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sábado, 12 de setembro de 2020

FESTIVAL LITERÁRIO SUL-BAHIA (FLISBA)

            


PRIMAVERA LITERÁRIA

24, 25 e 26 de setembro de 2020

EVENTO VIRTUAL

 

                O Festival Literário Sul-Bahia (FLISBA), com o tema Primavera Literária, se configura numa ação cultural que busca a difusão das artes literárias a partir de uma homenagem a Clarisse Lispector e João Cabral de Melo Neto pelos Centenários de nascimento, num resgate à Jorge Amado e Adonias Filho, nossos pilares da literatura cacaueira.

                Para Efson Lima, “o objetivo do FLISBA é  ser um espaço de intercâmbio para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores regionais do sul da Bahia, inclusive, dos novos escritores, bem como dos que estão afastados da terra natal, como o próprio que mora em Salvador e participa da organização do evento de forma virtual.

                O FLISBA surge com vistas a estimular a leitura, difundir os escritores regionais, desenvolver a aproximação dos agentes culturais do campo da literatura e promover atividades que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias.

                O evento acontecerá entre os dias 24 a 26 de setembro de 2020 (totalmente online). As mesas literárias vão ocorrer pelas tardes e noites. A transmissão das mesas do evento será pelo Youtube, que será retransmitida para o Facebook.  No entanto, as Oficinas Literárias vão ocorrer no turno da manhã pela plataforma Zoom e terão suas inscrições realizadas de forma antecipada pelo Sympla com datas a serem divulgadas nas redes sociais do evento.

                As pessoas que vão acompanhar as mesas online e possuem interesse em receber certificação poderão fazer a inscrição pela plataforma Sympla pelo seguinte link: https://www.sympla.com.br/festival-literario-sul-bahia----flisba__969831

                Para Sheilla Shew, que está na organização do evento e mulher empreendedora, o FLISBA terá uma rica programação, que inclui debates, saraus, slam, exposições editoriais e apresentações culturais, que respeita o legado literário e se soma as revelações dos nossos dias.”

                A programação do Festival Literário Sul-Bahia contempla ainda o Slam  Sul Bahia, que também receberá inscrições. O Edital e o link para as inscrições estão na seguinte página: https://www.sympla.com.br/slam-sul-bahia---flisba__969859 Os vencedores vão receber brindes. As inscrições são gratuitas. Os participantes serão certificados pela participação no Slam.

                O Festival está sendo organizado por diversas pessoas: Anarleide Menezes, André Rosa, Aurora Souza, Cremilda Conceição, Efson Lima, Geraldo Lavigne, Hussiane Amaral, Igor Luiz, Indy Ribeiro, Laura Ganem, Luh Oliveira, Magnus Vieira, Ramayana Vargens, Raquel Rocha, Ricardo Dantas, Sheilla Shew, Silmara Oliveira, Sophia Barretto, Tácio Dê e Walmir do Carmo, reunidas no Coletivo FLISBA. São professores, jovens, idosos, homens e mulheres sob  diferentes perspectivas que se juntaram para promover o FLISBA sob o ângulo da literatura, mas com o olhar inclusivo das artes plásticas, música, cinema entre outros.

                Para Igor  Luiz, 18 anos, que mora entre Itapitanga/Coaraci, um dos organizadores do FLISBA e estudante de engenharia civil na Uesc, “o Flisba surgiu como uma oportunidade inicial de exposição da minha produção. Contudo, essa individualidade foi totalmente quebrada pelo ideal coletivo de pensar em valorizar a literatura regional como um todo. Isso foi somado ao prazer de poder contribuir para a produção e acrescer na própria formação pessoal, aprendendo com pessoas experientes, inovadoras, poéticas e prosadoras. O Flisba não é mais um projeto de quarentena como tantos, mas uma ferramenta de formação do legado cultural sul baiano” concluiu ele.

                Mais informações  podem ser obtidas pelas redes sociais do FLISBA, bem como a  interação do público com as redes sociais é muito importante para o evento. A Organização pede que as pessoas se inscrevam nos canais.

