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terça-feira, 4 de setembro de 2018

JORNALISMO LACRADOR - Rodrigo Constantino


31/ago/18

Jornalismo lacrador

Havia uma grande esperança do establishment: que Bolsonaro fosse “desidratar” quando a campanha começasse e as entrevistas colocassem o candidato contra a parede. Até agora não se viu nada disso. No Roda Viva, na GloboNews e no Jornal Nacional, o que se viu foi um candidato engolindo seus entrevistadores, todos aprisionados numa bolha cognitiva.

A surra dessa semana foi no JN. Renata Vasconcellos tentou apertar Bolsonaro sobre a questão da desigualdade salarial entre homem e mulher, uma pauta endossada pelo movimento feminista radical. Só há um problema: é falso que mulheres ganham menos, dada a produtividade. Quando o entrevistado puxou da cartola que o próprio William Bonner ganha mais do que a colega, gerou mal estar, mas não mentiu.

Se os jornalistas lessem Thomas Sowell em vez de tentar “lacrar” atendendo as demandas dos movimentos organizados, saberiam que esse papo de desigualdade é pura falácia. O que se faz é manipular estatísticas distorcendo seus resultados, ignorando conceitos como média, comparando laranja com banana.

A agenda LGBT também foi trazida à tona, novamente para “lacrar” com a turma do Projaquistão. No entanto, o candidato lembrou que o problema não é com homossexual, mas sim com a doutrinação em sala de aula, para crianças. Ao mostrar um livro aprovado pelo MEC para escolas infantis, os entrevistadores entraram em pânico e pediram para Bolsonaro não expor o material no ar. Ou seja, o público da Globo não pode ver aquilo que crianças aprendem nas escolas públicas. Outro gol do candidato.

O xis da questão aqui é o mundo à parte em que nossos jornalistas vivem. Trata-se de uma bolha “progressista”, que se fechou para os reais anseios da população, do povo comum. Bolsonaro fala a essa gente, que quer mais segurança, rigor contra marginais, decência nas escolas, empregos e saneamento. Mas a mídia insiste em sua agenda “lacradora”, dominada pelos movimentos coletivistas que mergulharam nessa “revolução das vítimas”.

Ninguém aguenta mais essa asfixia do politicamente correto, a ponto de alguns confundirem o combate a essa postura com ser tosco ou boçal (sem dúvida há uma boa quantidade deles apoiando Bolsonaro). Mas esse papo desarmamentista não seduz mais ninguém. Quando o candidato pergunta se é para reagir aos bandidos com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que não anda em carros blindados.

Bolsonaro está longe de ser um ótimo candidato, e não sabemos se vai mesmo vencer. Mas o fenômeno em si já foi fundamental para retratar o quadro lamentável do nosso jornalismo. Acostumada a só dar voz ao esquerdismo, quando aparece um “homem comum” só resta à imprensa rotular: extrema direita! O povo, porém, enxerga bom senso.
Quando o Bolsonaro pergunta se é para reagir aos bandidos com flores, ele toca a fundo no telespectador, aquele que não anda com seguranças ou carros blindados.

Sobre o autor
Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”




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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CARTA DE UM SACERDOTE CATÓLICO PARA O NEW YORK TIMES – Padre Martín Lasarte sdb



(Que exista a coragem de divulgar o bem feito pelos sacerdotes...)


Caro irmão e irmã jornalista:

Sou um simples sacerdote católico. Estou feliz e orgulhoso da minha vocação.
Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema dos sacerdotes pedófilos, com investigações de forma mórbida sobre a vida de alguns sacerdotes.

Falam de um de uma cidade nos Estados Unidos dos anos '70, de outro na Austrália dos anos 80, e seguida de outros casos recentes...

Certamente isto deve ser condenado!

Veem-se alguns artigos de jornal equilibrados, mas também outros cheios de preconceitos e até de ódio.

O facto que pessoas, que deveriam ser manifestação do amor de Deus, sejam como um punhal na vida de inocentes, provoca em mim uma imensa dor.

