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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA ARTES & LITERATURA PERDE SEU MAIS NOTÁVEL COLABORADOR.


Dia 18/02/2018 pp, faleceu o Poeta Oscar Benício dos Santos, grande colaborador e incentivador da ICAL, aos 83 anos, no auge da criatividade poética. Após 5 meses de luta pela vida, ele entregou a alma placidamente, cercado pelos seus filhos e netos. Seu corpo foi sepultado no jazigo da família Benício dos Santos, no cemitério Campo Santo, em Itabuna/BA.

Itabuna Centenária-ICAL, comovida, presta uma homenagem ao grande amigo que tanto contribuiu para o crescimento do blog e grandeza de Itabuna, sua terra natal.

Descanse em paz, amável poeta!
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SOBRE O POETA:
Oscar Benício dos Santos nasceu em Itabuna BA no dia 08 de dezembro de 1926, filho do desbravador de Itabuna e historiador Francisco Benício dos Santos e de dona Adelaide. Estudou em Itabuna e depois em Salvador no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Maristas. Fez o curso de Odontologia na Faculdade Federal da Bahia. Ao se formar montou consultório em Salvador e também cuidava das suas fazendas de cacau em Itabuna e de gado em Itaju do Colônia. Aposentou-se e passou a residir na Fazenda Guanabara de sua propriedade, em Itabuna. É autor do livro CACAU EM VERSOS lançado com grande sucesso na 1ª Feira Universitária do Livro da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no dia 21/10/2013.

Cacau em Versos foi indicado pela UESC para ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura/2014.

Oscar Benício dos Santos faleceu no dia 18 de fevereiro de 2019.

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"CACAU EM VERSOS é um belíssimo álbum, com ilustrações magníficas. Cada verso ali impresso é como uma gota de suor. É como uma chama que o caçula de Dona Adelaide e do historiador e desbravador Francisco Benício ficou encarregado pelo destino de manter acesa. Para iluminar Itabuna e fazê-la vibrar na esperança de que dias melhores virão..." 
(Eglê S Machado)

Existem vários textos da obra de Oscar Benício dos Santos postados no Blog Itabuna Centenária, Artes & Literatura- ICAL. https://cemanosdeitabuna.blogspot.com

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Foto: Itabuna Centenária – ICAL 



De Luta e Razão

Dueto formando espontaneamente entre os poetas Oscar Benício dos Santos e Eglê S Machado através de comentários, a partir de uma trova postada no Facebook.

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DE LUTA E RAZÃO...

E NESTA LUTA RENHIDA
QUERO MANTER A RAZÃO,
SEMEANDO FÉ NA VIDA
E AMORES EM PROFUSÃO!...

Eglê S Machado

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“E nesta luta renhida”,
Batalha que não tem fim,
É a da morte contra a vida
E desta a favor de mim.
(Oscar)

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“É a da morte contra a vida”
Uma luta sem igual,
Que excede toda medida
E jamais chega ao final!...
(Eglê)

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“E jamais chega ao final.”
Ah! Que nos dera fosse assim,
Claro, com de Deus o aval,
E a vida não teria fim.
(Oscar)

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“Claro, com de Deus o aval”
Chegamos à Eterna Glória,
O que é mesmo, afinal,
Da vida a GRANDE VITÓRIA!...
(Eglê)

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“Da vida a Grande Vitoria”
 Não está em fugir da Morte,
 Mas esquecer-se da sorte,
 Que é só, somente, ilusória.
(Oscar)

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“Mas esquecer-se da sorte”
Mantendo a essência serena,
Pois logo que chega a morte
Entramos na VIDA PLENA!...
(Eglê)

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 “Entramos na vida plena”

Ao sairmos da gaiola,
Livres da vida terrena
Voamos pela portinhola.

