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sábado, 1 de junho de 2019

NÓS TAMBÉM TEMOS HERÓIS por Maria Tereza Mendes



Artigo publicado em 20.05.2018

Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”

Oi? Como assim? Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial! Ou participamos? Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referência sobre isso e não encontrei nenhuma. Só encontrei o sorriso dela de certeza. Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta, mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.

Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles. Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard. O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores. Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei. Sim, lá estava ela. Meu francês é bem meia-boca, mas deu pra entender o que estava escrito: “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”

Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial? Como eu nunca ouvi falar sobre isso? Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país? Imperdoável!

Com a ajuda do meu incansável amigo Google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto. Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica.

O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros. Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães. Sem uma marinha ou exército preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária. É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).

O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.

Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”. Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano. Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.

Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e alí estava eu diante da prova, em frente àquela placa. Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vocês possam imaginar. Fiquei pensando: Por que não nos falam sobre isso na escola? Por que escondem de nós os nossos heróis? Por que nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso?

Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar vc a ir além da nossa mediocridade escolar. Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art2.pdfe também no livro
“O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).

Sim, nós também temos nossos heróis... e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows.

 
Extraído do Facebook da autora.



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sexta-feira, 31 de maio de 2019

COINCIDÊNCIA OU PROVIDÊNCIA? – Dom Ceslau Stanula


31/05/2019


 Coincidência, ou providência!?

Recebi um ZAP, da Espanha, sobre a UE, que me chamou atenção. Então  fiz a pequena pesquisa sobre o Histórico da bandeira da União  Européia. Chama atenção a sua simplicidade e ao mesmo tempo a grandiosidade... O simples  pano azul que leva o pensamento no infinito e as 12  estrelas douradas símbolo da harmonia e perfeição.

 Em 1950, quando ainda nascia a UE do recém formado Conselho da Europa, foi feito o concurso para idealizar a bandeira. O concurso ganhou o Sr.Arsene Heitz, católico praticante de Estrasburgo.

Inspirou-se no texto bíblico: Ap 12,1 que se refere a Maria. A referência bíblica foi rejeitada, porém foi aceita a proposta.

As cores Marianas na bandeira da UE! Outra coincidência, o Conselho  da Europa, aceitou oficialmente assim criada a bandeira no dia 8 de dezembro, na festa da Imaculada .

Por mais que a  UE na sua Constituição, não aceitou nem sequer mencionar o cristianismo, que foi o fundamento da grandeza da Europa, Maria, a Mãe de Jesus, entrou, pelos seu símbolos, na maior potência politico - econômica e laica do mundo. Por meio desta sua presença pelos símbolos, Ela lembra sempre que  a almejada  justiça, alcançaremos  fazendo  "tudo o que Ele vos disser" (Jo.2, 5).

Com estes pensamentos e certeza da presença da Mãe no meio de nós, termino o mês de Maria. 

Ofereço a oração e benção.

Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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ACADEMIA DE EDUCAÇÃO DE FEIRA DE SANTANA - CONVITE


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original:

A  Academia de Educação de Feira de Santana tem por finalidade estudo e pesquisa, definição e interpretação dos fatos, fenômenos e problemas da educação e ensino na sua acepção geral, competindo-lhe, como órgão de cooperação cultural, consultas, incentivos, promoções e realizações no campo educacional.



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quinta-feira, 30 de maio de 2019

DIREITA E ESQUERDA



"Sensacional! Filosofia pura! E aplicável!”


- Quando um cara de direita não é um caçador e não gosta de armas, ele não vai caçar e não compra armas.

- Quando um cara da esquerda não é um caçador e não gosta de armas, ele pede que a caça e a venda de armas sejam proibidas.

- Quando um cara da direita é vegetariano, ele não come carne.

- Quando um cara da esquerda é vegetariano, ele faz campanha contra alimentos a base de carne e gostaria de proibir a todos de comer carne.

- Quando um homem de direita é homossexual, ele tem uma vida normal.

- Quando um cara da esquerda é homossexual, ele faz apologia a homossexualidade, vai às manifestações de "orgulho gay" e acusa todos aqueles que não pensam como ele de "homofóbicos".

