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domingo, 14 de janeiro de 2018

DIÁRIO DE VIAGEM – Francisco Benício dos Santos (8)

BORDO DO PEDRO II 
22º DIA

Hotel del Plata.
Hospedo-me.
Visitas aos correspondentes de Castro C., que me receberam carinhosamente, facilitando-me tudo nesta grande metrópole.
Banco do Brasil. Carta de crédito. Peso, aqui já não vale o mil réis, é preciso cambiá-lo.
Sou brasileiro-estrangeiro.
Embaixador do Brasil.
Facilidades, gentilezas, camaradagens.
Resolvo demorar-me aqui até o dia trinta
Em oito dias  observarei alguma coisa.
Vejo, analiso, estudo, comparo, deduzo.
E  pelo que observei, até agora nada que se compare ao meu país.
Felicito-me em ser brasileiro.
Parabéns a mim mesmo.
......
 24º DIA

Gente estranha, língua estranha, comidas exóticas.
Cardápio em francês...
Pensava que era somente costume brasileiro.
Gente antipática, carregadores, garçons exploradores...
Passeio com o secretário da Delegação do Brasil, o Dr. Albuquerque. -  Avenida de Maio, Avenida Alvear, Faculdade de Ciências Médicas. Calle – Flóridas.
À noite teatro Colon, representação do Fausto por uma Companhia lírica italiana.
Luxo oriental.
Senhoras elegantíssimas.
Cavalheiros irrepreensíveis.
Cassino.
Tangos dolentes e orquestras típicas.
Luzes, champagne, muito jogo, muita perdição.
Danças lascivas.
Mulheres “muchachas” semi-nuas...
Impudentes, velhacas, matreiras.
Vendem tudo:
Alma, corpo, sentimentos.
Tudo podre, tudo vil, tudo material.
É a vida com todas as suas nuances e com todos os seus contrastes.
Cegos a conduzirem cegos.
Hipócritas a se fazerem de santos.
Pobres a se fazerem de ricos.
Ridículos sem o saberem nem perceber.
E a morte os espreitando, como se fora imensa furna a espera-los na passagem, para atirá-los  aos seus abismos...
E a vida continua...
E a morte ceifa...
Os dias sucedem  as noites.
Sempre os mesmos panoramas,
as mesmas ilusões
os mesmos sonhos
e a dura realidade afinal...

(AQUARELAS E RECORDAÇÕES Capítulo XXII)
Francisco Benício dos Santos

* * *