A Academia Brasileira de Letras encerra a série de
Seminários “Brasil, brasis” de 2018 com o tema Educação: a grande
prioridade, sob coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta
Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de
2006), e coordenação do Acadêmico, educador e escritor Arnaldo Niskier (sétimo
ocupante da Cadeira 18, eleito em 22 de março de 1984). O participante
convidado é o professor Antonio Celso Pereira. O evento está programado
para o dia 4 de dezembro, terça-feira, às 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr.,
Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.
O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão
ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.
O CONVIDADO
Antônio Celso Alves Pereira é natural de Peçanha,
Estado de Minas Gerais. Doutor em Direito Público pela Faculdade Nacional de
Direito e pós-graduado em Política Internacional e História Diplomática pela
Universidade de Lisboa. Reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro -
UERJ - 1996/2000; presidente da FAPERJ – 2000/2001. Professor Associado
(aposentado) da UFRJ.
Desde 2009, é diretor geral do Centro de Ensino Superior de
Valença, RJ. Membro titular do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro
(mandatos 1985/l990 e 1997/2001). Chefe da delegação brasileira à Reunião
Técnica Multinacional sobre Inovação Tecnológica na Educação, promovida pela
OEA, em Kingston, Jamaica, 1986. Professor visitante e conferencista em várias
universidades e instituições científicas do Brasil e do exterior.
Autor de livros científicos e literários, artigos,
prefácios, ensaios, resenhas e verbetes publicados no Brasil e no
exterior, Antonio Celso Alves Pereira, em 1984, recebeu o “Prêmio Coelho
Neto”, concedido pela Academia Brasileira de Letras ao romance A Porta de
Jerusalém. É sócio titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, bem
como do PEN Clube do Brasil, entidade da qual foi vice-presidente, entre
2008-2010; membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e da Academia
Brasileira de Educação. Atualmente, preside a Sociedade Brasileira de Direito
Internacional.
Dias atrás fiz uma crônica sobre ele, mas, pelas minhas
preocupações atuais, deixei passar despercebida uma das mais importantes das
suas comemorações, premiando o pobre povo (e os não tão pobres), que é seguramente
o sorridente e aconchegante, além de sempre esperado com carinho, o décimo
terceiro mês. Ele que me refiro é o mês de dezembro!
Essa quantia financeira, muitas vezes não passa de uma
merreca pouco alvissareira, inegavelmente faz com que muitos saiam do
“vermelho”, atualize as suas parcelas de compras, prestações em atrasos e,
logicamente, dá o maior “refresco” na plebe sofredora!
Os mais bafejados pela sorte até aproveitam para viajar e
curtir outras terras. Logicamente trata-se de uma minoria privilegiada!
Sem dúvida alguma, esse fato jamais deveria ter sido
esquecido por mim, já que faz parte desse mês urgido e sacramentado.
Me expressei sobre o Natal, que é o nascimento do Menino
Jesus, como o evento de maior plenitude e religiosidade, festejo que domina,
praticamente, o mundo inteiro, também coloquei a comemoração da entrada do novo
ano, que cria milhões de esperanças em todas as pessoas, até nas mas céticas e
descrentes, esquecendo do velho e desgastado décimo terceiro, criado por algum
filho de Deus que, infelizmente, não sei o seu nome para agradecer (que Deus o
tenha em bom lugar).
Assim sendo, merecidamente, dou meus parabéns respeitosos ao
nosso dezembro, pois, com os seus atos e eventos, deixa os corações humanos
cheios de felicidades e alegrias!
Peço, encarecidamente, que Deus tenha pena de nós e, com
essa mudança brusca de administração política e pública, tenhamos uns anos
novos de paz, harmonia, tranquilidade e saúde!
Feliz dezembro e um Feliz Natal e um réveillon cheio de encantos!
O feminismo, enquanto corrente ideológica, tem suas
raízes no Iluminismo, com a proclamação dos ideais revolucionários de
liberdade, igualdade e fraternidade. Entretanto, somente após a Revolução
Francesa é que o vemos sair do campo meramente teórico para abarcar também o
campo político.
