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sábado, 7 de outubro de 2017

CAMPANHA INTERNACIONAL PARA A ABOLIÇÃO DAS ARMAS NUCLEARES GANHA NOBEL DA PAZ 2017

Após anúncio da premiação, diretora-executiva da Ican afirmou que Trump e Kim Jong-un devem saber que 'armas nucleares são ilegais' e que 'eles precisam parar'.

Por G1
06/10/2017

Beatrice Fihn, Diretora Executivo da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), recebe garrafa de champanhe do marido após anúncio do prêmio Nobel de 2017 (Foto: Denis Balibouse/ Reuters)

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em inglês) ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2017. O anúncio da premiação foi feito na manhã desta sexta-feira (6), em Oslo, na Noruega.

A organização foi premiada por chamar a atenção para as consequências catastróficas do uso de armas nucleares e pelos seus esforços inovadores para conseguir a proibição do uso dessas armas. A Ican reúne mais de 400 entidades e ONGs com representação em mais de 100 nações.

"Nós vivemos em um mundo onde o risco de armas nucleares serem usadas é maior do que tem sido há muito tempo", disse Berit Reiss-Andersen, líder do Comitê Norueguês do Nobel, ao anunciar o ganhador no Nobel da Paz. A premiação ocorre em um momento em que vários países estão modernizando os seus arsenais, como a Coreia do Norte.

A líder da associação, Beatrice Fihn, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-Un devem saber que armas nucleares são ilegais. Ao responder ao pedido de dar uma mensagem aos dois líderes, ela foi enfática, segundo a Reuters.

"As armas nucleares são ilegais. A ameaça de usar armas nucleares é ilegal. Ter armas nucleares, desenvolver armas nucleares é ilegal. Eles precisam parar", declarou Fihn.

Campanha internacional para banimento de armas nucleares vence Prêmio Nobel da paz
Ao receber o telefonema que lhe comunicou o prêmio, Beatrice Fihn disse ter ficado "em choque" com a notícia. "É incrível, uma honra", declarou. A ativista é uma das três pessoas que trabalham em um pequeno escritório em Genebra, a sede da Ican. A organização, que começou na Austrália, foi lançada oficialmente em Viena em 2007.

 Na quarta-feira (4), a ativista chamou Trump de idiota no Twitter. Nesta sexta, ela afirmou que estava arrependida, mas fez uma ressalva. “Eu acho que a eleição do presidente Donald Trump fez muitas pessoas ficarem muito desconfortáveis com o fato de ele sozinho poder autorizar o uso de armas nucleares", afirmou, de acordo com a Associated Press.

Daniela Varano, porta-voz da Ican, disse à Reuters que a organização ficou muito entusiasmada por ter ganhado o prêmio. "É um grande reconhecimento para o trabalho que fizeram os ativistas ao longo dos anos e especialmente o Hibakusha (como são chamadas as pessoas afetadas pelas bombas atômicas no Japão). Esse testemunho foi crítico, crucial e para um sucesso tão surpreendente", afirmou.

Diretora Executiva da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), Beatrice Fihn, em imagem de arquivo (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Tratado global
Tratado Global para Proibir as Armas Nucleares foi adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), porém as potências nucleares têm se mantido à margem desse processo, como os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

Ele proíbe o desenvolvimento, testes, produção, fabricação, aquisição, posse ou armazenamento de armas nucleares. O tratado foi aberto para assinaturas no dia 20 de setembro e entrará em vigor 90 dias depois que 50 países – dos 122 que votaram – o ratifiquem.

O prêmio é anunciado ainda em um momento em que, além da guerra verbal que Trump trava com a Coreia do Norte, o governo americano ameaça revogar o acordo nuclear com o Irã – a quem Trump acusa de não estar cumprindo os termos do acordo. Em seu discurso de estreia na assembleia-geral da ONU deste ano, o americano classificou o acordo como vergonhoso.

