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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
O QUE SIGNIFICA SER CATÓLICO?
O Presidente, o Cardeal e a Comunhão para os políticos
pró-aborto
Luiz Sérgio Solimeo*
Nesta era de secularismo, quando a vida política é separada
da vida religiosa, é louvável que um presidente dos Estados Unidos se apresente
como um católico praticante e participe publicamente dos sacramentos da Igreja.
No entanto, o catolicismo do presidente Biden é sui
generis. Ele não segue a doutrina e a moral católica a respeito do aborto
provocado e do pecado homossexual.
Contraste com a Doutrina Católica
Ao longo de sua carreira política, incluindo as eleições
gerais de 2020, o Sr. Biden [foto acima] favoreceu a legalização do aborto
voluntário. Nos anos mais recentes, ele abraçou o “casamento” entre pessoas do
mesmo sexo, oficiando um na qualidade de vice-presidente.
Após a posse, seu governo emitiu um comunicado especificando
seu apoio ao aborto e à contracepção, não apenas nos Estados Unidos, mas em
todo o mundo:
“Nos últimos quatro anos, a saúde reprodutiva, incluindo o
direito de escolha, tem estado sob ataque implacável e extremo. … A
administração Biden-Harris [foto acima] está empenhada em regulamentar (a
decisão da Suprema Corte) Roe v. Wade e nomear juízes que respeitem
precedentes fundamentais como Roe. Também nos comprometemos a nos empenhar
no trabalho para eliminar as disparidades entre saúde materna e infantil,
aumentar o acesso à contracepção e apoiar economicamente as famílias para que
todos possam criar suas famílias com dignidade [sic]. Este compromisso se
estende ao nosso trabalho crítico em relação aos padrões de qualidade da saúde
em todo o mundo”.(1)
Com relação à homossexualidade e ao “transgenerismo”, é bem
conhecida a inclinação pró-LGBT nas nomeações de membros de seu gabinete e para
posições em nível de gabinete. O Sr. Biden também assinou uma ordem
executiva afirmando que a política de seu governo é que “as crianças devem poder
estudar sem se preocupar se o acesso ao banheiro, ao vestiário ou
esportes escolares vai-lhes ser negado (por causa de seu sexo “escolhido”)”
(2). Da mesma forma, ele restabeleceu o “ transgenerismo” nas Forças
Armadas(3), e, de acordo com Antony Blinken, seu agora confirmado Secretário de
Estado, “ele planeja nomear rapidamente um emisário internacional LGBT, [e]
permitir às embaixadas hastear a bandeira do orgulho (homossexual)”.(4)
Aquele que não aceita totalmente toda a doutrina da Igreja
não é católico
O aborto voluntário, o pecado homossexual e o
“transgenerismo” são, sem sombra de dúvida, contrários à doutrina e à moral
católicas. A Escritura e a Tradição, assim como o Magistério eclesiástico não
deixam margem a discussão a esse respeito.[5]
Ora, um católico deve aceitar totalmente e seguir os
ensinamentos dogmáticos da Igreja bem como as verdades morais reveladas por
Deus. Portanto, quem rejeita uma só dessas verdades reveladas, seja de natureza
dogmática ou moral, rejeita todo o depósito da Fé e se expulsa da Igreja. Cada
verdade revelada, sem exceção, deve ser aceita.
É o que ensina o Papa Leão XIII na encíclica Satis
Cognitum, sobre a unidade da Igreja:
(A Igreja sempre) considerou rebeldes declarados e expulsou
de seu seio a todos aqueles que não pensam como Ela sobre qualquer ponto de sua
doutrina.…
….aquele que num único ponto recusa o seu assentimento às
verdades divinamente reveladas abdica realmente de toda a fé, pois recusa-se a
submeter-se a Deus na medida em que Ele é a verdade soberana e o motivo próprio
da fé.(6)
“Que ele seja tido por gentio e publicano”
Por sua vez, em sua encíclica Mystici Corporis Christi,
o Papa Pio XII afirmou:
“Como membros da Igreja contam-se realmente só aqueles que
receberam o lavacro da regeneração (o batismo) e professam a verdadeira fé, nem
se separaram voluntariamente do organismo do corpo, ou não foram dele cortados
pela legítima autoridade em razão de culpas gravíssimas.
