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segunda-feira, 12 de junho de 2017

SÉRIE “MPB NA ABL” DE JUNHO APRESENTA O SHOW ‘TOM: O VOO LIVRE DE UM PÁSSARO BRASILEIRO”

A série “MPB na ABL” de junho apresenta, na Academia Brasileira de Letras, o show “Tom: o voo livre de um pássaro brasileiro”, Jobiniando – Orquestra Carioca de Choro, com Marinho Boffa (piano e arranjos) e Marcos Sacramento (voz). A produção é de Didu Nogueira e contará com as participações dos músicos Afonso Machado (bandolim, arranjos e direção musical), Tiago Machado (violão), Alceu Maia (cavaquinho), Zé Luis Maia (contrabaixo), Dirceu Leite (sopros) e Georgia Câmara (bateria). Entrada franca.

A Orquestra Carioca de Choro (OCC) foi criada para apresentar as muitas formas de se interpretar o choro. Segundo o produtor Didu Nogueira, “o virtuosismo dos instrumentistas, bem como a capacidade de improvisação dos executantes, é a característica determinante e diferenciada na execução do Choro. A OCC tem uma formação all stars, com um repertório que passeia entre Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Sivuca, Dominguinhos e Tom Jobim, entre outros”.

De acordo com os críticos, Marcos Sacramento tem o poder de emocionar o público e é, por muitos, considerado um cantor completo. Em seu último álbum, “Autorretrato”, o cantor e compositor realiza uma retrospectiva de seus principais sucessos e “entrega sua voz ao público”. “Um cantor moderno, capaz de incorporar todas as conquistas dos que o precederam e acrescentar suas próprias bossas “, disse dele o jornalista Ruy Castro.

Maestro, pianista, compositor e arranjador, Marinho Boffa participou de cinco edições do Free Jazz Festival, ao lado de Antonio Adolfo, Raul Mascarenhas, Mauro Senise, Nico Assumpção e Ricardo Silveira. Sua carreira internacional conta com shows no Japão, em quatro edições dos Encuentros Internacionales de Jazz de Radio Clasica. 
Realizou três concertos com a Orquestra Sinfônica da Universidade do Chile, tocando obras de sua autoria. Diretor musical e arranjador de Joe Vasconcellos, com quem participou do Festival Internacional de la Canción de Viña del mar, e em mais de 50 concertos no Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia e República Dominicana. Fez as orquestrações das músicas de Luiz Avellar para o filme “Tainá 3 – A origem” e regeu a Orquestra Nacional de Praga, durante as gravações. Realizou palestras de música popular e clássica no Projeto Concertos do Nordeste.

Repertório: Wave, (Tom Jobim); Sabiá (Tom Jobim/Chico Buarque); Eu te Amo (Tom Jobim/Chico Buarque); Chovendo na Roseira (Tom Jobim); Flor do Mato (Tom Jobim); Falando de Amor (Tom Jobim); Janelas Abertas (Tom Jobim/Vinicius de Moraes); Modinha (Tom Jobim/Vinicius de Moraes); Luiza (Tom Jobim); Insensatez (Tom Jobim/Vinicius de Moraes); Corcovado (Tom Jobim); Foi a noite (Tom Jobim/Newton Mendonça); Dindi (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira); Triste (Tom Jobim); Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinicius de Moraes); Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes).

07/06/2017



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ORAÇÃO - Wagner Albertsson

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ORAÇÃO
  

MEU DEUS, EM NOME DE JESUS,
OBRIGADO POR ESTE DIA
QUE RENASCE.
QUE HOJE SEJA UM DIA MARAVILHOSO
PARA MIM E PARA TODOS
QUE  ACREDITAM VERDADEIRAMENTE
EM TI, OH JEOVÁ.
QUE EU SEJA ÚTIL PARA ALGUÉM
TANTO EM PALAVRAS QUANTO EM AÇÕES.
FAÇA-ME CADA DIA
SER UMA PESSOA MELHOR
E PERDOE AS MINHAS FALHAS
E PECADOS,
POIS CONTINUO SENDO 100% CARNE
DIANTE DOS TEUS OLHOS SANTOS.  



WAGNER ALBERTSSON

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CERRADOS E CACAUAIS – Sonia Coutinho

Cerrados e Cacauais


            O ônibus freia bruscamente, parece que um animal atravessava a estrada, em meio à escuridão. Alguns passageiros acordam, estremunhados, mas Renato não tinha conseguido dormir um só instante, a mente girando um carrossel de recordações cada vez mais antigas.

            Os primeiros tempos na cidadezinha onde nasceu, quando a Segunda Guerra Mundial estava pela metade. Sua família tinha um rádio e, quando o conflito terminou, todos saíram correndo e gritando pelas ruas. A guerra, para eles, era uma coisa distante, quase inverossímil, mas, agora que tinha acabado, sentiam que uma nova era ia começar. Aquela noite, em comemoração, foram acesos muitos fogos de artifício.

            Talvez seja essa, pensando bem, imagina Renato, a única lembrança de alegria coletiva daquele período. O resto são visões sombrias, uma pequena cidade cercada de florestas, onde o índio continuava uma presença misteriosa e ameaçadora, coisa atemorizante se inserindo no cotidiano das pessoas, como se todos esperassem um ataque iminente, mas sempre adiado.

