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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A VERDADE DAS ESPUMAS - Carlos Heitor Cony

A verdade das espumas


Acho que não foi há tanto tempo assim. Cheguei à praia com minhas filhas e encontrei um aglomerado de cidadãos. Eles montavam guarda num pequeno trecho da areia, caras alarmadas, pior: pungidas. Não fui eu quem viu o grupo: foi o grupo que me viu e dois de seus membros vieram em minha direção, delicadamente me afastaram das meninas e comunicaram: -Tire depressa suas filhas daqui!. As palavras foram duras, mas o tom era ameno, cúmplice.

Quis saber por que. Em voz baixa, conspiratória, um dos cidadãos me comunicou que ali na arrebentação, boiando como uma anêmona, alga desprendida das profundezas oceânicas, havia uma camisinha -que na época atendia pelo poético nome de "camisa de Vênus".

O grupo de cidadãos ali estava desde cedo, alertando pais incautos, como se a camisinha fosse uma pastilha de material nuclear, uma cápsula de césio com pérfidas e letais emanações.

Não me lembro da reação que tive, é possível que tenha levado as meninas para outro canto, mas tenho certeza de que nem alarmado fiquei. Hoje, a camisinha aparece na televisão, é banal e inocente como um par de patins, um aparelho de barba.

Domingo último, encontrei um grupo de cidadãos em volta de uma coisa. Não, não era aquele monstro marinho que Fellini colocou no final de um de seus filmes. Tampouco era uma camisinha.

O motivo daquela expressão de cidadania era uma seringa que as águas despejaram na areia. Objeto na certa infectado, trazendo na ponta de sua agulha o vírus da Aids, que algum viciado ali deixara para contaminar inocentes e culpados. Daqui a dois, cinco anos, espero que a Aids não mais preocupe a humanidade. Mas os cidadãos continuarão alarmados, descobrindo novas misérias na efêmera eternidade das espumas.

Folha de São Paulo (RJ), 27/08/2017




Carlos Heitor Cony - Quinto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 23 de março de 2000, na sucessão de Herberto Sales e recebido em 31 de maio de 2000 pelo acadêmico Arnaldo Niskier.

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ORELHAS DO LIVRO “LAFAYETTE DE BORBOREMA UMA VIDA, UM IDEAL” – Helena Borborema

Lafayette de Borborema


            “Conheci Lafayette de Borborema e acompanhei parte  de sua trajetória em Itabuna.  Advogado, criminalista de renome, político, bom jornalista, bom cidadão.

            Simples, despido de ambição, vaidade, defendia o cliente com ardor e combatividade, não distinguindo o rico do pobre.

            Tinha em mira a causa e não o cliente e com os olhos fitos na deusa de olhos vendados, símbolo da sua profissão, traçou o rumo a seguir, marchando firme, intemerato, desprendido.

            Lafayette de Borborema não pertence tão somente à memória da família e dos amigos, pertence também à História de Itabuna como um dos membros ilustres que o tempo não pode apagar.

RAYMUNDO CRAVO

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            “Inteligente, vibrátil, assim o víamos, sumido entre pilhas que iam até o teto, do seu “Jornal de Itabuna”. De sua carteira, empoeirada,  lançava aquele olhar arguto, enquanto esboçava, num lado da face, um quase riso entre jovial e sarcástico, do jornalista que estraçalhava com fina ironia o adversário, em cruentas polêmicas dos anos idos. Lafayette de Borborema, o advogado tranquilo, agitava-se e agigantava-se na defesa ou no ataque, sem fugir da linha mestra do Direito, o que bem conhecia.

            E o tipo humano? Alma de criança nos longos bate-papos. Esqueceu-se dos ganhos fartos daquela época, deixou-nos, em sua modéstia respeitosa, prole digna e amada, caminhos a seguir,  sempre vivo em nossa lembrança.

OTTONI JOSÉ DA SILVA

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“LAFAYETTE DE BORBOREMA

            A primeira imagem que me aflora à memória, ao evocar, pela magia da remembrança, a figura humana sob todos os títulos respeitável, do meu amigo Lafayette de Borborema, é a do advogado, que na tribuna do Júri ou na defesa das causas cíveis, tinha uma conduta retilínea das mais louváveis, o que lhe dava uma autoridade moral das mais meritórias.

            Mas o que me atraía neste homem, de pequena estatura, mas de avantajado  porte moral,  era sua participação como advogado criminal, defendendo inocentes injustiçados ou condenando, com o cautério de sua dialética irrespondível, os celerados da pior espécie,  que ontem, como hoje, perturbam o funcionamento normal das sociedades.

            Na tribuna do Júri era um leão de juba eriçada, na defesa de princípios morais que serviram de norte a toda sua existência, esgrimindo com a perícia de um d’Artagnan e pondo fora de combate adversários da melhor estirpe, com a força destruidora de seus argumentos, tudo isso de maneira ética e estritamente profissional.

            Esta a lembrança imperecível que tenho do grande lidador, que se chamou em vida Lafayette de Borborema.

