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segunda-feira, 29 de março de 2021

DEGRAUS DE LUZ, Por Sonia Argon



 

Degraus de Luz  

 

Se não pudermos ser Frutos para nutrir a Terra,

Que possamos ser Sementes.

Se não pudermos ser Flores para enfeitar as janelas,

Que possamos ser Vasos.

Se não pudermos ser Canção para embalar os sonhos,

Que possamos ser Silêncio.

Se não pudermos ser Discurso para encorajar os corações,

Que possamos ser Escuta.

Que tenhamos um Sorriso doce,

Quando faltar Esperança.

Que tenhamos um Olhar sereno,

Quando faltar Doçura.

Que tenhamos uma Palavra terna,

Quando faltar Companhia.

Se não pudermos ter a Segurança da terra firme,

Que possamos ter a Singeleza do grão de areia.

Se não pudermos ter a Valentia do vento,

Que possamos ter a Suavidade da brisa.

Se não pudermos ter a Força dos mares,

Que possamos ter a Simplicidade de uma gota d’água.

Que não almejemos ser estrelas,

mas que possamos ser a menor centelha de luz a iluminar a escuridão.

Que não precisemos fazer grandes Obras, 

mas que consigamos ser uma pequena onda de calor a dissipar a Solidão.

Que não intencionemos fazer Sucesso, mas que tentemos plantar 

uma minúscula partícula de Esperança em cada Coração.

Se não pudermos ser Elogio sem restrição,

que possamos ser Paciência.

Se não pudermos ser Parceria sem questionamento,

que possamos ser Respeito.

Se não pudermos ser Atenção,

Que possamos ser Gentileza.

Se não pudermos ser Escada de transformação,

que possamos ser, apenas,

“Degraus de Luz”!



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Sonia Argon é Bacharel em Direito. Pós-Graduanda em Filosofia. Locutora, Roteirista e Narradora de Audiodescrição. Eterna Aluna de Canto! Atuou como Professora de Educação Infantil por longo período, em sua cidade natal, Petrópolis, situada na região serrana fluminense. Confessa ser encantada pela Comunicação e pelo enriquecimento proveniente da troca de ideias e da interação entre as pessoas. É Petropolitana de nascimento e alma, mas, pelo fato de viver na cidade do Rio de Janeiro há um bom tempo, já se considera Carioca de coração!

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sábado, 27 de março de 2021

Os crimes do Lulopetismo – Parte I

ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS (AGRAL) COMPLETA DEZ ANOS DE EXISTÊNCIA

 




Academia Grapiúna de Letras AGRAL

completa dez anos de existência

 

Neste 4 de abril de 2021, a Academia Grapiúna de Letras (AGRAL), sediada na cidade de Itabuna e sob a recém presidência do professor universitário Samuel Leandro Oliveira de Mattos [Foto acima], que sucede o jornalista e autor do livro “De Tabocas a Itabuna 100 anos de Imprensa” (Agora Editora, 1999), Ramiro Soares de Aquino, completa dez anos de existência.

Até o ano de 2011, Itabuna lamentavelmente cometia um descaso com a cultura grapiúna, que detém nomes nacionais em suas diversas vertentes, não dispondo de uma academia de letras que os imortalizassem no seio de suas origens, mas que foi corrigida por um grupo de abnegados intelectuais dessa urbe, em 4 de abril, quando fundaram a AGRAL.

A propósito, o Sul da Bahia é uma das únicas regiões brasileiras que tem uma literatura própria, com identidade diferenciada. A chamada Civilização do Cacau, pois, produziu expressões idiomáticas, adjetivos e substantivos peculiares, a exemplo dos encontrados na obra “Dicionareco das Roças de Cacau e Arredores”, de Euclides Neto (1925-2000). Por sua vez, as temáticas abordadas nas obras de Adonias Filho (1915-1990), Sosígenes Costa (1901-1968), Jorge Medauar (1918-2003), Jorge Amado, dentre outros, difundiram um expressivo imaginário cultural sulbaiano, já reproduzido na dramaturgia, teledramaturgia e no cinema.

A AGRAL, que tem como patrono o escritor Jorge Amado (1912-2001), reverencia grandes literatos sulbaianos e brasileiros, como um todo, e objetiva o cultivo da língua e da literatura, sobretudo a regional, inclusive nas áreas das ciências e das artes.