"O acordo com o Irã é uma das piores transações (...) Francamente, este acordo é uma vergonha para os Estados Unidos." Em 15 de outubro, Trump vai se pronunciar no Congresso americano se ele considera que Teerã respeita seus compromissos, como indicado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Diretora Executivo da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), Beatrice Fihn, ao lado do ator Michael Douglas, durante coletiva na sede da ONU, em Genebra, em foto de arquivo (Foto: Denis Balibouse /Reuters)

ONG Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (Ican) leva Nobel da Paz (Foto: Fabrice Coffrini / AFP Photo)

Veja os vencedores de 2017:

Literatura: escritor Kazuo Ishiguro, de 62 anos.

Química: trio Jacques Dubochet (suíço), Joachim Frank (alemão) e Richard Henderson (escocês) por uma série de melhorias que revolucionaram a observação de biomoléculas.

Física: Rainer Weiss, alemão naturalizado americano, e Barry Barish e Kip S.Thorne, cientistas nascidos nos Estados Unidos, ganharam o prêmio pela observação de ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há mais de 100 anos.

Medicina: os norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young levaram o prêmio por suas descobertas no ritmo circadiano, o relógio biológico interno dos seres vivos.

O prêmio de economia será anunciado na segunda-feira (9).

Presidente do Comitê nobel norueguês, Berit Reiss-Andersen, durante o anúncio do prêmio Nobel da Paz 2017, nesta sexta-feira (6) (Foto: NTB Scanpix / Heiko Junge via Reuters)

Últimos ganhadores do Nobel da Paz

2016: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, conquistou o prêmio pelo esforço de pacificação do país. Naquele ano, o governo conseguiu fechar um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após uma guerra civil que já durava mais de 50 anos.

2015: Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia ganhou o prêmio por sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011.

2014: os vencedores foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.

2013: Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona destruição do arsenal químico na Síria em guerra.

2012: União Europeia (UE) ganhou por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.

2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen), por sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a participar dos processos de paz.

2010: Liu Xiaobo (China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".

2009: O então presidente americano Barack Obama foi premiado "por seus esforços extraordinários com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

2008: Martti Ahtisaari (Finlândia) foi premiado por suas numerosas mediações de paz em todo o mundo.

2007: Al Gore (Estados Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU ganharam o prêmio por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre as mudanças climáticas.

2006: O prêmio foi para Muhammad Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".



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CONEXIÓN BRASIL-SALAMANCA: ALENCART TRADUCE Y PROLOGA ‘DONDE ESTOY Y SOY’, DEL BRASILEÑO CYRO DE MATTOS

La antología, editada por Verbum, tiene pintura de portada de Miguel Elías y epílogo del poeta y filólogo Juan Ángel Torres Rechy

Alencart, Cyro de Mattos y Torres Rechy, en Salamanca / Foto de Pablo Rodríguez

La reconocida editorial Verbum, fundada en Madrid por el poeta Pío E. Serrano y dirigida actualmente por Luis Rafael Hernández, acaba de publicar el poemario “Donde estoy y soy”, del brasileño Cyro de Mattos (Itabuna, Bahía, 1939), poeta, narrador, periodista, abogado y  miembro de la Academia de Letras de Bahía, quien ha obtenido varios
galardones,  como el Premio Nacional Ribeiro Couto, el Premio Afonso Arinos, el Premio Centenario Emílio Mora o el Premio Internacional de Literatura Maestrale Marengo D’oro (Génova).
  
De Mattos tiene obra publicada en Alemania, Francia, Portugal, Rusia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suiza y Italia. Entre sus libros de poesía están Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor, Devoto do Campo y Oratório de Natal.

Son cincuenta los poemas traducidos al castellano por el poeta Alfredo Pérez Alencart, profesor de la Usal y colaborador de SALAMANCArtv AL DÍA. Los mismos fueron seleccionados de nueve poemarios ya publicados por Cyro de Matos, además de dos textos incluidos en la antología salmantina “Decíamos ayer”, aparecida en 2013 como homenaje a Fray Luis de León. Alencart también firma el prólogo, titulado “Poesía y Vida: Cyro de Mattos”.

