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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: O Dr. Abraham - Uma resposta de Deus












O Dr. Abraham, conhecido especialista em câncer, 
já estava a caminho de uma importante conferência 
em outra cidade, onde receberia um prêmio no campo
da pesquisa médica.
 Ele estava animado com o prêmio e assim embarcou 
em um avião para o local.
No entanto, duas horas depois de o avião decolar, 
fez um pouso de emergência
no aeroporto mais próximo devido a um problema técnico.

Com medo de não conseguir chegar a tempo da 
conferência, ele foi imediatamente
à recepção para fazer perguntas. Ele descobriu que 
teria que esperar dez horas
pelo próximo voo até o seu destino! 
Ele alugou um carro e dirigiu-se à cidade da conferência, 
que ficava a quatro horas de distância.

Logo depois que ele saiu, o tempo mudou e uma 
forte tempestade começou. O aguaceiro tornou difícil 
para ele ver, então ele perdeu  uma curva que 
deveria fazer.

Dirigindo na chuva pesada em uma estrada deserta, 
sentindo fome e cansado, ele, freneticamente começou 
a procurar por qualquer sinal de civilização.

Ele se deparou com uma pequena casa e bateu na porta. 
Uma bela dama abriu a porta. Ele explicou sua situação 
e queria usar o telefone, mas a moça disse que não tinha.
Ela, no entanto, pediu-lhe para entrar e esperar até que 
o tempo melhorasse. O médico que estava com fome 
e exausto aceitou a oferta. A senhora ofereceu-lhe algo 
para comer e beber.

Ela pediu-lhe que se juntasse a ela em suas orações, 
mas ele recusou. Ele disse que acreditava em trabalho duro, 
não em orações!
Sentado à mesa e tomando seu chá, o médico observou 
a mulher rezar muitas vezes ao lado do berço de um bebê. 
Sentindo que a mulher poderia precisar de ajuda, 
o médico perguntou-lhe se ela precisava de alguma coisa. 
Ela lhe disse que precisava de Deus e ele perguntou 
se Deus alguma vez havia ouvido suas orações.

Quando ele perguntou sobre a criança no berço, 
a mulher explicou que seu filho estava com câncer. 
E eles tinham sido aconselhados a consultar um médico 
chamado Abraham, que poderia curá-lo,  mas ela 
não tinha dinheiro suficiente para pagar seus honorários. 
Ela disse que Deus ainda não havia respondido 
suas orações, mas disse que Deus criaria alguma saída um dia. 
Ela acrescentou que não permitiria que seus medos 
superassem sua fé!

Atordoado e sem palavras, o Dr. Abraham começou a chorar!
Ele foi forçado a dizer em voz alta: "Deus é grande" 
e se lembrou da mulher, toda a sequência de eventos ruins: 
mau funcionamento no avião, uma tempestade e 
como ele se perdeu. 
Tudo isso aconteceu porque Deus respondeu as orações.
Queria dar a ele uma chance de sair de sua escravidão 
na carreira materialista e dedicar algum tempo a uma pobre 
mulher indefesa que não tinha nada além de ricas orações!

Oh! Que Deus!

Deus pode não responder às suas orações do seu jeito,
mas ele sempre responderá do Seu jeito.

Nos bastidores, ele moverá os homens, o clima, eventos, 
circunstâncias, etc., a fim de obter o melhor para você!

Não pare de confiar!
Não pare de esperar!

Deus está ocupado planejando sua mudança este ano!

Aguente!
Aguarde!

Procure-O diariamente!
 .................

(Recebi via WhatsApp. Autor não mencionado)

* * *






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VALE — privatização de mentirinha


10 de Fevereiro de 2019
♦  Péricles Capanema
Sublinhada pelo encontro dos corpos soterrados na lama e pelo escoar lento do Paraopeba tóxico, a tragédia em Brumadinho (MG) lembra doloridamente ao Brasil enlutado a necessidade contínua de medidas de prevenção, de nada deixar ao acaso, de ter sempre diante dos olhos a possibilidade pior. Em suma, retirar de cada fato ou princípio, até o fim, suas decorrências lógicas e agir segundo elas; é criar o hábito da responsabilidade.

