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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

POESIA DE VALDELICE PINHEIRO É PUBLICADA NA ESPANHA COM TRADUÇÃO DE A. P. ALENCART


Poesia de Valdelice Pinheiro é Publicada na Espanha com Tradução de A. P. Alencart




Com o título de “Bautismo y Otros Poemas/Batismo e Outros Poemas ”, o poeta peruano-espanhol Alfredo Perez Alencart  traduziu cinco poemas de Valdelice  Soares Pinheiro, que foram publicados no jornal  “Protestante Digital”, em edição de 10 de janeiro deste ano. Os poemas de Valdelice foram ilustrados com imagens dos pintores Tintoretto,  Nicolás  Maes e Picasso e são os seguintes: “El Bautismo de Cristo/Batismo de Cristo”, “Creación/ Criação”, “Poema para la Natividad/Poema de Natal”, “Paz/Paz” e “Se yo te digo adiós/Se eu te disser adeus”. Além disso, a matéria sobre a autora itabunense   traz na introdução uma foto  grande quando a poeta era jovem.
  
O poeta Alfredo Perez Alencart referiu-se a  Valdelice Soares Pinheiro como uma autora excelente, ressaltando que apesar de pouco conhecida no Brasil é possuidora de uma poesia magnífica. “ Com especial prazer, traduzi estes  poemas da brasileira Valdelice Soares Pinheiro (1929-1993), nascida e falecida em Itabuna, Estado da Bahia. Em vida ela apenas publicou dois livros de poemas : “De Dentro de Mim” (1961) e “Pacto” (1977. Além desses poemários publicou   alguns poemas esparsos. Em 2011 apareceu “O Canto Contido”, coletânea organizada pelo poeta e ficcionista Cyro de Mattos, reunindo os dois primeiros livros e textos dispersos, do qual foram extraídos os cinco poemas que verti para o espanhol.”

         Alfredo Perez Alencart é um poeta peruano há anos radicado em Salamanca onde é professor da universidade dessa cidade conhecida como de saber e cultura. É tradutor dos poetas brasileiros Carlos Nejar,  Álvaro Alves de  Faria, Cyro de Mattos, Paulo de Tarso  e da portuguesa Maria do Samero Barroso, entre outros.  Muito premiado, autor de mais de vinte livros,  esse poeta imenso é publicado em mais de vinte países.

          Leia abaixo os poemas de Valdelice Soares Pinheiro publicados na Espanha:

EL BAUTISMO DE CRISTO:    BAUTISMO   Yo te prometo, hermano, un bautismo cristiano. Haré tu inmersión en las mismas aguas mías, dentro de las mismas oportunidades. Sin caridad, por obligación, te envolveré en la flor del trigo azul, perfumaré tu cuerpo en la realidad del pan y te untaré de leche y miel. Abriré tu sonrisa en una nueva Primavera. CREACIÓN   Dios besó a las abejas y a las cerezas y dibujó los divinos dientes en la pulpa de una guayaba. Después encargó a los niños y a los pajaritos el sabor de la vida. POEMA PARA LA NAVIDAD   En medio de todas las alegrías por el Niño Dios nacido, tanta sangre por los niños que no nacen. En medio de todos los perfumes y hosannas, tanto grito, tanto olor de dolor en la boca de los niños con hambre. En medio de toda la paz de aquella estrella, tanta inquietud en los ojos de mis hermanos, tanto odio en las manos de los generales.   Niño Jesús, cruz y redención, abre de nuevo tu cuerpo sobre nosotros.  PAZ   Plántense los sueños en la alborada de los dedos. Coséchense las espigas en la mañana de las manos. Y, en el descanso de la noche, la mesa puesta, nazca el amor en el calor del pan. SI YO TE DIGO ADIÓS   Yo abriré mis ojos llenos de lágrimas sí, un día, a la orilla de cualquier camino, yo te digo adiós

Para ler a matéria sobre Valdelice no”Protestante Digital” clique no link abaixo:


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LIVRE ARBÍTRIO – Shanta Gabriel


Fortaleça a sua consciência de outros estados além do físico! Comunique-se profundamente dentro do seu ser e aprenda a confiar em suas próprias respostas. Você está aqui neste planeta para se desenvolver plenamente. “Conheça a si mesmo”, Isto significa não apenas a consciência do eu físico, ou mesmo do mental e emocional. Conhecer-se verdadeiramente significa um real discernimento do seu ser como um ser multidimensional. Você tem o poder dentro de você para conhecer os planos da realidade além do mundo tridimensional no qual vive...

