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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

CRENÇA - Cyro de Mattos


Amigos e Amigas,
Boa noite.
Com o poema do anexo, desejo-lhes um Natal com abraços e ternuras, Cyro de Mattos

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Crença

Cyro de Mattos

Por que os homens
Amam a droga
E não da abelha
Os favos de mel?
Por que os homens
Amam as balas
E não a paz
Sem nenhum fuzil?

Mas eu creio nessa manhã
Anunciada em Belém
Por um menino rei
Em seu berço de palha.

Eu gosto de ouvir
Sua canção na estrada
Falando duma união geral,
Que viver vale a pena
Quando a vida é uma dança
Com os homens como irmãos,
Cantando como passarinho,
Sorrindo como criança.


Cyro de Mattos  é escritor e poeta. Membro efetivo das Academias de Letras da Bahia, de Itabuna e de  Ilhéus. Doutor Honoris  Causa pela Universidade  Estadual de Santa Cruz. 

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

QUERIDO NETO GABRIEL- Cyro de Mattos


Querido Neto Gabriel
Crônica de Cyro de Mattos


            Os seus avós querem   dizer  a você que Deus é o Criador de todos os seres e todas as coisas. Está em todo lugar, não tem princípio nem fim porque é eterno.  Ele é todo poderoso e todo generoso. Ele nos deu a vida, nosso bem maior. Durante milênios, os seres humanos vêm  mostrando que não sabem amar uns aos outros, mas que gostam mesmo é de maquinar com o feio, fazendo o mal ao próximo. Gostam de se afastar do bem. E Deus, nosso Pai, está sempre nos perdoando com sua infinita misericórdia diante das coisas malignas que, todos os dias,  não cansamos de inventar.

            É fácil ver Deus quando o passarinho canta e inaugura a manhã com seu canto de músico festivo. Quando a formiga, de folhinha em folhinha, vai carregando o alimento para a sua morada, que fica debaixo do chão. E lá dentro vai armazenar a comida que serve para alimentá-la e às suas companheiras. É fácil ver Deus  quando o sol amanhece e vem clarear o dia com tudo que Ele pôs no mundo para ser visto e alcançado  pelos seres humanos.

            Você poderá me dizer que é difícil ver Deus quando no mundo existe tanta guerra, com o homem que mata o outro homem, ás vezes mata e não enterra, enquanto os animais matam para comer e sobreviver ou em defesa dos filhotes. Pois é, meu neto, nem tudo sabemos explicar sobre Deus. Quando vemos, por exemplo, um terremoto arrasar cidades, matar centenas de inocentes, ficamos sem saber por que Deus não apareceu para evitar tamanha calamidade. Ficamos também sem saber por que Deus nos inventou para viver a maravilha da vida e depois morremos. Quando acontece a morte, por doença ou acidente, de cada um de nós, ficamos só tristeza, porque nunca mais vamos  conviver com o ente querido que se foi sem volta.  E saberemos que para tudo se tem jeito menos para a indesejada. Tudo que é vivo um dia morre.

            Quando achamos que o preto é inferior por ter nascido de cor e que o pobre é igual a cachorro, fornecemos à vontade ensinamentos  perversos para que corram no tempo da dura lei da vida, habitem os nossos corações com  toda a carga de opressão e desigualdade. E assim são tantas coisas que nos abalam e nos deixam entristecidos, sem saber por que Deus consente que aconteçam, ao invés de evitar a sua proliferação.

            Nessas horas é difícil explicar Deus. E Deus se explica? O melhor é sentir Deus, explicar é complicado. Acreditar que Ele nos fez para que com mãos  nas mãos uns ajudem aos outros, o que ainda não conseguimos aprender a fazer, até quando? Nessa guerra que todo os dias existe por aí, de cada um só pensar em si, nós não fazemos nossa parte, só queremos que Deus esteja do nosso lado e o diabo no dos outros.

