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terça-feira, 2 de julho de 2019

DOMINAÇÃO E EMANCIPAÇÃO - Péricles Capanema


26 de junho de 2019

Péricles Capanema

Amigos me solicitaram que escrevesse de novo sobre o chamado marxismo cultural — de momento tão relevante e na moda em decisivos meios de esquerda e na direita — e, de forma congruente, pusesse no texto informações pertinentes à Escola de Frankfurt [foto acima], atemorizador negotium perambulans in tenebris para tantos e com bons motivos. Apenas como informação provavelmente inócua, o artigo anterior “Esclarecimentos sobre o marxismo cultural”, está em meu blog (periclescapanema.blogspot.com) desde 25 de fevereiro último.

Obediente, volto ao assunto. De passagem, o hoje denominado marxismo cultural foi também chamado de marxismo ocidental, aqui e ali é qualificado de Teoria Crítica, marxismo da Teoria Crítica, um dos fundamentos doutrinários da revolução cultural. Nem faz falta realçar a importância da revolução cultural (e a consequente necessidade de estudar doutrinas e métodos seus e como a eles fazer frente).

Para cortar caminho, deixar claro o desatino da escola, embarafusto antes por atalho pouco trilhado, pinceladas rápidas sobre dominação e emancipação, duas das obsessões da referida escola. Seus mais conhecidos representantes blasonavam (não custa lembrar, o marco inicial da escola poderia ser cravado em 1923, estamos em sua terceira e quarta geração) o ideal de extinguir a dominação e levar até limites ainda impensados a emancipação humana. E continuam a alardeá-lo. Não custa lembrar por cima, cada vez que líderes de orientação igual ou parecida afirmavam aplicar o marxismo à sociedade, na prática levavam a dominação e sufocavam a emancipação a extremos delirantes. A Coreia do Norte está aí, Cuba que o diga, a Venezuela sofre efeitos dantescos dos partidários da emancipação.

Sempre é bom lutar contra a dominação? Em todas as situações deve ser buscada a emancipação? Dominação vem de dominus, senhor. Dominação é o ato próprio do senhor. Se é má a condição de senhor, maus serão seus atos. Emancipação, o que é? Emancipação igualmente tem origem latina (mancipium, qualidade do proprietário). Emancipar é extinguir a tutela do proprietário sobre outro ser.

Acontece que é boa e nobre a condição de senhor. E assim, seus atos são bons. E são bons e nobres a condição de súdito e o ato de obedecer. Censuráveis, excessos e carências em ambos os casos, senhor e súdito.

Com efeito, a autoridade existe para o bem do súdito. Removê-la em determinadas circunstâncias lesa o inferior. De forma análoga, a emancipação prematura prejudica o emancipado. Enquanto dura em condições adequadas, favorece o tutelado. Retirar o filho menor da tutela do pai, emancipá-lo antes da hora, compromete presente e futuro. Mais ainda, a autoridade e a dependência prolongam bons efeitos vida afora, perfumam-na. Anos atrás, conversei com prima distante, três filhos criados, casada com advogado rico em Belo Horizonte. Aparentemente tudo ia bem. Uma queixa ia e vinha, a morte da mãe anos antes, fazia pouco o pai. Fechava e abria a mão direita. “Me sinto um cachorro sem dono”,espetou o dedo.

Em suma, é destruidor para o desenvolvimento pessoal arrebentar todas as formas de dominação e promover a desenfreada emancipação. Que o digam em lamentos lancinantes algumas regiões da pobre e devastada África. Aqui rui nas bases o edifício da Escola de Frankfurt, verdadeira Torre de Babel de incontáveis correntes de esquerda, laboriosamente edificado ao longo dos anos.

Em boa hora para a esquerda (péssima para nós) brotou a Escola de Frankfurt. Abriu-lhe horizontes, pôs em evidência matérias imprescindíveis que a doutrina marxista empurrava para o canto ou negava na bruta; enfim, fincou estacas doutrinárias a uma ação revolucionária de maior profundidade que latejava por se expandir.

