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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

TERRAS DE SALAMANCA – Cyro de Mattos



Terras de Salamanca

 Cyro de Mattos

 

          Em outubro de 2013, participei do XVI Encuentro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca, Cidade de Cultura e Saberes. Na oportunidade fiz lançamento de meu livro Onde estou e sou/Donde Estoy y soy e dei depoimento na universidade sobre minhas atividades literárias ao longo dos anos. Recitei poemas de minha autoria no Liceu de Salamanca. Doei livros de minha autoria ao Centro de Estudos Brasileiros, em ato que constou da programação do XVI Encuentro de Poetas Iberoamericanos.

          Amizade que ficaria selada para sempre foi a que fiz com o poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart, o coordenador dos Encuentros, figura rara como construtor de pontes entre os poetas ibero-americanos que comparecem ao evento, de repercussão internacional. Professor da Universidade, esse incansável disseminador de poesia é poeta de alto nível, traduzido e publicado em mais de vinte idiomas. Um ser humano que veio a esse mundo para iluminar com a poesia a parte noturna de que somos feitos. Tinha em Jaqueline, sua princesa, a mulher ideal para acompanhar-lhe na aventura das letras.

          Durante o Encontro tive a oportunidade de saber que Salamanca foi no início uma aldeia na colina, séculos sobre o rio Tormes inclinaram-se à arte e à sabedoria. Testemunharam a passagem do tempo, na formação da paisagem lendária, váceos, vetões, romanos, visigodos e muçulmanos. Uma vocação universitária ressoou na maior tradição de esplendor monumental. Por sua beleza antiga e riqueza histórica, o tempo foi justo ao fazer com que Salamanca ficasse conhecida como a Cidade de Cultura e Saberes.

          Ocorrem na Plaza Mayor falares decorrentes de frequente convivência entre o alegre e o triste, nisso que é esperança e incerteza em nossa caminhada na vida. Capítulos assim ali escorrem da vida cidadã, muitas vozes de mim e de outros fazendo o intercâmbio da natureza humana nesse antigo teatro da vida. Nas ruas iluminadas pelo ouro da cultura e do saber não se pode deixar de pensar que nelas andaram Fray Luiz de Léon, Unamuno, Francisco de Vitoria, Francisco de Salinas, Cervantes, São João de La Cruz, Luís de Gôngora, Santa Teresa de Jesus, Lope de Vega, Mateo Alemán, Vicente Espinel, Quevedo e Calderón de la Barca.

          Essas ruas cunhadas pelos gestos da sabedoria e santidade humanas. Refletidas por duas extraordinárias catedrais. Antes que adentre na cidade, recebe ao visitante a alma gêmea. Numa casa de guardiã memória, conchas representam a cidade por vários rumos, decoram o mundo que estaciona para vê-la. Nas dobras do tempo, Salamanca oferta encantos, inventa-se nessa crença de pedra, história e vasta fé. Apresenta-se sempre como um desafio, um mito, uma abertura, um enigma. De sentidos múltiplos, memórias que nela achamos.

            Na fachada de casas e igrejas e edifícios basta para entender que estamos na história. Caminhar é a forma de descobrir segredos de quem também sabe ser contemporânea e jovem com estudantes de tantos lugares misturados na face agitada. Quando a noite cai, luzes enchem a parte noturna, lugares em que o coração aprende que o amor se faz amando o mito, que se apodera da alma.

Ó Salamanca, aqui o que vejo na fachada faz-nos ser da história. Essa luz que de ti se espraia a todo instante vem de teu chão para erguer os saberes seculares nos beirais floridos. 

 

Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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NOME DE MULHER - Gerana Damulakis

 


Antologia do melhor do conto

sobre a mulher tem histórias

de dois escritores grapiúnas

 

 A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de publicar a antologia Nome de Mulher, organizada por Gerana Damulakis, reunindo dezessete contistas baianos, dos mais expressivos e, entre eles, os escritores Cyro de Mattos, que participa do volume com a história “Laura Palmer”, e Hélio Pólvora com “Afonsina Desaparecida”. Os outros contistas da antologia são estes:  Mayrant Gallo, Marcus Vinicius Rodrigues, Aleilton Fonseca, Maria da Conceição Paranhos, Carlos Barbosa, Adelice Souza, Ruy Espinheira Filho, Allex Leila, Aramis Ribeiro Costa, Gláucia Lemos, Carlos Ribeiro, Myriam Fraga, Ricardo Cruz, Flamarion Silva e Lima trindade.

Segundo Gerana Damulakis, “para organizar uma antologia que cumpra meu desejo de reunir texto com títulos que trouxessem um nome de mulher, tais textos devem ser contos. Aqui estão eles, arrumados por ordem alfabética dos títulos com nomes femininos e consequentemente trazendo personagens criadas de acordo com o imaginário de cada escritor, pois, é óbvio, as histórias evidenciam vertentes diversas e abordagens várias em relação às mulheres que as protagonizam.”

Além de ensaísta, com vários títulos no gênero ensaio, Gerana Damulakis é membro da Academia de Letras da Bahia.

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PELO CHILE PAÍS IRMÃO: LUTO, LUTA E ORAÇÃO – Paulo Roberto Campos



Foi um dia muito triste para o Chile e para todos nós. O candidato de extrema-esquerda, Gabriel Boric, venceu as eleições presidenciais. Meus pêsames aos chilenos que ainda prezam os valores da civilização.

Essa vitória comunista se deveu tanto à moleza dos chilenos centristas, que não quiseram votar no candidato de direita, José Antonio Kast, quanto ao clero progressista, velho companheiro de viagem do comunismo. Agora, aguentem as consequências… 

Esse triunfo esquerdista nos remete à vitória do marxista Salvador Allende em 1970 com o apoio da URSS, quando o Chile viveu os três piores anos de sua história, afundado na mais tenebrosa miséria moral e material. 

Remete-nos também a uma memorável campanha da TFP brasileira e de outros países. Em 50 cidades do Brasil o público viu erguerem-se seus estandartes rubros com o leão dourado, e ouviu os slogans de sua campanha: “Leiam nosso manifesto: Pastores entregaram o Chile ao lobo vermelho!” — “Plinio Corrêa de Oliveira denuncia trama progressista no Chile!”

Em Belo Horizonte, então a terceira cidade mais populosa do Brasil, sócios e militantes da TFP organizaram um desfile encabeçado por um estandarte enlutado, de 12 metros de altura, e por uma grande faixa com os seguintes dizeres: “Pelo Chile, país irmão, luto, luta e oração” [foto]

Que o atual desastre chileno sirva de alerta a nós brasileiros, para agirmos enquanto é tempo a fim de evitar que nas eleições presidenciais de outubro de 2022 os propugnadores das velhas ideias comunistas prevaleçam como no Chile, conduzindo-nos à trágica situação de Cuba e da Venezuela.

https://www.abim.inf.br/pelo-chile-pais-irmao-luto-luta-e-oracao/

 

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