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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

TEM SENTIDO ISSO? - Antonio Nunes de Souza

Tem sentido isso?

O primeiro poema que aprendi em minha vida, no início da juventude, apareceu um poeta que foi fazer um recital no cinema (em S. Amaro da Purificação esses eventos literários, eram comuns), e declamou sendo muito aplaudido:

NÃO ENTENDO

Não entendo, não entendo,
Pelas ruas da cidade,
Havia um louco dizendo:
As casadas sempre puras,
As viúvas procedem bem,
As mocinhas coitadinhas,
De donzelas o nome tem!
No entanto os asilos
Vão enchendo de pequeninos,
Meu Deus me responda:
De quem são esses meninos?

Infelizmente, pelos sessenta anos passados, não lembro-me quem ele falou que era o autor (uma pena), mas, curiosamente, peguei o programa do espetáculo e terminei decorando esse histórico e sempre atual poema!

Temos a desditas de ver, atualmente e crescentemente, o número absurdo de milhões de crianças abandonadas, a grande maioria sem a felicidade de encontrar abrigos em instituições governamentais, vivendo precariamente em suas favelas, embaixo das pontes, construções abandonadas, bancos de jardins ou embaixo de marquises! Mais lamentável ainda é ter a tristeza de vê-las remexendo latas de lixo e apanhando restos contaminados para se alimentarem.

Repugna-me e sinto dor no coração, principalmente quando vejo nos jornais, revistas e televisões, grupos enormes de dondocas, atores e atrizes, fazendo campanhas fervorosas para salvar os cães e gatos abandonados, mostrando seus animaizinhos de estimação com roupinhas, colares, laços de fitas, maletas especiais para transportes, planos de saúde, etc.

Em nenhuma hipótese sou contra os animais domésticos, acho claro e lógico que seus donos tenham cuidados especiais, porém, que suas preocupações externas e públicas sejam com nossas crianças que, logicamente, são humanas e vivem sofrendo num mundo desigual e desumano!

Reafirmo que não tem sentido isso, ou seja, as grandes preocupações e movimentos, muito mais pelos gatos e cachorros que com as crianças, pois, comprovadamente, com essa vida de desprezo, discriminação e abandono, terminam como já presenciamos, se transformando em verdadeiros marginais e bandidos!

Falei apenas citando os cães e gatos, mas, conheço um rato branco que tem vida de príncipe: Casa, comidinha, cama e roupinhas lavadas!


Antonio Nunes de Souza, escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras– AGRAL


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ACADEMIA DE LETRAS DE ITABUNA FECHA ANO COM 2ª “GURIATÔ

Academia de Letras de Itabuna fecha ano com 2ª “Guriatã”

A revista destaca a produção de integrantes da ALITA, além de outros nomes da literatura regional

        A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) encerra as atividades do ano de 2016 colocando à disposição da comunidade a 2ª edição da revista Guriatã. Editada pelo escritor Cyro de Mattos, a publicação reúne textos (artigos, poesias, ensaios, crônicas etc) assinados por integrantes da instituição, além de discursos, fotografias e matérias alusivos à trajetória da Academia.

       Nas palavras do editor, “uma academia de letras serve para interagir com a comunidade na promoção e defesa da liberdade de expressão. O ideal que lhe dá suficiência deve consistir na valorização da humanidade nas letras”. Ele ressalta o papel da ALITA – e de instituições afins – para cultivar a importância da língua, da literatura e da comunicação como manifestações voltadas para o conhecimento.

       A segunda edição da “Guriatã”, que contou com o apoio cultural do Grupo Chaves, traz textos assinados pelos seguintes membros da Academia: Aramis Ribeiro Costa, Cyro de Mattos, Carlos Valder do Nascimento, Renato Prata, Aleilton Fonseca, Sônia Carvalho de Almeida Maron, Ruy Póvoas, Ceres Marylise Rebouças, Rilvan Santana, Jorge Luiz Batista dos Santos, Lurdes Bertol, Delile Oliveira, Raquel Rocha, João Otávio, Celina Santos, Margarida Fahel e Carlos Eduardo Passos. Entre os poemas, versos de Firmino Rocha, Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro. 
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Nota Editorial

Mais uma vez quero agradecer ao editor da revista acadêmica ‘Guriatã’, o escritor Cyro de Mattos, por ter inserido o texto ‘Jupará’, de minha autoria, na edição de 2016 da prestigiada revista.

Aproveito a oportunidade para conclamar aos acadêmicos da diretoria da ALITA, mais ação administrativa, mais integração com a comunidade, mais projetos comunitários, mais ação política, agregar todos os membros sem tendência de grupo, torná-la mais democrática e mais transparente.

Uma academia não pode e não deve ser, somente, um repositório de reuniões de condestáveis, mas aberta às diversas tendências intelectuais e culturais.  Sua importância se dará à medida que for significativa para comunidade. 

Uma academia de letras de uma cidade, de um estado, de um país, expressa o que existe de melhor intelectualmente e culturalmente numa sociedade e deve ser dirigida por um líder não por um chefe. O líder a diversifica e a agrega, o chefe coloca-a aos interesses dos proeminentes de plantão e dos apaniguados. O rosto de uma academia, deve ser o rosto da comunidade...

Hoje, se alguém desavisado perguntar ao cidadão itabunense comum: “O que é Alita?” Ele irá responder de chofre: “Não é a irmã de Carmelita que mora no Pau do Urubu?”, tal sua ineficiência.
  
Rilvan Batista de Santana. Itabuna, 07 de dezembro de 2016.




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CYRO DE MATTOS: HISTÓRIAS DOS MARES DA BAHIA - Lançamento

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
C O N V I T E

Histórias dos mares da Bahia – Cyro de Mattos

"O livro reúne contos de dezesseis grandes autores brasileiros, e cada um dos contos retrata o mar enquanto ambientação da história. Alguns narradores seguem o modo tradicional de narrar, outros, com elementos de composição moderna, chegam mesmo a fundir os limites da prosa e do poema".



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