O seu estatuto diz que os membros efetivos, serão escolhidos preferencialmente entre os destacáveis em sua atuação cultural, científica e artística em Itabuna, ou seja, privilegiará intelectuais ou artistas que tenham atuação ou trabalhos em quaisquer meios escritos ou falados de informação e arte etc., acolhendo-se, também, alguns residentes nas cidades que compõem a Região Grapiúna, sob essas mesmas condições.

A AGRAL, que inspirou-se no formato da Academia Brasileira de Letras (fundada em 1897), é composta por  40 acadêmicos e/ou imortais efetivos (e perpétuos) e 20 correspondentes, tem como fundadores e historicamente membros de sua primeira diretoria, Ivan Krebs Montenegro, cadeira 10, presidente; Vercil Rodrigues, cadeira 1, vice-presidente; Washington Farias de Cerqueira, cadeira 3, secretário-geral; Antônio da Silva Costa, cadeira 8, tesoureiro; Jorge Ribeiro Carrilho, cadeira 7, 2º tesoureiro; Ramiro Nunes de Aquino, cadeira 9, diretor de eventos e José Carlos Oliveira, cadeira 4, diretor de biblioteca. [Foto abaixo]



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quarta-feira, 24 de março de 2021

NIETZSCHE NO CÉU - Marco Lucchesi


A poesia clássica persa é um condensado de beleza, em língua delicada: antiga e jovem, intensa e maleável, aberta e rigorosa. Seu timbre não esconde uma sublime vocação. Atenta às formas transitórias. Habitada por nuances. Herdeira de semitons. Todo um repertório de imagens que incessantemente se renova. Tema e variação: o jardim e a luz da aurora, as flores perfumadas e os espinhos, o rouxinol de amor perdido pela rosa. Língua suave e subtil, feita de símbolos e formas vicárias. E se abastece de sua própria linfa. Uma vogal apenas une umas às outras as palavras. Não se apagam as vozes de Rūmī e Hāfez. Esse mesmo frescor feriu o Divã de Goethe e a poesia de Mohammed Iqbāl.

Iqbāl, poeta paquistanês (1877-1938) mergulha nas várias línguas de sua cultura. E quando escreve em persa, filia-se a uma tradição, que lhe pertence, amorosamente. Usa o repertório para modificá-lo, mais inclinado a Rūmi que a Hāfez. Menos a Pérsia barroca, de que falava Scarcìa, e mais o tesouro sufi de águas claras. Íntimo, contudo, de Sanā’ī , Sa‘dī e Attār. A rosa e o jardim, a flauta e o rouxinol aparecem deslocados em Iqbāl. Adquirem novas ressonâncias. Um centro que desde então se descentra. Mantida entretanto a moldura simbólica.

O diálogo com Goethe inscreve-se no seio da comunidade muçulmana. Um olhar de mão-dupla, mais permeável entre Oriente e Ocidente na sua leitura corânica. E a partir do cerco de Bagdad (1258), quando se inicia uma longa crise no islão. O poeta deixa de lado a dissolução contemplativa radical, e encontra na ação o empenho na reforma do pensamento religioso, como Dante, no Paraíso, clamando por justiça. Não é Virgílio o guia de Iqbāl, mas o poeta Rūmī. Temos aqui a elaboração de uma genealogia, de um legado mútuo, fascinante e especular. As palavras de Abdālī, no Empíreo traduz sua densidade: “A força da Europa consiste na ciência e na técnica, desse fogo brilha a sua lâmpada. A sabedoria não consiste no corte da roupa, nem o turbante é obstáculo às ciências e às artes. Pouco importa como proteges a cabeça! Basta um pensamento ágil, uma inteligência aguda".

Nas alturas do Céu, Iqbāl encontra ninguém menos do que Nietzsche. Justamente no prelúdio ou no átrio do Paraíso: “Perguntei a Rūmī: ‘Quem é esse louco?’. Respondeu: ‘é um sábio alemão. Seu lugar é entre estes dois mundos, um canto antigo o que sai de sua flauta! Suas palavras foram ousadas e grandioso o seu pensamento. Cortou a Europa em duas partes com a espada de suas palavras. A sua melodia rompeu a corda de seu alaúde.” Quem é capaz de colocar Nietzsche no Céu, pode sondar a delicada fronteira da alteridade. Iqbāl é o poeta do encontro, além de fortes e fronteiras, segunda a expressão de João da Cruz. Uma nova inscrição em que a paz se redesenha.

 

Jornal de Letras, Artes e Ideias (Lisboa), 24/03/2021

 

Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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#AoVivo: Reunião no Palácio da Alvorada com chefes dos 3 Poderes