JOSÉ NUNES DE AQUINO

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 (Lafayette de Borborema: UMA VIDA, UM IDEAL)
Helena Borborema
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HELENA BORBOREMA -  Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município
(A autora)

Conhecida professora itabunense, filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’.
(Cyro de Mattos)

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O SILÊNCIO DOS LOBOS - Aldo Novak

O silêncio dos lobos


Pense em alguém que seja poderoso…
Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia, como um lobo?
Lobos não gritam.
Eles têm a aura de força e poder.
Observam em silêncio.

Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.

Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe.
Sorria.
Silencie.
Vá em frente.

Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.

Não é verdade!
Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.
Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:
“Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”.

Responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.
Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.
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Aldo Novak, cujo nome completo é Edwaldo Novak (São Roque, 10 de novembro de 1962) é um jornalista, que iniciou a carreira especializando-se em jornalismo aeroespacial e ficção científica, mas que atualmente é mais conhecido por seus textos de gestão pessoal, administração e equilíbrio de vida. Ele também é conhecido, no Brasil, como conferencista e coach e autor do livro "O Segredo para Realizar Seus Sonhos", da editora Ediouro e do livro "A Vida Não Tem Segredo", da editora Dreamland.

(Wikipédia)

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - Jesus Abandonado

Imagens  Internet
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?” Sal. 2:1.

“Por favor, não me deixe aqui mãe”, foi o clamor desesperado da pequena Alana, naquele trágico dia em que os sequestradores chechenos se apoderaram da escola de Beslan, na Rússia.

Os sequestradores forçaram Zalina a abandonar a filha de seis anos, em prantos. Somente assim ela poderia sair da escola salvando o filho de dois anos. Escolha terrível! Fazer o quê? Morrer ali com os dois filhos, ou salvar pelo menos um? As horas seguintes para Zalina foram literalmente o inferno. Cada segundo parecia ser uma labareda de fogo de sua própria consciência. Imaginava o que estaria acontecendo naquela noite com Alana, no assustador ginásio ao lado dos sequestradores. Graças a Deus, no dia seguinte, ela teve de volta sua filha. Coberta de sangue, em choque, desidratada, mas viva.

Zalina sabe que um dia terá que olhar nos olhos de Alana e explicar por que teve que fazer aquela difícil escolha. “Isso deixa marcas”, ela se recrimina, “nós duas nunca mais seremos as mesmas.”

Séculos atrás, numa montanha solitária, pendurado numa cruz, Jesus exclamou: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” Não existe pior sentimento que o de solidão e desamparo. Você olha para todos os lados e não vê ninguém. O clamor de Cristo era mais dramático ainda, porque Ele afirmou muitas vezes “Meu Pai e Eu somos um”. O que foi que acontecera com aquela unidade maravilhosa?

Na cruz, o Senhor Jesus carregou sobre Si a culpa de todos nós e experimentou na própria carne a crueldade do pecado. Ao carregar voluntariamente a culpa da humanidade, Jesus chegou a conhecer o sentimento de desamparo e solidão que se apodera da criatura quando se afasta do Criador.

Inutilmente, o ser humano tenta achar o “seu” caminho sozinho, encorajado pelo existencialismo. O fracasso, a frustração e o vazio parecem persegui-lo sempre. Por que viver assim, se alguém já pagou o preço da culpa na cruz? É tão simples e ao mesmo tempo tão difícil para o orgulhoso coração humano aceitar a oferta divina. Mas é a única saída.

Antes de iniciar suas atividades de hoje, lembre-se de que você não precisa mais sentir-se só, porque um dia alguém, em seu lugar, já disse: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?”

Alejandro Bullón www.ministeriobullon.com

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EN CHILE Y BRASIL DEDICAN LIBROS Y ENSAYOS A PÉREZ ALENCART

Son obras del chileno Luis Cruz-Villalobos y de los brasileños Clauder Arcanjo y Cyro de Mattos

Alfredo Pérez Alencart con dos de los libros

Todo un poemario quiso dedicar el poeta y editor chileno Luis Cruz-Villalobos a Alfredo Pérez Alencart, reconocido poeta peruano-salmantino, a quien le une la fe poética y la fe cristiana. El resultado ha sido el libro “De qué sirvió la poesía”, publicado bajo el sello de Hebel Ediciones en Santiago de Chile. El prólogo del mismo es del poeta y juez chileno Víctor Ilich. El conjunto de poemas resultan un alegato a favor de la creación poética, a pesar de desdenes y de estar fuera del ‘mercado’.

Luis Cruz-Villalobos (Santiago de Chile, 1976), también es psicólogo clínico y Ministro presbiteriano. Se ha dedicado a la labor literaria desde su adolescencia y tiene publicados una veintena de poemarios, tanto digitales (la mayoría) como en papel (‘Breve-mente’, Vid, Santiago, 2011 y ‘Dios Mendigo. Teografías’, Hebel, Santiago, 2012). También variados artículos y ensayos académicos sobre Psicología y Teología. Cuenta con un Magíster en Psicología Clínica de la Universidad de Chile y es candidato a PhD en la Vrije Universiteit Amsterdam. En 2015 publicó ‘Como abrazo exacto’, una atractiva antología de su obra.

