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segunda-feira, 1 de junho de 2020

TELA DIGITAL TRAZ RISCOS PARA BEBÊS – Luís Dufaur

segunda-feira, 1 de junho de 2020


O melhor brinquedo para uma criança de poucos anos é outra criança: é feliz, curioso e criativo

Luis Dufaur

Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O melhor brinquedo para uma criança de poucos anos é outra criança: é feliz, curioso e criativo.

As telas digitais quando melhoram as qualidades o fazem isoladamente, aumentando o risco de fragmentar o aprendizado explicou o psiquiatra infantil Christian Plebst, Coordenador para América Latina da Academy for Mindful Teaching – AMT Holanda, em artigo para “La Nación”.

Por isso, a reputadíssima American Pediatric Society dos EUA afirma que antes dos 18 meses de idade, nenhum menino deve estar na frente de uma tela digital.

O risco da exposição precoce à imagem digital é interferir no desenvolvimento da mente, do cérebro e do corpo inteiro.

Hoje, distúrbios graves de linguagem, aprendizado, atenção e conexão são detectados em crianças e adolescentes que são superexpostos a telas virtuais, diz o Dr. Plebst.

O bom é que limitando as imagens digitais às crianças, elas “se reconectam” consigo mesmas e com os outros.

O maior perigo das imagens cibernéticas está em entregar-lhes a criança muito cedo, sem limites ou excessivamente.

Nenhuma criança precisa delas antes dos três anos de idade, insiste o especialista, apoiado na autoridade da American Pediatric Society.

A tecnologia nos jovens põe em risco o aprendizado de habilidades sensíveis e fundamentais
como a empatia, a capacidade de fazer amigos, se relacionar social e profissionalmente

A tecnologia em idades muito jovens põe em risco o aprendizado de habilidades sensíveis e fundamentais, como a empatia, a habilidade que nos permite nos colocar no lugar do outro e ajustar nossos pensamentos, atitudes e ações desenvolvendo nossa capacidade de fazer amigos, nos relacionar social e profissionalmente.

Muitas vezes em locais públicos vemos jovens mudos, absortos pelo smartphone ou equivalente, incapazes de manter o convívio com outros jovens que estão a seu lado também como mortos aos próximos.

Mal sinal que fala da impotência para se relacionar. E mal pressagio para a vida profissional, afetiva ou familiar.

Através do jogo com outra pessoa, diz o psiquiatra infantil, nós nos socializamos e estabelecemos os fundamentos da inteligência emocional.

Inteligência emocional, o que é isso? Desde o nascimento, o bebê vai conhecendo o mundo embora não consiga se expressar, ele aprende a diferenciar, a relacionar as vozes, gestos, atitudes corporais, intenções e fatos.

Por essa via pega a essência do espírito dos pais e da família, da natureza e do mundo. Em certo sentido nessa hora se modela tudo o que ele vai ser no futuro.

Através de múltiplos canais sensoriais, o adulto e o bebê se conectam de um modo muito profundo, embora menos perceptível.

Da mesma maneira que um Bluetooth, concede o Dr. Plebst para os mais entrosados na tecnologia mas já com dificuldades para entender as sutilezas da realidade.

O bebê aprende a diferenciar, a relacionar as vozes, gestos, atitudes corporais,
intenções e fatos de modo natural não virtual

Mas, é dessa forma que um mar de informações sensoriais, emocionais e cognitivas flui entre mãe, pai e filhos.

Essas informações nos modificam o tempo todo na vida inteira sendo vitais para o desenvolvimento das qualidades humanas mais sutis.

As qualidades assim adquiridas são essenciais para gerar e desenvolver estados crescentes de amor, empatia, compaixão, alegria e paz, e também para entender e aprender a domar nossa raiva, tristeza, inveja e egoísmo.

A exposição precoce e excessiva à tecnologia prejudica os sistemas visual e auditivo, limitando a maturação da atenção, da vontade, da criatividade, da imaginação e do jogo simbólico, pilares do senso comum e da inteligência emocional.

