LETRASELVAGEM e ESPAÇO CULTURAL CORTEZ EDITORA
convidam
para o lançamento do livro
“CHORO POR TI, BELTERRA!”
de Nicodemos Sena
Data: 24 de agosto de 2017 (quinta-feira), às 19 horas.
Local: Espaço Cultural Cortez Editora, Rua Bartira 317,
Perdizes - São Paulo/SP – Brasil (ao lado do TUCA e da PUC).
Entrada Franca.
A OBRA
Em 19 episódios, Nicodemos Sena reconstitui o dia em que fez
a viagem de retorno às origens, em companhia de seu pai, depois de um percurso
de algumas horas pela rodovia Santarém-Cuiabá, até entrar numa estradinha de
terra que leva à Estrada Um e, enfim, às ruínas da cidadezinha de Belterra, que
na década de 1940 fora dirigida pela Ford Motor Company, empresa do magnata
norte-americano Henry Ford (1863-1947), que, em plena Segunda Guerra Mundial
(1939-1945), tentaria fazer da extração da borracha uma atividade lucrativa,
fornecendo os pneumáticos necessários para movimentar os veículos militares.
Não se pode dizer que se trata de um romance nem
tampouco de um conto que se tenha derramado por causa de uma prosa poética. Não
é também uma simples reportagem, pois não constitui a mera literalização dos
acontecimentos de um dia na estrada. Neste caso, cada encontro no caminho com
esporádicos moradores perdidos naquelas paragens do Brasil profundo serve como
motivo para um ou mais comentários, como aquele episódio em que o cronista se
depara, em meio ao tórrido calor do meio-dia amazônico, dentro de um casebre em
que não havia água encanada e muito menos tratada, com uma menina que não
parava de manipular a tela de um telefone celular.
É, isso sim, um texto híbrido que se assume como
uma crônica repassada de lirismo, uma narração das vicissitudes vividas pelo
narrador em companhia do pai, que faz, com a ajuda do filho, uma viagem de
retorno à infância para reencontrar todos os fantasmas que ainda assolam seus
pensamentos.
Ou ainda uma narrativa poética que, ao reunir
musicalidade e metaforização, faz com que o narrador desfie o novelo da
memória, em tom de conversa com o leitor em que não dispensa nem mesmo citações
de autores, como o português Fernando Pessoa (1888-1935), o colombiano Gabriel
García Márquez (1927-2014), o mexicano Juan Rulfo (1917-1986) e o norte-americano
William Faulkner (1897-1962). Como se sabe, o que une esses autores de
nacionalidades tão distintas é a construção metafórica de um lugar mítico, que
existe só na alma do próprio autor, como “o rio da minha aldeia” do heterônimo
pessoano Alberto Caeiro.
Em resumo, o texto dialoga com o mito do eterno retorno, ao
praticar a intertextualidade com discursos canônicos, reconstruindo, dessa
forma, metáforas da precária condição humana.
Autor de livros que já se tornaram referências
obrigatórias dentro da Literatura Brasileira, como os romances A Espera do
Nunca Mais (1999), A Noite é dos Pássaros (2003) e A
Mulher, o Homem e o Cão (2009), trilogia que constitui uma saga amazônica,
Nicodemos Sena mostra em Choro por ti, Belterra! que pode ser também
considerado um cronista da estirpe de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987),
Rubem Braga (1913-1990) ou Fernando Sabino (1923-2004).
A diferença é que, em vez da fugacidade dos
registros do cotidiano das ruas do Rio de Janeiro que se leem nas crônicas
daqueles grandes mestres, o que o leitor descobrirá nestes episódios é não só a
Amazônia que é vista ainda como exuberante paraíso tropical, mas também aquela
que governantes corruptos permitiram que continuasse a ser destruída, tomada por
aventureiros “gananciosos e cruéis, os quais, sem escrúpulos, saqueiam e
depredam os bens da terra, auxiliados por ‘mucamas’ e ‘mordomos’ (degenerados
filhos da terra) que, a troco de migalhas e posições, passaram-se para o lado
dos inimigos”. (Texto das orelhas do livro, de autoria de Adelto Gonçalves,
escritor, jornalista, doutor em Literatura Portuguesa pela U SP-Universidade de
São Paulo)
O AUTOR
Nicodemos (Neves) Sena nasceu no município de Santarém, em
08.07.1958, e passou a infância entre índios e caboclos do Rio Maró, região de
fronteira entre os estados do Pará e Amazonas (Amazônia brasileira),
experiência que marcaria para sempre a sensibilidade do escritor identificado
com a terra e os povos da Amazônia.
