aprovado pelo MEC para escolas infantis, os
entrevistadores entraram em pânico e pediram para Bolsonaro não expor o
material no ar. Ou seja, o público da Globo não pode ver aquilo que crianças
aprendem nas escolas públicas. Outro gol do candidato.
O xis da questão aqui é o mundo à parte em que nossos
jornalistas vivem. Trata-se de uma bolha “progressista”, que se fechou para os
reais anseios da população, do povo comum. Bolsonaro fala a essa gente, que
quer mais segurança, rigor contra marginais, decência nas escolas, empregos e
saneamento. Mas a mídia insiste em sua agenda “lacradora”, dominada pelos
movimentos coletivistas que mergulharam nessa “revolução das vítimas”.
Ninguém aguenta mais essa asfixia do politicamente correto,
a ponto de alguns confundirem o combate a essa postura com ser tosco ou boçal
(sem dúvida há uma boa quantidade deles apoiando Bolsonaro). Mas esse papo
desarmamentista não seduz mais ninguém. Quando o candidato pergunta se é para
reagir aos bandidos com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que
não anda em carros blindados.
Bolsonaro está longe de ser um ótimo candidato, e não
sabemos se vai mesmo vencer. Mas o fenômeno em si já foi fundamental para
retratar o quadro lamentável do nosso jornalismo. Acostumada a só dar voz ao
esquerdismo, quando aparece um “homem comum” só resta à imprensa rotular:
extrema direita! O povo, porém, enxerga bom senso.
Quando o Bolsonaro pergunta se é para reagir aos bandidos
com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que não anda com
seguranças ou carros blindados.
Sobre o autor
Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal
sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”
(Que exista a coragem de divulgar o bem feito pelos
sacerdotes...)
Caro irmão e irmã jornalista:
Sou um simples sacerdote católico. Estou feliz e orgulhoso
da minha vocação.
Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso
jornal, a ampliação do tema dos sacerdotes pedófilos, com investigações de
forma mórbida sobre a vida de alguns sacerdotes.
Falam de um de uma cidade nos Estados Unidos dos anos '70, de
outro na Austrália dos anos 80, e seguida de outros casos recentes...
Certamente isto deve ser condenado!
Veem-se alguns artigos de jornal equilibrados, mas também
outros cheios de preconceitos e até de ódio.
O facto que pessoas, que deveriam ser manifestação do
amor de Deus, sejam como um punhal na vida de inocentes, provoca em mim uma
imensa dor.
Não existem palavras para justificar tais ações. E não há
dúvida que a Igreja não pode deixar de estar ao lado dos mais fracos e dos mais
indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e a
prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Todavia, cria curiosidade a desinformação e o desinteresse
para milhares e milhares de sacerdotes que se gastam para milhões de crianças,
para muitíssimos adolescentes e para os mais desvantajosos em todo o
mundo!
Considero que, ao vosso meio de informação não interesse
saber que, eu em 2002, passando por zonas cheias de minas, tenha devido
transferir muitas crianças desnutridas de Cangumbe para Lwena (em Angola),
porque nem o governo se importava, nem as ONG's estavam autorizadas. E penso
que também não vos importa que eu tenha tido de sepultar dezenas de
criancinhas, mortas na tentativa de fugir das zonas de guerra ou procurando
regressar, nem que salvamos a vida a milhares de pessoas no México graças ao
único posto médico em 90.000 Km2, e graças também à distribuição de alimentos e
sementes.
Não vos interessa também saber que nos últimos dez anos, demos a oportunidade de receber educação e
instrução a mais de 110.000 crianças...
Não tem uma ressonância mediática o facto que, com outros
sacerdotes, eu tive de fazer frente à crise humanitária de quase 15.000 pessoas
guarnições da guerrilha, após a sua rendição, porque não chegavam alimentos nem
do Governo, nem da ONU.
Não faz noticia que um sacerdote de 75 anos, Padre Roberto,
todas as noites percorra a cidade de Luanda e cuide dos meninos da rua, os leve
para uma casa de acolhimento na tentativa de os desintoxicar da gasolina e que
às centenas sejam alfabetizadas.
Não faz notícia que outros sacerdotes, como o Padre Stefano,
se ocupem em acolher e dar proteção a crianças maltratadas e até
violadas.
E não é de vosso interesse saber que Frade Maiato, não
obstante os seus 80 anos, vá de casa em casa confortando pessoas doentes e sem
esperança.
