Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador LETRASELVAGEM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LETRASELVAGEM. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de agosto de 2017

NICODEMOS SENA LANÇA NOVO LIVRO EM SÃO PAULO

LETRASELVAGEM  e  ESPAÇO CULTURAL CORTEZ EDITORA convidam

para o lançamento do livro

“CHORO POR TI, BELTERRA!”


de Nicodemos Sena


Data: 24 de agosto de 2017 (quinta-feira), às 19 horas.
Local: Espaço Cultural Cortez Editora, Rua Bartira 317, Perdizes - São Paulo/SP – Brasil (ao lado do TUCA e da PUC).
Entrada Franca.


A OBRA

Em 19 episódios, Nicodemos Sena reconstitui o dia em que fez a viagem de retorno às origens, em companhia de seu pai, depois de um percurso de algumas horas pela rodovia Santarém-Cuiabá, até entrar numa estradinha de terra que leva à Estrada Um e, enfim, às ruínas da cidadezinha de Belterra, que na década de 1940 fora dirigida pela Ford Motor Company, empresa do magnata norte-americano Henry Ford (1863-1947), que, em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tentaria fazer da extração da borracha uma atividade lucrativa, fornecendo os pneumáticos necessários para movimentar os veículos militares.

Não se pode dizer que se trata de um romance nem tampouco de um conto que se tenha derramado por causa de uma prosa poética. Não é também uma simples reportagem, pois não constitui a mera literalização dos acontecimentos de um dia na estrada. Neste caso, cada encontro no caminho com esporádicos moradores perdidos naquelas paragens do Brasil profundo serve como motivo para um ou mais comentários, como aquele episódio em que o cronista se depara, em meio ao tórrido calor do meio-dia amazônico, dentro de um casebre em que não havia água encanada e muito menos tratada, com uma menina que não parava de manipular a tela de um telefone celular.

É, isso sim, um texto híbrido que se assume como uma crônica repassada de lirismo, uma narração das vicissitudes vividas pelo narrador em companhia do pai, que faz, com a ajuda do filho, uma viagem de retorno à infância para reencontrar todos os fantasmas que ainda assolam seus pensamentos.

Ou ainda uma narrativa poética que, ao reunir musicalidade e metaforização, faz com que o narrador desfie o novelo da memória, em tom de conversa com o leitor em que não dispensa nem mesmo citações de autores, como o português Fernando Pessoa (1888-1935), o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014), o mexicano Juan Rulfo (1917-1986) e o norte-americano William Faulkner (1897-1962). Como se sabe, o que une esses autores de nacionalidades tão distintas é a construção metafórica de um lugar mítico, que existe só na alma do próprio autor, como “o rio da minha aldeia” do heterônimo pessoano Alberto Caeiro.

Em resumo, o texto dialoga com o mito do eterno retorno, ao praticar a intertextualidade com discursos canônicos, reconstruindo, dessa forma, metáforas da precária condição humana.

Autor de livros que já se tornaram referências obrigatórias dentro da Literatura Brasileira, como os romances A Espera do Nunca Mais (1999), A Noite é dos Pássaros (2003) e A Mulher, o Homem e o Cão (2009), trilogia que constitui uma saga amazônica, Nicodemos Sena mostra em Choro por ti, Belterra! que pode ser também considerado um cronista da estirpe de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Rubem Braga (1913-1990) ou Fernando Sabino (1923-2004).

A diferença é que, em vez da fugacidade dos registros do cotidiano das ruas do Rio de Janeiro que se leem nas crônicas daqueles grandes mestres, o que o leitor descobrirá nestes episódios é não só a Amazônia que é vista ainda como exuberante paraíso tropical, mas também aquela que governantes corruptos permitiram que continuasse a ser destruída, tomada por aventureiros “gananciosos e cruéis, os quais, sem escrúpulos, saqueiam e depredam os bens da terra, auxiliados por ‘mucamas’ e ‘mordomos’ (degenerados filhos da terra) que, a troco de migalhas e posições, passaram-se para o lado dos inimigos”. (Texto das orelhas do livro, de autoria de Adelto Gonçalves, escritor, jornalista, doutor em Literatura Portuguesa pela U SP-Universidade de São Paulo)

O AUTOR

Nicodemos (Neves) Sena nasceu no município de Santarém, em 08.07.1958, e passou a infância entre índios e caboclos do Rio Maró, região de fronteira entre os estados do Pará e Amazonas (Amazônia brasileira), experiência que marcaria para sempre a sensibilidade do escritor identificado com a terra e os povos da Amazônia.