Não existem palavras para justificar tais ações. E não há dúvida que a Igreja não pode deixar de estar ao lado dos mais fracos e dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e a prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Todavia, cria curiosidade a desinformação e o desinteresse para milhares e milhares de sacerdotes que se gastam para milhões de crianças, para muitíssimos adolescentes e para os mais desvantajosos em todo o mundo! 

Considero que, ao vosso meio de informação não interesse saber que, eu em 2002, passando por zonas cheias de minas, tenha devido transferir muitas crianças desnutridas de Cangumbe para Lwena (em Angola), porque nem o governo se importava, nem as ONG's estavam autorizadas. E penso que também não vos importa que eu tenha tido de sepultar dezenas de criancinhas, mortas na tentativa de fugir das zonas de guerra ou procurando regressar, nem que salvamos a vida a milhares de pessoas no México graças ao único posto médico em 90.000 Km2, e graças também à distribuição de alimentos e sementes.

Não vos interessa também saber que nos últimos dez anos,  demos a oportunidade de receber educação e instrução a mais de 110.000 crianças...

Não tem uma ressonância mediática o facto que, com outros sacerdotes, eu tive de fazer frente à crise humanitária de quase 15.000 pessoas guarnições da guerrilha, após a sua rendição, porque não chegavam alimentos nem do Governo, nem da ONU.

Não faz noticia que um sacerdote de 75 anos, Padre Roberto, todas as noites percorra a cidade de Luanda e cuide dos meninos da rua, os leve para uma casa de acolhimento na tentativa de os desintoxicar da gasolina e que às centenas sejam alfabetizadas.

Não faz notícia que outros sacerdotes, como o Padre Stefano, se ocupem  em acolher e dar proteção a crianças maltratadas e até violadas.

E não é de vosso interesse saber que Frade Maiato, não obstante os seus 80 anos, vá de casa em casa confortando pessoas doentes e sem esperança.

Não faz notícia que mais de 60.000, entre os 400.000 sacerdotes e religiosos, tenham deixado a própria pátria e a própria família para servir os seus irmãos num leprosário, nos hospitais, nos campos de refugiados, nos institutos para crianças acusadas de feitiçaria ou órfãs de pais mortos por SIDA, nas escolas para os mais pobres, nos centros de formação profissional, nos centros de assistência aos soropositivos... Ou, sobretudo, nas paróquias e nas missões, encorajando as pessoas a viver e a amar.

Não faz notícia que o meu amigo, Padre Marco Aurelio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola os tenha conduzido de Kalulo até Dondo e no caminho de regresso à sua missão foi crivado de balas; não interessa que frade Francesco e cinco  catequistas, para ir ajudar nas zonas rurais mais isoladas, tenham morrido na estrada num acidente; não importa a ninguém que dezenas de missionários em Angola sejam mortos por falta de assistência sanitária, por uma simples malária; que outros tenham morrido por causa de uma mina ao ir visitar a sua gente. No cemitério de  Kalulo encontramos os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram a esta região...Nenhum deles chegou a completar os 40 anos!

Não faz notícia acompanhar a vida de um sacerdote “normal” na sua vida quotidiana, entre as suas alegrias e as suas dificuldades, enquanto gasta a própria vida, sem fazer ruído, a favor da comunidade pela qual está ao serviço.

Na verdade não procuramos fazer notícia, mas procuramos simplesmente levar a Boa Nova, aquela que sem ruído iniciou na noite de Páscoa.

Faz mais ruído uma árvore que cai do que uma floresta a crescer.

Não é minha intenção fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói, nem um neurótico.

É um simples homem que, com a sua humanidade, procura seguir Jesus e servir os seus irmãos.

Nele existem misérias, pobreza e fragilidade como em cada ser humano; mas existem também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e persecutória sobre um tema, perdendo a visão do inteiro, cria realmente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico e é disto que me sinto ofendido.

Jornalista: procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Tudo isto  o fará nobre na sua profissão.

Amigo, peço-lhe apenas isto.

Em Cristo,


Padre Martín Lasarte sdb.

