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sábado, 30 de março de 2019

O MARIDO DISTANTE – Mário de Moraes


A carta me veio de São Paulo, com o endereço e nome de todas as pessoas envolvidas no caso. Pedem-me, porém, confiando em mim, que troque todas as identidades, para evitar um trauma no personagem principal da história. Verifiquei a veracidade do fato e, por isso mesmo, manterei o necessário sigilo.

De verdadeiro, mesmo, apenas as principais cidades onde os fatos sucederam. E estes têm início em São Paulo, há 15 anos.

A menina Dolores, de 10 anos de idade, amanhecera com forte dor de cabeça. Primeiro deram-lhe um comprimido comum, para aliviar-lhe o sofrimento. Nada. Depois pensaram em mal do fígado, aplicaram-lhe uma injeção. Nada. A noite veio o médico receitou um calmante, a garota adormeceu.

Veio a acordar madrugada ainda, repetindo uma frase, que aos pais - gente de muitas posses - pareceu bastante confusa:

- Quero ver meu marido e meus filhos... quero ver meu marido e meus filhos...

- Deve ser efeito do calmante - procurou explicar o pai embora um pouco apreensivo - Vai ver a dose foi demasiada.

A menina voltou a dormir, mas, na manhã seguinte, quando se levantou, na própria mesa do café, pediu súplice:

- Quero ver meu marido e meus filhos. Por favor, levem-me ao meu marido e aos meus filhos...

E nada mais dizia, por mais que puxassem por ela. O médico da família, chamado às pressas, explicou que aquilo não poderia ser proveniente, em hipótese alguma, do calmante que ela tomara, muito fraco por sinal. Dolores deveria estar sendo vítima, provavelmente, de alguma perturbação mental que ele, médico de clínica geral, não saberia diagnosticar.

Começou, então, para os pais da criança, uma autêntica Via Crucis, seu doloroso caminho levando-os por inúmeros consultórios de médicos da cabeça. Psicólogos e psiquiatras foram consultados, métodos os mais modernos empregados, mas nada dava resultado. A menina comia normalmente, dormia normalmente, mas falar, mesmo, apenas estranhas frases:

- Eu quero ver meu marido e meus filhos. Por favor, levem-me ao meu marido e aos meus filhos...

Um parapsicólogo resolveu tentar o hipnotismo, como última solução. Deitada no sofá do consultório, aparentemente adormecida, a pequena foi contando uma série de fatos, totalmente desconhecidos para a sua família. Falava numa cidade distante, na Turquia, onde vivia o "seu marido", de nome Abdul, e nos seus filhos Elias e Simeão. Descrevia a sua casa, nos seus mínimos detalhes, dando mesmo o endereço da mesma. E por fim, contava como "morrera":

- Eu estava ao lado de minha empregada, quando senti a forte dor no peito... queria respirar e não podia... aquilo ia apertando o meu peito... apertando... a empregada correu a chamar o médico... mas quando este chegou, eu estava morta... sem ter visto meu marido e meus filhos... sem ter me despedido deles... por isso eu preciso vê-los... levem-me até eles, por favor...

O mais estranho é que a pequena Dolores, de apenas 10 anos de idade, falava com voz de adulta.

Os pais da criança, completamente desesperados e aconselhados pelo tal parapsicólogo - também entendido em coisas espirituais - resolveu tirar aquilo a limpo. E com o endereço de uma rua na cidade de Esmirna, na Turquia, compraram três passagens de avião e se dirigiram com a filha para aquele lugar. É bom que eu lembre: depois da consulta com o parapsicólogo, assim que a menina acordou, ela voltou a dizer apenas as já conhecidas frases.

Assim que chegaram próximo à rua da distante Esmirna, os olhos de Dolores adquiriram um novo brilho e ela gritou entusiasmada:

- Graças a Deus! É aqui mesmo, é aqui mesmo!

E desvencilhando-se das mãos dos pais, subiu célere par uma rua enladeirada. Foi parar em frente a uma casa, onde bateu forte na porta. Quando o pai e a mãe de Dolores conseguiram chegar lá em cima, a menina estava sendo recebida por um senhor, com quem conversava em estranha língua. O homem parecia sinceramente espantado, enquanto a guria o abraçava, chorando desesperadamente. Apareceram, depois, dois jovens, com quem Dolores também se agarrou alucinada.

