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segunda-feira, 15 de abril de 2019

PRINCÍPIO DO VÁCUO – Conceição Trucon




Você tem o hábito de juntar objetos inúteis no momento, acreditando que um dia (nem sabe quando) poderá precisar deles? Você tem o hábito de juntar dinheiro só para não o gastar, pois no futuro poderá fazer falta? Você tem o hábito de guardar roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outros tipos de equipamentos que já não usa há um bom tempo?

 E dentro de você? Você tem o hábito de guardar mágoas, ressentimentos, raivas e medos? Não faça isso. É anti-prosperidade. É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem em sua vida. É preciso eliminar o que é inútil em você e na sua vida, para que a prosperidade venha. É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que você almeja. Enquanto você estiver material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades.

 Os bens precisam circular. Limpe as gavetas, os guarda-roupas, o quartinho lá do fundo, a garagem. Dê o que você não usa mais. Venda, troque, movimente e não acumule. Dê espaço para o novo. (Não estamos falando do capitalismo / consumismo). A atitude de guardar um monte de coisas inúteis amarra sua vida. Não são os objetos guardados que emperram sua vida, mas o significado da atitude de guardar. Quando se guarda, considera-se a possibilidade da falta, da carência. É acreditar que amanhã poderá faltar, e você não terá meios de prover suas necessidades.

 Com essa postura, você está enviando mensagens para o seu cérebro e para a vida: Você não confia no amanhã! Você acredita que o novo e o melhor não são para você, já que se contenta em guardar coisas velhas e inúteis. O princípio de não acreditar que o melhor é para você, pode se manifestar, por exemplo, na conservação de um velho e inútil liquidificador. Esse princípio, expresso num objeto, denota um comportamento que pode também estar presente em outras áreas da sua vida, gerando entraves ao sucesso e à prosperidade. O simples fato de dar para alguém o velho liquidificador, colocando o objeto em circulação, cria um vácuo para que algo melhor ocupe o espaço deixado. Emocionalmente, também.

 Você passa a acreditar que o novo compensará o objeto doado. Gente, uma faxina básica, apesar da trabalheira e do cansaço que provoca, ao final é sempre bem-vinda. Arejar espaços, fora e dentro da gente faz um bem enorme! Vamos lá ... Mãos à obra! Desfaça-se do que perdeu a cor e o brilho e deixe entrar o novo em sua casa e dentro de você!



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domingo, 14 de abril de 2019

POEMAS DA PAIXÃO (I)


Poemas da Paixão (I)
Cyro de Mattos


Calvário


Na opressão
na perseguição
na aflição
na traição
na depressão
na escuridão
na solidão
na sensação
do cuspe
e do cravo
no coração
Senhor meu
dá-me tua mão.


Cyro de Mattos escreve crônica, conto, poesia, ensaio e literatura infantojuvenil. Tem no prelo da Editus, editora da UESC, Nada Era Melhor, romance da infância, Pequenos Corações, contos, e O Discurso do Rio, poesia.



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (126)



Domingo de Ramos – 14/04/2019

Evangelho (Lc 19,28-40)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: “Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho.
Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”
Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!” Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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“E levaram o jumentinho a Jesus” (Lc 19,35) 

Celebramos hoje o chamado “Domingo de Ramos”, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Nada de mobilizações, nada de comissão de preparação da festa; não teve um mestre de cerimônias para que tudo acontecesse dentro das normas estabelecidas; não pediu que a polícia lhe acompanhasse, nem guarda-costas para sua segurança pessoal. Jesus nunca buscou as grandes manifestações populares. A improvisação contou com a espontaneidade do povo simples e, como tal, nada de grandes solenidades, de aparato espetacular. Para Jesus, bastava-lhe um jumentinho. O resto ficou a cargo da iniciativa da multidão que se uniu a Ele, enfeitando o caminho e entoando hinos messiânicos. 

Todos sabemos que as “mudanças profundas e duradouras” na sociedade não vem de cima, mas de baixo, a partir da solidariedade e da identificação de vida com os últimos deste mundo. Ali, nas periferias e nas margens, há uma esperança latente e alentadora daqueles que se empenham por imprimir um movimento novo à história; é nele que está a semente de uma vida diferente, criativa e mais promissora. E Jesus foi o ponto de partida de uma ousada mudança na história da humanidade.