Os monitores estão gerando um mar de crianças e jovens com dificuldades em manter a atenção, a menos que seja algo muito novo e excitante, como nos videojogos mais violentos. Isso é deformante e danoso.

O mundo puramente virtual está em choque de fundo com a família, a vizinhança, a natureza, a amizade, o esporte, os grupos em que o jovem deve se inserir na sociedade.

Os ótimos antídotos para esses perigos começam com o relacionamento com outras crianças. Vemos que os pequenos pedem insistentemente um pouco mais de tempo de jogos, até com os pais e outros adultos porque sentem essa necessidade.

O Dr. Christian Plebst, da Academy for Mindful Teaching – AMT Holanda

O Dr. Plebst mostra que interagir com os pequenos não é algo supérfluo e pesado. É uma oportunidade imperdível de estar presente e vivo enriquecendo a infância das crianças.

O trabalho muitas vezes impede que possamos exercer esse relacionamento profundamente enriquecedor. Então é preciso garantir que as pessoas responsáveis, idealmente da família ou educadores, conheçam os riscos das telas digitais, porque são muito altas.

Os adultos devemos procurar mais intervalos para nos conectarmos com as crianças.

O mundo precisa mais desse relacionamento fornecedor da verdadeira diversão, alegria e equilíbrio emocional.

E ninguém é melhor para isso do que os pais para os filhos. Muito melhor do que qualquer tela de LCD, conclui o especialista.

 

https://revculturalfamilia.blogspot.com/2020/06/tela-digital-traz-riscos-para-bebes.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+ValoresInegociveisRespeitoVidaFamliaEReligio+%28Valores+inegoci%C3%A1veis%29


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domingo, 31 de maio de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (185)

Solenidade de Pentecostes | Domingo, 31/05/2020

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-23)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. 

 — Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo, e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:


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Pentecostes: "somos terras do Espírito"

 


“...soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo’” (Jo 20,22) 

 

 A festa de Pentecostes é a culminância de todo o tempo pascal. As primeiras comunidades cristãs tinham claro que tudo o que estava se passando nelas era obra do Espírito, e tudo o que o Espírito tinha realizado em Jesus, agora estava realizando em cada um deles(as).

Também para cada um de nós, celebrar a Páscoa significa descobrir a presença do Deus-Espírito em nosso interior e na realidade que nos envolve, ora como brisa mansa, ora como vento impetuoso.

Tanto a “ruah” hebraico como o “pneuma” grego significam ar, vento, sopro. É neutro em grego, masculino em latim (“spiritus”), feminina em hebraico, pois transcende, acolhe e abençoa todas as identi-dades de gênero. É alento vital profundo. Brisa suave no sufoco, vento forte na apatia. “O vento sopra onde quer”, vem de tudo e de sempre, nos leva onde não sabemos.

A raiz da palavra “ruah”, nas línguas semíticas, é “rwh”, que significa o espaço existente entre o céu e a terra, que pode estar em calma ou em movimento. Seria o ambiente no qual os seres vivos bebem a vida. A terra mesma era concebida como um ser vivo, o vento era sua respiração.

Nestas culturas, o sinal de vida era a respiração. “Ruah” veio a significar “sopro vital”. Quando Deus modela o homem de barro, sopra em seu nariz o hálito de vida.

No Evangelho deste domingo, prolongando o sexto dia da criação, Jesus sopra sobre os apóstolos para comunicar seu Espírito.

Pentecostes vem nos recordar que o Espírito faz parte de nós mesmos, constitui nossa verdadeira identidade e não tem que vir de nenhum lugar. Somos habitados por Ele, está em nós, antes mesmo que nós começássemos a existir. É o fundamento de nosso ser e a causa de todas as nossas possibilidades de crescer em todas as dimensões da vida. Nada podemos fazer sem ele, como também não podemos estar privados de sua presença em nenhum momento. Todas as orações, encaminhadas a pedir a vinda do Espírito, só tem sentido quando nos levam a tomar consciência de sua presença e ação em nós; tais orações ativam em nós o impulso para nos deixar conduzir por essa presença inspiradora e criativa.