            Assim fica difícil  viver e andar em paz com Deus. Mas uma coisa é certa, sem Deus no coração e no pensamento, o homem é um ser solitário, vive na escuridão, na depressão, na perseguição, na solidão, na obsessão de ter as coisas materiais. Para quê? Porque pensa que quanto mais rico for será o dono do mundo. Cuidado, meu neto, aí pode residir o maior perigo. De dono das coisas, você pode passar a ser escravo delas. Nem tanto o céu nem tanto a terra. Bom é o equilíbrio, com Deus no coração. E, como disse o poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena.

            Aprendi com o tempo que um abraço dado de bom coração alimenta tanto quanto uma bênção ou bons pedaços de pão. Terminando, receba agorinha mesmo esse beijão de vô e vó, pelo seu aniversário.
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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro da Academia de  Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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O BOM VIZINHO - João de Paula


Você pode ser um bom vizinho.
O bom vizinho existe sim, com amor, bondade e generosidade em suas ações.

Sempre é tempo de amar... 
Sempre é tempo de ser bom...
Sempre é tempo de generosidade...
Sempre é tempo de servir...
Sempre é tempo de surpreender...
Sempre é tempo de dar presentes...
Sempre é tempo de ser um bom amigo, um bom companheiro, um
bom vizinho, uma pessoa benquista e especial.


Eu e minha amada esposa, Expedita Maciel, resolvemos passar uma temporada fora de nossa cidade de origem Itabuna, para a cidade das águas Dias D`avila, perto da capital Salvador, na Bahia.

Alugamos na cidade de Dias D`Ávila um apartamento – Um dia desse eu até brinquei dizendo: “A cidade é tão quente, que o urubu voa com uma asa e com a outra ele fica se abanando". A sorte é que a gente bebe e toma banho com água mineral de primeira qualidade – Um apartamento para passarmos as festividades de Natal e de Réveillon, porque de carro fica meia hora da capital da Bahia.

Vivendo há 45 dias na cidade, no condomínio Imbassay, o vizinho conhecido como seu Leal, percebeu que eu estava lavando a “roupa suja” sem ser na máquina de lavar, ou no tanquinho. Máquina que minha santa mãe Mariinha, no Ceará, chama de Isaura, quando ela vai lavar roupa e diz: “Vou colocar a Isaura para trabalhar”.

Então, ele, o bom vizinho, aproximou-se e foi logo argumentando: “Olha, se quiser lavar a roupa de vocês pode usar a minha máquina de lavar”. É claro que agradeci a boa vontade, sem fazer uso dela no primeiro momento.

Devido a insistência do seu Leal, em outras ocasiões, acabei usando a máquina de lavar e, ainda, usei o varal dele. Foi incrível! Lavei três lençóis, duas toalhas de banho, quatro camisas, uma calça social, uma bermuda, além dos panos de prato.

O vizinho ofereceu álcool para colocar na água, levei o sabão em pó e o amaciante. Só sei que a roupa ficou uma belezura! E agradeci.

Em seguida, o bom vizinho, seu Leal, falou para mim: “Você me permite, eu mostrar algo para você? Pode entrar. Tenha a bondade de vir aqui no meu quarto”. Meninos! Fiquei assustado. Só pensava no João de Deus, lá de Abadiânia, em Goiânia. Mesmo assim fui...

O homem abriu o guarda roupa e exibiu roupas novas que ele não usava. Verdade! Elas tinham etiquetas e os preços. Em seguida falou: “Quero lhe dar de presente de Natal umas camisas e calças”. Nossa! Fiquei emocionado. Experimentei logo duas calças e duas camisas e fiquei satisfeito. Agradeci. O bom vizinho só dizia: “Não agradeça a mim, não. Agradeça a Deus”. Acrescentando: “São meus presentes de Natal para você, padre João”.

Enfim, justifiquei: Eu não sou padre, sou profano. Ele argumentou: “Eu sei. Você é uma pessoa boa, importante, muito educada. A gente percebe pelos modos, a maneira de se expressar, desejar bom dia, ou mais. Você merece. Por isso, meu desejo de presentear você”.

É claro! Fiquei realmente emocionado, agradeci outra vez.

