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sábado, 2 de outubro de 2021


LIVRO O GIGANTE E A BICICLETA

DE FERNANDO LEITE MENDES 

SERÁ LANÇADO PELA ALI DIA 14

 


           O livro O Gigante e a Bicicleta e Outras Belas Crônicas, de Fernando Leite Mendes, coletânea organizada por Cyro de Mattos e Ivo Korytowski para resgatar a memória e o valor do esquecido cronista ilheense será lançado pela Academia de Letras de Ilhéus, online, no dia 14 de outubro, às 19 horas.

          O lançamento remoto contará com a participação de Pawlo Cidade (mediador), Cyro de Mattos, Ivo Koritowski, Jane Hilda Badaró e Wilson Leite Mendes, o filho do cronista.

          O livro traz capa da desenhista Jane Hilda Badaró e tem o selo editorial da Via Litterarum, do editor Agenor Gasparetto. Para o escritor e poeta Cyro de Mattos, Fernando Leite Mendes, que nos deixou aos 48 anos, nada deve aos cronistas melhores de sua época, década de 50 no Rio de Janeiro, como Carlinhos Oliveira, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Drummond, Carlos Heitor Cony, Stanislaw Ponte Preta, Fernando Sabino, Rachel de Queiroz e outros astros da crônica brasileira. 

           A antologia O Gigante e a Bicicleta e Outras Belas Crônicas é acrescida de prefácio, depoimentos e pesquisa iconográfica realizada pelos organizadores.  

          Cyro de Mattos é autor de vasta obra, de vários gêneros, membro das Academias de Letras da Bahia, de Ilhéus e de Itabuna, Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz, também editado no exterior, além de detentor de prêmios importantes. Publica quinzenalmente uma crônica na revista virtual da crônica RUBEM, de Curitiba.  

         Ivo Korytowski é jornalista, tradutor e romancista premiado pela União Brasileira de Escritores (Rio). Reside em São Paulo. É o editor dos conceituados blogs Literatura & Rio de Janeiro & São Paulo e Sopa no Mel. Para selecionar as crônicas que compõem esse livro póstumo, seus organizadores fizeram ampla pesquisa na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. 


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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

FERNANDO LEITE MENDES, O CRONISTA A SE RESGATAR



Fernando Leite Mendes, o cronista a se resgatar

Henrique Fendrich*

 

Uns querem a crônica alienada como um poema informal e libertado. Outros preferem fazê-la fragmento de conto e nada mais. Pois de mim a crônica faz o que ela quer. (Fernando Leite Mendes)

 

          Há um time de grandes cronistas mais ou menos célebres, tido como a “geração de ouro da crônica”, mas também há nomes que ficaram esquecidos com o passar dos anos e cujo resgate pode evidenciar que eles não faziam feio em meio aos “medalhões” do gênero. Cyro de Mattos e Ivo Korytowski se propuseram a resgatar um desses nomes, o jornalista e escritor baiano Fernando Leite Mendes (1931-1980), de atuação na TV Tupi, e organizaram “O gigante e a bicicleta e outras belas crônicas” (Via Litterarum, 2020), obra que dá boas mostra da produção desse cronista.

          Fernando é cronista que se destaca pela elegância da sua linguagem e pela cultura de suas referências, assemelhando-se, nisso, ao Henrique Pongetti, outro cronista de sucesso e talento que, no entanto, mal é lembrado nos dias de hoje. Fernando apresenta notável acento lírico, como aquele que mais se valoriza em cronistas como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Algumas de suas crônicas são perfeitos poemas em prosa (vide “A monja e os sinos”).

          A exemplo de Paulo Mendes Campos, ele também usa a crônica como forma de fazer certos exercícios poéticos, entre os quais se destaca “Uma carga de esperança”, crônica sobre um caminhão em que viajavam várias freiras. A partir disso, o cronista parte para especulações líricas sobre aquele evento, nas quais revela a visão mais humanizada que tinha da religião. Há ainda “A alma e a carta”, verdadeiro esparramo lírico a valorizar o “literário” na crônica.

          Fernando Leite Mendes também se mostra um grande criador de cenários. A partir de um evento específico (o despejo de uma velha senhora, um suicídio na Torre Eiffel), ele como que dá um giro de 360 graus para retratar o entorno e assim mostrar tudo o que acontece conjuntamente à história que relata. A sensibilidade do seu olhar deixa essas pequenas histórias ainda mais bonitas.

          Também ele se ocupa de notícias dos jornais, também ele capta, em meio a fatos frios e objetivos, a centelha de vida e poesia que merece ser eternizada, subvertendo os valores-notícia que costumam orientar a produção jornalística. “O burro sumiu” lembra muito a forma como o Braga tratava as notícias. Nem se diga que não estava atento aos eventos do seu tempo, mas mesmo a ditadura recém-inaugurada recebeu dele não um artigo, e sim uma crônica em forma de alegoria, a sua defesa, como cronista, diante da tirania vigente.

          A passagem do tempo, indissociável ao próprio conceito de crônica, também não lhe escapa, e, como é tradição, também há aqui e ali um passarinho (se bem que o fim deles possa não ser muito bom nas crônicas de Fernando). Às vezes, a crônica exigia um conto infantil de Fernando, às vezes uma história divertida do cotidiano, uma análise brejeira dos costumes da sociedade, e dessas obrigações todas o escritor não se furtava e as realizava a contento.

          Fernando cultivou a crônica com paixão durante grande parte da vida e essa pequena mostra evidencia o seu talento e o acerto do seu resgate.

*Henrique Fendrich,

jornalista, cronista,

editor da Revista

da Crônica Rubem,

Curitiba

 

** Fernando Leite Mendes 

é baiano nascido em Ilhéus. 

Homem de inteligência inquieta, 

cronista maior esquecido, 

atuou com destaque na televisão, 

teatro, cinema, rádio e jornal, 

na década de 1950, Rio de Janeiro. 

Orador contagiante, 

com ele a palavra estava 

de bem com a vida. 

(Cyro de Mattos)

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