Assim é o Espírito que vibra na entranha do infinitamente grande e do infinitamente pequeno, nesta nossa Terra e no universo sem medida. O Espírito sopra onde quer, que é como dizer “em tudo”, pois ama tudo e anima tudo. É a “alma” de tudo quanto vive e respira. É a esperança invencível, a aspiração irresistível de todos os seres, sem exceção. É a energia que toma forma na matéria e a faz matriz inesgotável de novas expressões de vida, sem fim.

Nesse sentido, nós somos a terra propícia onde atua o Espírito. Onde há mais carência, vulnerabilidade, pobreza... há mais e maiores possibilidades criativas. Nenhuma situação pode afastar-nos de Sua visita. Toda terra baldia é boa para o Espírito. Ele é o buscador incansável e com um “sim” ousado e forte re-cria de novo nossa história, estabelecendo o “cosmos” (harmonia e beleza”) em nosso “caos” existencial.

As “terras do Espírito” albergam milhares de nomes: chama-se  esperança para aqueles que sonham um outro mundo possível; chama-se amada paz para aqueles que vivem em meio à barbárie dos conflitos; chama-se liberdade para aqueles que foram privados dos seus direitos fundamentais; chama-se justiça para aqueles que vivem continuamente sendo espoliados e explorados; chama-se beleza, porque tudo o que foi criado é bom e precioso; chama-se humanidade porque é neste “húmus-chão” onde a presença da “Ruah” transforma a existência.

No silencioso sussurro da voz do Espírito, toda nossa realidade interior fica abençoada: os sentimentos contraditórios, os dinamismos opostos, os pensamentos divergentes..., se harmonizam. Ele “desce” para nos encontrar e despertar nossa vida atrofiada. Com seu toque, uma identidade nova ressurge: não somos mais estrangeiros, nem inimigos de nós mesmos. Sua presença dá calor e sabor à nossa existência.

São tantas as pessoas que fazem experiência de vida no Espírito, que bebem d’Ele, vivem d’Ele, muitas vezes sem saber disso; elas têm uma visão aberta e são motivo de alegria e de cuidado para aqueles que delas se aproximam; homens e mulheres que levam alívio ao tecido da existência humana pois, com suas presenças, dão um toque de cor e calor à realidade; como brisa leve, situam-se junto àqueles que atravessam momentos de desânimo, de tristeza e de fracasso...

O Espírito é o artífice secreto de todas as cores e texturas da vida, da beleza, que conhecemos e daquela que ainda nos aguarda. Ele é a “alma do mundo” e disso só podemos fazer aproximações, vislumbres...

Reconhecemos o Espírito pelos efeitos que provoca: sem saber de onde vem nem para onde irá, nos golpeia e clama no sofrimento dos inocentes, grita em todos os ambientes que maltratam a vida, ali onde não se respeita a dignidade e o valor das criaturas. Ele nos alcança na expressão terna de um rosto, na tonalidade de uma voz, na carícia da natureza...

Ali onde nosso ego se esvazia, o Espírito toma o lugar que lhe pertence, desde o princípio e para sempre.

Esse lugar não é um espaço físico nem está situado no tempo, senão que esse lugar está dentro, vai conosco lá onde vamos. São “terras do Espírito”, e habitá-las é nossa promessa.

A humanidade sempre sonhou e buscou a “terra prometida”; no entanto, esta não se reduz a um lugar geográfico ou um espaço paradisíaco. São as “terras do Espírito”, terras prometidas a todos que vivem a partir de sua própria interioridade.  É preciso descalçar-se para entrar nessas terras, fazer-se cada vez mais leves, mais humildes, peregrinos... Quem se deixa conduzir pelo Espírito, nenhuma terra lhe é estranha; ao contrário, tudo lhe é familiar. 