Baseado em uma errônea interpretação dos significados de
igualdade e liberdade, ele se empenha na luta contra os valores chamados de
patriarcais, fundamentados nas diferenças entre os sexos.
A luta contra tais valores implica, de um lado, a destruição
de costumes, tradições e instituições seculares fundamentais para a sociedade,
muitas delas remanescentes da Cristandade medieval. De outro lado, essa luta
consiste na proclamação de pérfidos ideais cujo estandarte tem como lema “empoderamento
feminino”.
Entre as reivindicações do referido movimento, sempre a
pretexto de advogar pelas mulheres, estão o tratamento equânime para ambos os
sexos em todas as esferas da sociedade, a emancipação das mulheres em todos os
campos em que predominam os chamados preconceitos patriarcais, uma maior
participação da mulher em cargos de mando ou poder, direitos reprodutivos
(leia-se: “direito” de assassinar um ente inocente que ainda não nasceu), entre
outros.
Entretanto, ao confrontarmos as ideias feministas com
algumas de suas atitudes, encontramos uma gritante contradição: enquanto se
auto proclamam defensoras das mulheres e valorizadoras do sexo feminino, vemos
concomitantemente suas atitudes caminharem em sentido radicalmente contrário.
Provemos.
Nas últimas décadas, as manifestações feministas de grande
porte ora reivindicavam direitos sociais equânimes, ora pediam o fim da
violência contra as mulheres ou a descriminalização do aborto. Entretanto,
denominadores comuns entre todas elas — as manifestações — inclusive as mais
recentes, põem em xeque a legitimidade das mesmas: a omissão de um combate
direto e explícito contra a sharia, por exemplo.
A sharia poderia ser considerada a lei
anti-feminina por excelência. Além de tratar as mulheres como impuras,
incapacitadas mentais, escravas sexuais de seus maridos, entre outras abominações,
ainda torna meninas pré-púberes objeto de espancamentos e de pedofilia.
Por que as feministas se omitem ante tão crítica situação da
mulher nos países islâmicos?
As contradições são se limitam apenas aos casos negativos;
elas estão por toda parte, até mesmo onde se faz mister elogiar.
Os elogios do movimento feminista se restringem àquelas
figuras femininas que servem de cavalo-de-batalha para suas militantes. Algumas
de suas principais expoentes servem-nos de ilustração: Mary Wollstonecraft,
escritora e “educadora” inglesa, considerada “avó” do feminismo, e Simone
Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir [foto ao lado], uma francesa filha
de aristocratas,mais conhecida como Simone de Beauvoir, que além da
bandeira feminista defendia a pedofilia.
Porém, quantas mulheres honradas que fizeram história e
deixaram sua marca são ignoradas pelas feministas?
Branca de Castela, mãe de São Luís IX de França, foi uma
rainha medieval que assumiu a regência do reino enquanto seu filho ainda não
podia fazê-lo. Além de ter sido uma excelente governante, é cultuada como
santa.
Isabel de Castela [ao lado, sua estátua], esposa de Fernando
de Castela — os dois passaram para a História como os Reis Católicos — tinha
autoridade política maior que a do seu marido e a usou para o bem de Castela e
do catolicismo ali reinante.
Querem exemplos ignorados mais recentes?
Santa Gianna Beretta Molla [foto abaixo] preferiu morrer a
ter que abortar seu filho. Realizou um gesto heróico.
Kátia Sastre, policial paulista, neutralizou definitivamente
um bandido que ameaçava mães e crianças na porta de uma escola.
Bem, por que limitar tanto nossa lista? Façamos menção às
mães de família que com tanto esforço e em meio às ameaças do mundo moderno —
como a ideologia de gênero, por exemplo — lutam para criar e bem educar seus
filhos, manter seus lares e servir de apoio a seus maridos.
Por que tamanha omissão em relação a essas grandes mulheres
do passado e do presente? Existe um motivo?
Sim, ele existe. Ei-lo: uma personagem só serve ao feminismo
na medida em que é possível usar ou distorcer sua personalidade ou seus atos
para desfigurar a imagem da mulher. E este, aliás, é o verdadeiro objetivo do
feminismo.
Vemos que o denominador comum, implícito ou explícito, nos
atos ou reivindicações do feminismo, é essa deformação da figura feminina.