“O meu passado, Senhor, confio-o à tua Misericórdia; o meu presente ao teu Amore; o meu futuro à tua Providência”.



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AO CAIR DA TARDE – Expedita Maciel




AO CAIR DA TARDE QUANDO TUDO É MAIS CALMO
UM MISTO DE TRISTEZA, GRATIDÃO E ALEGRIA
INVADE TODO MEU SER

DA MINHA VARANDA, FICO OBSERVANDO OS ACONTECIMENTOS
QUE NOS CERCAM ANTES DO FULGOR DO DIA SER SUFOCADO PELO LÚGUBRE MANTO DA NOITE

OS HUMANOS VOLTAM DE SEUS EMPREGOS, DA LABUTA DIÁRIA
NOS MAIS VARIADOS VEÍCULOS, OU CAMINHANDO RUMO A SUA CASA,TOMAR UM BOM E REPOUSANTE BANHO, CURTIR BONS  MOMENTOS COM A FAMÍLIA E DANDO GRAÇAS A DEUS POR MAIS ESTE DIA, OUTROS VÃO NO SEU DESLEIXO PARA COM AS LEIS, COMETENDO INFRAÇÕES LEVES OU GRAVES NO TRÂNSITO, NA PRESSA ÁS VEZES PARA NADA, CORREM PARA O ÓCIO OU PARA OS VÍCIOS DIVERSOS

CONTEMPLO OS ÚLTIMOS RAIOS SOLARES
DE TONS AVERMELHADO, SENDO ENVOLVIDO SUAVEMENTE
PELO NEGRO MANTO DA NOITE,

OS PÁSSAROS RETORNAM FELIZES AOS SEUS NINHOS
PROCURAR CUMPRIR FELIZ SUA MISSÃO,
TRABALHAR E DESCANSAR NO SEU ACONCHEGO FAMILIAR,
ESPERANDO UM NOVO DIA RAIAR,

VOAM AS GRACIOSAS GARÇAS, ARARINHAS
E OUTRAS AVES COMO AS DE ARRIBAÇÃO
QUE COM MUITA AÇÃO, VOAM EM BANDO BEM PERFILADAS
PARA OUTRAS PLAGAS COM A MISSÃO DE PROCRIAREM
EM SEGURANÇA E CONDIÇÕES FAVORÁVEIS SUA DESCENDÊNCIA
E DEPOIS AO SEU LAR DEFINITIVO VOLTAREM

É NOITE! O SOL AGORA FOI NASCER, RESPLANDECER EM OUTRAS PLAGAS LEVANDO VIDA A TERRA E A TUDO QUE TEM VIDA

EU TENHO MEDO DO TERROR NOTURNO, DA ESCURIDÃO QUE É ATREVIDA, OUVIMOS PASSOS A NOS SEGUIREM
SENTIMOS PRESENÇA NEM SEMPRE CONSEGUIMOS OLHAR
QUESTIONAR PARA VER QUEM SERÁ, O MAL NÃO DORME
ATACA E MATA COM TRAIÇÃO

OUVIMOS GRITOS, LAMENTOS!
QUEBRANDO O POUCO SILÊNCIO DA NOITE
EM SOBRESSALTO SEI QUE É UM ASSALTO,
ALGUÉM MATOU UM TRABALHADOR, DEIXOU VESTINDO LUTO
A FAMÍLIA ÓRFÃO DE SEU ENTE QUERIDO

DEPOIS DA LONGA ESCURIDÃO DA NOITE,
COM TONS AVERMELHADOS, RAIOS DOURADOS
VAI O SOL TOMANDO SEU LUGAR, PARA MAIS UM DIA

DEUS NOS PRESENTEARÁ COM MUITAS BÊNÇÃOS ,
NOS DANDO MUITA FELICIDADE E,

NÓS COM O CORAÇÃO CHEIO DE GRATIDÃO
AGRADECEMOS LOUVANDO
A DEUS POR MAIS ESTE LINDO DIA

OBRIGADO MEU DEUS!