Em 1977, vem para São Paulo e aí se forma em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), e em Direito, pela Universidade de São Paulo (USP).

Faz a sua estreia literária em 1999, com o romance A Espera do Nunca Mais, uma saga amazônica de 876 páginas.

No Pará, proclamou o historiador, folclorista e crítico Vicente Salles:

“Com A Espera do Nunca Mais, pela primeira vez temos, na ficção, o caboclo como agente da história, o índio que se destribalizou, que vive entre dois universos que se opõem e se excluem.” (“O caboclo como agente da história”. A PROVÍNCIA DO PARÁ, Belém, PA, 15 mar. 2000)

No Rio de Janeiro, escreveu a poeta e crítica Olga Savary:

“É uma alegria quando nos deparamos com um livro como A Espera do Nunca Mais, esta extraordinária saga amazônica, narrada com sedução, seriedade, poesia. Forma e estilo são impecáveis nessa estreia, que nem estreia parece, de tão madura. Uma lição de literatura e de brasilidade.” (“Amazonense faz boa ficção com ‘anos de chumbo’ e choques entre culturas”. O GLOBO, Caderno Prosa & Verso, Rio de Janeiro, RJ, 3 mar.2001)

Em São Paulo, escreveu o jornalista, professor e crítico Oscar D’Ambrosio:

A Espera do Nunca Mais desafia e devora o leitor desde o início. Feito sucuriju, abre sua bocarra e obriga a penetrar num universo denso. Não adianta resistir. Uma vez dentro da boca deste livro-serpente, o destino é conhecer os seus interstícios plenos de um fazer artístico solidamente urdido, elaborado com mãos de mestre.” (“Uma extensa e densa aula de Amazônia”. JORNAL DA TARDE, Caderno de Sábado, São Paulo, SP, 20 maio 2000)

Em 2000, A Espera do Nunca Mais conquista o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 Anos, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de Janeiro), ocasião em que conhece pessoalmente o escritor e crítico Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras, que sobre A Espera do Nunca Mais escreveu:

“Eis um romance que invade a literatura brasileira com a força de um fenômeno da natureza. Trata-se de uma saga amazônica chamada A Espera do Nunca Mais. Seu autor, Nicodemos Sena, tem o domínio da narrativa de ação e o talento de criar gente. Seus personagens representam a Amazônia com sua largueza e sua mistura, caboclo e floresta unidos num ecossistema geográfico-humano que retrata a nossa mais desconhecidamente forte região em que o Brasil se firma e se revela. É romance que deve ser lido. Nele, realidade e lenda se juntam com naturalidade. As palavras formam um estilo ínsito à grandeza das paisagens que descreve.” (JORNAL DE LETRAS, Rio de Janeiro, RJ, jan. 2001)

Em 2002, Nicodemos Sena aparece no Dossier Amazónico publicado na revista literária portuguesa “Construções Portuárias” (nº01), no qual foi incluído um trecho do inédito A Noite é dos Pássaros, ao lado de importantes escritores da Amazônia, entre os quais Haroldo Maranhão, Max Martins, João de Jesus Paes Loureiro, Vicente Franz Cecim, Age de Carvalho, Jorge Henrique Bastos, Antônio Moura, Paulo Plínio Abreu, Benedicto Monteiro, Rosângela Darwich e Benedito Nunes.