Fui para minha casa todo empolgado e usando já uma das camisas ofertadas. A amada esposa notou logo e perguntou como consegui aquela roupa. Narrei o ocorrido, ela também agradeceu ao bom vizinho. Ele argumentou: “Faltam ainda os seus presentes, vocês são gente boa”.

Lembrei-me do que tenho dito: A maldade reside na mente das pessoas, cada uma a faz tomar corpo ou não.

Outro vizinho mandou o vizinho dele, pedir a mim cem reais, alegando: “Ele é rico. Ele pode. Todo dia o vejo colocar ração para mais de dez cães de rua”. É claro! Fiquei surpreso em ser espionado. Na verdade costumo dizer: somos vigiados o tempo todo.

Feliz Natal.
Feliz Ano Novo.
Feliz Vizinho.

Eu pensei, pensei, agradeci e orei, conclui: Já pensou se as pessoas que olhassem para mim, ofertassem alguma coisa, eu nem precisava comprar nada. Viva o bom vizinho! Viva a Boa educação.

Engrandecido seja Deus.


João Batista de Paula  
Escritor e Jornalista.


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CARTA-ABERTA AO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO - Martha Azevedo Pannunzio


"Saudações cordiais na manhã deste domingo lindo!

Tomo a liberdade de  escrever esta mensagem ao cidadão comum, meu compatriota, enquanto posso lhe falar sem as excelências que a presidência da República vai impor.

Primeiro declaro que meu candidato era outro. Daqui do meu canto eu não vislumbrei sua candidatura. Na verdade pouco me interessei pelos programas desta  campanha presidencial. Um país que  permite a existência de mais de trinta partidos políticos não merece respeito. 

À medida que a campanha tomava corpo, que os candidatos começaram  a vociferar, me chamou a atenção o discurso igual e feroz dos mais antigos, dos "velhos de guerra". Todos contra um. 

O churrasquinho da vez era Bolsonaro. E quem era esse tal de Bolsonaro tão inconveniente, tão perigoso, tão perverso, tão careta, tão desastrado nas suas aparições?

Por que todos desperdiçavam todo seu tempo de propaganda atacando o concorrente lanterninha?  Eu queria conhecer o plano de governo de cada um, mas cada um só queria malhar o Judas. O que eles temiam? 

Será que aquela gente burra não percebia que o bombardeio cerrado fortalecia sua candidatura? Que eles estavam dando tiro no próprio pé? Curiosa, lúcida,  politizada, anotei seu nome e número no meu caderninho. Jair Messias Bolsonaro n° 17

O que me fez assumir sua candidatura foi a facada. Aquela tentativa de homicídio feriu seu corpo e bateu fundo em mim, ferindo meus brios de cidadã libertária.

Os mandantes do crime pretendiam o quê? Os mandantes do crime temiam o quê? Ah, não teve mandante deste crime , não? Você acha que um paspalhão debiloide como aquele, teria a ideia, a iniciativa, a ousadia de praticar aquele tresloucado ato no meio da multidão, se não tivesse de antemão a garantia dos quatro advogados de defesa? Conta outra, Zé! Aquela facada deixou claro que nosso país estava à beira de um colapso. Infelizmente o voto útil se impunha. Foi então que eu mudei meu voto.

Você não me deve nada,  Jair Messias. Não me prometeu nada. Nem voto me pediu. Assim mesmo eu me dediquei a sua campanha com o melhor das minhas palavras, intensamente.

Agora, eleito, licença para lhe apresentar minha pauta de sugestões.

1 - Abra a caixa-preta da Loteria Federal, do BNDES, das estatais, dos Fundos de Pensão, das autarquias, do legislativo, executivo e judiciário em todas as instâncias, dos acordos "caridosos" firmados com os "amigos do peito" dos governos petistas aqui e no exterior;

2 - Garanta a escola sem ideologia e sem religião, por favor;

3 - Priorize a ferrovia e a hidrovia;

4 - Humanize o tempo de carceragem,  responsabilizando  o apenado pela sua despesa. 700.000 presidiários são uma mão de obra irrecusável para  modernização  do escoamento de nossas riquezas. O exército pode cuidar disto com competência.