Os evangelistas sinóticos relatam a vida pública de Jesus como uma subida das “periferias” até a capital política e religiosa. E Jesus “entra” em Jerusalém, montado num jumentinho e aclamado por seus seguidores. Escolhe um jumentinho como símbolo de um messianismo de paz e simplicidade. Nada, portanto, de uma manifestação espetacular; Ele rompe com a imagem de um triunfador e despoja-se de todo indício de poder. Jesus, presença de vida nos povoados, vilas e campos, quer levar vida a uma cidade que carregava forças de morte em seu interior. Ele quer pôr o coração de Deus no coração da grande cidade; deseja recriar, no coração da capital, o ícone da nova Jerusalém, a cidade cheia de humanidade e comunhão, o lugar da justiça e fraternidade...

Mantos colocados como tapetes pelo solo, ramos de oliveira e palmas e tudo o que saía de dentro das pessoas: o canto, o grito de louvor, as vivas, os aplausos. O povo simples faz as coisas de maneira simples, mas que se tornam simpáticas, festivas. Além disso, Jesus não precisava mais que isso. Jesus não quis entrar em Jerusalém como os conquistadores militares, mas como o homem simples, como o Salvador simples. Porque, para Jesus era uma entrada que queria ser como uma nova oferta de salvação à cidade de Jerusalém, e a salvação não é oferecida com títulos de grandeza; isso sim, ela é oferecida com cantos, danças, alegria. Jesus quer que todos descubram a novidade do Evangelho com vibração e com sentido festivo; quando Ele nos oferece o dom salvação, faz com alegria e é também com alegria que somos chamados a acolhê-lo. 

Como mensageiro de paz, chegou Jesus a Jerusalém montado num jumentinho. Não precisava de soldados e nem de instituições de violência para se defender. Sem armas de guerra, sem um possante cavalo, sem poderes e nem ambições..., mas montado num jumentinho de paz; um jumentinho emprestado e novo, não domado, pois Jesus não possuía nem um jumentinho.

O texto de Lucas supõe que Jesus tinha conhecidos naquela região, à entrada da aldeia (Betfagé). O jumentinho não era seu, mas contava com amigos que o emprestaram. Este jumentinho é símbolo da vida campesina e pacífica, animal do pobre; é conhecida sua resistência na lida do cotidiano do campo: carrega peso, lavra a terra, suporta longas viagens... Não é animal para a guerra e nem para alimentar a vaidade daqueles que querem demonstrar seu poder diante dos outros. Jesus se serve de um jumentinho para dizer que não quer se impor pelas armas e pela força; seu senhorio é diferente, retomando as tradições campesinas de seu povo.

Como o jumentinho não tem arreio, nem apetrechos (é um jumentinho novo, nunca montado), os discípulos estendem seus próprios mantos na garupa, para que assim Jesus pudesse montar com dignidade e, sobre sua garupa, pudesse entrar na cidade, descendo pelo Monte das Oliveiras. Jesus chegou a Jerusalém de maneira pacífica, mas muito provocadora, pois instaurar o Reino como Ele propunha implicava um desafio para o sistema imperial de Roma e para a política sacerdotal do templo. 

Que Jesus era uma pessoa desconcertante, não resta dúvida. Continuamente Ele assumia atitudes que desconcertavam a todos, ou realizava alguns gestos que causavam assombro... Sempre evitou grandes manifestações que poderiam se prestar a enganos e equívocos em torno à sua pessoa. Quando quiseram fazê-lo rei, escapou e se refugiou na montanha. Como é que agora, o primeiro dia de sua última semana, lhe ocorre armar um rebuliço? Como profeta, Jesus toma consciência que agora já não é mais o momento dos discursos, mas dos gestos; já não é o momento das palavras, mas dos fatos; já não é o momento de esconder-se, mas de mostrar a cara; já não é o momento das prudências, mas dos riscos; já não é o momento de ocultar sua messianidade, mas de proclamá-la. 