            Já menino de sete ou oito anos, quando sua família se mudou para a capital do Estado, reencontrou aquela região – a Região Cacaueira – na psicologia de todos os seus parentes. Aquele sentido trágico e fatalista da vida, resultante, segundo concluiu, da imprevisibilidade das safras, das possíveis pragas, o preço do cacau, decidido sempre em outra parte (fatores internacionais de mercado etc.), tudo  coisas completamente incontroláveis e remotas para os moradores da região. Que, às vezes, estavam bem de dinheiro só para, poucos meses depois, quase mendigarem alguma coisa para comer. Tinha chovido demais, dera a mela, a podridão parda, a safra estava inutilizada. O peso da Moira, como na mitologia grega.

            Fora isso, tudo que conseguia lembrar-se daqueles primeiros anos da sua vida eram cenas disparatadas e dispersas – a mulher-aranha de um espetáculo circense, a avó espírita que “dava passes” e “recebia o caboclo”. Além de recantos escuros, muitos recantos escuros,  uma escuridão vinda de sob as árvores de grande floresta que abrigava os cacaueiros.


(“O JOGO DE IFÁ”)

Sonia Coutinho
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Sônia Coutinho nasceu em Itabuna, em 1939, e era filha do poeta simbolista Nathan Coutinho (1911-1991). Teve 11 livros publicados e traduziu outros 3.

Seu primeiro livro, "O Herói Inútil", foi lançado em 1964, em Salvador, pela Editora Macunaíma. Romancista, contista e tradutora, Sonia ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 1979, com "Os Venenos de Lucrécia", e em 1999, com "Os Seios de Pandora".

Em 2006, a escritora recebeu o Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional, para o melhor livro de contos com "Ovelha Negra" e "Amiga Loura". Entre outros títulos da autora, destaque para "Uma Certa Felicidade", "Mil Olhos de Uma Rosa" (2001), "O Caso Alice" (1991) e "O Jogo de Ifá" (2001).

Em 1994 ganhou o título de mestre em teoria da comunicação com a tese-ensaio "Rainha do Crime — Ótica Feminina no Romance Policial”.

Faleceu  no dia 24 de agosto de 2013.

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‎ DIA DOS NAMORADOS – Oscar Benício dos Santos


Dia dos Namorados

“Romeu – Senhora, eu juro pela lua que prateia o arvoredo 

Julieta - Não jure pela lua, que é inconstante e muda todo mês...” *

  
Esses velhos namorados

também guardam o seu Dia,
embora agora casados
ou viúvos, todavia. 

Pois ainda são amados

e o amor não os sacia,
só querem ser bafejados
por ele, que os vigia. 

Santo Antônio de Lisboa,

casa a moça e a “coroa”,
sem nenhuma distinção. 

Protege a união dos casados

e torna os viúvos alados
– pra que voem à paixão!


*Shakespeare


Oscar Benicio Dos Santos

Faz. Guanabara


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domingo, 11 de junho de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - As sem-razões do Amor

As sem-razões do Amor


Eu te amo porque te amo.
Não precisa ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem ( e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade



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RECORDAR ONTEM NA CAMINHADA CERTA (ACRÓSTICO) – Por Rute Caldas

Imagem: Fotomontagem ICAL
 Recordar ontem na caminhada certa

             (Acróstico) 

Recordar o passado
Antes de tudo é
Uma ótima lembrança
Linda e eterna!


Onde aprendemos a
Ter na mente,
Apenas a saudade,
Vivendo o presente
Imposto pela ausência
Onde supera a recordação.


Não desprezando o presente


Caminhamos na esperança de
Alcançar a certeza de um
Lindo futuro sem
Despertar a inquietude de
Alienar as nossas mentes,
Sentindo o próprio presente.


Caminhando conosco,
Onde nós formos e
Realizando a tarefa de
Trazer sempre a
Esperança de um futuro
Sem rancor e discórdia!...

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“De Rute Caldas
Inspirado pela pessoa que muito te amou:
TUA MÃE.” 
Vem aí “A História de Rute”.


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JUNHO - MÊS DE MACHADO DE ASSIS (V)


O Empregado público aposentado


Os Egípcios inventaram a múmia para conservarem o cadáver através dos séculos. Assim a matéria não desapareceria na morte; triunfava dela, do que temos alguns exemplos ainda.

Mas não existiu só lá esse fato. O empregado público não se aniquila de todo na aposentadoria; vai além, sob uma forma curiosa, antediluviana, indefinível; o que chamamos empregado público aposentado.

Espelho à rebours, só reflete o passado, e por ele chora como uma criança. É a elegia viva do que foi, salgueiro do carrancismo, carpideira dos velhos sistemas.

Reforma, é uma palavra que não se diz diante do empregado público aposentado. Há lá nada mais revoltante do que reformar o que está feito? Abolir o método! Desmoronar a ordem!