Desfiguração feita seja pelo aviltamento das qualidades da mulher, seja por uma
falsa atribuição de características masculinas a ela.
Se o feminismo se preocupasse de fato com as mulheres, ele
defenderia a verdadeira imagem destas. Imagem que não só completa e adorna a
imagem do homem, como tem um papel fundamental na vida da família e da
sociedade.
É a imagem da mãe, da companheira, da conselheira, da
protetora, da educadora; é a imagem daquela que sabe combinar esplendidamente a
força e a delicadeza, a bondade e a firmeza; é a imagem daquela que, em uma
palavra, sabe ser mulher.
Vemos essa verdadeira imagem nos exemplos históricos que
citei. Vemo-la diariamente nas mães de família, nas senhoras da sociedade, em
moças respeitáveis, em meninas que transbordam de inocência e graça. Vemo-la
resplandecer ao longo da História nas santas canonizadas pela Igreja.
Vemo-la, por fim, de modo perfeitíssimo em Nossa Senhora,
que soube ser Filha e Mãe, Virgem e Esposa, e que possui em altíssimo grau
todas as qualidades femininas.
Para Ela devemos olhar e contemplar o ideal da mulher. Ela,
sim, é um exemplo a ser seguido.
Em dois meses, minha mãe completa 100 anos de vida e diz que
nunca viu nada igual ao que está testemunhando hoje.
Ela passou pela ditadura Vargas, pelas tentativas comunistas
de tomada do poder, a começar em novembro de 1935, depois por tantos governos
diferentes e tantos planos de salvação nacional, mas nunca viu uma reação como
agora, contra o estado de coisas em que enterraram o país. Uma reação popular e
pacífica, de uma maioria que cansou de ser enrolada, ludibriada, enganada –
desculpem usar tantos sinônimos para a mesma mentira.
Eu mesmo, em meus quase 80 anos de Brasil, nunca vi nada
igual.
Eu diria que se trata de uma revolução de ideias, tal a
força do que surgiu do cansaço de sermos enganados.
Mencionei a primeira tentativa comunista de tomada do poder,
há 83 anos. Naquele 1935, houve reação pelas armas. Nas outras tentativas, no
início dos anos 60, a reação veio das ruas, que atraiu as armas dos quartéis. A
última, veio pelo voto, na mesma linguagem desarmada, com que começou a sutil
tentativa tucana, para desaguar nos anos petistas, já com a tomada das escolas,
dos meios de informação, da cultura – com aquela conversa que todos conhecemos.
De repente, acordamos com a família destroçada, as escolas dominadas, os
brasileiros separados por cor e renda, a cultura nacional subjugada, a História
transformada. Mas acordamos.
Reagimos no voto, 57 milhões, mais alguns milhões que tão
descrentes estavam que nem sequer foram votar.
O candidato havia sido esfaqueado para morrer, nem fez
campanha, não tinha horário na TV, nem dinheiro para marqueteiro. Mas ficou à
frente do outro em 10 milhões de votos. Ainda não se recuperou da facada, a
nova intentona; precisa de mais uma cirurgia delicada, mas representou a reação
da maioria que não quer aquelas ideias que fracassaram no mundo inteiro, que
mataram milhões para se impor e ainda assim não se impuseram.
O que minha mãe nunca viu é que antes mesmo de o vitorioso
tomar posse, as ideias vencedoras da eleição já se impõem.
Policiais que tiram bandidos das ruas já são aplaudidos pela
população; juízes se sentem mais confiantes; pregadores do mal já percebem que
não são donos das consciências; as pessoas estão perdendo o medo da ditadura do
politicamente correto, a sociedade por si vai retomando os caminhos perdidos,
com a mesma iniciativa que teve na eleição de outubro, sem tutor, sem protetor,
sem condutor. Ela se conduz.
O exemplo mais claro desse movimento prévio ao novo governo
é a retirada cubana, no rompimento unilateral de um acordo fajuto, de seus
médicos, alugados como escravos ao Brasil.