“Portanto …. quem se recusa a ouvir a Igreja, manda o
Senhor que seja tido por gentio e publicano (cf. Mt 18, 17). Por
conseguinte os que estão entre si divididos por motivos de fé ou pelo governo,
não podem viver neste corpo único nem do seu único Espírito divino. …
“Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza
tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a
heresia e a apostasia”.(7)
Desse modo, aqueles que defendem o aborto, o pecado
homossexual ou o “transgenerismo”, não apenas teoricamente, mas
promovendo ou efetuando sua legalização, não podem ser considerados católicos.
“Sempre que comer este pão …”
Ao tratar da Sagrada Eucaristia, o Concílio de Florença (1438-1445) ensinou que “o efeito que este sacramento opera na alma de quem o recebe dignamente é a união do homem a Cristo”.(8) Como Nosso Senhor disse, “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”.(9)
Dada a santidade deste sacramento, São Paulo alerta para as
consequências de recebê-lo indevidamente:
“Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse
cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto, todo aquele que
comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e
do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão
e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do
Senhor, come e bebe a sua própria condenação”.(10)
Alguns Prelados alertam o Sr. Biden…
Em uma entrevista com Thomas McKenna, o Cardeal Raymond Burke [foto abaixo] , ex-prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, advertiu que o Sr. Biden não tem condições de receber a Comunhão:
“Portanto, em primeiro lugar, por caridade para com ele, gostaria de lhe dizer que não se aproximasse da Sagrada Comunhão, porque isso seria um sacrilégio e um perigo para a salvação de sua alma.
“Mas também não deveria se aproximar para receber a Sagrada
Comunhão porque causa escândalo a todos. Porque se alguém disser ‘bem, sou um
católico devoto’ e ao mesmo tempo promover o aborto, isso dá a impressão de que
é aceitável para um católico ser a favor do aborto o que, é claro, não é
absolutamente aceitável. Nunca foi, nunca será”.[11]
O Arcebispo emérito da Filadélfia, D. Charles Chaput,
comentou na mesma linha: “As figuras públicas que se identificam como
‘católicas’ escandalizam os fiéis ao receberem (indignamente) a
comunhão, criando a impressão de que as leis morais da Igreja são opcionais. E
os bispos dão escândalo semelhante ao não falar publicamente sobre a questão e
o perigo do sacrilégio”.(12)
Outros bispos o apoiam
No entanto, alguns prelados, como o cardeal Wilton Gregory,
falaram de maneira diferente. A jornalista do Catholic News Service Cindy
Wooden entrevistou o arcebispo de Washington, DC. Ela escreve: “Embora alguns
católicos acreditem que Biden não deve receber a comunhão quando vai à missa, o
cardeal designado Gregory disse que por oito anos como vice-presidente Biden
foi à missa e [recebeu a] comunhão. ‘Não vou me desviar disso’,
disse ele”.(13)
Duas igrejas, lado a lado?
Essas atitudes divergentes na hierarquia católica nos levam
a perguntar se uns e outros têm a mesma fé católica ou se vemos uma nova
religião emergindo da sombra da Igreja Católica.
Existe uma Igreja, baseada na Revelação, que nega a Sagrada
Comunhão a pessoas que falam e agem publicamente contra a doutrina e a moral
católicas e “obstinadamente persistem no pecado grave manifesto”?(14) E outra
que permite a tais pessoas receberem a Sagrada Comunhão sem qualquer
demonstração pública de arrependimento?
Só a primeira posição é legítima e corresponde à da Igreja
fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Una, Santa, Católica e
Apostólica”, como rezamos no Credo niceno-constantinopolitano (o Credo da
Missa). A segunda não.
O que é ser católico?
A conduta do novo presidente dos Estados Unidos e de bispos
como o recém-nomeado cardeal Wilton Gregory levanta a questão: o que significa
ser católico?
Como mostrado nos trechos acima dos Papas Leão XIII e Pio
XII, esta pergunta já foi respondida há muito tempo. Muitas outras declarações
de papas, concílios e do Direito Canônico poderiam ser adicionadas. Todas,
porém, se resumem nisto: católico é aquele que foi batizado e acredita e
professa toda a doutrina revelada e proposta pelo Magistério da
Igreja, tanto em questões dogmáticas quanto morais.
