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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DOM CESLAU STANULA – Do Laicato e dos Leigos (7)

25/01/2015
As Viagens Apostólicas do Papa Francisco

Sentimento de orfandade > solidão

O Papa ao falar aos bispos do Chile tocou o assunto que está bem próximo das nossas meditações ligadas com o Ano do Laicato no Brasil. Ele disse: “um dos problemas, que enfrentam atualmente as nossas sociedades, é o sentimento de orfandade, ou seja, sentir que não pertencem a ninguém”.  Muito falamos hoje sobre a comunidade, sobre a paróquia renovada, mas no fundo no fundo, o discurso não nos toca. Cada um leva a sua vida “sozinho”. E o Papa chama atenção que esta solidão pode atingir também os bispos e os padres. E ele disse: “Este sentir” pós-moderno pode penetrar em nós e no nosso clero; (...) esquecemo-nos que somos parte do santo povo fiel de Deus é que a Igreja não é, e nunca será, uma elite de pessoas consagradas, sacerdotes e bispos. Não podemos sustentar a nossa vida, a nossa vocação ou ministério, sem esta consciência de ser povo.

O Papa, “confirmando os irmãos na fé” também os previne sobre o perigo do mal que pode afetar tanto os pastores como, consequentemente as ovelhas. Sublinha fortemente, neste importante pronunciamento, sobre o mal moderno: a solidão, orfandade. Todos somos o povo querido por Deus, todos formamos uma só família que é a Igreja de Jesus, cada um segundo a sua vocação, tem o lugar determinado dentro deste povo de Deus. O Papa nos questiona: temos a consciência disto. Se todos compreendêssemos esta verdade em grande parte desapareceria a depressão, a doença provocada pelo “sentimento de orfandade”, pela solidão.

Com o abraço fraterno e a benção especial junto com a oração, desejo uma boa noite.
Dom Ceslau.

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26/01/2018
O clericalismo

No mesmo pronunciamento para os Bispos de Chile, o papa falando sobre a falta da consciência de fato de que todos somos o povo fiel de Deus, sublinha, o que nós estamos procurando desenvolver no Ano do Laicato: A Missão do leigo na Igreja. Falando sobre o “clericalismo” que é para ele a “caricatura da vocação recebida”, diz “os leigos não são os nossos servos, (bispos, padres...) nem nossos empregados. Não precisam de repetir, como 'papagaios' o que dizemos. O clericalismo (...) apaga pouco a pouco o fogo profético da qual a Igreja inteira está chamada a dar testemunho no coração dos seus povos. O clericalismo esquece que a visibilidade (...) da Igreja pertence a todo o povo fiel de Deus - (Conf. LG, 9-14) e não só a poucos e iluminados”.

Primeiro o que é o clericalismo. No entender do papa, é a tentação que reduz a experiência eclesial à operação do clero. Tudo depende do padre, do bispo... Tudo depende deles. Esta questão o Papa Francisco já várias vezes antes apontou nos encontros com os bispos, com os padres e com os funcionários do Vaticano.

Segundo, o Papa sublinha a importância do povo fiel de Deus. Por eles Deus também está agindo. A hierarquia na Igreja existe, mas não como superioridade sobre os fiéis leigos, mas, como também membros do mesmo  Povo fiel de Deus, a serviço, precisamente deste povo de Deus, para caminhando, juntos construir o Reino de Deus. Que lindo ensinamento para todos nós. Puxão de orelhas para os que se estão deixando levar pela tentação de clericalismo, mas também ressaltando a importância dos fiéis leigos.

Com a benção e a minha oração. Uma noite tranquila.
Dom Ceslau.

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29/01/2018
A tentação do clericalismo

Procurei deter-me sobre pronunciamento do Papa para os Bispos no Chile, porque vai ao encontro das nossas reflexões sobre o Ano do Laicato.