Na verdade, desenvolver uma nova consciência cria uma ligação com a alegria e o amor que muitos estão buscando. Estas qualidades que você deseja na vida estão além do plano físico. Elas existem no estado expandido da consciência que é o seu vínculo com Deus, com a Fonte do seu próprio ser. Isto exige uma disposição de ver além do seu eu exterior e de reservar o tempo necessário para criar uma consciência de amor e de luz em seu interior. Quando você se senta em silêncio e toma respirações equilibradas, profunda e lentamente, há resultados imediatos na mente, corpo e espírito. Imagine que você esteja em um pilar de luz dourada, que une o Céu à Terra através de você. Isto lhe permite ampliar a sua consciência.

Quando você adiciona a prece para o que quer em sua vida, você permite que a graça dos Anjos trabalhe para você. Neste plano de livre arbítrio da existência, você precisa pedir o auxílio deles ou eles não interferirão. Isto não significa necessariamente uma prece formal. Pedir pode ser tão simples quanto dizer as palavras para as qualidades que você quer em sua vida e criar uma vida mais abundante e cheia de alegria. Isto lhe permite se ligar ao seu Eu Superior e aos seus Anjos da Guarda, então você estará se comunicando com os níveis mais profundos do seu ser.

A partir deste espaço, as respostas que você receber será de um nível da Ordem Divina e tudo o que se segue será para o bem supremo de todos os interessados. Você receberá a intuição e conhecerá as ações e palavras que melhor o ajudarão com os desafios que você enfrentar. Uma vez que comece a agir a partir de sua orientação intuitiva, você começará a confiar em seu ser. A vida parecerá mais fácil. Você não precisará continuar a procurar as respostas nos outros. A cada fibra do seu ser você saberá qual é a verdade em sua vida. Confiar em seu ser.

Em todos os momentos você tem os seus Anjos para ajudá-lo. Ao trabalharem em harmonia com a Luz de Deus, eles o conhecem no nível mais profundo de sua alma. É reconfortante saber que você está sempre envolto em suas asas de puro amor e que é cuidado além de sua capacidade de compreender. É esta ligação dentro do ser que a maioria das pessoas está procurando. Elas têm fome de conhecimento do amor que existe dentro deles. Ele está prontamente disponível através da prece e assim reserve um tempo para se sentar respirar na luz e no amor de uma maneira consciente.

Assim, dê ao seu ser a dádiva de se sentar na luz e no amor todos os dias por cinco minutos. É uma coisa simples que lhe proporcionará uma alegria maravilhosa. Os Anjos estão prontos agora para levá-lo para a luz do seu verdadeiro Ser. Crie um relacionamento consciente com o seu Poder Superior e encontre a alegria que você tanto deseja ter. Peça ajuda aos Anjos. Comece a fazer isto a cada dia e os milagres irão certamente ocorrer, pois os milagres são o seu direito nato e o estado natural do seu ser. Saiba que você merece ter a sua vida cheia de Amor, de Alegria e de Milagres. Aprenda a se comunicar interiormente e confie em sua própria verdade. Esta é a maneira que você viverá o seu potencial mais pleno e cumprirá o seu destino mais elevado na Terra.

"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com


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domingo, 13 de janeiro de 2019

VENEZUELA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO


13 DE JANEIRO DE 2019

A Venezuela socialista de Nicolás Maduro 
“virou um campo de concentração, onde estão sendo exterminados os cidadãos”. Esta foi a denúncia de Mons. Jaime Villarroel, bispo de Carúpano, que expôs muitos dados terríveis: “Está sendo praticada uma tragédia de dimensões inimagináveis. […] Hoje morrem milhares de venezuelanos por falta de comida, de remédios; 80% das indústrias estão destruídas; só em outubro a inflação beirou 270%; o salário mínimo é entre 4 e 6 dólares” (de R$ 16,00 a 24,00); em 2017 “morreram mais de 20.000 crianças recém-nascidas, porque não há como atender as mães no parto”. Apesar de tudo isso, o Papa Francisco continua insensível aos apelos dos bispos venezuelanos e aos gemidos de um povo inteiro, recluso nesse satânico “campo de concentração”.