Nosso hábito é outro, namoramos o desleixo, a imprevidência, a inconsequência, brincamos inconsideradamente com a lógica. Tudo leva a crer, Brumadinho, encaixada no contexto de Mariana, boate Kiss, alojamento do Flamengo, incêndio no Museu Nacional, é prenúncio de outras tragédias.

No âmago da catástrofe, repito, está o hábito de nada levar até suas últimas consequências lógicas. Vou dar um exemplo gritante, relacionado com o que acima comentei. Muita gente, qual urubu na carniça, aproveitou-se de a VALE estar no miolo do drama que desabou sobre Brumadinho, para criticar a privatização da empresa, e por ricochete, a política de privatização em geral. O novo rumo teria diminuído preocupações sociais e cuidados com o meio ambiente. Prejudicaria o povo, favoreceria os ricos; em suma, seria antissocial.

Vamos devagar, começando por recordar alguns marcos, o que poderá evitar que muita gente continue saudosa do atraso e agarrada nos enredos do retrocesso. A VALE (antiga “Vale do Rio Doce”), criada empresa estatal em 1942 por Getúlio Vargas, foi privatizada em maio de 1997 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em números redondos, é empresa privada há 22 anos, uma vida. Quem manda em empresa privada são os acionistas. Certo? Na VALE, em termos. Acionistas, sim, grandes, mas não privados.

Trago à baila trechos da delação de Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, que não é grande acionista da VALE, divulgada em maio de 2017. Em conversa com o megaempresário o então senador Aécio Neves lhe garantiu que já não conseguiria nomear o presidente da VALE (desejo dele), mas Joesley Batista poderia indicar um outro diretor e seria atendido. A contrapartida eram os dois milhões de reais na mão para, afirmava o senador, pagar despesas de advogado. Coisa de comparsas, Joesley Batista, hoje condenado, teria garantido até 40 milhões se conseguisse sentar alguém de sua confiança na presidência da VALE. Palavras de Joesley Batista constantes do material da delação: “Aí ele [Aécio] falou, ‘não pode porque eu já nomeei’. Parece que a Vale tem uma governança pra ter uma independência pra escolher presidente, mas parece que eles têm algum jeito de fraudar esse troço e virar presidente alguém com nomeação política. Ele [Aécio] me explicou isso, disse ‘nós fizemos um treco lá que em tese é independente, mas na prática o candidato da gente acaba ganhando’. Ele disse que eu poderia escolher qualquer uma das quatro diretorias, que eu escolhesse e que ele botava quem eu quisesse, se fosse o Dida, ele botava o Dida”. O Dida é Aldemir Bendine, hoje condenado e preso por corrupção.

Lauro Jardim, cerca de dois meses antes da divulgação do material acima, já informava que a escolha do presidente da VALE vinha de “uma triangulação da qual participaram os acionistas (Bradesco à frente), Michel Temer e Aécio Neves. Quando oficialmente a Vale contratou a Spencer Stuart para encontrar o nome do sucessor de Ferreira, foram agregados pela empresa duas dezenas de nomes aos de Schvartsman”.

Fundos de pensão de estatais e BNDES (controlados pelo governo) são grandes acionistas da VALE. O que dá aos políticos enorme ingerência na empresa. A coerência da política de privatizações mandaria o governo entregar a empresa à iniciativa privada. Não o fez; saiu pela porta da frente e entrou pela porta dos fundos. E a situação geradora de lambanças está assim há mais de 20 anos.

Existe pior. Boa parte das empresas privatizadas depois de 1997 hoje se encontra nas mãos de estatais chinesas (ou, por outra, nas mãos do Partido Comunista Chinês) e também nas mãos de estatais de países ocidentais.

