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segunda-feira, 27 de setembro de 2021


Nota divulgada por Roberto Jefferson:

REFLEXÃO DE UM PRESO POLÍTICO

 

Estou confinado à prisão decretada e à prisão adquirida.

Uma é fruto de atitude arbitrária e autocrática de um ser abominável, O Xandão. A outra é consequência do império das bactérias anaeróbicas que povoam nossas vísceras. Em comum entre as duas prisões são os mandantes; os mandantes originam, simbolicamente, do mesmo lugar um saco de excremento; saco de matéria sólida e fétida a ser excretada pelo organismo humano. Serão excretados.

Vejo numa rebelião doméstica pelo poder dentro do PTB. Há um pequeno grupo, que identifico, vozes mexicanas, paulistanas e alagoanas, tentando desestabilizar a Graci visando o meu lugar. Esquece o grupo de combinar “o jogo com os russos”. Aquela cadeira histórica é maior que a ambição do trio.

Do Samaritano tenho observado a movimentação. Ainda não será dessa vez que eu vou partir. Antes de encerrar a jornada limparei o partido dessas infestações. Tenham certeza. Política não é dinastia. Política não é coronelismo. Política não é esperteza.

Nossa legenda servirá o povo. Servirá pelo poder do amor. Não servirá pelo amor ao poder.

Preparei a Graciela Nievov desde de sua meninice para me substituir.

Ela galgou desde a base, nos movimentos, jovens e da mulher as posições da hierarquia partidária. Ela é cristã, honrada, correta, leal e comprometida com o nosso ideário. Ela está pronta para maiores desafios.

Saibam: Brigou com a Graci brigou comigo.

Enquanto eu estiver preso, desejo constituir uma comissão de veteranos, conselho consultivo, para protegê-la, com poderes para dissolver provisórias e expulsar murmuradores de nossa Graci: Gean Prates, Rodrigo Valadares, Marisa Lobo, Paulo Bengtson, Jefferson Alves, Mical Damasceno e Marcus Vinícius.

Aos leões e leoas petebistas informo que estou bem. Farei exames de imagem na segunda-feira. Terça-feira farei o cateterismo e quarta encerrarei o tratamento com antibióticos. Estou bem, agradecido aos meus irmãos a força que fizeram para que eu vir para o hospital.

Não há glória sem sofrimento.

É próxima a vitória.

Persistência, perseverança, insistência, teimosia. Vencemos pela obstinação.

O Senhor nos inspira e conduz.

Nossa Força e Vitoria é Jesus.

 

Roberto Jefferson

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DEPENDENTES, SÓ DE DEUS – David Francisquini



Pe. David Francisquini *

 

As grandes manifestações do dia 7 de setembro último — festa de nossa Independência — ao mesmo tempo que deram muita esperança ao País de sair do atual impasse a que foi submetido por forças nada ocultas, causaram abatimento não pequeno nas hostes esquerdistas, incluindo os que sonhavam com a dita terceira via, o que parece bom presságio.

Tenho o hábito, adquirido desde os anos de Seminário, de recorrer às Sagradas Escrituras para preparar sermões e outros estudos, entretendo-me ora com a sabedoria, ora com a ciência, ora com os conselhos ali encontrados, ora com a linguagem grandiloquente e a beleza incomparável de suas metáforas.

“E por que vos inquietais com o que vestirá? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam. E digo-vos, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu jamais como um deles” (6, 28).

Do Novo Testamento, cito apenas a parábola dos lírios do campo, que só poderia ter sido expressa por um Deus… Detenha-se comigo, leitor, e admiremos uma vez mais a beleza da narração de São Mateus ao escrever as palavras de Jesus Cristo quando tratou de nosso desapego aos bens terrenos:

As palavras inspiradas pelo Espírito Santo são portadoras de grande carga simbólica. Quantos servos de Deus dedicaram as suas vidas a fim de meditá-las, estudá-las, e assim se santificarem, tendo muitos deles deixado consignadas grandes obras para o aproveitamento dos homens e regozijo dos anjos, redundando tudo para a glória de Deus.

 Ainda ontem, lendo e meditando o Livro do Eclesiastes, que muitos atribuem a Salomão, refleti sobre o simbolismo das referências à direita e esquerda, expressões hoje até muito bagatelizadas, mas que não deixam de despertar curiosidade quando tomadas dos livros sagrados e aplicadas às circunstâncias políticas como a que atravessamos no presente momento.