 

Expedita Maciel
Autora do livro Vim, Vi e Venci

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SERVIR É UMA ARTE - João de Paula


Vamos  fazer uma limpeza por dentro e por fora para que nossos sentimentos sejam limpos.

  
Sejamos excelentes servidores...

Deus é o primeiro criado. Deus serve aos homens mais não é criado de nenhum deles. Servir é uma arte.

Acho muito interessante quando Jesus Cristo chama aquele povo Fariseu, que orava com os lábios e o coração estava longe de Deus, que lavava os pratos e os copos por fora e deixava sujo por dentro; sugerindo uma renovação e mudança nos  procedimentos.

Vamos servir bem!

Vamos deixar de comer mosquito e arrotar Camelo.

Se a gente olhar mais profundamente para nossas atitudes, julgamentos, apontamentos, críticas ou sugestões, vamos constatar que é preciso renovar nossos pensamentos e atitudes para sermos amados de Deus e felizes, com mais amor e gratidão.

Vamos retornar ao nosso sentimento inicial de gratidão e amor à vida, para que sejamos bons e os melhores onde quer que estejamos, no luxo ou no lixo, com nossas metas e objetivos para um caminhar feliz e pautado na sinceridade e na verdade.

Quando alguém for visitar você, ou for almoçar ou jantar em sua casa, ou tomar um café ou o chá da tarde, nunca queira ostentar sua grandeza, poder de posse, fartura, ou mais. Faz bem agir naturalmente...

Procure servir ao seu convidado, com sentimentos nobres, servil, com naturalidade, com bondade e cortesia, para que ele fique satisfeito e feliz com seu acolhimento, servindo o que ele gosta; e, não, o que você pode impor e postar a mesa.

O sentimento, o servir espontâneo, é uma arte.

Antes de o convidado chegar à sua casa ou mansão para ser acolhido e servido por você, pense em oferecer o melhor, em fazer o melhor, em servir de tal forma que seu acolher gere felicidade.

É possível? Sim. É possível. A mudança de sentimentos e pensamentos nos renova, porque o que é bom e belo vem de Deus.

Telefone para o cidadão ou cidadã, seu amigo ou conhecido,  perguntando  o que ela ou ele gostaria de degustar, saborear, beber e comer.

O que gostaria de vivenciar nesse encontro tão amistoso e fraternal! É claro que cada coisa tem o seu sabor todo especial.

Vamos eliminar o nosso egoísmo, fazer aquela  limpeza geral de nossos sentimentos, uma limpeza por dentro e por fora.

Então, vamos nos informar com o pai, mãe, amigo, noivo, namorado, namorada, parentes próximos, o que esta pessoa, minha convidada, meu convidado, gosta de comer, beber, degustar e se deliciar, para servir a gosto.

É preciso servir algo que nos deleite...

A etapa é investigar e apurada, dentro do conceito de gerar felicidade e o bem estar nos encontros; o servir,    proporcionando ao convidado tudo aquilo que ele gosta  com açúcar, sem açúcar, com adoçante, ou mais.

Devemos oferecer o que o convidado gosta e não o nosso  cardápio pessoal de todos os dias;  e acompanhado de  ostentação sem medidas.

Assim, com estes procedimentos estaremos gerando felicidade e despertando a gratidão nas pessoas.

A mudança de sentimentos e atitudes é fundamental.

Lembre-se:
Deus é o primeiro criado. Deus serve aos homens mais não é criado de nenhum deles. Servir é uma arte.

Sejamos excelentes servidores, porque o que é bom e belo vem de Deus.

Muito Obrigado.


João de Paula 
Escritor e Jornalista


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domingo, 2 de setembro de 2018

ESCRITOR CYRO DE MATTOS VENCE O PRÊMIO LITERÁRIO NACIONAL CIDADE DE MANAUS



Escritor Cyro de Mattos
Vence o Prêmio Literário
Nacional Cidade de Manaus


O escritor Cyro de Mattos venceu o Prêmio Literário Nacional Cidade de Manaus com Histórias do Fim do Mundo, concorrendo com cerca de cem candidatos na categoria de livro de contos. O prêmio é de cinco mil reais, diploma, transporte aéreo e hospedagem para o escritor receber a láurea, em solenidade que será realizada no Teatro Municipal de Manaus, no dia 23 de outubro, juntamente com os vencedores nas outras categorias.