5 - Recolha e cancele os cartões corporativos;

6 - Reduza as comitivas oficiais dentro e fora do Brasil. Para reforçar seu compromisso com a transparência e a responsabilidade fiscal,  faça uma visitinha  à Croácia, onde uma linda presidente surpreendeu a humanidade na Copa do Mundo, na Rússia. Vou abrir um parêntese aqui para elogiar a simplicidade do café com bolo servido na sua garagem para o representante de Trump. 50 milhões de brasileiros adultos se orgulharam de você, sabia?  E 40 milhões morreram de inveja.

7 - Reduza pontos facultativos, feriados, feriados emendados,   lutos oficiais prolongados, dias santos... Com todo respeito pela religiosidade das pessoas, mas esta vagabundagem acaba prejudicando a indústria, o comércio, o agronegócio, o País como um todo. Alguém vai chiar, mas não se preocupe. A chiadeira faz parte do argumento dos folgados;

8 - Diga NÃO com brandura e firmeza.  NÃO é uma palavra poderosa. Pequena. E não dói;

9 - Não dê milho a bode.  
Não responda perguntas cretinas.

Eu sonho com um país próspero. Produtivo. Calmo. Com um presidente justo, austero e firme. Seja este mandatário. Seus eleitores votaram de graça, felizes. Eu nunca havia visto uma eleição assim,  e olhe que eu tenho 80 anos!

Desculpe se a conversa é comprida. Eu tinha que lhe falar estas coisas. Paro por aqui e prometo voltar a sua presença se for preciso.

Lembre-se: enquanto a caravana passa, os cães ladram. Haverá ladrido de cães.
Não se intimide. Nós estaremos por perto.

Cuide-se.
FELIZ NATAL!

Que a solenidade de  posse seja um cartão-postal para o mundo. A certeza de um novo  Brasil.

Feliz mandato!

Que os anjos digam AMÉM ao seu governo, ‘Se for para o bem de todos e felicidade geral da Nação!’

Atenciosamente,

Martha Azevedo Pannunzio
Fazenda Água Limpa
Uberlândia, 19/12/2018"

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domingo, 23 de dezembro de 2018

RATIFICANDO MEU DESEJO! - Antonio Nunes de Souza



Estamos todos excitados e emocionados com a chegada do evento mais maravilhoso e merecido da terra, que é a comemoração do aniversário do querido e louvável “MENINO JESUS”!

Coberto das alegrias religiosas, expectativas de dar e receber presentes, comer iguarias especiais, fazer pedidos e orações e, positivamente, ter a oportunidade de provar não só para si próprio como para todos, que é um homem bom e solidário!

Embora já tenha esses dias feitos alguns textos sobre o assunto, nada custa ratificar o meu desejo com todos os meus amigos e leitores, inclusive para todos (conhecidos ou não), um NATAL maravilhoso e encantador, um ANO NOVO com as realizações das confianças que foram depositadas, através das promessas, em fim que tudo transcorra com Harmonia, Paz, Saúde e Alegrias!

Vamos nesse fim de ano bastante conturbado, orar para que Deus nos ofereça, no mínimo, as coisas básicas que tanto necessitamos!

Feliz Natal, boas festas e que tenhamos a tranquilidade que merecemos nesse período festivo e religioso!


ANTONIO NUNES DE SOUZA, Escritor,
Membro da Academia Grapiúna de Letras - AGRAL


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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Acreditar e agir

Amigos!

Muitas vezes reclamamos que não alcançamos nossas metas, sonhos. Mas será que estamos acreditando e agindo para que tudo isso seja alcançado?
No dia de hoje trago uma pequena mensagem que nos faz refletir que quando queremos podemos alcançar.


Reflitam:

Um viajante ia caminhando em solo distante, às margens de um grande lago de águas cristalinas. Seu destino era a outra margem. Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte.

A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo.

Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pode observar que se tratava de duas palavras, num deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos.

O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava.

Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.

Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante: Esse porto se chama autoconfiança. Simultaneamente, é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo!