Veio um intérprete, que tentou explicar o que estava se passando:

- Esta menina diz que é esposa do Senhor Abdul e que os rapazes, Elias e Simeão, são seus filhos... Os senhores me desculpem, mas ela deve estar maluca. A esposa e mãe desses homens, morreu há mais de 10 anos...

Para os pais da menina, porém, algo muito além da compreensão estava acontecendo naquele lugar, pois a menina, que só falava português, fazia-se entender perfeitamente na língua turca.

Depois que ela conseguiu beijar o senhor e os dois moços, caiu desmaiada. Voltou a acordar muitas horas mais tarde, já no hotel do centro de Esmirna. Sem lembrar-se de nada que acontecera, desde a noite da terrível dor de cabeça. E até hoje ela só sabe que esteve doente e que seus pais fizeram aquela viagem para curá-la. A conselho de um psiquiatra, nunca lhe deram os detalhes do acontecido, preferindo mantê-la na ignorância dos 'inexplicáveis acontecimentos.


Mário de Moraes

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sexta-feira, 29 de março de 2019

COMO CONHECI CASTRO ALVES - Cyro de Mattos


(Para Joaci Goes)


            Foi nos idos de 1953. Saltei do bonde na parada próxima ao Restaurante Cacique e Cine Guarani, com o firme propósito de conhecer aquele monumento de mais de dez metros, um homem lá no alto encimando o pedestal. Aquele homem de cabeleira negra e basta devia ser muito importante para que fosse homenageado em monumento tão grandioso.

             Atravessei a rua com a luz forte do verão caindo no asfalto e me aproximei do monumento. Meu olhar curioso viu que em um dos lados estava um livro aberto com um sabre atravessado, tendo em letras douradas os versos: “Não cora o sabre do hombrear com o livro”. Em placa de mármore, numa das faces da base, lia-se: “A Bahia a Castro Alves.”

            Aquela estátua de bronze assentada no alto representava um poeta, muito querido pelo povo baiano, estava ali na atitude de fala importante, de quem declamava, tendo a cabeça descoberta, fronte erguida, olhar perdido no infinito, chapéu mole de estudante à mão esquerda, braço direito estendido. De um lado da coluna no monumento, vi um grupo em bronze, representando um anjo em posição de voo, a levantar uma mulher escrava pelo braço, erguendo-a ao alto.  E também um casal de escravos.

            Quem era esse poeta que a Bahia dedicava imenso amor? Lembrei da biblioteca da agremiação estudantil no Colégio dos Irmãos Maristas. E foi lá, durante a semana, à hora do recreio, folheando o livro ABC de Castro Alves, de Jorge Amado, que fiquei conhecendo a vida e a obra daquele grande poeta, que os baianos com orgulho chamavam de gênio.
 
            Era um rapaz esbelto, que vivera pouco. Nasceu na fazenda Cabaceiras, próxima a Curralinhos, na Bahia, em 14 de março de 1847. Tinha grandes olhos vivos, maneiras que impressionavam a quem o assistisse declamando versos de amor, às flores e em solidariedade aos escravos. Causava admiração aos homens e arrebatava paixões às mulheres. Seu estilo contestador contra a situação da escravidão dos negros na Bahia o tornou conhecido como O Poeta dos Escravos. Além de abolicionista exaltado, foi um liberal atuante, que clamava pela instalação da República no Brasil. Teve como colega Rui Barbosa no Colégio Abílio Borges, em Salvador, e na Faculdade de Direito do Recife. Faleceu aos seis de julho de 1871, aos 24 anos, em Salvador, vítima de tuberculose.

            Depois de conhecer um pouco a vida do poeta romântico, interessei-me por sua poesia. Fui ler, um a um, os livros desse poeta, cantor do amor, da água, das pétalas, dos negros escravos e da liberdade. Publicara em vida apenas um livro: Espumas Flutuantes, em 1870. Seus outros livros, A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876, Os Escravos, 1883, Hinos do Equador, 1921, tiveram edição póstuma. 

            Na medida em que fazia a leitura duma poesia cativante e libertária, ia anotando alguns versos no caderno, que me enriqueciam a sensibilidade.
  
            Como esses: Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus, / Se eu deliro... ou se é verdade / Tanto horror perante os céus?!... / Ó mar, por que não apagas / Co'a esponja de tuas vagas / Do teu manto este borrão? / Astros! noites! tempestades! / Rolai das imensidades! / Varrei os mares, tufão! ...

            Ou esses:  Oh! Bendito o que semeia / Livros à mão cheia / E manda o povo pensar! / O livro, caindo n'alma / É germe – que faz a palma, / É chuva – que faz o mar!

