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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

HISTÓRIAS DE AMOR, por Geraldo Carneiro

Histórias de amor


Perguntaram a uma menina inglesa se ela conhecia Shakespeare e, caso o conhecesse, quais eram suas peças favoritas. A menina respondeu que eram duas: “Uma, Romeu; a outra, Julieta.”

O desencontro trágico de dois namorados cujas famílias são rivais não é apenas uma história bem arquitetada: é uma história universal. Pode se passar em lugares tão estranhos como Cabul, Istambul ou Rio Grande do Sul.

Nem todo mundo sabe, contudo, que Shakespeare não inventou a trama: ele a adaptou de um poema inglês, que se baseou num texto francês, que era a adaptação de um conto italiano, escrito por Luigi da Porto. Que, por sua vez, se inspirou em textos anteriores. Em suma, parafraseando o filósofo Chacrinha, quase nada se cria, quase tudo se copia.

Shakespeare, no entanto, compreendeu a força dramática do conto.
Reproduziu a trama nos mínimos detalhes e ainda teve o cuidado de mudar o sobrenome de Julieta para Capuleto, e não Capeletti, como em da Porto, o que a tornaria demasiado comestível. Já imaginou uma heroína chamada Julieta Capeletti?

A grande sacada de Shakespeare foi escrever os três primeiros atos de “Romeu e Julieta” como uma comédia romântica, tendo ao fundo a guerra pelo poder entre as famílias de Verona. As falas dos asseclas dos Capuletos e Montéquios parecem extraídas de um filme do Tarantino. Essa violência serve como contraponto para o trunfo maior de Shakespeare: as palavras de amor. Romeu se esconde diante do balcão de Julieta. E ao vê-la, diz para si mesmo:

Romeu: “Que luz é essa que irrompe na janela?
Será o nascente, e Julieta é o sol?
Levanta, sol, e mata a lua ciumenta,
Que já está pálida com a dor da inveja
Por seres tão mais bela do que ela.
E Julieta, ainda sem vê-lo, sonha em voz alta:
Julieta Ó Romeu, Romeu... Por que és Romeu?
Nega teu pai, recusa esse teu nome;
Senão, é só jurar-me o teu amor,
E eu já não mais serei uma Capuleto.”

Romeu escuta as palavras de Julieta e, quando ela confessa seu amor por ele, se revela para a amada. Julieta, entre a perplexidade e o êxtase, se declara. Só faz uma pequena restrição:

Julieta: “Embora eu tenha em ti minha alegria,
Não me alegra essa aliança em meio à noite,
Tão brusca, repentina e tão imprevista,
Como um relâmpago que logo apaga
Antes que alguém proclame a sua luz.
Boa noite, amor. Que o sopro do verão
Transforme esse botão de amor em flor
Quando nos encontrarmos outra vez.
Boa noite, e que tenhamos toda a calma
Tanto em teu coração quanto em minha alma.”

Como todos sabem, os dois se casaram em segredo e foram felizes por três dias. Dirá você que a felicidade não durou muito. Pois é.
Mas três dias de amor já são um pouquinho de eternidade.

O Globo, 17/09/2017

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Geraldo Carneiro - Sexto ocupante da Cadeira 24 da ABL, eleito em 27 de outubro de 2016, na sucessão de Sábato Magaldi e recebido em 31 de março de 2017 pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A GRANDIOSIDADE DE DEUS – Mirian Warttusch

A Grandiosidade de Deus


Diante de uma frondosa árvore, me ajoelhei...
E para Ti, meu Pai, frente à natureza então orei...
Te agradeci por tanta e tão linda suntuosidade,
Em tudo estás... em tudo vejo a Tua Santidade!

Parece orar comigo, a natureza, agradecida...
No seu orvalhar, eu diria que chora,  comovida...
Como se fossem bênçãos  de Tuas Mãos,  a irradiar,
O sol nascendo, resplandece, com seus raios a brilhar!