(Oscar)

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“Voamos pela portinhola”
-  Que imagem mais bonita!
E vamos dar cabriola
Na imensidão infinita!...
(Eglê)

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“Na imensidão infinita”
Almas se perdem nos céus,
Mas se encontram com Deus
Na Sua morada, onde habita.
(Oscar)

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“Na Sua morada, onde habita”,
O nosso Deus soberano
Livra-nos de sofrer dano
Porque em nós acredita!...
(Eglê)

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“O nosso Deus Soberano”
Reina só, mas não é Rei.
É o Superior Decano,
Que rege a Divina-Lei.
(Oscar)

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“É o Superior Decano”
Rege a Lei e a nossa vida,
É nossa meta querida
E jamais comete engano!...
(Eglê)

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“E jamais comete engano”.
E por não compreendê-lo
Aqui não lhe faço um apelo
Pois poderia ser profano.
(Oscar)

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“E por não compreendê-lo”
Sofremos de desencanto
Neste terrível duelo
Entre o mendaz e o santo!...
(Eglê)


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APRENDENDO A JOGAR NO INÍCIO DO GOVERNO - Ana Maria Machado


Chegamos à metade dos tais cem dias de lua de mel do governo. Teve de tudo : Davos, caso Queiroz/Flávio, cirurgia, Brumadinho, pacote penal, circo no Senado, incêndio no CT do Flamengo, laranjal no PSL desmentido, fritura. E o país, como na canção: vivendo e aprendendo a jogar.

Estamos todos aprendizes. Eles, a governar. Nós, a sermos governados por algo diferente. Com a perspectiva de um Estado menor. Um ministério com menos sindicalistas e mais militares. Situando-nos em outro mapa. Alguns, a desconfiar que talvez exista um caminho liberal, diverso do ideal socialista da esquerda e do autoritarismo da direita. Talvez, abandonar rótulos e ofensas da história recente e reconhecer que andamos chamando o centro de direita, que FH é diferente de Bolsonaro, Tony Blair não era Thatcher, Clinton não era Trump, Macron não é Le Pen. E, a partir daí examinar o que estamos vivendo.

Por um lado, há recuos sensatos. Declarações atabalhoadas dão espaço a teleprompter e porta-voz. Já o Twitter…

Nas relações exteriores, a realidade mostra os riscos de bravatas. A ambiguidade em relação à intervenção militar na Venezuela periga ter consequências nefastas. Restrições árabes às exportações brasileiras ensinam a ir devagar com o andor a caminho de Jerusalém.

Por aqui, Brumadinho e os efeitos do temporal no Rio provam que cuidado com meio ambiente é coisa séria, vai muito além de retórica ou indústria de multa. Também a tragédia no Ninho do Urubu reforça o dever e a responsabilidade de prevenção, manutenção, fiscalização.

Num governo com reduzida base de apoio no Congresso, as redes sociais entram em campo. Senadores fotografam e postam seus votos — que o STF, cumprindo a lei derretida, determinara que fossem secretos. Dão uma surra nos velhos caciques. Algo diferente de ganhar no grito e na manobra.

O Globo, 18/02/2019

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Ana Maria Machado - Sexta ocupante da Cadeira nº 1 da ABL, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SIMPLIFICAÇÕES DEMOLIDORAS – Péricles Capanema


17 de Fevereiro de 2019 
  Péricles Capanema

Simplificar pode ser bom, em geral as sínteses são simplificações. Ocorrem, no rumo oposto, simplificações que deformam a realidade e, pior, são aríetes de demolição. Vou falar sobre o segundo tipo, no caso com gigantesca capacidade destrutiva e fôlego de gato.

Antes, entro rápido por um atalho. Nelson Rodrigues escreveu, havia sonhado com Deus, que lhe perguntou: “O que é que você fez na vida?”. Nada via de importante, até que, num estalo, encontrou: “Eu promovi, eu consagrei o óbvio”. E prosseguiu: “Aí está o grande feito de toda a minha vida. O óbvio vivia relegado a uma posição secundária ou nula. Arranquei-o da obscuridade, da insignificância”.

Volto ao tema. A simplificação demolidora de que vou tratar tem mais de século. No mundo, certamente é o mais forte motor do igualitarismo, mais no ponto, do socialismo. Contamina de alto a baixo a escala social. Tem mais veneno que a soma dos escritos de Marx, Engels, Lênin e toda a alcateia. O que demole? Corrói hábitos, debilita ou modifica convicções; em resumo, mina barreiras antissocialistas. Por aí se vê, precisa ser (ela mesma) demolida. Tarefa difícil; o mantra, qual fênix de maldição, renasce sempre e no seu voo despeja estragos sem fim, especialmente sobre os mais pobres.