            Ou ainda esses, escritos com graça e leveza: Prendi meus afetos, formosa Pepita... / mas, onde? / No tempo? No espaço? Nas névoas? /Não rias... / Prendi-me num laço de fita!

            Perguntava-se como era que no coração de um poeta tão jovem como Castro Alves cabia tanta afetividade e solidariedade aos excluídos.  Com a leitura de cada livro do poeta, minha alma foi-se impregnando da beleza e da verdade postas de maneira maior em versos comoventes, em tons vários escorridos com amor e talento raro, que só os gênios possuem. Castro Alves tornou-se em pouco tempo um ídolo para o moço do interior, desses em que a marca de uma época ou de um tema brilha com a individualidade manifestada numa espécie de criador, a permanecer sempre ante a vida que passa.
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Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Da Academia de Letras da Bahia. Possui prêmios importantes no Brasil e exterior. Publicado também por várias editoras europeias.  Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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QUEM MANDOU MATAR MARIELLE? por Raquel Brugnera


Passaram meses perguntando "quem matou Marielle", encontraram os assassinos e as expectativas foram frustradas ao descobrirem que eles eram empregados do tráfico de drogas e armas, ou seja, o mandante é alguém ligado a contravenção.

Sabendo que contraventores e traficantes odeiam o presidente da República, "a sede de justiça" acabou! Os Psolistas silenciaram porque sabem o que podem encontrar no centímetro final desse novelo e isso não interessa mais.

A narrativa de que a vereadora morreu lutando contra algum político da direita, caiu por terra e no resumo dessa triste passagem, daqui alguns anos, ela será só mais uma vítima do crime organizado.

A vida dela valia tanto quanto a de todos os outros que o tráfico matou, principalmente para as famílias de cada um, mas sabemos que alguns eram "mais úteis" à sociedade (me perdoem a sinceridade). Assim como a vereadora defendia as comunidades, temos médicos que faziam trabalhos voluntários levando conforto aos pacientes que agonizavam, morrendo de câncer em suas casas sem estrutura alguma; tínhamos professores que atuavam na tentativa de tirar jovens do mundo do crime; tínhamos estudantes que contribuíam com causas nobres como a dos animais, dos portadores de HIV, do bullying, da preservação do meio ambiente, enfim... Perdemos muita gente boa para o crime e Marielle foi uma delas. 

Uma breve pesquisa na internet te fará constatar que bandido não tem senso de justiça, matam quem eles "precisam" matar.

Mas há quem diga que esse tipo de bandido também é vítima, principalmente dentro do partido da Marielle, o PSOL; Toda a morte ensina algo para quem fica vivo, talvez o PSOL reveja seus conceitos sobre a relação Oportunidade x Perversidade.

No final dessa novela o que fica é a sensação de que, nunca foi por justiça, sempre foi por interesse eleitoreiro.

Agora sou eu quem pergunto: 
Quem mandou matar Marielle? 
E por quê?


Raquel Brugnera



quinta-feira, 28 de março de 2019

A OUSADIA DO IRREVERENTE RODRIGO MAIA - Júnior Gurgel


22/03/2019
Conta a fábula que uma grande comunidade de ratos vivia tranquila e se reproduzia rapidamente num velho armazém. Por mais que seu proprietário tentasse envenená-los, não conseguia. Ratoeiras? Nem pensar, cardápio diferente... Era melhor continuarem nos grãos. Até que cansando, o dono do depósito resolveu botar um gato. Na primeira noite, três vítimas. Durante o dia ou a qualquer hora, o gato atento, mesmo dispensando refeição extra, matava-os por instinto predatório. Em uma semana, as baixas foram grandes. Os ratos acuados se reuniram para discutir o destino da comunidade. Surgiu a ideia de botar um chocalho no gato, pois ao andar, com o som do chocalho, eles localizariam onde estava o bichano. Todos concordaram. Então veio a pergunta irrespondível: quem vai botar o chocalho no gato? Não apareceu o voluntário.

No sábado (17.03.2019), um dia antes de o presidente Bolsonaro viajar para os Estados Unidos, o irreverente Rodrigo Maia convidou-o para um churrasco íntimo em sua casa, onde discutiriam “minúcias” sobre a reforma da Previdência. No encontro, apenas ele, o ministro Onyx Lorenzoni e o convidado (Jair Bolsonaro). Desconfiado da cortesia e conhecedor da “malandragem carioca”, o presidente foi. Mas, levou consigo 17 convidados. Dentre eles, alguns generais, o ministro Heleno do Gabinete de Segurança Institucional. Para surpresa de todos, quem estava lá era o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF, David Alcolumbre (presidente do Senado) e seu ex-ministro da Casa Civil, Gustavo Bebianno (?).