O Papa, para prevenir contra a tentação do clericalismo e diminuição da consciência da dignidade dos leigos, está preocupado também com o futuro. Por isso diz: “Por favor, vigiemos contra esta tentação, especialmente nos Seminários e em todo o processo formativo. Confesso-vos, que me preocupa a formação dos seminaristas: que sejam pastores ao serviço do povo de Deus; (...) que tenham esta consciência do povo. E continua dizendo: Os sacerdotes de amanhã devem formar-se, olhando o amanhã: o seu ministério desenvolver-se-á   num mundo secularizado. (...) prepará-los para realizar a sua missão neste cenário concreto e não nos nossos ‘mundos ou situações ideais’. A missão que se realiza em união fraterna com todo o povo de Deus. (...) Não ao clericalismo e mundos ideais, que só entram nos nossos esquemas, mas não tocam a vida de ninguém”.

O Papa toca aqui o calcanhar-de-aquiles da questão. Será que os nossos seminários estão formando pastores do povo de Deus? Às vezes se tem a impressão, do que se vê que os seminaristas estão mais preocupados com as vestes (batina, barrete, túnicas com forros e bordados sofisticados) do que com o serviço do povo fiel de Deus. Da impressão que mais celebram a “liturgia de panos”, do que o Mistério de Deus. É uma infiltração do mundanismo e vaidades, às vezes, contra a vontade dos formadores... “Depois, eu me arrepio pensando, diz o Papa, que esses pequenos monstros é que vão formar o povo de Deus!” (Papa Francisco aos Superiores Maiores em 29.11.14).

Todos somos responsáveis pela formação, os leigos também. Rezemos pelas vocações, para que tenhamos santos sacerdotes e pastores do Povo fiel de Deus.

Com a benção e oração.
Dom Ceslau.

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30/01/2018
Papa visita presídio feminino

As viagens Apostólicas do Papa não deixam ninguém excluído. No Chile visitou o presidio feminino. A mensagem que dirigiu para elas podemos sintetizar em duas palavras: dignidade e esperança.

Ele disse: “Ser privadas da liberdade não é o mesmo que ser privadas da dignidade, não! Não é a mesma coisa, A dignidade não se toca, em ninguém. Zela-se, defende-se, nutre-se. Ninguém pode ser privado da dignidade. Vós estais privadas, sim, mas da liberdade”.

O Papa não justifica erros cometidos. Mas afirma que ninguém pode privar a quem quer que seja da dignidade. Se por um momento a pessoa perdeu a dignidade cometendo o erro ou crime, como consequência fica privada da liberdade. Esta privação da liberdade tem o objetivo não só pagar a dívida para com a sociedade (castigo, pena), mas também restabelecer a dignidade da pessoa. A pena deve visar a correção e a futura reintegração na sociedade.

A reflexão: os nossos presídios respeitam e visam restituição da dignidade da pessoa? Numa cela programada para 4 ou 6 presos, abriga 12 ou mais. No Brasil não temos presídios, temos depósitos dos objetos humanos. O Papa, como Vigário de Cristo, condena o crime, mas denuncia a violação da dignidade humana.

Com a oração, para que Deus nos livre de todos os males da alma e corpo, e com a benção.
Um boa Noite.
Dom Ceslau.
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31/01/2018
Papa Francisco falou da esperança.

Para as presidiárias em Chile (e para todo o mundo), o Papa Francisco falou da esperança. Esperança de no futuro perto ou longe, reintegrar-se a sociedade. Ele disse: “...a vida se constrói olhando para o futuro, e não para trás. Hoje estais privadas da liberdade, mas isto não significa que esta situação é definitiva. Levantai o olhar sempre para frente...”. Uma pena sem futuro, uma condenação sem futuro não é uma condenação humana: é tortura”. (...) "Isto, exigi-o de vós mesmas e da sociedade. (...) olhai sempre para a frente, para a reintegração na vida normal da sociedade”.

O objetivo da Pastoral Carcerária, uma das pastorais mais difíceis, é este.  Manter a esperança nos presos, mas deva estender-se à família do preso e também da (das) vítima (as) prejudicada(as) com o crime. A todos levar a esperança da misericórdia de Deus e esta, renovará a face da terra. Com a oração e a minha benção.
Boa Noite.

