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segunda-feira, 27 de abril de 2020

O PÁSSARO DO POETA HÉLIO NUNES – Cyro de Mattos


O pássaro do poeta Hélio Nunes
Cyro de Mattos


          Foi com a imagem do pássaro que canta o amanhã justo, o amor da amada com a sua carga de ternura constante, o desejo de um mundo para o filho sem as marcas amargas do presente, que o jornalista e poeta Hélio Nunes teceu e aconteceu seu canto no único livro publicado de poesia. Com capa de Santa Rosa, Pássaro do amanhã é como  canto preso na alma, como diz o poeta, “e ele canta por minha boca.”

          Esse pássaro canta pelo amor, o sentimento mais belo,  pela liberdade,  o mais forte,  pela ternura, que está na infância, pela solidariedade aos meninos abandonados de rua, aos adultos que estão presos e não têm  dinheiro para contratar advogado. Se a esperança veste a ternura  com o sorriso da flor, o canto que veste os versos de Hélio Nunes  é revestido de palavras que se abraçam como velhas amigas, nutre-se do brilho das estrelas,  do enlevo na sua tristeza lírica, como quando o poeta vê o tempo passando enquanto navega em barquinhos de papel da doce infância.
  
          Hélio Nunes produz o poema com este sentimento forte do amor, decorrente de  sonhos  que  propõem a vida com braço ao abraço, sem a escuridão da matéria  que prende o dia claro na noite de estrelas apagadas. Mas também marcado por esse desejo de mudanças,  que extirpem as desigualdades, as doenças  sociais alimentadas com a pobreza para o sobejo das corrupções. Não é uma poesia panfletária, pelo contrário, dotada de linguagem fácil,  a  ideia nada tem de artificial. Impressiona com o seu grito, sua verdade na  palavra escrita com fogo, daí que pode ser lembrada em companhia de poetas do timbre de Thiago de Melo e Moacir Félix.

          No antológico poema “Liberdade”,  Hélio Nunes diz de seu entendimento  sobre o que significa palavra tão cara:  O vento corre,  corre,/ cochicha pelos roseirais, / pelos caminhos levanta pó, /pelos ares arvora bandeiras / raivosas de espumas. /Liberdade – o vento foi feito para correr. //A águia voa, voa, /traça no espaço azul /audaciosas linhas /de uma geometria que ainda /Einstein não estudou./ Liberdade – a águia foi feita para voar.//Além um homem falava/ de igualdade e justiça./Tinha nos olhos o mesmo brilho/ de uma estrela matutina./Liberdade – o homem nasceu para pensar.

          Vê-se assim que poucos poetas trataram o tema com o toque de simplicidade, força verdadeira de versos traçados com sons da alma e cores da vida.

          Ele foi um poeta de seu tempo e lugar. Cantou as primeiras  aventuras siderais do homem. Ofertou sorrisos e flores à amada Valquíria,  a companheira  verdadeira, a mulher de fibra  e resignada, com ela teve cinco filhos. De dia como jornalista combativo, à noite construtor de devaneios e sonhos. Certo  é que o livro Pássaro do Amanhã, há tempos raridade bibliográfica, pelo seu conteúdo lírico, desejos límpidos que não são imposições,  cantares que comovem, falares  de atualidade até hoje,   como obra literária e conteúdo humano calcado na  vida sem distorções gritantes  merece ser reeditado. Alguns de seus poemas participam da antologia  Poesia Moderna da Região do Cacau, (1977),  organizada por Telmo Padilha.

          Natural de Aracaju, Hélio Nunes nasceu no dia 17 de abril de 1931.  Fugindo da perseguição policial em 1952, passando por  Cachoeira de São Félix,  veio fixar residência em Itabuna, onde fundou uma gráfica e o “Jornal de Notícias”,  que apresentou em suas páginas uma linguagem diferente  do provincianismo de outros veículos de imprensa locais. Foi também  professor da Escola de Contabilidade local. Fez um manifesto sobre a situação deplorável de crianças que dormiam na rua.

          Perseguido pelo regime  militar de 1964, teve que vender a gráfica por preço insignificante. Fez concurso para escrivão e foi morar sozinho  em Itororó,  naquela comarca  distante de sua residência familiar fez-se eficiente  funcionário da justiça.   Continuou sendo perseguido pelo regime militar,  vítima de processos intermináveis, longe da esposa e filhos,  oprimido por terrível solidão.  Caminhante  pelas valas de grande depressão, faleceu vítima de um enfarto.  É o patrono da cadeira 30 da Academia de Letras de Itabuna.

          Podemos dizer que a sua poesia lírica está entrelaçada com a sua própria vida,   seus versos  refletem o pensamento de  quem  sonhou por um país humano, sem favelados,  crianças anêmicas e bolsões de pobreza, Seu grito não tem o recheio da pieguice,  mas nos chega  irrompido da dor, da solidão solidária, com o seu caldo de sofrimento e beleza.
 