Constituído de quinze narrativas, o livro Histórias do Fim do Mundo tem como foco a criatura humana em suas manifestações do amor, riso, violência, tristeza, felicidade, encanto e espanto. O Prêmio Literário Nacional Cidade de Manaus é patrocinado pela Prefeitura Municipal de Manaus desde 2010 e foi criado para distinguir, reconhecer e incentivar autores nacionais e regionais com livros inéditos, nos gêneros poesia, romance, conto, crônica, ensaio, dramaturgia, literatura infantil e juvenil.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (94)


22º Domingo do Tempo Comum – 02/09/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 7,1-8.14-15.21-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”
Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM:

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Ecologia interior


“Pois é de dentro, do coração humano, que saem as más intenções...” (Mc 7,21)

Depois de um parêntesis de cinco domingos dedicados ao cap. 6 do evangelho de João, retomamos o percurso de Jesus seguindo o evangelista Marcos. Após a multiplicação dos pães, Jesus se encontra nos arredores do lago de Genesaré, um lugar afastado de Jerusalém, onde era menor a vigilância em relação ao cumprimento das leis e das normas de purificação. 

O texto de hoje(22º Dom TC) contrapõe a prática dos discípulos com o ensinamento dos letrados e fariseus. Jesus se coloca a favor dos discípulos, e aproveita a ocasião para nos mover a ir mais além; Ele nos adverte que toda norma religiosa, escrita ou não, tem sempre um valor relativo.  A Lei deve ser cumprida quando nos leva à plenitude humana. Para os fariseus, é preciso cumprir o preceito por ser preceito e não porque ajuda a ser mais humano. Todas as normas que podemos por em conceitos, são preceitos humanos; não podem ter valor absoluto. Um preceito que pode ser adequado para uma época, pode perder seu sentido em outra. Mais ainda, as normas morais estão mudando sempre, porque o ser humano vai conhecendo melhor seu próprio ser e a realidade na qual vive. As normas antigas não servem para as situações novas que vão aparecendo. Algumas coisas que eram importantes para o ser humano no passado, perderam agora sua força quando se trata da plenitude humana.

Em todas as religiões, as normas e preceitos são dadas em “nome” de Deus. Isto pode ter consequências desastrosas, se não é entendido bem. Todas as leis são humanas. Quando essas normas surgem de uma experiência autêntica e profunda do que deve ser um ser humano e o ajudam a atingir sua plenitude, podemos chamá-las divinas. 

O preceito de lavar as mãos antes de comer não era nada mais que uma norma elementar de higiene, para que as enfermidades infecciosas não fizessem estragos entre aquela população que vivia em contato com a terra e os animais. No instante em que uma tradição se converta em um entrave que impeça a pessoa ser mais humana, deve-se abandoná-la. É o que quer dizer Jesus: “deixais de lado a vontade de Deus para apegar-se às tradições dos homens”. 

O que Jesus critica não é a Lei como tal, mas a interpretação que faziam dela. Em nome dessa Lei oprimiam as pessoas e lhes impunham verdadeiras torturas com a promessa ou a ameaça de que só assim Deus estaria a seu favor. Davam valor absoluto à Lei. Todas as normas tinham a mesma importância, porque seu único valor estava no fato de que eram “dadas” por Deus. Isto é o que Jesus não podia aceitar.

Toda norma, tanto ao ser formulada como ao ser cumprida, deve ter como fim primeiro o bem do ser humano. Nem sequer podemos colocá-la à frente de Deus, porque o único bem de Deus é o ser humano. A base de todo fundamentalismo está em propor o bem de Deus, inclusive contra o bem do ser humano.

Deus é Pai/Mãe de Misericórdia e nunca vem complicar nossa vida com uma carga de preceitos, leis, tradições... O que Ele deseja é que vivamos intensamente; as leis e normas são só uma mediação para possibilitar mais vida. No momento em que elas bloqueiam o fluir da vida com o peso dos sentimentos de culpa, não devem ser cumpridas. 