Com relação a quem rejeite até mesmo um único ponto da
doutrina e da moral católica, o Papa Pio XII ensina: “Manda o Senhor que
seja tido por gentio e publicano”.
* Publicado no site da The American Society for the
Defense of Tradition, Family and Property em 5 de fevereiro de 2021
Notas
1. Declaração do presidente Biden e da vice-presidente Harris no 48º
aniversário de Roe v. Wade”, 22 de janeiro de 2021,
https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2021/01/22/statement
-from-president-biden-and-vice-president-harris-on-the-48-year-of-roe-v-wade /.
2. “Ordem Executiva de Prevenção e Combate à Discriminação com Base na
Identidade de Gênero ou Orientação Sexual”, 20 de janeiro de 2021,
https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/20/executive
-ordenar-prevenir-e-combater-discriminação-com-base-identidade-gênero-ou-orientação
sexual /.
3. “Ordem Executiva Habilitando Todos os Americanos Qualificados a
Servirem Seu País em Uniforme”, 25 de janeiro de 2021, https://www.whitehouse.gov/briefing-room/presidential-actions/2021/01/25/executive-order-
em-permitindo-todos-americanos-qualificados-para-servir-seu-país-em-uniforme /
4. Paul LeBlanc e Jennifer Hansler, “O escolhido para secretário de
estado de Biden promete nomear um enviado LGBTI e permitir às embaixadas
hastear a bandeira do orgulho [homossexual]”, CNN, 19 de janeiro de 2021,
https://www.cnn.com/2021/01/19/ policy /
antony-blinken-lgbti-pride-flag-biden-Administration / index.html.
5. Ver Cardeal Francesco Roberti e Mons. Pietro Palazzini, s.v.
“Aborto”, no Dictionary of Moral Theology (Westminster, Md .: The Newman Press,
1962); TFP Committee on American Issues, Defending a Higher Law: Why We Must Resist Same Sex
“Marriage” and the Homosexual Movement (Spring Grove, Penn.:
The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, 2012)
6. Leão XIII, encíclica Satis Cognitum, 29 de junho de 1896,
nn. 17, 20. http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/es/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_29061896_satis-cognitum.html
7. Pio XII, encíclica Mystici Corporis Christi, 29 de junho de 1943, nn.
21-22. http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_29061943_mystici-corporis-christi_po.html
8. Denzinger- Hünermann, n. 1322.
9. João 6,56.
10. 1 Cor 11,26-29.
11. “Cardeal Burke: Joe Biden Não Deve Receber a Sagrada
Comunhão”, National Catholic Register, 29 de setembro de 2020,
https://www.ncregister.com/news/cardinal-burke-joe-biden-should-not-receive-holy
-comunhão.
12. Charles J. Chaput, O.F.M. Cap., “O Sr. Biden e a Questão de
Escândalo”. First Things, 4 de dezembro de 2020,
https://www.firstthings.com/web-exclusives/2020/12/mr-biden-and-the-matter-of-scandal.
13. Cindy Wooden, “Em Washington, com o novo presidente, o
Cardeal-designado tem esperanças de diálogo,” Catholic News Service, 24 de
novembro de 2020,
https://www.catholicnews.com/in-washington-with-new-president-cardinal
-designar esperanças para o diálogo /.
14. Código de Direito Canônico. Cânon 915.
https://domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31867/codigo-de-direito-canonico#ancora-24
https://www.abim.inf.br/o-que-significa-ser-catolico/
* * *
domingo, 14 de fevereiro de 2021
PALAVRA DA SALVAÇÃO (221)
6º Domingo do Tempo Comum – 14/02/2021
Anúncio do Evangelho (Mc 1,40-45)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus
Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, um leproso chegou perto de Jesus e, de
joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Jesus, cheio de
compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica
curado!”. No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou
curado. Então Jesus o mandou logo embora, falando com firmeza: “Não
contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua
purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”
Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por
isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em
lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
https://liturgia.cancaonova.com/pb/
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger
Araújo:
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Deus
estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência
Entra em cena um leproso (Marcos 1, 40-45), um desesperado
que perdeu tudo: casa, trabalho, amigos, abraços, dignidade e até Deus. É um
homem que se está a decompor estando vivo, para a sociedade é um pecador,
recusado por Deus e castigado com a lepra.