Queridos amigos!! Essa história nos faz refletir que precisamos ter metas em nossa vida e acima de tudo acreditar e agir para que possamos alcançá-las. Será que em nossas vidas estamos utilizando esses remos para que a mesma vá para frente? Será que acreditar e agir fazem parte de nosso cotidiano, do nosso barco da vida? Amigos vamos usar os dois remos!!

Um forte abraço!

Velho Sábio!
http://www.velhosabio.com.br/momentodereflexao/267/Acreditar+e+agir.html

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (110)

4º Domingo do Advento – 23/12/2018

Anúncio do Evangelho (Lc 1,39-45)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM:

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Nascimento de Jesus: Deus se deixa encontrar nas periferias 
“Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7)

No Natal celebramos esta realidade: Deus “se fez diferente” e é na “diferença” que Ele vem ao encontro do ser humano como chance de enriquecimento vital e de intercâmbio criativo. Deixemo-nos surpreender pelo Deus da vida que rompe esquemas, crenças, legalismos, bolhas...; ou nossa vivência de fé se reduzirá a um ritualismo fechado, impedindo sair de nós mesmos. 

Se Deus correu o risco de encarnar-se, de nascer pobremente e crescer como salvação a partir da exclusão deste mundo, já não há excluídos para Ele, ninguém fica fora d’Ele. E o lugar principal para a festa é ali onde Ele aparece: nos “aforas”, onde não há lugar, onde tudo parece esgotar-se e é condenado a crescer em meio às ameaças e às intempéries das situações humanas. 

Jesus, em Belém, encontrou o seu lugar: nas periferias. A periferia passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo”, por obra do Espírito. Ali aparece o broto original do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida.

Jesus se fez presente no lugar onde se encontravam aqueles que não tinham “lugar”, os “deslocados”, os socialmente rejeitados e que foram a razão de seu amor e do seu cuidado; fez-se solidário com os “sem lugares” e os convidou a caminhar para um novo lugar. Na Gruta, Jesus teve sua preferência e escolheu o seu “lugar”, o lugar entre os mais pobres, vítimas daqueles que se fazem donos dos lugares.

Um “lugar” é sempre mais do que um simples lugar. A geografia de cada “lugar” revela lembranças, referências, ansiedades, medos, saudades...; cada “lugar” guarda histórias, presenças e tem força de memória. Há vidas, pessoas, caminhos, acontecimentos, experiências... Na verdade, o “lugar geográfico” se confunde com o “lugar interior”. É no lugar geográfico que o lugar do coração encontra seu suporte e seu repouso. Quando dizemos: “não tenho lugar”, “estou sem lugar”, “tenho medo deste lugar”... queremos significar que o coração não encontrou no lugar geográfico o seu lugar próprio.

O Natal nos convida a imaginar lugares em movimento, lugares de encontro, de desafio, lugares provocativos e criativos..., enfim, lugares carregados de presença. Celebrar o Natal implica um contínuo êxodo do “lugar estreito e dispersivo” ao “lugar expansivo e unificador”; ali vivemos uma permanente travessia dos “nossos lugares rotineiros e auto-referenciais” para os “amplos lugares cristificados”. 

A travessia para a Gruta é um risco, é um salto para um outro “lugar”, é deixar-se afetar por este “outro lugar”: lugar iluminado por uma Presença despojada de poder, de riqueza, de prestígio... O mistério do Nascimento é profundamente “espacial”:  um lugar vital, dramático, que questiona, ilumina, vitaliza e carrega de sentido os lugares cotidianos. Ele nos ajuda a ter acesso a um “lugar inspirador”, um polo de referência e de atração, onde nos sentimos acolhidos, integrados e pacificados na “presença”  d’Aquele que, na Gruta, assume e ilumina todos os lugares, sobretudo dos mais excluídos.