          Abaixo vão transcritos três poemas de Hélio Nunes para despertar, ainda que seja um pouco, a memória esquecida de um bom poeta lírico.

Hélio Nunes (2º na foto)
FOTO: Memoria Grapiúnaprojeto da Fundação Jupará com patrocínio da rádio Morena FM 98.7 e jornal A Região.

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Ode à Lua Artificial

Olha a soviética no espaço
Sem quarto minguante, sem plenilúnio.
Criemos a poética desse novo astro.
Não basta dizermos que o satélite
Ronda a muitos quilômetros de altura.
Precisamos dizer,  por exemplo: amada.,
Numa tarde de domingo iremos de nave
Colher  rosas da primavera marciana.

Olha o homem avançando para o céu.
Houve uma poesia de viagens Marítimas.
É tempo da poesia das viagens siderais.

Eu sei. Um colar alvo de luas artificiais
Envolverá a terra; e pela noite sonhando
Eu oferecerei a Valquíria, noiva minha.


Rosas Rubras

Na madrugada fria de ontem
Um operário tossiu
Lançou rosas vermelhas
Perdidas no chão.

E quando o pedreiro caiu
Do alto do andaime,
Deixou rosas vermelhas
Perdidas do chão.

E o grevista tinha o punho cerrado
Recebeu no peito a fria bala,
Rosas vermelhas desabrocharam
Em seu coração.

Ah! Eu sei, é certo,
A Primavera irromper
Florida de rosas vermelhas.
Perdidas. Não.


Poema ao Meu Filho

Meu filho, chegarás na primavera:
Mil desculpas,  não poderei oferecer-te
Aquele mundo e humano que sonhei.

Meu filho, chegarás na primavera:
Quando adulto, não sê igual aos demais.
Tenhas o coração inquieto e a ternura de Valquíria.

Meu filho, chegarás na Primavera:
Ama e ama. Se te forçarem a odiar,  odeia.
O amor e o ódio têm suas grandezas.

Meu filho, chegarás na primavera:
Rosa e foguetes teleguiados também.
Vê nos povos, brancos e negros, teus irmãos.

Meu filho, chegarás na primavera:
Aos 18 anos, lê estes versos, não são conselhos,
São desejos, devaneios de um pai sonhador...

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha e Dinamarca. Conquistou o Segundo Lugar do Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro ,  duas vezes, em Gênova, Itália, o  Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras,  o da Associação Paulista de Críticos de Arte   e o Prêmio Nacional Pen Clube do Brasil. 


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domingo, 26 de abril de 2020

O TETRAPLÉGICO SUSCITADO POR DEUS PARA COMPOR A SUBLIME SALVE RAINHA – Plinio Maria Solimeo


26 de abril de 2020


         Plinio Maria Solimeo


            Hoje em dia tudo é pretexto para o aborto, sobretudo quando o feto apresenta anomalias congênitas tidas como insanáveis. O que dizer então quando o ultrassom prenuncia um menino tetraplégico, com os membros e o tronco totalmente paralisados? Que mãe em nossos dias tem coragem e fé suficientes para permitir que ele nasça?  
            Pois foi o que ocorreu no início do século XI com Hermann Contractus, ou Hermano Contraído ou Aleijado, que se tornou um dos maiores gênios já vistos pelo mundo.
            Esse menino tão disforme, incapaz de caminhar ou de se movimentar, e consequentemente incapacitado para qualquer estudo, nasceu no dia 18 de julho de 1013 em Altshausen, na Alemanha.          
Diante de condições tão desfavoráveis, não sabendo como lidar com o filho, seus pais resolveram entregá-lo aos sete anos de idade aos cuidados dos monges beneditinos do mosteiro de Reichenau [foto ao lado], na ilha do mesmo nome, no lago de Constança, onde possuíam um orfanato para meninos. Naquela época de fé, os monges receberam o infeliz Hermann com compaixão e amor, por verem nele uma criatura de Deus. 
             Comenta o site espanhol Religion em libertad, do qual extraímos esta matéria: “Em qualquer civilização não cristã, de qualquer época e latitude, uma pessoa como Hermann teria sido eliminada, ou não teria nascido. Por que seus pais decidiram não eliminá-lo? Por que os monges de Reichenau decidiram não eliminá-lo? Por que ele, nas dramáticas condições de dor física em que vivia, não pediu para ser eliminado? Mons. Luigi Giussani assim nos explica: ‘Porque para ele Deus era incomensuravelmente mais pertinente e existencialmente mais vivo do que para nós. Só Cristo dá um sentido de Deus tão concreto, poderoso, incisivo, dominante e apaixonante’. Sim, só Cristo dá. E uma sociedade que renega este aporte não é uma sociedade mais evoluída ou mais moderna. É apenas uma sociedade mais pobre e mais cínica”.       
Como reagia Hermann à sua quase total paralisia à medida que crescia? Esse aleijado não era um revoltado contra a sua sorte, contra o mundo e contra todos, como se poderia supor em nosso mundo igualitário, mas, por meio de sua profunda fé, aceitava com espírito sobrenatural o quinhão que a Providência lhe reservara, sabendo dar um sentido à sua existência apesar das dificuldades cotidianas decorrentes de uma dor física que lhe causava um sofrimento contínuo. Por isso era uma pessoa alegre, afável, mansa, humilde e acessível; em resumo, era feliz em meio a todas suas limitações.
            Quando os monges começaram a lhe ensinar as primeiras letras, perceberam que Herman possuía uma inteligência muito acima da média, o que o levava a aprender a ler e escrever com facilidade. Então o fizeram estudar. Aprendeu latim, grego e árabe e se tornou perito em várias ciências. Fez-se monge aos vinte anos e passou o resto de sua vida na Abadia que o acolhera.
            Desdobrando-se em solicitude, os bondosos monges haviam construído para ele uma cadeira transportável que lhe permitia ser levado para onde necessitasse. Nela, entretanto, devia permanecer sempre em uma posição, pois qualquer movimento lhe era doloroso.
   