O segundo ensinamento é consequência deste: não há uma esfera sagrada na qual Deus se move e outra profana da qual Deus está ausente. Na realidade criada não existe nada impuro. Tampouco tem sentido a distinção entre o ser humano puro e o ser humano impuro, a partir de situações alheias à sua vontade. Por isso, a pureza nunca pode ser consequência de práticas rituais. A única impureza que existe é quando o ser humano busca seu próprio interesse à custa dos outros. 

Todo aquele que pretende nos impor leis em nome de Deus, está nos enganando. A vontade de Deus é encontrada dentro de nós. O que Deus deseja de nós está inscrito em nosso mesmo ser, e nele temos que descobri-la. A prioridade não corresponde, portanto, às doutrinas, mas ao coração. Porque costuma ocorrer algo que é chamativo: quanto maior a insistência nas doutrinas e nas leis, mais frieza e petrificação no coração. Isto parece ser a reprovação que Jesus dirigia aos fariseus, ou seja, às pessoas que tendiam a absolutizar a religião: “honra-se a Deus com os lábios”, mas o coração está apagado.

É o que sai de dentro que determina a qualidade de uma pessoa. O que comemos pode fazer bem ou mal, mas não afeta nossa atitude espiritual A armadilha está em confiar mais na prática externa de uma norma que na atitude interna que depende só de nós. As práticas religiosas, muitas vezes, são um álibi para dispensar-nos da conversão do coração. 

A contaminação e a poluição do meio ambiente são realidades por demais conhecida. Nas grandes cidades, o ar está cada vez mais irrespirável. Em algumas delas já se começou a regular o tráfego para diminuir o nível de poluentes, através da proibição de circulação de automóveis com determinados números de placa. Tal situação, juntamente com a mudança climática e a ecologia, é uma das preocupações dominantes das pessoas que vivem no mundo considerado “desenvolvido”. Mas, junto à contaminação ambiental, que também afeta os povos em desenvolvimento, transformados em lixões dos países ricos, há outra contaminação mais profunda que temos esquecida. E, no evangelho de hoje, Jesus nos fala da necessidade de cuidar da ecologia interior.

Assim como está sendo proibida, cada vez mais, a circulação de veículos contaminantes, também se deveria impedir a saída às ruas de pessoas com mentes contaminadas, cheias de sentimentos poluídos, palavras ácidas, gestos agressivos, carregada de entulhos – mágoas, ira, inveja – que se acumulam no próprio coração. Seus passos sujam os caminhos de lama, deixando um rastro de tristeza e desalento; seu humor intoxica-se de raiva e arrogância; seu temperamento explode com frequência, expelindo tanta fuligem pelas chaminés da intolerância e do preconceito.

O termo “ecologia” não se refere apenas a uma “ecologia exterior”, ou seja, aos ecossistemas em seu instável equilíbrio. Engloba também toda uma “ecologia interior”, própria do ser humano, ou seja, o “mundo” de sua psique, de seus afetos, de seus dinamismos, de sua espiritualidade, de suas relações básicas, quer consigo e com os outros, quer com o mundo e com Deus.

Para ordenar a fragmentação interna precisamos dialogar com as energias instintivas e que se tornaram energias “diabólicas” (que dividem). Cada uma delas representa os instintos, impulsos, paixões, fragilidades, sensualidade, sentimentos... que, quando não pacificados e integrados, criam uma desarmonia interior. São os chamados “pecados de raiz”, ou seja, endurecimentos, fechamentos e fixações... que impedem a energia vital, a misericórdia de Deus fluir livremente. São bloqueios e empecilhos colocados por nós mesmos e que interceptam a relação com Deus, com os outros e com as criaturas, portanto, com a plenitude da vida, e cortam nossas próprias potencialidades de vida.