Não faz notícia que mais de 60.000, entre os 400.000
sacerdotes e religiosos, tenham deixado a própria pátria e a própria família
para servir os seus irmãos num leprosário, nos hospitais, nos campos de
refugiados, nos institutos para crianças acusadas de feitiçaria ou órfãs de
pais mortos por SIDA, nas escolas para os mais pobres, nos centros de formação
profissional, nos centros de assistência aos soropositivos... Ou, sobretudo,
nas paróquias e nas missões, encorajando as pessoas a viver e a amar.
Não faz notícia que o meu amigo, Padre Marco Aurelio, para salvar
alguns jovens durante a guerra em Angola os tenha conduzido de Kalulo até Dondo
e no caminho de regresso à sua missão foi crivado de balas; não interessa que
frade Francesco e cinco catequistas, para ir ajudar nas zonas rurais mais
isoladas, tenham morrido na estrada num acidente; não importa a ninguém que
dezenas de missionários em Angola sejam mortos por falta de assistência
sanitária, por uma simples malária; que outros tenham morrido por causa de uma
mina ao ir visitar a sua gente. No cemitério de Kalulo encontramos os
túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram a esta região...Nenhum deles
chegou a completar os 40 anos!
Não faz notícia acompanhar a vida de um sacerdote “normal”
na sua vida quotidiana, entre as suas alegrias e as suas dificuldades, enquanto
gasta a própria vida, sem fazer ruído, a favor da comunidade pela qual está ao
serviço.
Na verdade não procuramos fazer notícia, mas procuramos
simplesmente levar a Boa Nova, aquela que sem ruído iniciou na noite de Páscoa.
Faz mais ruído uma árvore que cai do que uma floresta a
crescer.
Não é minha intenção fazer uma apologia da Igreja e dos
sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói, nem um neurótico.
É um simples homem que, com a sua humanidade, procura seguir
Jesus e servir os seus irmãos.
Nele existem misérias, pobreza e fragilidade como em cada
ser humano; mas existem também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e persecutória sobre um tema,
perdendo a visão do inteiro, cria realmente caricaturas ofensivas do sacerdócio
católico e é disto que me sinto ofendido.
Jornalista: procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Tudo
isto o fará nobre na sua profissão.
Amigo, peço-lhe apenas isto.
Em Cristo,
Padre Martín Lasarte sdb.
“O meu passado, Senhor, confio-o à tua Misericórdia; o meu
presente ao teu Amore; o meu futuro à tua Providência”.
AO CAIR DA TARDE QUANDO TUDO É MAIS CALMO
UM MISTO DE TRISTEZA, GRATIDÃO E ALEGRIA
INVADE TODO MEU SER
DA MINHA VARANDA, FICO OBSERVANDO OS ACONTECIMENTOS
QUE NOS CERCAM ANTES DO FULGOR DO DIA SER SUFOCADO PELO LÚGUBRE MANTO DA NOITE
OS HUMANOS VOLTAM DE SEUS EMPREGOS, DA LABUTA DIÁRIA
NOS MAIS VARIADOS VEÍCULOS, OU CAMINHANDO RUMO A SUA CASA,TOMAR UM BOM E
REPOUSANTE BANHO, CURTIR BONS MOMENTOS COM A FAMÍLIA E DANDO GRAÇAS A
DEUS POR MAIS ESTE DIA, OUTROS VÃO NO SEU DESLEIXO PARA COM AS LEIS, COMETENDO
INFRAÇÕES LEVES OU GRAVES NO TRÂNSITO, NA PRESSA ÁS VEZES PARA NADA, CORREM
PARA O ÓCIO OU PARA OS VÍCIOS DIVERSOS
CONTEMPLO OS ÚLTIMOS RAIOS SOLARES
DE TONS AVERMELHADO, SENDO ENVOLVIDO SUAVEMENTE
PELO NEGRO MANTO DA NOITE,
OS PÁSSAROS RETORNAM FELIZES AOS SEUS NINHOS
PROCURAR CUMPRIR FELIZ SUA MISSÃO,
TRABALHAR E DESCANSAR NO SEU ACONCHEGO FAMILIAR,
ESPERANDO UM NOVO DIA RAIAR,
VOAM AS GRACIOSAS GARÇAS, ARARINHAS
E OUTRAS AVES COMO AS DE ARRIBAÇÃO
QUE COM MUITA AÇÃO, VOAM EM BANDO BEM PERFILADAS
PARA OUTRAS PLAGAS COM A MISSÃO DE PROCRIAREM
EM SEGURANÇA E CONDIÇÕES FAVORÁVEIS SUA DESCENDÊNCIA
E DEPOIS AO SEU LAR DEFINITIVO VOLTAREM
É NOITE! O SOL AGORA FOI NASCER, RESPLANDECER EM OUTRAS PLAGAS LEVANDO VIDA A TERRA
E A TUDO QUE TEM VIDA
EU TENHO MEDO DO TERROR NOTURNO, DA ESCURIDÃO QUE É ATREVIDA, OUVIMOS PASSOS A
NOS SEGUIREM
SENTIMOS PRESENÇA NEM SEMPRE CONSEGUIMOS OLHAR
QUESTIONAR PARA VER QUEM SERÁ, O MAL NÃO DORME
ATACA E MATA COM TRAIÇÃO
OUVIMOS GRITOS, LAMENTOS!