En la obra publicada por Verbum, la pintura de portada es del destacado artista Miguel Elías, profesor de la Universidad de Salamanca, mientras que el epílogo lo firma el poeta mexicano, Juan Ángel Torres Rechy, doctor en Filología por la Universidad de Salamanca y actualmente profesor de español en la Universidad de Soochow. Toores Rechy también es colaborador de SALAMANCArtv AL DÍA.

Alencart ha traducido a más de treinta poetas portugueses y brasileños.

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TRADUÇÃO:

Alencart traduz e prologa 'Onde eu estou e eu sou', do brasileiro Cyro de Mattos

A antologia, editada pela Verbum, apresenta obras de arte de Miguel Elías e epílogo do poeta e filólogo Juan Ángel Torres Rechy

A reconhecida editora Verbum, fundada em Madrid pelo poeta Pío E. Serrano e atualmente dirigida por Luís Rafael Hernández, acaba de publicar a coleção de poesia "onde estou e sou" do brasileiro Cyro de Mattos (Itabuna, Bahia, 1939), poeta, narrador, jornalista, advogado e membro da Academia de Letras da Bahia, que ganhou vários prêmios, incluindo o Prêmio Nacional Ribeiro Couto, Afonso Arinos o Prêmio Centenário Prêmio Emílio Mora e o Prémio Internacional de Literatura Maestrale Marengo D'oro (Gênova).

De Mattos publicou trabalhos na Alemanha, França, Portugal, Rússia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suíça e Itália. Entre seus livros de poesia estão Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e um Poemas de Amor, Devoto do Campo e Oratório de Natal.

Há cinquenta poemas traduzidos para o espanhol pelo poeta Alfredo Pérez Alencart, professor do Usal e colaborador do SALAMANCArtv AL DAY. Eles foram selecionados a partir de nove coleções de poemas já publicados por Cyro de Matos, além de dois textos incluídos na antologia salmantina "Nós dissemos ontem," apareceu em 2013 como um tributo a Fray Luis de León. Alencart também assina o prólogo, intitulado "Poesia e Vida: Cyro de Mattos".

No trabalho publicado pela Verbum, a pintura é o artista em destaque Miguel Elías, professor na Universidade de Salamanca, enquanto o epílogo é assinado pelo poeta mexicano Juan Angel Torres Rechy, Doutor em Filologia na Universidade de Salamanca e agora professor de espanhol na Universidade de Soochow. Toores Rechy também é colaborador da SALAMANCArtv THE DAY.

Alencart traduziu mais de trinta poetas portugueses e brasileiros.

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PURO AMOR

Pare de ficar batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.

Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pare de me culpar por tua vida! Eu nunca te disse que há algo mal em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mal.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. Veja-me no amanhecer, no horizonte, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter tanto medo. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pare de pedir-me perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz! Te enchi de paixões, de livre arbítrio, De limitações, de prazeres, de sentimentos, necessidades, incoerências... Como posso te culpar se respondes a algo que eu mesmo fiz?

Como posso te castigar por seres como és, se fui eu quem te quis assim?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de pai pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, leis humanas que te geram culpa. A única lei: Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.

Peço-te que prestes atenção em tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem ensaio, nem prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única que há aqui e agora e a única que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida a elevação aos céus, ou se perder no abismo.

Viva como se não houvesse algo depois desta vida. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.

Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste! O que aprendeste!

Quero que Me sintas em ti quando beijar quem amas, quando agasalhar quem necessita,  quando acariciar quem está sofrendo. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.

Te surpreendes com as delícias da vida? Expressa tua alegria! Esse é o jeito de Me louvar. Pare de complicar as coisas e de repetir o que te ensinaram.

A única certeza é que estais aqui, que estais vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para quê precisas de mais milagres?

Para quê precisa tantas explicações?

Nunca me procures fora! Não me acharás!

Procura-me dentro de ti... aí é que estou...

Pulsando contigo.

