As trevas de Janete
Brasil 22.02.17
Dilma Rousseff deu uma pedalada nas contas de luz.
E o rombo de 62,2 bilhões de reais terá de ser pago pelos
consumidores nos próximos oito anos.
O Antagonista publicou ontem:
A conta de luz de todos os brasileiro vai ficar mais cara em
7%, em média, neste ano.
O aumento da tarifa, noticia o Jornal Nacional, foi
autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica e servirá para indenizar
as empresas transmissoras de energia, que aceitaram renovar seus contratos de
concessão com o governo, em 2013, de forma antecipada.
O valor total da indenização soma R$ 62 bilhões, que serão
cobrados nas contas dos consumidores durante oito anos, até 2024, portanto.
Em 2012 e 2013, Dilma Rousseff interveio no setor elétrico
com o objetivo de reduzir a tarifa de energia na canetada.
Não deu certo,
claro.
A conta chegou e vai continuar chegando por oito anos.*
Dilma Rousseff é assombrosamente incompetente. Mas o
desfalque no setor elétrico faz parte de seu estelionato eleitoral. Ela apagou
a luz da democracia.
[...]
*Leia mais
“O PT destruiu o setor elétrico”
O
Financista 31.08.16
O Brasil vive uma temporada de rescaldo. Para cada lado que
se olha, encontram-se ruínas fumegantes de setores atingidos pelas políticas
desastrosas dos governos petistas. Um dos mais afetados é o elétrico,
praticamente quebrado pela intervenção de Dilma, em 2012. “O PT fez uma
política de terra arrasada no setor”, resume Adriano Pires, fundador do Centro
Brasileiro de Infraestrutura. Confira os principais trechos da conversa com O
Financista.
O Financista: O que significa a atual onda de empresas e
ativos à venda no setor elétrico?
Adriano Pires: O setor elétrico foi uma grande vítima
dos governos petistas, a ponto de ter sido praticamente destruído. Basicamente,
o que Dilma quis fazer, com a medida provisória de 2012, foi baixar as tarifas
em um momento de alta dos custos. Depois, quando ganhou a eleição, ela precisou
dizer a verdade: o setor estava quebrado. Veio o tarifaço na conta de luz. Isso
representou, na prática, um racionamento forçado de energia, já que os
brasileiros reduziram o consumo diante do preço alto. Dilma literalmente
desligou o setor elétrico.
O Financista: Como empresas de um setor quebrado podem
atrair compradores?
Pires: Isso depende muito do modelo que o governo Temer
adotará para o setor. Os ativos à venda não são ruins. O que é necessário é uma
política setorial mais pró-mercado.
O Financista: Como?
Pires: Primeiro, mudando a regulamentação das
distribuidoras, que foram as mais penalizadas pela política petista. Também é
preciso criar uma política de venda de ativos da Eletrobras e tornar a Aneel
mais transparente. Outra coisa que devemos considerar é que, nos últimos anos,
a matriz elétrica ficou mais dependente de fontes intermitentes, aquelas que
dependem de algumas condições para gerar energia, como a solar e a eólica. Além
disso, as usinas a fio d´água também transformaram as hidrelétricas em fontes
intermitentes: se há chuvas, temos energia; caso contrário, não. Precisamos
reduzir a dependência em relação ao clima. Para isso, é preciso colocar as
usinas térmica na base do sistema, e não apenas como backup.
O Financista: Mas as térmicas não encarecem a energia?
Pires: No fundo, elas podem ajudar a moderar a tarifa.
Atualmente, elas só são ligadas em caso de escassez de oferta, quando as
hidrelétricas estão com reservatórios baixos. Se elas estiverem na base,
poderão balancear a oferta das hidrelétricas. Além disso, seriam usinas que
consomem gás natural, que é mais barato e bem menos poluente. Outra iniciativa
para baratear a energia é promover leilões regionais, com base nas vantagens
comparativas de cada local: solar, eólica, hidrelétrica, termelétrica.
O Financista: Voltando a potenciais investidores: por
enquanto, só os chineses demonstraram interesse.
Pires: As empresas chinesas são estatais e, portanto,
sua lógica de investimentos é diferente da de empresas privadas. Até ontem, o
Brasil apresentava um elevado risco político, econômico e regulatório. Isso
praticamente proíbe investidores privados de se arriscarem por aqui. Já os
chineses têm outra lógica: eles aumentam seus ganhos com uma estratégia casada
de venda de equipamentos, por exemplo. Agora, com o governo Temer, os
investidores privados devem voltar.
O Financista: Em quanto tempo, o setor pode se recuperar?
Pires: É difícil dizer. Primeiro, porque o PT fez uma
política de terra arrasada no setor. Segundo, porque vai levar tempo para
arrumar tudo. O importante é que o dever de casa começou a ser feito. Se o
governo continuar nesse rumo pró-mercado, acho que já podemos atrair
investidores no ano que vem. O que devemos evitar são as empresas que se
dispõem a trabalhar com “taxas de retorno patrióticas” – aquelas
artificialmente baixas, apenas para promover populismo tarifário. Só dois tipos
de empresas aceitam isso: aquelas que estão lucrando por outros meios, como
vimos com as empreiteiras da Lava Jato, e as aventureiras, que não sabem onde
estão entrando: assumem riscos indevidos, quebram e deixam todos na mão.
* * *
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