21 DE SETEMBRO:
"Dia da Primavera" e "Dia da Árvore"
A PRIMAVERA é Cantiga
De Flores em profusão;
Para a ÁRVORE Amiga
Toda a minha Gratidão
(Eglê S. Machado)
* * *
A Disputa
Cyro de
Mattos
A terra era fértil, o que se plantava vingava com
sobras. Quando havia disputa por um estirão
de terra, a contenda era feroz. “É meu!”, um dizia, “eu descobri primeiro!”,
outro alardeava. Os demais não aceitavam, todos se achavam o protagonista da
façanha.
A refrega começava, os ventos ficavam irascíveis, provocavam
assombros, escombros, feridos e mortos.
Os mais velhos diziam, somente um vai tirar a caça da mata,
quando encontra, abate-a, nem pode comemorar. Aparece muitos como o verdadeiro
caçador. A discussão começa, tomava o formato de disputa ferrenha.
Era sempre assim, depois de morta a caça aparecia era
caçador. O combate se fazia feroz, enquanto a caça apodrecia, e as garras do
ocaso a levavam para fazer reinar o entendimento entre eles.
E as trevas fossem
banidas do coração de cada um deles, em batimentos que levavam para a destruição
de todos os contendores na disputa feia.
Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista,
romancista, poeta e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia
de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de
Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.
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O dia em que apertei a mão da rainha Elizabeth II
Soberana veio ao
Brasil em 1968
Uma das alegrias
que tive como secretário de Ciência e Tecnologia da antiga Guanabara foi ter
apertado a mão da rainha Elizabeth II, na sua única visita ao Brasil, em 1968.
Ela foi recebida no Museu de Arte Moderna, num simpaticíssimo almoço. Esperei
pela soberana do Reino Unido ao lado do colunista Ibrahim Sued, com quem
treinei o clássico 'Nice to meet you'. Ela nos cumprimentou na entrada do
restaurante, sempre sorridente. Da recepção fazia parte o governador Negrão de
Lima, que, como embaixador, tinha todo o traquejo diplomático exigido para
aquelas ocasiões.
Acompanhada do
príncipe Philip, a rainha Elizabeth II tinha uma agenda lotada, em que se
incluíam uma visita ao presidente Costa e Silva e a presença em locais
históricos, como o Monumento do Ipiranga, em São Paulo, e o Mercado Modelo, em
Salvador. Não deixou de afirmar que 'os nossos dois povos estão voltados aos conceitos
básicos de justiça, liberdade e tolerância'.
Em São Paulo,
presidiu a cerimônia de inauguração do Museu de Arte de São Paulo (Masp). No
Rio, esteve no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro, e
prestigiou a Igreja Anglicana, em Botafogo. Visitou o Morro Dona Marta, fez um
passeio de Rolls-Royce pela cidade e compareceu ao Maracanã para assistir ao
amistoso Rio-São Paulo, em que afirmou se sentir muito feliz por cumprimentar o
nosso craque Pelé. No dia seguinte, partiu para a Argentina.
O novo rei inglês é
conhecido pelo seu amor ao meio ambiente. Afirma-se que não é seu propósito
ficar muito tempo no posto, mas isso ainda é uma dúvida. A imagem do rei
Charles III substituirá a imagem da sua mãe nos selos reais e nas notas do
Banco da Inglaterra. As palavras dentro dos passaportes britânicos serão
atualizadas para 'sua majestade' no masculino (em inglês, a expressão tem
gênero e será mudada de 'her majesty' para 'his majesty'). E o trecho do Hino
Nacional que diz 'Deus salve a rainha' será mudado para 'Deus salve o rei'.
O presidente da
França, Emmanuel Macron, afirmou que Elizabeth II manteve a unidade da nação
britânica por mais de 70 anos, superando os limites até da célebre rainha
Vitória. A nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, disse que ela foi
a rocha sobre a qual a nação foi erguida.Apesar das crises internas da família
real, Elizabeth II resistiu até os 96 anos. Em 8 de setembro de 2022, a rainha
morreu no Castelo de Balmoral, na Escócia, numa residência de férias. Na data
da morte, o comunicado feito por meio das redes sociais do Palácio de
Buckingham diz: 'A rainha morreu em paz'. Preservou com brilho a confiança na
monarquia. É claro que deixará saudades.