Instagram: @flisba

Facebook:  Flisba

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC2v08TIuCPOU59G_N-33fUw

 

PROGRAMAÇÃO

 

Dia:  24/09 (quinta-feira)

 

ABERTURA DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL - BAHIA

Horário: das 14:00 às 14:50 horas.

 

Composição da mesa de abertura:


         Luh Oliveira –
Membro da Comissão Organizadora do Flisba

Efson Lima  - Membro da Comissão Organizadora do Flisba

André Rosa – Presidente da Academia de Letras de Ilhéus

Silmara Oliveira – Presidente da Academia de Letras de Itabuna

Fabio Rodes - Presidente da Academia de Letras e Artes de Canavieiras

Romualdo Lisboa – Diretor do Teatro Popular de Ilhéus (TPI)

 


MESA 1 – Das 15 às 17 horas.

Título da Mesa: 100 anos de Clarice Lispector e João Cabral  - renovação e transformação literária

MEDIAÇÃO DA MESA: Ramayana Vargens

EXPOSITORES

Aurora Souza

Gideon Rosa

Raquel Rocha

SLAM SUL-BAHIA

Das 17 às 19:30 horas.

MEDIAÇÃO: Magnus Vieira  e Ricardo Dantas

 


MESA 2 – Das 20 às 22 horas

TÍTULO DA MESA: Literatura e Meio Ambiente – De Caminha aos nossos dias. Reflexões necessárias.

MEDIAÇÃO: Tácio Dê

EXPOSITORES:

Marcelo Ganem

Pawlo Cidade

Ruy Póvoas

Walmir do Carmo

 ......................

Dia 25/09 (Sexta-feira)


MESA 3 – Das 15 às 17 horas.

TÍTULO DA MESA: Desafios e possibilidades da produção literária na Região Sul da Bahia

MEDIAÇÃO: Cláudio Zumaeta

EXPOSITORES

Gustavo Felicíssimo – Editora Mondrongo

Ivan de Almeida - Cogito Editora

Marcel  Santos– Editora A5

Romualdo Lisboa -Editora do TPI

 

DOCUMENTÁRIO

Das 18 às 19 horas: exibição do documentário “Cacau para sempre”, de Raquel Rocha.


MESA 4 – Das 19 as 21 horas

TÍTULO DA MESA: Literatura e as novas Mídias

MEDIAÇÃO: Sophia Sá Barretto

EXPOSITORES

Fabricio Brandão

Igor Luiz

Indy Ribeiro

Roger Ferreira

 

SARAU – A partir das 21 horas

Espetáculo: Teodorico Majestade – a última live de um Prefeito/ Teatro Popular de Ilhéus.

Lançamento de Livros

Recital Poético

 .................

Dia 26/09 (Sábado)

 


MESA 5 - Das 15 às 17:00 horas

TÍTULO DA MESA:  Escritores Regionais

MEDIAÇÃO:  Anarleide Menezes

EXPOSITORES

Clarissa Melo

Geraldo Lavigne

Heitor Brasileiro

Iolanda Costa

Lia Senna

Luh Oliveira 

 


MESA 6 –  18 às 20 horas

Título da mesa: “Amado, Adonias e a Literatura do Cacau”

MEDIAÇÃO:  André Rosa

EXPOSITORES

Daniel Thame

Raymundo Sá Barretto

Ramayana Vargens

Silmara Oliveira

 

NOITE CULTURAL

Horário: das 20 às 22:00 horas

APRESENTAÇÕES:

Declamações poéticas, dança e performances.

 

Atrações musicais

Silvano e Carla

Banda Negras Perfumadas

 

ENCERRAMENTO DO FLISBA

Sheilla Shew - Membro da Comissão Organizadora do Flisba

Tácio Dê - Membro da Comissão Organizadora do Flisba.


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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

EU AMO ESTA ANALOGIA


Quando Deus quis criar peixes, falou com o mar.

Quando Deus quis criar árvores, falou com a terra.

Mas quando Deus quis criar o homem, Ele voltou-se para Si mesmo.

Então Deus disse: 

"Façamos o homem à nossa imagem e semelhança". 

NOTA:

Se você tirar um peixe da água, ele morrerá. 

Quando você remove uma árvore do solo, ela também morre.

Da mesma forma, quando o homem está desconectado de DEUS, ele morre.