  
(Autor não mencionado)

 "Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail.com>

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KAZUO ISHIGURO, AUTOR DE 'OS VESTÍGIOS DO DIA', GANHA NOBEL DE LITERATURA

Andrew Testa/The New York Times      

O escritor Kazuo Ishiguro 

          
MAURÍCIO MEIRELES
COLUNISTA DA FOLHA
05/10/2017
  
O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, 62, foi anunciado, na manhã desta quinta (5), no horário de Brasília, como o ganhador do prêmio Nobel de Literatura deste ano.

O autor, um dos prosadores contemporâneos mais aclamados, tem publicados no Brasil livros como "O Gigante Enterrado", "Não me Abandone Jamais" e "Os Vestígios do Dia", que saem no país pela Companhia das Letras.

"Vestígios..." já havia rendido ao autor o Man Booker Prize, outro dos grandes prêmios internacionais de literatura, em 1989. Sua editora no Brasil agora vai reimprimir "Quando Éramos Órfãos", fora de catálogo, com uma nova capa.

O autor reuniu a imprensa em sua casa, em Londres, para uma entrevista coletiva, na manhã desta quinta. Ele disse ter pensado, ao receber a notícia por meio de sua agência literária, que era "fake news".

"Pensei que era boato", afirmou, sentado em um banco no seu quintal. "Uma hora, uma moça muito gentil da Suécia me ligou e perguntou, antes de tudo, se eu aceitaria o prêmio. Fiquei surpreso com como eles [da Academia Sueca] foram modestos. Era como se eles estivessem me convidando para uma festa e tivessem medo que eu recusasse o convite."

O anúncio foi dado por Sara Danius, secretária permanente da Academia Sueca, instituição que concede o prêmio. Ela destacou que a obra de Ishiguro tem "grande força emocional" e "desvendou o abismo sob nossa sensação ilusório da conexão com o mundo".

Ela descreveu ainda o trabalho do autor como uma mistura de Jane Austen e Franz Kafka. "Mas é preciso acrescentar um pouco de Marcel Proust, misturar, mas não muito, e então se chega à escrita dele", disse.

Danius afirmou ainda que, contudo, diferentemente de Proust, o autor não está interessado no resgate do passado, mas em explorar o que é preciso esquecer para sobreviver —não só no plano individual, mas também social.

Depois de premiar uma jornalista, em 2015, e um compositor, em 2016 —escolhas vistas como ousadas—, a Academia volta a escolher um escritor no sentido tradicional da palavra. Salman Rushdie, amigo do premiado, em entrevista ao jornal "The Guardian", ainda brincou com a escolha: "E ele ainda toca violão e compõe músicas. Passou por cima do Bob Dylan".

Ishiguro, que trabalhou como músico na juventude e ainda compõe, tem parcerias famosas com a cantora de jazz Stacey Kent. Seu ídolo era —ironicamente— Dylan, além de Leonard Cohen e Joni Mitchell.

Nascido em Nagasaki, no Japão, ele se mudou com a família aos cinco anos, nos anos 1960, para o Reino Unido —e só voltaria a seu país de origem 30 anos depois. Não à toa, sua obra é escrita em inglês. Depois de trabalhar como músico, no começo da carreira, ele estudou letras e filosofia. Depois, faria um mestrado em escrita criativa.

Como em outros anos, as casas de apostas erraram. Ishiguro não era o favorito das listas, que incluíam Ngugi wa Thiong'o, Haruki Murakami e Margaret Atwood, entre outros. Ele receberá como prêmio 9 milhões de coroas suecas (R$ 3,5 milhões).

Em entrevista à Folha, no lançamento de "Quando Éramos Órfãos", Ishiguro lembrou uma visita ao Brasil, nos anos 1990, e falou do seu fascínio pelo conceito de "geto" —ou jeito, o jeitinho brasileiro. O livro lançado na época, dizia, era motivado pela noção brasileira de "soldado" (saudade).

"A nostalgia que os portugueses tinham de Portugal quando estavam no Brasil e a que eles sentiam do Brasil quando em Portugal. Em 'Quando Éramos Órfãos' quero mostrar esse sentimento."