Por su parte, el escritor Clauder Arcanjo (Ceará, Brasil, 1963), que es editor, poeta, narrador, cronista y crítico literario, acaba de publicar su novela “Cambono” (Sarau das Letras Editora, Mossoró, Rio Grande do Norte, pp. 362), uno de cuyos capítulos ha dedicado a Alfredo Pérez Alencart, bien acompañado por otros destacados poetas y críticos brasileños, como Carlos Nejar, Álvaro Alves de Faria, Adélia Prado, Lilia Souza, Zânzio de Acevedo, David de Medeiros Leite, François Silvestre de Alencar, Francisco Rodrigues da Costa, Paulo de Tarso Correia de Melo, Dulce Cavalcante, Alberto Bresciani, Ferreira Gullar o Ângela Gurgel, entre otros. El prólogo es de Aécio Cândido de Souza.

Arcanjo en 2003 recibió la mención honrosa del Premio de Poesía Luís Carlos Guimarães. Entre sus libros publicados están: Licânia (Cuentos, 2007); Lápis nas veias (Minicontos, 2009); Novenário de espinhos (Poesía, 2011). Uma garça no asfalto (Crónicas, 2014) y Pílulas para o Silêncio (Píldoras para el Silencio, Aforismos, edición bilingüe traducida por A. P. Alencart, 2014). Es  miembro da Academia Mossoroense de Letras (AMOL), del Instituto Cultural del Oeste Potiguar (ICOP), de la Academia Masónica de Letras de Río Grande do Norte (AMLERN), y socio correspondiente de la Academia Paranaense de la Poesía (APP). 

Finalmente, el prestigioso escritor Cyro de Mattos (Itabuna, Bahía, 1939), ha publicado el libro titulado A Anotação e a Escrita (Editora Via Litterarum, Bahia, pp. 304), donde recoge algunos ensayos dedicados a poetas, traductores e investigadores brasileños, europeos y norteamericanos, Entre las páginas del mismo, y en su sección “El país de las letras”, incluye un análisis sobre la poesía de Alfredo Pérez Alencart. También sobre el alemán Curt Meyer-Clason, traductor de João Guimarães Rosa y Gabriel García Márquez; sobre el brasileñista Fred Ellison, quien tradujo en estados Unidos a importantes brasileños, además de los dedicados a Nelly Novaes Coelho, Rui Barbosa, Aurélio Buarque de Holanda, Assis Brasil, Lima Barreto o de Rui Barbosa, entre otros. De Mattos ya publicó y difundió en Brasil una amplia entrevista a Pérez Alencart, a quien también dedicó su libro Poemas da terra e do rio, aparecido el año pasado en edición bilingüe portugués/inglés.

Cyro de Matos tiene una amplia y variada obra literaria, tanto en volúmenes de cuentos, novelas, poemarios o textos para niños y jóvenes. Es miembro de la Academia de Letras de Bahía y del Pen Clube de Brasil, Doctor  Honoris Causa por la Universidad Estadual de Santa Cruz, en Sur  de Bahia, y ha obtenido varios galardones, como el Premio Nacional Ribeiro Couto, el Premio Afonso Arinos, el Premio Centenario Emílio Mora o el Premio Internacional de literatura Maestrale Marengo d’Oro (Génova). Tiene obra publicada en Alemania, Francia, Portugal, Rusia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suiza e Italia. Entre sus libros de poesía están Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor, Lavrador inventivo, Viagrária, Casa Verde, Os engaños cativantes, Cantiga grapiúna, No lado azul da cançao, Onde Estou e Sou / Donde estoy y soy, Canto a Nossa Senhora das Matas y Oratório de Natal.


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Tradução:

Chile e Brasil dedicam livros e ensaios para Perez Alencart

São obras de chileno Luis Cruz-Villalobos e dos brasileiros Clauder Arcanjo e Cyro de Mattos

O poeta e editor chileno Luis Cruz-Villalobos, quis dedicar uma coleção inteira de poemas  a Alfredo Pérez Alencart, renomado poeta peruano-salmantino, a quem se junta a sua fé poética e a fé cristã. O resultado foi o livro “De qué sirvió la poesía”, publicado sob o selo das edições Hebel em Santiago do Chile. O prólogo  é do poeta e chileno juiz Víctor Ilich. A coleção de poemas são uma excepção de criação poética, apesar de desdéns e de estar fora do 'mercado'. 

Luis Cruz-Villalobos (Santiago, 1976), é também um psicólogo clínico e ministro presbiteriano. Ele dedicou-se a obra literária desde a adolescência e publicou vinte livros de poesia, tanto digitais (principalmente) e papel ( 'Short-mente', Vid, Santiago, de 2011 e 'de Deus Pauper. Teografías' Hebel, Santiago , 2012). Também muitos artigos e ensaios acadêmicos sobre psicologia e teologia. Ele tem um mestrado em Psicologia Clínica da Universidade de Chile e é doutorando na Vrije Universiteit Amsterdam. Em 2015 ele publicou 'como abrazo exacto', uma antologia atraente de sua obra.