Vem e aproxima-se de Jesus, e não deve, não pode, a lei
impõe-lhe a segregação absoluta. Mas Jesus não escapa, não evita, não o manda
embora, está de pé diante dele e escuta. O leproso devia gritar de longe, a
quem encontrava, «imundo, contagioso»; em vez disso, tu a tu, sussurra: se
quiseres, podes tornar-me puro.
«Se quiseres.» O leproso náufrago agarra-se a um «se», é o
seu gancho no meio do Céu, terra firme depois do pântano. E parece-me que vejo
Jesus vacilar diante do pedido submetido por esta criatura à deriva. Vacilar,
como quem recebeu um murro no estômago, uma unhada no coração: «Foi tomado nas
entranhas de compaixão».
«Se quiseres»… grande pedido: diz-me o coração de Deus! Que
queres verdadeiramente para mim? Queres a lepra? Que eu seja a imundície da
região? É Ele que envia o cancro? Jesus vê, detém-se, comove-se e toca. Desde
há muito que ninguém ousava tocá-lo, a sua carne morria de solidão. Jesus
estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência, toca-o
enquanto ainda está contagioso; e é assim que começa a curá-lo, com uma carícia
que chega antes da voz, com o dedo mais eloquente do que as palavras.
Tocar, experiência de comunhão, de corpo a corpo, ação
sempre recíproca (toca-se e é-se tocado, incindivelmente), um comunicar a sua
proximidade, um desflorar-se, um arrepio, um vibrar de Deus comigo, de mim com
Ele.
Depois, a resposta belíssima, a pedra angular sobre a qual
se apoia a nova imagem de Deus: «Quero!». Um verbo total, absoluto. Deus quer,
está envolvido, importa-se, está no seu coração, padece comigo, urge nele uma
paixão por mim, um tormento e um apaixonar-se.
A segunda palavra ilumina a vontade de Deus: «Sê
purificado». Deus é intenção de bem. Ninguém é recusado. Segundo a lei, o
leproso estava excluído do templo, não podia aproximar-se de Deus até que
estivesse puro. Ao contrário, naquele dia acontece a reviravolta: aproxima-te
de Deus e serás purificado. Acolhe-o e serás curado.
E mandou-o embora, com tom severo, ordenando-lhe que não
dissesse nada. Mas o curado não obedece: e pôs-se a proclamar a mensagem. O
excluído torna-se fonte de espanto. Exibe a sua felicidade, a sua experiência
feliz de Deus.
Antes, tinha de fugir das povoações, e agora é precisamente
nas povoações que entra, procura as pessoas de quem antes tinha de fugir, para
dizer que mudou tudo, porque mudou, com Jesus, a imagem de Deus.
Ermes Ronchi
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
* * *
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
PRESIDÊNCIA DA CNBB DIVULGA NOTA SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021
DESTAQUE ESPECIAL, FRATERNIDADE
A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) divulgou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, uma nota na qual esclarece
pontos referentes à realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano,
cujo tema é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é
a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”, (Ef 2,14a).
O documento reafirma a Campanha da Fraternidade como uma
marca e, ao mesmo tempo, uma riqueza da Igreja no Brasil que deve ser cuidada e
melhorada sempre mais por meio do diálogo. Iluminado pela Encíclica Ut
Unum Sint, de 1999, do Papa São João Paulo II, o texto aponta também ser
necessário cuidar da causa ecumênica.
Sobre o texto-base da CFE deste ano, os bispos afirmam que a
publicação seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do Conselho
Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), conselho responsável pela preparação e
coordenação da campanha da fraternidade em seu formato ecumênico. “Não se
trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado
apenas pela comissão da CNBB”, aponta a Nota.
No documento, a presidência da CNBB reafirma que a Igreja
Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se
mantém fiel a ela. “A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que
‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos
os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a
alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas
à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício
Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família,
vida e questões éticas., pág. 673).
A nota informa que os recursos do Fundo Nacional de
Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a
legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à
identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações
que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota.
A presidência da CNBB afirma, no parágrafo final, que apesar
de nem sempre ser fácil cuidar das dificuldades levantadas pela realização de
uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica e de muitos outros
aspectos da ação evangelizadora da Igreja, nem por isso se deve desanimar e
romper a comunhão, o que segundo os bispos é uma das maiores marcas dos
cristãos. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta a presidência da
CNBB.