Deus é o nosso ambiente natural.  

Fomos criados para viver na Sua presença. 

Temos que estar conectados a Ele, 

porque é apenas nEle que a vida existe.


                              
Vamos ficar conectados com Deus.

Lembremos que água sem peixe ainda é água, 

mas peixe sem água não é nada.

O solo sem árvore ainda é solo, 

mas a árvore sem solo não é nada ...

Deus sem homem ainda é DEUS, 

mas o homem sem DEUS não é nada.

 

Se esta mensagem chegar a você e você a compartilhar com outras pessoas, 

isso se chama Evangelização!

 

 (Recebi via Whats, sem menção de autoria)

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ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: Com que roupa eu vou?


Com que Roupa eu vou

 

            - Com essa camisa eu não vou à igreja!

            Era só o que me faltava. Cameron, meu filho de seis anos, fazendo pirraça por causa de uma camisa. Insisti para que ele a usasse:

           - Você troca de roupa quando voltarmos.

            Ele tentou o apoio do pai, mas não conseguiu.

            - Vou fugir de casa depois da missa!

           - Ué! Por que só depois da missa! – perguntei.           

           - Você não acha que vou fugir de casa com esta camisa, não é?

 

                                                               - DEBBIE INNIS, Canadá

                                         -------------------

Ao fim de sete anos na universidade, a maneira de meu filho se vestir continuava me exasperando. Ele começou a trabalhar como arquiteto e, apesar de suas roupas serem de boa qualidade, pareciam pertencer a alguém muito maior e tinham sempre o aspecto de que acabavam de sair de uma bolsa abarrotada.

Certa vez, ao passar por uma liquidação, descobri um terno impecável e quase novo, que era exatamente o tamanho de meu filho e só custava dez libras.

Mostrei a ele e fiquei feliz ao ver seu olhar de alegria.

- Mãe, que bom! – exclamou ele. – É exatamente o que eu precisava para o baile à fantasia da semana que vem!

                                                                                                             - - JULIA BROWN, Grã-Bretanha

 

Fonte: Reader’s Digest SELEÇÕES – Fevereiro 2000


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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

SEMINÁRIO HOMENAGEIA ANTÔNIO TORRES DE HOJE A SÁBADO


Neste 2020, ao completar 80 anos (no próximo domingo, dia 13), o jornalista, escritor e acadêmico baiano da cidade de Sátiro Dias, Antônio Torres, da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Letras da Bahia, vem recebendo várias e justas homenagens. 

Aqui na Bahia, será realizado durante três dias - desta quinta, dia 10, até sábado, dia 12 -, o Seminário Narrativas e Viagens do Sertão ao Mundo, inteiramente dedicado a leituras e análises da obra ficcional do autor, tanto por estudiosos brasileiros, como estrangeiros. O evento é promovido pela Academia de Letras da Bahia - ALB, em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, e a Universidade do Estado da Bahia - UNEB, sendo coordenador-geral o professor, poeta e escritor Aleilton Fonseca, membro das Academias de Letras da Bahia (Salvador) e de Ilhéus.

A sessão especial de abertura acontece hoje, às 17h, com membros acadêmicos da Bahia e a presença do homenageado, pelo canal Zoom da ALB no Youtube.

Mais informações: www.academiadeletrasdabahia.org.br.


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ROSA DAQUELA ESQUINA – Ariston Caldas

 


          Quem é Rosa? “Rosa daquela esquina”. Ninguém sabia se era prenome, apelido ou nome verdadeiro. Todos sabiam, porém, que Rosa era um raio de gente, como dizia dona Merentina.

            Descalça pela rua, beiços untados de batom, short subindo pelas virilhas, gola despencada, andança pelas casas dos outros; doze anos e nas horas vagas namorava pelos becos, pela beira do rio. “Se dona Merentina souber, vai me engolir viva”. Pensava, às vezes, se esticando com Arnaldinho, o filho, 16 anos, meio-lerdo só de aparência; o que era mesmo, um sonso de verdade. Em pouco tempo um leva-e-traz soprou nos ouvidos de dona Merentina. O primeiro impacto dela seria quebrar a cara de rosa, “molequinha que nem se olha”. Dizia, ameaçando levar o fato ao conhecimento do marido, comerciante de conceito no lugar. 