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POTENCIAL INFINITO – Ian Paul Marshall


Eu agradeço por este precioso momento, esta oportunidade de estar vivo, pois a vida é sagrada, especial e uma coisa frágil. Ao compreender que ela pode terminar a qualquer momento agradeço por tudo o que tenho e me esforço por viver cada dia ao máximo. Cheguei a compreender que o poder está em mim. Que os meus pensamentos anteriores, palavras e ações tornaram-se o meu estado presente e agora, neste momento, estou criando o meu futuro. Ao compreender este surpreendente poder que tenho, é a minha oração mais sincera compreender o meu potencial supremo no jogo voluntário e liberado da consciência nesta vasta expansão, de modo que eu possa inspirar você a fazer o mesmo.

Eu imprimo em minha consciência estados de perfeição! O Ser Perfeito que encontrei interiormente... A Sabedoria Perfeita que encontrei na Unidade... A Compaixão Perfeita que encontrei na Humanidade... Sei agora que vivo, respiro e tenho o meu ser em um campo vivo de consciência unificada. Todas as coisas se elevam e caem neste campo da consciência. Um mar de potencial infinito onde os pensamentos e os fenômenos, são os jogos espontâneos do espaço.

E neste momento enquanto há este “Eu”. começo a ver o mundo como ele realmente é, perfeito e puro! Onde cada átomo vibra com alegria e é unido pelo amor. Onde tudo é estimulante e significativo, radiante com potencial ilimitado. Afirmo que todas as pessoas do mundo são criadas semelhantes e puras. Que a abundância, alegria, saúde e paz são os estados naturais e completos de nosso ser. Aceito este presente agora para mim, e para toda a humanidade.

Sei agora que tenho um propósito na vida! Todos nós o temos! E a cada dia expresso este propósito, e permito que outros façam o mesmo. Pois sei que todos nós somos um. Sou o outro você. Você é o outro eu! O Eu é transformado em Nós e nós todos estamos nisto juntos. Assim estendo as minhas mãos e considero toda a vida e aceito a todos do mundo sabendo que toquei verdadeiramente a perfeita essência da minha própria existência.

Me dou a permissão de ser um milagre. Me entrego ao mundo e uso a minha vida e tudo o que possa compartilhar conscientemente de modo que beneficie quem atravessar o meu caminho ainda que seja apenas por um momento. Pois sei que são em momentos assim, que toda a existência está se revelando através de nós! E me convenço de que o Céu é verdadeiramente aqui na Terra, e que a vida é maravilhosa, perfeita e exatamente como ela deveria ser. Me tornei uma expressão da perfeição. E assim o É!


"Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

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PALAVRA DA SALVAÇÃO 113


Batismo do Senhor – Domingo, 13/01/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 3,15-16.21-22)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.
Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:
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 pexels.com

“E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito desceu sobre Jesus...” (Lc 3,21-22)

Terminado o “tempo natalino”, começamos hoje o “tempo comum” (Ano C), ou seja, a vida pública de Jesus, sua missão como Filho em favor dos filhos e filhas. O relato do batismo – que marca a passagem da vida em Nazaré para a vida peregrina – faz referência a uma experiência fundante de Jesus: confirmado pelo Pai, impulsionado pelo Espírito, Ele descobre o sentido de sua vida e a missão que devia realizar. 

O batismo de Jesus significou uma profunda experiência espiritual, muito ligada à sua atitude humilde de aproximar-se do rio Jordão, onde as pessoas simples do povo buscavam no batismo de João uma purificação de seus pecados. Jesus foi reconhecido pelos pastores e magos, mas não pelos que compartilhavam com Ele a fila dos pecadores. Uma fila que margeava o rio Jordão, constituída por aqueles que queriam receber o batismo das mãos de João. E ali se pôs Jesus, entre eles, em silêncio. Não era um a mais, mas parecia ser.