A Igreja também necessita de gestos, mas de gestos evangélicos. Muito mais que grandes discursos, a Igreja necessita de gestos simples que o povo entenda, viva e sinta. Temos demasiados “exibicionismos clericais” que tem pouco a ver com a simplicidade de Jesus; temos grandes solenidades, que possivelmente são bem-intencionadas, mas que expressam pouco da simplicidade e da pobreza de Jesus.

Com frequência confundimos nossa vitalidade cristã com as grandes massas em torno às grandes figuras da Igreja. Medimos nossa fé pelas estatísticas daqueles que assistem a essas grandes manifestações. E logo, todos somos conscientes de que tudo continua igual, que as grandes massas não vão mudar depois dos grandes aplausos e vivas. 

Jesus mesmo viveu essa experiência. Essa mesma multidão que hoje o acompanha, dentro de uns dias pedirá que o crucifiquem. Os entusiasmos massivos têm muito pouco de personalização da fé. É mais o sentimentalismo do momento que uma experiência profunda do Evangelho. Jesus não fundou uma Igreja de grandes massas. Pelo contrário, falou de uma Igreja “pequeno rebanho”, “sal e fermento”, esvaziada de vaidades e carregada de simplicidade. 

Não estamos insistindo em demasia no prestígio da Igreja? Não estamos por demais preocupados com uma Igreja que brilha, em vez de uma Igreja simples, pobre e despojada? Não temos na Igreja “carros possantes” em excesso e pouquíssimos jumentinhos? 

Texto bíblico:  Lc 19,28-40 

Na oração:  Nosso zêlo e amor pelo Evangelho e pela semente do Reino que nele está contida, deve favorecer o advento de uma “Nova Jerusalém”; é preciso cuidar o coração, esvaziá-lo, limpá-lo, aquecê-lo, transformá-lo em humilde receptáculo, para que o Espírito do Senhor possa ali pousar e nele habitar como num ninho acolhedor, transmitindo-lhe vida, luz, calor, paz, ternura...

- Como você descreve sua “Jerusalém interior”: cidade da paz e do encontro ou cidade da intolerância e da violência? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 13 de abril de 2019

"A BAHIA NÃO É RESISTÊNCIA; A BAHIA É SÍMBOLO DO ATRASO, Por Bernardo Guimarães Ribeiro



O filósofo da baianidade, o grande governador Otávio Mangabeira, gostava de dizer que “a Bahia está tão atrasada que, quando o mundo se acabar, os baianos só vão saber cinco anos depois”.
Mangabeira estava correto, só errou no cálculo. A Bahia está muito mais que cinco anos atrasada. A explicação? A expressiva votação com mais de 75% no atual governador e de mais de 60% no candidato derrotado à Presidência da República, ambos do Partido dos Trabalhadores, dá conta de que os influxos da ruptura ainda não nos atingiram. Expliquemo-nos:

No plano nacional, a Bahia, juntamente com o Piauí e Maranhão, foram os Estados que registraram maior percentual de votos em Haddad, todos com percentual acima de 60%.

Bastou esse fato para que esquerdistas, em geral, e petistas entoassem o mantra da resistência. A retórica não poderia ser mais tola – são simplesmente três dos Estados mais pobres da Federação, ocupando, os três, as seis últimas posições do índice de desenvolvimento humano – IDH.

Ademais, Maranhão e Piauí são também as unidades onde a relação entre pessoas que dependem do bolsa-família em comparação à população total é maior, respectivamente 48 e 39% , enquanto a Bahia, por seu turno, é o Estado com o maior número de beneficiários e maior aporte de recursos em termos absolutos.

Retomando o foco no Estado da Bahia, um erro de avaliação muito frequente no mundo das estatísticas é tomar o efeito pela causa. Enquanto a ampliação de programas de transferência de renda deveria ser interpretada como sintoma de atraso e subdesenvolvimento, curiosamente, em terrae brasilis, é compreendido como o contrário. Logo, a maior dependência de uma população a benefícios governamentais, ao reverso do que propõe a esquerda, apenas expõe a incompetência dos gestores em modificar o panorama socioeconômico.

