Com o poema do anexo, desejo-lhes um Natal com abraços e ternuras, Cyro de Mattos
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Crença
Cyro de Mattos
Por que os homens
Amam a droga
E não da abelha
Os favos de mel?
Por que os homens
Amam as balas
E não a paz
Sem nenhum fuzil?
Mas eu creio nessa manhã
Anunciada em Belém
Por um menino rei
Em seu berço de palha.
Eu gosto de ouvir
Sua canção na estrada
Falando duma união geral,
Que viver vale a pena
Quando a vida é uma dança
Com os homens como irmãos,
Cantando como passarinho,
Sorrindo como criança.
Cyro de Mattosé
escritor e poeta. Membro efetivo das Academias de Letras da Bahia, de Itabuna e
deIlhéus. Doutor HonorisCausa pela UniversidadeEstadual de Santa Cruz.
Os seus avós querem dizera você que Deus é o Criador
de todos os seres e todas as coisas. Está em todo lugar, não tem princípio nem
fim porque é eterno. Ele é todo poderoso e todo generoso. Ele nos deu a
vida, nosso bem maior. Durante milênios, os seres humanos vêm mostrando
que não sabem amar uns aos outros, mas que gostam mesmo é de maquinar com o
feio, fazendo o mal ao próximo. Gostam de se afastar do bem. E Deus, nosso Pai,
está sempre nos perdoando com sua infinita misericórdia diante das coisas
malignas que, todos os dias, não cansamos de inventar.
É fácil ver Deus quando o passarinho canta e inaugura a
manhã com seu canto de músico festivo. Quando a formiga, de folhinha em
folhinha, vai carregando o alimento para a sua morada, que fica debaixo do
chão. E lá dentro vai armazenar a comida que serve para alimentá-la e às suas
companheiras. É fácil ver Deus quando o sol amanhece e vem clarear o dia
com tudo que Ele pôs no mundo para ser visto e alcançado pelos seres
humanos.
Você poderá me dizer que é difícil ver Deus quando no mundo
existe tanta guerra, com o homem que mata o outro homem, ás vezes mata e não
enterra, enquanto os animais matam para comer e sobreviver ou em defesa dos
filhotes. Pois é, meu neto, nem tudo sabemos explicar sobre Deus. Quando vemos,
por exemplo, um terremoto arrasar cidades, matar centenas de inocentes, ficamos
sem saber por que Deus não apareceu para evitar tamanha calamidade. Ficamos
também sem saber por que Deus nos inventou para viver a maravilha da vida e
depois morremos. Quando acontece a morte, por doença ou acidente, de cada um de
nós, ficamos só tristeza, porque nunca mais vamos conviver com o ente
querido que se foi sem volta. E saberemos que para tudo se tem jeito
menos para a indesejada. Tudo que é vivo um dia morre.
Quando achamos que o preto é inferior por ter nascido de cor
e que o pobre é igual a cachorro, fornecemos à vontade ensinamentos
perversos para que corram no tempo da dura lei da vida, habitem os nossos
corações com toda a carga de opressão e desigualdade. E assim são tantas
coisas que nos abalam e nos deixam entristecidos, sem saber por que Deus
consente que aconteçam, ao invés de evitar a sua proliferação.
Nessas horas é difícil explicar Deus. E Deus se explica? O
melhor é sentir Deus, explicar é complicado. Acreditar que Ele nos fez para que
com mãos nas mãos uns ajudem aos outros, o que ainda não conseguimos
aprender a fazer, até quando? Nessa guerra que todo os dias existe por aí, de
cada um só pensar em si, nós não fazemos nossa parte, só queremos que Deus
esteja do nosso lado e o diabo no dos outros.