Dom Ceslau.

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01/02/2018
Papa Francisco na América latina

Nas suas andanças apostólicas pela América Latina o Papa Francisco quis encontrar-se com o povo Amazônico. Aconteceu isto em Puerto Maldonado, em Peru. Expressou a alegria deste encontro, ouviu o “clamor do povo amazônico” e expressou o desejo de “plasmar nesta região uma Igreja com o rosto amazônico e uma Igreja com o rosto indígena”. Disse: “com este espírito, convoquei o Sínodo para a Amazônia no ano 2019. O Papa considerou como a primeira sessão deste sínodo, o encontro agora realizado. No seu discurso disse: reafirmamos uma opção sincera em prol da defesa da vida, defesa da terra e defesa das culturas”. No seu entender, a defesa da terra não tem outra finalidade senão a defesa da vida”.

O Evangelho não destrói a cultura nativa. Sublima-a. Jesus também se encarnou numa cultura, hebraica, e a partir dela ofereceu-se- nos. Cada cultura que recebe o Evangelho não a destrói, mas enriquece, e a Igreja por meio dela,  apresenta uma nova face do mesmo rosto de Cristo.
Com a minha oração e benção. Boa e repousante noite.

Dom Ceslau.
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02/02/2018
A Oração Missionária

Na viagem Apostólica ao Peru, o Papa Francisco encontrou-se com as Religiosas Contemplativas -Monjas. (Quem é o Monge (a)? É aquele que vive em Deus e em busca do Divino. O silêncio, o estudo e a oração, são os elementos que fazem parte do cotidiano do monge. A casa onde eles vivem chama se o Mosteiro).

Nesta ocasião, o papa num tom muito cordial fala a elas sobre a oração, mas a oração não aquela “que esbarra no muro do convento e volta para trás”, fala da oração missionária. “A oração que sai e parte...”.
E o Papa explica: “a oração missionária é uma oração que consegue unir-se aos irmãos nas mais variadas circunstâncias em que se encontram, pedindo que não lhes falte o amor e a esperança”. Desta forma a “vida na clausura consegue ter o alcance missionário e universal, um papel fundamental na Igreja. Através da oração de dia e de noite aproximais do Senhor as várias situações da vida humana. Através da oração a miséria dos homens se aproxima ao poder de Deus. (...) “podemos afirmar que a vida de clausura não algema, nem restringe o coração; antes o alarga”.

Reflexão: A vida dos monges e monjas não está compreendida na sociedade. Para a sociedade cada mosteiro envolve um ar de mistério.
O Papa abre a cortina do segredo da vida dos mosteiros e da vida contemplativa. Mostra que esta vida enclausurada é muito útil para todos. Eles “tem o papel fundamental na Igreja”.-  “Através da oração a miséria dos homens se aproxima ao poder de Deus”. - O Papa Francisco, nesta “cultura de descarte” mostrou o valor e a importância da oração, da intercessão. Os Monges (as) sem cessar intercedem a Deus pelo mundo. Se não rezo por qualquer motivo, sei que alguém esta rezando por mim. Não estou abandonado nesta sociedade materialista.
Existe a gratuidade, a virtude que Jesus nos revelou e a qual nós esquecemos. Alguém gratuitamente intercede por nós. São os Monges e Monjas.

Um abraço e uma boa noite. Com a minha benção e a oração.
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ELEVAÇÃO - Glória Wendroff

Elevação


Você não é uma água-viva. Você não é uma coisa trêmula. É para você enfrentar o mundo, não fracassar. Não é para ser surrada pelos ventos do mundo. Não é para ser derrubada por todas as ondas. Não é uma vítima da vida e nem é para estar sempre a procura de vitória,  como se a vida fosse uma competição.