No caso da Bahia, em especial, a contradição ganha contornos de esquizofrenia na medida em que diversos outros dados logram demonstrar a queda vertiginosa do Estado em índices oficiais comparativos. Em relação à Segurança Pública, temos nada menos que cinco das dez cidades mais violentas do País; na Educação, outro importante parâmetro de IDH, estamos na rabeira, tendo alcançado o inacreditável penúltimo lugar na última avaliação do MEC; no Turismo, histórico setor produtivo e arrecadador, nosso desempenho vem minguando ano a ano a olhos vistos, com o fechamento de um sem-número de hotéis tradicionais, diminuição de voos, culminando com a ruína do único centro de convenções do Estado no ano de 2016. A situação é tão vexatória, que se registrou em 2018 a Bahia como o Estado de pior desempenho no setor no Brasil; e, por fim, a saúde está na UTI. Dos 28 estados, segundo a análise de alguns dados, a Bahia ocupa a 22ª posição, sendo sucedida por nada menos que Piauí (24º) e Maranhão (28º). Há quem veja mera coincidência, mas não é.

Comecei com ele e terminarei rememorando o saudoso Otávio Mangabeira em mais uma passagem: “pense num absurdo: na Bahia tem precedentes”! Pessoas letradas e bem formadas fazem desse cenário tenebroso a construção de um arquétipo completamente irreal e delirante, tratando a Bahia como um modelo de resistência frente ao novo Brasil que desponta. Não há resistência, mas teimosia e histeria, reflexo de personalidades mimadas, que apenas aceitam as regras do jogo quando estão vencendo, além de manipuladoras, por proclamarem uma autoridade moral pela visão de mundo que defendem.

Infelizmente, 12 anos de petismo na Bahia conduziram as pessoas à completa perda do referencial. Doze anos formaram uma geração inteira de jovens percebendo o caos social como algo natural e trivial. E, diante de tantas incertezas, o bolsa-família é a única certeza de muitos de que algo pior não irá acontecer. A quem interessa a mudança quando a “resistência” escolhe um lado? A Bahia não é resistência; a Bahia é símbolo do atraso."

Texto de Bernardo Guimarães Ribeiro
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CINEASTA CARLOS (CACÁ) DIEGUES TOMA POSSE NA CADEIRA 7 DA ABL E AFIRMA, EM SEU DISCURSO, SOBRE O BRASIL DE HOJE: ‘HÁ UM DESEJO LATENTE DE VALORIZAR A VULGARIDADE’



O cineasta Carlos (Cacá) Diegues tomou posse nesta sexta-feira, dia 12 de abril, na Cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, em solenidade no Salão Nobre do Petit Trianon, na sucessão do Acadêmico e cineasta Nelson Pereira dos Santos (falecido no dia 21 de abril do ano passado). O novo Acadêmico foi eleito no dia 30 de agosto do ano passado.

Cacá Diegues foi recebido, em nome da ABL, pelo Acadêmico, poeta e tradutor Geraldo Carneiro, que destacou: “Carlos José Fontes Diegues – o nosso Cacá – já nasceu assinalado pela brasilidade. Tudo o que faz, como artista e intelectual, traz a marca do Brasil. Em resposta aos tempos negros da ditadura militar, Cacá Diegues fez de seu cinema um lugar de celebração da vida e da cultura brasileira. Desde os anos 60, Carlos Diegues se distingue também como jornalista, intelectual e pensador. Mas parece que seu destino é mesmo o de fundir o cinema e a poesia. Por mais que a realidade seja sua parceira, seu tempo é sempre o tempo da utopia”.

Em seu discurso de posse, o novo Acadêmico afirmou: “O Cinema Novo brasileiro não foi, senão, a chegada tardia do modernismo ao nosso cinema. Era preciso produzir um cinema para a nação, mas também inventar uma nação no cinema. Nossas melhores cabeças do século XX sonharam com esse projeto de Brasil. Agora, os tempos são outros. Temos sofrido um vendaval de paixões polarizadas e histéricas. Há um desejo latente de valorizar a vulgaridade e o homem dito “normal”, aquele que só reproduz os piores valores de nossa ignorância, sem sonhos nem fantasias, num horizonte sombrio e sem surpresas. A criação, hoje, corre o risco de se tornar prisioneira dessa consagração da platitude, onde o único valor reconhecido e respeitado é o da morte elevada a uma desimportância consagradora”.