Em 1977, vem para São Paulo e aí se forma em Jornalismo,
pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), e em Direito, pela Universidade de
São Paulo (USP).
Faz a sua estreia literária em 1999, com o romance A
Espera do Nunca Mais, uma saga amazônica de 876 páginas.
No Pará, proclamou o historiador, folclorista e crítico
Vicente Salles:
“Com A Espera do Nunca Mais, pela primeira vez temos,
na ficção, o caboclo como agente da história, o índio que se destribalizou, que
vive entre dois universos que se opõem e se excluem.” (“O caboclo como agente
da história”. A PROVÍNCIA DO PARÁ, Belém, PA, 15 mar. 2000)
No Rio de Janeiro, escreveu a poeta e crítica Olga Savary:
“É uma alegria quando nos deparamos com um livro como A
Espera do Nunca Mais, esta extraordinária saga amazônica, narrada com sedução,
seriedade, poesia. Forma e estilo são impecáveis nessa estreia, que nem estreia
parece, de tão madura. Uma lição de literatura e de brasilidade.” (“Amazonense
faz boa ficção com ‘anos de chumbo’ e choques entre culturas”. O GLOBO, Caderno
Prosa & Verso, Rio de Janeiro, RJ, 3 mar.2001)
Em São Paulo, escreveu o jornalista, professor e crítico
Oscar D’Ambrosio:
“A Espera do Nunca Mais desafia e devora o leitor desde
o início. Feito sucuriju, abre sua bocarra e obriga a penetrar num
universo denso. Não adianta resistir. Uma vez dentro da boca deste
livro-serpente, o destino é conhecer os seus interstícios plenos de um fazer
artístico solidamente urdido, elaborado com mãos de mestre.” (“Uma extensa e
densa aula de Amazônia”. JORNAL DA TARDE, Caderno de Sábado, São Paulo,
SP, 20 maio 2000)
Em 2000, A Espera do Nunca Mais conquista o Prêmio
Lima Barreto/Brasil 500 Anos, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de
Janeiro), ocasião em que conhece pessoalmente o escritor e crítico Antonio
Olinto, da Academia Brasileira de Letras, que sobre A Espera do Nunca Mais escreveu:
“Eis um romance que invade a literatura brasileira com a
força de um fenômeno da natureza. Trata-se de uma saga amazônica chamada A
Espera do Nunca Mais. Seu autor, Nicodemos Sena, tem o domínio da narrativa de
ação e o talento de criar gente. Seus personagens representam a Amazônia com
sua largueza e sua mistura, caboclo e floresta unidos num ecossistema
geográfico-humano que retrata a nossa mais desconhecidamente forte região em
que o Brasil se firma e se revela. É romance que deve ser lido. Nele, realidade
e lenda se juntam com naturalidade. As palavras formam um estilo ínsito à
grandeza das paisagens que descreve.” (JORNAL DE LETRAS, Rio de Janeiro, RJ,
jan. 2001)
Em 2002, Nicodemos Sena aparece no Dossier Amazónico publicado
na revista literária portuguesa “Construções Portuárias” (nº01), no qual foi
incluído um trecho do inédito A Noite é dos Pássaros, ao lado de
importantes escritores da Amazônia, entre os quais Haroldo Maranhão, Max
Martins, João de Jesus Paes Loureiro, Vicente Franz Cecim, Age de Carvalho,
Jorge Henrique Bastos, Antônio Moura, Paulo Plínio Abreu, Benedicto Monteiro,
Rosângela Darwich e Benedito Nunes.
De 3 de abril a 31 de julho de 2003, A Noite é dos
Pássaros é publicado em forma de folhetim, em dezoito episódios
semanais, no jornal “O Estado do Tapajós” (Santarém do Pará) e na revista
eletrônica portuguesa “TriploV”. Ainda em 2003,A Noite é dos Pássarosé
publicado em formato livro (Ed. Cejup). No mesmo ano, fragmento de A Noite
é dos Pássaros é publicado nas revistas “Palavra em Mutação nº02” e
“Storm-Magazine”, ambas de Portugal.
Ainda em 2003, A Noite é dos Pássaros conquista o
prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras, e, em 2004, Menção Honrosa
no prêmio José Lins do Rego, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de
Janeiro).