Movimento intelectual, sobretudo filosófica e sociológica, passou longe do grande público, o que não significa que teve pouca importância. Lembro a propósito, cinco camadas envolvem a Terra: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Existem fenômenos nas quatro camadas superiores, que influenciam a troposfera, ainda que desconhecidos de nós nela imersos. Assim na sociedade humana. A Escola de Frankfurt influenciou a vida acadêmica e os estratos intelectualizados dos movimentos revolucionários no mundo inteiro. E daí seus conceitos embeberam meios de divulgação, a política, outros ambientes intelectualizados e, finalmente, a sociedade em geral. Apenas uma pequena ilustração, o maior guru do maio de 1968 e das agitações de Berkeley, um pouco antes, foi Herbert Marcuse (1898-1979), dos principais representantes da referida escola.

O marxismo, materialista, determinista e evolucionista procura explicar toda a realidade pela economia, de outro modo, pelas forças de produção. Afirmei no artigo acima mencionado: “Segundo o marxismo, o determinante na história é a economia. E na economia os meios de produção, […] base das relações de produção. As forças produtivas e as relações de produção dariam origem aos modos de produção. Existem sete modos de produção: primitivo, asiático, escravagista, feudal, capitalista, socialista e comunista. Um leva ao outro. Temos aqui a infraestrutura. A superestrutura são as ideias e instituições (entre elas, o Estado) que justificariam e garantiriam os modos de produção. O socialismo nasceria apenas depois de a sociedade capitalista estar bem desenvolvida. Por sua vez, o comunismo só depois do desenvolvimento do socialismo. Para o momento, o importante é o determinismo da doutrina marxista. Em doutrina, por ser determinista, desvaloriza o ato volitivo e relativiza por inteiro o bom, o mau, o belo, o feio, o justo e o injusto, colocados na superestrutura, dependentes das relações de produção. Até a ação política e o proselitismo. Na prática, os partidos comunistas nunca agiram segundo a pura doutrina marxista. Não foram deterministas, esperavam da ação partidária a aceleração do dia em que surgisse o homem novo sonhado pela utopia.”

Antes, tínhamos o marxismo focado em fatores econômicos. Não só deformava, limitava o horizonte. A Escola de Frankfurt propôs a revolução não só na sociedade, mas no interior do homem, privilegiou instintos, advertiu contra os perigos da razão
[em especial denunciou a razão instrumental, instrumento favorecedor da sociedade
capitalista em suas digressões]

Propugnou a liberação moral, como atividade emancipadora. Enfatizou o papel central dos hábitos, das mentalidades, das ideias. Enfim, do que se chamou a cultura e não apenas do econômico. Daí ser titulada de marxismo cultural. Era marxismo ainda? Nas bases, não. Mas era doutrina profundamente revolucionária, que servia como luva para o avanço do comunismo no interior do homem e na sociedade. Voltarei ao tema.




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A CONVERSA DESFIADA - Péricles Capanema


2 de julho de 2019

Péricles Capanema

Provocada pelo clima de Brasília, despenca sobre nós, sem fim, a saraivada do escarcéu, desgoverno, desorientação, boçalidade e baixaria. Debaixo do granizo, difícil perceber o impulso decisivo de toda boa ação política, o agudo senso do bem comum.

Em outra comparação, a vida pública brasileira já de há décadas vem rolando em precipícios dos quais não se vê o fundo. A previsão de Ulisses Guimarães tem se verificado doloridamente, foi mais ou menos assim: “Está achando ruim essa composição do Congresso? Então espera a próxima, vai ser pior”. Imaginem, a atual já apavora, a pífia consolação é que a próxima virá pior. Toda profissão depende da qualidade de seus membros. Com tais atores, a peça não vai ter sucesso. Mas não vou jogar tudo no cangote dos políticos no Planalto Central. Fomos nós, os eleitores, que os mandamos para lá.

Não pretendo prescrever panaceias para tal situação. Faço outra coisa, da remedama necessária, tiro do estoque e ponho na vitrine só um vidrinho, cujo recheio tanto serve para a vida pública quanto para a particular. Assim, não abandono inteiramente a matéria, mas trago à baila modesta contribuição para a solução do problema, útil igualmente para a vida de todos os dias de qualquer brasileiro.

Passo a desfiar o assunto. Em política, quem sabe conversar, já tem meio caminho andado. E dou o primeiro passo com frase conhecida, política é conversa, o resto é conversa fiada, da lavra, parece, de Otávio Mangabeira. Política e tanta coisa mais é conversa, o resto é conversa fiada. Número enorme de atividades humanas descansa na conversa.