Quê foi que levou Jesus a tomar esta decisão? Quê esperava encontrar com o batismo de João? Quais foram os sentimentos que o acompanharam durante este percurso de mais de 100 quilômetros desde Nazaré até o lugar onde recebeu seu batismo? Foi uma viagem solitária ou a fez em companhia de alguns amigos e amigas que também buscavam o mesmo? 

Jesus “desce” ao Jordão; este gesto resume sua descida do céu à terra, sua “kénosis”, seu esvaziamento radical. É uma “descida” às águas da humanidade; por isso, sobre Ele “desce o Espírito”. O Espírito não “desce” sobre aquele(a) que “sobe” ao pedestal da vaidade, do poder, da intolerância, do preconceito... Ali, o “ego inflado” não abre espaço para se deixar inspirar pelo mesmo Espírito que conduzia Jesus. É preciso “descer” às águas da própria existência, “entrar na fila solidária” da fragilidade humana, passar pelas águas da renovação vital e sair do outro lado, purificado e humanizado.

Embora não reconhecido pelas pessoas, ao entrar nas águas do Jordão, Jesus foi reconhecido e confirmado pelo Pai. E fez isso com uma voz potente para que todos se dessem conta de que o Filho queria compartilhar a situação da humanidade. E o Pai lhe deu carta branca para estar entre nós sem privilégios, continuando o despojamento que lhe supôs entrar em nosso mundo.

O batismo comove Jesus por dentro, o transtorna, parece que lhe invadem uma compaixão e ternura infinitas. O Deus dos pais se revela a Ele como Fonte de Vida, como Misericórdia e Compaixão, como fonte de dignificação e perdão. O Céu deixa de estar em silêncio, o Céu não se compraz na Lei e no Templo, o Céu se compraz em Jesus, e, a partir de sua profunda percepção do Deus como Ternura e Fonte da Vida, sua vida vai se revelar como Boa Notícia para os abatidos de toda a humanidade. Jesus não será mais o mesmo; o “filho do carpinteiro” foi tocado pelo Compassivo e sua vida vai se converter em visita de Deus a seu povo, em causa de liberdade para os oprimidos, em saúde para os enfermos, em perdão para os indignos, em inclusão para os excluídos, em festa para os tristes...

A Bíblia nos convida a tomar consciência que os lugares de encontro de Deus com o ser humano não são unicamente os sagrados, institucionais ou majestosos, mas, principalmente, os lugares da “margem”, do cotidiano, das experiências de fragilidade e limite, das obscuridades e dúvidas... enfim, das fendas da vida.

E foi das “fendas da humanidade” que o próprio Jesus entrou em comunhão com o Pai.

Segundo o evangelho de hoje, Jesus se faz presente na “fenda’ mais profunda da terra, no Jordão, e é precisamente ali onde Ele escuta a voz do Pai indicando-o como o Filho amado em quem “põe o seu bem-querer”. A partir desse momento, Jesus se descobre portador dessa “complacência divina” e vai fazendo-a presente nos diferentes lugares por onde se desloca com uma mobilidade surpreendente: do deserto à Galileia, onde anuncia a chegada do Reino; às margens do mar, chamando os primeiros discípulos; em Cafarnaum onde exerce seu ministério terapêutico; às portas das casas, acolhendo uma multidão de enfermos; no descampado onde oferece a grande mesa da partilha; nos territórios fronteiriços, onde acolhe e entra em diálogo com o diferente...

Não são lugares “sagrados”; é sua presença que os converte em “teofânicos” (manifestação da presença divina), porque ali onde Ele se faz presente, os céus se “rasgam” e Deus “se deixa ver” em seu Filho, e Suas palavras continuam ressoando em nós, convidando-nos a escutá-lo.