Ishiguro se interessou pela literatura quando tinha cerca de dez anos, quando passou a ler obsessivamente as histórias de Sherlock Holmes. Fazia os colegas rirem, porque tentava imitar o comportamento dos personagens —e até usava o mesmo jeito de falar. Seu primeiro livro, "Um Pálida Visão dos Montes" (Rocco), foi publicado em 1982.

O autor fez parte de uma geração que hoje ocupa lugar central na literatura produzida no Reino Unido. Ele estava no grupo selecionado, em 1983, pela "Granta", uma das grandes revistas literárias do mundo, como os melhores jovens escritores britânicos —na lista estavam figuras como Ian McEwan, Salman Rushdie e Martin Amis.

Seu auge chegou logo depois, em 1989, quando ganhou o Man Booker Prize por "Os Vestígios do Dia". O romance traz um mordomo que recorda três décadas de serviço a um lorde britânico, revelando aspectos sombrios da história do ex-patrão, como a simpatia pelo nazismo.

Ishiguro é conhecido por passear por vários gêneros literários, como o romance policial, o faroeste, ficção científica e a fantasia. Seu último livro, "O Gigante Enterrado", se filia a esse último gênero.
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Livros publicados no país

- "Os Vestígios do Dia"
Um mordomo à moda antiga se ressente pela decadência da aristocracia britânica no entreguerras e pelo fato de ter um novo patrão que não dá a mínima para o emaranhado de rituais que orientam sua vida.
- "Não me Abandone Jamais"
Triângulo amoroso se passa em um internato onde todos os "alunos" são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição (no caso, seus órgãos).
- "O Gigante Enterrado"
Obra trata de um velho casal que viaja por uma paisagem traiçoeira e sem lei para tentar encontrar seu filho, enquanto tateiam a névoa do esquecimento que parece ter se abatido sobre a terra devido a uma maldição.
- "Noturnos"
Nas cinco histórias há música e cair da noite a enquadrá-las cenograficamente. Mas o verdadeiro tema comum apenas se revela se o título for também tomado, metaforicamente, como alusão ao momento de esfriamento das esperanças de o talento naturalmente se ajustar ao sucesso, cujas condições se descobrem aleatórias, injustas e, por vezes, ridículas.
- "Quando Éramos Órfãos"
O livro fala sobre o poder do passado de determinar o presente através da história de Christopher Banks, um garoto que fica órfão aos nove anos de idade. Vinte anos depois, ele se torna um detetive e resolve rever Xangai, palco da guerra entre China e Japão, fazendo com que sua busca pelos pais seja confundida com a busca pela ordem no mundo.
- "O Desconsolado"
O renomado pianista Ryder viaja para uma pequena cidade do leste europeu para um concerto. Lá, ele se envolve em uma briga entre o violoncelista Christoff e o maestro bêbado Brodsky, e em todos os lamentos dos moradores locais que desabafam frustrações e sonhos com o pianista.


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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

TRÊS CIENTISTAS CONQUISTAM O PRÊMIO NOBEL DE QUÍMICA

04/10/2017
Copenhague
Da Agência EFE

Vencedores do Prêmio Nobel de Química  divulgação/Twitter Prêmio Nobel

Os cientistas Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson conquistaram o Prêmio Nobel de Química 2017, por desenvolver a "criomicroscopia eletrônica para a determinação estrutural de alta resolução de biomoléculas em soluções". O anúncio foi feito hoje (4) pela Academia Real das Ciências da Suécia. As informações são da EFE.

Jacques Dubochet é suíço, Joachim Frank, alemão, e Richard Henderson, escocês. Os premiados, explicou o júri, desenvolveram a "criomicroscopia eletrônica", uma técnica que permite observar em alta resolução biomoléculas, "método que levou a bioquímica a uma nova era".

"Os pesquisadores podem agora congelar biomoléculas" e "visualizar processos que nunca tinham visto antes, fato decisivo para o entendimento básico da química da vida e do desenvolvimento de medicamentos", argumenta a decisão.