Com efeito, um embate bastante politizado vem ocorrendo no Brasil, fenômeno pouco comum entre nós, pelo menos até o advento das redes sociais, pois os grandes meios de comunicação imperavam de modo absoluto como os únicos que sabiam e poderiam ‘pensar’ pelos brasileiros, impingindo suas tendências, suas modas, suas ideias, enfim, sua filosofia de vida.

As grandes manifestações populares em defesa de nossas antigas instituições — como a família, guardiã dos bons costumes, da boa ordem social com o respeito ao próximo e ao seu patrimônio, resguardada por um Judiciário que inspirava confiança não apenas imediata, mas perene — representam a projeção do que a média dos brasileiros pensa sobre o que se convencionou chamar de direita e esquerda em matéria política, aliás termos hauridos dos tempos da Revolução Francesa.

Por oportuno, menciono uma passagem que me atraiu a atenção do livro do Eclesiastes: “O coração do sábio está na sua mão direita, e o coração do insensato na sua esquerda” (Ecl.10, 2). Ainda que o autor dessas palavras não tivesse em vista o Brasil atual, nem nossa política, creio ser válida a sua aplicação às circunstâncias de nossa situação.

Enganam-se os que pensam em conduzir o Brasil para as vias propostas pela esquerda política, ou seja, o comunismo, o socialismo, o bolivarianismo e tanto outros ismos, com tudo de desastroso que se encontra em seu bojo. As manifestações públicas de 7 de setembro e aquelas que as precederam a partir de 2013 demonstram a existência de um Brasil profundo a bradar que sua bandeira jamais será comunista e que ele deve se manter nas vias da civilização cristã.

Nesse sentido, sob a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida, o Brasil se torna um luzeiro para o mundo, que parece estertorar-se diante de tantos contratempos criados e alimentados pelos próprios homens. Com efeito, tudo o que se tem procurado à guisa de solução vem fracassando ano após ano, dia após dia. Por quê? Porque os homens não querem reconhecer o erro cometido de terem rompido com a doutrina e a lei de Jesus Cristo.

Referi-me acima ao Eclesiastes, agora vejamos o que diz o livro Eclesiástico, 10,7-8:

“A soberba é aborrecida por Deus e pelos homens e toda a iniquidade das nações é execrável. O reino é transferido de uma nação à outra por causa das injustiças, das violências, dos ultrajes e de toda sorte de enganos.”

De uma coisa eu tenho certeza e os conclamo a colocar em prática: rezar, confiar e esperar que o Brasil volte para o seu passado cristão, a fim de que seja como uma cidade forte situada sobre um monte, imune de ser ultrajado e violentado pela injustiça e de vir a depender de alguma nação despótica.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)

https://www.abim.inf.br/dependentes-so-de-deus/

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domingo, 26 de setembro de 2021

O ENSINO. A AMIZADE – Gibran Khalil Gibran


O Ensino

 

          Então, um professor disse: “Fala-nos do Ensino”.

          E ele disse:

          “Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.

          O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.

          Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas antes vos conduzirá ao limiar de vossa própria mente.

          O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do espaço, mas não vos poderá dar sua compreensão.

          O músico poderá cantar para vós o ritmo que existe em todo o universo, mas não vos poderá dar o ouvido que capta a melodia, nem a voz que a repete.

          E o versado na ciência dos números poderá falar-vos do mundo dos pesos e das medidas, mas não vos poderá levar até lá.

          Porque a visão de um homem não empresta suas asas a outro homem.

          E assim como cada um de vós se mantém só no conhecimento de Deus, assim cada um de vós deve ter sua própria compreensão de Deus e sua própria interpretação das coisas da terra”.

 

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A Amizade

 

          E um adolescente disse: Fala-nos da Amizade”.

          E ele respondeu dizendo:

          “Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.

          Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.

          É vossa mesa e vossa lareira.

          Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.

          Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temeis o “não” de vossa própria opinião, nem prendeis o “sim”.

          E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.

          Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.

          Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.

          Pois o que vós amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.

          E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.

          Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.

         

          E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.

          Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.

          Pois, se achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?

          Procurai-o sempre com horas para viver.

          Pois o papel do amigo é o de encher a vossa necessidade, e não vosso vazio.

          E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.

