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sábado, 6 de março de 2021

ESPERANZA - Alexis Valdés




Esperanza

Alexis Valdés


Ligue o vídeo abaixo:


Cuando la tormenta pase
y se amansen los caminos,
y seamos sobrevivientes
de un naufragio colectivo.
Con el corazón lloroso
y el destino bendecido
nos sentiremos dichosos
tan sólo por estar vivos.

Y le daremos un abrazo
al primer desconocido
y alabaremos la suerte
de conservar un amigo.

Y entonces recordaremos
todo aquello que perdimos
de una vez aprenderemos
todo lo que no aprendimos.

Y no tendremos envidia
pues todos habrán sufrido.
Y no tendremos desidia
Seremos más compasivos.
Valdrá más lo que es de todos,
que lo jamás conseguido.
Seremos más generosos,
y mucho más comprometidos.

Entenderemos lo frágil
que significa estar vivos.
Sudaremos empatía
por quien está y quien se ha ido.

Extrañaremos al viejo
que pedía un peso en el mercado,
que no supimos su nombre
y siempre estuvo a tu lado.

Y quizás el viejo pobre
era tu Dios disfrazado.
Nunca preguntaste el nombre
porque estabas apurado.

Y todo será un milagro
y todo será un legado.
Y se respetará la vida,
la vida que hemos ganado.
Cuando la tormenta pase
te pido Dios, apenado,
que nos devuelvas mejores,
como nos habías soñado.

        Alexis Valdés, marzo 2020


Esperanza, es un poema escrito por el multifacético artista Alexis Valdés.

El talentoso cubano ha encontrado inspiración en el COVID-19 y la ha querido transmitir como mensaje de esperanza.

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TRADUÇÃO:


 

Ter esperança

 

Quando a tempestade passar

E as estradas forem aplainadas,

e formos sobreviventes

de um naufrágio coletivo.

 

Com o coração choroso,

e o bendito destino

vamos nos sentir felizes

apenas por estarmos vivos.

 

E nós vamos dar um abraço

para o primeiro estranho,

e vamos elogiar a sorte

para manter um amigo.

 

E, então, vamos lembrar

tudo que perdemos,

e de uma vez vamos aprender

tudo que não aprendemos.

 

Não teremos mais inveja,

pois todos terão sofrido.

Não teremos mais preguiça,

Seremos mais compassivos.

 

O que é de todos vai valer mais

Que você nunca alcançou

Seremos mais generosos

E muito mais comprometidos.

 

Vamos entender o frágil

o que significa estar vivo;

Vamos suar empatia

para quem é e quem se foi.

 

Vamos sentir falta do velho

que pedia um peso no mercado,

e não sabíamos o nome dele

que sempre esteve ao nosso lado.

 

E talvez o pobre velho

Era o seu deus disfarçado,

Você nunca perguntou o nome

porque você estava com pressa.

 

E tudo será um milagre,

E tudo será um legado,

E então será respeitada,

a vida que ganhamos.

 

Quando a tempestade passar

Eu vos peço, Deus, entristecido,

que você nos dê o melhor

que você sonhou para nós.

 



Alexis Valdés, março de 2020

 


Esperanza, é um poema escrito pelo multifacetado artista Alexis Valdés.

O talentoso cubano se inspirou no COVID-19 e quis transmiti-lo como uma mensagem de esperança.

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sexta-feira, 5 de março de 2021

NADA ERA MELHOR – Cyro de Mattos



Nada Era Melhor

Cyro de Mattos

 

            Já vai longe o tempo da minha infância na cidade onde nasci. A cidade tinha poucas ruas calçadas, três bairros, o jardim, o cinema, o ginásio e a igrejinha. Seu rio, chamado de Cachoeira, dividia a cidade em duas partes. E uma gente ribeirinha tirava dele o sustento de suas famílias: lavadeiras, tiradores de areia, pescadores e aguadeiros.

            Lá naquela cidade distante joguei bola com a turma de queridos amigos nos campinhos improvisados dos terrenos baldios.  Roubei fruta madura nos quintais das casas perto da beira do rio.  Brinquei de mocinho e bandido. Fiz a primeira comunhão e tive a primeira namorada.

            Lá também criei vaga-lumes para vê-los à noite piscando no quarto. Nadei como um peixe ágil nos poços bem claros do rio que tinha as águas doces. Andei como um bicho solto, sem ter medo de nada, nos caminhos do mato. Feito pássaro dava cada voo com o vento mais alto. Quando cresci, soube que a infância tem um sabor de fruta doce que acaba quando chega o tempo dos homens.

              Não querendo que aqueles dias vividos com aventuras, descobertas e sustos esplêndidos se perdessem no tempo que se foi, sem que eu percebesse de tão rápido, ficando trancados pelos homens dentro de mim, resolvi então escrever umas breves memórias com pedaços da infância. Nesses episódios que agora procuro contar, tecidos com os fios eternos do sonho, tento compartilhar com você um pouco da aventura da vida. Percorro caminhos e procuro encontrar o menino na fumaça do tempo, mas que ainda pulsa no meu coração porque não se cansou de ser menino. 