        As limitações de Hermann não o impediram de escrever numerosos livros, entre eles o Chronicon, onde compilou pela primeira vez os eventos desde o nascimento de Cristo até o tempo em que vivia, quando esses dados estavam espalhados em diversas crônicas. Ele os ordenou de acordo com os anos da era cristã. Um de seus discípulos, Bertoldo de Reichenau, continuou o trabalho.

            Hermann escreveu também obras espirituais dedicadas a religiosas e sacerdotes; tratados sobre a ciência da música; diversas obras sobre geometria e aritmética; as gestas de Conrado II e de Henrique III; compôs o Ofício litúrgico de alguns santos (São Gregório Magno, Santa Afra de Augusta, Santos Gordiano e Epímaco e Wolfgang de Regensburg). Além disso, escreveu sequências sobre a Virgem Maria, a Cruz e a Páscoa.
            Quando no final da vida ficou cego, Hermann começou a escrever hinos religiosos, tanto a letra quanto a música, a mais conhecida das quais é asublime antífona Salve Regina (Salve Rainha). Compôs também a letra e música da Alma Redemptoris Mater, que uma alma bem formada não pode ouvir sem profunda emoção.
             Comenta Religion en Libertad“Enquanto compunha o canto da Salve Regina e escrevia o verso gementes et flentes in hac lacrimarum Valle (gemendo e chorando neste vale de lágrimas), Hermann se referia também ao sofrimento que lhe causava sua própria condição física. É incrível que um dos raros hinos que sobreviveram à reforma litúrgica post-conciliar, e que ainda se canta nas igrejas há mais de mil anos, seja precisamente composto por um tetraplégico, um incapaz, uma pessoa que a mentalidade de hoje definiria como ‘indigna de viver’; mais ainda, inclusive ‘indigna de nascer’, e que, com toda probabilidade, na sociedade atual, seria abortada. O fato de que se continue a cantar há mais de um milênio a Salve Regina parece realmente uma dádiva de Deus”.
         