Assim fica difícil viver e andar em paz com Deus. Mas
uma coisa é certa, sem Deus no coração e no pensamento, o homem é um ser
solitário, vive na escuridão, na depressão, na perseguição, na solidão, na
obsessão de ter as coisas materiais. Para quê? Porque pensa que quanto mais
rico for será o dono do mundo. Cuidado, meu neto, aí pode residir o maior
perigo. De dono das coisas, você pode passar a ser escravo delas. Nem tanto o
céu nem tanto a terra. Bom é o equilíbrio, com Deus no coração. E, como disse o
poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Aprendi com o tempo que um abraço dado de bom coração
alimenta tanto quanto uma bênção ou bons pedaços de pão. Terminando, receba
agorinha mesmo esse beijão de vô e vó, pelo seu aniversário.
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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro da Academia
de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa
da Universidade Estadual de Santa Cruz.
O bom vizinho existe sim, com amor, bondade e generosidade
em suas ações.
Sempre é tempo de amar...
Sempre é tempo de ser bom...
Sempre é tempo de generosidade...
Sempre é tempo de servir...
Sempre é tempo de surpreender...
Sempre é tempo de dar presentes...
Sempre é tempo de ser um bom amigo, um bom companheiro, um
bom vizinho, uma pessoa benquista e especial.
Eu e minha amada esposa, Expedita Maciel, resolvemos passar uma temporada fora
de nossa cidade de origem Itabuna, para a cidade das águas Dias D`avila, perto
da capital Salvador, na Bahia.
Alugamos na cidade de Dias D`Ávila um apartamento – Um dia desse eu até
brinquei dizendo: “A cidade é tão quente, que o urubu voa com uma asa e com a
outra ele fica se abanando". A sorte é que a gente bebe e toma banho com água
mineral de primeira qualidade – Um apartamento para passarmos as festividades
de Natal e de Réveillon, porque de carro fica meia hora da capital da Bahia.
Vivendo há 45 dias na cidade, no condomínio Imbassay, o vizinho conhecido como
seu Leal, percebeu que eu estava lavando a “roupa suja” sem ser na máquina de
lavar, ou no tanquinho. Máquina que minha santa mãe Mariinha, no Ceará, chama
de Isaura, quando ela vai lavar roupa e diz: “Vou colocar a Isaura para
trabalhar”.
Então, ele, o bom vizinho, aproximou-se e foi logo argumentando: “Olha, se
quiser lavar a roupa de vocês pode usar a minha máquina de lavar”. É claro que
agradeci a boa vontade, sem fazer uso dela no primeiro momento.
Devido a insistência do seu Leal, em outras ocasiões, acabei usando a máquina
de lavar e, ainda, usei o varal dele. Foi incrível! Lavei três lençóis, duas
toalhas de banho, quatro camisas, uma calça social, uma bermuda, além dos panos
de prato.
O vizinho ofereceu álcool para colocar na água, levei o sabão em pó e o
amaciante. Só sei que a roupa ficou uma belezura! E agradeci.
Em seguida, o bom vizinho, seu Leal, falou para mim: “Você me permite, eu
mostrar algo para você? Pode entrar. Tenha a bondade de vir aqui no meu
quarto”. Meninos! Fiquei assustado. Só pensava no João de Deus, lá de Abadiânia,
em Goiânia. Mesmo assim fui...
O homem abriu o guarda roupa e exibiu roupas novas que ele não usava. Verdade!
Elas tinham etiquetas e os preços. Em seguida falou: “Quero lhe dar de presente
de Natal umas camisas e calças”. Nossa! Fiquei emocionado. Experimentei logo
duas calças e duas camisas e fiquei satisfeito. Agradeci. O bom vizinho só
dizia: “Não agradeça a mim, não. Agradeça a Deus”. Acrescentando: “São meus
presentes de Natal para você, padre João”.
Enfim, justifiquei: Eu não sou padre, sou profano. Ele argumentou: “Eu sei.
Você é uma pessoa boa, importante, muito educada. A gente percebe pelos modos,
a maneira de se expressar, desejar bom dia, ou mais. Você merece. Por isso, meu
desejo de presentear você”.
É claro! Fiquei realmente emocionado, agradeci outra vez.
Fui para minha casa todo empolgado e usando já uma das camisas ofertadas. A
amada esposa notou logo e perguntou como consegui aquela roupa. Narrei o
ocorrido, ela também agradeceu ao bom vizinho. Ele argumentou: “Faltam ainda os
seus presentes, vocês são gente boa”.