Vai abaixo o que divulguei em dezembro de 2015, ainda no governo Dilma, no artigo “Desnacionalização suicida”, serve para hoje, espero que não valha no futuro: “Nunca fui nacionalista; vejo com simpatia a presença de empresas estrangeiras entre nós. Mas o caso agora é outro. Em 25 de novembro último, o governo colocou à venda concessões por 30 anos para as usinas de Ilha Solteira, Jupiá, Três Marias, Salto Grande, 29 hidrelétricas no total. Ganharam o leilão CEMIG (estatal), COPEL (estatal), CELG (estatal), CELESC (estatal), ENEL (forte presença do governo italiano) e THREE GORGES (estatal chinesa). A estatal chinesa ficou com 80% da energia e pagou R$13,8 bilhões pela outorga. Vejam esta falácia lida por milhares, quem sabe milhões, ilustra como os meios de divulgação vêm tratando o caso: ‘Com os ativos recém-adquiridos, a CTG [China Three Gorges, a estatal chinesa] atinge capacidade instalada de 6.000 W, tornando-se a segunda maior geradora privada do país’”.

Privada? Capitais do Estado chinês, dirigido tiranicamente por um partido imperialista e totalitário. Temos no caso estatismo agravado, mais danoso que o estatismo brasileiro, com suas roubalheiras e incompetências. A dizer verdade, o programa de desestatização brasileiro, em vários de seus aspectos importantes, é uma enganação monstruosa e vergonhosa. Chega até a ameaçar a segurança nacional.

Fecho. A irresponsabilidade tem raiz na falta de lógica, no hábito de conviver com a incoerência. Agora vitimou Brumadinho. Antes, causou outras desgraças. No futuro, provocará tragédias parecidas. Se não forem expulsas a incoerência e a ilogicidade, alimentadoras do descaso, do desleixo e da irresponsabilidade.



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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sínodo da Amazônia 2019: "Da Igreja para a Igreja > novos caminhos para a evangelização da Amazônia".

LOURDES — a aparição que confirmou um dogma


11 de Fevereiro de 2019

Em meio ao “dilúvio de males” que atualmente inunda a Terra, podemos tocar com as mãos um “pedaço” do Céu. Trata-se de Lourdes, um dos maiores centros de peregrinação do mundo, onde se realizam inúmeros milagres e maravilhas da graça, por intercessão d´Aquela que ali afirmou: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Para o centenário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu artigo especial publicado na revista Catolicismo (edição de fevereiro/1958 – link abaixo).
Seguem trechos dessa matéria para rememorarmos Lourdes neste ano em que se completam 161 anos das aparições.

Primeiro marco do ressurgimento contra-revolucionário

A 11 deste mês de fevereiro, transcorrerá o centenário da primeira das aparições de Lourdes.

“O fato, na singeleza de suas linhas mais essenciais, ninguém o ignora. Em 1854, pela Bula Ineffabilis, o grande Papa Pio IX [quadro ao lado] definia como dogma a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Em 1858, de 11 de fevereiro a 16 de julho, Nossa Senhora aparecia 18 vezes, em Lourdes, a uma filha do povo, Bernadette Soubirous [foto abaixo], declarando ser a Imaculada Conceição. A partir dessa ocasião, tiveram início os milagres. E a grande maravilha de Lourdes começou a brilhar aos olhos de todo o mundo, até nossos dias. O milagre confirmando o dogma, eis em resumo a relação entre o acontecimento de 1854 e o de 1858.

 Século XIX: problemas análogos aos de nosso século

“O que, entretanto, é menos conhecido pelo grande público é a relação desses dois grandes fatos com os problemas dos meados do século XIX, tão diversos dos de hoje, mas ao mesmo tempo tão e tão parecidos com eles.

“Ao definir o dogma da Imaculada Conceição, o Papa Pio IX despertou em todo o orbe civilizado repercussões ao mesmo tempo díspares e profundas.

“De um lado, em grande parte dos fiéis, a definição do dogma suscitou um entusiasmo imenso. Ver um Vigário de Jesus Cristo erguer-se na plenitude e na majestade de seu poder, para proclamar um dogma em pleno século XIX, era presenciar um desafio admiravelmente sobranceiro e arrojado ao ceticismo triunfante, que já então corroía até as entranhas a civilização ocidental […].

