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sábado, 15 de maio de 2021
sexta-feira, 14 de maio de 2021
POEMAS DE LA BRASILEÑA VALDELICE SOARES PINHEIRO, TRADUCIDOS AL CASTELLANO
por Alfredo Pérez Alencart
Con especial gozo he traducido estos poemas de la brasileña
Valdelice Soares Pinheiro (1929-1993), nacida y fallecida en Itabuna,
Estado de Bahía. En vida ella publicó solo dos poemarios: ‘De dentro de mim’
(1961) y ‘Pacto’ (1977), además de algunos poemas en publicaciones dispersas.En
2014 apareció ‘Canto contido’, donde el poeta y narrador Cyro de Mattos reunió
los dos libros y los textos dispersos de Valdelice. De esta edición elegí estos
textos que vestí al castellano.
BAUTISMO
Yo te prometo, hermano,
un bautismo cristiano.
Haré tu inmersión
en las mismas aguas mías,
dentro de las mismas oportunidades.
Sin caridad,
por obligación,
te envolveré en la flor del trigo azul,
perfumaré tu cuerpo
en la realidad del pan
y te untaré de leche y miel.
Abriré tu sonrisa
en una nueva Primavera.
CREACIÓN
Dios besó a las abejas
y a las cerezas
y dibujó los divinos dientes
en la pulpa de una guayaba.
Después
encargó a los niños
y a los pajaritos
el sabor de la vida.
POEMA PARA LA NAVIDAD
En medio de todas las alegrías
por el Niño Dios nacido,
tanta sangre
por los niños que no nacen.
En medio de todos los perfumes y hosannas,
tanto grito, tanto olor de dolor
en la boca de los niños con hambre.
En medio de toda la paz
de aquella estrella,
tanta inquietud
en los ojos de mis hermanos,
tanto odio
en las manos de los generales.
Niño Jesús,
cruz y redención,
abre de nuevo tu cuerpo
sobre nosotros.
PAZ
Plántense los sueños
en la alborada de los dedos.
Coséchense las espigas
en la mañana de las manos.
Y, en el descanso de la noche,
la mesa puesta,
nazca el amor
en el calor del pan.
SI YO TE DIGO ADIÓS
Yo abriré mis ojos
llenos de lágrimas
sí, un día,
a la orilla de cualquier camino,
yo te digo adiós.
POEMAS DA BRASILEIRA VALDELICE SOARES PINHEIRO, TRADUZIDOS PARA O ESPANHOL
Por Alfredo Pérez Alencart
Com alegria especial traduzi esses poemas da brasileira
Valdelice Soares Pinheiro (1929-1993), nascida e falecida em Itabuna, bahia. Em
vida publicou apenas dois poemas: 'Dentro de Mim' (1961) e 'Pacto' (1977),
além de alguns poemas em publicações dispersas. Em 2014 surgiu 'O Canto Contido', onde o poeta e narrador Cyro de Mattos reuniu os dois livros e
espalhou textos de Valdelice. A partir desta edição escolhi esses textos que
vesti em espanhol.
BATISMO
Eu prometo a você, irmão,
Batismo cristão.
Eu vou fazer o seu mergulho
nas mesmas águas minhas,
dentro das mesmas oportunidades.
Sem caridade,
por obrigação,
Eu vou envolvê-lo na flor de trigo azul,
Vou perfumar seu corpo.
na realidade do pão
e eu vou te dar leite e mel.
Vou abrir seu sorriso.
em uma nova Primavera.
CRIAÇÃO
Deus beijou as abelhas
e cerejas
e desenhou os dentes divinos
na polpa de uma goiaba.
depois
encomendou às crianças
e os pássaros
o gosto da vida.
POEMA PARA O NATAL
No meio de todas as alegrias
pelo Menino Deus Criança nascido,
tanto sangue
para crianças que não nascem.
No meio de todos os perfumes e hosannas,
tantos gritos, tanto cheiro de dor
na boca de crianças famintas.