Após o discurso, o Presidente da ABL convidou o Acadêmico Merval Pereira para fazer a aposição do colar; o Acadêmico Arnaldo Niskier (decano presente) para entregar a espada; e o Acadêmico Zuenir Ventura para entregar o diploma. O Presidente, então, declarou empossado o novo Acadêmico. Os ocupantes anteriores da cadeira 7, além de Nelson Pereira dos Santos, foram: Valentim Magalhães (fundador) – que escolheu como patrono Castro Alves –, Euclides da Cunha, Afrânio Peixoto, Afonso Pena Júnior, Hermes Lima, Pontes de Miranda, Dinah Silveira de Queiroz e Sergio Corrêa da Costa.

 
O NOVO ACADÊMICO

Cacá nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 19 de maio de 1940, filho do antropólogo Manuel Diegues Jr. e de Zaira Fontes Diegues. Cinéfilo desde a adolescência, também era poeta e trabalhava como jornalista. Foi eleito para a Cadeira 7 da ABL, no dia 30 de agosto deste ano, na sucessão do Acadêmico e cineasta Nelson Pereira dos Santos.

Em 1958, aos 18 nos de idade, teve seus poemas publicados no Jornal do Brasil pelo ensaísta e crítico Mario Faustino, que o apresentou como uma revelação na poesia brasileira. Por essa mesma época, participou ativamente do movimento cineclubista no Rio de Janeiro, quando se integrou à nova geração de cineastas que buscava registrar a verdadeira imagem do Brasil, num movimento que seria conhecido como Cinema Novo, sob a liderança de Nelson Pereira dos Santos.

Depois de realizar alguns curta metragens, Cacá estreou profissionalmente em 1962, dirigindo um dos episódios do filme “Cinco vezes Favela”, produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE – um filme que se tornaria uma das obras inaugurais do Cinema Novo.

Ao longo de sua carreira de cineasta, realizou mais de 20 filmes de longa-metragem, entre os quais “Ganga Zumba” (1964), “Os herdeiros” (1969), “Joanna Francesa” (1973), “Xica da Silva” (1976), “Chuvas de verão” (1978), “Bye Bye Brasil” (1980), “Quilombo” (1984), “Um trem para as estrelas” (1987), “Tieta do Agreste” (1995), “Orfeu” (1999), “Deus é brasileiro” (2003), “O maior amor do mundo” (2005) e agora “O grande circo místico” (2018), inspirado na obra do poeta Jorge de Lima. Todos esses filmes foram lançados comercialmente em diferentes países do mundo, nas salas de cinema e na televisão, além de sua presença e de prêmios nos festivais internacionais mais importantes, como Cannes, Veneza, Berlim, San Sebastian, Toronto, Nova York, Mar del Plata e outros.

O novo Acadêmico publicou alguns livros, nem sempre sobre cinema, tendo começado com “Ideias e Imagens”, de 1988. Seus livros mais recentes são "Vida de Cinema”, mais de 600 páginas sobre o Cinema Novo, e “Todo Domingo”, uma coletânea de seus textos publicados semanalmente no jornal Globo. Recebeu homenagens de diversas naturezas, no Brasil e no mundo, entre as quais o titulo de Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres, do governo francês; o Prix de la Célebration du Centenaire du Cinématographe, do Instituto Lumière de Lyon; o Golden Reel Award, do Grupo HBO; o Lifetime Achievement Award, concedido pela cidade de Chicago; o Prêmio Roberto Rosselini, pelo conjunto de sua obra, dado pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema da Itália; eleito Personalidade do Cinema Latino-Americano, pela Associação Internacional de Críticos (Fipresci); Ordem do Mérito Cultural de Portugal; Comendador da Ordem de Rio Branco, do governo brasileiro; Comendador da Ordem do Mérito Cultural do Brasil; e outros. Casado com a produtora de cinema Renata Magalhães, Cacá tem um filho e três filhas.