          Pois no orvalho das pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado.”

 

(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran

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Gibran Khalil Gibran
 - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (242)



26º Domingo do Tempo Comum – 26/12/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 9,38-43.45.47-48)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”.

Jesus disse: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor.

Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa.

E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.

Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.

Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno.

Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:



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Há mais espiritualidade no nosso corpo...

 


“Se tua mão, teu pé, teu olho... te levam a pecar, arranca-os”

 

Com sua presença e ternura, Jesus, no Evangelho deste 26º Domingo do Tempo Comum, quebra as atitudes preconceituosas que delimitam friamente os espaços e alimentam proibições que impedem a manifestação da vida. Para Ele, toda pessoa que favorece a vida, em qualquer situação, é uma “aliada”, está “a nosso favor”. Ou seja, do Reino não se exclui ninguém; todos estão convidados. Todo aquele que sinceramente busca o bem e se compromete com a vida está a favor do Reino.

Jesus reprime a postura sectária, preconceituosa e excludente de seus discípulos, e adota uma atitude aberta e inclusiva, onde o mais importante é libertar o ser humano de tudo o que lhe oprime.

O estreitamento de mentalidade do discípulo João colide com a abertura do coração de Jesus.

Para o Mestre, o que conta é o bem que se faz.  Jamais uma simples pertença grupal, uma simples afinidade ou mesmo proximidades culturais e cultuais, podem substituir o bem que se deve praticar. Conta o bem que só pode ser feito em nome de Deus; só Ele é a fonte única do bem. Deus só está presente onde se pratica o bem. O bem que se faz não é, em hipótese alguma, contradição a Deus. A força do bem é a condição única para alargar o horizonte e superar toda atitude preconceituosa estreita.

E o bem se torna valor absoluto, definindo a condição do verdadeiro discipulado.

Ser discípulo de Jesus, portanto, é compreender a vida como altar de ofertas para o bem. 

O Mestre da Galileia revela o simples e, aparentemente, tão insignificante ato de oferta de um copo d’água como remédio que cura a rigidez do preconceito e vence a incapacidade de perceber a ternura acolhedora em cada gesto oblativo e sua importância na construção da vida e na recriação da dignidade humana.

Vale um copo d’água que se dá. Vale pela importância sempre primeira do outro, não importa quem quer que seja, fazendo valer o princípio norteador do coração amoroso de Deus.

Jesus rompe toda tentação sectária em seus seguidores. Ele não constituiu seu grupo para controlar sua salvação messiânica. Ele não é rabino de uma escola fechada, mas Profeta de uma salvação aberta a todos. Jesus não é monopólio de ninguém. Todo aquele que está a favor do ser humano está com Jesus. Todo aquele que trabalha pela justiça, pela paz, pela liberdade... está em profunda sintonia com Ele. Há uma infinidade de pessoas de boa vontade que trabalham por uma humanidade mais digna, mais justa e livre. Nelas está atuando o Espírito de Jesus. Devemos senti-los como amigos e aliados, nunca como adversários.

O(a) seguidor(a) de Jesus deve ser sempre fermento de unidade e nunca causa de discórdia e exclusão. 

Jesus, como bom Mestre, aproveita da ocasião para denunciar o veneno que mata toda possibilidade para a vivência do bem, do amor, da verdade: é a presença do “escândalo”, tanto no nível pessoal quanto comunitário. De fato, como no tempo de Jesus, também vivemos em uma sociedade de escândalos, que utiliza e destrói os pequenos. Há escândalos de gastos militares, de mentiras políticas generalizadas, de riqueza ostentosa fruto da exploração dos mais frágeis, de corrupção e violência, de poder despótico...

Assim, o evangelho deste domingo situa o grande pecado que consiste em “escandalizar” os pequenos (utilizar, fazer cair, perverter, abusar) no plano social, religioso, econômico, sexual... Trata-se do domínio de vidas e consciências. Nesse contexto Jesus introduz a referência simbólica da mão, do pé e do olho que escandaliza ou destrói os outros, acrescentando que o seu seguidor é capaz de “cortar” a mão ou o pé ou de arrancar o olho, a fim de conservar-se “inteiro” para o Reino (não destruir os outros).

É preciso, portanto, redescobrir a espiritualidade do corpo e de todos os seus membros e órgãos, para sermos presenças compassivas, construtivas e amorosas. 