De 3 de abril a 31 de julho de 2003, A Noite é dos Pássaros é publicado em forma de folhetim, em dezoito episódios semanais, no jornal “O Estado do Tapajós” (Santarém do Pará) e na revista eletrônica portuguesa “TriploV”. Ainda em 2003,A Noite é dos Pássarosé publicado em formato livro (Ed. Cejup). No mesmo ano, fragmento de A Noite é dos Pássaros é publicado nas revistas “Palavra em Mutação nº02” e “Storm-Magazine”, ambas de Portugal.

Ainda em 2003, A Noite é dos Pássaros conquista o prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras, e, em 2004, Menção Honrosa no prêmio José Lins do Rego, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de Janeiro).

Nicodemos Sena é nome reconhecido dentro e fora da Amazônia, tornando-se verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (edição conjunta da Global Editora, Fundação Biblioteca Nacional, DNL, Academia Brasileira de Letras, 2ª edição, 2001). Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, incluiu Nicodemos Sena em sua História da Literatura Brasileira — da Carta de Caminha aos Contemporâneos, entre os “grandes nomes na ficção surgidos no Brasil após a década de 1970” (Cap. 35, pág. 900, Fundação Biblioteca Nacional, RJ).

Nicodemos Sena é um dos 81 escritores analisados pela professora Nelly Novaes Coelho, titular de Literatura da Universidade de São Paulo (USP), no livro Escritores Brasileiros do Século XX — Um Testamento Crítico(LetraSelvagem, SP, 2013).

Pelo estilo vigoroso e temática inspirada na vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos), Nicodemos Sena já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos, João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos e o peruano José María Arguedas.

O terceiro romance de Nicodemos Sena, A Mulher, o Homem e o Cão (2009), foi incluído entre as “78 DICAS” do Guia da FOLHA, suplemento cultural do jornal “Folha de São Paulo” (29.05.2009).

Tendo nascido na Amazônia, região “periférica” em relação aos centros nervosos do capitalismo globalizado (Estados Unidos da América, Europa e, em termos de Brasil, o Sul-Sudeste do país), conviveu desde cedo com as injustiças praticadas pelas oligarquias locais contra indígenas e caboclos, do que resultou um sentimento de revolta, inicialmente vago e finalmente insuportável, que o compeliu a lançar-se contra os “homens injustos” e o Deus que parecia não se compadecer do sofrimento dos pobres.

Na cosmopolita e conflagrada São Paulo, em seu primeiro emprego na indústria têxtil no bairro do Ipiranga, conheceu gente desenraizada e “fora do lugar” como ele, fugitiva da seca do Nordeste ou da polícia, mas disposta a trabalhar e perseguir os seus ideais. No cortiço onde se recolhia após o trabalho diário e a escola noturna, conheceu “seres da noite” semelhantes aos que, mais tarde, povoariam os seus romances. Seres que se movem nas sombras (na selva amazônica ou na “selva” de asfalto) e não deixam rastro; variada e difusa fauna humana de mamelucos, cafuzos e brancos pobres, que, premidos pela necessidade e circunstâncias, veem-se convertidos em ladrões, prostitutas e, entre estes, um ou outro operário que não desiste de sonhar com o “futuro”.

Com tal bagagem existencial, filosófica e humana, extraída da Vida, e mais a vontade indomável de se elevar por meio do conhecimento e dos livros, Nicodemos Sena logrou entrar, em 1979, para o curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde, municiado pela literatura marxista-leninista, engaja-se no movimento estudantil e dos trabalhadores contra a miséria e a opressão impostas pelo grande capital em sua forma mais atroz (a ditadura militar implantada em 1964).

Em 1981/1982, participa da campanha de criação do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1993, ao resolver dedicar-se à sua vocação de escritor, desliga-se do PT e passa a defender uma literatura “universal, sim, compreensível a todos os homens do mundo, mas que não renegue as marcas da cultura brasileira”, como afirmou numa entrevista.

Como diretor da União Brasileira de Escritores (UBE/SP) participa, em 2011, da organização do Congresso Brasileiro de Escritores realizado em Ribeirão Preto (SP).