Tamanha paz me invade quando venho aqui, orar,
E frente à Tua natureza,  Contigo me encontrar.
É tão grandioso me sentir invadido pelo Teu amor!
Como é pequeno o homem, diante de Ti, Senhor!


Mírian Warttusch

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DE PRIMAVERA E ÁRVORE - Eglê s Machado

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De Primavera e Árvore...

A PRIMAVERA é cantiga
De flores em profusão;
Pela  ÁRVORE que me abriga,
Aos céus  minha GRATIDÃO!


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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INÚTIL BIBLIOTECA MUNICIPAL – Cyro de Mattos

Inútil Biblioteca Municipal
                      Cyro de Mattos

            O livro é esse amigo que está sempre pronto para dizer que  na sua companhia  a vida fica melhor  pensada, sentida,  esquecemos até a morte. O lugar de guardar esse amigo precioso é na biblioteca, que pode ser particular, comunitária ou pública. É lá que se preserva nossa memória. O livro é a abertura do mundo, a biblioteca o mundo onde estamos e somos.
 
            Penso que a  biblioteca pública hoje presta um papel fundamental à comunidade na formação do conhecimento. É espaço para atuar na produção de novos valores, possibilitando o crescimento das pessoas.  Daí não se poder aceitar  mais a biblioteca pública como apenas um espaço de leitura e pesquisa. Mais que isso, deve empreender atividades que sirvam à comunidade como aprendizado e conhecimento da vida. Você concorda comigo? Deve funcionar  como o cérebro, o coração e o pulmão de uma sociedade ou instituição,  constituindo-se no mais valioso patrimônio, no maior e mais caro laboratório implantado para a formação de cidadãos  e  a qualificação do futuro de um país.
 
           Não é o que acontece com a Biblioteca Municipal da Itabuna, cidade onde  donde nasci e resido. Com mais de duzentos mil habitantes, além de celeiro de escritores e artistas, a cidade  possui uma rede numerosa  de estabelecimento de ensino, que alcança   escolas em nível  primário e secundário, curso científico e técnico, faculdades e universidades. Tem na  Biblioteca Municipal
Plínio de Almeida o espaço indicado para funcionar  como guardião de livros e documentos,  centro de pesquisas e leituras. Esse espaço, longe do ideal,  vem sendo reduzido pela Câmara de Vereadores,  que de vez em quando por lá  aparece e lhe toma um bom pedaço.  Alega-se, a cada investida, sem qualquer constrangimento ou argumento plausível,   que é preciso  ampliar o espaço físico da Câmara de Vereadores em face das demandas. Não bastasse, durante décadas,  a casa do legislativo municipal  ocupar o prédio que pertence ao patrimônio da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania.  E, pasmem os céus, não  paga nada pela ocupação indevida.
  
        Há muito tempo qualquer  biblioteca pública  que se preze  tornou-se   um centro de conhecimento,  proporcionando seu espaço   à comunidade meios de   acompanhar a evolução do mundo. Se um país se faz com homens e livros, como disse Monteiro Lobato, o que se  espera de uma biblioteca pública condigna  é que seja dirigida por um técnico com nível universitário, como determina a lei, equipe modernizada e acervo atualizado. Cabe ao gestor municipal do  setor cuidar desses elementos para que esse  espaço seja intenso e melhor frequentado. Com oficinas criativas, comemorações de datas especiais,  leitura compartilhada de obras infantis e juvenis,  lançamento de livro, teatrinho  e  contação das mais belas histórias, uma biblioteca pública poderá desenvolver uma agenda cultural significativa, não é mesmo?
   
         Na situação precária em que se encontra, acervo pequeno, desatualizado, corpo de funcionário distante da realidade,  espaço físico reduzido, baixa frequência, o  quadro da biblioteca pública de minha cidade dá pena a quem tem  um pouco de amor pela casa onde mora o amigo livro.
        

         Cyro de Mattos é escritor e poeta. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Publicado nos Estados Unidos, Dinamarca, Rússia, Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor  Honoris Causa da UESC.  