Eis que nos encontramos agora no tempo do “distanciamento social”, para não nos contaminar. Imper-ceptíveis partículas nos ameaçam onde menos esperamos. E procuram minar e destruir nosso sistema vital.

Mas não devemos esquecer que há outro tipo de “bendito contágio”, que procura ter acesso à nossa interioridade mais profunda: é o contágio do Espírito, que nos envolve e nos pede que tiremos todas as máscaras com as quais nos defendemos d’Ele. É o Espírito que alenta (suspira) na beleza, na arte, nas relações de amor incondicional, no cuidado compassivo, na presença solidária, nas pessoas que ajudam desinteressada-mente, na hospitalidade da vida...

Jesus Ressuscitado, no encontro com os discípulos e com cada um(a) de nós, nos entregou definitivamente este Espírito, sua santa Ruah que o habitava e o levou a entregar sua vida em favor da vida.

É a “Ruah” que produz o contágio espiritual e que foi derramada sobre toda a humanidade.

A Santa Ruah é a memória permanente do “sim” do Abbá e de Jesus a todos nós. Não somos abandonados do Amor, nem da Misericórdia de nosso Deus. Onde menos pensamos, ali surgem sinais de um grande e apaixonado amor pela humanidade. Tanto amou Deus o mundo, tanto amou Jesus à humanidade, que nos entregaram o Espírito Santo, essa bendita contaminação que nos envolve por todos os lados, para que “tenhamos vida em abundância”.

Santa Ruah! Bendito contágio! 

 

Texto bíblico: Jo 20,19-23 

Na oração: Espirituais somos todos, quando deixamos que, dentro de nós, o Espírito de Deus encontre espaço livre para mover-se, sussurrar e suscitar inquietações. Ao habitar-nos, o Espírito não nos invade, nem se impõe.

 - Se abrirmos espaço à sua presença, brota uma sadia convivência que potencia o melhor de nós mesmos, sensibiliza nosso coração e abre os sentidos para que fiquem mais alertas e sintonizados com as surpresas que brotam da vida.

- No ritmo da silenciosa respiração, sinta a “Santa Ruah” tendo acesso às profundezas de seu ser, pacificando, integrando..., despertando novas energias e impulsos criativos e rompendo o medo, a apatia, a falta de sentido...


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2067-pentecostes-somos-terras-do-espirito

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31 DE MAIO — DIA DE NOSSA SENHORA RAINHA

31 de maio de 2020

Paulo Roberto Campos

 

          Rainha dos Homens, Rainha dos Anjos, Rainha da Terra, Rainha do Céu, Rainha da Igreja, Rainha do Brasil, Rainha dos Corações etc. São títulos que homenageiam Nossa Senhora uma vez que Ela é Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo e Rei dos Reis.

          Entretanto, em nossos tristes dias, poder-se-ia afirmar que Ela é uma Rainha Destronada. — Por quê?

         Respondo com uma pergunta: A atual situação nacional e mundial não entristece a Santíssima Virgem? Certamente, nenhum católico ousaria dizer que não A entristece. Pior ainda: A catastrófica situação da Santa Igreja… Para dar apenas um exemplo: a crise verdadeiramente apocalíptica na Igreja, devido à autodemolição promovida pelo progressismo, dito católico, à cargo de altas figuras do clero esquerdista.

         Quase tudo no mundo moderno colabora para destronar a melhor de todas as Rainhas. Ela é ultrajada por seus inimigos e até abandonada por seus filhos. E por isso Nossa Senhora chora!

         Neste dia em que celebramos, segundo o calendário tradicional, Nossa Senhora Rainha, é uma boa ocasião para pedirmos a graça da total fidelidade a Ela e de não permanecermos indiferentes às Suas lágrimas. Ocasião também para fazermos um compromisso de atuar ainda mais para restabelecê-la no Trono de glória, para que Ela volte a ser coroada, e efetivamente seja Rainha de todas as nações ainda em nossos dias.