Por sua parte, o escritor Clauder Arcanjo (Ceará, Brasil, 1963), editor, poeta, narrador, cronista e crítico literário, acaba de publicar seu romance "Cambono" (Sarau das Letras Editora, Mossoró, Rio Grande do Norte, Pág. 362), cujos capítulos dedicaram Alfredo Pérez Alencart, bem acompanhado por outros proeminentes poetas e críticos brasileiros, como Carlos Nejar, Álvaro Alves de Faria, Adélia Prado, Lilia Souza, Zânzio de Acevedo, David de Medeiros Leite, François Silvestre de Alencar, Francisco Rodrigues da Costa, Paulo de Tarso Correia de Melo, Dulce Cavalcante, Alberto Bresciani, Ferreira Gullar e Ângela Gurgel, entre outros. O prefácio é por Aécio Cândido de Souza.

Arcanjo em 2003 recebeu a menção honrosa Poetry Prize Luís Carlos Guimarães. Entre seus livros publicados estão: Licânia (Cuentos, 2007); Lápis nas veias (Minicontos, 2009); Novenário dos espinhos (Poesía, 2011). Uma garça sem asfalto (Chronicles, 2014) e pilulas para o Silêncio (Comprimidos para Silêncio, Aforismos, edição bilingue traduzido por A. P. Alencart, 2014). É membro da Academia Mossoroense de Letras (AMOL), do Instituto Cultural de Potiguar Oeste (ICOP), da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte (AMLERN) e parceiro correspondente da Academia de Poesia Paraná (APP).

Finalmente, o escritor de prestígio Cyro de Mattos (Itabuna, Bahia, 1939), publicou o livro intitulado A Anotação e a Escrita (Editora Via Litterarum, Bahia, pp. 304), que contém alguns ensaios sobre poetas, tradutores e pesquisadores brasileiros, europeus e americanos, entre as páginas do mesmo, e em sua seção"terra de letras", inclui uma análise da poesia de Alfredo Pérez Alencart. Também sobre Curt Meyer-Clason tradutor alemão de João Guimarães Rosa e Gabriel García Márquez; sobre o brasilianista Fred Ellison, que traduziu nos Estados Unidos grandes brasileiros, além de Nelly Novaes Coelho, Rui Barbosa, Aurélio Buarque de Holanda, Assis Brasil, Lima Barreto ou Rui Barbosa, entre outros. De Mattos já publicou e divulgou no Brasil uma extensa entrevista com Perez Alencart , a quem dedicou seu livro Poemas da terra e do rio,publicado no ano passado em edição bilíngue Português / Inglês.

Cyro de Matos tem uma ampla e variada obra literária, volumes de contos, romances, poemas ou textos para crianças e jovens. Ele é membro da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz, no sul da Bahia, e  ganhou vários prêmios, incluindo o Prêmio Nacional Couto Ribeiro, o Prêmio Afonso Arinos, o Premio Centenário Emílio Mora  o Prémio Internacional de literatura Maestrale Marengo d'Oro (Génova). Tem trabalhos publicados na Alemanha, França, Portugal, Rússia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suíça e Itália. Entre seus livros de poesia estão Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológica, Vinte e Um Poemas de Amor,  Lavrador inventivo, Viagrária, Casa Verde, Os enganos cativantes, Cantiga grapiúna, No Lado Azul da Canção, Onde Estou e Sou / donde estoy y soy, Canto a Nossa Senhora das  Matas e Oratório de Natal.


Com ajuda do Google Tradutor 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

SOLIDARIEDADE NA ILHA - João Ubaldo Ribeiro

Solidariedade na Ilha


Contam os mais antigos que, faz algumas décadas, em Salinas da Margarida, em plena festa da padroeira Nossa Senhora do Carmo, Zecamunista encerrou um comício do Partidão com um discurso incendiário no qual, agitando o punho na direção do céu, xingou o padre e repetiu várias vezes que a religião é o ópio do povo. Acabado o comício e pouco antes de o delegado levá-lo em cana novamente, ele foi muito cumprimentado por cidadãos que se agradaram especialmente dessa parte do ópio, mas, mal ele se recuperava da surpresa, descobriu que o pessoal não sabia o que era ópio e, na maior parte, achava que se tratava de um elogio fino, desses que a gente não entende direito, mas finge que entende, para não passar por iletrado.