A ousadia do destemido Rodrigo Maia, pressionado e instigado pelo famigerado “centrão”, é de um afoito inominável. Ao lado de David Alcolumbre – presidente do Senado - “armaram” para tentar botar o chocalho no gato (Bolsonaro). Mas, para o bem geral da nação, o ímpeto foi abortado pelo excesso de testemunhas. A partir da “cabeça” do ministro Sérgio Moro, ocupação de cargos estratégicos (com dinheiro) pelo centrão; barrar pedidos de impeachment de ministros do STF; impedir instalação da lava-toga e fim da lava-jato, tudo seria discutido e pleiteado. Um registro fotográfico discreto seria providenciado, e espalhado nas redes sociais, fato que geraria suspeitas no eleitorado de Bolsonaro e em toda a sua equipe de abnegados da causa de mudar o país. A foto ainda foi feita e divulgada. Mas, não conseguiram esconder o Gen. Heleno, delegado Waldir, ministra Damares...

O “centrão” é um movimento de deputados federais suprapartidário, que surgiu das cinzas do “baixo clero” - aglomerado de parlamentares espertos - que elegeram em 2005 o pernambucano Severino Cavalcanti para presidência da câmara, uma candidatura avulsa, derrotando o pretendente do governo (PT) e adversários lançados por composições das grandes legendas de então, PMDB, PFL; PDT; PTB... Severino Cavalcanti durou pouco mais de 07 meses como presidente. Em manobras para abortar o mensalão, fazendo todo tipo de negociação espúria e trancando a pauta com o apoio da gang que o cercava, foi alvo do MPF em investigação destinada, onde descobriram um “mensalinho” pago a ele pelo concessionário que explorava os serviços de restaurante da câmara. Temendo ser cassado, renunciou à presidência e seu mandato.

A tática do centrão é levar o governo de plantão ao desgaste. Na medida em que o governo se impopulariza, cresce o centrão, passando a ocupar a esplanada dos ministérios e negociando pessoalmente (deputado por deputado) votos para projetos que tragam benefícios diretos para o povo e o governo brasileiro. De bolsos cheios, renovam seus mandatos com folgas. Até as eleições de 2014, os campões de votos por estado, eram todos do centrão. O “baque” veio em 2018. Mas, com o aprofundamento da crise, a pressão do centrão empurra o presidente da câmara para chantagear o executivo até que ele ceda. O destempero do presidente Rodrigo Maia não é por acaso. Já disse que “a câmara não é cartório para registrar queixas do povo” (?). Depois disparou com outra: “a câmara e seus deputados são soberanos...” Um internauta respondeu que “soberano” não se elege, já nasce soberano. O povo vota em representantes. Quarta-feira (20.03.2019) foi a vez de agredir e humilhar um dos nomes mais respeitados do país, o Juiz Sérgio Moro. “Ele é funcionário de Jair Bolsonaro... Está trocando as bolas, eu converso com o presidente”. Ontem, quinta-feira, veio a prisão de seu sogro, ex-governador do Rio Moreira Franco. Seus comparsas quiseram atribuir a uma retaliação corporativa do Juiz Marcelo Bretas, em defesa de Sérgio Moro. Rodrigo Maia conferiu que o mandado de prisão foi expedido um dia antes 19.03.2019.

Queiram ou não, para aprovar a reforma da Previdência, Bolsonaro terá que botar um “gato” (PF e lava-jato) na câmara. E Rodrigo Maia, se tiver juízo, renuncia imediatamente a presidência e seu mandato. Imagine se na busca e apreensão na casa de seu sogro, a PF tiver encontrado algo como “doação de campanha não declarada”?




Júnior Gurgel 
Jornalista político e memorialista


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JOAQUIM NABUCO É TEMA, NA ABL, DA SEGUNDA PALESTRA, DO CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘PRESENÇAS FUNDAMENTAIS’




O Acadêmico e historiador Evaldo Cabral de Mello fala sobre Joaquim Nabuco (primeiro Secretário-Geral e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras), na segunda palestra do ciclo de conferências da ABL, intitulado Presenças fundamentais, sob coordenação do Presidente Marco Lucchesi. O tema escolhido foi Nabuco: uma visão do passado brasileiro. O evento está programado para quinta-feira, dia 28 de março, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.
A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2019.