Cuba “passou recibo” na malandragem e tratou de retirá-los
antes que assumisse o novo governo, na prática confessando uma imoralidade que
vai precisar ser investigada no Brasil, para apontar as responsabilidades, tal
como ainda precisam ser esclarecidos créditos do BNDES a ditaduras, doação de
instalações da Petrobras à Bolívia, compra de refinaria enferrujada no Texas, e
tantas outras falcatruas contra as quais a maioria dos brasileiros votou em
outubro.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Haverá
sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas,
com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo,
só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão
abaladas.
Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com
grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer,
levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem
insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse
dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha
sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai
a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer
e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Edvaldo Batista Soares, OFM:
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Advento: "Deus à vista"
“Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem
insensíveis...” (Lc 21,34)
Com o Advento, começamos um novo ano litúrgico, um tempo que
sempre nos fascina. O ser humano, ferido pela estreiteza da vida, imposta pelo
seu ego, descobre a fragilidade, o medo, a dor, o sem-sentido, pelo qual volta
a gritar a seu Criador, buscando, suplicando de novo que lhe envie um raio de
luz. Desolado pela experiência do sofrimento, da violência, da intolerância, da
solidão e do medo, dirige novamente seus olhos para “Aquele que está à vista”.
O Advento é o tempo mais adequado à nossa existência atual. Queremos intuir
algo novo, reacender nossa esperança, alimentar uma presença inspiradora nesse
contexto social no qual vivemos, carregado de trevas e abalos sísmicos.
O Tempo do Advento tem algo de belo e atraente que mobiliza
o nosso coração a entrar em outra sintonia; tal qual um sedutor, ele revela sua
capacidade para debulhar dias até completar um tempo que vai nos guiando em
direção ao Natal. Um tempo tão tranquilo, tão sussurrante, como um manancial
que, em silêncio, vai espalhando vida em todo seu entorno. Tempo que nos
convida a sonhar e a viver despertos.
Vários personagens que emergem no Advento, com sua maneira
original de ser e de viver, vão se tornando familiares; eles nos acompanham
neste tempo inspirador, ativando em nós uma ousada esperança e um outro modo
criativo de nos fazer presentes no contexto social, tão carente de
esperanças.
Isaías nos ensina como viver o sempre jovem Advento; ele nos
ensina a gritar esperança no sofrimento, a confiar em tempos melhores, a
provocá-los. Este homem tão sensível nos diz que somos nós que devemos dar um
colorido especial à vida e que Deus é como um tição fumegante que abrasa a
nossa vida. Poeta do futuro, Isaías nos ensina a viver carregados de
entusiasmo, gestando a paz.
João Batista, aquele do dedo que aponta o caminho novo e o
Novo. Sim, João, o parente austero, impaciente, metódico, que pergunta sem
rodeios: “és tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”
João também se revela como um bom mestre porque nos recorda
que, com muito pouco se pode viver, e que a qualidade de vida é dada pela
relação com Deus, que sempre nos surpreende. Ele nos anima a viver com
simplicidade e a gritar sempre que o Reino de Deus está próximo, tão próximo,
que o temos colado em nosso interior.
Maria, a mulher bendita e abençoada de Nazaré, a do anúncio
original, a filha de Sião que recebeu de novo a Ruah Santa, a que interpelou o
anjo até que ambos se puseram de acordo no “sim”. Diante dela, nos inclinamos
admirados, porque ela, que pronunciou poucas palavras, no entanto, gestou a
Palavra em seu ventre. Maria nos diz agora, no Advento, que o coração deve ser
grande para poder guardar nele todas as coisas em silêncio.
Tudo é permanente Advento, transformação, movimento. Espaço
em expansão, interioridade que se abre, braços que se unem. Seu ardor nos
inspira, sua esperança nos alenta. Há uma eternidade que devemos inaugurar cada
dia, em cada instante: a eternidade da vida expansiva, justa e ditosa. Esperar
é transformar este mundo em outro mundo humano, fraterno, e muito mais feliz.
Esperar é derrubar o que impede viver. Se esperamos, podemos.
Não encontramos melhor maneira de traduzir a linguagem
apocalíptica de Lucas a não ser fazendo referência ao mundo da construção. O
toque de atenção que ressoa no evangelho deste domingo nos chama a derrubar e a
construir. Lucas nos fala de sinais cósmicos, de sismos e desmoronamentos.