         Nesse sentido, transcrevo trecho de uma conferência de Plinio Corrêa de Oliveira (em 26-2-1966), durante a qual ele concebeu uma antológica e inesquecível metáfora:


          “Nossa Senhora é como uma Rainha que está sentada no seu trono. A sala está cheia de inimigos. Os inimigos já arrancaram-lhe o dossel; já tiraram da sua fronte veneranda a coroa de glória a que Ela tem direito; já lhe arrancaram das mãos o cetro. Ela está amarrada para ser morta.

          Dentro dessa sala cheia de gente poderosa, armada, influente — todos diante da Rainha que não faz outra coisa senão chorar —, há também um pugilo de fiéis, e Ela evidentemente olha para tais fiéis. Assim, ou este olhar faz em nós o que o olhar de Jesus fez em São Pedro, ou não há mais nada para dizer…

          A Rainha vai ser arrancada do trono. Pergunta-se o que nós vamos fazer? Nesta hora deste olhar, isso não me interessa? Este olhar não me sensibiliza?

          Poder-se-ia então perguntar: quem sou eu? Eu sou o homem para quem Nossa Senhora olhou!

          Mas serei o homem a quem Ela terá olhado em vão?”

 

http://www.abim.inf.br/31-de-maio-dia-de-nossa-senhora-rainha/

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sábado, 30 de maio de 2020

NOVAS JANELAS QUE SE ABREM PARA A LÍNGUA - Evanildo Bechara

Em um momento que muitos de nós estamos em home office (ou fazendo teletrabalho ou trabalho à distância), pedindo tudo por delivery (ou entrega a/em domicílio), assistindo a lives (transmissões ao vivo), consumindo músicas, filmes e livros por streaming (acesso a conteúdo pelas plataformas digitais), outras vezes recebendo fake news (notícias falsas), em meio ao lockdown (bloqueio total) de algumas cidades, vale a pena falarmos novamente sobre os estrangeirismos, isto é, palavra ou expressão recebida de outra língua.

O repúdio à adoção de estrangeirismos tem-se dado em todos os tempos e tem experimentado os tipos de reação — favorável ou desfavorável — a que hoje assistimos: nihil novum sub sole, nada há de novo sob o sol.

A questão do estrangeirismo, longe de testemunhar fraqueza ou subserviência de quem recebe o empréstimo, reflete o contato cultural e comercial entre os povos, com suas naturais consequências de influxos e interpenetrações. 

Tratar o problema do estrangeirismo numa língua como um sinal de decadência cultural ou de perda de noção de identidade nacional é colocá-lo em ótica errada ou, pelo menos, sujeita a graves críticas e profundos prejuízos de natureza científica.

É fato que há termos e expressões inglesas que circulam nos meios de comunicação motivados exclusivamente pelo esnobismo e, muitas vezes, pela propaganda enganosa, que não acrescentam nada à riqueza do idioma e à propriedade das ideias, mas tão somente fazem crescer a convicção errônea de que tudo o que vem de fora é bom, confiável e digno de imitação.

Ainda que muitas dessas formas apareçam documentadas em outras línguas, fazendo parte da imensa legião lexical de palavras sem fronteiras, isso não justifica a crítica velada ou explícita àqueles que, dentro de seu campo de atividade, clamam contra o abuso, ou fragilidade e dócil aceitação.

O linguista francês Michel Brèal, em seu Ensaio de Semântica, de 1897, p.290-291, comenta com propriedade o problema dos estrangeirismos:

“Para encontrar a exata e verdadeira medida, cabe recordar que a linguagem é uma obra de colaboração, na qual o ouvinte e o que fala trabalham mutuamente. A palavra estrangeira, que estará bem empregada se me dirijo a um especialista, parecerá, entretanto, afetada ou causará dificuldade de entendimento, se tenho diante de mim um público não iniciado nesse assunto(...) Não há, pois, resposta ou solução uniforme para esta questão de palavras estrangeiras”.