Aqui está o mantra: “O esquerdista (ou o socialista), homem sensível, tem pena dos pobres. O coração é bom, mesmo que erre muito”. Em sentido contrário, o direitista, sujeito egoísta, não tem dó dos pobres. Pode até acertar, mas o coração permanece duro. Com quem fica a maioria do povo? Via de regra, a propensão é por quem tem compaixão pelos pobres. Só o abandona quando ele provoca desastres que mexem fundo no bolso, rouba demais ou esbofeteia costumes muito arraigados. A batalha, antes do primeiro tiro, já fica meio perdida. Simplifiquei, mas não está descrita em linhas gerais a luta política em muitos países?

Poucos dias atrás, ao “Financial Times”, o mais prestigioso órgão do capitalismo britânico, pontificou Paulo Guedes, o superministro da Economia: “Pessoas de esquerda têm miolo mole e bom coração. Pessoas de direita têm a cabeça mais dura e coração não tão bom”.

É o gosto da boutade, dirão alguns, o ministro é chegado numa, não deixa passar a ocasião. Admito, mas atenua o desastre? Lembro, a boutade, para ser exitosa, precisa destacar com espírito certa faceta da realidade. Como a frase “Foi pior que um crime, foi um erro” dito de Boulay de La Meurthe sobre o assassinato do duque de Enghien, Põe em relevo que muitas vezes na política erro destrói mais que crime. Ou o dito cortante de Bismarck sobre Napoleão III: “uma grande incompetência desconhecida”. Metia no ressalto realidade óbvia para Bismarck, mas pouco observada, as limitações enormes do imperador francês.

Paulo Guedes não é um ministro qualquer perdido por Brasília, tem grande agenda que pode fazer o Brasil voltar a crescer e, com isso, tirar do buraco a milhões de pobres. Agiria melhor se fugisse de boutades, frases irrefletidas e análises superficiais, que, sem que ele o queira, admito sem problemas, levam água para o moinho do lulopetismo. Roberto Campos repetia, tinha coração bom, queria acabar logo com a pobreza no Brasil, mas na quadra histórica por ele analisada, constatava: “A cura da pobreza depende do crescimento econômico. E as molas clássicas do crescimento continuam sendo a poupança, a produtividade e o espírito empresarial.” Aí sim, com amparo no Estado, com razão sugeria o político, criar redes de proteção para os desvalidos.

Eu falava em simplificações. O amor romântico (não o efetivo e real) aos pobres pode levar equivocadamente à simpatia com posições socialistas. Tem levado, a dizer verdade, é fator essencial da perenidade socialista nas urnas eleitorais. É simplificação doentia da realidade.

Mas existe outro fator, também fundamental. O que enraíza cúpulas e militância socialista endurecida em suas posições não é a compaixão pelos pobres, é a obsessão igualitária, inimiga furibunda de desigualdades, mesmo harmônicas. Para eles, os pobres que se danem, sofram por décadas sem fim as piores provações provocadas pelas imposições da experiência socialista que supostamente os empurraria para a sociedade dos iguais. Acontece em Cuba, acontece na Coreia, acontece na Venezuela. Onde está ali a compaixão pelos pobres? Inexiste. É óbvio. Ululante. Socialistas autênticos não têm bom coração. A história, repetidamente, esbofeteia o fato em nossa cara. O artigo poderia também se chamar mentiras deslavadas. Por último, promovamos o óbvio, sempre tarefa enorme.



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ESSE ANO NÃO VOU BRINCAR! - Antonio Nunes de Souza


- Não acredito no que você está dizendo, minha filha! Logo você que jamais faltou nas festas carnavalescas, rainha não oficial dos carnavais baianos?

-Pois é, querida. Esse ano deu a maior merda do mundo! Uma grande felicidade, acompanhada de um preocupação e despesas extras que me eram completamente desconhecidas!

-Abra o jogo que já estou curiosa para saber das novidades!

-Como você sabe eu sou super criteriosa, mulher com cabeça feita, mesmo com trinta dois anos, sempre cuidadosa para não dar chance aos azares da vida e me complicar, mas, no ano passado, teve um noite que saí sozinha para dar uma volta na avenida, enquanto você ficava com seu namorado e, nesse passeio, dei minha vacilada imperdoável e as coisas aconteceram de formas lindas e inesquecíveis, deixando-me uma sequela deslumbrante linda, porém, um pepino monstruoso para descascar!