O prêmio já foi ganho. O prêmio é vitalício. Porém, o prêmio não vem já embalado para você. É como um kit que você tem que montar. Não estão faltando peças, mas você tem que encontrar o lugar delas. Você não é uma água-viva, nem é um mastro de navio que nunca oscila. A vida é viável. Você não está entrincheirado nela. Talvez você seja um pouco como uma bóia. Você flutua pra cima e pra baixo tão longe quando consegue chegar e ainda assim está ancorado.

Você não tem limites, embora, ao mesmo tempo,  não possa ir tão longe como poderia pensar. Você não é um salgueiro nem é um carvalho. Você é um ser humano vibrante. Você pode ser girado e lançado, e ainda assim cai em pé. Não importa o dano que você sinta que o mundo lhe causou, você cai sempre de pé.

Eu não estou lhe recomendando que tenha tempos difíceis, embora deva lhe dizer que aquilo que você chama de adversidade, de fato, o faz forte. Não fique procurando a adversidade, mas quando as coisas não saírem do seu modo, não fique assombrado. Você está sendo elevado para mais alto ainda.

Considere isto: Todas as pessoas que entram em sua vida contribuem para sua força. Você pode ver este ou aquele como um adversário, contudo, todo mundo em sua vida, não importa quão breve seja sua passagem por ela, é um bloco de sua construção. Considere as pessoas que entram em sua vida como operários. Eles podem lhe derrubar, mas também o elevam.

Talvez eles sejam uma pequena protuberância na estrada que você deva trilhar. Talvez os considere como vitaminas, algumas difíceis de engolir. Agradeça por todos que passam em sua vida, pois eles lhe impulsionam. Não importa o quão difícil esteja sendo para você, eles o pegam pelo cotovelo e o ajudam a subir outro degrau da escada da vida. Não que lhe ensinem algo. Você não é uma água-viva, embora eles possam estar em sua vida para lhe chacoalhar. Você não é um vidro de leite de coco para ser agitado.

É mais como se você fosse o coqueiro. Balance-o e um coco cai, e você se percebe dando frutos. Você nota que existe algo para você em tudo. Dar frutos não é o mesmo que perdê-los. O que estou dizendo é que a vida não o enfraquece, Amado. A vida o fortalece. Por mais impaciente que possa se sentir, por mais que ainda tenha que aprender, você está ficando mais forte. Forte significa mais flexível e também significa mais firme. Você consegue imagens mais claras. Com cada passo, descobre quão forte você é.

Não há nenhuma tempestade que não consiga agüentar. Você não foi fortalecido em preparação para a batalha. Não pense assim. Você foi fortalecido para que comece a conhecer sua própria força.

Você poderia, por favor, parar de ver falhas? O que você vê como sua maior falha pode muito bem ser sua força eminente. Não deixe de olhar com generosidade para si mesmo. Você é um ser de Luz.

"Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail..com>

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SABEDORIA E CONHECIMENTO ANDAM JUNTOS EM 'NEGO VÉIO'


Por Shirley M. Cavalcante(SMC)

José Carlos Barbosa nasceu em 2 de setembro de 1948 em Serra Azul (SP), na Fazenda Belo Horizonte. Radicou em Ribeirão Preto desde 1955, terra que o adotou como se fosse sua terra natal. Sempre estudou em escolas públicas, mas ao ingressar na universidade não chegou a terminar o curso de administração.

Tem outros cursos com certificados extracurriculares:
IBTF – Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância, Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, Habilidade Específica em: Negociação e Resolução de Conflitos e A Gestão de Equipes do Programa Auto Emprego, com carga horária de 200 horas. Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho dezembro de 2006; Certificado: IBTF – Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância, Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, com Habilidade Específica em: Como Elaborar um Plano de Empresa I e II, do Programa de Auto Emprego, com carga horária de 200 horas, Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho dezembro de 2006; Certificado –IBTF: Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância Cooperativismo e Auto Emprego a Distância, com Habilidade em: Plano de Marketing Estratégico, do Programa de Auto Emprego, com carga Horária de 145 horas, Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, dezembro de 2006. Foi caminhoneiro por algum tempo,  fundador do primeiro jornal no norte de Mato Grosso “Negócios e Negócios do Notão”, microempresário no ramo atacadista e representante comercial. Aposentado, hoje é presidente da Ordem dos Jornalistas de Ribeirão Preto e Região, membro da Casa do Poeta de Ribeirão Preto; UEI “União dos Escritores Independentes” de Ribeirão Preto; Grupo Médicos Escritores e Convidados. Barbosa é autor da Mostra dos Escritores de Ribeirão Preto e Região e Diretor do Sarau de Todas as Tribos.