Conheça, abaixo, a íntegra do documento. Aqui a
versão em PDF:
NOTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB
Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,
“Não apagueis o Espírito, não desprezais as profecias,
mas examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Ts 5,21)
1. No exercício de nossa missão evangelizadora, deparamo-nos
com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário,
buscar forças para responder com tranquilidade e esperança.
2. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela
covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma
população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso
coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da
pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.
A Campanha da Fraternidade 2021 e suas características
3. Em meio a tudo isso e atendendo à solicitação de irmãos bispos, desejamos
abordar a Campanha da Fraternidade deste ano. Algumas afirmações têm ocasionado
insegurança e mesmo perplexidade.
4. Como sabemos, a Campanha da Fraternidade é uma riqueza da Igreja no Brasil,
nascida e amadurecida não sem dificuldades e mesmo sofrimentos. A cada
Campanha, o aprendizado se fortalece e se mostra continuamente necessário.
Assim acontece com cada tema escolhido e assim acontece quando as Campanhas,
desde o ano 2000, são feitas em modo ecumênico.
5. Para este ano, o tema escolhido foi o diálogo, com o tema, portanto,
fraternidade e diálogo: compromisso de amor. Trata-se, como explicado nas
formações feitas pelo nosso Setor de Campanhas, do recolhimento dos temas
anteriores, em especial desde 2018, que tratou da superação da violência, até
2020, quando apresentou-se a proposta cristã do cuidado.
6. Para 2021, conforme aprovação em nossa Assembleia Geral de 2018, a Campanha
foi construída ecumenicamente e, conforme costume desde o ano 2000, sob a
responsabilidade do CONIC. Nas primeiras reuniões, discerniu-se pelo tema do
diálogo, urgência num tempo de polarizações e fanatismos, cabendo então ao
CONIC a construção do texto-base. Isso foi feito conforme está explicado na
apresentação do mesmo, com detalhamento da equipe elaboradora, na pág. 9.
7. Consequentemente, o texto seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do
CONIC. Foram realizadas várias reuniões, o texto passou por revisão da
assessoria teológica do CONIC, uma assessoria com membros das diversas igrejas,
chegando, então, ao que hoje temos. Não se trata, portanto, de um texto ao
estilo do que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB, pois são
duas compreensões distintas, ainda que em torno do mesmo ideal de servir a
Jesus Cristo. O texto-base desse ano, por conseguinte, deve ser assim
compreendido, como o foi nas Campanhas da Fraternidade levadas a efeito de modo
ecumênico.
Algumas questões específicas
8. Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos
que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem
predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos
específicos, a saber, as questões de gênero, conforme os números 67 e 68 do
referido texto.
9. A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que “gênero é a
dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da
pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é,
portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana,
mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício
Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família,
vida e questões éticas., pág. 673).
Uma ajuda destacável
10. Já pronto o texto-base, fomos presenteados com a Fratelli Tutti, que
recomendamos vivamente seja também utilizada como subsídio para a Campanha da
Fraternidade deste ano. Ela estabelece forte conexão entre o tema de 2020 e o
de 2021, cuidado e diálogo, e muito ajudará na reflexão sobre o diálogo e a
fraternidade.
Coleta da Solidariedade
11. Junto com essas preocupações de conteúdo, surgiu ainda a sugestão de que
não se faça a oferta da solidariedade no Domingo de Ramos, uma vez que
existiria o risco de aplicação dos recursos em causas que não estariam ligadas
à doutrina católica.
12. Lembramos que, em 2019, foi distribuída pelo Fundo Nacional de
Solidariedade – FNS a quantia de R$3.814.139,81, fruto da generosidade de
nossas comunidades, não se incluindo nessa quantia o que foi destinado aos
fundos diocesanos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação.
Somente com a ajuda da instituição alemã Adveniat conseguimos atender a 15
projetos.
13. Sobre isso, recordamos que o FNS segue rigorosa orientação, obedecendo não
apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também preocupação quanto
à identidade dos projetos atendidos. Desde o início da construção da Campanha
da Fraternidade de 2021, temos informado ao CONIC a respeito da dificuldade e
até mesmo da impossibilidade de mantermos a estrutura do Fundo de Solidariedade
como ocorrido nas Campanhas ecumênicas anteriores. Sobre este ponto, tendo como
base a última dessas Campanhas, a de 2016, esta Presidência já manifestou ao
CONIC as dificuldades e, por espírito de comunhão e corresponsabilidade, vai
conversar sobre o assunto na próxima reunião do CONSEP. A conclusão será
informada em seguida.