Com o golpe político das elites de 2016, que depôs a Presidenta Dilma Rousseff e ataca os direitos dos trabalhadores, Nicodemos Sena volta à militância política de esquerda, sem deixar de lado a literatura.

Mora, atualmente, em Pindamonhangaba-SP.

***
 Título: “CHORO POR TI, BELTERRA!”
Autor: Nicodemos Sena
Editora: LETRASELVAGEM
ISBN 978-85-61123-23-9
Tamanho: 14 x 21 cm. (Brochura)
1ª edição
192 páginas
Preço: R$30,00

***

LETRASELVAGEM: Caixa Postal 63, CEP 12.400-970, PINDAMONYHANGABA-SP/Brasil. Telefones: (12) 3635-3769 / (12) 992033836 (WhatsApp)
letraselvagem@uol.com.br


** *

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CONVITE: LETRASELVAGEM & CASA DAS ROSAS

LETRASELVAGEM & CASA DAS ROSAS
Convidam para o lançamento do romance

“Sombras sobre a terra”,

do uruguaio  Francisco “Paco” Espínola

Data: 16 de novembro de 2016 (quarta-feira), às 18h30.
Local: Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura). Av. Paulista, 37 (Metrô Brigadeiro) - São Paulo/SP - Brasil. Entrada franca.

FORMATO DO EVENTO:
1ª Parte: Na abertura do evento, o autor uruguaio e sua obra serão apresentados pelos escritores e críticos brasileiros Carlos Felipe Moisés, Ronaldo Cagiano, Erorci Santana (tradutor) e Joaquim Maria Botelho, com a participação especial do escritor e crítico uruguaio Leonardo Garet, que também discorrerão sobre o tema: “A América Latina através da Literatura de Ficção”.
2ª Parte: Sessão de autógrafos.

SOBRE O AUTOR:

Francisco Espínola (“Paco”, como os amigos o chamavam) nasceu em São José de Mayo, em 4 de outubro de 1901, no seio de uma família de tradição blanca, abraçando ele a mesma divisa, até que, em 1962, se filiou à esquerda. Foi docente, crítico literário e teatral. Combateu contra a ditadura de Gabriel Terra e amargou prisão em Paso Morlán em 1935. Curiosamente, seus captores o reconheceram e felicitaram por Sombras sobre a terra.
Francisco Espínola fez parte de uma geração que vivia num ritmo lento e podia passar largas horas conversando no bar. O poeta Alfredo Mario Ferreiro, um dos amigos de Paco, recordou num artigo que costumavam ouvi-lo e houve vezes em que Espínola falava por espaço de oito a dez horas. E parecia um minuto. Vestia-se sempre de escuro com gravata e colarinho quebrado, usado em camisas destinadas a trajes formais como o smoking, fortemente engomado, com as pontinhas de pé, modelo popular no início da década de 1900. Em suas fotos e caricaturas, Paco aparece sempre com um aspecto severo e formal, porém sua figura torna-se plena de sensibilidade quando os que o conheceram falam dele e de suas numerosas anedotas.
Morreu na madrugada de 27 de julho de 1973, ao mesmo tempo em que morria a democracia em seu país. Todos o choraram em silêncio, enquanto nas rádios troavam as marchas militares.
Espínola era um incansável trabalhador da palavra, tornando-se de imediato reconhecido não só pelos voos da imaginação e profundidade moral de seus textos, como também pelo esmero com que os tecia, carreando, de imediato, para Raza ciega (primeira coletânea de contos, 1926), o unânime elogio da crítica. Alberto Zum Felde, o principal crítico uruguaio da época, viu similitudes entre o novel escritor uruguaio e o genial autor de Crime e Castigo. Fato notável é que Sombras sobre la tierra, vazado em gênero mais complexo, sete anos depois de Raza ciega, surge impregnado do mesmo “sentido do profundo”.