Justamente ali onde algo se desmorona, é onde aparece espaço livre para uma
nova construção.
Há um mundo que deve acabar: este mundo contaminado pelo
“deus dinheiro” e pelo mercado; este mundo que gera exclusão e violência; este
mundo que abafa a “cultura do encontro” para alimentar a “cultura da indiferença
e do preconceito”; este mundo que faz opção em favor da morte...
Nada nosso é tão caduco que não permita um projeto novo.
Nada é tão antigo que não tenha algo aproveitável. As calçadas velhas das
cidades, os antigos casarões, o centro histórico, se remodelam conjugando o
velho e o novo. O resultado costuma ser uma nova obra de arte. Cada um de nós é
convidado, no início deste Advento, a uma “reabilitação ou remodelação” de todo
nosso ser. Entrar no fluxo inspirador deste tempo nos leva, cada dia, a
desfazer e refazer. Uma fé que se paralisa e não avança é como um edifício que
se faz velho.
O Advento nos mantém erguidos e com dignidade, afugentando o
medo, denunciando a injustiça que provoca exclusões e sofrimentos, aplicando o
antídoto do amor contra a imbecilidade do ódio, da intolerância e da
manipulação. Por isso, as expressões do evangelho: “tomai cuidado”, “ficai
atentos”, “orai a todo momento”, são gritos de ânimo e gritos de construção de
futuro. Talvez, para alguns, a única coisa que precisa fazer seja pintar a
casa, ou mudar algum cômodo. Para outros, a obra será de maior envergadura. E,
quem sabe, para outros ainda, o futuro depende de uma reestruturação mais a
fundo da vida: esvaziá-la e reconstruí-la.
A obra de Deus em nós consiste em que derrubemos o que
construímos, segundo nossos gostos e egoísmos, e não segundo o querer
d’Ele. A Deus lhe agrada um coração com estâncias cheias de luz e de sol,
liberadas de apoios inúteis, capazes de acolher a todos. Como estar atentos(as)
ao Deus que em cada Advento quer dar à luz algo novo em nossas vidas, em nosso
contexto, em nosso mundo, embora pareça que não temos mais idade, como
aconteceu com Isabel, a mãe de João Batista e continue rompendo nossas lógicas,
como aconteceu com Maria de Nazaré?
O que realmente mata o ser humano é a rotina sem sentido; o
que lhe salva é a criatividade, a capacidade para vislumbrar e resgatar a
novidade. Se contemplarmos a realidade em profundidade, tudo é sempre novo,
diferente e em constante mudança. Participar desse movimento de mudança que
chamamos vida é a única promessa sensata de felicidade.
O Advento nos provoca a perfurar a realidade para nela ler a
vida, os acontecimentos, mais além da superficialidade e da banalização que se
impõe a todos nós. Perfurar a realidade é buscar, na densidade dos
acontecimentos e do próprio coração, os respiradouros de Evangelho, por onde o
mistério de Amor e Vida Plena revelam sua face e nos urgem a impulsionar seu
dinamismo na história. Por isso, é preciso focalizar nosso olhar, pôr lupa,
afinar a sensibilidade para detectar as pegadas da misericórdia criativa,
resiliente e fecunda de Deus em nosso mundo e no nosso próprio coração.
Que é Deus senão este Advento e Presença que é e que vem,
Calma vivente, Coração latente no qual somos e respiramos?
Texto bíblico: Lc 21,25-28.34-36
Na oração: Os caminhos de Deus têm desertos difíceis, mas
sempre anunciam a “terra prometida”.
Os caminhos de Deus têm momentos de tremores e abalos
sísmicos, mas nunca falta a Boa Notícia de uma vida nova. Desparecerá a
obscuridade, porque sempre há um amanhecer.
Deus não anuncia finais; Deus sempre anuncia começos; Deus
não anuncia entardeceres, mas amanheceres.
O importante é que nossas vidas não estejam embotadas e
incapacitadas de ver a nova luz.
- Fazer memória dos abalos em sua vida que foram ocasião
privilegiada para expandi-la em novas direções.