O começo é ouvir. A língua faz muita gente surda. Nada escuta, tomada pelo gosto da parolagem compulsiva e oca; quem muito fala, muito erra e muito enfada. Ouvir supõe interesse, paciência, compreensão. Benevolência. As duas primeiras estacas, interesse e paciência, seguram o andar superior, a compreensão, entender até o fundo e em todos os matizes o que está dizendo ou está querendo expor o outro. Se queres ser bom juiz, ouve o que cada um diz.

Qualquer um, qualquer outro, até os mais simples. O interesse no pequeno é estrada para entender o grande. “Aperfeiçoa-te na arte de escutar, só quem ouviu o rio pode ouvir o mar”, advertência de Altino Caixeta de Castro, o Leão de Formosa, bom poeta do Triângulo Mineiro. Nelson Rodrigues marcou o Brasil e até hoje não foi esquecido (morreu em 1980) em especial porque entre outras qualidades sabia escutar: “Posso não ter outras virtudes, e realmente não as tenho. Mas sei escutar. Direi, com a maior e mais deslavada imodéstia, que sou um maravilhoso ouvinte. O homem precisa ouvir mais do que ver. Qualquer conversa me fascina […]. E, se duas pessoas se falam, a minha vontade é parar e ficar escutando. Uma simples frase, ainda que pouco inteligente, tem a sua melodia irresistível”.

Sentir as ocasiões dos silêncios, modular a ênfase, o timbre da voz, ter maestria nas pausas são tão ou mais eloquentes que a o impacto da palavra. Fala o olhar, o gesto fala, a atitude fala, pode valer mil palavras o sorriso. O bocejo ou um gesto brusco tantas vezes cortam mais que refutações veementes. A presença, enfim. Existem presenças estimuladoras, presenças sabotadoras, presenças opacas. Dizia-se do príncipe de Metternich que a conversa dele fazia os interlocutores se sentirem mais inteligentes.

Deixei o miolo para o fim. O anterior ajudava a realçar o principal, o conteúdo. Como enriquecê-lo? Alguns recursos, observação, explicitação das impressões, leituras, bem como, sob outro aspecto, nas ocasiões adequadas, formação sistemática e estudos. Tudo isso enobrecido pelo caráter. Aí a pessoa tem muita coisa a dizer e é útil a todos a disposição de comunicá-la.

Desfio o assunto um pouco mais. A vida política tem aspecto pouco comentado, a exemplaridade. O rei, sob tantos aspectos o mais importante político de uma nação, é naturalmente modelo para o povo, objeto de sua atenção, aprendizado e entretenimento. Basta ver a atenção que provoca a rainha Elisabeth II. O político, a seu modo e proporção, é um pequeno rei. Tem também o dever da exemplaridade. E saber conversar bem o ajudaria a cumprir tal missão.



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segunda-feira, 1 de julho de 2019

DIPLOMATA E HISTORIADOR LUÍS CLÁUDIO VILLAFAÑE ABRE NA ABL O CICLO DE CONFERÊNCIAS SOBRE O BARÃO DO RIO BRANCO



O diplomata e historiador Luís Cláudio Villafañe abre na Academia Brasileira de Letras o ciclo de conferências Legado de Rio Branco: interpretações e atualidade, sob coordenação do Acadêmico e jornalista Merval Pereira. O evento está programado para o dia 4 de julho, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro), com o tema Procedo neste caso como teria procedido o Barão: O legado de Rio Branco como fonte de legitimidade. Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.


Serão fornecidos certificados de frequência.

O ciclo terá mais duas conferências no mês de julho, sempre às quintas-feiras, no mesmo local e horário: Rio Branco hoje: os desafios do ofício, com o diplomata Marcos Azambuja, no dia 11; e Rio Branco: a persistência de um novo paradigma para a política externa, diplomata e professor Gelson Fonseca, dia 25.

O CONFERENCISTA

Luís Cláudio Villafañe Gomes Santos, diplomata e historiador, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 1960. Bacharel em Geografia pela Universidade de Brasília e bacharel em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, possui pós-graduação em Ciência Política pela New York University e mestrado e doutorado em História pela Universidade de Brasília.

