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quarta-feira, 19 de outubro de 2022
terça-feira, 18 de outubro de 2022
O PAÍS VAI VIVER
O país vai morrer?
Se você não vê
crime na atitude de um candidato a presidente da República, ao desfilar em
carreata cercado por traficantes carregando armas pesadas, desista de sua
família, de seus valores, de sua identidade e do seu país. Você não é um
cidadão, nem pai de família. Você é apenas um covarde, desprovido de
princípios, que enxerga apenas conveniências e vantagens na sua convivência e
relações do dia a dia.
O que o ex-presidiário fez no Complexo do Alemão (RJ), na última
quarta-feira (12), foi perturbador e desmoralizante. Foi agressivo e altamente
nocivo. Mostrou que aquele verme imundo deveria estar preso, se o STF não
fosse, hoje, instituição voltada à proteção do crime e ao acobertamento dos
atos mais vis e facinorosos de que se tem registro na história nacional. Fazer
o quê, com tal STF cheio de degenerados morais?
O ex-presidiário
mostrou quem é o chefe do crime organizado no país. Que vergonha, que tristeza,
que avacalhação, que podridão, que depravação! Como é que indivíduo de tamanha
periculosidade pode encontrar quem o suporte e o apoie, fora do círculo
criminoso do qual é membro? Ele
se expôs, mostrou quem é, exibiu por inteiro o seu caráter, ou a sua falta.
Vejam as fotos do
ex-presidente e ex-presidiário, usando chapéu do Comando Vermelho e a
abreviatura CPX, que quer dizer “cupincha”. Que dizem os senhores ministros do
TSE? Que diz o ministro Benedito Gonçalves, que responde a inquérito sobre
propina recebida da Odebrecht? Nosso país está sendo dominado pelos piores
bandidos. É isso que você deseja para os seus filhos? É esse o futuro com o
qual você sonha? Deus, ó Deus, imploremos aos céus!
(Recebi por e-mail sem menção de autoria)
* * *
sábado, 15 de outubro de 2022
Escritor Cyro de Mattos Participa da Feira Literária de Joinville
A EDUEM,
editora da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, participará da feira de
livros de Joinville, a ser realizada em Santa Catarina, de 17 a 21/10/22,
quando então irá divulgar no evento alguns autores do seu catálogo, através de
vídeos de lançamentos recentes de seus livros. Entre as obras que serão
apresentadas na Feira está Kafka, Faulkner, Borges e Outras Solidões Imaginadas,
de Cyro de Mattos, cuja apresentação da obra foi gravada pelo autor em vídeo
para ser exibido durante o evento. O
livro tem capa do consagrado artista plástico Juarez Paraíso e prefácio de
Gerana Damulakis.
Em Kafka,
Faulkner, Borges e Outras Solidões Imaginadas, temos quinze textos que
funcionam como incursões prazerosas sobre o tema da criação literária motivada
pela solidão. O desenvolvimento temático em quinze autores clássicos universais
mostra que interessa ao escritor baiano Cyro de Mattos usar o pensamento
reflexivo para sentir com intensidade o que as páginas desses ficcionistas
abordados dizem da arte literária como forma de conhecimento da vida.
Aldous Huxley, Anton Tchekhov,
Fernando Pessoa, Fiódor Dostoiévski, Franz Kafka, F. Scott Fitzgerald, Gabriel
García Márquez, James Joyce, Jorge Luís Borges, José Saramago, Julio Cortázar,
Miguel Torga, Sherwood Anderson, Sophia de Mello Breyner Andresen e William Faulkner formam aqui um conjunto
de autores, que nas visões de mundo convidam-nos a habitar o imaginário por
meio da contemplação dos sonhos. Nos vícios da solidão, remete-nos à impossibilidade
da fuga no drama, à perda de identificação sob o domínio do ilógico, aos
labirintos no curso sem saída, à convivência das neuroses, à catarse na dor,
simbolizando o real pior do que ele é. Às vezes possibilitam a observação de
tipos de convivência inusitada em que o ser humano se vê esmagado sem
perspectiva de horizonte. Em Kafka, Faulkner, Borges e Outras Solidões
Imaginadas, autores geniais remetem o leitor ao ser ambíguo e limitado,
contraditório e falho, que, em seu destino gregário de animal social, elege a
vida submissa ou além dos padrões materiais.
* * *
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Recordações
Antônio Baracho
A viagem à fazenda
foi interessante.
Seguíamos
enfileirados, o dono da propriedade, minha prima e eu.