QUEBRANDO O POUCO SILÊNCIO DA NOITE
EM SOBRESSALTO SEI QUE É UM ASSALTO,
ALGUÉM MATOU UM TRABALHADOR, DEIXOU VESTINDO LUTO
A FAMÍLIA ÓRFÃO DE SEU ENTE QUERIDO
DEPOIS DA LONGA ESCURIDÃO DA NOITE,
COM TONS AVERMELHADOS, RAIOS DOURADOS
VAI O SOL TOMANDO SEU LUGAR, PARA MAIS UM DIA
DEUS NOS PRESENTEARÁ COM MUITAS BÊNÇÃOS ,
NOS DANDO MUITA FELICIDADE E,
NÓS COM O CORAÇÃO CHEIO DE GRATIDÃO
AGRADECEMOS LOUVANDO
A DEUS POR MAIS ESTE LINDO DIA
Vamos fazer uma
limpeza por dentro e por fora para que nossos sentimentos sejam limpos.
Sejamos excelentes
servidores...
Deus
é o primeiro criado. Deus serve aos homens mais não é criado de nenhum deles.
Servir é uma arte.
Acho
muito interessante quando Jesus Cristo chama aquele povo Fariseu, que orava com
os lábios e o coração estava longe de Deus, que lavava os pratos e os copos por
fora e deixava sujo por dentro; sugerindo uma renovação e mudança nos
procedimentos.
Vamos servir bem!
Vamos deixar de comer
mosquito e arrotar Camelo.
Se
a gente olhar mais profundamente para nossas atitudes, julgamentos,
apontamentos, críticas ou sugestões, vamos constatar que é preciso renovar
nossos pensamentos e atitudes para sermos amados de Deus e felizes, com mais
amor e gratidão.
Vamos
retornar ao nosso sentimento inicial de gratidão e amor à vida, para que
sejamos bons e os melhores onde quer que estejamos, no luxo ou no lixo, com
nossas metas e objetivos para um caminhar feliz e pautado na sinceridade e na
verdade.
Quando
alguém for visitar você, ou for almoçar ou jantar em sua casa, ou tomar um café
ou o chá da tarde, nunca queira ostentar sua grandeza, poder de posse, fartura,
ou mais. Faz bem agir naturalmente...
Procure
servir ao seu convidado, com sentimentos nobres, servil, com naturalidade, com
bondade e cortesia, para que ele fique satisfeito e feliz com seu acolhimento,
servindo o que ele gosta; e, não, o que você pode impor e postar a mesa.
O
sentimento, o servir espontâneo, é uma arte.
Antes
de o convidado chegar à sua casa ou mansão para ser acolhido e servido por
você, pense em oferecer o melhor, em fazer o melhor, em servir de tal forma que
seu acolher gere felicidade.
É
possível? Sim. É possível. A mudança de sentimentos e pensamentos nos renova,
porque o que é bom e belo vem de Deus.
Telefone
para o cidadão ou cidadã, seu amigo ou conhecido, perguntando o que
ela ou ele gostaria de degustar, saborear, beber e comer.
O
que gostaria de vivenciar nesse encontro tão amistoso e fraternal! É claro que
cada coisa tem o seu sabor todo especial.
Vamos
eliminar o nosso egoísmo, fazer aquela limpeza geral de nossos
sentimentos, uma limpeza por dentro e por fora.
Então,
vamos nos informar com o pai, mãe, amigo, noivo, namorado, namorada, parentes
próximos, o que esta pessoa, minha convidada, meu convidado, gosta de comer,
beber, degustar e se deliciar, para servir a gosto.
É
preciso servir algo que nos deleite...