 Portal da ABL, 21/05/2020

http://www.academia.org.br/artigos/novas-janelas-que-se-abrem-para-lingua

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Evanildo Bechara - Quinto ocupante a Cadeira nº 33 da ABL, eleito em 11 de dezembro de 2000, na sucessão de Afrânio Coutinho e recebido em 25 de maio de 2001 pelo Acadêmico Sergio Corrêa da Costa.

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sexta-feira, 29 de maio de 2020

PACHAMAMA, PAPA FRANCISCO E PANDEMIA - Luiz Sérgio Solimeo



29 de maio de 2020
Luiz Sérgio Solimeo

Em vários pronunciamentos recentes, o Papa Francisco sugeriu que a atual pandemia de coronavírus seria uma vingança da natureza.
Em uma entrevista no dia 22 de março de 2020 ao jornalista espanhol Jordi Évole, este perguntou ao Pontífice se a atual pandemia não seria um “acerto de contas da natureza”.[i] Ele respondeu com um ditado popular que frequentemente repete como um axioma teológico: “Deus perdoa sempre; nós, homens, às vezes perdoamos; a natureza nunca perdoa”. E acrescentou que “a natureza está esperneando[ii] para que cuidemos dela”.[iii]
Falando em 8 de abril ao jornalista inglês Austen Ivereigh, do semanário católico liberal de Londres The Tablet, o Papa Francisco repetiu o mesmo refrão e, depois de comentar várias calamidades naturais, acrescentou: “Não sei se essa é a vingança da natureza, mas certamente são as respostas da natureza”.[iv]
“Pecamos contra a terra: precisamos de uma conversão ecológica”
O Papa Francisco voltou a repetir o referido refrão na catequese especial de 22 de abril, por ocasião 50º Dia da “Mãe Terra,” uma celebração instituída pela ONU:
“Devido ao egoísmo, falhamos na nossa responsabilidade de guardiães e administradores da Terra. […] Pecamos contra a terra […]. E como reage a Terra?[…]Deus perdoa sempre; nós, homens, às vezes; a terra nunca. A terra nunca perdoa.[…] Se deteriorarmos a terra, a resposta será terrível”.
Mais adiante, declara: “Fomos nós que arruinamos a obra do Senhor!” Portanto, “ao celebrarmos hoje o Dia Mundial da Terra, somos chamados a reencontrar o sentido do respeito sagrado pela Terra, porque ela não é apenas a nossa casa, mas também a casa de Deus”.
Mas, ao que parece, respeito não é suficiente: “Precisamos de uma conversão ecológica”[v][vide quadro – I – no final]
“A natureza nunca perdoa: se você lhe dá uma bofetada, ela lhe devolve a bofetada”
Já em janeiro de 2015, em uma de suas peculiares entrevistas aeronáuticas, voando do Sri Lanka para as Filipinas [foto], quando questionado por um jornalista sobre se a mudança climática era inteiramente culpa do homem, o Papa respondeu: “Não sei se é inteiramente, mas na maioria dos casos, em larga medida, é o homem que agride a natureza, continuamente. Tornamo-nos um pouco donos da natureza, da irmã terra, da mãe terra. Recordo — vocês já ouviram isto — o que um velho camponês me disse uma vez: ‘Deus perdoa sempre, nós homens perdoamos por vezes, a natureza nunca perdoa’. Se você lhe dá uma bofetada, ela te devolve a bofetada”.[vi]
 Encíclica Laudato Si ‘: a chave para entender o pontificado do Papa Francisco
 Essas e outras estranhas declarações antropomórficas — às vezes ininteligíveis e até incongruentes — adquirem significado quando lidas à luz da sua encíclica Laudato Si’.
De fato, essa encíclica nos dá a chave para entender outros pronunciamentos, atos, gestos e atitudes de Francisco[vii], principalmente, a exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia[viii].
A Terra, tratada como um ser vivo
Nesses documentos, o Papa Francisco trata a terra, a natureza e o meio ambiente como se fossem seres racionais, dotados de inteligência, vontade e sensibilidade, exatamente como o homem.
Laudato Si’ afirma, por exemplo: “Esta irmã [a terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou.” (n.2). “Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rom. 8, 22)” (n. 2).