            Ciente do fuxico, Rosa nem ficou com medo e chegou a amiudar as andanças pela rua de Arnaldinho. “Te parto a cara, tipinha!”. Rosa ficou de olho duro, risinho frio, cínica, espevitada, “vá merda, sinhá bruxa!”, respondeu já em disparada, cheia de deboche. E quando o pai dela soubesse da encrenca! Iria chiar na palmatória, puxada pelos cabelos. Bonifácio não era sopa. Pedreiro aformigado, mãos calosas pelo cabo da colher, cinzentas pela cal, pelo cimento. Se Rosa tivesse mãe, a vida seria menos dura, mesmo perdendo parte das vadiagens. Sozinha, cozinhava para Bonifácio, cosicava, enchia o pote, engomava, limpara os sapatos dele nos dias de culto evangélico, a fora outras lidanças, varrendo, lavando, comprando coisas pelas bodegas. Antes dos agarros com Arnaldinho, fazia muito piseiro pela casa da mãe dele, sumia corredor adentro, ia para a cozinha onde ficava fuxicando com uma empregada, cuidando da vida de todo mundo. Mas era dona de um predicado importante: bonita para ninguém dizer o contrário, de cara, de corpo, de pele. Isso deveria render-lhe a tolerância das pessoas, até de dona Merentina antes da encrenca com o filho. Pena que as mazelas fossem tantas, a começar pelo desleixo consigo mesma, descalça, roupa despencando, cabelo embaraçado com uma flor perdida no meio. Uma doidinha, como diziam pessoas da vizinhança. Verdade que, se Rosa não portasse tanta maluquice, nem ia chegar para os admiradores.

            Mas, como! Arnaldinho, agora, nos tampos dela, mesmo enfrentando as durezas da mãe que não dormia no ponto, pedante, crespa, quase violenta.

            Dona Merentina suspirou de alívio quando soube que Rosa andava de chamego com Zacarias, escurinho auxiliar do pai dela que, ciente do acontecimento, deu uns bolos de palmatória nela e dispensou o moleque do trabalho. De pronto, Arnaldinho fazia a renovação, para raiva e desgosto de sua mãe. Zacarias ficou triste, Rosa não saía de seu juízo, bonita, esperta, “um raio de gente”, agora, com a barriga crescendo, um filho de outro no bucho. Ciente do acontecido, dona Merentina assustou-se, entrou em choque. Recuperada, passou a idealizar coisas absurdas, como forçá-la a tomar uma droga para abortar; pediria a um médico um abortivo seguro e ameaçaria Rosa: “se não tomar, mando te matar!”. Voltava a lembrar de Bonifácio, temia providências dele levando o caso para Seu Borges, delegado de polícia, sujeito sisudo e justiceiro. De qualquer modo, Arnaldinho era caso perdido, havia traído os preceitos da família, misturando-se com quem não presta. Nem teria condição de preparar-se para o vestibular.

            Ciente do fato, o pai de Rosa ficou assustado, com medo, frustrado, sentindo-se inferior à família de Arnaldinho. Fez cálculos, acrescentou, deduziu e resolveu ir-se embora do lugar, carregando a filha. Dona Merentina viu a mudança, passou pelo outro lado da rua como quem não repara. Bonifácio, na carroceria de um caminhão com utensílios velhos e trouxas. Rosa, na cabine, cabelo voando, boca cheia de batom. “Um alívio”. Lembrou que pedira ajuda aos santos, com fé, agora era atendida. Compraria flores e velas, enfeitaria o altar da igrejinha, mandaria celebrar uma missa de ação de graças. Testemunhou o carro saindo até quando sumiu de vista, levando Rosa para as profundas. Não precisaria mais aporrinhar o marido, “homem frouxo, sem decisão”. Por que Arnaldinho não apareceu para o almoço?

            Numa curva da estrada, ele deu com uma mão e subiu para a cabine, sentando-se ao lado de Rosa.

            Dona Merentina não soube, até hoje, se a fuga dele foi tramada pelos três ou se Arnaldinho pegou a ponga, de cara dura. Certo é que ela ficou alucinada, falando aos conhecidos íntimos que estava sentindo vontade de se matar.