Lembrei-me do que tenho dito: A maldade reside na mente das pessoas, cada uma a
faz tomar corpo ou não.
Outro vizinho mandou o vizinho dele, pedir a mim cem reais, alegando: “Ele é
rico. Ele pode. Todo dia o vejo colocar ração para mais de dez cães de rua”. É
claro! Fiquei surpreso em ser espionado. Na verdade costumo dizer: somos
vigiados o tempo todo.
Feliz Natal.
Feliz Ano Novo.
Feliz Vizinho.
Eu pensei, pensei, agradeci e orei, conclui: Já pensou se as pessoas que
olhassem para mim, ofertassem alguma coisa, eu nem precisava comprar nada. Viva
o bom vizinho! Viva a Boa educação.
Tomo a liberdade de escrever esta mensagem ao cidadão
comum, meu compatriota, enquanto posso lhe falar sem as excelências que a
presidência da República vai impor.
Primeiro declaro que meu candidato era outro. Daqui do meu
canto eu não vislumbrei sua candidatura. Na verdade pouco me interessei pelos
programas desta campanha presidencial. Um país que permite a
existência de mais de trinta partidos políticos não merece respeito.
À medida que a campanha tomava corpo, que os candidatos
começaram a vociferar, me chamou a atenção o discurso igual e feroz dos
mais antigos, dos "velhos de guerra". Todos contra um.
O churrasquinho da vez era Bolsonaro. E quem era esse tal de
Bolsonaro tão inconveniente, tão perigoso, tão perverso, tão careta, tão
desastrado nas suas aparições?
Por que todos desperdiçavam todo seu tempo de propaganda
atacando o concorrente lanterninha? Eu queria conhecer o plano de governo
de cada um, mas cada um só queria malhar o Judas. O que eles temiam?
Será que aquela gente burra não percebia que o bombardeio
cerrado fortalecia sua candidatura? Que eles estavam dando tiro no próprio pé?
Curiosa, lúcida, politizada, anotei seu nome e número no meu caderninho.
Jair Messias Bolsonaro n° 17
O que me fez assumir sua candidatura foi a facada. Aquela
tentativa de homicídio feriu seu corpo e bateu fundo em mim, ferindo meus brios
de cidadã libertária.
Os mandantes do crime pretendiam o quê? Os mandantes do crime temiam o quê? Ah, não teve mandante deste crime , não? Você acha que um
paspalhão debiloide como aquele, teria a ideia, a iniciativa, a ousadia de
praticar aquele tresloucado ato no meio da multidão, se não tivesse de antemão
a garantia dos quatro advogados de defesa? Conta outra, Zé! Aquela facada
deixou claro que nosso país estava à beira de um colapso. Infelizmente o voto
útil se impunha. Foi então que eu mudei meu voto.
Você não me deve nada, Jair Messias. Não me prometeu
nada. Nem voto me pediu. Assim mesmo eu me dediquei a sua campanha com o melhor
das minhas palavras, intensamente.
Agora, eleito, licença para lhe apresentar minha pauta de
sugestões.
1 - Abra a caixa-preta da Loteria Federal, do BNDES, das
estatais, dos Fundos de Pensão, das autarquias, do legislativo, executivo e
judiciário em todas as instâncias, dos acordos "caridosos" firmados
com os "amigos do peito" dos governos petistas aqui e no exterior;
2 - Garanta a escola sem ideologia e sem religião, por
favor;
3 - Priorize a ferrovia e a hidrovia;
4 - Humanize o tempo de carceragem,
responsabilizando o apenado pela sua despesa. 700.000 presidiários são
uma mão de obra irrecusável para modernização do escoamento de
nossas riquezas. O exército pode cuidar disto com competência.
5 - Recolha e cancele os cartões corporativos;
6 - Reduza as comitivas oficiais dentro e fora do Brasil.