Tudo indica que ele nunca superou esse trauma da juventude, pois não se manifesta mais sobre o assunto, a não ser quando muito provocado. Nem mesmo a visita do Papa suscitou qualquer manifestação da parte dele, que assistiu ao noticiário na televisão do Bar de Espanha muito composto e sem gritar nenhuma palavra de ordem. Na verdade, circula até uma fofoca, quiçá invenção de algum marido sem espírito esportivo, ou parceiro de pôquer ressentido, altamente difamatória para um bolchevique de quatro costados, segundo a qual ele conseguiu a colaboração de alguém que conhecia alguém que iria estar com Sua Santidade, para ver se descolava uma bençãozinha para a estampa de São Caetano que tem em casa e de quem se murmura à boca pequena que ele é devoto. São Caetano é o paciente, compreensivo e laborioso padroeiro dos jogadores, apostadores e dos que precisam de sorte em geral, mas Zeca desmente tudo com indignação, embora, se desafiado a renegar o santo, disfarce, mude de assunto e, no máximo, responda que não aceita provocações da direita e não entra em discussões pequeno-burguesas. De forma que, diante de uma história tão eivada de dúvidas e controvérsias, não chegou a causar surpresa o anúncio que ele fez, de que a visita do Papa o tinha inspirado.

— Eu confesso que fui influenciado pelo Papa — disse ele. — Somente depois da visita dele foi que eu me toquei.

— Você se converteu?

— Me respeite! Eu nunca traí meu currículo, eu sou subversivo desde os oito anos, boicotei a páscoa da escola duas vezes e já tomei muito porre de vinho de padre, roubado da sacristia, me respeite. Somente um ignorante é que acha que um materialista cem por cento, como eu, não pode sentir solidariedade humana. Não tem nada de conversão, ele apenas me levou a conceber um novo projeto aqui para a ilha, só que desta vez não é visando o lucro, é por uma recompensa moral, por assim dizer espiritual. E também pode ajudar na imagem aqui da ilha, a hospitalidade é muito importante para o turismo.

— É como aquele outro plano que você bolou, para fazer aqui a cadeia dos condenados do mensalão?

— Não aquele eu abandonei, só vai ter preso mensaleiro na outra encarnação e, como eu não acredito em outra encarnação, é nunca mesmo, esqueça essa besteira, foi tudo brincadeira deles. Não, agora é um projeto muito diferente, ainda não achei um bom nome para o programa, mas creio que talvez Braços Abertos ficasse bem. O primeiro em que eu pensei foi Aconchego da Consolação, mas achei com pinta de filme mexicano de antigamente. Braços Abertos, que é que você acha? Você acha que ela ia compreender o espírito da coisa e até recuperar sua crença na humanidade?

— Zeca, o que é que você andou bebendo? Não entendi nada, ela quem?

— A presidenta, coitada. Eu estive pensando que não haveria melhor maneira de começar o programa Braços Abertos do que com ela, todo mundo ia saber da iniciativa e ver como a ilha seria a solução para muitos. Eu tenho o coração mole, fico comovido com o sofrimento dela.

— Eu não sei de sofrimento nenhum dela.

— Você desconhece a política, eu conheço a política. Você veja, coitadinha, nada deu certo, ela não levou sorte. Praticamente tudo foi para trás, a bagunça é grande, quem era para ajudar atrapalha muito mais do que ajuda, ninguém se entende direito, é um pega pra capar muito feroz, cadê o meu pra lá, cadê o meu pra cá, só estão com ela enquanto acharem que dá futuro. E agora já começaram a se engalfinhar e a disputar o que vai aparecer e o que vai sobrar. Ninguém mais liga para ela, que não sabe se expressar direito e, quando começa a falar, parece que vai dar um cascudo em alguém, coitadinha. Eu fico com pena, é muito duro, às vezes eu penso que ela está ali, querendo fazer pose de cáiser prussiano, mas com vontade de chorar, é desumano.

— Eu nunca tinha pensado nisso.

— É que você também é desumano. Mas eu vou fazer um convite a ela para vir esquecer as mágoas aqui. Agora não, ainda é muito cedo, ela ainda não acreditará, se alguém contar a ela o que vai acontecer. Mas daqui a pouco, a começar pelos atuais bajuladores, vai ter gente sem querer atender ao telefonema, vai ter gente mandando dizer que não está, vai ter mais gente ainda dizendo a ela uma coisa e fazendo outra, vai ter até um cara do cafezinho sem as mesmas mesuras de antigamente, outros vão deixar de lembrar o aniversário, é um conjunto de coisas sutil, mas muito cruel, eu fico comiserado. Aqui ela vai ser recebida com carinho e compreensão, vai até conseguir fazer amigos.

— Que é isso, amigos ela já tem.

— Possivelmente, mas agora não dá para ela saber quem são eles. Ela ainda tem muito susto pela frente e o Braços Abertos chegou para ajudar. O Papa aconselha amar o semelhante. E a semelhanta, como diria ela.

O Globo, 28/7/2013


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João Ubaldo Ribeiro - Sétimo ocupante da Cadeira nº 34 da ABL, eleito em 7 de outubro de 1993, na sucessão de Carlos Castello Branco e recebido em 8 de junho de 1994 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Faleceu no dia 18 de julho de 2014, no Rio de Janeiro, aos 73 anos.

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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - Para ser feliz

Imagem: Blog Canção Nova

Para ser Feliz...