Desse modo:
14. Em consequência, respeitando a autonomia de cada irmão bispo junto aos seus
diocesanos e como não poucos irmãos nos têm solicitado indicações para informar
ao povo sobre a CF 2021, consideramos importante que sejam destacados os
seguintes aspectos:
A Campanha da Fraternidade é um valor que não podemos
descartar.
Alguns temas, conforme seu modo de ser apresentado,
tornam-se mais difíceis que outros.
A Igreja tem sua doutrina estabelecida a respeito das
questões de gênero e se mantém fiel a ela.
Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade serão
aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja
Católica.
A causa ecumênica se mantém importante. “Uma
comunidade cristã que crê em Cristo e deseja com o ardor do Evangelho a
salvação da humanidade não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito
que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível … O ecumenismo não
é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor
que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e criar
obstáculos a este amor é uma ofensa a Ele e ao Seu desígnio de reunir todos em
Cristo” (S. João Paulo II, Encíclica Ut Unum Sint, 99)
15. Concluímos lembrando a importância da Campanha da
Fraternidade na história da evangelização do Brasil. É nossa marca. Cabe-nos
cuidar dela, melhorá-la sempre mais por meio do diálogo, assim como nos cabe
cuidar da causa ecumênica, um ideal que se nos impõe. Se nem sempre é fácil
cuidar de ambos e de muitos outros aspectos de nossa ação evangelizadora, nem
por isso devemos desanimar e romper a comunhão, uma de nossas maiores marcas,
um tesouro que o Senhor Jesus nos deixou e do qual não podemos abrir mão. Não
desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos.
Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2021
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB
Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB
Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB
Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB
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Ligue o vídeo abaixo:
* * *
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
LOURDES – NECESSÁRIA, MAIS QUE NUNCA, NESTE ANO PANDÊMICO
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 842, Fevereiro/2021
Muito lamentavelmente, o santuário de Nossa Senhora de
Lourdes, nos Pirineus franceses, permaneceu fechado durante quase todos os
meses do ano passado. Em muitos outros locais e ocasiões de devoção, também não
foram devidamente celebradas as tradicionais festas religiosas nesse ano
catastrófico da pandemia — Fátima, Aparecida, Círio de Nazaré, Corpus Christi,
nem mesmo a Semana Santa e o Santo Natal.
No que se refere a Lourdes, os fiéis e peregrinos ficaram
privados das graças e curas, dos milagres grandes e pequenos que desde 1858 se
operam na gruta de Massabielle, naqueles abençoados lugares às margens do rio
Gave. Não puderam beneficiar-se das águas da fonte milagrosa nem das piscinas,
onde tantos peregrinos procuram cura espiritual e física, como registram
milhares de documentos.
O pretexto da pandemia para esse fechamento é injustificável, pois exatamente
em ocasiões como essa as pessoas mais precisam pedir a cura e graças,
concedidas abundantemente em Lourdes por Aquela que ali afirmou: “Eu sou a
Imaculada Conceição”.
Para a festividade litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, fixada no dia 11 de
fevereiro, a equipe de Catolicismo pesquisou conferências, artigos e
comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre esta devoção mariana. Do
amplo e rico material encontrado, selecionamos alguns trechos cuja transcrição
oferecemos a seguir. [A ABIM, ao longo desta semana, reproduzirá em
capítulos essas matérias concernentes a Lourdes].
Ajudados por esses comentários, os leitores poderão se dirigir espiritualmente
a Lourdes, para pedir à Imaculada Conceição a nossa cura, a de nossos parentes
e conhecidos, e sobretudo a ‘cura’ da Santa Igreja, mergulhada na pior crise de
sua história bimilenar.