- Quando alguém da direita perde o emprego, pensa em como sair da situação e fazer todo o possível para encontrar um novo emprego.

- Quando alguém da esquerda perde seu emprego, ele vai reclamar ao sindicato, e gastará até o último dia e vai a todas as manifestações e ataques contra a direita e contra os empregadores.

- Quando um cara da direita não gosta de um programa de TV, ele muda de canal ou desliga a TV.

- Quando um cara da esquerda não gosta de um programa de televisão, ele se queixa em jornais, rádios, canais de televisão, e se junta um partido político de esquerda para promover uma causa para conseguir chegar ao encerramento definitivo do canal de televisão que transmite o programa que ele não gosta.

- Quando um homem de direita é um ateu, ele não vai à igreja.

- Quando um dos esquerdistas é ateu, ele se esconde e persegue todos os que acreditam em Deus, denuncia a escola ou a instituição que expõe um crucifixo, protesta contra qualquer sinal de identidade religiosa, pede que os bens da igreja sejam expropriados, que a semana santa e toda procissão ou peregrinação seja proibida (contra o Islã não faz nada porque não tem coragem).

- Quando um cara de direita tem problemas econômicos, ele procura maneiras de trabalhar e ganhar mais dinheiro ou tenta encontrar financiamento para pagar suas dívidas e, se ele puder, ele ainda busca economizar.

- Quando um homem de esquerda tem problemas econômicos, ele culpa a direita, os empresários, a burguesia, o capitalismo, os neoconservadores, etc., etc., ele entra em contato com um Sindicato que com a esperança que o coloca quem em algum partido político ou em alguma boquinha em uma estatal.

- Quando um cara de direita lê este texto, ele ri e ele a reenvia para seus amigos.

- Quando um cara da esquerda lê este texto, ele se irrita e chama de fascista e retrógrado quem escreveu e enviou para ele.


Só se poderia acrescentar: 

Um homem de direita persegue sua própria felicidade; 

um homem à esquerda procura arruinar a felicidade dos outros.


(Autor não mencionado)

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QUEM VIVER VIVEU – Pe. Fábio de Melo


vida não pode ser só trabalhar e pagar conta.

Os dias estão passando muito rápido.

Esse ano já vimos um jornalista dizer: chego em 10 minutos para almoçar e não chegou.

Esse ano vimos um modelo tão entusiasmado para desfilar que o coração não aguentou. 

Alguém que foi descansar no mar... e não volta mais para casa.

E agora alguém que ia comemorar o aniversário da namorada junto da família... Não deu tempo nem para despedir. 

Organize sua vida colocando prioridades que realmente importam no seu dia a dia. Peça perdão, libere perdão, seja leve de espírito...

Beije quem você ama, abrace, conforte, chore junto, sorria mais ainda...

Não gaste energia com quem não quer o seu bem, não perca tempo abrindo a sua boca para falar o que não edifica, a vida é muito curta para viver aborrecido.

Brinque com seus filhos, durma com eles, se lambuze ao cozinhar algo e divirta-se....

E busque ganhar dinheiro o suficiente somente para você ter segurança e um pouco de conforto, todo o resto é vaidade, é idiotice...

Um dia a hora chega e quem viver, viveu.


Padre Fabio de Melo

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

VINICIUS DE MORAES É O TEMA DA CONFERÊNCIA DO PROFESSOR E POETA EUCANAÃ FERRAZ NA ABL



O professor e poeta Eucanaã Ferraz faz, na Academia Brasileira de Letras, a palestra de encerramento do ciclo de conferências “Poesia cantada: melodia e verso”, sob coordenação do Acadêmico e jornalista Zuenir Ventura, intitulada Vinicius de Moraes: a canção como destino. O evento está programado para dia 30 de maio, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro) Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora-geral dos ciclos de conferências de 2019.

Serão fornecidos certificados de frequência.