No meio de toda a paz
daquela estrela,
tanta inquietação
aos olhos dos meus irmãos,
tanto ódio
nas mãos dos generais.
Bebê Jesus,
cruz e redenção,
abra seu corpo novamente
Sobre nós.
PAZ
Plantem-se os sonhos
no alvorecer de seus dedos.
Colham-se espigas
na manhã das mãos.
E, no intervalo da noite,
a mesa posta,
o amor nasça
no calor do pão.
SE EU DISSER ADEUS
Vou abrir meus olhos
cheio de lágrimas
Sim, um dia,
à beira de qualquer estrada,
Eu digo adeus.
* * *
O ALIENISTA CAP VI – Machado de Assis
A REBELIÃO
Cerca de trinta pessoas ligaram-se ao barbeiro, redigiram e
levaram uma representação à Câmara.
A Câmara recusou aceitá-la, declarando que a Casa Verde era
uma instituição pública, e que a ciência não podia ser emendada por votação
administrativa, menos ainda por movimentos de rua.
—Voltai ao trabalho, concluiu o presidente, é o conselho que
vos damos.
A irritação dos agitadores foi enorme. O barbeiro declarou
que iam dali levantar a bandeira da rebelião e destruir a Casa Verde; que
Itaguaí não podia continuar a servir de cadáver aos estudos e experiências de
um déspota; que muitas pessoas estimáveis e algumas distintas, outras humildes
mas dignas de apreço, jaziam nos cubículos da Casa Verde; que o despotismo
científico do alienista complicava-se do espírito de ganância, visto que os
loucos ou supostos tais não eram tratados de graça: as famílias e em falta
delas a Câmara pagavam ao alienista...
—É falso! interrompeu o presidente.
—Falso?
—Há cerca de duas semanas recebemos um ofício do ilustre
médico em que nos declara que, tratando de fazer experiências de alto valor
psicológico, desiste do estipêndio votado pela Câmara, bem como nada receberá
das famílias dos enfermos.
A notícia deste ato tão nobre, tão puro, suspendeu um pouco
a alma dos rebeldes. Seguramente o alienista podia estar em erro, mas nenhum
interesse alheio à ciência o instigava; e para demonstrar o erro, era preciso
alguma coisa mais do que arruaças e clamores. Isto disse o presidente, com
aplauso de toda a Câmara. O barbeiro, depois de alguns instantes de
concentração, declarou que estava investido de um mandato público e não
restituiria a paz a Itaguaí antes de ver por terra a Casa Verde —"essa
Bastilha da razão humana"—expressão que ouvira a um poeta local e que ele
repetiu com muita ênfase. Disse, e, a um sinal, todos saíram com ele.
Imagine-se a situação dos vereadores; urgia obstar ao
ajuntamento, à rebelião, à luta, ao sangue. Para acrescentar ao mal um dos
vereadores que apoiara o presidente ouvindo agora a denominação dada pelo
barbeiro à Casa Verde—"Bastilha da razão humana"—achou-a tão elegante
que mudou de parecer. Disse que entendia de bom aviso decretar alguma medida
que reduzisse a Casa Verde; e porque o presidente, indignado, manifestasse em
termos enérgicos o seu pasmo, o vereador fez esta reflexão:
—Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em
quem supomos são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o
alienista?
Sebastião Freitas, o vereador dissidente, tinha o dom da
palavra e falou ainda por algum tempo, com prudência, mas com firmeza. Os
colegas estavam atônitos; o presidente pediu-lhe que, ao menos, desse o exemplo
da ordem e do respeito à lei, não aventasse as suas ideias na rua para não dar
corpo e alma à rebelião, que era por ora um turbilhão de átomos dispersos. Esta
figura corrigiu um pouco o efeito da outra: Sebastião Freitas prometeu
suspender qualquer ação, reservando-se o direito de pedir pelos meios legais a
redução da Casa Verde. E repetia consigo namorado:—Bastilha da razão humana!