Observe-se a caracterização marxista dos “pobres” como os oprimidos”. A encíclica recomenda uma abordagem ecológica para “ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres” (nº 49). “Estas situações provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (nº 53).
Assim, graças a essas faculdades cognitivas e volitivas, bem como à sensibilidade, a Mãe Terra é supostamente capaz de entender o comportamento do homem em relação a ela, e fazer um julgamento moral sobre os atos humanos, achando-os bons ou maus. Da mesma forma, a Terra poderia sentir-se ofendida por ações humanas que ela considera más, e vingar-se delas causando incêndios, inundações, devastação e pandemias, como o coronavírus. (vide quadro – II – no final).
Divinizando a Terra
Agora, conceder à terra faculdades de uma criatura racional e colocá-la como juiz e vingadora das ações do homem, não é equivalente a divinizá-la?
Essa divinização da terra parece ser a base “teológica” das cerimônias de adoração do ídolo da deusa Pachamama nos Jardins do Vaticano e na Basílica de São Pedro, centro do cristianismo. Dois bispos carregaram o ídolo num andor em procissão, da Basílica ao Salão do Sínodo. O Papa Francisco participou efetivamente de todas essas ações.[ix]
Elevando Pachamama e destronando o homem
Ao divinizar a terra, o Papa Francisco mudou a doutrina tradicional da Igreja, que sempre considerou o homem como o rei da criação corpórea.
O Gênesis é claro a esse respeito“Deus os [Adão e Eva] abençoou: ‘Frutificai, disse Ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’.” (Gênesis 1, 28).
O Pe. José F. Sagües, SJ, em seu tratado sobre Deus e a criação, diz com precisão: “A nossa afirmação […] de que o mundo existe por causa do homem, e certamente para que o sirva em ordem à glorificação de Deus, é de fé divina e católica; e se se toma em relação a cada uma das coisas que existem no mundo, é verdade certa em teologia.”[x]
A qualificação “de fé divina e católica” significa que esta é uma verdade revelada por Deus e proposta pela Igreja para ser crida. Negá-la é heresia[xi].
O Pe. H. Pinard diz“[…] todos os Padres [da Igreja] e os teólogos consideram o homem de fato como o coroamento providencial do mundo sensível: tudo está ordenado para ele uma vez que sem ele as coisas não atingiriam a sua finalidade; a natureza não teria voz para louvar a Deus […]. O homem foi criado por último, dizem os Padres, precisamente porque convinha, antes de introduzir o rei do universo, que tudo estivesse preparado”.[xii]
Na encíclica Laudato Si’, contrariando o texto do Gênesis e toda a tradição da Igreja, o Papa Francisco declara: “Se é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do fato de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas.” (n. 67).
Em seus documentos e declarações, Francisco apresenta continuamente o homem não como o senhor da natureza, do mundo sensível, uma situação da qual ele se serve para dar glória a Deus, mas praticamente inverte essa ordem. O homem deixa de ser considerado o senhor para ser visto como o servo da natureza, à qual deve se submeter.
Pior que a pandemia de coronavírus
Com o presente pontificado, a atual crise da Igreja, que tem suas raízes na heresia modernista e na Nouvelle Théologie, atingiu um grau inimaginável. Seus erros e males atacam a alma mais severamente do que o coronavírus ataca o corpo, colocando em risco a salvação eterna. Razão pela qual a crise da fé representa um perigo muito maior do que a atual pandemia.
Medidas sanitárias drásticas foram tomadas para mitigar a epidemia de coronavírus. No entanto, do ponto de vista espiritual, os fiéis ficam completamente desprotegidos no momento em que mais precisam de assistência.
Ao mesmo tempo em que deificava a natureza e favorecia o culto ao ídolo Pachamama, o Francisco fechava as igrejas de Roma e permitia que bispos de todo o mundo fizessem o mesmo, suspendendo as missas públicas e a distribuição dos Sacramentos.
Poderíamos esperar outra coisa, se na encíclica Laudato Si ‘ o Papa Francisco se refere à Sagrada Eucaristia (Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor) como sendo “um fragmento de matéria”?[xiii]