Boa Leitura!

Escritor Barbosa, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que mais o atrai na arte de escrever?

Barbosa - Quero dizer que se falar José Carlos, não vai encontrar viv’alma que me identifica; agora se falar “o Barbosa escritor”, como sou conhecido em minha cidade e região... Para mim, escrever é como se estivesse viajando. Quando o tema chega, esqueço de tudo ao meu redor, então sento e as horas se vão, e chego a escrever um livro em uma noite, como tenho o mais recente escrito, ainda no prelo.

Como surgiu inspiração para o seu livro “Nego Véio”?

Barbosa - Desde a juventude eu gostava de escrever. Quase todo fim de tarde sentava e escrevia alguma coisa; era como se transferisse para o papel as confidências do dia a dia, mas acabava de escrever, acho que o estresse estava ali depositado, então jogava fora. O livro “Nego Véio” começou a ser escrito em um maço de cigarros desmanchado; guardei no bolso e depois criou vida, então guardei. Isto foi na década de 70, no entanto, foi publicado só agora em 2013.

Apresente-nos a obra.

Barbosa -“Nego Véio” nasceu em algum lugar da África, e quando estava atingindo o Kafo,foi capturado, como todos os escravos; foi comprado e viveu em uma fazenda. Era um exemplo e conselheiro dos escravos, era um iluminado que foi chamado para ser acompanhante e conselheiro do patrão, mesmo a contragosto dos seus.

Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio do enredo que compõe “Nego Véio”?

Barbosa - Transmitir aos demais que, mesmo sendo escravo, ele parecia ter um conhecimento que não se sabe o porquê, e como uma mente àquela época tão distante poderia ser iluminada.

Quais os principais desafios para a escrita desta obra literária?

Barbosa - Esta obra foi escrita em 1974, e é a única obra publicada pela FUNPEC –Editora. Em 2013, um editor me fez um desafio:disse que publicaria um livro meu se eu entregasse os originais no prazo oito dias e me daria de graça 500 livros. Esse foi o tempo suficiente para remontar o livro e assim foi. Ele perdeu a aposta e cumpriu com o prometido.

Qual o momento que mais o marcou enquanto escrevia o enredo que compõe o livro?

Barbosa - O ponto crucial deste livro foi o pranto no seu final, mas foi a minha maior felicidade, porque a maioria dos que o leram chorou ao ler o final. Então, foi um livro que causou comoção em todos os meus leitores.

Além de “Nego Véio”, você tem outros livros publicados. Apresente-nos os títulos e segmento.

Barbosa -
01 - Coisas de Boteco 1- Trocando o Divã pela mesa dos bares (3ª edição, esgotado)
02 - Coisas de boteco 2- A Caneta Etílica(esgotado)
03 - Coisas de boteco 3 - Verdades e mentiras
04 - Coisas de Boteco 4 - Essas mulheres
05 - Zumbi dos Palmares - O Rei Negro do Brasil 
06 - Luiz Gama - Precursor abolicionista (1ª biografia)
07 - Serra Azul - Oitenta anos de causos e prosa
08 - Nego Véio
09 - Organizador de uma Antologia da Ordem dos Velhos Jornalistas de Ribeirão Preto.
Aguardem, vem aí, para início do ano, “Quem matou o Mortalha?”

Onde podemos comprar seus livros?