Alguns anos depois, o célebre abade de Claraval, São Bernardo [quadro ao lado], ouvindo essa suave antífona enquanto entrava na catedral de Speyer, na Alemanha, extasiado, ajoelhou-se três vezes, exclamando em cada uma delas: Ó clemens, Ó pia, ó dulcis Virgo Maria! Essas exclamações foram acrescentadas à oração Salve Rainha, completando-a com chave de ouro.
Entretanto, o campo no qual Hermann mais revelou a grandeza de seu gênio foi o da astronomia. São dele dois dos mais importantes tratados sobre o astrolábio, o De Mensura Astrolabii e o De Utilitatibus Astrolabii, com instruções para a construção desse aparelho, na época grande novidade na Europa. Essas obras lhe valeram o epíteto de Prodigium saeculi (milagre do século). Sua fama fez com que o Imperador Santo Henrique III e o Papa Leão IX fossem visitá-lo no mosteiro de Reichenau.
             Continua Religión em Libertad“Dizia Giussani: ‘Como pode uma existência de sofrimento tornar-se tão rica e amável? Essa energia conferida pela adesão à realidade última das coisas permite utilizar também o que o mundo que nos rodeia considera inutilizável: o mal, a dor, o cansaço de viver, a incapacidade física e moral, o aborrecimento, inclusive a resistência a Deus. Tudo pode ser transformado e mostrar maravilhosamente os efeitos de sua transformação quando se vive em função da realidade verdadeira: se ‘se oferece a Deus’, como reza a tradição cristã. Oferecer a Deus qualquer miséria é o contrário da abdicação, de uma aceitação automática, de uma resignação passiva; é o vínculo, afirmado de maneira consciente e enérgica, da própria particularidade com o universal’. Hermann soube ser uma testemunha luminosa dessa transformação em seu oferecimento a Deus com uma serenidade que causou assombro entre seus contemporâneos”.
               Esse gênio santo e sofredor entregou sua bela alma ao seu Criador no dia 24 de setembro de 1054, com apenas 41 anos de idade. Seu fiel discípulo Bertoldo assim descreve seus últimos dias: “Quando, afinal, a bondade amorosa do Senhor se dignou libertar sua santa alma da tediosa prisão do mundo, ele teve uma pleurisia, e sofreu durante dez dias uma grande dor’. Em seu leito de morte, Hermann consolou seu discípulo, que o velava triste, com estas últimas palavras: ‘Não chores por mim, meu amigo. Sinta-te feliz e contente com meu destino. Pensa cada dia que tu também terás que morrer, e esforça-te para estar sempre preparado para esta eventualidade, e reflete sobre tua última viagem, porque não sabes nem a hora nem o dia que me seguirás, a teu queridíssimo amigo Hermann’. Dizendo isto, expirou”, após ter recebido a Sagrada Eucaristia.
               Embora tivesse sido imediatamente venerado como santo, o culto a Hermann Contractus só foi oficialmente confirmado pela Igreja em 1863, quando foi beatificado pelo imortal Papa Pio IX.

Texto da Oração
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
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PALAVRA DA SALVAÇÃO (180)


3º Domingo da Páscoa – 26/04/2020

Anúncio do Evangelho (Lc 24,13-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?”

Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”.

Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?”

E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Evangelho, feita pelo salesiano Danilo Guedes:

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"Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido” (Lc 24,14)

Nossa vida é parte da História, e esta, por sua vez, é formada pelas histórias de nossas vidas, pontilhadas e marcadas pela presença de outras muitas histórias.

A História, por si mesma, é provocante e nos fascina; ela tem um estranho poder de sedução. Nós nos reconhecemos nas histórias da História; isso nos facilita tomar consciência de onde estamos e quem somos, e nos ajuda a assumir decisões mais maduras frente aos desafios e surpresas que a vida nos reserva.

A vida só tem sentido quando se torna História, isto é, quando não se limita a repetir o passado, mas quando engendra algo novo e diferente a partir de uma História internalizada e saboreada.

É somente no nível mais profundo que o ser humano transforma seu “tempo” em história e seu “espaço” em encontro.

No relato dos “discípulos de Emaús”, o encontro com o Ressuscitado nos ajuda a “ler” a História, pessoal e coletiva, de uma maneira diferente e instigante. A história triste e fracassada dos dois discípulos adquire um novo sentido a partir da luz dos relatos bíblicos que o Peregrino traz à memória.

A partir da “memória bíblica”, eles são movidos a “re-ler” a própria história com novos olhos, re-construindo-a, dando a ela um novo significado e deixando-se impelir a escrever uma nova história.

Marcados pelo dinamismo da Ressurreição, cremos profundamente na força evocativa e transformadora da história; encontrar-nos com ela significa caminharmos para o interior do mistério da mesma história; significa também deixar-nos questionar, iluminar e mobilizar por ela.

Com isso, re-iniciamos um novo caminho de aventura, que consiste não só em receber e celebrar a história, mas atualizá-la, reescrevê-la, confirmá-la... Uma história com rosto de futuro... e um futuro inspirador.

A história se revela, assim, como um húmus vivente, uma atmosfera de graça, uma torrente subterrânea na qual se nutre todo o processo do seguimento de Jesus. Não é fora da História e de sua história que o(a) seguidor(a) de Jesus pode reconhecer a Vontade de Deus e escutar Seu apelo; porque “Deus se fez História” e só o Verbo Encarnado, agora Ressuscitado, pode ser “o verdadeiro fundamento da história” (S. Inácio). A partir do Jesus ressuscitado, a história de cada um e da humanidade inteira adquire uma nova luz e um novo sentido e se abre a um vasto horizonte de compromisso.

A história pessoal do cristão e a história do mundo tornam-se, portanto, o “lugar” habitual da experiência de Deus, a montanha da misteriosa sarça ardente que não se consome. 

Fazer memória das histórias não significa querer mudá-las, mas adquirir nova perspectiva, um novo olhar. Com freqüência, esta perspectiva nos ajuda a entender melhor nossa situação atual. Trata-se da “memória agradecida”: tudo tem sentido, nada é desperdiçado...