Clique e veja o vídeo abaixo:




Presenças fundamentais terá mais uma palestra, intitulada Rui Barbosa, 170 anos, dimensão da atualidade do seu percurso, com o Acadêmico Celso Lafer, dia 4 de abril, no mesmo local e horário. Na semana anterior, dia 21 de março, o Acadêmico e professor Domício Proença Filho falou sobre Machado de Assis.

As três palestras celebram os aniversários dos homenageados: Machado de Assis, 180 anos, e Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, 170.

O CONFERENCISTA

Evaldo Cabral de Mello nasceu no Recife em 1936 e atualmente mora no Rio de Janeiro. Estudou Filosofia da História em Madri e Londres. Em 1960, ingressou no Instituto Rio Branco e dois anos depois iniciou a carreira diplomática. Serviu nas embaixadas do Brasil em Washington, Madri, Paris, Lima e Barbados, e também nas missões do Brasil em Nova York e Genebra, e nos consulados gerais do Brasil em Lisboa e Marselha.

Um dos mais destacados historiadores brasileiros, Evaldo Cabral de Mello é especialista em História regional e no período de domínio holandês em Pernambuco no século XVII, assunto sobre o qual escreveu muitos de seus livros, como Olinda restaurada (1975), sua primeira obra, Rubro veio (1986), sobre o imaginário da guerra entre Portugal e Holanda, e O negócio do Brasil (1998), sobre os aspectos econômicos e diplomáticos do conflito entre portugueses e holandeses. É organizador do volume Essencial Joaquim Nabuco, da Penguin-Companhia das Letras.

25/03/2019



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quarta-feira, 27 de março de 2019

PARABÉNS, DOM CESLAU!...


 27/03 - ANIVERSÁRIO DE DOM CESLAU STANULA

ALMA DE MISSIONÁRIO,
TÃO PERFEITO COROLÁRIO
DE UM CORAÇÃO SOLIDÁRIO!
TUA VERVE E ITINERÁRIO,
TEU ENGENHO LITERÁRIO
E O TEU AFETO DIÁRIO
PELO AMOR TRINITÁRIO
- RIQUEZA DO TEU FADÁRIO!
DEPOSITO EM RELICÁRIO
E ENVIO AO DESTINATÁRIO
- O CRISTO LÁ NO SACRÁRIO,
PELO TEU ANIVERSÁRIO!...

Eglê S. Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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DESACORDOS ESCLARECEDORES – Péricles Capanema


27 de março de 2019
Péricles Capanema

O texto poderia ter como cabeçalho “Necessidade urgente de discriminação positiva”. Com efeito, faz falta ação afirmativa para grupo de vulneráveis, no caso enormemente relevante. Vou começar uma agora. Já que ninguém fala por ele, serei eu o pequeno porta-voz autonomeado.

Grupos vulneráveis, sabemos todos, são coletividades que necessitam de proteção especial do Poder Público (ou, de forma análoga, estendendo o conceito, da opinião pública). São as vítimas da seleção natural (ou da seleção cultural). Então o Estado faz em relação a eles a intitulada discriminação positiva, favorece-os de alguma maneira para assim restabelecer a igualdade proporcional. Privilegia-os, às vezes sensatamente. A palavra vem hoje carregada de preconceito, é manipulada por esquerdistas e progressistas. Na análise fria, trata-se da criação de privilégios, alguns razoáveis, repito, avanços; outros absurdos, retrocessos, quando inibem a competição justa e o prêmio ao mérito justificado.

Privilégios, ensina a etimologia, são leis privadas, só valem para determinada coletividade. É necessário notar, no presente os movimentos revolucionários utilizam a discriminação positiva para tentar impor a igualdade gradual em setores da sociedade, prejudicando a harmonia social, mais amplamente, o bem comum.

Temos ações afirmativas em relação a crianças, adolescentes, empregados, idosos, mulheres, negros, colégios públicos, homossexuais, índios, pobres, deficientes físicos e mentais, refugiados. A lista não para de crescer.