Para reforçar seu compromisso com a transparência e a responsabilidade
fiscal, faça uma visitinha à Croácia, onde uma linda presidente
surpreendeu a humanidade na Copa do Mundo, na Rússia. Vou abrir um parêntese
aqui para elogiar a simplicidade do café com bolo servido na sua garagem para o
representante de Trump. 50 milhões de brasileiros adultos se orgulharam de
você, sabia? E 40 milhões morreram de
inveja.
7 - Reduza pontos facultativos, feriados, feriados
emendados, lutos oficiais prolongados, dias santos... Com todo
respeito pela religiosidade das pessoas, mas esta vagabundagem acaba
prejudicando a indústria, o comércio, o agronegócio, o País como um todo.
Alguém vai chiar, mas não se preocupe. A chiadeira faz parte do argumento dos
folgados;
8 - Diga NÃO com brandura e firmeza. NÃO é uma palavra
poderosa. Pequena. E não dói;
9 - Não dê milho a bode.
Não responda perguntas cretinas.
Eu sonho com um país próspero. Produtivo. Calmo. Com um
presidente justo, austero e firme. Seja este mandatário. Seus eleitores votaram
de graça, felizes. Eu nunca havia visto uma eleição assim, e olhe que eu
tenho 80 anos!
Desculpe se a conversa é comprida. Eu tinha que lhe falar
estas coisas. Paro por aqui e prometo voltar a sua presença se for preciso.
Lembre-se: enquanto a caravana passa, os cães ladram. Haverá
ladrido de cães.
Não se intimide. Nós estaremos por perto.
Cuide-se.
FELIZ NATAL!
Que a solenidade de posse seja um cartão-postal para o
mundo. A certeza de um novo Brasil.
Feliz mandato!
Que os anjos digam AMÉM ao seu governo, ‘Se for para o bem de
todos e felicidade geral da Nação!’
Estamos todos excitados e emocionados com a chegada do
evento mais maravilhoso e merecido da terra, que é a comemoração do aniversário
do querido e louvável “MENINO JESUS”!
Coberto das alegrias religiosas, expectativas de dar e
receber presentes, comer iguarias especiais, fazer pedidos e orações e,
positivamente, ter a oportunidade de provar não só para si próprio como para
todos, que é um homem bom e solidário!
Embora já tenha esses dias feitos alguns textos sobre o
assunto, nada custa ratificar o meu desejo com todos os meus amigos e leitores,
inclusive para todos (conhecidos ou não), um NATAL maravilhoso e encantador, um
ANO NOVO com as realizações das confianças que foram depositadas, através das
promessas, em fim que tudo transcorra com Harmonia, Paz, Saúde e Alegrias!
Vamos nesse fim de ano bastante conturbado, orar para que
Deus nos ofereça, no mínimo, as coisas básicas que tanto necessitamos!
Feliz Natal, boas festas e que tenhamos a tranquilidade que
merecemos nesse período festivo e religioso!
Muitas vezes reclamamos que não alcançamos nossas metas, sonhos. Mas será que
estamos acreditando e agindo para que tudo isso seja alcançado?
No dia de hoje trago uma pequena mensagem que nos faz refletir que quando
queremos podemos alcançar.
Reflitam:
Um viajante ia caminhando em solo distante, às margens de um grande lago de
águas cristalinas. Seu destino era a outra margem. Suspirou profundamente
enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.
A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio
momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. O pequeno barco envelhecido, no
qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de
carvalho. Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada
remo.
Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pode observar que
se tratava de duas palavras, num deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e
no outro AGIR.
Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes
originais dados aos remos.
O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda força.
O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.
Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou
em sentido oposto, sem ir adiante.
Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles
simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através
das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.
Então o barqueiro disse ao viajante: Esse porto se chama autoconfiança.
Simultaneamente, é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos
alcançá-lo!
Queridos amigos!! Essa história nos faz refletir que precisamos ter metas em
nossa vida e acima de tudo acreditar e agir para que possamos alcançá-las.