Da redação de Catolicismo
Doentes diante da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes
Em Lourdes, curas milagrosas e resignação no sofrimento
Nossa Senhora revela sua bondade, mostra que é nossa Mãe,
que tem pena de nós e pratica maravilhas por seus devotos; mas tem também
desígnios bondosos quando não atende nossos pedidos
Os acontecimentos de Lourdes são muito ricos em
ensinamentos, um dos quais é sobre o sofrimento. Vemos naquela cidade,
abençoada pelas aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette Soubirous, duas
atitudes da Providência diante do sofrimento humano. Ambas têm sua razão de ser,
dentro da perfeição dos planos divinos, apesar de parecerem até contraditórias.
De um lado, o que mais chama atenção em Lourdes é Nossa
Senhora ter pena dos que sofrem, atender seus rogos e praticar milagres para
livrá-los das dores que os atormentam. Pela bondade que Ela manifesta em
Lourdes, mostra que é nossa Mãe, tem pena de nós, quer e pode praticar
maravilhas por nós. Ela tem também pena das almas, e para provar que a Fé
Católica é a única verdadeira, opera milagres para obter conversões.
Mas outro aspecto do sofrimento, que notamos em Lourdes, são
os inúmeros doentes que peregrinam à abençoada cidade francesa e voltam sem
obter a cura desejada. A maior parte dos peregrinos volta sem o milagre da
recuperação na saúde. Por que Nossa Senhora opera a cura de alguns e não de
todos? Facilmente compreendemos a bondade pela qual alguns são curados, mas
qual a razão pela qual outros não o são? O motivo é que Nossa Senhora nos
revela assim outro grande ensinamento.
Ação da Providência no milagre e na ausência do milagre
Eu creio que a razão mais profunda desse fato é um dos mais
estupendos milagres de Lourdes. Para a grande maioria das almas, o sofrimento é
necessário para acrisolamento das virtudes e para a santificação. Sofrimentos
como as doenças são necessários para a salvação das almas. Por meio das
enfermidades e das provações espirituais, aceitando o sacrifício, a pessoa se
santifica. Não compreende o amor de Deus e a regeneração espiritual quem não
compreende o papel do sofrimento para obter das almas o desapego. São Francisco
de Sales chegou a afirmar que o sofrimento é de tal maneira indispensável, que
pode ser considerado verdadeiramente um 8º sacramento.1
Cardeal Pedro Segura y Sáenz
O Cardeal Segura y Saenz,2 com quem eu estive numa viagem
à Espanha, contou-me o diálogo que teve com Pio XI. Este Papa se gabava, diante
do Cardeal, de nunca ter estado doente. O Cardeal Segura sorriu, e disse: “Então
Vossa Santidade não tem o sinal de predestinado. Não há predestinado que não
adoeça, e gravemente; que não sofra muito, pelo menos em determinado período de
sua vida. Se Vossa Santidade nunca teve nada afetando a saúde, não tem o sinal
da predestinação”.
Pio XI aceitou como verdadeira a categórica afirmação do
Cardeal espanhol, e alguns dias depois teve um enfarte. Então escreveu um
bilhetinho ao Cardeal: “Eminência, já tenho o sinal de predestinado”. Como
outros tipos de sofrimento físico, moral etc., realmente a doença é sinal dos
predestinados; ou seja, dos eleitos que Deus põe à prova para merecerem a
bem-aventurança eterna no Céu.
Nossa Senhora agiria contra o interesse da salvação das
almas, se eliminasse todas as doenças que grassam pelo mundo. Para certas
almas, para certos efeitos, de algum modo convém retirar o sofrimento, mas
normalmente não convém. Por essa razão, muitas pessoas vão a Lourdes e voltam
sem terem sido curadas. Isto comprova quanto a Virgem Santíssima, tão
misericordiosa, julga indispensável o sofrimento para a salvação de seus
filhos.
O maior milagre de Lourdes é a resignação e a aceitação do
sofrimento
Em Lourdes, quando não se opera a cura, Nossa Senhora dá aos
enfermos tal conformidade com a doença, que eles não se revoltam. Pelo
contrário, voltam para suas casas resignados, satisfeitos de terem visitado e rezado
na gruta. Viram pessoas serem curadas, mas eles próprios não o foram. Há casos
de pessoas que chegam de longe — da Índia, da América etc. — e vendo ao seu
lado outros enfermos em estado mais grave que o delas, mudam o seu pedido a
Nossa Senhora: que eu não seja curado, conquanto que esse ou aquele doente mais
necessitado obtenha a sua cura.