O Globo, 15/09/2022
https://www.academia.org.br/artigos/o-dia-em-que-apertei-mao-da-rainha-elizabeth-ii
Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18, eleito
em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de
setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo
Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira
de Letras em 1998 e 1999
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Os dados não mentem!
Bolsonaro surpreende o mundo...
Foto Reprodução/Internet
Uma das maiores
dificuldades que temos quando estamos no curso de um processo eleitoral, é
fazer uma distinção entre o "gestor" eficiente e competente do personagem
que é o "candidato".
Ou seja, enquanto o
gestor é um agente político, o candidato é um agente eleitoral, ou seja, um
"ator".
Saber separar um do
outro é fundamental.
Tenho ouvido muito,
sobretudo de algumas mulheres com as quais convivo, que não votam no Presidente
Bolsonaro em razão dele ter um comportamento até certo ponto
"impulsivo" e "grosseiro".
Então, é hora de
fazermos uma leitura para diferenciar as coisas.
O candidato tem
seus defeitos, sim.
Como todos
nós.
Mas se mostra um
gestor talentoso?
Se a resposta for
sim, ou seja, se governa bem, cumprindo os compromissos que assumiu e se
apresenta eficiência e resultados positivos, que influência ou relevância seu
temperamento tem na condução do seu mandato e nos resultados do seu
governo?
A resposta é:
nenhuma!
Inegavelmente o
Presidente Bolsonaro faz uma excelente gestão, com dados que surpreendem o
mundo, tanto na economia como em qualquer dos setores do seu governo.
Basta que
analisemos os números e os dados oficiais.
Então, o fato dele
ser grosseiro ou falar muitas vezes o que não precisa, não tem nenhum reflexo
ou peso na sua capacidade de governar e de comandar sua equipe.
Vamos lá para um
exemplo?
Você tem que escolher
alguém para conduzir seus negócios, dirigir seu carro com sua família dentro ou
cuidar do seu patrimônio.
E os dentre os dois
principais candidatos, um é irresponsável, esbanjador, já foi condenado, é
cachaceiro e bebe em serviço, ladrão e mentiroso. Defende as ditaduras, o
aborto, é niilista.
Mas é um ladrão
simpático que tem o dom de iludir e se cerca de uma camarilha.
Já o outro é
responsável, cuidadoso, honesto, franco, nunca foi condenado, defende a
família, a vida, não rouba, não mente e tem um histórico de bons resultados em
tudo o que faz.
É disciplinado, tem
fé e sabe delegar e escolher bons assessores.
Mas por vezes é
ranzinza e grosseiro.
Quem você
escolheria dentre os dois?
O fato do segundo
não ser simpático, influenciaria sua decisão de eleger o melhor?
Que importância ou
valor tem o seu temperamento nos resultados do seu governo?
A capacidade de
sabermos distinguir o gestor político do personagem eleitoral é fundamental
para o seu e para o nosso futuro.
Pense nisso, pois
na verdade, a relação que vamos ter com o próximo Presidente, não vai ser de
natureza pessoal, já que não vamos conviver com ele nas nossas casas.
Mas as condutas e o
governo dele, sim, entrarão e darão o ritmo nas nossas vidas, todos os
dias.
Cuide para não
eleger um bagaço que seja só um bom malandro e que possa nos jogar literalmente
no mato e arruinar nosso futuro!
Editorialista do Jornal da Cidade Online. Advogado membro do Conselho Gestor da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes, professor, autor de obras na área do direito e literárias e conferencista. @LCNemetz
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Considerações sobre o legado de Jorge Amado
e assuntos da Academia de Letras de Itabuna
Cyro de Mattos
Em Os
saberes nas narrativas de Jorge Amado procuro dar um testemunho crítico sobre o
legado ficcional de Jorge Amado, a exemplo do que fiz com o livro As criações
de Adonias Filho, publicado pela Academia Brasileira de Letras, obra em que
abordo aspectos da ficção adoniana e que recebeu há pouco tempo uma edição
digital pela E. Book Ufba Linguagens, do editor e crítico Cid Seixas.