Será que em nossas vidas estamos utilizando esses remos para que a mesma vá
para frente? Será que acreditar e agir fazem parte de nosso cotidiano, do
nosso barco da vida? Amigos vamos usar os dois remos!!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de
Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a
criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as
mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe
do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus
ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela
que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci
Mendes da Luz, OFM:
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Nascimento
de Jesus: Deus se deixa encontrar nas periferias
“Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não
havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7)
No Natal celebramos esta realidade: Deus “se fez diferente”
e é na “diferença” que Ele vem ao encontro do ser humano como chance de
enriquecimento vital e de intercâmbio criativo. Deixemo-nos surpreender pelo
Deus da vida que rompe esquemas, crenças, legalismos, bolhas...; ou nossa
vivência de fé se reduzirá a um ritualismo fechado, impedindo sair de nós
mesmos.
Se Deus correu o risco de encarnar-se, de nascer pobremente
e crescer como salvação a partir da exclusão deste mundo, já não há excluídos
para Ele, ninguém fica fora d’Ele. E o lugar principal para a festa é ali onde
Ele aparece: nos “aforas”, onde não há lugar, onde tudo parece esgotar-se e é
condenado a crescer em meio às ameaças e às intempéries das situações
humanas.
Jesus, em Belém, encontrou o seu lugar: nas periferias. A
periferia passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo”, por obra do
Espírito. Ali aparece o broto original do “nunca visto”, que em sua pequenez de
fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um
questionamento à ordem estabelecida.
Jesus se fez presente no lugar onde se encontravam aqueles
que não tinham “lugar”, os “deslocados”, os socialmente rejeitados e que foram
a razão de seu amor e do seu cuidado; fez-se solidário com os “sem lugares” e
os convidou a caminhar para um novo lugar. Na Gruta, Jesus teve sua preferência
e escolheu o seu “lugar”, o lugar entre os mais pobres, vítimas daqueles que se
fazem donos dos lugares.
Um “lugar” é sempre mais do que um simples lugar. A
geografia de cada “lugar” revela lembranças, referências, ansiedades, medos,
saudades...; cada “lugar” guarda histórias, presenças e tem força de memória.
Há vidas, pessoas, caminhos, acontecimentos, experiências... Na verdade, o
“lugar geográfico” se confunde com o “lugar interior”. É no lugar geográfico
que o lugar do coração encontra seu suporte e seu repouso. Quando dizemos: “não
tenho lugar”, “estou sem lugar”, “tenho medo deste lugar”... queremos
significar que o coração não encontrou no lugar geográfico o seu lugar próprio.
O Natal nos convida a imaginar lugares em movimento, lugares
de encontro, de desafio, lugares provocativos e criativos..., enfim, lugares
carregados de presença. Celebrar o Natal implica um contínuo êxodo do “lugar
estreito e dispersivo” ao “lugar expansivo e unificador”; ali vivemos uma
permanente travessia dos “nossos lugares rotineiros e auto-referenciais” para
os “amplos lugares cristificados”.
A travessia para a Gruta é um risco, é um salto para um
outro “lugar”, é deixar-se afetar por este “outro lugar”: lugar iluminado por
uma Presença despojada de poder, de riqueza, de prestígio... O mistério do
Nascimento é profundamente “espacial”: um lugar vital, dramático, que
questiona, ilumina, vitaliza e carrega de sentido os lugares cotidianos. Ele nos
ajuda a ter acesso a um “lugar inspirador”, um polo de referência e de atração,
onde nos sentimos acolhidos, integrados e pacificados na “presença”
d’Aquele que, na Gruta, assume e ilumina todos os lugares, sobretudo dos mais
excluídos.
A Gruta de Belém é o espelho dessa experiência originária
que transforma o “caos” cotidiano em “cosmos” e que, somando-se a outras
experiências semelhantes, ativa o modo original de ser e de estar no mundo.