Assim o peregrino enfermo aceita o sofrimento em benefício
do outro. Essa nobre atitude é um verdadeiro milagre de amor ao próximo por
amor de Deus; um milagre moral arrancado ao egoísmo humano, e isso representa
um milagre mais estupendo do que uma cura propriamente dita.
Havia em Lourdes algo talvez ainda mais bonito: um convento
de Carmelitas contemplativas com o propósito de expiar e sofrer qualquer doença
a fim de obter graças para os corpos e as almas das pessoas que vão à bendita
gruta pedir benefícios. Elas nunca pediam suas próprias curas, aceitavam todas
as doenças em benefício das almas dos que pedem o milagre da cura. Como vítimas
expiatórias, sofriam horrores, levando às vezes uma vida inteira de
sofrimentos; e às vezes morriam oferecendo a vida em holocausto, com o objetivo
especial de fazer bem às outras almas.
Sofrimentos como as doenças são necessários para a salvação das almas. Por meio das enfermidades e das provações espirituais, aceitando o sacrifício, a pessoa se santifica.
Milagres de caráter espiritual que levam almas para o Céu
Prestando-se atenção na natureza humana decaída pelo pecado
original, e sabendo que atos de abnegação não são comuns entre os homens e
causam ao egoísmo humano tão grande horror, compreende-se que os peregrinos,
aceitando resignadamente quando não são curados, isto pode ser considerado
milagre maior do que todas as outras curas que ocorrem em Lourdes.
Tudo isso mostra bem que a intenção de Nossa Senhora, nas
curas de Lourdes, é produzir esses milagres de caráter espiritual e moral que
salvam as almas para o Céu. O amor d’Ela a seus filhos tem como principal
objetivo levá-los ao amor de Deus e à glória celestial. Nada de melhor se pode
desejar para eles. O que se diria se Ela tivesse aparecido em Lourdes para
fazer bem aos corpos perecíveis, e não para as almas que não perecem?
Devemos amar mais a Deus do que aos homens, e assim
compreendemos bem o grande ensinamento de Lourdes. Não é o ensinamento
apologético, tão grande e tão importante, mas sim o ensinamento da aceitação da
dor, do sofrimento, da derrota, do fracasso se preciso for.
Poder-se-ia objetar: ‘É muito difícil aceitar a dor e
carregá-la resignadamente’. A resposta, nós a temos ao contemplar a agonia de
Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras. Posto diante de todo o
sofrimento, Ele disse: “Pater, si possibile est, transeat a me calix iste” (Meu
Pai, se é possível, afastai de mim este cálice – Mt 26,39). Mas depois
acrescentou: “Faça-se a vossa vontade, e não a minha”.
Esta
exemplar posição do Divino Mestre é a que devemos tomar diante de nossos
sofrimentos particulares. Nesses momentos de dor, poderemos repetir: Meu Pai,
se é possível, afastai de mim este cálice; porém cumpra-se a vossa vontade, e
não a minha.
Naquele momento de agonia no Horto, um Anjo veio consolar
Nosso Senhor. A graça nos consolará a nós também, nos sofrimentos que
padecemos. Portanto, tenhamos coragem, resolução, energia. Assim
compreenderemos o significado do sofrimento, e teremos alegria em sofrer por
amor de Deus. Compreenderemos que sofrer é a dádiva dos predestinados; e não
sofrer é a parte dos réprobos.
(Excertos da conferência de Plinio Corrêa de Oliveira em 6-2-1965).
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Notas:
Os sete sacramentos são: Batismo, Confirmação (ou crisma),
Eucaristia, Reconciliação (ou penitência), Unção dos Enfermos (ou
extrema-unção), Ordem (sacerdotal) e Matrimônio.
Dom Pedro Segura y Sáenz. Nascido em Carazo (Burgos, Espanha),
em 4 de dezembro de 1880. Ordenado sacerdote em 1906 e sagrado Bispo em 1920.
Seis anos mais tarde, Arcebispo de Toledo. Elevado à púrpura cardinalícia no
Consistório de 18 de dezembro de 1927. Em 1937 foi designado Cardeal-Arcebispo
de Sevilha, cuja sede ocupou até sua morte, em 8 de abril de 1957.
https://www.abim.inf.br/lourdes-necessaria-mais-que-nunca-neste-ano-pandemico/
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