Atado assim ao poste do carreirismo, eterno lábaro do que é moderno, o empregado público aposentado é um dos mais curiosos tipos da sociedade. Representa o lado cômico das forças retroativas que equilibram os avanços da civilização nos povos.

É o tipo que hoje trago à minha tela. São variáveis o caráter e a feição desta individualidade, mas eu procurarei dar-lhe os traços mais finos, os mais vivos.

Conceber um aposentado sem caixa de rapé é conceber o sol sem luz, o oceano sem água. Uma pertence ao outro, como a alma pertence ao corpo; são inseparáveis. E têm razão! O que vale uma caixa de rapé, não o compreende qualquer profano. É o adubo oportuno de uma conversa árida e suada sobre qualquer reforma de governo. É o meio de conhecimento com um potentado de quem se espera alguma coisa. É a caixa de Pandora. É tudo, quase tudo.

E não parece. Aquele utensílio tão mesquinho, em outro qualquer, está circunscrito na estreita esfera do nariz; nas mãos do aposentado, transforma-se; em vez de se transformar o depósito de um vício, torna-se o instrumento de certos fatos políticos que muitas vezes parecem nascer de causas mais altas.

Este prestígio do empregado público aposentado não para só na caixa, estende-se por todos os acessórios daquele curioso indivíduo. Na gravata, na presilha, na bengala, há certo ar, uma nuança especial, que não está ao alcance de qualquer.
Ou natureza, ou estudo, a aposentadoria traz ao empregado público esses dotes, como um presente de núpcias.

Ora, apesar deste metódico das formas, não estão limitadas aí as vistas do aposentado. Há naquele cérebro alguma finura para se não entregar exclusivamente a essas ninharias. E a política? A política lá o espera; lá o espera o governo; lá o espera o teatro, as modas, os jornais, tudo o espera.

Não é maledicente, mas gosta de cortar o seu pouco sobre as coisas do país. Não é um vício, é uma virtude cívica: o patriotismo.

O governo, não importa a sua cor política, é sempre o bode expiatório das doutrinas retrógradas do empregado público aposentado. Tudo quanto tende ao desequilíbrio das velhas usanças é um crime para esse viúvo da secretária, arqueólogo dos costumes, antiga vítima do ponto, que não compreende que haja nada além das raias de uma existência oficial.

Todos os progressos do país estão ainda debaixo da língua fulminante deste cometa social. Estradas de ferro! É uma loucura do modernismo! Pois não bastavam os meios clássicos de transporte que até aqui punham em comunicação localidades afastadas? Estradas de ferro?

Desta sorte todas as instituições que respiram revolução na ordem estabelecida das coisas — podem contar com um contra do empregado público aposentado. Este meio mesmo de retratar a pena, como faço atualmente, revoltaria o espírito tradicional da grande múmia do passado. Uma inovação de mau gosto, dirá ele. É verdade; não representa apenas a superfície da epiderme, vai às camadas mais íntimas da matéria organizada.

O empregado público aposentado poderá deixar de comer, mas lá perder um jornal, lá perder um jubileu político ou sessão do parlamento, é tarefa que não lhe está nas forças.

O jornal é lido, analisado com toda a finura de espírito de que ele é capaz. Devora-o todo, anúncios e leilões; e se não vai ao folhetim, é porque o folhetim é frutinha do nosso tempo.

No parlamento, é um espectador sério e atencioso. Com a cabeça enterrada nas paredes mestras de uma gravata colossal ouve com toda a atenção, até os  menores apartes, vê os pequenos movimentos, como profundo investigador das coisas políticas.

Ao sair dali, o primeiro amigo que encontra tem de levar um aguaceiro de palavras e invectivas contra a marcha dos negócios mais interessantes do país.

De ordinário o aposentado é compadre ou amigo dos ministros, apesar das invectivas, e então ninguém recheia as pastas de mais memoriais e pedidos. Emprega os parentes e os camaradas, quando os emprega, depois de uma longa enfiada de rogativas importunas.

É sempre assim!

No sarau o empregado público aposentado é pouco cortês com as damas; vai procurar emoções nas alternativas de um lindo baralho de cartas. Mas para não faltar ao programa, lá vi tachando de imoral aquele divertimento que tanto dinheiro absorve; fica-lhe a consciência.

Onde poderemos encontrar ainda o aposentado? Ele vai por toda a parte onde é lícito rir e discutir sem ofensa pública.

O leitor conhece decerto a individualidade de que lhe falo, é muito vulgar entre nós, e de qualidades tão especiais que a denunciam entre mil cabeças. Que lhe acha? Quanto a mim é inofensiva como um cordeiro. Deixem-no mirar-se no espelho dos velhos usos, falar em política, discutir os governos; não faz mal.

Em uma comédia do nosso teatro, há uma reprodução deste tipo, o Sr. Custódio do Verso e Reverso. Mirem-se ali, e verão que, apesar do estreito círculo em que se move, faz pálidos e mirrados estes ligeiros e mal distintos lineamentos.

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Aquarelas

Texto-fonte:
Obra Completa, Machado de Assis,
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.

Publicado originalmente em O Espelho, Rio de Janeiro, 11 e 18/09 e 9, 16 e 30/10/1859.


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