Quando a história é contada e re-contada, acontece a cura da memória. Em lugar de uma história opressiva e pesada, passamos a contar com uma “história redentora”. O momento da Graça é precisamente esse: quando, de repente, a perspectiva muda, encontramos um “novo sentido” e surge uma saída do emara-nhado de lembranças, emoções e histórias de fracassos e decepções.

Isso aparece claramente no relato evangélico deste domingo.

Na narrativa, o Forasteiro ajuda os dois discípulos a “desatar” o nó de suas lembranças traumáticas e a compor uma nova história. A história de Jesus, com seu fim decepcionante, tornou-se pesada e eles procuram fugir de Jerusalém e da terrível lembrança da morte do Mestre. Mas a história os acompanha na estrada. Não param de repeti-la. Mesmo quando dizem as palavras certas, a intensidade emocional da experiência não lhes permite ouvir a história de uma perspectiva diferente. 

Enquanto caminhavam, conversavam e discutiam com tal intensidade que nem perceberam a aproximação do forasteiro. Falar de maneira tão intensa de uma experiência recente demonstra que ela teve forte impacto na vida deles, mas o significado desta dura experiência está envolvido numa obscuridade.

Para eles, a história não faz sentido. A história de Jesus, com seu fim decepcionante, tornou-se agora traumática. Esforçam-se para encontrar a única coisa que vai ajudá-los a superar a dor, transformar a lembrança, permitir que continuem suas vidas, refugiando-se no passado.

Foi preciso discernimento por parte do Forasteiro para libertar seus discípulos daquela interpretação nociva da história. Ele reorienta a história sem diminuir a gravidade do que acontecera.

O Forasteiro não só reconta a história de Jesus, mas também tem de remodelar todas as histórias das relações de Deus com Israel. A “história pessoal” é “recontada” e considerada no contexto de uma história muito mais ampla; há uma ligação profunda entre todas as histórias, constituindo-se na grande História da Salvação. A descoberta desta nova perspectiva acontece como momento de graça que desce sobre eles.

A história re-contada começa a reconstruir a humanidade deles, a esperança vai retornando, os corações vão se aquecendo, a alegria vai surgindo em seus rostos... O Forasteiro, ao criar um círculo de confiança, abriu “espaço terapêutico” para que os discípulos contassem sua história em segurança e começassem a re-alimentar uma nova esperança. Foi criado um ambiente de hospitalidade que culminou na Ceia.

É nesse ambiente que a taça do sofrimento transformou-se na “taça da esperança”.

Das cinzas brotaram a esperança, o entusiasmo e os sonhos... e eles apressaram-se a voltar para Jerusalém a fim de partilhar a descoberta de um novo sentido da história. 

A partir do fundamento da História (Jesus Cristo), contemplamos nossa própria história (pessoal e institucional): história que deve ser observada, lida, discernida. Tal experiência nos ajuda a abrir os olhos para a novidade inesgotável da vida, nos faz “aquecer o coração”, desperta em nós o desejo e mobiliza todas as nossas capacidades para um compromisso de ação transformadora na história pessoal e coletiva.
A História está sempre aberta, desafiando-nos, arrancando-nos de nosso imobilismo, despertando nossa criatividade para ser re-escrita de uma maneira diferente.

Nossa história pode ser poderosa motivadora de mudança; ela nos levanta quando estamos dispersos e sem direção; ela não é apenas relato do passado, mas parte viva do que somos agora; ela nos traz para “casa”, para nossa própria integridade e identidade.
Assim, a experiência pascal significa “conhecer”, “sentir” e “amar” a nossa própria história. É uma verdadeira experiência de Ressurreição.

Só assim a história se converte em “Epifania” (manifestação) de Deus e nos permite compreender, acolher e integrar tudo o que acontece, dentro e fora de nós.

Este é um tempo de Graça: o encontro vivo da “história” celebrada com o compromisso de construção da “nova história”, mais ousada e mais criativa. Trata-se de um momento tão fortalecedor e jubiloso que estremecemos reverentes diante do que celebramos.
Sem a luz da Ressurreição, nossa história, pessoal e coletiva, se reduz a eventos opacos, vazios, tristes...

Com a Ressurreição, a história se ilumina, se transfigura e nos desafia. A Ressurreição plenifica, dá sentido e costura os eventos, constituindo-se em “História de Salvação”. Ela nos faz ver o que todo mundo vê, mas de um “modo” diferente: vemos mais longe, vemos além, vemos mais fundo... 

Texto bíblico:  Lc 24,13-35
Na oração:   Diante da história pessoal e social, sinto-me desafiado? Paralisado(a)? com medo? Inquieto(a)?
                    Quanto de esperança carrego em meu interior?
                    O que me faz abrasar o coração diante de uma história que parece um fracasso?