A
etapa é investigar e apurada, dentro do conceito de gerar felicidade e o bem
estar nos encontros; o servir, proporcionando ao convidado
tudo aquilo que ele gosta com açúcar, sem açúcar, com adoçante, ou mais.
Devemos
oferecer o que o convidado gosta e não o nosso cardápio pessoal de todos
os dias; e acompanhado de ostentação sem medidas.
Assim,
com estes procedimentos estaremos gerando felicidade e despertando a gratidão
nas pessoas.
A
mudança de sentimentos e atitudes é fundamental.
Lembre-se:
Deus
é o primeiro criado. Deus serve aos homens mais não é criado de nenhum deles.
Servir é uma arte.
Sejamos excelentes
servidores, porque o que é bom e belo vem de Deus.
O escritor Cyro de Mattos venceu o Prêmio Literário Nacional
Cidade de Manaus com Histórias do Fim do Mundo, concorrendo com cerca de cem
candidatos na categoria de livro de contos. O prêmio é de cinco mil reais,
diploma, transporte aéreo e hospedagem para o escritor receber a láurea, em
solenidade que será realizada no Teatro Municipal de Manaus, no dia 23 de
outubro, juntamente com os vencedores nas outras categorias.
Constituído de quinze narrativas, o livro Histórias do Fim
do Mundo tem como foco a criatura humana em suas manifestações do amor, riso,
violência, tristeza, felicidade, encanto e espanto. O Prêmio Literário Nacional
Cidade de Manaus é patrocinado pela Prefeitura Municipal de Manaus desde 2010 e
foi criado para distinguir, reconhecer e incentivar autores nacionais e
regionais com livros inéditos, nos gêneros poesia, romance, conto, crônica,
ensaio, dramaturgia, literatura infantil e juvenil.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, os fariseus e alguns mestres da Lei
vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. Eles viam que alguns
dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem
lavado. Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar
bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. Ao voltar da praça,
eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam
por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus:
“Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão
sem lavar as mãos?”
Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito,
hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu
coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as
doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento
de Deus para seguir a tradição dos homens”.
Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e
disse: “Escutai, todos, e compreendei: o que torna impuro o homem não é o
que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de
dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos,
assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes,
devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas
más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci
Mendes da Luz, OFM:
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Ecologia interior
“Pois é de dentro, do coração humano, que saem as más
intenções...” (Mc 7,21)
Depois de um parêntesis de cinco domingos dedicados ao cap.
6 do evangelho de João, retomamos o percurso de Jesus seguindo o evangelista
Marcos. Após a multiplicação dos pães, Jesus se encontra nos arredores do lago
de Genesaré, um lugar afastado de Jerusalém, onde era menor a vigilância em
relação ao cumprimento das leis e das normas de purificação.
O texto de hoje(22º Dom TC) contrapõe a prática dos
discípulos com o ensinamento dos letrados e fariseus. Jesus se coloca a favor
dos discípulos, e aproveita a ocasião para nos mover a ir mais além; Ele nos
adverte que toda norma religiosa, escrita ou não, tem sempre um valor relativo.
A Lei deve ser cumprida quando nos leva à plenitude humana. Para os
fariseus, é preciso cumprir o preceito por ser preceito e não porque ajuda a
ser mais humano. Todas as normas que podemos por em conceitos, são preceitos humanos;
não podem ter valor absoluto. Um preceito que pode ser adequado para uma época,
pode perder seu sentido em outra. Mais ainda, as normas morais estão mudando
sempre, porque o ser humano vai conhecendo melhor seu próprio ser e a realidade
na qual vive. As normas antigas não servem para as situações novas que vão
aparecendo. Algumas coisas que eram importantes para o ser humano no passado,
perderam agora sua força quando se trata da plenitude humana.
Em todas as religiões, as normas e preceitos são dadas em
“nome” de Deus. Isto pode ter consequências desastrosas, se não é entendido
bem. Todas as leis são humanas. Quando essas normas surgem de uma experiência
autêntica e profunda do que deve ser um ser humano e o ajudam a atingir sua
plenitude, podemos chamá-las divinas.
O preceito de lavar as mãos antes de comer não era nada mais
que uma norma elementar de higiene, para que as enfermidades infecciosas não
fizessem estragos entre aquela população que vivia em contato com a terra e os
animais. No instante em que uma tradição se converta em um entrave que impeça a
pessoa ser mais humana, deve-se abandoná-la. É o que quer dizer Jesus: “deixais
de lado a vontade de Deus para apegar-se às tradições dos homens”.