-Pô! Fala logo mulher que merda foi essa que aconteceu!

-Parei numa roda de capoeira e, inesperadamente, surgiu um negro maravilhoso, elegante, ágil, bonito e sem aqueles horríveis cabelos de rastafári. Começou a dar lindos saltos e passes maravilhosos, que me impressionaram, deixando-me perplexa e de boca aberta. Minhas reações foram tão acintosas que ele quando parou, encostou ao meu lado e perguntou se eu havia gostado.

-Claro que disse que sim e, sem pedir nenhuma permissão ele me abraçou e convidou-me pra tomar uma cerveja. Sentamos, conversamos, rimos, nos beijamos e, depois de algum tempo, me pegou pelo braço, levou-me em uma pensão barata e fomos para o quarto transar de todas as maneiras que sabíamos e as que vinham cabeça, esquecendo das consequências posteriores, achando que só acontece com os outros.

-Nada lhe contei dessa aventura louca que, quando cheguei a Curitiba, percebi que estava gravida e, como sou religiosa ao extremo, não quis fazer aborto, preferindo ter a criança!
-Contando os nove meses da data do carnaval, meu pequeno Luigi nasceu, estando hoje com quatro meses de vida (ainda estou amamentando meu querido e inesperado filho!)

-Assim sendo, achei melhor ficar cuidando da criança, segurar mais os meus ímpetos, tomar maiores cuidados, pois, por incrível que pareça, não sei nem o nome do homem que me engravidou. Foi uma aventura louca e um passo em falso que pensei jamais dar! Mas, um dia a casa caí e acontece com todos nós! Com isso aprendi que devemos ser mais previdentes, nos policiar e medir as consequências que podem causar tais problemas!

-Menina estou pasma! Logo você que sempre foi a mais ajuizada de todas nós, dar uma de cão sem dono e ir parar nos braços de um desconhecido.

-Uma pena a sua ausência querida, mas as razões justificam e muito. Bom descanso, beijo no baby e, depois do carnaval, vou lhe ligar para contar como foram as coisas!

-Tchau Isabella querida! Tudo de bom e tenha seus cuidados para que não aconteça o que aconteceu comigo!

Carnaval é uma festa alucinante, sendo o da Bahia sacrossanto e pecaminoso ao mesmo tempo. Uma armadilha cheia de boas e maus intenções!


Antonio Nunes de Souza, escritor 
Membro da Academia Grapiúna de letras-AGRAL antoniodaagral26@hotmail.com

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domingo, 17 de fevereiro de 2019

INDIANO ABHAY KUMAR LANÇA ANTOLOGIA QUE INCLUI O POETA CYRO DE MATTOS.


Sessenta poetas nacionais estão na antologia bilíngüe New Brazilian Poems/Novos poemas brasileiros, organizada pelo poeta e diplomata indiano Abhay Kumar, que está na capital federal desde 2016, onde trabalha na Embaixada da Índia. Publicada pela editora Ibis Libris, do Rio de Janeiro, a antologia inclui poema do poeta Cyro de Mattos, além dos poetas baianos Myriam Fraga, Antonio Risério, Ruy Espinheira Filho e Roberval Pereyr. O prefácio do livro é assinado por Nicholas Birns, professor de Literatura da Universidade de Nova York nos Estados Unidos.

“Dunas” é o poema do poeta baiano Cyro de Mattos [foto ao lado] que participa da antologia bilíngüe New Brazilian Poems/ Novos Poemas Prasileiros. Foi selecionado do livro Poemas escolhidos/Poesie scelte, da Editora Escrituras, que deu ao escritor Cyro de Mattos o Segundo Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro, Genova, Itália, para obras inéditas.

Abhay Kumar é autor de oito livros de poesia, incluindo O Senhor dos Oito Olhos de Katmandu e A Profecia de Brasília. Também é o editor de CAPITALS – 100 Grandes Poemas da Índia e Mais 100 Grandes Poemas da Índia. Seus poemas já foram publicados em mais de 60 revistas literárias, incluindo Poetry Salzburg Review e Asia Literary Review. Seu poema “Earth Anthem” foi traduzido para mais de 30 idiomas em todo o mundo. Recentemente, foi convidado para gravar seus poemas na Biblioteca do Congresso, em Washington D.C.