A resposta de Jesus é clara: “Corta tua mão, corta teu pé, arranca teu olho..., renuncia-te a ser o centro para que o outro possa viver e crescer!”.

O corpo é mediação de comunhão, de encontro..., e todos os seus membros devem ser “cristificados”, ou seja, devem inspirar-se na corporalidade de Jesus.

O ser humano é aqui pés, mãos e olhos, em visão ternária que se revela muito significativa. É evidente que o texto poderia ter acrescentado outros exemplos de membros vitais: língua, ouvidos... Mas, os três aqui citados condensam a totalidade humana no plano do fazer, decidir, desejar e são exemplo de um modo de proceder “cristificado” para toda a comunidade cristã. 

Em primeiro lugar, “conhecemos Jesus pelos pés”; como peregrino, Ele sempre rompeu distâncias e fronteiras, fazendo-se próximo de todos para curar, animar, elevar, colocar o outro de pé. 

Jesus revela que cada passo deve ser uma oração e cada caminhar é um rosário de contas que marcam os caminhos da vida com a fé do caminhante.

Na última Ceia, quando Jesus se coloca aos pés dos seus discípulos, não se trata apenas de um gesto de humildade, mas sobretudo, de um gesto de cura e de amor. Porque não se pode amar alguém e olhá-lo de cima. E também não se trata de olhá-lo de baixo para cima, sendo-lhe submisso.

É preciso colocar-se a seus pés para ajudá-lo a reerguer-se. 

Igualmente decisivas sãos as mãos; elas adquirem uma infinidade de formas (mãos estendidas, enérgicas, punho fechado, mãos abertas...). Quando estendemos os braços e tocamos o outro espontaneamente descobrimos a compaixão e a riqueza que existe em todos nós.

Jesus não ama à distância; Jesus demonstra seu amor abraçando, abençoando, tocando...

Tocar ou nos sentir tocados é, em determinadas circunstâncias, a linguagem mais inteligível do amor.

A religiosidade popular está repleta de atitudes que testemunham o fato de que, para quem tem o coração à flor da pele, “orar e tocar” são uma só e mesma coisa.

Orar tocando é como reeditar as palavras de S. João:

“Aquele que nossas mãos tocaram, disso damos testemunho” (1Jo. 1,1).

Por fim, o olhar é o recurso não verbal mais expressivo e sincero que possuímos: com um simples olhar podemos transmitir desde o ódio até uma declaração de amor ou de amizade.

Os olhos são o “reflexo da alma”; muitas coisas que estão acontecendo no nosso interior vão se expressar na maneira como olhamos.

“Cristificar” o olhar é entrar no fluxo do olhar compassivo de Jesus; com seu olhar intenso e penetrante Ele conseguia despertar a dimensão  mais nobre e original em cada pessoa. Seus olhares falavam por sí sós, pois transmitiam sentimentos, desejos e afetos, sem necessidade de usar nenhuma palavra.

A revelação bíblica nos diz que Deus vem ao nosso encontro pelo mais cotidiano, mais banal e próximo dos portais: os cinco sentidos, os membros e os órgãos de nosso corpo. Eles são grandes entradas e saídas da nossa humanidade vivida. É preciso aprender a reconhecê-los como “lugares teológicos”, isto é, como território privilegiado não apenas da manifestação de Deus, mas como possibilidade de relação com Ele.

A vida é o imenso laboratório para a atenção, a sensibilidade e o espanto que nos permite reconhecer em cada instante os passos do próprio Deus em nossa direção, suas mãos providentes e cuidadosas que nos sustentam, seu olhar compassivo que nos acolhe. O corpo que somos é uma gramática de Deus: nele aprendemos a andar como Deus, a tocar como Deus, a olhar como Deus...

 

Texto bíblico:  Mc 9,38-48 

Na oração: este é um momento para examinar minhas mãos, meus pés e meus olhos: eles são mediação para o encontro ou para o escândalo na relação com os outros?

- Que tenho de arrancar-me, que devo “perder” para não escandalizar, ou seja, para que os outros possam viver?

- Que deve a Igreja arrancar de si mesma para não servir de escândalo aos pequenos?

- E nossa sociedade em geral, nossa política e economia neo-liberal... quê terá de arrancar e cortar para que os pobres possam viver com mais dignidade?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2409-ha-mais-espiritualidade-no-nosso-corpo

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