O CONFERENCISTA

Poeta e Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, onde leciona Eucanaã Ferraz publicou, entre outros livros, Martelo e Desassombro, Rua do mundo e Cinemateca. Para o público infanto-juvenil, destacam-se Bicho de Sete Cabeças e outros seres fantásticos; Palhaço, macaco, passarinho.

Eucanaã Ferraz ganhou o Prêmio de Melhor Livro para Criança (Água sim) pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ. Organizou, de Caetano Veloso, Letra Só, seleção de letras; e O mundo não é chato, reunião de textos em prosa. Assinou, ainda, os volumes Poesia completa e prosa de Vinicius de MoraesVeneno antimonotonia, antologia de poemas e letras. Na área ensaística, publicou Folha Explica Vinicius de Moraes.

23/05/2019

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NOTRE DAME DE PARIS, UM OLHAR, UMA VIRTUDE - Nelson R. Fragelli


29 de maio de 2019
Nelson R. Fragelli
  
           De longe ela atrai. Ela convida a se aproximar. Sente-se que ela quer se comunicar. Sente-se que ela tem palavras de reconforto. Há quase 900 anos ela é a casa da Mãe de Deus cuja bondade ao longo desses séculos penetrou suas pedras. Não há quem olhando-a não sinta promessas e esperanças. Em sua grandeza ela não espera que o peregrino lhe faça uma promessa a ser paga se uma graça lhe for concedida. Não, ela se adianta e faz sentir no íntimo dos corações seu desejo de ajudá-lo. Quem não necessita de ajuda? Basta aproximar-se para obtê-la.

           E os visitantes se aproximavam aos milhares. Nos últimos tempos, em quase todas as estações do ano, as filas eram longas. Bem mais longas do que no fim do século passado. Aspirações e esperanças formavam aquelas filas. O que são essas esperanças? É a certeza de que ali serão preenchidas partes vazias da alma que pena em meio a este mundo. Por isso ela atrai tanto. O visitante intui que no mais alto daquelas esperanças está o ponto de encontro com Deus.

           Essa mesma esperança um dia moveu um jovem incrédulo rumo à aceitação da Fé. Ele cedeu àquela atração bondosamente expressa pela imagem de Nossa Senhora, em meio à rosácea central, tendo nos braços seu divino Filho. Viu-a, aproximou-se e entrou. Entrando, encontrou um mundo repleto de tão fortes impressões que ficaria atordoado se elas não fossem inteiramente calmas e ordenadas. Silenciosamente percorreu as naves da catedral com os olhos fixos nas altas abóbodas e na magia das cores escachoantes dos vitrais, radiante de luzes espirituais recolhidas na penumbra do templo. Esse jovem tornou-se conhecido no mundo católico. Era o literato Paul Claudel (1868 – 1955).

            Naquele dia ele via esse santuário ao toque de sinos do Angelus, momento tranquilo em que Paris faz a pausa do meio-dia. Vejo a igreja aberta, escreveu Claudel. É preciso entrar. Ao entrar diz meramente, Mãe de Jesus Cristo, não venho rezar. Nada posso oferecer, nada tenho a Vos pedir. Venho somente, Mãe, vê-la de perto. Quero estar convosco no lugar onde estais.

           No lugar onde estais. Claudel sentia particular conforto em estar com a Mãe de Deus naquela Catedral. E ali se deu sua conversão. Convertido ele exprime com poesia o chamado feito por aquele lugar sagrado a cada um que o vê. Chamado que desde então se intensificou para incontáveis almas arrastadas pela voragem do mundo contemporâneo. Desde a conversão de Claudel a catedral se manteve a mesma, mas o mundo se distanciou de Deus. Olhá-la do fundo do vale obscuro deste século é vê-la numa expressão de esplendor que ela parecia não irradiar tão fulgente aos olhos daquele passado ainda não distante. Cresceu a impiedade. Cresceu também o fulgor da Catedral.

           Vê-la de perto era tudo o que Claudel queria. Vê-la “porque estamos neste século e Vós estais lá para sempre”. A sede de virtudes eternas o chamava a Notre Dame. A mesma sede atua hoje embora, para muitos, mais imprescindível.

