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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
SIMPLICIDADE E EMOÇÃO DO CONTISTA ALEILTON FONSECA – Cyro de Mattos
Um de seus
volumes de contos, O desterro dos mortos
(2001), apresenta doze histórias
revestidas de calor humano, que oferecem uma leitura prazerosa, pontuada com
uma linguagem simples e plena de camadas líricas no seu conteúdo “Nhô Guimarães”, a primeira delas, embrião do romance homônimo, conta a
história de “um homem de sobejas
importâncias. Um distinto doutor, do sertão e da cidade, duas vezes lugareiro,
muito conhecedor das estradas gerais.”
Fica visível que a narrativa, de apelos aos falares da gente rural no
interior mineiro, retrabalhada em sua entonação cantante, foi motivada pelo propósito de homenagear
o estupendo escritor e ficcionista
Guimarães Rosa. A figura do escritor mineiro vai sendo erguida pouco a pouco
com sua humanidade no texto que flui com
sabores na fala, usando para isso o contista das lembranças e entretantos que afloram do personagem Manu
e sua mulher, além dos amigos do homenageado. As histórias “O sorriso da
estrela”, “O avô e o rio” e “Jaú dos Bois”
reaparecem em O desterro dos
mortos, vindas do pequeno volume Jaú dos bois e outros contos.
Não é preciso
ser íntimo das questões estéticas, crítico com
formação acadêmica, para perceber que os contos de Aleilton Fonseca
possuem como singularidades a marca da simplicidade na escrita para externar a
emoção, qualidades que se aderem ao
texto infiltradas de esperança e ternura. Essa relação inseparável entre o discurso
simples, sem experimentalismos, penetrado de afetividades, é
posta com sabedoria pelo
contista na escrita para que se faça a
leitura da vida tocada com rapidez e visibilidade, impregnada de emoção causada
pela cena.
Na relação inseparável de que se vive e
morre, sempre, aflições e solidões são
ultrapassadas, ternuras nos ritos de passagem informam como as estações amadurecem a infância, existem noutras terras conduzidas pela morte sob o peso do enigma. Histórias urdidas pela chama do amor em
adolescentes irrompem para o voo
de anjos terrenos alçados às nuvens, paixões de adultos resvalam por entre fissuras e rupturas em
suas verdades pungentes, impondo a separação amarga sem volta.
Afirma-se
que literatura é a matéria verbal que expõe
uma experiência de vida. Esse conceito ajusta-se aos contos de Aleilton
Fonseca de maneira eficaz e sóbria. Em O
desterro dos mortos, a matéria verbal disposta para dizer do imaginário configura significados
colhidos através de uma experiência
colhida pelo contista no teatro da vida. Expressa histórias que nos remetem ao real
imaginado, em alguns momentos com
sensações semelhantes a que se tem nos contos tradicionais de reis, tanto é
o encantamento provindo do estado
psicológico dos personagens, o surgimento da paz no final sempre bem
achado, indicativo de uma janela que se abre para a
luminosidade da vida.
De outro viés, entre a dor e o amor, a paz que irá emergir
de momentos agudos mostra como a vida é um sofrido aprendizado.
O personagem depara-se com as incompreensões absurdas da morte, como é
visto nos contos “O sorriso da estrela”, “Para sempre” e “O
desterro dos mortos”, nas relações
passionais que atritam e
separam, na fumaça que ativa a doce
lembrança da infância, para que saiba quanto
a dor é capaz de reverter momentos contrários em sonos serenos
sob luares de relva.
Nota-se que o
instrumental teórico de base acadêmica não interfere na luminosidade que se
espraia nas criações do contista. Não força
a prosa que apresenta
maneiras suaves de horizontes
longínquos e próximos em seu dizer cativante.
Há um modo sempre oportuno
de o contista dizer o drama, uma solidariedade que dignifica o comportamento
marcado para designar os quadros da morte, da solidão que o tempo impõe em rigor de atitude que
comanda.
Vale ressaltar que
uma harmonia, a porejar sensibilidades e
cargas emotivas na escrita, decorre de
situações vividas pelo personagem sob o choque das descobertas,
relevâncias existenciais, cortes extraídos
no difícil gesto de viver. Olhares lançados pelo contista sobre os personagens buscam desvendar
para o mundo estados interiores, incompreensões do tangível e do que não
se explica, aclarar a situação
conflituosa no drama. Como conversa ao
pé do ouvido puxa o leitor para dentro do texto, remetendo-se ao contista Machado de Assis, mestre nessa atitude de aproximar a história de quem a lê para assim torná-la mais verossímil
na sua dinâmica.