Nomeado Embaixador do Brasil na República da Nicarágua por Decreto de 16 de fevereiro de 2017.

Como diplomata serviu no Escritório Financeiro do Itamaraty em Nova York, nas Embaixadas do Brasil na Cidade do México, Washington, Montevidéu e Quito, e na Missão do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa.

Villafañe é autor de diversos livros sobre a história das relações exteriores do Brasil, entre os quais, O Evangelho do Barão (Unesp, 2012) e O dia em que adiaram o carnaval (Unesp, 2010). Foi curador da mostra oficial sobre o centenário da morte do patrono da diplomacia brasileira “Rio Branco: 100 anos de memória”, exibida em Brasília e no Rio de Janeiro em 2012.

Publicou artigos em revistas especializadas e participou em obras coletivas no Brasil, Estados Unidos, Europa e América Latina, dentre as quais a coleção Historia General de América Latina, publicada pela Unesco.

Ademais de sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Rio de Janeiro) e da Academia de Geografía e Historia de Nicaragua (Manágua), é pesquisador associado ao Observatório das Nacionalidades (Fortaleza).

Vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), melhor livro do ano (2018) na categoria Biografia/Autobiografia/Memória, com Juca Paranhos, o barão do Rio Branco.

Leitura complementar

A Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "Rio Branco, o Acadêmico""A América do Sul no Discurso Diplomático Brasileiro" e "O Barão do Rio Branco como historiador".

Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.

27/06/2019



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A HISTÓRIA DOS IPÊS


Quando Deus estava preparando o mundo, se reuniu em uma tarde com todas as árvores. Ele pediu para que cada árvore escolhesse que época gostaria de florescer e embelezar a terra.

Foi aquela alegria. 
Outono, Verão, Primavera, diziam!

Porém Deus observou que nem uma escolhia a estação do inverno. 
Então Deus parou a reunião e perguntou: 
Por que ninguém escolhe a época do inverno?

Cada um tinha sua razão. Muito seco! muito frio! muita queimada!
Então Deus pediu um favor.

Eu preciso de pelo menos uma árvore, que embeleze o inverno, que seja corajosa, para enfrentar o frio, a seca e as queimadas e no frio embelezar o mundo...
Todos ficaram em silêncio.

Foi então que uma árvore quietinha lá no fundo, balançou as folhas e disse: eu vou!...

E Deus com um sorriso perguntou: qual seu nome minha filha?!
Me chamo Ipê, senhor!

As outras árvores ficaram espantadas com a coragem do Ipê em querer florescer no inverno.

Então Deus respondeu: por atender ao meu pedido farei com que você floresça no inverno não só com uma cor...
Para que também no inverno o mundo seja colorido.

Como agradecimento, terás diferentes cores e texturas, sua linhagem será enorme.

E assim Deus fez uma das mais lindas árvores que dá cor ao inverno... E por isso temos os Ipês:

Branco
Amarelo
Amarelo do Brejo
Amarelo da Casca Lisa
Amarelo do Cerrado
Rosa
Roxo
Roxo Bola
Roxo da Mata 
Púrpura.
....

REFLEXÃO:
Quando ouvimos a voz de Deus e fazemos a vontade Dele, recebemos muito mais daquilo que pedimos ou pensamos!!! (EFÉSIOS 3:20)
Aí está o IPÊ

(Autor não mencionado)

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domingo, 30 de junho de 2019

ALGUMAS FRASES PARA REFLEXÃO


30 de junho de 2019

“Seguir a corrente é covardia, pois é contra as correntes que devemos lutar”
(São Clemente Maria Hofbauer)

“A vida do homem sobre a Terra é uma luta”
(Jó, 7, 1)

“Só tenho a oferecer sangue, fadigas, suor e lágrimas”
(Winston Churchill)

“A luta pela verdade deve ter precedência sobre todas as outras”
(Albert Einstein)

“A luta é, abaixo da oração, a mais alta atividade do homem”
(Plinio Corrêa de Oliveira)

“Quem vence sem perigo, triunfa sem glória”
(Corneille)



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (137)


13ª Semana do Tempo Comum – Domingo, 30/06/2019

Anúncio do Evangelho (Mt 16,13-19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”
Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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Pedro e Paulo - El Greco

“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13)

A Igreja, ao unir numa só celebração, duas figuras humanas tão diferentes - Pedro e Paulo - nos indica o quê pretende com esta festa: manifestar a obra comum que Deus realizou através deles. Com certeza, a liturgia descobriu a complementariedade desses dois homens; são um claro exemplo de que personalidades tão diferentes se revelaram autênticos seguidores de Jesus.