"Os homens e mulheres prudentes de todos os tempos têm aprendido que se alguém quer ser feliz, há só um momento para isso, a saber, o presente. E uma das peculiaridades da felicidade, um paradoxo que ninguém tem entendido nem explicado até aqui, é que um ser humano regido pelo egoísmo a maior parte do tempo, que pensa em si muito mais do que em qualquer outra pessoa, e que se espraia principalmente em suas ideias e interesses, encontra a maior felicidade quando se esquece de seu egoísmo e se torna altruísta no que se refere a si mesmo, seus bens e seus pensamentos.

Tudo o que se aplica à falta de felicidade se aplica à aflição, que é tão grande fator de desdita. Se concentrarmos nossa atenção para ver e desfrutar a felicidade que está ao alcance de nossa mão, não divagaremos pelos campos do passado onde cometemos erros, nem do futuro aonde talvez nunca cheguemos. Se nos acostumamos a gozar de cada momento, a extrair a felicidade do presente à medida que a bondade de Deus no-la traz, iremos vendo que é fútil afligir-se pelo dia de amanhã. Este dia também trará seus momentos felizes se estivermos dispostos a vê-los e desfrutá-los".


(A CHAVE DA FELICIDADE E A SAÚDE MENTAL)

Marcelo Fayard


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domingo, 27 de agosto de 2017

EDUCAÇÃO E SENHORIO - Gabriel J. Wilson

27 de agosto de 2017

[ Fotos: Gabriel J. Wilson ]


Em visita ao vale do rio Dordogne, no centro-sul da França, deparei-me com esta cena insólita: um educado representante de raça canina à janela de uma linda casa, com tal ar de superioridade que parecia ser o dono… Ora, essa casa pertenceu ao antigo batteur de la monnaie, ou seja, o equivalente à Casa da Moeda em nossos dias.

A cena intrigou-me. Como pode um animal portar-se quase como um ser humano? Talvez me engane, mas para um feroz boxer tomar essa atitude só pode ter sido por um trabalho de educação. E essa educação chegou a ponto de o animal exprimir até certo ar de senhorio. Terá ele imitado seu dono ou dona?

Provavelmente jamais saberemos. Mas resta-nos a lição: nos tristes dias em que vivemos, quão poucos seres humanos recebem uma verdadeira educação para a vida. Quantos se rebaixam até onde às vezes não o permite nem mesmo o instinto dos animais. O desleixo, a desordem, o espírito revolucionário degradam pessoas que possuem uma alma imortal e que serão julgadas por Deus no fim desta vida!

Se a tarefa da educação é das mais nobres e meritórias, por isso mesmo deveria constituir a maior preocupação, não só de todos os pais, mães e educadores, mas também de todos os governantes. Infelizmente não é o que ocorre em nossos dias.




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PALAVRA DA SALVAÇÃO (41)

21º Domingo do Tempo Comum - 27/08/2017


Anúncio do Evangelho (Mt 16,13-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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As perguntas inquietantes que nos habitam


“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Já agradecemos alguma vez pelas perguntas que nos fizeram? Em um diálogo, as perguntas são a ponte entre as vozes, a confluência de corações, o brilho de luz compartilhada. Todas e cada uma delas nos fizeram crescer, mesmo aquela que parecia a mais trivial. Porque cada pergunta vem carregada de matizes, umas com carinho, outras de atenção ou de interesse, e, inclusive, algumas de desafio... Umas foram respondidas, outras não sabíamos como respondê-las, talvez nunca saberemos respondê-las...

A pedagogia de Jesus nos Evangelhos é feita de perguntas.
Jesus é um Deus que pergunta. São inúmeras as vezes em que Ele se aproxima das pessoas e as interroga. Desde o “quê buscais?” no início do evangelho de S. João, passando pelas perguntas na região de Cesareia de Filipe, “quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”, “e vós, quem dizeis que eu sou?”, até à tríplice interpelação a Pedro, “tu me amas”?
Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida, também se compõe de perguntas.

Jesus, com sua pedagogia fundada em perguntas, nos coloca diante do mistério de Sua vida e de Suas opções. Responder à pergunta “quem é Ele” é comprometer-se com Ele, é assumir o caminho d’Ele, é arriscar-se n’Ele. Jesus aproxima-se das pessoas. Não procura convencer, argumentar, ou fazer seguidores à base de discur-sos. Suas perguntas ousadas colocam em crise visões distorcidas, falsas concepções e idéias pré-conce-bidas a respeito d’Ele. Com sua pergunta Jesus provoca uma radical decisão pró ou contra Ele, uma clara opção pró ou contra o Reino. Um cristão que nunca tenha proposto seriamente esta questão a si mesmo, de uma maneira vital, não está maduro na maneira de viver o seguimento de Jesus Cristo.

Como cristãos nós nos definimos mais pelo perguntar do que pelo responder. “Perguntar” é buscar, é despertar a capacidade de nos deslumbrar diante deste mundo fenomenal que somos nós e diante desta realidade que nos circunda.

A espiritualidade cristã reacende em nós as grandes “interrogações existenciais”:  
“Quem somos nós? – Quê estamos fazendo? –
Por quê estamos fazendo? – Para quem estamos fazendo?...