Entretanto a arruaça crescia. Já não eram trinta, mas
trezentas pessoas que acompanhavam o barbeiro, cuja alcunha familiar deve ser
mencionada, porque ela deu o nome à revolta; chamavam-lhe o Canjica—e o
movimento ficou célebre com o nome de revolta dos Canjicas. A ação podia ser
restrita—visto que muita gente, ou por medo, ou por hábitos de educação, não
descia à rua; mas o sentimento era unânime, ou quase unânime, e os trezentos
que caminhavam para a Casa Verde, —dada a diferença de Paris a Itaguaí, —
podiam ser comparados aos que tomaram a Bastilha.
D. Evarista teve noticia da rebelião antes que ela chegasse;
veio dar-lha uma de suas crias. Ela provava nessa ocasião um vestido de seda, —um
dos trinta e sete que trouxera do Rio de Janeiro, —e não quis crer.
—Há de ser alguma patuscada, dizia ela, mudando a posição de
um alfinete. Benedita, vê se a barra está boa.
—Está, sinhá, respondia a mucama de cócoras no chão, está
boa. Sinhá vira um bocadinho. Assim. Está muito boa.
—Não é patuscada, não, senhora; eles estão gritando: — Morra
o Dr. Bacamarte!!! o tirano! dizia o moleque assustado.
—Cala a boca, tolo! Benedita, olha aí do lado esquerdo; não
parece que a costura está um pouco enviesada? A risca azul não segue até
abaixo; está muito feio assim; é preciso descoser para ficar igualzinho e...
— Morra o Dr. Bacamarte!!! morra o tirano! uivaram fora
trezentas vozes. Era a rebelião que desembocava na Rua Nova.
D. Evarista ficou sem pinga de sangue. No primeiro instante
não deu um passo, não fez um gesto; o terror petrificou-a. A mucama correu
instintivamente para a porta do fundo. Quanto ao moleque, a quem D. Evarista
não dera crédito, teve um instante de triunfo súbito, imperceptível,
entranhado, de satisfação moral, ao ver que a realidade vinha jurar por ele.
—Morra o alienista!
bradavam as vozes mais perto.
D. Evarista, se não resistia facilmente às comoções de prazer,
sabia entestar com os momentos de perigo. Não desmaiou; correu à sala interior
onde o marido estudava. Quando ela ali entrou, precipitada, o ilustre médico
escrutava um texto de Averróis; os olhos dele, empanados pela cogitação, subiam
do livro ao reto e baixavam do reto ao livro, cegos para a realidade exterior,
videntes para os profundos trabalhos mentais. D. Evarista chamou pelo marido
duas vezes, sem que ele lhe desse atenção; à terceira, ouviu e perguntou-lhe o
que tinha, se estava doente.
—Você não ouve estes gritos? perguntou a digna esposa em
lágrimas.
O alienista atendeu então; os gritos aproximavam-se,
terríveis, ameaçadores; ele compreendeu tudo. Levantou-se da cadeira de
espaldar em que estava sentado, fechou o livro, e, a passo firme e tranquilo,
foi depositá-lo na estante. Como a introdução do volume desconsertasse um pouco
a linha dos dois tomos contíguos, Simão Bacamarte cuidou de corrigir esse
defeito mínimo, e, aliás, interessante. Depois disse à mulher que se
recolhesse, que não fizesse nada.
—Não, não, implorava a digna senhora, quero morrer ao lado
de você...
Simão Bacamarte teimou que não, que não era caso de morte; e
ainda que o fosse, intimava-lhe, em nome da vida, que ficasse. A infeliz dama
curvou a cabeça, obediente e chorosa.
—Abaixo a Casa Verde! bradavam os Canjicas.
O alienista caminhou para a varanda da frente e chegou ali
no momento em que a rebelião também chegava e parava, defronte, com as suas
trezentas cabeças rutilantes de civismo e sombrias de desespero. —Morra! morra!
bradaram de todos os lados, apenas o vulto do alienista assomou na varanda.