Durante muito tempo acreditou-se que os microscópios eletrônicos só eram adequados para analisar matéria morta, porque seu potente feixe de elétrons destrói o material biológico.

Saiba Mais

No entanto, em 1990 Henderson conseguiu gerar uma imagem tridimensional de uma proteína com resolução atômica graças a um microscópio eletrônico, evidenciando o potencial desta nova tecnologia.

Frank, por sua vez, conseguiu generalizar as aplicações desta nova tecnologia e desenvolveu um método para processar as imagens em duas dimensões e transformá-las em 3D.

Dubochet acrescentou água ao microscópio eletrônico – fato que não era possível porque operava no vácuo. Para isso, vitrificou e esfriou a água tão rapidamente que ela se solidificou na sua forma líquida ao redor de uma amostra biológica, permitindo às biomoléculas conservar sua forma natural inclusive no vácuo.

Os cientistas
Nascido em 1942 na Suíça, Dubochet é professor honorário de Biofísica na Universidade de Lausanne; seu colega Frank nasceu em 1940 em Siegen (Alemanha) e trabalha na Universidade de Columbia de Nova York, e Henderson, nascido na Escócia em 1945, é professor de Biologia Molecular na Universidade britânica de Cambridge.

O prêmio é de 9 milhões de coroas suecas (equivalente a cerca de R$ 3,4 milhões), a ser dividido entre os premiados, depois que este ano a Fundação Nobel aumentou esse valor pela primeira vez em cinco anos.

Ao longo desta semana, a Academia Sueca anunciou os vencedores do Nobel de Medicina e também de Física. Amanhã será divulgado o nome do vencedor do Nobel de Literatura, e na sexta-feira o Nobel da Paz; o ganhador do Nobel de Economia será conhecido na próxima segunda-feira.



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CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS - Antonio Lourenço de Andrade Filho


Chuva das Águas nas Caatingas



Naquele instante, olhando na vastidão do horizonte, montanhas!
Vislumbrando contornos, só alcançado pelos pássaros que vivem naquele lugar.
Local de difícil acesso
Mistérios que a vida contempla
Lançando-me perguntas difíceis de responder.
Perplexo, diante de tal majestade.
Simbolizando a grandeza do criador
Mas, herança que nos foi dada.
E que a tudo devemos fazer
Para que outros, no futuro a contemplem também.

Enquanto nuvens carregadas passam, levadas pelos ventos do Norte.
As cigarras cantam ruidosamente, anunciando que algo vai acontecer.
Pássaros emudecem, num gesto de respeito, segurando o seu canto para depois.  
Uma rã coaxa no gravatá, anunciando que poderá chover.
Dizer dos mais velhos
Observando ao redor, formigas apressadas, aos milhões.
Parecem mudar, prevendo talvez que aquele local não seja seguro.

O sol brilha e esquenta a terra que já está ressequida
Morta de sede, rachada, o calor incomoda.
Num ato de sobrevivência, a vegetação seca parece hibernar.
Garranchos secos parecem mortos, adormecidos.
Cantando uma musica o vento e espalha folha secas
Que estalam deslizando pelo chão
Um redemoinho levanta pequenos ciclones, que parecem levá-las para passear.
Até muito alto e descem flutuando por todo lado

Quem está descansando, após um árduo dia de trabalho
Naquele instante, só ouve o zumbido de uma mosca verde
Que insiste em dar voos rasantes em sua volta
Queimou goivaras no sol escaldante, fumaça que desapareceu no horizonte.
E olhando na imensidão daquele lugar!
Imagina a plantação que acabava de fazer
Lavrou o solo, jogou a semente, o suor derramou.
Agradecendo num gesto solene
Tirou o chapéu
Olhou para cima, estendeu o braço!
Reverencia, pedindo a proteção do Senhor.