O contista
sabe dosar com medidas certas o necessário para que o leitor seja
envolvido com ternuras e esperanças no
assunto crítico vivido pelo personagem.
Em suas reações tristes,
situações de tormento, o personagem desterra pensamentos quando se vê com dificuldade
para entender a vida. Certa
melodia, que acompanha a altura do
ritmo, a intensidade e a dimensão
dos gestos, em perfeito equilíbrio
enquanto duram no texto, não dá chance
para que o vulgar e a pieguice
descaracterizem a escrita conduzida com
simplicidade e emoção.
O proseado
que escorre do discurso enunciado com afetividades contagia no seu ritmo, torna o leitor
íntimo da problemática existencial do indivíduo. Na escrita
apoiada em medidas rítmicas harmoniosas,
os significados e significantes formam unidades cadenciadas pelos toques poéticos da vida sob os olhares
líricos do narrador. Cenas marcadas de controvérsias, contrapontos dos conflitos são
construídos com pausas e respirações, breves e oportunas, para evitar
que o vulgar nos fluxos e refluxos circule nas zonas do coração.
As
histórias de Aleilton Fonseca fornecem a
sensação de que entram pelos ouvidos e ficam com seriedade ritmadas dentro de nós sob puro
lirismo. Assim são construídas
com seus tremores e amores, como
feixes acesos de humanidades múltiplas
determinam simpatia entre o real e o sonho. Não precisam de questionamentos
profundos nas razões de ser dos outros no mundo, e porque dotadas de puro lirismo simplesmente o coração as aceita, pulsam
amores em atitudes e sentimentos.
Referência
FONSECA, Aleilton. O desterro dos mortos, contos, Relume
Dumará, Rio de Janeiro, 2001.
..............
*Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Autor de 48 livros
pessoais. É também editado no exterior. Membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e
México.
* * *
DISCURSO DE JAIR BOLSONARO NO FÓRUM ECONÔMICO DE DAVOS
Ligue o vídeo abaixo:
..............
Leia na íntegra
“Boa tarde a todos!
Muito obrigado, professor Schwab!
Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar
deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.
Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na
abertura desta sessão plenária.
Esta é a primeira viagem internacional que realizo após
minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem
promovido e priorizado.
Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de
mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para
apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.
Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8
segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo,
conseguimos a vitória.
Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.
Temos o compromisso de mudar nossa história.
Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe
de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando
ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência
do Estado e corrupção.
Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que
precisamos e que o mundo espera de nós.
Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública,
Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de
dinheiro.
Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos
visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas
naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do
mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso
Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!
Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro
país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em
apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência
do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas
commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e
alimentam boa parte do mundo.
Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a
preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário
desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.
Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que
aprender conosco.
Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a
confiança que sempre teve em nós.
Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas,
facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar
empregos.
Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando
os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.
O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao
comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos
deste Governo.
Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa
equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking
dos 50 melhores países para se fazer negócios.
Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo
ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico
deixará de existir.
Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio
da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são
adotadas e promovidas pela OCDE.
Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma
defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais
de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.
Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.
Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos;
proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que
prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial,
buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.
Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos
laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.
Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas
minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse
casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.
Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes
negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.
Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande,
quero um mundo de paz, liberdade e democracia.
Tendo como lema “Deus acima de tudo”, acredito que nossas
relações trarão infindáveis progressos para todos.
Muito obrigado.”
* * *
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
FEMINISTA – Ruth Manus
“Semana passada fui
dar aula sobre assédio sexual num curso de pós graduação, em São Paulo. Cheguei
na sala, composta predominantemente por advogados, e perguntei “Quem aqui se
considera feminista?”. Silêncio. Uma moça levanta timidamente o braço. Dois ou
três caras fazem comentários baixinho e riem.
Disse “Ok. Vou fazer duas leituras rápidas para vocês”.
Continuei.
“Dicionário Houaiss da língua portuguesa: FEMINISMO: teoria
que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos.
Dicionário Jurídico da Professora Maria Helena Diniz:
FEMINISMO: movimento que busca equiparar a mulher ao homem no que atina aos
direitos, emancipando-a jurídica, econômica e sexualmente.”
Esperei um pouquinho e mudei a pergunta “Quem aqui pode me
dizer que NÃO se considera feminista?”. Ninguém levantou a mão.
Pois é. Tenho a sensação de que 99% do mundo não entendeu até
agora o que é feminismo. Porque se as pessoas entendessem, quase todo mundo
teria orgulho de se dizer feminista. E o melhor: dizer “eu não sou feminista”
seria considerado algo mais feio do que dizer “eu não gosto de filhote de
golden”.