Simão Bacamarte fez um sinal pedindo para falar; os revoltosos cobriram-lhe a
voz com brados de indignação. Então o barbeiro, agitando o chapéu, a fim de
impor silêncio à turba, conseguiu aquietar os amigos, e declarou ao alienista
que podia falar, mas acrescentou que não abusasse da paciência do povo como
fizera até então.
—Direi pouco, ou até não direi nada, se for preciso. Desejo
saber primeiro o que pedis.
—Não pedimos nada, replicou fremente o barbeiro; ordenamos
que a Casa Verde seja demolida, ou pelo menos despojada dos infelizes que lá
estão.
—Não entendo.
—Entendeis bem, tirano; queremos dar liberdade às vítimas do
vosso ódio, capricho, ganância... O alienista sorriu, mas o sorriso desse
grande homem não era coisa visível aos olhos da multidão; era uma contração
leve de dois ou três músculos, nada mais. Sorriu e respondeu:
—Meus senhores, a ciência é coisa séria, e merece ser
tratada com seriedade. Não dou razão dos meus atos de alienista a ninguém,
salvo aos mestres e a Deus. Se quereis emendar a administração da Casa Verde,
estou pronto a ouvir-vos; mas, se exigis que me negue a mim mesmo, não
ganhareis nada. Poderia convidar alguns de vós em comissão dos outros a vir ver
comigo os loucos reclusos; mas não o faço, porque seria dar-vos razão do meu
sistema, o que não farei a leigos nem a rebeldes.
Disse isto o alienista, e a multidão ficou atônita; era
claro que não esperava tanta energia e menos ainda tamanha serenidade. Mas o
assombro cresceu de ponto quando o alienista, cortejando a multidão com muita
gravidade, deu-lhe as costas e retirou-se lentamente para dentro. O barbeiro
tornou logo a si e, agitando o chapéu, convidou os amigos à demolição da Casa
Verde; poucas vozes e frouxas lhe responderam. Foi nesse momento decisivo que o
barbeiro sentiu despontar em si a ambição do governo; pareceu-lhe então que,
demolindo a Casa Verde e derrocando a influência do alienista, chegaria a
apoderar-se da Câmara, dominar as demais autoridades e constituir-se senhor de
Itaguaí. Desde alguns anos que ele forcejava por ver o seu nome incluído nos
pelouros para o sorteio dos vereadores, mas era recusado por não ter uma
posição compatível com tão grande cargo. A ocasião era agora ou nunca. Demais,
fora tão longe na arruaça que a derrota seria a prisão ou talvez a forca ou o
degredo. Infelizmente a resposta do alienista diminuíra o furor dos sequazes. O
barbeiro, logo que o percebeu, sentiu um impulso de indignação e quis
bradar-lhes:—Canalhas! covardes! —mas conteve-se e rompeu deste modo:
Meus amigos, lutemos até o fim! A salvação de Itaguaí está
nas vossas mãos dignas e heroicas. Destruamos o cárcere de vossos filhos e
pais, de vossas mães e irmãs, de vossos parentes e amigos, e de vós mesmos. Ou
morrereis a pão e água, talvez a chicote, na masmorra daquele indigno.
E a multidão agitou-se, murmurou, bradou, ameaçou,
congregou-se toda em derredor do barbeiro. Era a revolta que tornava a si da
ligeira síncope e ameaçava arrasar a Casa Verde.
—Vamos! bradou Porfírio, agitando o chapéu.
—Vamos! repetiram todos.
Deteve-os um incidente: era um corpo de dragões que, a
marche marche, entrava na Rua Nova.
MINISTÉRIO DA CULTURA
Fundação Biblioteca Nacional
Departamento Nacional do Livro
.....................
Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis),
jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio
de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em
29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira
de Letras.
* * *
quinta-feira, 13 de maio de 2021
UMA CONJURAÇÃO ANTICRISTÃ – Padre David Francisquini
Padre David Francisquini*
Ao criar nossos primeiros pais homem e mulher, Deus os
abençoou, ordenou-lhes que crescessem e se multiplicassem e enchessem toda a
Terra, sujeitando-a, como está escrito no livro Gênesis (1, 27-30): “Eis
que vos dei todas as ervas, que dão sementes sobre a terra, e todas as árvores
que encerram em si mesmas a semente do seu gênero, para que vos sirvam de
alimento, e a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o
que se move sobre a terra, em que há alma vivente, para que tenham que comer. E
assim se fez”.