Transporte público gratuito e preferência nas filas, por exemplo, para idosos (gente que já passou dos sessenta anos). Outro, cota de 30% para as mulheres nas listas de candidatos dos partidos; e ainda 30% do Fundo Eleitoral. Na prática, tem sido terreno fértil para falcatruas. Uma terceira, critério especial para vagas nas instituições federais de ensino superior (para as de ensino médio federais os critérios são praticamente os mesmos), a chamada lei das cotas. 50% das vagas (mínimo) estão destinadas a alunos provenientes de escolas públicas; os outros 50% vão para os aspirantes de procedência diversa, em geral do ensino pago. Dos 50% destinados à rede pública, a metade fica com pretendentes provenientes de unidades familiares com renda igual ou menor a um e meio salário mínimo por cabeça. A outra metade vai para os postulantes de unidades familiares com renda superior a um e meio salário mínimo por cabeça. Nas vagas destinadas à rede pública, porcentagem no mínimo igual à do último censo do IBGE para a região de negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência é destinada a tal grupo. Discriminações positivas.

Fazem parte de tendência universal e são em geral chamadas de ações afirmativas. Negam na prática, ou pelo menos deixam de lado, o princípio darwiniano do survival of the fittest (sobrevivência dos mais aptos), base da seleção natural, a espinha dorsal do evolucionismo.

Vou propor agora uma ação afirmativa de alcance universal (calma, não é norma positivada). Valeria até mais que norma legal, se entrasse fundo nos espíritos. Acima, muitas vezes para promover a igualdade setores revolucionários desconsideram a lei darwiniana, tida como natural do survival of the fittest. Os menos aptos são protegidos.

Aqui, no segundo caso, como veremos, em geral para justificar uma sociedade libertária, apegam-se à teoria da evolução e, com isso, pelo menos na prática, contestam a ação de um Ser transcendente, legislador e providente (Deus).

Aos fatos. Inimigos efetivos da civilização ocidental, das mais variadas procedências, pretendem impor, de maneira intolerante e obscurantista, o darwinismo como dogma universal. Esteadas nele, a corrente de opinião criacionista e os partidários do Intelligent Design são furiosamente atacados nos Estados Unidos (aqui também e alhures). Certamente você já leu e ouviu muita gente, com escora na teoria de Darwin, descer a madeira nos criacionistas, como se todos eles fossem propagadores de disparates.

Aos fatos. Circula desde 2001, sem grande divulgação, manifesto intitulado “Dissent statement” (em tradução livre, “Posição discordante). Esse “Dissent Statement” já tem mais de mil signatários. Não são zé-manés, como é corrente em proclamações de pretensos eruditos por aqui. Colocaram ali suas assinaturas grandes especialistas dos Estados Unidos, Rússia, Hungria, Inglaterra, França, Israel, para citar alguns países. Entre outros, são doutores e professores de Harvard, Yale, Princeton, MIT, Cambridge, Universidade Ben-Gurion de Israel. Inclui grandes nomes em biologia molecular, bioquímica, entomologia, química quântica computacional, microbiologia, psiquiatria, biologia marítima, física, antropologia; paro por aqui.

Formulam pedido sensato e, quem sabe, por causa da sensatez, furiosamente atacado: “Somos céticos a respeito das afirmações da possibilidade da mutação fortuita e da seleção natural serem responsáveis (e causa) da complexidade da vida. Deve ser encorajado o exame cuidadoso das razões apresentadas como fundamento da teoria de Darwin. Existe discordância científica em relação ao darwinismo. Merece ser ouvida”. Enfim, reclamam estudo e reexame, mas nem isso é tolerado. E alguns deles colocam uma evidência inafastável: nunca houve um exemplo documentado de uma mutação genética que acrescentou informação genética em vez de destruí-la. O Dr. Michael Egnor da Stony Brook, instituição nova-iorquina de nome, sustenta que “intuitivamente os cientistas sabem que o darwinismo explica algumas coisas, mas não outras” E continua, os partidários do darwinismo “nunca se colocaram de maneira científica se a mutação fortuita e a seleção natural podem gerar a informação contida nos seres vivos”.


São milhares de bons cientistas empurrados de lado, silenciados por repressão implacável. Sabemos, a “peer pressure” e a sanção social podem ser piores que a lei da mordaça inscrita em códigos. Tais homens de estudo vivem hoje em situação de vulnerabilidade, e só por isso merecem que de começo já se lhes seja destravada a língua. Pelo bem da ciência, pelo progresso da humanidade, por pena deles, são claros credores de ação afirmativa, de serem discriminados positivamente para que se restabeleça certa igualdade em relação a colegas seus prestigiados por posições, microfones, divulgação e dinheiro.


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