SOBRE A OBRA:

Nessa narrativa candente e de profundo mergulho existencial, o protagonista é um órfão de pai assassinado e de mãe vítima da tuberculose, falecida após longo padecimento. É num imenso e solitário casarão, onde passa seus dias, cuidado pela negra Basília, que Juan Carlos experimenta uma errância e uma insularidade psicológica e interior, enfrentando desde cedo os perigos do mundo, crescendo à revelia de valores, encurralado por uma realidade crucial que o move numa luta para defender-se dos abismos, vícios, delitos e impossibilidades ofertados pelo quotidiano miserável. 
Numa espécie de marginalidade social e moral, a dilacerante experiência de abandono é tratada pelo autor com uma pródiga carga de solidariedade com seu personagem. No espaço-tempo em que emergem os dilemas e dramas do jovem Juan Carlos, as figuras do pai e da mãe são evocadas não apenas como lembrança, mas como instância questionadora e de apaziguamento. Numa cena, diante de sua amante, a prostituta Nena, em cujo rosto amplifica a imagem de sua mãe, ele acaba por expiar-se, como num processo de auto-imolação, na captura de uma memória ancestral, em que afloram sentimentos e afetos que se (con)fundem numa mesma e desesperada tentativa de se reconhecer e se inquietar diante do seu destino tumultuado, traçado pela prostituta, como um caminho indesviável.
Sombras sobre a terra (1933) é um romance paradigmático, pois encontra parentesco com a temática encontrada em Juan Carlos Onetti, de Junta-cadáveres; em Alejo Carpentier, de Os passos perdidos; no Vargas Llosa, de Pantaleão e as visitadoras, ou ainda em José Donoso, de O obscuro pássaro da noite, obras que, no mesmo diapasão, tratam com pungente realismo a vida e as relações nos prostíbulos. Ainda, nos descortinam o mundo e a natureza dos apartados e marginalizados que não conseguem debelar o vazio e a agonia de suas vidas. Ao mesmo tempo, esse romance-catarse de Espínola instaura uma discussão sobre o eterno embate entre o Bem e o Mal, entre o Centro e a Periferia, uma vez que, na esfera onde transcorre todo o romance, há o enfrentamento do personagem com as extremidades do espaço geográfico que o confina, num povoado dividido entre o Centro e o Baixo, numa alegórica simbologia das dicotômicas divisões que caracterizam a vida das cidades e dos povos, ou uma metáfora do maniqueísmo invocado nas relações humanas, onde Céu e Inferno, Carne e Espírito, Sagrado e Profano convivem em esquizofrênica simbiose.
Francisco (Paco) Espínola é um autor fundamental para a consolidação de uma consciência estética e uma fiel apreensão da nossa latinidade. Com este monumental Sombras sobre a terra, na impecável tradução de Erorci Santana, junta-se a outros autores que tradicionalmente popularizaram o melhor da novelística uruguaia do século 20 (como Ángel Rama, Eduardo Galeano, Enrique Amorim, Felisberto Hernández, Horacio Quiroga, Juan Carlos Onetti, Mario Arregui, Mario Benedetti, Ricardo Güiraldes e Rômulo Gallegos), familiarizando-nos com o contexto histórico, geográfico, social e psicológico, de modo que possamos compreender o caráter e a formação da identidade e dos valores desse imenso, polifônico e trágico continente, com seu dualismo, sua fragmentação e seus sortilégios, com uma perturbadora – e ao mesmo tempo poética –  dimensão humanista. (Texto de “orelhas” do escritor e crítico brasileiro Ronaldo Cagiano).

Título: “SOMBRAS SOBRE A TERRA” (romance)
Autor: Francisco Espínola
Editora: LETRASELVAGEM
Edioma: Português
ISBN 978-85-61123-20-8
360 pág.
14 x 21 (Brochura)
1ª Edição / 2016
Preço: R$40,00

________________________________________________________
LETRASELVAGEM: Estrada Municipal Jesus Antônio de Miranda, 1301, Caixa Postal 63, Bairro Ribeirão Grande, CEP 12.400-970, PINDAMONHANGABA-SP/ BRASIL.
Telefones: (12) 99634-5623 / (12) 99203-3836.
letraselvagem@letraselvagem.com.br

* * *