Não vou perder tempo aqui dizendo que feministas não são
mulheres que não se depilam, não usam soutien e não transam. Primeiro porque
ser feminista não tem a ver com ser mulher, tem a ver com ser humano. Segundo
porque nunca entendi que raio que os pelos têm a ver com posicionamentos
ideológicos. Terceiro porque soutien serve para sustentar peitos, não para
sustentar ideias. E quarto porque eu já vi gente deixar de transar por causa da
igreja, por causa de promessa, por falta de opção, por infecção ginecológica,
problemas de ereção… Mas por feminismo nunca vi. Alguém já viu?
Enfim. Acho que ser feminista não é bom ou ruim. Ser
feminista é necessário. Uma vez ouvi uma amiga dizer “a mulher que diz que
nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída”. É simples assim.
Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos ir até tribos africanas.
Não precisamos ir ao sertão do nordeste. Não precisamos ir até a periferia de
São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que
agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por
perto.
E agora, quem poderá nos defender? O feminismo. O mesmo
feminismo que nos tornou civilmente capazes e independentes perante a lei. O
mesmo feminismo que nos possibilitou votarmos e sermos votadas. O mesmo
feminismo que segue lutando diariamente por uma sociedade mais justa para
mulheres, homens, mães, pais, filhas, filhos, trabalhadoras e trabalhadores.
No século XIX, as brilhantes irmãs Brontë escreviam através
de pseudônimos masculinos por saberem que suas obras não seriam aceitas na
sociedade se soubessem que as autoras eram mulheres. Se não fosse o feminismo
eu provavelmente também não estaria escrevendo aqui neste momento. Pelo menos
não como Ruth.
Nós precisamos falar sobre feminismo. Com nossos amigos,
nossos pais, nossos filhos, grandes ou pequenos. É hora de falar sobre
igualdade entre meninos e meninas. É hora de falar que meninas podem jogar bola
e ter carrinhos e que meninos podem cuidar de bonecas. Quem não quer ter um filho
feminista? Quem não quer que eles vivam num mundo de igualdade, no qual nem
meninos nem meninas sejam massacrados pela truculência do machismo?
Nesse domingo, o tema da redação do Enem foi a violência
contra a mulher. Milhões de jovens tiveram que parar para pensar sobre isso.
Que avanço lindo. Pensar é sempre o primeiro passo. Perceber que a questão
existe, que o tema não é antiquado e que, infelizmente, as questões de gênero
estão muito longe de serem superadas. A violência persiste, a discriminação no
ambiente de trabalho persiste, a desigualdade salarial persiste, a
discriminação com as tarefas domésticas persiste, as pequenas (e não menos
graves) agressões machistas do dia a dia persistem. Então a luta tem que
persistir.
O feminismo não é de esquerda nem de direita. Não é só para
mulheres nem é só para homens. Não é ameaça. Não é um estranho. Mas perceba que
quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se
deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade
de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer
estar.
Se você percebeu que é feminista, fique tranquilo. Nós não
contaremos para ninguém. Mas, sabe? Se eu fosse você, eu sairia contando para
todo mundo. Porque ser feminista é lindo, é importante, é sinal da inteligência
e da decência de qualquer ser humano. Como diz o lindo livrinho da nigeriana
Chimamanda Ngozi Adichie (leiam, ele é pequenino e indispensável): Sejamos
todos feministas.
E o mundo será melhor a cada dia. Pode apostar.
Ruth Manus, professora universitária
* * *
QUEM AQUECEU O CLIMA NO PERÍODO MEDIEVAL?
21 de Janeiro de 2019
O Período Quente Medieval atingiu todo o
planeta, alcançando seu auge nos anos 1000-1200.
Estudo da Universidade de Hamburgo (Alemanha) confirmou o
aquecimento do clima na América do Sul durante a Idade Média, embora ele não
possa ser atribuído aos seres humanos, pois os índios só possuíam técnicas
primitivas de sobrevivência.
O relatório se limita a confirmar que o clima planetário tem
ciclos de aquecimento e resfriamento.
A contração das geleiras e ascensão da vegetação em zonas
andinas, o abreviamento do inverno e a redução dos lagos resultaram de mudanças
sem causa humana, mas o esquerdismo ambientalista insiste em nos fazer
acreditar que o homem é sempre o responsável pelo aquecimento.