A índole interrogatória é traço típico da espiritualidade cristã; o perguntar é ousado; perguntar desafia, tem dose de irreverência; são perguntas de “conversão”, de mudança, que abrem para o futuro, para o novo. A pergunta é movimento, é vida... e suscita resposta viva, criativa, surpreendente... e inesgotável. Não são perguntas para começar a caminhar, mas para reforçar nosso espírito de aventura e mobilizar nossos recursos interiores na busca do “sentido” de nossa identidade e da missão que realizamos. Tais perguntas trazem à tona nossas motivações, nossas formas de agir, de amar e de sentir... A busca é interior, o caminho é pessoal e coletivo, a resposta tem um toque de eleição comunitária.

Desde o início, ainda no paraíso, Deus buscou o ser humano com uma pergunta: “onde estás?”. Deus nos busca continuamente com suas perguntas. Nós somos resposta a essa pergunta primordial. Igualmente, o ser humano é um amontoado de perguntas, é um ser que pergunta. Com pouco tempo de nascimento e quando vai se abrindo à aventura da vida começam suas perguntas: “por quê?”... um infinidade de “por quês?”

Também somos uma pergunta que fazemos a Deus e esperamos resposta. Quantas gostaríamos de fazê-las a Deus? Mas a resposta só virá quando o nosso coração estiver preparado para escutá-la: sem medo, sem angústias, em atitude de espera e confiança.
“Sê paciente com tudo o que ainda não está resolvido em teu coração... Procura amar tuas próprias perguntas... Não busques as respostas que não podem ser dadas, porque não serias capaz de vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Vive agora as perguntas. Talvez assim, gradativa-mente, sem dar-te conta, possas algum dia viver as respostas” (Rainer María Rilke).

De fato, habitamos nas perguntas. Viver à escuta das interrogações nos mantém despertos no caminho. São as perguntas que suscitam em nós o assombro frente à riqueza da realidade, a preocupação frente o drama da humanidade, a disposição frente ao futuro..., exigindo-nos assim viver continuamente numa atitude de escuta.

A mediocridade das respostas formatadas paralisam e fecham as portas às novas possibilidades. As perguntas, ao contrário, são o fio de ouro em meio ao cascalho que mobilizam o garimpeiro a buscar sem cansar. As respostas cortam o movimento, atrofiam a curiosidade, matam a criatividade e o espírito de a-ventura; elas impedem a mobilização dos recursos interiores da pessoa na construção do conhecimento, levando-a à apatia e à acomodação.

O momento é de tecer perguntas onde há mais respostas formatadas e fechadas.  Urge, pois, implementar e desenvolver hábitos, processos, que nos ajudem a sermos mais intuitivos através das perguntas que abrem acesso às reservas interiores de criatividade e imaginação, frente aos desafios cotidianos.

A pregunta “quem é Jesus” não pode ser respondida simplesmente com os dogmas. A resposta deve ser prática, brotar do chão da vida. Nossa vida é a que tem que dizer quem é Jesus Cristo para nós. “Quê diz tua vida de mim?”  Do esforço dos primeiros séculos da Igreja por compreender a Jesus, devemos fazer nossas, não as respostas que deram, mas as perguntas que foram feitas.

A verdadeira pergunta é: “quê é, que significa Jesus Cristo em nossa vida?”  Não basta dizer que cremos em Jesus. É preciso nos perguntar: em quê Jesus cremos e quem é Jesus para nós?

Texto bíblico: Mt. 16,13-20

Na oração: nosso coração se encontra diante da revelação do “eu original”, porque está enraizado na identidade do próprio Jesus (“quem sou eu para vocês?”).
A contemplação da pessoa de Jesus é também desvela-mento do eu “escondido com Cristo em Deus” (Col 3), ou seja, revelação da verdade do eu, onde descobri-mos os traços de nossa própria fisionomia.
Não posso responder a essa pergunta – “Quem é Jesus para mim?” – se não me pergunto ao mesmo tempo: “Quem sou eu, diante do Senhor?” Sem identificação não haverá um encontro profundo com o Senhor.
O encontro comigo mesmo me aproxima do encontro com o Senhor e o encontro com o Senhor revela minha própria identidade.

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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sábado, 26 de agosto de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE – A respiração certa

Imagem Google

A respiração certa acalma a ansiedade e até alivia depressão

Inspirar e Expirar corretamente são um Antídoto contra o Estresse 

Sua cabeça está latejando. Sobram preocupações em casa, seu chefe e resolveu ter crises diárias no trabalho e aquele amor de conto-de-fadas acabou em drama mexicano. "Fiz uma massagem ótima", palpita um, tentando ajudar. "Só com terapia consigo ficar de pé", pitaca o outro. "Ginástica é a solução, deixo todos os meus problemas na esteira", intromete-se mais alguém. E, no meio de tanto zunzunzum, fica você ainda mais atordoada e sem saber como reagir. Pois não faça nada. Sim, você entendeu certo. Pare quieta e apenas respire: aí está o remédio contra a maioria dos desconfortos emocionais. "Aprendendo a controlar a respiração, damos fim em todas as perturbações da mente e dos sentidos", afirma o médico David Frowley, autor de “Uma visão Ayurvédica da Mente, a cura da consciência” (Editora Pensamento).