Viver a vocação batismal ativa nossa sensibilidade mais profunda, fazendo-nos entrar em sintonia com Deus e com a realidade. Deus age diretamente no coração e nos conduz com delicadeza, com carinho e com liberdade, preparando-nos para a grande “salto” na vida. E nosso coração aberto, atento, sintonizado com a ação de Deus, dispõe-se, coopera e responde à Graça divina, empenhando-se por encontrar “o que tanto deseja”. Essa é a experiência mística da vida: “sentir Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”.

O(a) seguidor(a) de Jesus faz a experiência da intimidade, da presença, da comunhão, da proximidade de Deus em sua própria vida. Ele(a) vive embriagado(a) de vida, vive como um peixe nos oceanos de Deus, dizendo um profundo sim às ondas, ao vento, ao sol, à existência... Ele(a) sente-se cativado(a), envolvi-do(a), amado(a), sintonizado(a), habitado(a) por Deus de tal maneira que seus olhos, gestos, suas atitudes, palavras, seu coração, sua existência, transbordam Deus. Sente-se envolvido(a) pela “onda” de Deus e sintoniza-se com o Seu coração. Tal experiência é incomunicável; ninguém pode vivê-la por ele(a). 

A vivência batismal implica um contínuo “estar presente” diante do Deus Presente. E estar presente é estar “acordado”, no sentido de desperto e atento, e também no sentido musical de estar afinado, “em acorde”, sintonizado com a Presença que se revela de maneira “sempre nova e inesperada”.
  
Dentro de cada um de nós existe uma música, uma melodia, uma nota do divino. É preciso criar espaço para que ela possa fluir em forma de canto, de dança, de louvor... No meio desse mundo confuso e dividido é necessário encontrar um princípio integrador; é preciso compor uma sinfonia, buscar a “com-sonância” das diferentes vozes e instrumentos presentes ao nosso redor. O compromisso batismal é esse momento delicado que nos ajuda a recuperar o “som primordial”, e portanto, a unidade do sentido da nossa existência. Por isso, “viver a vocação batismal” não é evento, mas sintonia com o coração de Deus; é estar “antenado” no modo de agir de Deus e corresponder a essa ação divina. Faz-se necessário, portanto, um contínuo discernimento para deixar-se conduzir pelo Espírito e prolongar o modo original de ser e viver de Jesus.

Na oração:  Todo(a) seguidor(a) de Jesus é testemunha de uma presença contemplada e ouvida no silêncio da oração.

- Deixe-se levar como se estivesse num rio, observando-se com um olhar interior, escutando, sentindo...

- O Batismo implica expandir os espaços interiores, romper com tudo aquilo que atrofia a vida para acolher o novo: nova missão, novo compromisso, nova presença solidária, acolhida do diferente...

- Renove seu compromisso batismal: ser presença diferenciada em meio a um mundo carregado de morte e violência.

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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sábado, 12 de janeiro de 2019

COMO SE FOSSE UM CASTIGO – Ariston Caldas


Como se fosse um castigo


            Cirilo conheceu Neidinha na última Primavera, ela de bermuda, blusinha de seda florida, sandálias brancas; muito bonita, quinze anos, até parecia ter mais, pela robustez. Cirilo soube da idade dela logo depois e aí comparou à dele, contando nos dedos. Quinze anos mais velho. Mais não teria sido isso a causa do arrependimento mais tarde, dez dias depois, quando conheceu Jacilda, mãe de Neidinha; 35 anos, viúva, mais bonita que o sair do sol, como ele a simbolizara no momento, dando uma de poeta. Talvez fosse tarde.

            De qualquer forma não deveria sentir-se triste, afinal de contas a filha de Jacilda era uma gracinha, mesmo sem comparações com a mãe, “uma protuberância”. A espontaneidade dos olhos, dos lábios; os gestos, os cabelos alucinantes, as pernas, a voz, tudo uma loucura. Neidinha era calada, macia. “Puxou ao pai”, dizia Jacilda – retraída, calma, sutil. Foi assim para aceitar as declarações de Cirilo, exigindo prazo para resposta; disse sim, muito séria, como se estivesse atormentada. Até o primeiro beijo foi outra novela e quando isso aconteceu o foi num cantinho da boca, de susto.