 

(LINHAS INTERCALADAS – 2ª EDIÇÃO)

Ariston Caldas


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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA PUBLICA SUA REVISTA GURIATÃ/3

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original


                                Academia de Letras de Itabuna

Publica Sua Revista Guriatã/ 3

 

Com o selo da Libri Editorial, de Brasília, a Academia de Letras de Itabuna acaba de publicar o número 3 da sua revista Guriatã na qual traz artigos e ensaios, poesia, ficção, textos diversos, discursos e registros, assinados  pelos acadêmicos integrantes do corpo de associados e por escritores convidados, além de  divulgar uma série de atividades literárias e culturais dos membros da instituição.


Segundo o editor da revista, escritor  e poeta Cyro de Mattos,[foto ao lado] que também é membro efetivo da Academia de Letras da Bahia,  no editorial “Revista como pássaro das letras e da cultura”,   como cidadela de resistência, arquitetada na palavra escrita, Guriatã vem pela terceira vez   com o seu canto para repercutir  em espaço de construção de conhecimento, permuta de experiências literárias, em especial  as que são produzidas  na região Sul da Bahia.

Segundo ele, “Guriatã comporta o pensamento e o sentimento como crença de que o veículo dessa natureza impresso ainda funciona no contexto dos tempos atuais, em que prevalece a imagem visual e/ou a linguagem internética movida pela rapidez e globalização do que transmite.”

A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) é presidida atualmente pela professora  Silmara Oliveira. A revista apresenta dessa vez textos de Reheniglei Rehem, Heloísa Prazeres e Marcus Mota, doutores em Letras;  ensaio de Cyro de Mattos sobre romance de estreia de Dostoiewski;   poemas de Telmo Padilha, Valdelice Pinheiro, Walker Luna, Ruy Póvoas, Renato Prata e Ceres Marylise; contos de Aramis Ribeiro Costa, Lilia Gramacho e Gerana Damulakis;  crônicas de Raquel Rocha, João Otávio e  Ruy Espinheira Filho;  discursos de Sônia Maron e Silmara Oliveira, além de ampla  divulgação das atividades literárias e culturais dos membros da instituição. 


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terça-feira, 8 de setembro de 2020

SANTA CASA DE LORETO — A TRASLADAÇÃO ANGÉLICA

Afresco “Nascimento da Virgem” (entre 1486 e 1490), na Capela Tornabuoni da Igreja Santa Maria Novella (Florença). Obra o artista florentino Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494).

Neste dia 8 de setembro celebramos o aniversário de Nossa Senhora — Sua Natividade na Santa Casa de Nazaré, que foi transladada milagrosamente para Loreto na Itália, no século XIII. Naquele sacrossanto recinto, Ela foi educada por seus veneráveis pais, Sant´Ana e São Joaquim, e ali também recebeu a Visitação do arcanjo São Gabriel, quando Lhe anunciou de que Ela fora escolhida para ser a Mãe de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Há 100 anos, em 24 de março de 1920, o Papa Bento XV proclamou Nossa Senhora de Loreto Padroeira dos Aeronautas. Para comemorar esse centenário, iniciou-se em 8 de dezembro de 2019 um Jubileu Lauretano para os viajantes de avião, militares e civis, bem como para fiéis do mundo inteiro que visitarem a Santa Casa de Loreto (Itália). O Ano Santo, durante o qual se pode receber a indulgência plenária, se encerrará em 10 de dezembro de 2021.

O bispo de Loreto, Dom Fabio Dal Cin, lembrou que “a indulgência plenária de ano jubilar incentivará os fiéis que atravessarão a Porta Santa a pedir o dom da conversão a Deus e a reviver sua devoção filial Àquele que nos protege nas viagens aéreas”.

Quase concomitantemente com o anúncio do Jubileu, a Congregação para o Culto Divino introduziu em 7 de outubro de 2019 a Memória facultativa de Nossa Senhora de Loreto no Calendário Romano Geral, a ser celebrada em 10 de dezembro. Mas omitiu-se totalmente qualquer referência à trasladação milagrosa da Santa Casa; e também não se enfatizou que, ao longo dos séculos, precisamente esse fato miraculoso está no cerne da veneração dos fiéis. Formulações assim, insuficientes, ambíguas ou contraditórias, infelizmente tornaram-se típicas em muitos membros da Hierarquia católica nas últimas décadas.