Foram completamente diferentes na formação pessoal: Pedro era simplesmente um pescador, sem nenhuma preparação, mas teimoso e sincero. Paulo era um intelectual. Havia passado pela escola rabínica, onde se envolveu no estudo profundo da Lei. Um com sua simplicidade e espontaneidade e o outro com sua agudeza intelectual, constroem a única Igreja. Tanto em Cesareia de Filipe (Pedro), como no caminho de Damasco (Paulo), Jesus desvela a originalidade e a diferença de cada um deles (rocha), sobre as quais vai fundamentar sua nova comunidade. Nada do que é humano foi anulado, mas integrado no horizonte do seguimento.

Cada um deles seguiu Jesus à sua maneira Por isso, Pedro e Paulo foram considerados como as colunas da Igreja. Eles são como duas referências permanentes para a comunidade dos(as) seguidores(as) de Jesus; são exemplo de fé cristã, no seguimento do Mestre de Nazaré. No final os dois rubricaram sua fidelidade entregando a própria vida como testemunhas de Jesus Cristo.

A Igreja, corpo de seguidores(as) de Jesus Cristo, plural e diversa em seus membros, também é chamada à comunhão na diversidade. Somos conscientes de viver a difícil alteridade no interior da mesma Igreja.

A fé cristã em Deus, que é uno e trino, aparece como o primeiro fundamento para acolher a diferença.

O modo original de ser e viver de Jesus também nos motiva a sair de nós mesmos para acolher o outro diferente como revelação de Deus, assumir a mudança e encontrar na Eucaristia, o sinal e a fonte da união. 

A festa de hoje se apresenta como oportunidade privilegiada para aprofundar o sentido da “diferença” no interior da comunidade cristã e na convivência social. Estamos inseridos num contexto religioso e social carregado de muita intolerância e indiferença, onde prevalece o medo diante de quem é diferente.

 “A diferença é inerente à comunhão na Igreja. É um elemento da comunhão. A Igreja não é nem eliminação nem soma das ‘diferenças’, mas comunhão nas mesmas” (J.M Tillard). Assim, ser cristão significa ser aberto, acolhedor da diferença, sensível à diversidade. Afinal, somos humanos, seres em caminho, buscadores de sentido, buscadores da verdade e habitados pelo mesmo Deus, que atua em tudo e em todos. O princípio de alteridade está fundado no princípio de identidade: podemos nos compreender apesar de sermos diferentes, porque todos somos seres criados e agraciados por Deus, chamados a ser habitados por uma verdade que está para além de uma ideia ou doutrina.

Esta é a vocação fundamental de todo ser humano: alimentar uma relação mútua em cada encontro. Todos trazemos dentro de nós ricas possibilidades que só podem ser colocadas em movimento quando alguém se encontra conosco e nos chama à vida, numa verdadeira relação. Somos relação, e nos fazemos ou desfazemos na relação.  Não há um “eu sem um tu” que nos complementa com a comunhão, que nos une na diferença; esse movimento desvela nossa própria originalidade, abrindo-nos ao desconhecido e à riqueza do outro. Tanto a comunhão como a diferença são espaços de crescimento mútuo. 

A diversidade nos permite enriquecer-nos, adquirir mais humanismo. Diferença é expressão inerente ao ser humano, é modo de pensar, de dizer, de trabalhar, de existir e de conviver. A humanidade diferenciada torna-se mais dinâmica; o tesouro está precisamente em sua diversidade criadora. A humanidade é profundamente diversificada em seus talentos, valores originais e em sua vitalidade.

Daí a importância de aprender a ver o melhor de cada pessoa e de cada povo, superando as visões estreitas e fundamentalistas de todo tipo de racismo, xenofobia, desprezo, preconceito, dominação...

Saber conviver com as diferenças é sinal de maturidade. 