"Por trás da janela/ vejo o país/ que me condena:/ cidades e campos,/ rios e ruas/ na retina./ Prisioneiros somos/ da perspectiva/ que nos afasta/ do que é em nós/ mais terra e sangue./ Por isso nos escondemos/ atrás de mesas executivas,/ folheamos manuais/ de covardia./ Há de chegar o dia/ de dizer/ com orgulho: brasileiro,/ muito prazer”, diz o poema Sou brasileiro, do porto-alegrense José Eduardo Degrazia.

Esse dia chegou para os poetas reunidos na antologia bilíngue New brazilian poems, do diplomata indiano Abhay Kumar, que será lançada hoje, às 19h, na Associação Nacional de Escritores (ANE).

O diplomata, responsável pela edição e tradução dos textos que estão na antologia, reúne 60 poetas para compor essa nova antologia de poemas brasileiros traduzidos para a língua inglesa. “São vários poetas de diferentes regiões do Brasil. De Brasília, há nomes como Nicolas Behr, Climério Ferreira, José Carlos Vieira e Francisco Alvim”, diz Abhay, que é também poeta.

“A poesia brasileira fala muito sobre problemas sociais, problemas cotidianos, além de serem também muito geográficos. Aqui, em Brasília, fala-se muito do cerrado; no Nordeste, mais sobre o sertão, e assim por diante”, conta o indiano.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (118)


6º Domingo do Tempo Comum – 17/02/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 6,17.20-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus desceu da montanha com os discípulos e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia.
E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!
Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados!
Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir!
Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas.
Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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“E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: ‘bem-aventurados vós...” (Lc 6,20) 

“Ser feliz”: não há outra meta mais importante na vida de todos nós. De fato, é tão importante que se converteu em um desejo que repetimos de maneira muito frequente e, de forma especial, para as pessoas que mais amamos. Proferimos os votos de felicidade em qualquer evento, em todos os aniversários, no início de cada ano... Não podemos desprezar o excesso de nossas felicitações, por mais rotineiras que nos pareçam. Elas expressam um desejo profundo, talvez o desejo mais íntimo de nós mesmos.

“Que sejas feliz!” Que melhor sentimento que isso podemos desejar a alguém, seja ele(ela) quem for?

A proposta evangélica de felicidade tem algo a nos dizer em nosso momento atual? 

A impressão que temos é que a vivência de muitos cristãos está longe de apresentar a Deus como amigo da felicidade humana, fonte de vida, alegria, saúde; na experiência de fé de muitas pessoas, o seguimento de Jesus, muitas vezes, não se associa com a ideia de “felicidade”.  Predomina, em certos ambientes ou grupos cristãos, uma doutrina dolorida e uma catequese afastada da busca humana da felicidade. O cristianismo se apresentou, durante muito tempo, como a religião da cruz, da dor, do sofrimento, da renúncia, da repressão ao prazer e à felicidade neste mundo.

Diante de tal situação, Jesus, no Evangelho de hoje, afirma categoricamente: “Felizes sois vós!”. Jesus, ao “descer à planície”, promulga seu programa “com” vida, fundado não numa ética de “deveres e obrigações”, mas numa ética de “felicidade e ventura”. Aqui está a surpreendente novidade do projeto oferecido por Jesus. Sem sombra de dúvida, o significado das bem-aventuranças e, portanto, do programa de Jesus, é algo mais humano, mais próximo e mais ao alcance de ser entendido e vivido por qualquer pessoa de boa vontade.

O Evangelho, a “boa notícia”, é o tesouro que enche o ser humano de uma felicidade indescritível. Com efeito, a primeira característica que aparece nas bem-aventuranças é que o programa de Jesus para os seus é um programa de felicidade”. Cada afirmação de Jesus começa com a palavra “makárioi”, “ditosos”. Essa palavra, significa, em grego, a condição de quem está livre de preocupações e atribulações cotidianas.

As bem-aventuranças substituem os mandamentos que proíbem por um anúncio que atrai para a felicidade. E a promessa de felicidade não é para depois da morte. Jesus fala da felicidade nesta vida.