Note-se também que Nossa Senhora de Loreto foi declarada Padroeira dos Aeronautas, mas esta é uma profissão que nem sequer existia quando se deu a trasladação da Santa Casa de Loreto (de 1291 a 1296, em várias etapas – Ver adiante). Vincula-se a escolha desse título de padroeira a um reconhecimento tácito da trasladação aérea miraculosa por meio dos anjos, pois não se justificaria se ela tivesse sido trasladada por via marítima, graças à perícia de homens do mar. Além disso, a liturgia secular sempre celebrou a trasladação das paredes, e não da imagem de Nossa Senhora venerada em Loreto. Os textos escolhidos para a missa e o decreto do culto divino ignoram todos esses aspectos milagrosos.



Trasladação da casa de Maria para Loreto – Anônimo, 

primeira metade do séc. XVI.


Histórico comprovado das trasladações

Basílica da Anunciação, em Nazaré, lugar onde originalmente se encontrava a casa da Sagrada Família

            Entre 9 e 10 de maio de 1291, quando se aproximava o fim da presença dos cruzados na Terra Santa, um acontecimento extraordinário ocorreu em Nazaré, na Palestina. Naquela noite desapareceu da Basílica da Anunciação uma preciosa relíquia, guardada ali durante séculos: a Santa Casa onde residira Nossa Senhora. Nela a Virgem Santíssima recebera o anúncio do arcanjo Gabriel e dera o seu consentimento (Fiat). O Verbo então se fez carne, iniciando-se assim a Redenção da humanidade.

            Quem fosse àquele vilarejo da Galiléia a partir de 10 de maio de 1291 não encontraria mais as três paredes que compunham o lar da Sagrada Família, ali presentes até o dia anterior. Eram apenas três paredes, porque a quarta correspondia ao fundo representado por uma pedreira, num tipo de construção comum na Palestina. As paredes reapareceram na manhã do mesmo dia na floresta de Tersatto (hoje um distrito da cidade de Rijeka, na Croácia).

            A partir de então, durante exatamente três anos, a famosa relíquia se tornou um destino de peregrinações e devoção. Na noite entre 9 e 10 de dezembro de 1294, a Santa Casa desapareceu milagrosamente de Tersatto, do mesmo modo como ali chegara. As três paredes, marcadas pela presença da Sagrada Família, chegaram depois à Itália na região das Marcas, território pertencente aos Estados Pontifícios.

            Historicamente, antes de chegar aonde é hoje venerada, sua presença foi confirmada em três lugares: em Ancona (na localidade de Posatora) e em Loreto, primeiro na planície (atual local de Banderuola); depois no campo de propriedade de dois irmãos (em frente ao atual santuário); e finalmente, em dezembro de 1296, instalou-se onde se encontra hoje. Segundo a tradição, imortalizada em inúmeras pinturas e esculturas, todas as trasladações mencionadas ocorreram milagrosamente pela ação de anjos.

            Ninguém no mundo católico duvida de que se encontra em Loreto a Santa Casa de Nazaré. No entanto, há algumas décadas sua trasladação angélica foi infelizmente reduzida a uma mera lenda, difundida assim por eclesiásticos que se obstinam em seguir os passos maliciosos de protestantes, iluministas e modernistas.

            Seria crível o transporte das paredes sagradas ter ocorrido por meio de homens? Como explicar tanta troca de lugares? Muito estranho também seria operações assim, de si complexíssimas, não terem sido planejadas, executadas nem documentadas de nenhuma forma por ninguém. Teria sido tecnicamente possível enviar por navio, tantas vezes, pedras que depois se reorganizariam de modo perfeito? Por que colocar a Santa Casa numa via pública, sendo que a lei local proibia ali qualquer construção, sob pena de prisão?