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FEST NATAÇÃO NO COLÉGIO CISO ITABUNA: 23/09

Parque Aquático do Colégio CISO em Itabuna.

Colégio CISO sedia 3ª etapa do Fest Natação em Itabuna

Quem quer ver gente saudável e bonita desfilando e competindo não pode perder esse evento: 9º Fest Natação / 9º Encontro Letícia Brandão. Em sua 3ª etapa anual, o maior encontro dessa modalidade na Bahia acontece a partir das 13h00 deste sábado, 23/09, no Parque Aquático do Colégio CISO em Itabuna.

Atletas nacionais de ponta, além de outros nomes de destaque na Bahia, já confirmaram presença. Cidades como Vitória da Conquista, Ilhéus, Jequié, Camamu, Ubaitaba estarão presentes. E da cidade anfitriã, Itabuna, participarão as escolas de natação da AABB, CISO e Pingo d’Água. Haverá disputas nas seguintes modalidades:

Nado Crawl (livre)
Nado de Peito
Nado Medley
Revezamento

No dia (23) do Fest Natação a entrada no CISO é gratuita para todos que quiserem assistir às competições. O colégio dispõe de serviços de bar e lanchonete no Parque Aquático. Seu endereço: Rua Francisco Ferreira (travessa da Av. Juracy Magalhães) nº. 76, bairro de Fátima, Itabuna/BA. Telefone: (73) 3613-9035 (Oi fixo).


Contato – Joceone Reis: (73) 9.8818-8533 (Oi) / (73) 9.9133-6475 (Tim).

Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 9.9133-4523 (Tim) / (73) 9.8877-7701 (Oi)

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SEXTA SUPER MUSICAL DA AABB É COM JORGE CARDEAL

Jorge Cardeal (centro): agora o show é na Cabana do Tempo.

Próxima atração de sexta na AABB: Jorge Cardeal

Não só os sócios, mas todos que gostam de boa música têm acesso free na noite de 22/9 na AABB Itabuna. É a Sexta Super Musical, com os hits nacionais e internacionais de Jorge Cardeal na Cabana do Tempo, espaço que já se firmou como o pointmusical da cidade. E que ainda é o único programa que se pode fazer à noite levando as crianças, já que elas têm um parque bem equipado e muita área verde para brincar em volta da Cabana.

O espaço conta com bar e restaurante próprios do clube. Nas mesas são servidos tira-gostos, bebidas prontas e preparadas na hora por equipes de cozinha/bar e garçons.

Nestes chamados tempos de crise, a economia conta muito para quem curte a AABB: a casa não cobra couvert artístico nem 10% de gorjeta. “No custo/benefício, é o lugar que tem mais vantagem”, garante a presidente Maruse Dantas. Ao que o vice-presidente social Raul Vilas Boas acrescenta: “É por essas e outras que as noites de sexta estão cada vez mais concorridas na Cabana”.

Quem vem do litoral chega ao clube pela Av. Juracy Magalhães, Ponte Nova, Vila Zara. E quem vem do interior, pela Beira-Rio, Shopping e bairro Conceição. O endereço da AABB Itabuna é Rua Espanha s/n – São Judas. Telefones: (73) 3211-2771 / 3211-4843 (Oi fixo).

  
Contato – Raul Vilas Boas: tels. (73) 9.9112-8444 (Tim) / 9.8888-8376 (Oi)


Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: tels. (73) 9.8877-7701 (Oi) / 9.9133-4523 (Tim)

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ARTISTAS ENGAJADOS E PROCURADORES JACOBINOS: UMA MISTURA EXPLOSIVA!