Barbosa - Meus livros já foram enviados para vários países de três continentes; então quem se interessar, pode solicitar por: http://www.kgebeditora.com.br/vitrine.php (Pag Seguro); E-mail: kgebeditora@gmail.com

Você, por necessidade, se tornou editor de seus próprios livros; hoje ajuda outros escritores a produzirem os seus livros de forma independente. Comente sua trajetória literária e como é realizado este apoio.
Barbosa - Quando resolvi publicar o primeiro livro “Coisas de Boteco”, fiquei sabendo o que era a diferença entre livro publicado e editado, pela Biblioteca Nacional. Então, fiquei sabendo que o editor registrava os livros dos escritores, todos no seu ISBN e o Código de Barras também era o seu. Isto me irritou e comecei a alertar os escritores, então comecei a fazer os registros no nome de cada um e provar que aquela editora era um engodo. Era não, eles continuam sendo até hoje. Vários escritores não acreditavam que isto acontecia até que um deles foi se inscrever na UBE (União Brasileira dos Escritores) e não foi aceito porque o ISBN estava no nome desta editora. Somente aviso: – o livro não é seu.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor José Carlos Barbosa. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Barbosa - Se você é apenas leitor, deixo um texto:
“Em meus textos, quero chocar o leitor, não deixar que ele repouse na banguela dos lugares-comuns, das expressões acostumadas e domesticadas. Quero obrigá-lo a sentir uma novidade nas palavras”
João Guimarães Rosa

Agora, se você tem a intenção de ser um escritor!
Venha agora mesmo, temos uma série de oportunidades irresistíveis. É chegada a hora. Orçamentos sem compromisso, facilidade no pagamento. Enviamos seu livro a qualquer parte do país ou fora dele.

Fazemos digitação, diagramação, antologias, livros de família, livros técnicos etc. Fazemos também seu registro em seu nome na Biblioteca Nacional com ISBN e seu Código de Barras.

Oferecemos consultoria literária, auxiliamos na confecção do livro, do começo ao fim. Se tiver algum escrito engavetado, fale conosco, e lhe devolvemos em livro.


José Carlos Barbosa
Rua João Nuti 76 – Jd. Mosteiro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
CEP14085-510
Publicar:
Facebook: kg&b Editora
Twitter: @editorakgeb.com.br
Blog: KGeB Editora

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

RIO, DO BRASIL - Nélida Piñon

Rio, do Brasil

Meu coração recrimina quando ajo como se o Rio de Janeiro não merecesse ser a cada golpe inaugurado pelos meus olhos. Não fosse em si uma dádiva que me chegou junto com a vida que arfa teimosa. Uma paisagem cuja beleza é centro da fantasia brasileira, nela estão encravados os mitos nacionais.

Com estofo de heroína, aguento as benesses e os malefícios, examino os efeitos de seu repertório urbano na psique carioca. De caráter dual, espécie de Juno de duas faces, o Rio oscila entre pobres e ricos que esbarram nas esquinas sob falsa harmonia social. Contudo falam todos a mesma língua, a despeito dos tropeços gramaticais. Aliás, no capítulo linguístico, o carioca demonstra pendor para narrar. Seu humor inventa histórias que não viveu. Mas perdoa quem o lançou ao fogo do inferno e merece o cárcere. Pois sua frágil cidadania não ausculta as graves mentiras que lhe contam. Acolhe os políticos como membro da família.

No teatro carioca, as classes sociais simulam entender-se no período carnavalesco ou diante de uma desgraça. Os desprovidos da sorte ainda confiam no que lhes prometem os donos do poder público.

O Rio é belo, sem dúvida, mas não lê. Quase todos igualam-se na escassez de conhecimento. Não dispõem de um arsenal de saberes que apure o seus direitos cidadãos.

É uma cidade musical. Domina o Stradivarius e o tamborim. Seu carnaval dita pautas temporariamente felizes. Descendo das comunidades, as escolas de samba causam assombro com sua refinada estética. Sua arte maior sara as feridas, reconcilia-nos com a vida indigna.

Cumprimos no Rio, berço, ribalta e cova nossas, as etapas de nossas biografias. Devemos à pedagogia da cidade a esplêndida mestiçagem. Ela é o epicentro do Brasil, a metáfora eternizada por Machado de Assis em sua obra.