O que Jesus critica não é a Lei como tal, mas a interpretação
que faziam dela. Em nome dessa Lei oprimiam as pessoas e lhes impunham
verdadeiras torturas com a promessa ou a ameaça de que só assim Deus estaria a
seu favor. Davam valor absoluto à Lei. Todas as normas tinham a mesma
importância, porque seu único valor estava no fato de que eram “dadas” por
Deus. Isto é o que Jesus não podia aceitar.
Toda norma, tanto ao ser formulada como ao ser cumprida,
deve ter como fim primeiro o bem do ser humano. Nem sequer podemos colocá-la à
frente de Deus, porque o único bem de Deus é o ser humano. A base de todo
fundamentalismo está em propor o bem de Deus, inclusive contra o bem do ser
humano.
Deus é Pai/Mãe de Misericórdia e nunca vem complicar nossa
vida com uma carga de preceitos, leis, tradições... O que Ele deseja é que
vivamos intensamente; as leis e normas são só uma mediação para possibilitar
mais vida. No momento em que elas bloqueiam o fluir da vida com o peso dos
sentimentos de culpa, não devem ser cumpridas.
O segundo ensinamento é consequência deste: não há uma
esfera sagrada na qual Deus se move e outra profana da qual Deus está ausente.
Na realidade criada não existe nada impuro. Tampouco tem sentido a distinção
entre o ser humano puro e o ser humano impuro, a partir de situações alheias à
sua vontade. Por isso, a pureza nunca pode ser consequência de práticas
rituais. A única impureza que existe é quando o ser humano busca seu
próprio interesse à custa dos outros.
Todo aquele que pretende nos impor leis em nome de Deus,
está nos enganando. A vontade de Deus é encontrada dentro de nós. O que Deus
deseja de nós está inscrito em nosso mesmo ser, e nele temos que descobri-la. A
prioridade não corresponde, portanto, às doutrinas, mas ao coração. Porque
costuma ocorrer algo que é chamativo: quanto maior a insistência nas doutrinas
e nas leis, mais frieza e petrificação no coração. Isto parece ser a reprovação
que Jesus dirigia aos fariseus, ou seja, às pessoas que tendiam a absolutizar a
religião: “honra-se a Deus com os lábios”, mas o coração está apagado.
É o que sai de dentro que determina a qualidade de uma
pessoa. O que comemos pode fazer bem ou mal, mas não afeta nossa atitude
espiritual A armadilha está em confiar mais na prática externa de uma norma que
na atitude interna que depende só de nós. As práticas religiosas, muitas vezes,
são um álibi para dispensar-nos da conversão do coração.
A contaminação e a poluição do meio ambiente são realidades
por demais conhecida. Nas grandes cidades, o ar está cada vez mais
irrespirável. Em algumas delas já se começou a regular o tráfego para diminuir
o nível de poluentes, através da proibição de circulação de automóveis com
determinados números de placa. Tal situação, juntamente com a mudança climática
e a ecologia, é uma das preocupações dominantes das pessoas que vivem no mundo
considerado “desenvolvido”. Mas, junto à contaminação ambiental, que também
afeta os povos em desenvolvimento, transformados em lixões dos países ricos, há
outra contaminação mais profunda que temos esquecida. E, no evangelho de hoje,
Jesus nos fala da necessidade de cuidar da ecologia interior.
Assim como está sendo proibida, cada vez mais, a circulação
de veículos contaminantes, também se deveria impedir a saída às ruas de pessoas
com mentes contaminadas, cheias de sentimentos poluídos, palavras ácidas,
gestos agressivos, carregada de entulhos – mágoas, ira, inveja – que se
acumulam no próprio coração. Seus passos sujam os caminhos de lama, deixando um
rastro de tristeza e desalento; seu humor intoxica-se de raiva e arrogância;
seu temperamento explode com frequência, expelindo tanta fuligem pelas chaminés
da intolerância e do preconceito.
O termo “ecologia” não se refere apenas a uma “ecologia
exterior”, ou seja, aos ecossistemas em seu instável equilíbrio. Engloba também
toda uma “ecologia interior”, própria do ser humano, ou seja, o “mundo” de sua
psique, de seus afetos, de seus dinamismos, de sua espiritualidade, de suas
relações básicas, quer consigo e com os outros, quer com o mundo e com Deus.
Para ordenar a fragmentação interna precisamos dialogar com
as energias instintivas e que se tornaram energias “diabólicas” (que dividem).