 


          
Em Nada Era Melhor (Editus, 2020), cada episódio pode ser concebido como uma história, possui autonomia na sua estrutura, foi reinventado com os elementos tradicionais  de princípio, meio e fim. Como cada um deles é protagonizado por um menino em sua pré-adolescência, tendo como espaço a infância e o lugar onde acontece é a uma cidade do interior baiano, no início da segunda metade do século XX, com personagens secundárias que participam algumas vezes de muitos deles, não se pode deixar de considerar que Nada Era Melhor é também um romance, uma história comprida representativa da vida, ou seja, um romance de iniciação.

 

Cyro de Mattos - Escritor e poeta. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Publicado nos Estados Unidos, Dinamarca, Rússia, Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor  Honoris Causa pela  Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC

* * *

quarta-feira, 3 de março de 2021

ITABUNA CENTENARIA SORRINDO: Tragédias de antigamente

 


Tragédias de Antigamente:

 

 

 1. Quando as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão.

 

2. A agulha riscava o LP bem na melhor música.

 

3. Você datilografava errado a última palavra da página.

 

4. E não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar.

 

5. A fita do Atari não funcionava nem depois de você assoprar.

 

6. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta BEM NO MEIO DA MÚSICA que você tinha passado horas esperando pra gravar na fita K7.

 

7. E depois o toca-fitas mastigava a fita K7.

 

8. O locutor não falava o nome da música quando ela terminava.

 

9. E você ficava anos sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que você tinha amado.

 

10. Alguém fumava dentro do ônibus.

 

11. Você tinha que pagar multa por devolver a fita de vídeo VHS pra locadora sem rebobinar.

 

12. O Ki-suco vazava da garrafinha da sua lancheira.

 

13. E molhava seu pedaço de pão com patê.

 

14. Você tirava as letras das músicas em inglês tudo errado.

 

15. E depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo.

 

16. Mas já era tarde, pois você já tinha decorado errado (e canta errado até hoje).

 

17. Você arranhava com todo cuidado, mas quando levantava o papel via que o bichinho do decalque do Ploc tinha saído sem uma perninha.

 

18. A televisão resolvia sair do ar no dia do último capítulo da novela.

 

19. E seu pai tinha que subir no telhado para mexer na antena.

 

20. E ele gritava lá de cima “melhorou?”

 

21. E você, embaixo, avisava: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”.

 

22. E nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo.

 

23. Chegar à padaria e lembrar que você tinha esquecido o “casco” do refrigerante.

 

24. Você descobria que todas as 36 fotos do seu aniversário tinham ficado desfocadas.

 

25. E algumas tinham queimado, porque o rebobinador da câmera estava meio enguiçado.

 

26. Quando sobrava só o lápis branco da caixa de 36 cores.

 

27. Você pensava que ia morrer por ter engolido uma bala Soft.

 

 

Nossa vida era assim.

E nem faz tanto tempo (40 a 50 anos),

mas nossos filhos nem têm ideia do que significa tudo isso.

 

(Autor não mencionado)

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segunda-feira, 1 de março de 2021

O CHARME DO ESPÍRITO VENEZIANO – Plinio Corrêa de Oliveira

 1 de março de 2021

Distinção, dignidade e frivolidade do Ancien Régime numa praça de Veneza

Plinio Corrêa de Oliveira

Em minha sala de trabalho tenho um quadro reproduzindo uma pequena praça de Veneza. Ela tem um charme que toca nos sentidos, inclusive por seus defeitos, revelando a ‘alma’ e o espírito veneziano. Esse charme impregna o conjunto da praça, a igreja no fundo, as casas e os personagens ali presentes, cujas atitudes características dão a impressão de estarem saindo de alguma representação teatral.

A igreja, em estilo que parece do século XVII, irradia alguma paz ao conjunto. É quase o contrário do que transparece nas pessoas, entretanto acaba envolvendo-as. Por uma porta aberta da igreja se percebe algo de meditativo e sério, pela presença do Santíssimo Sacramento no sacrário interno, riquíssimo em graças. É o mesmo imponderável de certas igrejas da Itália.

Campo Santa Maria Formosa, em Veneza, 1741 – Michele Marieschi, séc. XVIII. Museu Correr, Veneza

Essa Veneza do século XVIII tem algo que lembra remotamente a dignidade e distinção próprias do Ancien Régime. Nas pessoas transparece também a frivolidade social daquela época. São habituadas a morar em Veneza e conviver com casas de aspecto um tanto tristonho, com tracinhos de palácio. Elas gostam do estilo, que as eleva a um nível mais alto.

Esses vários aspectos, onde se misturam laivos de séculos anteriores com algo do século que viria, influenciam as almas dos que ali estão, ou que moram na praça.