            O arquiteto Federico Mannucci, em um documento de 1923, afirmou: “É absurdo pensar que a casa poderia ter sido transportada por meios mecânicos […]. O que é surpreendente e extraordinário é o edifício da Santa Casa permanecer inalterado, sem a menor sustentação e sem o menor dano às paredes; pois não possui fundação e está localizado em terreno sem consistência, dissolvido e sobrecarregado, ainda que parcialmente, com o peso da abóbada construída no lugar do telhado”. O arquiteto Giuseppe Sacconi afirmou que “a Casa Santa é parcialmente apoiada no final de uma estrada antiga e parcialmente suspensa acima da vala adjacente”, razão pela qual não pode ter sido construída ou reconstruída como está, no local onde se encontra.


Interior da Santa Casa de Loreto [Foto: Michael Gorre].

A tradição sustentada pela construção

            Outro elemento comprobatório provém da técnica de construção. A argamassa com a qual as pedras em Loreto são ligadas vem da Palestina na época de Jesus. Como compatibilizar esta evidência com uma reconstrução posterior a um eventual transporte por navio? Como seria possível também, após muitas mudanças e várias reconstruções, não ser alterada a geometria perfeita da Santa Casa, que combina inteiramente com as dimensões das fundações deixadas em Nazaré?

            O transporte humano da Santa Casa é uma mera hipótese, sem nenhuma prova, e serve apenas para minar a fé do peregrino, contradizendo séculos de estudos e demonstrações, além de numerosos pronunciamentos pontifícios e testemunhos de santos. Como geralmente acontece, a tradição da Igreja é muito mais confiável e “científica” do que a suposta modernidade dos progressistas católicos.

Baluarte na luta contra o islã e lugar de milagres


Nossa Senhora e o Menino na Santa Casa de Loreto, anônimo, séc. XVII

            Para conhecer com mais profundidade sobre a “questão lauretana”, recomendamos a leitura do livro O milagre da Santa Casa de Loreto, escrito pelo jornalista italiano Federico Catani(lançado recentemente em português pela Ambientes & Costumes Editora, São Paulo). A obra se destaca por seu rigor histórico sólido e convincente, tanto quanto pela riqueza do material iconográfico. É um excelente guia para quem, neste ano do Jubileu Lauretano, deseje conhecer melhor aquelas paredes onde a Virgem Mãe de Deus foi concebida imaculada e recebeu o anúncio do arcanjo Gabriel.

            O livro não apenas comprova a veracidade histórica das trasladações milagrosas da Santa Casa, como trata de toda a história do Santuário de Loreto e de seu papel essencial na história do cristianismo universal e na defesa da Europa; por exemplo, dos papas e dos generais que se voltaram para Nossa Senhora de Loreto antes de travar as batalhas mais decisivas da Cristandade contra o Islã: a de Lepanto (1571) e a de Viena (1683).

            Centenas de homens ilustres — reis, rainhas, santos, homens de letras, filósofos e músicos — foram como peregrinos a Loreto, onde milagres extraordinários de cura e conversão ocorreram e ainda ocorrem.

            Foi entre aquelas paredes que São Luís Maria Grignion de Montfort teve a inspiração para escrever seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. De fato, que lugar haveria mais adequado para fazer a escolha de viver o cativeiro de amor por Nossa Senhora? Assim como Nosso Senhor, encarnado no ventre de Maria Santíssima, se tornou completamente dependente dela, também os católicos que fazem a consagração pregada por esse santo vandeano se entregam totalmente à Mãe de Deus.


Santuário da Santa Casa de Loreto, Itália.

Princípios não negociáveis         

Nas páginas finais do livro, o autor afirma que a Santa Casa pode e deve ser vista pelos fiéis do terceiro milênio como o Santuário dos princípios não negociáveis, e também como ponto de referência para os desafios que nos aguardam no futuro próximo. Em Loreto, portanto, é possível encontrar a energia espiritual para combater, com especial vigor nestes tempos calamitosos, o bom combate em defesa de princípios inegociáveis: a sacralidade da vida inocente desde a concepção até a morte natural; a verdade antropológica do homem e da família; a intangibilidade do casamento como uma união fecunda sacramental e indissolúvel entre o homem e a mulher; e o direito prioritário dos pais de educar seus filhos.



 

https://www.abim.inf.br/santa-casa-de-loreto-a-trasladacao-angelica/

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