“Mas, para glorificar ainda melhor sua Mãe, Nosso Senhor fez mais. Em Lourdes, como estrondosa confirmação do dogma, fez o que nunca antes se vira: instalou no mundo o milagre, por assim dizer, em série e a título permanente. Até então, o milagre aparecera na Igreja esporadicamente. Mas em Lourdes, as curas mais cientificamente comprovadas e de origem mais autenticamente sobrenatural se dão, há cem anos, a bem dizer a jato contínuo, à face de um século confuso e desnorteado […].

Hora de castigo – hora de misericórdia

“Estamos vivendo uma terrível hora de castigos. Mas esta hora também pode ser uma admirável hora de misericórdia. A condição para isto é que olhemos para Maria, a Estrela do Mar, que nos guia em meio às tempestades.

“Durante 100 anos, movida de compaixão para com a humanidade pecadora, Nossa Senhora tem alcançado para nós os mais estupendos milagres. Esta piedade se terá extinguido? Têm fim as misericórdias de uma Mãe, e da melhor das mães? Quem ousaria afirmá-lo? Se alguém duvidasse, Lourdes lhe serviria de admirável lição de confiança. Nossa Senhora há de nos socorrer”.
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domingo, 10 de fevereiro de 2019

EUROPEIZAÇÃO – Plinio Corrêa de Oliveira


10 de Fevereiro de 2019
Um estado de espírito elevado, oposto ao prosaísmo das coisas

♦  Plinio Corrêa de Oliveira

Denomino “europeização” a compreensão do que a Europa tem de bonito e a adoção do estado de espírito do europeu. Não seria uma pura valorização do que há na Europa, mas a aquisição de um modo de ser inspirado no europeu.

Os europeus procuram organizar a vida de modo belo, com valores positivos. Em suas casas, por exemplo: se há uma janela disponível, eles colocam um vaso com gerânios; se há um jardinzinho, plantam flores com desenhos lindos; tendo um belo panorama, aparecem artistas para ver, pintar, fotografar; comentam o panorama e extasiam-se com ele; expõem quadros com as pinturas. Tudo aquilo vai entrando na cultura do povo.

Os brasileiros, entretanto, ao contrário dessa impostação de alma, geralmente não incorporam as coisas com aquele estado de espírito do europeu, mesmo tendo nós panoramas realmente bonitos. Se adquirissem esse estado espírito, ficariam com apetência desse tipo de prazer intelectual. Bem diferente da apetência pela politicagem, pela sensualidade, pela torcida desenfreada no esporte… São defeitos contra os quais se deve remar.

Há nisso um sentido religioso? Há, evidentemente, pois as coisas magníficas da natureza nos foram dadas pela Providência para nos elevarmos a Deus. São imagens da sublimidade d’Ele. É evidente que a posição de fechamento, de não se ter a alma aberta em relação ao sublime, leva as pessoas para o que é prosaico. Portanto, representa um fechamento para a imagem que Deus colocou nas coisas criadas por Ele. Tal fechamento para os aspectos sublimes das coisas representa, substancialmente, algo de antirreligioso.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 31 de outubro de 1966. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (117)


5º Domingo do Tempo Comum – 10/02/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 5,1-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus.
Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes.
Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.
Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”.
Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”
É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer.
Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.
Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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Viver em redes... sem enredar-se
  
“Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes...” (Lc 5,4) 

Indiscutivelmente, Jesus é o misterioso visitante que cada dia chega até nós para advertir que precisamos nos libertar do tedioso cotidiano, quando ele se torna convencional e, não raro, carregado de desencanto, pesado, estressante... Corremos o risco de sermos apenas imitadores ou repetidores, pois tememos nos perder na busca do novo, bloqueando o desenvolvimento pessoal e comunitário. 

O encontro com Jesus nos arranca da rotina, do “sempre fizemos assim” e nos desafia a “pescar” de maneira diferente; sua presença alarga nossa mente e nosso coração instigando-nos a sair dos nossos estreitos mares e entrar no movimento do vasto mar que Ele nos oferece.