Como assim dispôs o Criador, cabe-nos, por nossa natureza e
pelas potencialidades e riquezas que nos foram dadas, prover à nossa própria
subsistência e trabalhar em função de nosso progresso natural e espiritual,
rendendo assim maior glória a Deus. O mesmo Pai não criou seus filhos iguais,
antes, os dotou de capacidades diferentes, como se pode depreender da parábola
dos talentos.
Com efeito, nela o servo que soube trabalhar e fazer render
os talentos recebidos de seu senhor foi premiado com outros tantos, e o que
enterrou o talento foi castigado. Como foi agradável aos olhos de Deus a
diligência daquele que se empenhou em fazer progredir suas próprias qualidades,
e como foi desagradável a acomodação daquele que se manteve inoperante diante
dos benefícios recebidos!
Todos nós sabemos que a existência do homem é anterior à do
Estado, cuja ação deve ser apenas supletiva, ou seja, exercer-se somente quando
o corpo social não dispuser de meios para realizar determinada tarefa. O
contrário disso — a interferência em todos os aspectos da vida dos indivíduos e
das sociedades — é uma característica do Estado socialista.
Este último contraria a ordem natural e desafia disposições divinas, com consequências desastrosas para todo o corpo social, pois torna os homens negligentes, sem iniciativas e desinteressados, priva-os de sua liberdade de fazer o bem e os leva à miséria e à desolação, embrutecendo da sociedade e levando ao decrescimento da fé.
Recordamos que há mais de 100 anos Nossa Senhora de Fátima alertou a humanidade
para os nefastos erros que o comunismo espalharia pelo mundo por meio da
Rússia. Tendo em vista as comemorações do próximo dia 13 de maio, data de sua
primeira aparição aos pastorezinhos, vêm-me ao espírito algumas considerações
que desejo compartilhar com os leitores.
Por que, apesar de dotado de inteligência e de vontade —
portanto um ser livre — tem o homem tão coarctada e perseguida em nossos dias
sua liberdade para fazer o bem? Ele vem há séculos perdendo paulatinamente seus
direitos fundamentais, como o de praticar a verdadeira fé, constituir e cuidar
de sua família, ter a sua propriedade.
Isso vem ocorrendo à maneira de um bolo colocado sobre uma
mesa. Na medida em que as pessoas vão passando, cada qual tira um pequeno
pedaço, e em pouco tempo o bolo desaparece… O mesmo se passa com os valores da
alma, recebidos dos nossos maiores, que formavam o arcabouço de toda uma
civilização fundamentada nos evangelhos.
Como demonstra Monsenhor Delassus em seu imperdível
livro A conjuração anticristã, existe um verdadeiro conluio
para negar o pecado e a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele faz com que
o homem vá perdendo espaço no panorama da civilização cristã e resvalando para
uma vida tribal diametralmente oposta àquela plasmada pelos nossos incansáveis
pregadores que evangelizaram o Ocidente.
A alma brasileira, indelevelmente marcada pelos ensinamentos
do Evangelho, vem sendo desconstruída pelos revolucionários de ontem e de hoje
nos seus valores cristãos, como o casamento, a criação dos filhos, a ideia de
Deus e da religião, a noção do bem e do mal, a perda das noções fundamentais de
justiça, a desarmonia institucional, entre outros.
De onde o constante apelo dos partidos de esquerda e do
Judiciário no sentido de implantar ideologias nefastas, como o aborto, o
incesto, a identidade de gênero, a poligamia, a adoção de filhos por parceiros
homossexuais — como se tratasse de um casal normal —, o direito de herança, a
eutanásia, entre outros crimes. Numa palavra, levando os homens para um
despenhadeiro rumo ao caos, como já ocorre na Venezuela e na Argentina.