            Nas conversas curtas, Neidinha falava sobre o pai dela, chamava-se Amaro Veiga, 40 anos quando morreu num desastre aéreo. “Era calado assim”, dizia Jacilda espichando um canto da boca. Amaro deixou um seguro para ela, uma casa e diversos bens miúdos como móveis, eletrodomésticos e dois terrenos na área urbana central da cidade. Neidinha era filha única.

            Nas primeiras aproximações com Jacilda, Cirilo não chegou a exageros, mas sentiu um impacto no juízo transmitido pelo cheiro do corpo, pela estética das mãos, pelo jeito de andar; tantos detalhes preciosos que nem os sabia peculiarizar. Tentação. Se não tivesse conhecido Jacilda, teria casado com Neidinha em pouco tempo, mesmo porque a menina era bonita, mesmo sem o feitiço da mãe dela. Agora era uma dualidade; comprava presentes para as duas, mas com uma diferença: para Jacilda, tudo especial; no aniversário dela comprou uma bolsa de luxo e um estojo de perfume importado. Nunca dera um presente assim a Neidinha; trazia-lhe balas de mel, chicletes de hortelã; uma vez por outra, uma blusinha de malha, uma sandália simples. 

            Jacilda tinha mais sorte – vestidos de luxo, perfumes do estrangeiro. No último inverno ganhara um casaco de pele. Com o tempo, Neidinha passou a sentir essas coisas; de início até gostava de ver a mãe ganhando presentes valiosos, depois notou a diferença para os que ela recebia, mas não chegou a desconfiar: “por causa do santo, se beija o altar”, lembrou. Não tinha motivo para desconfiar de Cirilo com Jacilda, mulher de boa cepa, educada, moral alta. Ninguém no mundo era capaz de acusa-la disso ou daquilo; Cirilo, funcionário público de conceito, bem remunerado, de família decente, responsável. Pensando assim, Neidinha sentia-se tranquila, sem maldade, mesmo observando os presentes caros e a intimidade crescendo entre os dois. “Considerações ao futuro genro”, pensava.

            Toda tarde, quando Neidinha voltava do colégio das freiras, onde estudava, tomava banho, arrumava-se toda, perfumava-se e, depois da janta, sentava-se num estofado na sala de espera onde ficava aguardando Cirilo que só chegava depois das oito. Mas, como tudo na vida é mutável, naquela tarde Neidinha saíra cedo do colégio, uma professora dela adoecera. Rumou para casa, onde cuidaria dos deveres escolares. Tinha a chave da porta; entrou tranquila lembrando da professora doente. “De quê?” Não seria coisa grave.

            Pela porta escancarada do quarto de Jacilda, veio a surpresa. Não acreditou no que viu, era Cirilo nu deitado com ela também despida, tranquilo, folheando uma revista como se nada estivesse acontecendo no mundo; Jacilda alisando-lhe a barriga cabeluda. Neidinha sentiu vontade de gritar, mas não gritou; fitou novamente o cenário, sem acreditar no que via, sentiu falta de ar, imaginou que estava tonta; virou as costas, baixou a cabeça, disparou aflita e foi sentar-se no pátio que dava para o quintal onde acomodou a cabeça sobre os joelhos e desatou a chorar.

            Momentos depois Jacilda apareceu de short, cabelo desarrumado, mas tranquila como se nada tivesse acontecido. “Parece um pesadelo”, pensou Neidinha enxugando os olhos com os dedos.

            À noite, depois do jantar, Jacilda tratou do assunto com Neidinha: “Cirilo vai se casar comigo. Não fosse você, queridinha, eu teria perdido esta oportunidade”. Neidinha ouviu tudo calada, imóvel, com a imagem impura da mãe nua alisando a barriga cabeluda de Cirilo. E, abafada, saiu cabisbaixa para o quarto onde dormia, passando a noite sem pregar um olho, entre pensamentos mórbidos, com vontade de gritar bem alto: “Puta!”.