19 de setembro de 2017
Caetano Veloso e Deltan Dallagnol 
– Leo Aversa/Pablo Jacob / Divulgação/Agência O Globo

Leio no GLOBO sobre o dia em que Caetano Veloso recebeu em casa o procurador do powerpoint. Quer dizer que Paulinha faz canapés na Vieira Souto e não me convida? Eu, que sou o biógrafo oficial da esquerda caviar? Os radicais chiques de Nova York ao menos convidavam Tom Wolfe. Mas ingratidão à parte, acho que ficou ruim foi para quem foi convidado, e aceitou. O caso do convidado de honra, claro, procurador Dartagnol, quer dizer, Dallagnol. Seguem alguns trechos:

Empratados de comida nordestina, canapés, vinho, água e coca-cola embalaram um improvável encontro há quatro semanas no apartamento de Caetano Veloso de frente para o mar na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, no Rio. O compositor recebeu para uma conversa sobre política um dos mais comedidos integrantes da força-tarefa Lava-Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol.

O encontro, que parece saído de uma canção tropicalista, foi “quase clandestino”, na definição do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), responsável por levar o procurador à casa de Caetano e Paula Lavigne. Desde o primeiro semestre ela tem promovido bate-papos reunindo artistas e políticos para discutir a conjuntura brasileira. São convidados desde gente mais identificada com a esquerda a grupos mais à direita, com o intuito de vencer diferenças e fortalecer uma pauta comum.
 […]
Na conversa, falou-se sobre a percepção de que a Lava-Jato tinha como alvo apenas o PT. Deltan lembrou de que a mesma força-tarefa prendeu Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e inevitavelmente tem atuação limitada em relação a políticos com foro privilegiado.

— O MPF tá ocupando um papel que tem de cumprir, atacando à esquerda e à direita. Ser crítico hoje ao MPF é estar aliado ao que há de mais atrasado na política brasileira – diz Randolfe, que nos encontros tenta, segundo ele, “traduzir um pouco das loucuras que se passam em Brasília, o significado das coisas”.
 […]
O GLOBO perguntou a Caetano se suas percepções iniciais sobre a Lava-Jato se mantiveram depois do encontro, e o que o unia e o afastava, hoje, do “procurador do powerpoint”.

Caetano respondeu com um artigo, no qual menciona os acordos de leniência como “modificadores do capitalismo brasileiro” e alerta para a necessidade de evitar que “movimentações importantes não venham a servir à manutenção das nossas desigualdades”.

 Deltan não quis dar entrevista.

No fim do seu texto, o compositor cita a desigualdade e a corrupção como ideias em campos diferentes. De fato, os malfeitos com dinheiro público parecem ter ocupado todos os espaços da agenda pública dos últimos anos. E a preocupação com a desigualdade perdido a vez. Mas que Deltan não lhe ouça. Para o procurador, a corrupção está para a desigualdade como dois e dois são quatro.

Ou seja, o procurador das redes sociais ainda levou uma espécie de pito do anfitrião, por pegar demais no pé do PT. E claro, é preciso deixar bem claro que não há tal viés, que outros também foram presos ou acusados (porque preso o condenado Lula ainda nem está, não se sabe bem o motivo).

É a turma que não é “nem de esquerda nem de direita”, e só quer combater a corrupção, em abstrato, mas nunca punir os corruptos de carne e osso, especialmente se forem de esquerda. As máscaras dessa turma vão caindo uma a uma. As pretensões políticas vão ficando mais claras. Assim como os companheiros políticos, o pessoal que joga a rede para pescar “isentões” que até ontem defendiam o PT.

Eu gostaria de fazer uma só pergunta ao procurador com viés jacobino: o que ele acha disso aqui?

Será que a função de procurador combina com a de artista engajado que banca o revolucionário contra o “sistema”, posando inclusive de black bloc em apoio aos vândalos baderneiros que colocam máscaras e saem por aí depredando patrimônio público, quando não matando inocentes?
Sobre isso tudo, sobre os ícones da esquerda caviar, sobre os “igualitários” do Projaquistão, só tenho uma coisa a dizer:

E ainda tem quem caia nessa?

Rodrigo Constantino



RODRIGO CONSTANTINO
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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