* * *
domingo, 20 de janeiro de 2019
EDIFICAÇÃO E ESCÂNDALO – Péricles Capanema
19 de Janeiro de 2019
♦ Péricles Capanema
Durante longos períodos na Idade Média e, mesmo depois, o
Papa agiu repetidas vezes como árbitro em conflitos de nações e povos. Dava a
última palavra, acatada por imperadores, reis, outros dirigentes temporais. Não
era função ligada intrinsecamente ao múnus petrino, mas, entre outros fatores,
a enorme respeitabilidade do Soberano Pontífice o empurrava naturalmente, pela
força das coisas, para o centro da vida temporal europeia.
Tarefa edificadora, outros tempos. A laicização da esfera
civil limitou enormemente seu papel em tais matérias. A Santa Sé,
relativamente, poucas vezes agiu como árbitro de forma oficial nos últimos
tempos. Mas dessa longa e benéfica presença dos Papas em matérias temporais,
ficou o hábito de ouvir o Soberano Pontífice, cuja voz não fere apenas os
tímpanos dos católicos, mas de incontáveis pessoas interessadas em conhecer suas
tomadas de posição, por sua evidente relação com o destino dos povos.
Contudo, ainda relativamente recente, em nossa época,
tivemos eco importante da outrora grande relevância dos Vigários de Cristo na
resolução de disputas temporais. Em fins de 1978, a Argentina e o Chile
estiveram à beira de conflito armado por causa do Canal de Beagle, no sul do
continente; brigavam pela posse das ilhas Picton, Lennox e Nueva.
Fracassados os esforços diplomáticos, em 21 de dezembro,
tropas argentinas se puseram em marcha para ocupar as ilhas e, se necessário,
até partes do Chile continental. O 4º Batalhão de Infantaria da Marinha tinha
ordens para nelas desembarcar em 22 de dezembro. As consequências do conflito
militar entre Argentina e Chile, imprevisíveis, mas certamente repercutiriam
provavelmente por décadas em todas as Américas.
Basta alinhar o que hoje é admitido em suas linhas gerais. O
alto comando argentino previa aproximadamente 50 mil baixas nas três primeiras
semanas. O Equador entraria no lado da Argentina. O Peru e a Bolívia apoiariam
a Argentina. Os chilenos pretendiam atacar a usina nuclear de Atucha. Não se
sabe que posição tomaria o Brasil. A guerra com certeza deixaria sequelas
destruidoras, traria dilacerações dificilmente suturáveis na América do Sul.
Poucas horas antes do choque, talvez minutos, Argentina e
Chile aceitaram a mediação de João Paulo II, que enviou à região, como seu
representante, o cardeal Antonio Samoré. Tendo como pano de fundo a
respeitabilidade pontifícia, os dois países, depois de negociações difíceis,
chegaram a um acordo, ilhas para o Chile e controle marítimo da área para os
argentinos.
Em 29 de novembro de 1984 no Vaticano assinaram declaração
conjunta de paz e amizade. Hoje, sem sequelas, são duas potências amigas. Ação
papal edificadora ou edificante, se quisermos. Atitudes que constroem.
Viro a página, mas permaneço na América do Sul (e Central) e
também em assuntos temporais. Na mensagem de Natal de 2018 (25 de dezembro), o
Papa Francisco afirmou “que este tempo de bênção permita à Venezuela encontrar
de novo a concórdia e que todos os membros da sociedade trabalhem
fraternalmente pelo desenvolvimento do país, ajudando os setores débeis da
sociedade”. Sobre a Nicarágua disse: “diante do Menino Jesus os habitantes da
Nicarágua se redescubram irmãos para que não prevaleçam divisões e discórdias,
mas que todos se esforcem em favorecer a reconciliação e em construir juntos o
futuro do país”. Só.
Em 5 de janeiro, 20 ex-presidentes e chefes de governo
latino-americanos, entre os quais Oscar Arias, Prêmio Nobel da Paz (1987),
ex-presidente da Costa Rica, Eduardo Frei, ex-presidente do Chile, Vicente Fox
e Felipe Calderón, ex-presidentes do México, César Gaviria, Andrés Pastrana e
Álvaro Uribe, ex-presidentes da Colômbia, Fernando de la Rua, ex-presidente da
Argentina, divulgaram severa carta que haviam enviado ao Papa Francisco. De
forma serena e respeitosa se confessam escandalizados com a atitude papal por
favorecer as ditaduras venezuelana e nicaraguense, assassinas da liberdade e
promotoras da miséria popular. Diz a missiva:
“Conhecemos sua preocupação pelo sofrimento que hoje
padecem, sem distinções, todos os venezuelanos e, agora, os nicaraguenses. Os
primeiros são vítimas da opressão de uma narcoditadura militarizada, que pisa
de maneira sistemática os direitos a vida, liberdade, integridade pessoal e, a
mais, como consequência de suas políticas públicas deliberadas e de uma
deslavada corrupção que escandaliza mundialmente, submete-os a fome
generalizada e falta de remédios.