Quando falamos de “pecados de raiz” queremos destacar a necessidade de uma conversão radical. O convite a “ter um coração próximo a Deus” poderia traduzir-se deste modo: viver conscientes de nossa verdadeira identidade, em conexão com o que realmente somos – essa é a dimensão especificamente espiritual – o qual nos abrirá a uma vivência aberta e inclusiva, humilde e tolerante, prazerosa e compassiva..., a partir da sintonia radical com Aquele em quem nos desvelamos e nos reconhecemos.

Texto bíblico:  Mc 7,1-8.14-15.21-23

Na oração: Diante do Evangelho deste domingo, pare por uns instantes, esqueça a poluição do ar e do mar, a química que contamina a terra e envenena os alimentos e medicamentos, e pergunte a si mesmo(a):

- como anda o meu equilíbrio ecobiológico?

- tenho dialogado com meus órgãos interiores?

- acariciado o meu coração? Respeito a delicadeza de meu estômago?

- acompanho mentalmente meu fluxo sanguíneo?

- tenho consciência de onde nascem minhas palavras?

- tenho queimado a minha língua com as nódoas dos comentários maldosos da vida alheia?

- meus olhos estão sujos pelas ilusões de poder, fama e riqueza? (Frei Betto)


Pe. Adroaldo Palaoro sj


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A CRISE MAIS GRAVE DA REPÚBLICA – Marco Antônio Villa


31/ago/18 - 09h00

O Brasil vive a mais grave crise política desde 1889. A desesperança é geral. A dinâmica sociedade civil está começando a entender que a estrutura estatal — dos três Poderes, registre-se — é impermeável às mudanças exigidas para, finalmente, termos uma república digna desse nome. Ao longo de mais de um século o País já passou por momentos de muita tensão, como em 1930 e 1964. Porém, agora, a situação conjuntural é muito mais complexa. Nos dois momentos citados havia diversos caminhos que poderiam ser percorridos, dependendo, claro, de quem fosse o vencedor do embate político. A questão que fica, nesse momento, é que não há no horizonte nenhum rumo delimitado. Isso porque o sistema é absolutamente petrificado, impedindo qualquer possibilidade de mudança. Assim, como a transformação é impossibilitada de nascer — devido a solidez da estrutura estatal —, resta a permanência ou uma ruptura que, até o momento, não se avizinha. Nesse jogo pérfido quem perde é o País. Mas todos perdem? Não, alguns ganham, os que se locupletam com a coisa pública, os inimigos da República. Mas quem são? A elite dirigente — e elite no sentido mais amplo do conceito.

Enquanto não for resolvida a crise política, o Brasil permanecerá estagnado. Viverá, no máximo, de pequenos surtos de crescimento para depois retornar à recessão. É a política que determina a economia — e não o inverso. Sendo assim, é uma ilusão imaginar que a conjuntura mais tensa que vivemos no último século será enfrentada — e solucionada — pelas urnas a 7 de outubro. Falácia, pura falácia. Nada indica que o Congresso Nacional deve melhorar a forma de representação popular. Pelo contrário, a tendência é de que os velhos caciques estarão de volta ao Senado e à Câmara dos Deputados acompanhados da quadrilha oligárquica de seus estados. Ou seja, poderemos sentir saudade do atual Parlamento, por mais incrível que pareça.

No campo do Executivo federal, independentemente de quem for eleito, a dissociação com o sentimento popular deve permanecer. O momento é preocupante,  mas os candidatos continuam desenvolvendo campanhas como se vivêssemos uma simples crise, algo que poderia ser resolvido sem grandes transtornos. Chegamos ao ponto de um presidiário se lançar candidato à Presidência da República e isso ser visto por operadores do Direito — regiamente pagos — como algo absolutamente natural.

É ilusão imaginar que a conjuntura mais tensa que vivemos no último século será enfrentada – e solucionada – pelas urnas a 7 de outubro. Falácia, pura falácia.

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Marco Antônio Villa é historiador, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. Professor da Universidade Federal de São Carlos (1993-2013) e da Universidade Federal de Ouro Preto (1985-1993). É Bacharel (USP) e Licenciado em História (USP), Mestre em Sociologia (USP) e Doutor em História (USP).

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