Em quê grau Sua presença nos desperta para aquilo que devemos ser como seus(suas) seguidores(as)? São grandes os riscos de vivermos em mares tão estreitos; é cômodo perceber, delimitar, defender e fechar-nos no próprio mar. Isso fazemos de maneira tão zelosa que nem vemos aquilo que está para além da margem onde nos estabilizamos.
   
Tal estreiteza de vida aprisiona a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgentes. O próprio espaço se torna uma couraça e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz.

Hoje, o lago de Tiberíades se converteu numa grande rede que abarca o mundo inteiro. Mas, o que as pessoas buscam nessa grande rede? E, sobretudo, o quê estamos oferecendo nela para evangelizar? 

Com um só click podemos chegar a milhões de pessoas, podemos fazer muito bem, mas também podemos criar muita confusão e inclusive repulsa, podemos levar a mensagem de Jesus ou simplesmente fazer transparecer todo o nosso ego inflado, cheio de si mesmo. As redes sociais têm seus perigos, mas também tem suas grandes oportunidades que não podemos desperdiçar. Vamos nos dando conta que, enquanto não evangelizemos a partir dos meios eletrônicos modernos, não poderemos encher nossas redes de peixes. O seguimento de Jesus implica hoje a necessidade de evangelizadores nas redes sociais. 

Tendo as ferramentas em mãos (nossas pobres barcas e redes) e sendo portadores de uma mensagem de vida (o evangelho) somos movidos por Jesus a “ser pescadores do humano”. No mar das redes sociais ressoa mais uma vez o apelo de Jesus: “fazei-vos pescadores do humano”. Frente a esta nova realidade, quê tipo de profecia responde melhor a nossa peculiar forma de cooperar na missão do Espírito do Abbá e de Jesus.

Estamos no mundo das telas: através delas nos interconectamos, transmitimos informações, saberes. As diversas telas tendem à convergência: com um só dispositivo, fixo ou móvel, podemos falar, enviar e receber fotos, música, vídeos e qualquer tipo de arquivo; com o “boom” das redes sociais podemos fazer isso com o grupo que elegemos em cada momento. 

Se há algo que caracteriza nosso tempo é a nova consciência de ser rede-comunhão-interconexão-unidade. Encontramo-nos em um tempo surpreendente: as espetaculares inovações tecnológicas nos convidam a entrar numa inimaginável rede de informações, imagens, conexões... Nosso planeta está dotado de uma complexíssima textura de comunicações. Com apenas alguns clics oferece-se, diante de nós, um mundo complexo, de graça e maldade, de alianças para o bem e para o mal, de luzes e trevas.

E aí estamos nós, seguidores(as) de Jesus, “em-redados(as)”, nos perguntando por nossa identidade cristã, na vivência do Evangelho e na missão de nos fazer presentes neste “novo mundo”. Todos já sabemos que tudo está interconectado: a globalidade é interação. Lentamente vai-se tomando consciência de que formamos parte de um todo. A realidade vai se revelando como um manto sem costuras, sem fraturas, onde todos estamos implicados e comprometidos. 

“Rema mar adentro!”, ressoa a voz de Jesus. A multidão permanece em terra; somente Pedro e seus companheiros se adentram no mar profundo. Este apelo de Jesus é muito simbólico. Em grego “bados” e em latim “altum” significam profundidade (alto mar); só nas profundezas é que se pode extrair o mais autêntico do ser humano, o que é mais nobre e divino. 

Tudo o que, em vão, buscamos na superfície, está dentro de nós. Mas, ir mar adentro não é tão fácil como pode parecer. Exige ultrapassar as seguranças do “eu superficial” e adentrar-nos nas incontroladas águas de nosso ser profundo. Confiar naquilo que não controlamos exige uma fé-confiança autêntica. Dizia Teilhard de Chardin: “Quando descia ao profundo de meu ser, chegou um momento em que não ‘dava mais pé’ e parecia que me deslizaba para o vazio”. 

O mar era o símbolo das forças do mal. “Pescar homens” era um dito popular que significava tirar alguém de um perigo grave. Não quer dizer, como se entendeu com frequência, fazer proselitismo ou converter as pessoas à força para a religião cristã. Aqui quer dizer: ajudar as pessoas a sair de todas as opressões que lhe impedem crescer e desenvolver suas potencialidades. Só pode ajudar o outro a sair da influência do mal aquele que encontrou o que é mais verdadeiro e nobre dentro de si mesmo. 