Nicodemos Sena é nome reconhecido dentro e fora da Amazônia,
tornando-se verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, direção de
Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (edição conjunta da Global Editora,
Fundação Biblioteca Nacional, DNL, Academia Brasileira de Letras, 2ª edição,
2001). Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, incluiu Nicodemos Sena
em sua História da Literatura Brasileira — da Carta de Caminha
aos Contemporâneos, entre os “grandes nomes na ficção surgidos no Brasil após a
década de 1970” (Cap. 35, pág. 900, Fundação Biblioteca Nacional, RJ).
Nicodemos Sena é um dos 81 escritores analisados pela
professora Nelly Novaes Coelho, titular de Literatura da Universidade de São
Paulo (USP), no livro Escritores Brasileiros do Século XX — Um
Testamento Crítico(LetraSelvagem, SP, 2013).
Pelo estilo vigoroso e temática inspirada na vida das
populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos), Nicodemos Sena já
foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos, João
Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, e a importantes
ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos e o peruano
José María Arguedas.
O terceiro romance de Nicodemos Sena, A Mulher, o Homem
e o Cão (2009), foi incluído entre as “78 DICAS” do Guia da FOLHA,
suplemento cultural do jornal “Folha de São Paulo” (29.05.2009).
Tendo nascido na Amazônia, região “periférica” em relação
aos centros nervosos do capitalismo globalizado (Estados Unidos da América,
Europa e, em termos de Brasil, o Sul-Sudeste do país), conviveu desde cedo com
as injustiças praticadas pelas oligarquias locais contra indígenas e caboclos,
do que resultou um sentimento de revolta, inicialmente vago e finalmente
insuportável, que o compeliu a lançar-se contra os “homens injustos” e o Deus
que parecia não se compadecer do sofrimento dos pobres.
Na cosmopolita e conflagrada São Paulo, em seu primeiro
emprego na indústria têxtil no bairro do Ipiranga, conheceu gente desenraizada
e “fora do lugar” como ele, fugitiva da seca do Nordeste ou da polícia, mas
disposta a trabalhar e perseguir os seus ideais. No cortiço onde se recolhia
após o trabalho diário e a escola noturna, conheceu “seres da noite”
semelhantes aos que, mais tarde, povoariam os seus romances. Seres que se movem
nas sombras (na selva amazônica ou na “selva” de asfalto) e não deixam rastro;
variada e difusa fauna humana de mamelucos, cafuzos e brancos pobres, que,
premidos pela necessidade e circunstâncias, veem-se convertidos em ladrões,
prostitutas e, entre estes, um ou outro operário que não desiste de sonhar com
o “futuro”.
Com tal bagagem existencial, filosófica e humana, extraída
da Vida, e mais a vontade indomável de se elevar por meio do conhecimento e dos
livros, Nicodemos Sena logrou entrar, em 1979, para o curso de Jornalismo da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde, municiado pela literatura
marxista-leninista, engaja-se no movimento estudantil e dos trabalhadores
contra a miséria e a opressão impostas pelo grande capital em sua forma mais
atroz (a ditadura militar implantada em 1964).
Em 1981/1982, participa da campanha de criação do Partido
dos Trabalhadores (PT). Em 1993, ao resolver dedicar-se à sua vocação de
escritor, desliga-se do PT e passa a defender uma literatura “universal, sim,
compreensível a todos os homens do mundo, mas que não renegue as marcas da
cultura brasileira”, como afirmou numa entrevista.
Como diretor da União Brasileira de Escritores (UBE/SP)
participa, em 2011, da organização do Congresso Brasileiro de Escritores
realizado em Ribeirão Preto (SP).
Com o golpe político das elites de 2016, que depôs a
Presidenta Dilma Rousseff e ataca os direitos dos trabalhadores, Nicodemos Sena
volta à militância política de esquerda, sem deixar de lado a literatura.
Mora, atualmente, em Pindamonhangaba-SP.
***
Título: “CHORO POR TI, BELTERRA!”
Autor: Nicodemos Sena
Editora: LETRASELVAGEM
ISBN 978-85-61123-23-9
Tamanho: 14 x 21 cm. (Brochura)
1ª edição
192 páginas
Preço: R$30,00
***
LETRASELVAGEM: Caixa Postal 63, CEP 12.400-970,
PINDAMONYHANGABA-SP/Brasil. Telefones: (12) 3635-3769 / (12) 992033836
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