12/04/2019


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sexta-feira, 12 de abril de 2019

TRAGÉDIAS DE ANTIGAMENTE...


1. Quando as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão.

2. Ou o disco riscava bem na melhor música.

3. Você datilografava errado a última palavra da página.

4. E não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar.

5. A fita do Atari não funcionava nem depois de você assoprar.

6. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta bem no meio da música que você tinha passado horas esperando para gravar.

7. E depois o toca-fitas mastigava a fita.

8. O locutor não falava o nome da música quando ela terminava.

9. E você ficava anos sem saber quem cantava ou como chamava aquela música que você tinha amado.

10. Seu irmão bebia o líquido das Mini Cokes.

11. E alguém dizia que o filho do amigo do tio do vizinho tinha morrido depois de beber o líquido das Mini Cokes.

12. Alguém fumava dentro do ônibus.

13. Ou do avião.

14. Ou do elevador.

15. Você tinha que pagar multa por devolver a fita de vídeo para locadora sem rebobinar.

16. O Ki-suco vazava da garrafinha da sua lancheira.

17. E molhava as bisnaguinhas com patê.

18. Você tirava as letras das músicas em inglês tudo errado.

19. E depois descobria, no folheto da Fisk, que estava tudo errado mesmo.

20. Mas já era tarde, pois você já tinha decorado errado (e canta errado até hoje).

21. Você arranhava com todo cuidado, mas quando levantava o papel via que o bichinho do decalque do Ploc tinha saído sem uma perninha.

22. A televisão resolvia sair do ar no dia do capítulo final da novela.

23. E seu pai tinha que subir no telhado para mexer na antena.

24. E ele gritava lá de cima “melhorou?”

25. E você, embaixo, avisava: “melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13”.

26. E nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo.

27. Chegar à padaria e lembrar que você tinha esquecido o casco do refrigerante.

28. A Kombi que trocava garrafas velhas por picolés e pintinhos passava na sua rua um dia depois da sua mãe jogar tudo fora.

29. Você descobria que todas as 36 fotos do seu aniversário tinham ficado desfocadas.

30. E algumas tinham queimado, porque o rebobinador da câmera estava meio enguiçado.

31. Quando sobrava só o lápis branco da caixa de 36

32. Você pensava que ia morrer porque engoliu uma bala Soft


Nossa vida era assim. E nem faz tanto tempo, mas nossos filhos nem têm ideia do que significa tudo isso.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)

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ACORDA, ESTADÃO! - John Kirchhofer


O jornal Estado de São Paulo, publica editorial com o seguinte tema: 'O País precisa de rumo, que deve ser dado pelo presidente. Até aqui, Bolsonaro não se mostrou nem remotamente à altura dessa tarefa, e não há razões para acreditar que algum dia estará.' #estadao
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John Kirchhofer replicou com o seguinte texto:

"A cegueira de um grande jornal

É incrível como um jornal da tradição e tamanho do Estadão, continue cego as evidências! Preso a um passado que se desmancha, frente a um presente que seus anacrônicos editores se negam a enxergar!

O mundo muda numa velocidade estonteante. A mídia impressa caminha para a falência. O exemplo da editora Abril não lhes serve para abrir-lhes os olhos.

Acorda Estadão! 

Bolsonaro não governará nem indicará “rumos”, através de discursos eloquentes, retórica brilhante, embromação de longas palavras. Bolsonaro governará com a mais poderosa forma de liderança que o mundo conhece: O EXEMPLO! A VERDADE!

Vocês fazem parte de um tempo em que a admiração por longuíssimos discursos, de uma, duas ou até três horas impressionava as massas e hipnotizava os jornalistas! 
Era o tempo do fanatismo aos discursos de Fidel Castro, Carlos Lacerda e Leonel Brizola!

Acorda Estadão!

Este tipo de comunicação Acabou!
  
As recentes eleições Americanas e aqui no Brasil, sepultaram este tipo de retórica. 

E olhe que a mudança veio como um tsunami!