Considerado o maior especialista ocidental em terapia ayurvédica, ele acaba de vir à América do Sul pela primeira vez e escolheu o Brasil, onde deu uma palestra, para dividir os ensinamentos sobre o sistema de cura tradicional da Índia. "Nossa energia vem, basicamente, da respiração (...). Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar". A seguir, Dr. David Frawley ensina como mudanças sutis na inalação e na respiração podem contribuir no alcance e na manutenção de um estado psicológico marcado pelo bem-estar.

Sopre a ansiedade para longe.
A receita é imbatível contra temores pelo que ainda nem aconteceu, além de bastante eficaz no combate à insônia. Separe uns dez minutos do seu dia, não importa o horário - pode ser, inclusive, no pico de uma situação superestressante. Comece só prestando atenção no ritmo em que o ar entra e sai dos pulmões. Aos poucos, vá controlando este intervalo, até que ele se torne bem espaçado: tente contar até dez enquanto puxa e, depois, quando solta a respiração. Fazendo inalações mais prolongadas, você fortalece todo o seu corpo e acalma a mente. Com isso, as preocupações, por mais terríveis que sejam, acabam amenizadas, já que a energia passa a circular melhor por todo o organismo.

Respirações fortes e intensas
Contornar os sintomas depressivos com a respiração é muito simples. A falta de disposição desaparece, caso você consiga manter um ritmo mais intenso enquanto realiza as inalações e as exalações. A ideia é não apenas respirar com grande velocidade, mas com bastante vigor, puxando e soltando a máxima quantidade de ar possível a cada tentativa. Mantenha o pique por dois minutos e descanse. Repita mais duas vezes. Não se assuste caso venha a sentir tonturas, a sensação é normal - e devida ao excesso de oxigênio que, de repente, passa a percorrer o organismo.

Não é lógico viver assim
Até para quem não consegue dar um passo à frente sem medir todos os prós e contras dessa atitude existem uma respiração ideal. As pessoas que têm o lado racional extremamente desenvolvido (e sofrem maquinando sobre tudo o que acontece ao redor) devem estimular a respiração com a narina esquerda, conectada com o a região do cérebro ligada às emoções. Funciona assim: com um dos dedos, tape a narina direita e faça 30 respirações (inalação, seguida de exalação) somente com a narina esquerda. O exercício será seguido de uma sensação de refrescância e calma.

Emoção demais, não há quem aguente
Aqui, vale o contrário do treino acima. Se você derrama lágrimas até pela grama cortada e se descabela por qualquer bobagem, a dica é estimular um pouco mais o seu lado racional, favorecendo um estado de equilíbrio entre ele e suas desenvolvidíssimas emoções. Com um dos dedos, tape a narina esquerda e faça 30 respirações (inalação seguida de exalação) apenas com a narina direita. O efeito aquecedor desta prática irá ajudar na busca por análises mais racionais das situações impostas pelo dia-a-dia.


Fonte: Site Minha Vida

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

ROMANCISTA CRISTOVÃO TEZZA FAZ NA ABL A PALESTRA DE ENCERRAMENTO DO CICLO “REALISMO EM QUESTÃO’” SOB COORDENAÇÃO DO ACADÊMICO GERALDO CARNEIRO

A Academia Brasileira de Letras encerra seu Ciclo de Conferências do mês de agosto de 2017, intitulado Realismo em questão, com palestra do romancista Cristovão Tezza. A coordenação será do Acadêmico e poeta Geraldo Carneiro.

A conferência, intitulada “Literatura e autorrepresentação”, está programada para o dia 29 de agosto, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2017.

Serão fornecidos certificados de frequência.

Acadêmico Geraldo Carneiro convida para o Ciclo de 
conferências "Realismo em questão"

 “De que forma as máscaras de autor e narrador se confundem na obra de ficção? A chamada "autoficção" é um fenômeno contemporâneo ou tem raízes profundas na história literária? O que está em jogo na separação gramatical entre primeira e terceira pessoas e na fronteira subjetiva entre realidade e ficção?”. Estas são algumas das questões centrais que serão abordadas, de acordo com Cristovão Tezza, em sua palestra.

Saiba mais

Cristovão Tezza é autor dos romances Trapo, O fotógrafo, Breve espaço, Um erro emocional, O fantasma da infância, O professor e A tradutora, entre outros. Seu livro O filho eterno, de 2007, recebeu os mais importantes prêmios literários do Brasil, foi publicado em uma dezena de países e adaptado para o cinema. É colunista quinzenal da Folha de S. Paulo. Lançou duas coletâneas de crônicas: Um operário em férias e A máquina de caminhar. Em 2012, publicou O espírito da prosa, sua autobiografia literária.
23/08/2017



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