Há muitos anos, quando tudo estava iniciando em minha
vida, eu andava de porta em porta dos comércios procurando emprego. Ninguém
queria me contratar, então falei: “vou até a lanchonete do Roque”. Chegando em
frente a lanchonete, estava logo uma placa: PRECISA-SE DE ATENDENTE.
Meus olhos brilharam de felicidade, pois naquele momento
meus pensamentos eram os melhores, é claro. Roque era meu amigo, uma vaga, eu
tinha certeza que iria conseguir. Chamei ele em um canto e falei: Amigo
preciso dessa vaga de atendente. Você sabe da minha situação, vou me empenhar o
máximo pode ter certeza, só preciso da vaga URGENTE.
Então ele olhou pra mim e disse: amigo não me leva a mal,
mas eu preciso de uma moça, bonita, cheirosa e malhada pra trazer freguesia.
Naquele momento as lágrimas caíram, eu disse: tudo bem meu amigo, sucesso pra
você.
Então decidi vender minha bicicleta e comprei balas, canetas
e doces pra vender na praia.
As coisas foram dando certo, comprei uma BANCA, fiz
faculdade, trabalhei em uma embarcação, ganhei um programa, virei dono da SBT.
Anos depois quando eu já era dono da SBT, após apresentar o
programa, minha assessoria disse: tem um homem baixinho moreno te chamando,
disse que é seu amigo de infância e que precisava muito falar contigo. Fui até
a portaria e era o Roque: Silvio, desculpa por aquele dia. Faz anos que não
nos falamos.
Naquele momento vendo a situação dele eu disse: Não precisa falar nada amigo,
aquele NÃO, foi a melhor coisa que eu recebi na minha vida, foi a partir
daquele não que eu corri atrás dos objetivos que eu realmente queria pra minha
vida, OBRIGADO AMIGO!
E disse mais para ele naquele momento: Deus pode fechar, 1,
2, 3 milhares de portas, mas ELE sempre vai reservar uma porta certa pra você,
entre comigo, sei do que precisa, vamos até o meu camarim, coma alguma coisa e
vamos até o RH, a partir de hoje você vai trabalhar comigo.
Faz mais de 30 anos que Roque trabalha comigo no SBT.
Deixo para todos vocês: Não desista! Mesmo que a porta se
feche, coloque em sua mente que você vai vencer, lute com suas garras, não
desista, nunca pensa em desistir, pois a vitória é sua.
É muito emocionante testemunharmos essa evolução da
consciência que está em andamento em todos nós. Estamos no meio de um grande
avanço em nossa evolução, e estamos testemunhando alguns dos efeitos dessas
enormes mudanças. Estamos vendo mais turbulência no mundo, e talvez em nossas
vidas pessoais, e certamente em nossos corpos físicos, e tudo isso faz com que
nos perguntemos se estamos nos movendo na direção certa.
Muitas vezes, sofremos dores ao experimentarmos a ocorrência
de crescimento rápido. Há ajustes que precisam ser feitos. Porém, fazer
esses ajustes pode ser tão simples como desacelerar, descansar mais e beber
mais água. Não precisamos retardar o crescimento, e não precisamos acelerar
para acompanhá-lo. É natural.
Quando vemos a turbulência no mundo, ou na vida daqueles
perto de nós, ou mesmo na vida de estranhos, lembremos do poder que temos
dentro de nós para sentir Compaixão e oferecer Amor Incondicional. O que
veremos mais nos próximos meses e anos é um coletivo humano que multiplica, ao
invés de um que divide. Estamos começando a reconhecer que mesmo que sejamos
diferente e único, somos todos o mesmo em nosso desejo, e a maioria de nós que
já despertou reconhece que, quando algo acontece com outro membro desse
coletivo humano, isso acontece também conosco.
Podemos sentir a dor uns dos outros, e quando nos unimos,
podemos eliminar a dor que alguém ou algum grupo de pessoas sentem. Nós
temos o poder dentro de nós para suavizar o golpe dessas mudanças enormes e das
intensas dores de crescimento. Lembremos disso, inicialmente, na próxima vez
que nos sentirmos sobrecarregados com a turbulência que vemos e que
experimentamos.