É proibido, porém, contemporizar com as mazelas morais com que tentam abortar o Rio. O veneno que a elite política nos injetou, há que vomitar. Mas como amo esta urbe, afugento o desencanto. Há que restaurar a cidadania ofendida. Entoar o hino pátrio enquanto exaltamos o privilégio de viver sob a resplandecência deste céu que se abate azulado sobre nós com a força do seu mistério . Estou cansada de pessimismo.
O Globo, 24/12/2017



Nélida Piñon - Quinta ocupante da Cadeira 30 da ABL, eleita em 27 de julho de 1989, na sucessão de Aurélio Buarque de Holanda e recebida em 3 de maio de 1990 pelo Acadêmico Lêdo Ivo. Em 1996-1997 tornou-se a primeira mulher, em 100 anos, a presidir a Academia Brasileira de Letras, no ano do seu  Centenário.

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CENTRO LUSÓFONO RUSSO PREPARA ANTOLOGIA DE CONTOS BRASILEIROS QUE INCLUIRÁ O ESCRITOR CYRO DE MATTOS

Centro Lusófono russo prepara 
antologia de contos brasileiros 
que incluirá o escritor 
Cyro de Mattos


O Centro Lusófono Camões, da Universidade Estatal Pedagógica Herzen, de São Petersburgo, Rússia, está preparando a publicação de uma antologia de contos brasileiros contemporâneos em edição russo-portuguesa. Segundo o diretor do Centro, professor Vadim Kopyl, responsável pela publicação, a antologia reunirá mais de 30 autores, e, entre eles, estará presente o baiano (de Itabuna), Cyro de Mattos. A antologia será dedicada à memória do ex-embaixador do Brasil em Portugal (1979-1983), Dário Moreira de Castro Alves (1927-2010), antigo sócio honorário da instituição, que exerceu postos na Embaixada do Brasil em Moscou, foi chefe de gabinete no Ministério das Relações Exteriores e presidente do Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA), em Washington, entre outros cargos.

O escritor Cyro de Mattos (foto) participou em 1973 da antologia Ao Sul do Rio Grande (K Yug of Rio Grande) com o conto “O Velho e o Velho Rio”, tradução de Elena Riánzova, publicada na Rússia pela Editora Molodóia Guardia. Nessa antologia figuram, entre outros, Julio Cortázar, René Marques, Mário Benedeti, Rosário Castellanos e o baiano Ricardo Cruz. Cyro de Mattos tem contos e poemas publicados em antologias e revistas de vários países europeus, Estados Unidos e México. Possui doze livros pessoais publicados em várias editoras da Europa. Já na antologia que está sendo preparada pelo Centro Lusófono Russo Luís de Camões figuram, entre outros, Anderson Braga Horta, Caio Porfírio Carneiro, Cunha de Leiradella, Helena Parente Cunha, Iacyr Anderson Freitas, Luiz Ruffato, Rejane Machado e Ronaldo Cagiano.

Em abril, na Embaixada do Brasil em Moscou, foi lançado o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1881-1922), publicado por uma editora de Moscou. Nos anos anteriores, foram apresentados ao público os livros Contos de Machado de Assis e Contos Escolhidos de Machado de Assis, publicados em edição bilíngue russo-portuguesa pelo Centro Lusófono Camões, em 2006 e 2007, respectivamente, com prefácios do escritor e professor Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP).

Desde a sua fundação em 1999, o Centro publicou também em edições bilíngues os livros Guia de Conversação Russo-Portuguesa Contemporânea, Poesia Portuguesa Contemporânea (2004), que reúne poemas de 26 poetas portugueses, e Vou-me embora de mim (2007), do poeta português Joaquim Pessoa. Em 2013, a Embaixada do Brasil em Moscou apoiou a publicação da segunda edição revista do livro Contos Escolhidos de Machado de Assis. O Centro Lusófono Camões  mantém estudantes nos níveis zero, médio e superior.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

MORRE O ARTISTA PLÁSTICO BAIANO ÂNGELO ROBERTO

O artista plástico baiano Ângelo Roberto deixou as dimensões deste velho mundo na manhã deste domingo (28), aos 80 anos. O corpo dele  foi cremado na segunda-feira (29), às 11, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.
Ângelo era especialista em ilustrações com bico-de-pena, e muitos de seus quadros retratavam cavalos. A causa da morte não foi divulgada pela família.