Pe. Adroaldo Palaoro sj
   
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sábado, 25 de abril de 2020

DIZERES, DITADOS, PROVÉRBIOS




O uso do cachimbo faz a boca torta
A agulha veste os outros e vive nua
Ninguém vê a trava do seu olho
Vão-se os anéis, mas ficam os dedos
Para quem não tem gosto catinga é cheiro
Chumbo trocado não dói
Jacaré é o apelido dado ao moço que fica à porta das igrejas à espera da passagem da namorada.
Antes ser o ferrão do que ser o boi.
Quem viaja na garupa não dirige a rédea
É na casa dos pobres que os barbeiros aprendem
É melhor ouvir “fala rapaz” do que “cala-te rapaz”
O direito do anzol é ser torto
Quem está montado na razão não carece ter esporas
Não se muda de cavalo no meio do banhado
Entre os bois não há cornadas
Quem não tem o que fazer, cata pulgas, faz colher de pau e borda o cabo, derruba a casa e torna a erguê-la, ou põe o mundo a perder
Corda muito esticada, rebenta
Urubu quando está sem sorte, o de baixo suja no de cima.

FONTE: Folhinha do Coração de Jesus

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sexta-feira, 24 de abril de 2020

PLENITUDE - Péricles Capanema


22 de abril de 2020

Péricles Capanema

Não vai falar do covid-19? Tenha paciência, tratar de plenitude? Que atualidade tem isso? Calma, vou escrever sobre o covid-19. E por que escolhi logo plenitude? Sei, o assunto não dá manchete, parece do mundo da lua, desinteressante, frio. Incende para mim, precisa queimar; quanto mais, melhor.

Em linhas muito gerais, vou discorrer sobre uma plenitude, a humana. Com temperança, buscar a própria plenitude, em qualquer âmbito (moral, cultural, financeiro), é direito humano. Devagar. Plenitude tem (apenas) a atualidade do perene; no caso, perenidade de enorme relevância. Semanas atrás, em escrito sobre objeto parecido, observei: “Eles são perenes. Com efeito, em muitos sentidos o que é verdadeiramente atual deixa ver sempre a nota do perene — eco do imorredouro no presente. O resto é só o momentâneo, o passageiro, o fugaz, o efêmero, o fugidio, sei lá o que mais. Realidades breves evanescentes, minguando rumo ao nada.”

Estou convencido, é imprescindível manter o assunto plenitude em lugar alto em nosso panorama mental. Jamais retirá-lo daí — providência simples, irriga todo o espírito. Se permanecer no horizonte de grande número de pessoas, vai estimular avanço civilizatório, será vacina contra retrocessos e atrasos que, em última análise, fortalecem a opção preferencial pela atrofia, parte integrante da política, já de séculos, mesmo que inconfessada, das correntes revolucionárias. Exemplos paroxísticos e próximos são Cuba e Venezuela. No século passado, foram macabros e didáticos exemplos (melhorando, advertências), celebrados pelos progressistas mundo afora, a Revolução Cultural Chinesa e o Camboja do Khmer Rouge — pelo menos, até a revelação, ainda hoje parcial, da realidade dantesca. Muita gente no Brasil, de alto a baixo da escala social, movida pela mitomania igualitária, fez a opção preferencial pela atrofia, não vai mudar nunca. Os partidos de esquerda e o “progressismo católico” estão abarrotados delas. E não só lá.

Otto Lara Resende comentava, Nelson Rodrigues era uma “flor de obsessão”. Com isso queria significar, o amigo repetia sempre alguns pontos. Batia, rebatia, martelava, reiterava, insistia, reafirmava, recordava, repisava as mesmas trilhas. Atalhos perenes. O dramaturgo recifense concedia ser e no, é isso mesmo. “Sou um obsessivo e houve alguém que me chamou de ‘flor de obsessão’. Exato, exato, e graças a Deus. O que dá ao homem um mínimo de unidade interior é a soma de suas obsessões.” Morreu 40 anos atrás, até hoje seus textos são dos mais lidos no Brasil. Ninguém se lembra, ou quase tanto, quais eram seus críticos. Depois de frigir os ovos, tem coisa mais atual que a perenidade?

Entre companhia vasta, ou seja, pessoas que viam utilidade na repetição, Nelson Rodrigues teve uma de especial relevo, Napoleão. “A repetição é a mais forte figura da retórica”, garantia. Para que serve a retórica? Persuadir. E o melhor instrumento para convencer seria a repetição, opinião de alguém com forte propensão de convencer pelo fuzil e chicote.

Acho também, pelo menos na confusão da atual quadra histórica, é indispensável repetir alguns assuntos (plenitude, um deles), mesmo com o recurso disfarçado pelo emprego de meios variados. Martelar até que os argumentos entrem e se acomodem na cachola. Pode parecer obsessivo; paciência, precisa. Um dia, quem sabe o tema da plenitude humana exploda nas manchetes, é anelo meu, seja tratado como valor que acho normal lhe seja atribuído; relevância dispensada por todos, claro, mas em especial pelos que decidem os rumos da nação.