Em seu processo de apodrecimento generalizado da sociedade,
a Revolução gnóstica e igualitária vem aos poucos eliminando, envenenando e
matando, aqui, lá e acolá, com uma força de expansão própria à dos gases, esses
valores morais que a civilização cristã recebeu da Igreja e nos transmitiu,
tentando eliminar assim a própria ligação do homem com Deus. É a crise
religiosa instalada nos quatro cantos da Terra.
Em decorrência do que se propaga sobre o vírus chinês do
Cavid-19, parece que o mundo não voltará mais à normalidade anterior. Se Deus
não intervier, será o advento de um estado de coisas em que não haverá mais
para os homens liberdade de ir e vir, de gerir seus negócios e sua vida como
melhor lhes aprouver, nem de praticar a religião, especialmente a única
verdadeira — a católica —, numa satânica tentativa de conduzi-los ao desespero
e ao ódio a Deus.
Aqueles que reagem a esta avalanche são tachados
arbitrariamente com epítetos de negacionistas, antidemocráticos,
obscurantistas, contrários à ciência, todas elas palavras-talismãs
cuidadosamente estudadas em laboratórios e utilizadas ad nauseam pela
grande mídia para causar o maior estrago possível nas hostes conservadoras.
Em suma, toda esta urdidura visa atacar no homem naquilo que
lhe é natural — um ser racional e livre criado à imagem e semelhança de Deus —,
para criar um homem novo à imagem e semelhança do demônio. Em seu frenesi
desarticulador, tal é o objetivo final da fúria revolucionária.
O ponto central da mensagem de Fátima trata dos erros da
Rússia que se espalhariam pelo mundo para perder as almas. Urge atender aos
apelos de Nossa Senhora, rezar e fazer penitência, recitar diariamente o terço,
fazer a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados, e, sobretudo, mudar de
vida e de comportamento diante dos descalabros das modas imorais.
Lutemos e procuremos fazer a nossa parte. Deus, por meio de
sua Mãe Santíssima, nos dará a vitória!
____________
*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
https://www.abim.inf.br/uma-conjuracao-anticrista/
* * *
quarta-feira, 12 de maio de 2021
ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA CONVIDA
C O N V I T E
Como parte das comemorações dos dez anos de sua fundação, a Academia de Letras de Itabuna – ALITA – por sua presidente Silmara Santos Oliveira e o editor da revista, Cyro de Mattos, convida V. Sa. para o lançamento do terceiro número da Guriatã.
A sua valiosa presença muito nos
honrará nesta celebração.
Dia: 17/05/2021
Horário: 20h
A SAGA MARINHA DE FERNANDO PESSOA – Cyro de Mattos
Cyro de Mattos
A saga portuguesa de expansão marítima é contada em versos
por Fernando Pessoa no único livro que publicou em vida: Mensagem (1934). Foi escrito entre os anos de 1920 e 1930, em
forma de uma epopeia fragmentada, composta de quarenta e quatro poemas.
Fernando Pessoa expressa neste livro o elogio de grandes vultos históricos,
refere-se à vontade de Portugal de querer lutar contra as adversidades,
ultrapassar os abismos que Deus ao mar deu.
O sonho de ver as
formas invisíveis
Da distância
imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança
e da vontade,
Buscar nas linhas do
horizonte
A árvore, a praia, a
flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos
da verdade.
Nesses versos é
visto o sentimento nostálgico mesclado de grandeza, enquanto em outros ocorre o
apelo de além: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Mensagem
divide-se em três partes: Brasão, Mar Português e o Encoberto. A primeira
possui várias vozes, que se integram para celebrar a história de Portugal e
enaltecer os seus fundadores. Estrutura-se como o brasão português, constituído
por dois campos, um apresentado por sete castelos, já o outro formado por cinco
quinas. A coroa e o timbre estão no topo
do brasão, a se apresentar com o grifo, animal mitológico que tem cabeça de
leão e asas de águia.