Concebi o livro em que analiso a obra de
Jorge Amado como incursões que faço na linguagem e no imaginário de um narrador
poderoso, que sabe articular como poucos na trama as marcas da solidariedade,
do saber e do humor, logrando extrair da vida real a esperança e a ternura de
seus personagens, os que vivem como excluídos nas camadas populares. Esse consagrado romancista faz com que as
cenas dramáticas retiradas do plano real apareçam no texto mescladas com um mundo
fantástico cheio de episódios extraordinários. Informo que são incursões essas
realizadas por um ficcionista experimentado, que não usa o achismo para opinar
sobre a ficção de um autor de linguagem sensual, fecunda imaginação, quando
recria a vida com a arte bem-sucedida da escrita, como só poucos sabem
fazer.
Sempre
gostei de crítica e de ensaio literário. Cedo escrevi ensaios divulgados em
revistas e jornais literários importantes.
Com este livro sobre o legado de Jorge Amado alcanço a marca de cinco
livros no gênero ensaio. Sempre soube que para analisar uma obra literária o
autor do texto deve ter instrumental teórico suficiente, intimidade com as
questões estéticas e ser eficiente no julgamento, além de possuir uma boa
cultura literária. No final desse livro
sobre a obra de Jorge Amado, registro alguns autores que me dão suporte na
missão de ensaísta, como Octavio Paz, Ezra Pound, Ítalo Calvino, Kaiser,
E. M. Forster, Emil Staiger, Afrânio
Coutinho e Eduardo Portella, entre outros. Com eles aprendi o que de melhor
deve ser absorvido para se analisar obras de ficção e de poesia escritas por autores representativos.
Junte-se a isso a experiência que tenho como ficcionista, ao longo de mais de
60 anos, o que me faz dotado, permitam-me, de pressupostos e requisitos para escrever
livros de ensaio sobre ficcionistas e poetas expressivos. Diria então que meu
estilo é eclético nesse livro de ensaios sobre a obra amadiana, no qual entram
a compreensão e a abrangência do fazer literário.
Os saberes nas
narrativas de Jorge Amado é um livro editado pela Fundação Casa de Jorge Amado
(Salvador), o prefácio “Cyro de Matos e Jorge Amado: um encontro grapiúna” vem
assinado por Nelson Cerqueira, doutor em Letras, poeta e ficcionista, da
Academia de Letras da Bahia, e o posfácio “Cyro de Mattos pisando chão
verdadeiro” é de Ângela Fraga, escritora e diretora da Fundação Casa de Jorge
Amado. Já escrevi sessenta e dois livros pessoais, de diversos gêneros, como o
conto, romance, crônica, poesia, ensaio e literatura infantojuvenil. Organizei
ainda cinco antologias e cinco coletâneas. Tenho quinze livros publicados por
editoras europeias.
Enquanto
isso, o Hino Oficial da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) tem dois autores.
Marcelo Ganem é o compositor da música, a letra é de minha lavra. A parceria deu-me alegrias, pois Marcelo
Ganem é um dos bons cantores das gentes e coisas da nossa terra, um poeta do
som, alma sensível alimentada de lindas notas líricas. Quanto à minha
participação na elaboração da letra é pela simples razão de querer ser útil
quando faço versos. Daí dizer no final da letra do hino: “Tudo vale/ tudo anda
com Deus/Que nos deu a razão e a emoção/ O sentido de viver com o amor/ Pra
dizer o que vem do coração.”
Sobre a
Guriatã, a revista já se tornou uma marca positiva nas produções da Academia de
Letras de Itabuna pela riqueza de seu conteúdo.
Nesses três números em que funcionamos como o editor da revista, a
maioria dos seus colaboradores foi constituída dos membros da instituição, cada
um deles na afirmação e autonomia de suas qualidades literárias. A revista tem
sido elogiada em importantes ambientes literários, fora da região, e por
escritores de valor indiscutível, como Muniz Sodré, Nelson Cerqueira, Ivo
Koritowsky, Aramis Ribeiro Costa e Gerana Damulakis, entre outros.
Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de
Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia
de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.
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