(LINHAS INTERCALADAS – 2ª Edição 2004)
Ariston Caldas
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Ariston Caldas nasceu em Inhambupe, norte da Bahia, em 15 de dezembro de 1923. Ainda menino, veio para o Sul do estado, primeiro Uruçuca, depois Itabuna. Em 1970 se mudou para Salvador onde residiu por 12 anos. Jornalista de profissão, Ariston trabalhou nos jornais A Tarde, Tribuna da Bahia e Jornal da Bahia e fundou o periódico ‘Terra Nossa’, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia; em Itabuna foi redator da Folha do Cacau, Tribuna do Cacau, Diário de Itabuna, dentre outros. Foi também diretor da Rádio Jornal.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

DISCURSO DO CHANCELER, REAÇÃO DAS ESQUERDAS E MISSÃO DO BRASIL – Marcos Machado


12 de Janeiro de 2019

♦  Marcos Machado

O discurso de posse do chanceler Ernesto Araújo ecoou pela mídia nacional e internacional e estabeleceu um marco divisório entre a ruptura dos 13 anos petistas com a tradição brasileira e a nova fase que se inicia.

Em 30 minutos, o novo chanceler enfeixou pontos de máxima importância para o futuro do Brasil. Ele não só os descreveu com objetividade, calma e conhecimento de causa, como soube também alinhar os males de que padecemos e apontar-lhes os remédios.

A reação das esquerdas nacionais e internacionais não se fez esperar. A acidez dos comentários, a parcialidade, a amargura em constatar que a era petista foi sepultada com pá de cal, mostram que a esquerda, no seu vezo antipatriótico, se condena a si mesma e nos dá a prova provada do acerto da bússola que o País almeja alcançar nos próximos anos.

Assim, em artigo publicado no jornal “El País” (3-1-19) sob o título “Novo chanceler do Brasil faz discurso de ruptura com tradição multilateral da diplomacia do país e frustra quem esperava tom moderado ou menos ideológico depois da posse”, Ricardo Della Colleta comenta: “E, para quem esperava que o chanceler moderasse o tom uma vez empossado ministro, seu pronunciamento foi um balde de água fria.”1

Em outros termos, rompeu-se a tradição da era FHC e petista. O chanceler reata as tradições da diplomacia brasileira e acena para os grandes dias do Itamaraty.

Eis as palavras textuais do novo chanceler: “Como talvez nenhuma outra instituição no Brasil, nós temos a responsabilidade de proteger e regar este tronco histórico multissecular por onde corre a seiva da nacionalidade.”2

Em novembro de 2018, após Ernesto Araújo ser convidado para o cargo de Chanceler do Brasil, o PT publicou uma nota de repúdio por suas “posições políticas conservadoras”.

Missão do Brasil e seu papel no concerto das nações

Duas outras passagens do discurso do chanceler:

“A nossa evidente tendência nacionalista não provém de nenhuma vontade de isolamento, ela é movimento sobretudo de autoconhecimento”.4

         “[…] temos a responsabilidade de proteger e regar este tronco histórico multissecular por onde corre a seiva da nacionalidade”.

Tem toda razão o chanceler: há uma seiva da nacionalidade que vem das raízes católicas do mundo português, da evangelização dos índios, do amadurecimento nacional que deu origem ao Brasil enquanto nação.

E o autoconhecimento em oposição à globalização é a reafirmação da nacionalidade, das qualidades com que Deus galardoou o Brasil.

No Rio de Janeiro, Palácio do Itamaraty (antiga sede do Ministério das Relações Exteriores).

Na impossibilidade de comentar aqui todos os ricos aspectos da fala do nosso chanceler, cremos que ele se insere na missão do Brasil, externada em discurso pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Produto da cultura latina valorizada e como que transubstanciada pela influência sobrenatural da Igreja, a alma brasileira resulta da transplantação, para novos climas e novos quadros, destes valores eternos e definitivos que, precisamente porque definitivos e eternos, podem ajustar-se a todas as circunstâncias contingentes, sem perderem a identidade substancial consigo mesmo.”

         “A perfeita formação da alma brasileira comporta, pois, duas tarefas essenciais, uma que mantenha sempre intactos os fundamentos de nossa civilização cristã e ocidental e outra que ajuste esses fundamentos às condições peculiares a este hemisfério.”5

Que Nossa Senhora Aparecida ilumine, guie e governe esse tão amado Brasil, para a sua grandiosa missão.
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Notas:




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