99% dos jornais erraram suas previsões sobre a possibilidade de vitória de a Bolsonaro.

99% das televisões erram em seus comentários sobre as chances de Bolsonaro vencer.

99% dos Institutos de Pesquisas apostavam que Bolsonaro perderia para qualquer candidato no segundo turno.

99% dos políticos e partidos deste país, não acreditavam na possibilidade de Bolsonaro vencer as eleições.

99% dos jornalistas deste país, zombaram de Bolsonaro e riam de suas fraquezas, quando de forma franca e verdadeira dizia que não conhecia de economia e iria deixar esta área estratégica, mas mãos de um competente economista. Virou gozação nacional a piada do Posto Ipiranga do Bolsonaro.

Quebraram a cara! Todos!

Achavam ridículo um candidato à presidência se apoiar numa citação bíblica para tocar sua campanha à presidente.

E Bolsonaro, simplesmente, continuava sua pregação perante multidões crescentes:

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”

Nada mais verdadeiro do que isso!

Lamentavelmente, até hoje, os intelectuais, professores e editores de jornais, não se deram por conta, de que, a verdade pode ser dita em 140 carácteres, ou menos!

A verdade cabe num Tweet!
Jornais como o de vocês, do velho Estadão, continuam na anacrônica elaboração de editoriais de 1000, 2000 ou 3000 carácteres! 
Gastam papel em vão!
Mas estão sem saída. 
 Porquê?

Porque não sabem fazer outra coisa! Se negam a acordar perante a nova política. A real política. A política da verdade. A política que nega a “articulação” política! A política que nega as mentiras políticas, a mentira e a embromação!

Acorda Estadão!

Tanto vocês como o outrora poderoso O Globo, baixam desesperadamente os preços, de suas assinaturas, de 109 para 29 reais mensais, ou seja tentam vender jornais impressos por 1 real a edição, e não conseguem sinal de reação dos consumidores!

Estão apavorados com a falência eminente da ex-gigante Folha de São Paulo!

Acorda Estadão!

Não é baixando o preço por edição, nem entrega gratuita de jornais, que fará ressuscitar os Cadernos de Classificados!

As antigas edições de domingo, que chegavam a pesar mais de um quilo de papel, hoje está na faixa de 400 a 300 gramas! E assim caminham para ZERO gramas de papel impresso!

Eu sou assinante, mas não leio mais o papel impresso! Só leio a edição digital em meu iPad!

Não me sinto mais satisfeito em gastar horas lendo um jornal escrito por professores, intelectuais, doutores, jornalistas, todos sem prática! Todos teóricos! Todos que formaram o séquito dos 99% que apostaram contra a vitória de Bolsonaro! Todos, viajantes de uma Época que ACABOU!

Acorda Estadão!

O povo está cheio de suas opiniões pessimistas! 
O povo quer esperança!
O povo quer verdade!
O povo não quer as armações de suas jornalistas buscando “arruinar” o mandato de um presidente recém-eleito!

Não adianta escrever mil páginas negando o que foi ouvido da boca de sua jornalista. Não adianta trocar sinais e afirmar mil vezes que era “fake news”! Pois não eram apenas poucas palavras que sinalizaram a verdade. Foram edições e editoriais sinalizando a verdade! 

De que adianta esta afirmativa de que “não há razões para acreditar que algum dia estará” Bolsonaro, estará preparado para nos dar um “rumo”?

Ledo engano dos senhores.

Basta o exemplo. Pequenos atos como cancelar um jantar com show, ao custo de 290.000 reais, que sairiam do bolso do contribuinte, via Embratur, e a demissão da presidente do órgão, para que se dê o rumo a este país!

Se o sentido de “rumo”, for o mesmo de “articulação”, “conversa”, e outras mais, usadas para esconder o toma lá dá cá, acho que realmente não teremos. Bolsonaro realmente é um cabeça vazia de “ideias” para sangrar os cofres públicos!

Eu, sinceramente, não quero o mal para tão tradicional órgão de imprensa. Mas se puder lhes dar um conselho de leitor, lhes diria: Tomem outro rumo.

Cordialmente

John Kirchhofer"

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