Entrar no espaço do Nascimento de Jesus configura e ordena, de modo novo e
diferente, os lugares por onde transitamos. Sabemos que o espaço faz parte do
ar que respiramos em nível fisiológico e biológico, como faz parte das nossas
experiências interiores. No entanto, vivemos um tempo de confusão de “lugares”,
conseqüência de uma confusão interior. Nossa sociedade parece estar indo à
deriva porque não sabe mais reconhecer “espaços diferentes e vitais”, porque
tudo se torna igual e os lugares não falam mais, pois carecem de sentido e se
revelam como lugares vazios. Os espaços são violados, os “lugares sagrados” são
profanados, os “ambientes” carregados de sentido e de história já não revelam
mais nada...
Esse é o primeiro sintoma de uma visão humana desastrosa e
desastrada. Na insignificância e no achatamento dos espaços está o primeiro e
mais grave esmagamento do pensamento e da consciência, a ruptura das relações
sociais, a indiferença para com o lugar do outro que é diferente, frieza
ecológica e o definhamento das experiências religiosas.
Descer ao lugar da Gruta para encontrar uma Criança desperta
em nós um novo “olhar” para perceber, com mais nitidez e intensidade, os
lugares por onde transitamos, uma nova disposição para dar sentido e valor aos
lugares cotidianos, um olhar solidário para perceber o lugar do outro, uma nova
sensibilidade para “ver” a Presença d’Aquele que ocupa todos os lugares.
Não é comum prestar atenção ao lugar ocupado pelo outro,
sobretudo o outro que pensa e sente diferente; é normal perceber, delimitar,
defender e fechar-se no próprio lugar. Isso se faz de maneira tão zelosa que
nem se vê aquilo que está para além do próprio lugar. São grandes os riscos de
se viver em horizontes tão estreitos. Tal estreiteza aprisiona a solidariedade
e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com
as mudanças que se fazem urgentes. O próprio lugar se torna uma couraça e o
sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz.
O profeta Isaías nos recomenda ampliar o “lugar interior”:
“Alarga o espaço de tua tenda, estende sem medo tuas lonas, alonga tuas cordas,
finca bem tuas estacas” (Is. 54,2). Um “lugar sagrado” que nasce do coração,
carregado de afeto, de inspiração, de vitalidade...
Ampliar os espaços do coração implica agilidade,
flexibilidade, criatividade, solidariedade e abertura às mudanças e às novas
descobertas. Algumas fortalezas e seguranças pessoais caem quando os “espaços
interiores”, abrasados e iluminados pelo Nascimento de Jesus, começam a romper
as paredes e se encarnam em “lugares exteriores”, marcados pela beleza e
encantamento: lugar familiar, lugar celebrativo, lugar social, lugar de
convivência, lugar de trabalho... um lugar nobre que só tem sentido quando
carregado de presenças.
Só quem transita com liberdade pelos “lugares interiores”
será capaz de ir ao encontro dos outros e entrar em sintonia com eles. O “lugar
externo” é o prolongamento do lugar percorrido e saboreado internamente. Não
tem sentido ampliar os lugares externos se nossa mente permanece estreita, se
nosso coração continua insensível, se nossas mãos estão atrofiadas, se nossa
criatividade sente-se bloqueada...
Lugar amplo é convite a sonhar alto, a pensar grande, a
aventurar-se, ousar ir além, lançar por terra nosso modo arcaico de proceder,
romper com os espaços rotineiros e cansativos para ir ao encontro dos “novos
lugares” dos excluídos e marginalizados. Precisamos levantar-nos cotidianamente
de nossos “lugares”: há sempre um “lugar ferido” que nos espera, um “ambiente
atrofiado” a ser curado, um “espaço” excluído a ser visitado...
Texto bíblico: Lc 2,1-14
Na oração: É o ser humano mesmo o verdadeiro lugar a partir
do qual Deus se encontra e se dá a conhecer; cada pessoa é o autêntico lugar da
eterna presença de Deus.
O melhor presente: uma “uma cesta natalina” repleta de
sensibilidade, tolerância, compreensão, alegria, acolhida, proximidade,
generosidade, solidariedade...
Este é o verdadeiro Natal: que, em Jesus, nossos espaços
cotidianos sejam incubadores de encontros humanizadores, foco de reconhecimento
da dignidade de todas as pessoas.