O falecimento de Ângelo foi comunicado pela sua filha Iana Landim, em uma postagem nas redes sociais. No comunicado, Iana se refere ao pai como seu maior ídolo e artista. Ângelo nasceu na cidade de Ibicaraí, no sul da Bahia.

Amigos e familiares fizeram comentários de pesar. "O artista se eterniza na arte, e o pai, na família, que é a continuação de tudo... Força... Um grande abraço em todos vocês", observou contrita uma dessas pessoas.

Com exposições no exterior, prêmios importantes, Ângelo Roberto pertenceu à Geração de Glauber Rocha, que na década de 60 movimentou o ambiente cultural de Salvador, com os jovens Florisvaldo Mattos, Paulo Gil Soares, João Carlos Teixeira Gomes e Fernando Rocha Perez.  Ilustrou capas e livros de autores baianos, como Florisvaldo Mattos, Guido Guerra, Cyro de Mattos e Ruy Espinheira Filho. Do itabunense  Cyro de Mattos ilustrou os livros A Casa Verde e Outros Poemas”, “Histórias Dispersas de Adonias Filho”,  “Oratório de natal”, “As Criações de Adonias filho”, “Alma M ais que Tudo” , “Cancioneiro do Cacau”, “Poesie Brasiliene della Bahia”, publicada na Itália,  e “Onde Estou e Sou”.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: OS PAIS ENVELHECEM

Os pais envelhecem


Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho.

Plena de emoções, por vezes angustiante, ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.

Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça.

Basta vê-los para que o coração se alargue em riso e cor. Um sorriso é capaz de abrir as portas de um paraíso.

Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.

Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. Trilham novos rumos, afastam-se da matriz.

O tempo se encarrega da formação de novas famílias. Os netos nascem. Envelhecemos. E então algo começa a mudar.

Os filhos já não têm pelos pais aquela atitude de antes. Parece que agora só os ouvem para fazer críticas, reclamar, apontar falhas.

Já não brilha mais nos olhos deles aquela admiração da infância e isso é uma dor imensa para os pais.

Por mais que disfarcem, todo pai e mãe percebe as mínimas faíscas no olho de um filho.

É quando pais idosos, dizem para si mesmos: Que fiz eu? Por que o encanto acabou? Por que meu filho já não me tem como seu herói particular?

Apenas passaram-se alguns anos e parece que foram esquecidos os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.

Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mas impertinente. Praticamente não ouvem mais os conselhos.

A cada dia demonstram mais impaciência. Acham que os pais têm opiniões superadas, antigas.

Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas. E tentam fazer os velhos pais se adaptarem aos novos tempos, aos novos costumes.

Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle. Quando eles estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber. Raramente são ouvidos quando tentam fazer algo diferente.

Passeios, comida, roupas, médicos - tudo passa a ser decidido pelos filhos.

E, no entanto, os pais estão apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Por que então desrespeitá-los?

Por que tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?

Sim, é o que a maioria dos filhos faz. Dá ordens aos pais, trata-os como se não tivessem opinião ou capacidade de decisão.

E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor. Naquelas mãos trêmulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia.

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A cada dia que nasce, lembre-se, está mais perto o dia da separação. Um dia, o velho pai já não estará aqui.

O cheiro familiar da mãe estará ausente. As  roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa.

Então, valorize o tempo de agora com os pais idosos. Paciência com eles quando se recusam a tomar os remédios, quando falam interminavelmente sobre doenças, quando se queixam de tudo.

Abrace-os apenas, enxugue as lágrimas deles, ouça as histórias (mesmo que sejam repetidas) e dê-lhes atenção, afeto...

Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.



Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v.13, ed. Fep.

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