Conhecemos duas listas de Bem-aventuranças: a de Lucas e a de Mateus. São bastante distintas, porque uma fala dos pobres e a outra fala dos pobres “em espírito”; uma fala de fome e outra de fome de “justiça” ... Costuma-se dizer que as Bem-aventuranças de Lucas são bem-aventuranças “de situação”, e as de Mateus são “de atitude”. Ou seja, enquanto Lucas diz: os que se encontram assim, os que estão nesta situação, são bem-aventurados (os que estão chorando, os que tem fome, os que são pobres...), Mateus diz: os que reagem desta maneira diante dos que choram, dos que são pobres, dos que tem fome... são bem-aventurados. É como a atitude que se toma frente aqueles que Lucas descreveu.

Antes de proclamá-las, Jesus vive intensamente as bem-aventuranças; elas são a expressão daquilo que é mais humano no seu interior; elas são seu auto-retrato. Jesus é o bem-aventurado. Ele personaliza tais atitudes: é o pobre, aquele que se comoveu diante da dor e misérias humanas, que expressa uma fome e sede de plenitude e humanização, que é incompreendido e perseguido por causa dos seus sonhos.

O Jesus que os Evangelhos nos apresentam deixa transparecer, permanentemente, um sentimento sereno e agradecido diante da vida. Ele vive apaixonado pelo Reino do Pai; Ele é um homem aberto e próximo das pessoas, com uma enorme capacidade de relação, de maneira especial diante dos mais pobres e excluídos. Mostra uma infinita confiança nas pessoas que encontra, seja qual for sua situação existencial. Ele é o portador definitivo de boas notícias. O evangelho da salvação chega até às barreiras e fronteiras humanas. Seu tempo é tempo de alegria; é a festa das bodas. Jesus nos convida a entrar na nova vida de felicidade e fraternidade. As bem-aventuranças são o caminho da felicidade.

Jesus, ao proclamar “bem-aventurados” os pobres, os famintos, os que choram, os que são perseguidos... jamais quis sacralizar a dor humana. Ao contrário, são bem-aventurados, sim, os pobres, porque, vazios de apegos e cheios de esperança, anunciam o sonho de Deus para a humanidade, uma nova sociedade baseada na solidariedade e na partilha; são bem-aventurados, sim, os famintos, porque trazem nas entranhas a fome de liberdade e sabem que o ser humano e o mundo carregam infinitas possibilidades de crescimento; são bem-aventurados, sim, os que choram porque suas lágrimas  demonstram que eles ainda não perderam a sensibilidade, que eles sentem o mundo como injusto e que, por isso, são verdadeiramente os únicos a sonharem, a buscarem e a lutarem por um mundo novo; são bem-aventurados, sim, os que são perseguidos porque seguem corajosamente a estrela do Reino e são sinal de grande transformação realizada por Deus.

As bem-aventuranças nos revelam que somos habitados por um impulso que nos torna “buscadores de felicidade”. A sociedade de consumo que invadiu tudo, realça a felicidade como a meta imediata de nossas buscas, algo ao qual temos direito e que depende de fatores externos. Esta felicidade é passageira, pois quando a alcançamos, invade de novo a insatisfação, a inquietude, o ressentimento, a inveja... e de novo empreendemos nossa busca. Assim, pois, a felicidade nos escapa quando a buscamos “fora”, como fim em si mesma, para saciar nosso ego insaciável.

A felicidade nasce dentro de nós: daquilo que sentimos, que valorizamos, que vivemos... Por isso, as bem-aventuranças não são algo externo, mas atitudes que plenificam nossos corações. A chave da felicidade está em permitir que se revele o sentido da luminosidade que se encontra no fundo de nosso ser. O que nos tira a energia e nos torna impotentes é afastar-nos desse princípio vital que é o Divino em cada ser.

Ser o que somos, em serenidade e profundo sentido. A felicidade, tal como a verdade e a beleza, ao se revelar a nós, desata a potencialidade daquilo que somos e de tudo o que é. Nesse sentido, felicidade pode ser entendida como um “estado de espírito”; felicidade é viver sem chegada, sem partida; é experimentar uma sensação de renascimento de satisfação interior... ou sentir despertar em si um potencial de bondade, de compaixão, de solidariedade...muitas vezes desconhecida. 