Verdade, aspiro que seja preocupação central dos que decidem os rumos danação. Não estou aqui me referindo, todavia, sobretudo a quem tenha destaque no Executivo, Legislativo, Judiciário, empresariado, meios de divulgação, academia. Longe disso. Foco realidade diferente. Refiro-me em particular a gente espalhada em todos os meios sociais que, entre outros atributos, tenha amplitude de vistas, bom caráter, dotes de observação, pensamento próprio, esteja interessada no bem comum, saiba valorizar doutrina e movimentos de alma no público. Coloca-se, pela força dos fatos, à frente do povo, tem influência decisiva nos seus destinos.

Talentos, se quisermos, qualidades naturais, desde que não permaneçam latifúndio improdutivo, são o mais importante ativo de um povo, mais que qualquer outro. Em contas finais decidem seu bem-estar e presença na História. Florescê-los é o decisivo. Grandes benfeitores, quem os estimula, das sementes aos frutos; criminosos, quem os atrofia, impedindo que das sementes surjam árvores, plenitude daquelas.

Nas pessoas, nas famílias, nos grupos sociais, latejam talentos já plenamente desabrochados, outros pelo meio do caminho, outros ainda latentes, mananciais para aperfeiçoamentos futuros. Levá-los à perfeição, mesmo que relativa, cabe primeiramente às famílias, à escola, a instituições próprias, aos mais variados ambientes sociais. De maneira suplementar, ao Estado. Não é coisa de um dia. Acontece, qualidades em uma família levam duas, três gerações para se desenvolverem plenamente. Volto a Napoleão, “a educação de uma criança começa vinte anos antes de ela nascer, com o nascimento de sua mãe”. Infelizmente, em cada geração a imensa maioria das qualidades naturais não chega ao pleno florescimento, à plenitude, enfim. Mais ainda, não é raro, em cada geração, antigos reservatórios de conhecimentos, costumes, modos de fazer e de ver a vida de enorme valor acabam indo para o ralo, somem. E é preciso começar do chão outra vez.

Hoje, em frangalhos, a família perdeu muito de sua capacidade formativa. Mas, de si, é a estufa natural para o florescimento das sementes. A seguir, de forma suplementar, outros grupos sociais. Todos somos, uns para os outros, em ocasiões próprias, mestres, modelos, regentes.

Ponto escamoteado, mas central, convém ser realçado, pois é foco difusor de excelência, um dos reflexos da plenitude. Nas mais variadas elites de um povo, elites de artesãos, de escritores, de empresários, de políticos, de diplomatas, de professores, de cozinheiros e cozinheiras, sociais, de financistas, de seleiros, o tempo vai depositando valioso acervo de perfeições humanas, necessárias ao bem comum, que é crime desconhecer, subestimar, a elas ser indiferente; mais ainda, atacar. Pelo contrário, o dever é estimulá-las com proporção, pois favorecem o aperfeiçoamento social.

Preciso fechar. Reflitamos sobre plenitude; pessoal, familiar, social. O mundo pós-pandemia será muito melhor, se dermos ao tema o lugar merecido.



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CLIMA RUIM NA POLÍTICA BRASILEIRA – JR Guzzo


      
 Por JR Guzzo



Há um clima ruim na política brasileira, possivelmente o pior até onde a memória alcança nos anos mais recentes. Já não estava bom antes da chegada do coronavírus ao Brasil, por volta de dois meses atrás, com o conflito cada vez mais aberto, mais rancoroso e mais intransigente entre o governo do presidente Jair Bolsonaro, de um lado, e as chefias que dão o tom à atuação do Congresso Nacional, de outro. O Judiciário, no meio, não tem a confiança de nenhuma das duas partes, e menos ainda da população; não tem estatura, nem moral, para mediar nada. Agora, com o desastre trazido pela epidemia, a disputa ficou ainda mais perniciosa. Será tão ruim quanto o vírus se ela degenerar em guerra.

É verdade que não se pode subestimar os altos teores de mentira que envolvem o presente confronto; é possível, de um lado e do outro, que haja mais gente fazendo cena para a plateia do que operando a sério para virar a mesa. Mas, do ponto de vista das cenas exibidas ao público, nunca a situação pareceu tão complicada como agora. Vai se ver mais adiante, inevitavelmente, se isso é mais uma batalha de Itararé, a que nunca aconteceu, ou se é uma briga à vera. No momento, o que temos é um estado de hostilidade declarada entre os poderes.