O vaqueiro ia na
frente, na sua montaria.
Contornamos íngreme boqueirão,
de onde se
contemplava do alto uma cachoeira que deslizava.
O trote era lento,
devido ao terreno acidentado.
O importante era
quem nos guiava: jovem muito calmo,
com a experiência e
conhecimento do local.
A vista era muito
bonita com a mata verdejante, altos jequitibás,
Maçarandubas
frondosas, ipês e muitas jaqueiras.
Os animais estavam
devidamente selados e ajustados para não haver surpresa.
Atravessamos dois
córregos sem oferecer algum perigo.
Antes do pôr do sol
chegamos na casa
humilde do trabalhador que já nos esperava
com a esposa e suas
três filhas. A mais velha chamava-se Iara.
Depois que houve a
apresentação e cumprimentos dos moradores
fomos tomar banho
no riacho que ficava próximo da residência.
E assim pudemos nos
refazer após a viagem cansativa.
Após ter servido o
jantar
e o céu
completamente estrelado com a presença definitiva da noite,
Iara contou a
estória da caipora que mora na mata,
com o seu lindo
olhar de menina da roça.
Antônio Baracho, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL, ocupante da cadeira nº 11.
E-mail: antoniobaracho@hotmail.com.
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terça-feira, 11 de outubro de 2022
O bebê que me salvou
Terminada a
apuração, fiquei prostrado. Vai começar tudo de novo, pensei. Os anos passados
entre ameaças, ódio, chantagens, polarização, violência, mentiras, enganos. A
vida é cheia de rudes despertares. Frase do criador do Peanuts, HQ, que havia
na sala de Thomaz Souto Correa, diretor da revista Claudia em 1966, quando lá entrei.
Depois me ergui e
fui para a cama com uma ideia fixa. Não podia beber, a diabetes
recém-descoberta me impede. Enfrentei com tranquilidade a ideia de verificar se
no Brasil existe morte assistida, aquela que liberou Godard em seu desânimo.
Mas Godard morava na Suíça. Liguei para um dos maiores advogados que conheço, o
Mariz de Oliveira, e pedi: como conseguir, como tantos fazem? E ele: 'Não conte
comigo para isso, sou a favor da vida. Posso sentar-me ao seu lado e segurar
sua mão até que isso passe, porque vai passar. Escreva, isso ajuda'.
Não morrer
assistido. No Brasil, não me dão esta escolha. A lei diz: aguente o tranco!
Sofra o que tem de sofrer! Vá a um terapeuta! Liguei, todos estavam com agendas
fechadas por cem anos. Houve quem dissesse: peça ao seu médico antidepressivos
fortes, que aliás estão faltando nas farmácias, que só nos oferecem Omega 3 e
pílulas virilizantes às toneladas. Aguente sua cruz! Dizia minha mãe piedosa,
quando o catolicismo existia - enfrente as dores que te arrasam, a melancolia
que te abate. As crenças de Maria do Rosário, minha mãe, sofreriam duríssimo
abalo ao ver como há sacerdotes de fancaria. Ninguém acredita que aquele padre
Kelmon surgido do nada seja real, tão absurdo em seu surrealismo e sua fala de
caça às bruxas. Ah, as feiticeiras de Salem, lembram-se? E dos macarthistas dos
anos 50?
Escrever outro
livro. Mas acabei de lançar um, não se começa outro, sob pena de repetir tudo,
as histórias demoram para sair da cabeça, do coração, do inconsciente. Tinha
coisas a fazer na segunda-feira, fui ao correio mandar um Sedex 10 para o
Bexiga, ou Bela Vista, São Paulo, descobri que não existe Sedex 10 para aquele
bairro central. Tão louco quanto a existência do padre candidato. Voltava para
casa pela rua Lisboa, vi uma mulher vindo com um bebê no colo. Quando ela se
aproximou, percebi que dava de mamar. Ao se aproximar, automaticamente ela
cobriu o seio com a mão, percebi e disse: 'A senhora faz uma das coisa mais
belas, amamenta, dá vida a essa criança.' E ela: 'Eu precisava sair, era hora
do mamar, vim com ele, quero que este menino cresça e um dia vote, como eu e o
pai dele votamos ontem. E ele foi conosco até a cabine, sorriu com os
barulhinhos da urna'. Segui, imaginando: será que um dia posso cruzar com este
bebê, então um jovem, em uma seção eleitoral, ambos acreditando que se possa
mudar as coisas? Melhor esperar.
O Estado de S.
Paulo, 09/10/2022
Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da
ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.
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