Mês de setembro, inicio da primavera, hora de renascer.
Nuvens se aproximam ameaçadoramente
De repente um estrondo, trovões rugem na vastidão das montanhas
O céu parece rachar e rasgar
Uma luz corta o ar, desce para fertilizar a terra
Pingos fortes descem sucessivamente, vão se chocando ao solo
Uma ventania parece levar tudo, e passeia fortemente dentre as arvores
Retorcendo-as e quase as levando de encontro ao solo
Folhagens, quebra de galhos, arvore quebradiças
Açoitadas pelos ventos fortes, que esborrifam água
Por todo lado, num cenário ameaçador

Passando o primeiro momento, o céu se deságua em cortinas de chuva
Inundando tudo. Agora cai mansa insistente
A noite, através do velho telhado
Vêem-se os clarões
A chuva avança na madrugada
As águas derramam na bica transbordando os tanques
Que logo se trasbordam as fenda
Que transbordam os córregos
Que transbordam o lago
E descem para o rio, que ruge em direção ao mar
Levando entulhos, troncos, e descem as águas
Caudaloso rio, quebrando barrancos, lambendo as rochas
Espumando, das águas barrentas
Algum tempo depois, não sei quanto tempo
Não sei se horas, se dias, se meses
Só sei que a vida brota, o verde aparece, as folhas e as flores orvalhadas
Enfeitam as arvores que renascem
Outro anoitecer, vaga-lumes piscando na noite
Coaxar de sapos nas lagoas, tamborilando de diversas maneiras para o acasalamento
Na madrugada o corujão com seu canto misterioso
Transforma a noite num cenário de ilusões

Numa manhã, o solo devolve as nuvens
Que parecem brotar das montanhas na vastidão do horizonte
Levando-as de volta para o céu
O sol acorda com um brilho diferente
Lançando os seus raios dourados na manhã
Os pássaros cantam, os animais nascem sadios
As abelhas e borboletas perpetuam as espécies
Com o néctar retirado das flores
Como a beija-flor solitário, que com seus silvos anuncia sua presença
E logo some velozmente à procura de novas flores

Os lagos,  os rios agora enfeitados de linda vegetação
Renascem apresentando toda a beleza de plantas aquáticas que florescem
E aves que passeiam com suas longas pernas em busca de alimento para seus filhotes
As libélulas voam sob a água, dando toques sutis
Até o solitário gavião, espreita encima do galho seco, toda aquela beleza
Assim sim, assim foi... assim será... Será?
E nós? Será que nós não sabemos?
Que de onde nós viemos...
Que se a natureza não preservar
O futuro parece parar
Num curto espaço de tempo
Quem sabe
Amanha nada disso haverá?


Antonio Lourenço de Andrade Filho

 Este poema retrata a alegria de viver na Caatinga, que depois de grande jornada de seca, de repente renasce transbordando de beleza em todo o seu esplendor na época das chuvas das águas, e só quem vive lá é que conhece o verdadeiro significado das chuvas e da preservação ambiental, não só de seu bioma, como também do seu povo e de seus costumes, que de maneira cruel, vão se esgotando os recursos naturais e pondo em risco toda a biodiversidade local.
Jequié
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Comentário: 

 Amigo Antonio Lourenço, sinto o tamanho da sua ternura,  seu conhecimento, compromisso, e  amor pelo meio ambiente... E fico a pensar como seria diferente a vida se políticos, governantes, universidades, jornalistas, emissoras de comunicação, redes sociais e demais formadores de opinião no mundo inteiro pensassem e agissem como você. Ao ler este teu poema ecológico CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS percebo extasiada a explosão da vida que teima em renovar-se apesar do homem. Para logo quedar-me estarrecida a partir do verso:  Assim sim, assim foi... assim será... Será?



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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

04/10 – DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS... Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
04/10 – Dia de São Francisco de Assis...


Celebre uma vida santa,
Sem mágoas, na luz, sem risco,
E neste fervor que encanta,
A tempestade é chuvisco;

Não deixe meu irmão, jamais,
A proteção do aprisco,
Como o povo de Assis
Instruído por Francisco;

Praticando a mansidão,
Que ele ensinou e quis
Seja grande à imitação
Do pequenino de Assis!...

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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