Este domingo foi um marco. Em Brasília, para surpresa e susto de muita gente, o presidente da República decidiu discursar diante de uma  multidão que se juntou em frente ao Quartel General do Exército – logo onde – pedindo “intervenção militar já”, fechamento do Congresso e do STF, a volta do Ato Institucional número 5, que boa parte dos manifestantes nem saberia explicar direito o que foi, e por aí afora. De cima de uma caminhonete, cercado por um cordão de isolamento composto por cerca de 200 militares do Exército, Bolsonaro veio com artilharia pesada. “Nós não vamos negociar nada”, disse ele. “Temos de acabar com essa patifaria. Esses políticos têm de entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro.”


Foram as palavras mais pesadas que Bolsonaro já utilizou em público desde o começo da briga com o Congresso. “É o povo no poder”, resumiu ele, enquanto oficiais do Exército tiravam selfies e sorriam para a multidão. Foi uma maneira de dizer ao mundo político que, no seu entendimento, a massa da população está com ele, e não com os deputados, senadores e magistrados – e que pretende apostar no apoio da rua para enfrentar o inimigo. Parece convencido, também, que as Forças Armadas estão fechadas com ele. (No mesmo momento, o general Edson Pujol, comandante do Exército, declarou que a epidemia é “uma das maiores crises vividas Brasil nos últimos tempos”. A “força terrestre está em sintonia com as necessidades e aspirações do país” disse ele. “Somos 220.000 combatentes dispostos a lutar”.)

O general Pujol estava falando da disposição dos militares em combater o vírus, mas é pouco provável que o Exército tenha se empenhado a sério em dissuadir os organizadores da manifestação de escolherem justamente o espaço púbico em frente ao Quartel General para pedir o fechamento do Congresso e do Supremo. Há o direito constitucional à livre expressão, é claro, e as Forças Armadas não podem impedir que as pessoas se manifestem – mas por enquanto ninguém ainda viu os militares assinarem proclamações de apoio ao deputado Rodrigo Maia, ou ao presidente do Senado, ou aos altos magistrados dos nossos tribunais superiores.

Se não podem contar com a devoção das Forças Armadas, muito menos é o povo nas ruas que vai salvar os políticos numa briga de verdade, não é mesmo? Nem eles acreditam nisso. A coisa realmente não está boa.

J.R. GUZZO jornalista


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quinta-feira, 23 de abril de 2020

PROTEÇÃO ESPIRITUAL: POR QUE PRECISAMOS DELA? - Luiza Fletcher



Proteção espiritual

Proteção espiritual – A importância de se proteger energeticamente
Nós somos almas que viemos ao mundo em corpos físicos. Aqueles de nós que compreendem este fato, entendem que a vida é muito mais do que apenas o que experimentamos nesses corpos.

Em nossa vida em sociedade, nós nos deparamos com várias situações diariamente. Muitas vezes, nós nos sentimos desconfortáveis e de certa maneira “descarregados” ​​quando alguma pessoa se aproxima demais. É como se ela alcançasse nossas auras e, dessa maneira, deixasse nosso campo de energia vulnerável, e assim nós absorvemos todas as energias que elas emanam.
Essas energias podem ser positivas ou negativas, mas é essencial fazermos um trabalho para nos protegermos das influências da negatividade. Precisamos também aprender a proteger nossos campos de energia ao nos relacionarmos em nosso dia a dia, para não absorvermos problemas desnecessários que não são de nossa responsabilidade.

  
Estou realmente protegido?

Quando estamos espiritualmente desprotegidos, os sintomas se manifestam tanto em nossos corpos emocionais quanto nos mentais.
Para ajudá-lo a identificar como você se encontra, colocamos abaixo uma lista de alguns sintomas de um campo de energia desprotegido:
Falta de paciência
Irritabilidade
Fraqueza diante da influenciabilidade
Comportamento defensivo ou agressivo
Pesadelos frequentes
Fanatismo
Desvalorização do próprio eu e supervalorização do outro
Dores físicas, especialmente na parte de trás do pescoço e pulsos.

Construindo a própria proteção

Abaixo estão algumas maneiras de construir a sua própria proteção. Encontre a que mais funciona para você e mantenha-se firme!
Cuide de sua saúde mental, emocional e espiritual
Certifique-se de beber muita água
Dê preferência às roupas que possuem cores que ajudam na proteção energética. Alguns exemplos são: violeta, azul, ouro, prata.
Desenvolva a técnica de visualização, ela pode ajudá-lo a transformar energias negativas em positivas.
Use ou carregue consigo cristas de proteção, como Olho de Tigre, Ametista, Olho de Falcão.
Esperamos que estas dicas o ajudem a fortalecer sua proteção espiritual, pois precisamos cada vez mais.



LUIZA FLETCHER

Redatora do site O Amor, onde sua missão é promover a reflexão e ajudar a aproximar as pessoas do amor...
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