Cresce hoje a consciência sobre a diferença do ser humano como atração, e não como rejeição. A humanidade pós-moderna exige a diversidade de convivência sociocultural. Não podemos permanecer trancados em redutos que rejeitam as diferenças existenciais. A humanidade deixou de ser distante para tornar-se mais próxima, mediante as diferenças, os diálogos e as convergências. O mundo globalizado não pode ser apenas econômico. É chamado também a respeitar e a cultivar as diferenças entre as pessoas, as raças, as sociedades e as nações. 

A diversidade racial, cultural, religiosa... supera a monotonia e oferece a criatividade de muitas formas. A harmonia fecunda entre as pessoas está na diversidade das diferenças, não na repetição mecânica.

O conformismo repete cópias, mas não facilita a união autêntica. Sem as diferenças entre pessoas, a sociedade seria apenas um marasmo. Por isso, as diferenças pluralistas são valores, não anomalias. Além disso, são sedutoras, não amedrontadoras. A diferença pessoal mantém certo fascínio. 

A diversidade é uma forma de aproximação entre os seres humanos. E deve ser vista como estimulo, não como estorvo. A diferença do “outro” deve ser motivo para o encontro e para o enriquecimento mútuo.  Segundo o pensador E. Levinas é a diferença que gera alteridade. O outro é diversificado e não repetitivo. A visão da diferença mostra que cada ser pessoal é original. Massificar as pessoas é uma forma de silenciá-las e dominá-las. Daí a importância e a urgência de aprender a valorizar o que é próprio e também o que é diferente, esforçando-nos para não transformar as diferenças normais (geográficas, culturais, de raça, de gênero...) em desigualdades. É preciso educar e preservar as diferenças humanas. 

Deveríamos pensar mais sobre a importância das diferenças entre os seres humanos.  Deveríamos admirar as diferenças pessoais e grupais, e não lamentá-las. É necessário evitar tudo o que deforma as diferenças e desenvolver a verdadeira coexistência pessoal, social, científica, religiosa, ética. Deveríamos remover abusos e vícios que anulam a diferenças. Perverter a diferença é uma atitude que degrada a pessoa. Valorizar o diferente e os diferentes implica tratar com cortesia, saber interagir, trabalhar juntos, respeitar... Diferença não dispersa nem divide, mas provoca convergência crítica. Promove a unidade lúcida e criativa. Por isso é valor a ser preservado e a ser desenvolvido, é potencial a ser explicitado.

A questão da «diferença cristã» não toca apenas à relação entre o cristianismo e o espaço não-cristão. O problema situa-se no interior mesmo do cristianismo. Viver como «comunidade» implica saber conjugar a diversidade na unidade. Assim, o cristianismo revela uma multiplicidade de textos, de ritos, de movimentos, de escolas de espiritualidade, de perspectivas teológicas; mas também de funções e vocações no interior da comunidade. A fidelidade, no cristianismo, passa por uma capacidade de integrar a diversidade.

Somos Igreja, Casa e Povo de Deus, que vive a acolhida positiva e respeitosa da diversidade de pessoas, carismas, ministérios, funções e expressões da fé. O reconhecimento desse pluralismo no interior da comunidade nos instiga a viver uma eclesiologia da comunhão. 

Isso nos move a fazer a contínua passagem de uma Igreja que discrimina os que pensam diferentes, os diversos, os outros... a uma Igreja que respeita os que seguem sua própria consciência, as outras religiões, os ateus, as minorias excluídas...; uma Igreja de portas abertas, atenta aos novos sinais dos tempos, que abra caminhos novos em meio às diferenças, que saia às margens sociais e existenciais...; uma Igreja jovem e alegre, fermento na sociedade, com a alegria e a liberdade do Espírito, com luz e transparência...

Texto bíblico:  Mt 16,13-19

Na oração: Deus nos ciou “diferentes” e é na “diferença” que Ele vem ao nosso encontro como chance de enriquecimento vital e de intercâmbio criativo.

- Deixe-se surpreender pelo Deus da vida que rompe esquemas, crenças, legalismos, bolhas...;

- O que prevalece em você diante de quem pensa, sente e ama de maneira “diferente”? intolerância, sectarismo, preconceito, mixo-fobia (medo de se misturar), xenofobia (medo do estrangeiro);... ou acolhida, proximidade, convivência...? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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AGORA: General Heleno faz discurso impactante em defesa de Sergio Moro d...