Cada uma delas representa os instintos, impulsos, paixões, fragilidades,
sensualidade, sentimentos... que, quando não pacificados e integrados, criam uma
desarmonia interior. São os chamados “pecados de raiz”, ou seja,
endurecimentos, fechamentos e fixações... que impedem a energia vital, a
misericórdia de Deus fluir livremente. São bloqueios e empecilhos colocados por
nós mesmos e que interceptam a relação com Deus, com os outros e com as
criaturas, portanto, com a plenitude da vida, e cortam nossas próprias
potencialidades de vida.
Quando falamos de “pecados de raiz” queremos destacar a
necessidade de uma conversão radical. O convite a “ter um coração próximo a
Deus” poderia traduzir-se deste modo: viver conscientes de nossa verdadeira
identidade, em conexão com o que realmente somos – essa é a dimensão
especificamente espiritual – o qual nos abrirá a uma vivência aberta e
inclusiva, humilde e tolerante, prazerosa e compassiva..., a partir da sintonia
radical com Aquele em quem nos desvelamos e nos reconhecemos.
Texto bíblico: Mc 7,1-8.14-15.21-23
Na oração: Diante do Evangelho deste domingo, pare por
uns instantes, esqueça a poluição do ar e do mar, a química que contamina a
terra e envenena os alimentos e medicamentos, e pergunte a si mesmo(a):
- como anda o meu equilíbrio ecobiológico?
- tenho dialogado com meus órgãos interiores?
- acariciado o meu coração? Respeito a delicadeza de meu
estômago?
- acompanho mentalmente meu fluxo sanguíneo?
- tenho consciência de onde nascem minhas palavras?
- tenho queimado a minha língua com as nódoas dos
comentários maldosos da vida alheia?
- meus olhos estão sujos pelas ilusões de poder, fama e
riqueza? (Frei Betto)
O Brasil vive a mais grave crise política desde 1889. A
desesperança é geral. A dinâmica sociedade civil está começando a entender que
a estrutura estatal — dos três Poderes, registre-se — é impermeável às mudanças
exigidas para, finalmente, termos uma república digna desse nome. Ao longo de
mais de um século o País já passou por momentos de muita tensão, como em 1930 e
1964. Porém, agora, a situação conjuntural é muito mais complexa. Nos dois
momentos citados havia diversos caminhos que poderiam ser percorridos,
dependendo, claro, de quem fosse o vencedor do embate político. A questão que
fica, nesse momento, é que não há no horizonte nenhum rumo delimitado. Isso
porque o sistema é absolutamente petrificado, impedindo qualquer possibilidade
de mudança. Assim, como a transformação é impossibilitada de nascer — devido a
solidez da estrutura estatal —, resta a permanência ou uma ruptura que, até o
momento, não se avizinha. Nesse jogo pérfido quem perde é o País. Mas todos
perdem? Não, alguns ganham, os que se locupletam com a coisa pública, os
inimigos da República. Mas quem são? A elite dirigente — e elite no sentido
mais amplo do conceito.
Enquanto não for resolvida a crise política, o Brasil
permanecerá estagnado. Viverá, no máximo, de pequenos surtos de crescimento
para depois retornar à recessão. É a política que determina a economia — e não
o inverso. Sendo assim, é uma ilusão imaginar que a conjuntura mais tensa que
vivemos no último século será enfrentada — e solucionada — pelas urnas a 7 de
outubro. Falácia, pura falácia. Nada indica que o Congresso Nacional deve
melhorar a forma de representação popular. Pelo contrário, a tendência é de que
os velhos caciques estarão de volta ao Senado e à Câmara dos Deputados
acompanhados da quadrilha oligárquica de seus estados. Ou seja, poderemos
sentir saudade do atual Parlamento, por mais incrível que pareça.
No campo do Executivo federal, independentemente de quem for
eleito, a dissociação com o sentimento popular deve permanecer. O momento é
preocupante, mas os candidatos continuam
desenvolvendo campanhas como se vivêssemos uma simples crise, algo que poderia
ser resolvido sem grandes transtornos. Chegamos ao ponto de um presidiário se
lançar candidato à Presidência da República e isso ser visto por operadores do
Direito — regiamente pagos — como algo absolutamente natural.
É ilusão imaginar que a conjuntura mais tensa que vivemos no
último século será enfrentada – e solucionada – pelas urnas a 7 de
outubro. Falácia, pura falácia.
.............
Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista
da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos
(1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993).
É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia
(USP) e Doutor em História (USP).