            Sua majestade imóvel põe nobres sentimentos e inclinações em movimento. E ela atrai possantemente. “Derramai Vosso orvalho sobre esta Terra deserta e fazei cessar sua longa aridez”, pede Santo Agostinho em sua célebre oração ao Divino Espírito Santo. Este orvalho bem pode ser o outro nome para aquela doce atração exercida pela Mãe sobre filhos necessitados. Comentando este ponto da mesma oração Plinio Corrêa de Oliveira observa que tantas almas postas neste mundo, em razão de seus defeitos, sentem uma insuficiência e uma solidão interior. Muitas têm a ilusão de encontrar neste mundo o remédio para sua aridez. Não pode haver erro maior, pois as profundezas do coração humano são difíceis de discernir e sua obscuridade torna complexa a percepção do que nelas se passa. Este mundo não é capaz de entendê-lo.

            Quem não sente essa obscuridade complexa nos tormentosos dias atuais? Não é a resplandecência de Notre Dame a luz que sana aquela obscuridade interior e que atraiu almas desertas e sem Fé, como um dia atraiu Claudel? Não será a mesma procura de uma luz interior a atração exercida pela grandeza desse templo sobre tantos que nele entram e ali encontram elevação? Em meio à aridez espiritual deste século Nossa Senhora, em sua casa, concede luzes de sua materna afeição que vão ao fundo dos corações. Maria tem de seu Filho o poder de sanar. Ela repete maravilhas semelhantes às operadas por seu Divino Filho, como em Cafarnaum, onde uma mulher aproximou-se de Jesus por detrás, tocou-lhe a orla do manto e no mesmo instante foi curada. E Jesus percebeu que dele saíra uma virtude e olhava em derredor para ver quem o tocara. (Cfr. Mc 5, 25-34). Tocar Notre Dame significa dar-lhe um olhar. E entrar. Um olhar apenas. Uma visita somente. É o que pede Nossa Senhora em sua catedral a fim de dissipar tantas trevas interiores.


            No dia 15 de abril um incêndio devastou a parte superior da catedral e com ela a flecha esbelta e ousada. A flecha sublimava a catedral representando o voo ao Infinito. Simbolizava o dedo de Deus apontando o Céu (Marcel Proust). Se entre pilares e abóbodas, rosáceas e penumbras de seu interior a percepção da clemência de Maria elevava os corações ao desejo do Céu, a flecha era a confirmação no exterior do Templo dessa elevação. Vista de longe, para quem se aproximava, ela era arauto daquelas grandezas. Para quem partia, ela alimentava saudades daqueles espaços interiores benditos onde “a doçura de Nossa Senhora comunicava força” (Plinio Correa de Oliveira).

            O conde de Montalembert (1810-1870) descreve a igreja medieval de Marburg (Hesse), às margens encantadoras do rio Lahn. Uma igreja em ruínas. Nela fora sepultada Santa Isabel da Hungria (1207-1231). Ao descrevê-la Montalembert fez esta observação: “A Fé que deixara na pedra fria sua marca profunda nada deixara nos corações”. Pedras devastadas ainda ostentavam a beleza medieval do lugar onde repousara a grande santa. Os corações dos homens tinham-se tornado insensíveis. Donde a ruína daquela igreja. Este pensamento vem à tona no momento da restauração da catedral. Como será feita? Idêntica ao que era? As autoridades eclesiásticas e civis responsáveis conservarão no corpo sagrado da catedral elementos de irradiação da Fé esplendorosos tal como eram até o recente ultraje cometido pelas chamas? Ou serão essas chamas a apagar canduras e virtudes irradiadas por Maria?

1 comentário

José Antonio Rocha
29 de maio de 2019

Não tenhamos medo. Os escravos de satanás não vencerão. Deus é mais forte que todo o mal. Jesus Cristo venceu o mundo, a morte e o pecado. O coração imaculado da Virgem Maria triunfará. Notre Dame resplenderá uma Luz mais cristalina que a mente humana nunca será capaz de imaginar, mas todo coração receberá conforme e mansidão. Amém.


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