A Gruta de Belém é o espelho dessa experiência originária que transforma o “caos” cotidiano em “cosmos” e que, somando-se a outras experiências semelhantes, ativa o modo original de ser e de estar no mundo. Entrar no espaço do Nascimento de Jesus configura e ordena, de modo novo e diferente, os lugares por onde transitamos. Sabemos que o espaço faz parte do ar que respiramos em nível fisiológico e biológico, como faz parte das nossas experiências interiores. No entanto, vivemos um tempo de confusão de “lugares”, conseqüência de uma confusão interior. Nossa sociedade parece estar indo à deriva porque não sabe mais reconhecer “espaços diferentes e vitais”, porque tudo se torna igual e os lugares não falam mais, pois carecem de sentido e se revelam como lugares vazios. Os espaços são violados, os “lugares sagrados” são profanados, os “ambientes” carregados de sentido e de história já não revelam mais nada... 

Esse é o primeiro sintoma de uma visão humana desastrosa e desastrada. Na insignificância e no achatamento dos espaços está o primeiro e mais grave esmagamento do pensamento e da consciência, a ruptura das relações sociais, a indiferença para com o lugar do outro que é diferente, frieza ecológica e o definhamento das experiências religiosas. 

Descer ao lugar da Gruta para encontrar uma Criança desperta em nós um novo “olhar” para perceber, com mais nitidez e intensidade, os lugares por onde transitamos, uma nova disposição para dar sentido e valor aos lugares cotidianos, um olhar solidário para perceber o lugar do outro, uma nova sensibilidade para “ver” a Presença d’Aquele que ocupa todos os lugares.

Não é comum prestar atenção ao lugar ocupado pelo outro, sobretudo o outro que pensa e sente diferente; é normal perceber, delimitar, defender e fechar-se no próprio lugar. Isso se faz de maneira tão zelosa que nem se vê aquilo que está para além do próprio lugar. São grandes os riscos de se viver em horizontes tão estreitos. Tal estreiteza aprisiona a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgentes. O próprio lugar se torna uma couraça e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz.

O profeta Isaías nos recomenda ampliar o “lugar interior”: “Alarga o espaço de tua tenda, estende sem medo tuas lonas, alonga tuas cordas, finca bem tuas estacas” (Is. 54,2). Um “lugar sagrado” que nasce do coração, carregado de afeto, de inspiração, de vitalidade... 

Ampliar os espaços do coração implica agilidade, flexibilidade, criatividade, solidariedade e abertura às mudanças e às novas descobertas. Algumas fortalezas e seguranças pessoais caem quando os “espaços interiores”, abrasados e iluminados pelo Nascimento de Jesus, começam a romper as paredes e se encarnam em “lugares exteriores”, marcados pela beleza e encantamento: lugar familiar, lugar celebrativo, lugar social, lugar de convivência, lugar de trabalho... um lugar nobre que só tem sentido quando carregado de presenças. 

Só quem transita com liberdade pelos “lugares interiores” será capaz de ir ao encontro dos outros e entrar em sintonia com eles. O “lugar externo” é o prolongamento do lugar percorrido e saboreado internamente. Não tem sentido ampliar os lugares externos se nossa mente permanece estreita, se nosso coração continua insensível, se nossas mãos estão atrofiadas, se nossa criatividade sente-se bloqueada...

Lugar amplo é convite a sonhar alto, a pensar grande, a aventurar-se, ousar ir além, lançar por terra nosso modo arcaico de proceder, romper com os espaços rotineiros e cansativos para ir ao encontro dos “novos lugares” dos excluídos e marginalizados. Precisamos levantar-nos cotidianamente de nossos “lugares”: há sempre um “lugar ferido” que nos espera, um “ambiente atrofiado” a ser curado, um “espaço” excluído a ser visitado...

Texto bíblico:  Lc 2,1-14
  
Na oração: É o ser humano mesmo o verdadeiro lugar a partir do qual Deus se encontra e se dá a conhecer; cada pessoa é o autêntico lugar da eterna presença de Deus.

O melhor presente: uma “uma cesta natalina” repleta de sensibilidade, tolerância, compreensão, alegria, acolhida, proximidade, generosidade, solidariedade...

Este é o verdadeiro Natal: que, em Jesus, nossos espaços cotidianos sejam incubadores de encontros humanizadores, foco de reconhecimento da dignidade de todas as pessoas. 

Um Santo Natal a todos! 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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