Os segundos, em meados do ano, foram vítimas de onda de
repressão com quase 300 mortos e 2.500 feridos. De modo que nos preocupa o
chamado de Vossa Santidade à concórdia, já que no contexto atual pode
entender-se sua fala como um pedido aos povos, que são vítimas, para que entrem
em acordo com seus algozes; no particular, o caso venezuelano, com um governo
que causou 3.000.000 de refugiados, numa diáspora que a ONU julga chegará a 5,4
milhões de pessoas em 2019”.
Lembra a seguir o texto, com base em João XXIII, que os que
oprimem não contribuem à unidade.
A censura dos 20 presidentes e chefes de governo é
gravíssima: para eles, o Papa Francisco está equiparando vítima e algoz,
opressores e oprimidos. Com isso favorece o opressor e o algoz. É acusação de
conduta escandalosa, demolidora.
Poucos dias depois da carta, em 8 de janeiro, documento
oficial da Conferência Episcopal Venezuelana declarou ilegítimo o novo governo
Maduro que se iniciaria no dia 10 de janeiro. Afirma o texto:
“É um pecado que clama ao céu querer manter a toda custa o
poder e pretender prolongar o fracasso e ineficiência dessas últimas décadas. É
moralmente inaceitável. A convocação [da eleição presidencial] foi ilegítima
como o é a Assembleia Nacional Constituinte imposta pelo Poder Executivo.
Portanto a pretensão de iniciar um novo período presidencial em 10 de janeiro
de 2019 é ilegítima”. E reconheceu a Assembleia Nacional como único poder
legítimo: “A Assembleia Nacional, eleita com o voto livre e democrático
dos venezuelanos, atualmente é o único órgão do poder público com legitimidade”.
No dia 10 de janeiro tomou posse o novo governo, festejado
ruidosamente por representantes da China, Rússia, Cuba, Irã, Turquia, Vietnam,
Coreia do Norte, (Gleisi Hoffmann, presidente do PT, estava lá, o PC do B
também mandou representante, havia ainda outros enviados da extrema esquerda
brasileira), — ausentes a maior parte dos países da América do Sul, União
Europeia, OEA, Estados Unidos. No meio daquela “societas sceleris” (a expressão
brota incoercível, já que ali se reuniam para promover um governo opressor),
com luz soturna brilhava monsenhor George Koovakod, encarregado de negócios da
Santa Sé, enviado especial, a quem Nicolás Maduro agradeceu a presença no
início do discurso. Vem natural à mente a denúncia de Paulo VI de 7 de dezembro
de 1968 do “misterioso processo de autodemolição” que se havia
instalado na Igreja Católica.
Edificação e escândalo. As intervenções papais nos assuntos
temporais edificavam, isto é, construíam. Nossa época tem deixado claro que,
para escândalo dos fiéis, podem também demolir. Paro por aqui, as palavras
faltam; morrem na boca, sufocadas pelo respeito filial. Deus tenha pena de nós.
* * *
ITABUNA CENTENÁRIA, Curtas e boas - Amorecos, se acalmem!...
Leio aqui uma enxurrada de gente cobrando a tal da
investigação, já exigindo pena de morte para o Flávio Bolsonaro, todos
revoltadíssimos que ainda não houve conclusão dos fatos!
Calma minha gente, antes disso tem o assassinato do Celso
Daniel, tem os fundos de pensão saqueados, tem o enriquecimento dos filhos do
Lula, da filha da Dilma, tem a filha do Cunha, tem o BNDES, tem os 12
processos do Renan Calheiros, que não andam, tem a roubalheira do Aécio e da
Dilma, do Lindberg e da Gleisi, tem o Temer e sua trupe, tem os saqueadores da
Lei Rouanet, tem a morte do Teori Zavaski, tem o caso Marielle, tem a tentativa
de assassinato do Bolsonaro, etc. etc. etc.
Vocês estão achando que só porque a Globo quer ferrar com o
governo vai furando a fila assim?
Nananinanão, ela nunca cobrou nada nesses 30 anos sem
ser a morte da Marielle, de corrupção de seus protegidos, ZERO!
Amorecos, se acalmem, vamos com calma, não entrem na pilha, e
deixem de ser manipuláveis!
(Recebi via WhatsApp – autor não mencionado)
* * *
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