Neste contexto atual, onde corremos o risco de nos converter em pessoas “grudadas” a uma tela, se faz mais necessário que nunca humanizar a rede para “pescar o humano” que está escondido no oceano interior de cada um. Esta humanização requer, em primeiro lugar, muita responsabilidade. 

Tudo isto nos leva a pensar que na rede há uma grande necessidade de silêncio (“silêncio na rede”), precisamente para que possamos ouvir a verdade com amor. Há excessivas palavras que afogam, notícias falsas, “bullings”, campanhas desqualificadoras e comentários feitos com extrema má educação. Sobretudo nas páginas religiosas, precisamos de um silêncio construtivo para que se escute a verdade que liberta.

Silêncio construtivo significa utilizar uma linguagem propositiva, compreensiva, que estenda pontes de diálogo, que escute o outro que é diferente, que leve em conta o que “o outro” diz, talvez um aspecto da realidade que nos tinha escapado.

Silêncio construtivo significa tomar partido pelos mais fracos e excluídos; significa usar uma linguagem que sare as feridas, que reconstrua os vínculos quebrados. Uma página (mensagem) que só busca condenar, que só revela intolerância e preconceito, não pode ser evangélica. Literalmente, “há demasiado disparos” que desumanizam. Precisamos do azeito do consolo que cura as feridas, o vinho da esperança que nos une como irmãos acima das diferenças, o pão da compaixão que alimenta e eleva ... 

É preciso fazer a “travessia” do estreito mar de nossa vida, onde nossas inúteis barcas e redes só “pescam” futilidades e lixo, para o grande oceano que Jesus nos oferece, carregado de vida e vida em plenitude. 

Texto bíblico:  Lc 5,1-11 

Na oração: “Rema mar adentro e desce ao profundo de teu ter!” É um convite dirigido a todo ser humano. Sem essa profundidade, não é possível a plenitude humana. A contemplação é o único caminho.

“Não é necessário que percorras os mares buscando alimento; aprende a pescar em teu próprio mar interior; o que com tanto afinco buscas fora de ti, já tens ao alcance da mão, dentro de ti. Se não tens pescado nada, quê poderás oferecer aos outros? Se não tens aprendido a pescar, como poderás ensinar a outros? Dá verdadeiro sentido à tua vida e ajudarás os outros a atingir o mesmo”. (cf. Fray Marcos)


Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 9 de fevereiro de 2019

NATURALISMO - Aluísio Azevedo




            O estilo realista, objetivo, com muitos pormenores, apresentando as pessoas como se fossem animais e anormais, mostrando atitudes típicas da considerada “ralé humana” em cenas grosseiras, chama-se estilo naturalista ou NATURALISMO.

            O naturalismo é um exagero do Realismo, dominado por extremo materialismo. As pessoas são animalizadas, agem e reagem por instinto, como se fossem bichos. Tudo isso, para criticar a sociedade e suas injustiças.

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UM AUTOR NATURALISTA

            ALUÍSIO TANCREDO GONÇALVES DE AZEVEDO nasceu em 1857 e morreu em 1913. Era filho do vice-cônsul português em São Luís (Maranhão). Estudou ali até o secundário. Foi para o Rio de Janeiro e trabalhou como caricaturista nas redações de jornais políticos e humorísticos. Foi diplomata e morreu em Buenos Aires.
   
            Sua linguagem era chocante, objetiva, direta. Procurava denunciar pela palavra a miséria, a corrupção moral, à luz dos novos conceitos científicos. Muitos de seus personagens são doentes físicos, mentais ou fisiológicos, vítimas de suas próprias imperfeições. É considerado escritor naturalista. Sua obra “O Mulato”, publicada em 1881, ao lado de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, é considerada como marco inicial do realismo em nossa literatura.