Com essa
divisão, tendo o brasão como referência, os poemas versam sobre os grandes
personagens históricos, desde Dom Henrique, fundador do Condado Portucalense,
passando por sua esposa Dona Tareja e seu filho Dom Afonso Henriques, primeiro rei
de Portugal, até o infante Dom Henrique (1934-1460), fundador da Escola de
Sagres, grande fomentador da expansão ultramarina portuguesa, e ainda aludem a
Alfonso de Albuquerque (1462-1515), dominador luso do Oriente. Na galeria dos
grandes personagens, os versos dispostos em uma partitura trinitária propõem
até o mito de Ulisses, que teria fundado a cidade de Ulissepona, depois
denominada Lisboa. O poeta usa o paralelo imagístico quando se refere a esse
assunto:
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.
Em “Mar
Português”, segunda parte do livro, o poeta investe contra o que fosse acaso ou
vontade ou até mesmo temporal. Leia-se a propósito do assunto esse lamento
cheio de dor, um dos mais pungentes da poesia portuguesa sobre o ciclo das
descobertas marítimas:
Ó mar salgado, quanto
de teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram.
Quantos filhos em vão rezaram.
Quantas noivas ficaram sem casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Depois de se
perguntar se a jornada de natureza épica valeu a pena, o poeta em versos de
saber eterno, que correm o mundo, levados através da linguagem coletiva, em
nível de fala, responde que “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Seu pensamento
reflexivo acrescenta:
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Em “O Encoberto”, terceira parte de Mensagem, vemos o mito sebastianista do retorno de Portugal às épocas de glória. Alude o poeta agora ao misticismo em torno da figura de Dom Sebastião, rei de Portugal, que teve a frota dizimada em ataque aos mouros, em 1578. Muitas previsões, como a do sapateiro Bandarra e a do padre Antônio Vieira, formulam nesse trâmite espiritual o retorno de Dom Sebastião para resgatar o poderio de Portugal. Anunciam a nova terra e os novos céus, quando então fica criado o Quinto Império, que marca em definitivo a supremacia de Portugal sobre o mundo.
O
sentimento nacionalista permeia os poemas de Mensagem. Uma estrofação com base
no elogio aflora da alma gentil do poeta, os versos ressoam uníssonos para
ferir objetivos universalistas, como facilmente podem ser detectados nesse
padrão de técnica literária. Classificada pela crítica como ode trinitária,
nessa obra o poeta propõe sua mensagem com o cerne da nobreza, formula uma
antítese na posse do mar, que antes existia com seus medos, mistérios e
assombros, incide numa síntese através da futura civilização, com apetências e
aderências por mares nunca antes navegados, de tal modo também nos informou
Camões, representadas dessa vez na voz da terra que ansiou o mar.
O eu poético em Mensagem prevê que o futuro da Europa está além-mar, o agente dessas descobertas marítimas será Portugal. O poeta imagina a Europa com um corpo de mulher. Estendida, ela tinha um de seus cotovelos, o direito, fincado na Inglaterra; o outro, esquerdo, recuado, na península italiana; cabendo a Portugal ser o rosto. Pode não ter sido o rosto, mas a posição geográfica de Portugal, pequena faixa de terra voltada para a imensidão do Oceano, à sua frente, que condicionou seu destino ultramarino durante quase cinco séculos.
*In “Encontros com Fernando Pessoa”, do livro Kafka,
Faulkner, Borges e Outras Solidões Imaginadas, Cyro de Mattos, no prelo da
EDUEM, editora da Universidade Estadual de Maringá, Paraná.
PESSOA, Fernando. Obra
poética, Editora José Aguilar, Rio de Janeiro, 1960.
SIMÕES, Maria de Lourdes Netto (org.). Navegar é preciso,
coletânea, Editus/UESC, Bahia, 1999.
..........
*Cyro de Mattos é escritor de crônicas, contos, romance, poesia e literatura infantojuvenil. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Também publicado por editoras da Europa. Da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa pela universidade Estadual de Santa Cruz.
* * *