A mistura de todos esses aspectos lembra certos arranjos de sorvetes, quando a groselha e o creme vão se derretendo, alternando dentro do copo suas cores respectivas. Na praça, os seus vários aspectos formam laivos psicológicos — um ice-cream soda indefinido dentro de um copo, que seria aquela pracinha.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 19 de janeiro de 1984. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/o-charme-do-espirito-veneziano/

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domingo, 28 de fevereiro de 2021

CRIME E CASTIGO – Gibran Khalil Gibran

 


Crime e Castigo

 

            Então, um dos juízes da cidade acercou-se e disse: “Fala-nos do Crime e do Castigo”.

            E ele respondeu, dizendo:

            “É quando o vosso espírito vagueia sobre o vento,

            Que vós, sozinhos e desprevenidos, cometeis delitos contra os outros e, portanto, contra vós próprios.

            E pela remissão do mal cometido, devereis bater à porta dos eleitos e esperar algum tempo antes de serdes atendidos.

       

            Similar ao oceano é vosso Eu-divino:

            Permanece sempre imaculado.

            E, como o éter, ele sustenta somente os alados.

           E similar também ao sol é vosso Eu-divino:

           Desconhece os caminhos das tocas e evita o covil das serpentes.

           Mas vosso Eu-divino não reside sozinho no vosso ser.

           Em vós, muito é ainda do homem, e muito não é ainda do homem.

           Mas apenas de um pigmeu informe que vagueia sonâmbulo nas brumas, à procura de seu próprio despertar.

           É do homem em vós que quero agora falar.

           Porque é ele, e não o vosso Eu-divino ou o pigmeu que vagueia nas brumas, quem conhece o crime e o castigo do crime.

 

           Constantemente vos tenho ouvido falar daquele que comete uma ação má como se não fosse dos vossos, mas um estrangeiro entre vós e um intruso em vosso mundo.

           Mas eu vos digo: Da mesma maneira que o santo e o justo não podem elevar-se acima do que há de mais elevado em vós,

           Assim o perverso e o fraco não podem descer abaixo do que há de mais baixo em vós.

           E da mesma forma que nenhuma folha amarelece senão com o silencioso assentimento da árvore inteira,

           Assim o malfeitor não pode agir mal sem o secreto consentimento de todos vós.

           Como uma procissão, vós avançais, juntos, para vosso Eu-divino.

           Vós sois o caminho e os que caminham.

           E quando um dentre vós tropeça, ele cai pelos que caminham atrás dele, alertando-os contra a pedra traiçoeira.

           Sim, e ele cai pelos que caminham adiante dele, que, embora tenham o pé mais ligeiro e mais seguro, não removeram a pedra traiçoeira.

          

           E ouvi também isto, embora a palavra deva pesar rudemente sobre vossos corações:

           O assassinado é censurável por seu próprio assassínio.

           E o roubado não é isento de culpa por ter sido roubado.

           E o justo não é inocente das ações do mau.

           Sim, o culpado é, muitas vezes, a vítima do ofendido.

           E mais comumente ainda, o condenado carrega o fardo para o inocente e o irreprochável.

           Vós não podeis separar o justo do injusto e o bom do malvado;

           Porque ambos caminham juntos diante da face do sol, exatamente como os fios branco e negro são tecidos juntos.

           E quando o fio negro se rompe, o tecelão verifica todo o tecido e examina também o tear.

 

           Se um dentre vós põe em julgamento a esposa infiel,

           Que pese também na balança o coração de seu marido, e meça sua alma com cuidado.

           E aquele que deseja fustigar o ofensor, examine a alma do ofendido.

           E se um dentre vós pretende punir em nome da retidão e por o machado na árvore do mal, que considere também as raízes da árvore;

           E, na verdade, encontrará as raízes do bem e do mal, do frutífero e do estéril, entrelaçadas no coração silencioso da terra.

           E vós, juízes que desejais ser justos,

           Que julgamento pronunciareis contra aquele que, embora honesto na carne, é ladrão no espírito?

           E como punireis aquele que assassina o corpo, mas é, ele próprio, assassinado no espírito?

           E como processareis aquele que, impostor e opressor nas suas ações,

           É também molestado e ultrajado?

           E como punireis aqueles cujos remorsos já são maiores que seus delitos?

           Não é o remorso uma justiça aplicada por esta mesma lei que vós desejais servir?

           E, contudo, não podeis pôr o remorso sobre o coração do inocente, nem o levantar do coração do culpado.

           Espontaneamente, ele gritará na noite para que os homens despertem e se considerem.

 

           E vós que desejais compreender a justiça, como a compreendereis sem examinar todas as ações na plenitude da luz?

           Somente então sabereis que o ereto e o caído são um mesmo homem, vagueando no crepúsculo entre a noite do seu Eu-pigmeu e o dia do seu Eu-divino,

           E que a pedra angular do templo não supera a pedra mais baixa de suas fundações.”

 


(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran

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Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.

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VIDA E OBRA DE GIBRAN (3)

1902-1908- De novo em Boston. Sua mãe e seu irmão morrem em 1903. Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, feito de música, imagens e símbolos, atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe. Desenha e pinta numa arte mística abstrata, que lhe é própria. Uma exposição de seus primeiros quadros desperta o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskel, que lhe oferece custear seus estudos artísticos em Paris.

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