            OBRA: Romances: “Uma Lágrima de Mulher”; “O Mulato”; “Casa de Pensão”; “Filomena Borges”; “O Coruja”; “O Homem”; “O Esqueleto”; “O Cortiço”; “Mortalha de Alzira”; “Livro de uma Sogra”; “O Touro Negro”.

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“SEO” LIBÓRIO COME COMO UM PORCO!


            Anoitecia já.

            O velho Libório, que jamais ninguém sabia ao certo onde almoçava ou jantava, surgiu do seu buraco, que nem jabuti quando vê chuva.

            Um tipão, o velho Libório! Ocupava o pior canto do cortiço e andava sempre a fariscar os sobejos alheios, filando aqui, filando ali, pedindo a um e a outro, como um mendigo, chorando misérias eternamente, apanhando pontas de cigarro para fumar no cachimbo, cachimbo que o sumítico roubara de um pobre cego decrépito. Na estalagem diziam, todavia, que Libório tinha dinheiro aferrolhado, contra o que ele protestava ressentido, jurando a sua extrema penúria. E era tão feroz o demônio naquela fome de cão sem dono, que as mães recomendavam às suas crianças todo o cuidado com ele, porque o diabo do velho, quando via algum pequeno desacompanhado, punha-se logo a rondá-lo, a cercá-lo de festas e a fazer-lhe ratices para o engabelar, até conseguir furtar-lhe o doce ou o vintenzinho que o pobrezito trazia fechado na mão.

            Rita fê-lo entrar e deu-lhe de comer e de beber, mas sob condição de que o esfomeado não se socasse demais, para não rebentar ali mesmo.

            Se queria estourar, fosse estourar para longe!

            Ele pôs-se logo a devorar, sofregamente, olhando inquieto para os lados, como se temesse que alguém lhe roubasse a comida da boca. Engolia sem mastigar, empurrando os bocados com os dedos, agarrando-se ao prato e escondendo nas algibeiras o que não podia de uma só vez meter para dentro do corpo.

            Causava terror aquela sua implacável mandíbula, assanhada e devoradora; aquele enorme queixo, ávido, ossudo e sem um dente, que parecia ir engolir tudo, tudo, principalmente pela própria cara, desde a imensa batata vermelha e grelada, que ameaçava já entrar-lhe na boca, até as duas bochechinhas engrelhadas, os olhos, as orelhas, a cabeça inteira, inclusive a sua grande calva, lisa como um queijo e guarnecida em redor  por uns pelos puídos e ralos como farripas de coco.

            Firmo propôs embebedá-lo, só para ver a sorte que ele daria. O Alexandre e a mulher opuseram-se, mas rindo muito; nem se podia deixar de rir, apesar do espanto, vendo aquele resto de gente, aquele esqueleto velho, coberto por uma pele seca, a devorar, a devorar sem tréguas, como se quisesse fazer provisão para uma outra vida.

            De repente, um pedaço de carne, grande demais para ser ingerido de uma vez, engasgou-o seriamente. Libório começou a tossir, aflito, com os olhos sumidos, a cara tingida de uma vermelhidão apoplética. A Leocádia, que era quem lhe ficava mais perto, soltou-lhe um murro nas costas.

            O glutão arremessou sobre a toalha da mesa o bocado de carne já meio triturado.

            Foi um nojo geral.

            - Porco! Gritou Rita, arredando-se.

            Pois se o bruto quer socar tudo ao mesmo tempo, disse Porfírio. Parece que nunca viu comida, este animal!

            E notando que ele continuava ainda mais sôfrego por ter perdido um instante:

            - Espera um pouco, lobo! Que diabo! A comida não foge! Há muito aí com que te fartares por uma vez! Com efeito!

            - Beba água, tio Libório! Aconselhou Augusta

            E, boa, foi buscar um copo de água e levou-lhe à boca.

            O velho bebeu, sem despregar os olhos do prato.

            -  Arre diabo! Resmungou Porfiro, cuspindo para o lado. Este é mesmo capaz de comer-nos a todos nós, sem achar espinhas!



                    AZEVEDO, Aluísio – O CORTIÇO, 12ª edição.
                 Ed. Ática, São Paulo, 1982.


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