A verdadeira felicidade coincide com a paz interior; é o prazer de descobrir, cada dia, que a vida se inicia novamente em cada amanhecer; é fazer da mesma vida uma grande aventura... Por isso, a felicidade está relacionada com a gratuidade e com a gratidão.

Texto bíblico:  Lc. 6,17.20-26

Na oração: “empalavrar” (pôr em palavras) as bem-aventuranças que brotam do seu coração, aquelas que lhe inspiram e dão sentido à sua existência, como seguidor(a) de Jesus.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 16 de fevereiro de 2019

A MÍDIA MAINSTREAM*



Como "02" anteviu e desmontou o plano maquiavélico da Rede Globo 

Se Bebiano não tivesse sido desmascarado na questão da suposta candidatura-laranja que ele, Bebiano e Bivar (ou sabem-se lá quem mais) arrumaram nas vésperas da eleição, para aparentemente desviar R$ 400.000,00, hoje o problema estaria grudado no Presidente da República, e certamente existiria de fato uma crise grave no Governo.

A mídia inteira a partir de agora estaria começando a falar de “crime eleitoral” pelo Presidente, de desvio de dinheiro de campanha (nos moldes de PC Farias/Collor), e a arapuca estaria montada para inviabilizar o governo.

Era de fato um plano maquiavélico. 

Mas Carlos Bolsonaro desmontou a trama. Ao ter capacidade de perceber o perigo que se armava no horizonte para o governo do pai, desmentiu praticamente em tempo real, a notícia veiculada na mídia tradicional (e replicada instantaneamente pelo prestigiado site ‘O Antagonista’) da (inexistente) conversa de Bebiano com Bolsonaro para tratar do assunto da “candidatura-laranja”.

E além de desmentir Bebiano e a mídia, Carlos Bolsonaro ainda divulgou o áudio do pai para provar que não houve qualquer conversa com Bebiano, deixando claro que o problema não seria assunto do Governo e da Presidência da República.

Carlos Bolsonaro, com essa atitude, gerou ódio dos muitos que esperam de fato um enfraquecimento do Governo Bolsonaro, com o aparecimento de crises e o surgimento de motivos para se tentar derrubar o presidente.

E, incrivelmente, hoje a mídia “mainstream”, incluindo-se o próprio ‘O Antagonista’, passou o dia inteiro defendendo a permanência de Bebiano no governo e condenando a atitude de Carlos Bolsonaro.

Com efeito, se ela tivesse bom-senso deveria ter feito justamente o inverso: teria apoiado o afastamento de Bebiano e aplaudido a atitude de um Presidente que, ao menor sinal de algo errado por parte de alguém de sua equipe, o isola do Governo e o demite (o que tudo leva a crer que será feito).

Mas não. A cegueira ideológica dela, mídia “mainstream”, é tão grande, e a raiva que sente pelo fato de a arapuca ter sido desarmada é tão insuportável, que sequer percebe o vexame que passa ao ser tão contraditória.

Assim como o Rei, na fábula, a mídia também ficou nua: passou os anos petistas dizendo arrogantemente, de forma pernóstica, que ministros não podiam ser protegidos, que tinham que ser demitidos ao sinal de “malfeitos”, e agora, justamente quando Bolsonaro age como ela, mídia, sempre disse que se tinha que agir, passa a ser contra a medida do Presidente, passa a defender a permanência do malfeitor no governo.

Carlos Bolsonaro, com uma tuitada e um post no Facebook, de uma só vez blindou o pai no episódio da “candidatura-laranja” e desmascarou tanto a hipocrisia da mídia “mainstream” quanto o seu espírito golpista de querer fabricar crises.

O “02”, ou o “pit-bull”, mostra que tem de fato uma mente preparada para lutar a guerra cultural.

Está apenas começando. Tem muita limpeza a ser feita ainda. Até o final do governo, muito jornalista vai entrar em colapso nervoso.

Repassando...


Texto de Guillermo Federico Piacesi Ramos
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*Mainstream é um conceito que expressa uma tendência ou moda principal e dominante. A tradução literal de mainstream é "corrente principal" ou "fluxo principal". Em inglês, main significa principal enquanto stream significa um fluxo ou corrente.
 (Pesquisei no Google)

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