Manter o ânimo e lutar pela Fé
São Paulo exorta: “Não somos, absolutamente, de perder o ânimo para nossa ruína; somos de manter a fé, para nossa salvação!” (Hb 10, 39).
Confiantes na proteção materna de Maria Santíssima, continuemos a lutar pela integridade da Fé e a restauração da civilização cristã.
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(Quadro – I –)

A TERRA: “CASA DE DEUS”?
A afirmação do Papa Francisco de que a Terra “não é apenas a nossa casa, mas também a casa de Deus” é imprecisa, e pode levar a uma confusão panteísta. A doutrina católica tradicional diz que Deus, “por seu poder e virtude, preenche o céu e a terra, e todas as coisas nela contidas. […] Enquanto Ele mesmo não está confinado em nenhum lugar. […] Ele é, no entanto, como frequentemente é dito nas Escrituras, o que tem sua habitação nos céus”*.
Por exemplo, o Salmo 122,1 diz: “Levanto os olhos para vós, que habitais nos céus.”[xiv]
O primeiro livro de Reis mostra a onipresença de Deus, que não pode estar contido nos céus ou na terra: “Mas, será verdade que Deus habita realmente sobre a terra? Se o céu e os céus dos céus não vos podem conter quanto menos esta casa que edifiquei!” (1 Reis 8:27).
A oração que Nosso Senhor nos ensinou começa precisamente com esta invocação: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome” (Mt 6,9).
*Catecismo do Concílio de Trento (Catecismo Romano). IV Parte: DaOração. Capítulo nono, §18. Nova Versão Portuguesa Por Frei Leopoldo Pires Martins, O. F M. – Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis- Goiás-
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(Quadro – II –)
 Dia da Terra, comemorado pelo Papa Francisco: Iniciativa do movimento ecologista naturalista-panteísta
O Dia da Terra, ou Dia da Mãe Terra ‒ comemorado por Francisco ‒ é uma iniciativa do movimento ecologista naturalista-panteísta que começou nos anos setenta. Em 2009, a agnóstica ONU aprovou esse dia como uma espécie de “dia santo” civil. Abaixo se lê no site da instituição:
“Resolução adotada pela Assembleia Geral em 22 de abril de 2009 [sem referência a um Comitê Principal (A / 63 / L.69 e Add.1)] 63/278. Internacional […].
“Reconhecendo que a Mãe Terra é uma expressão comum para o planeta Terra em vários países e regiões e que reflete a interdependência existente entre os seres humanos, outras espécies vivas, e o planeta em que todos habitamos.
“Considerando que o Dia da Terra é comemorado todos os anos em muitos países, decide designar 22 de abril como Dia Internacional da Mãe Terra…
(Assembleia Geral das Nações Unidas, “Resolução adotada pela Assembleia Geral em 22 de abril de 2009” [sem referência a um Comitê Principal (A / 63 / L.69 e Add.1)] 63/278, “Dia Internacional da Mãe Terra”, Sexagésima Terceira Sessão, item 49 (d) da Agenda, 08-48747, 1º de maio de 2009, https://undocs.org/A/RES/63/278).
Além disso, as Nações Unidas publicaram uma mensagem em seu site no último Dia Internacional da Mãe Terra, 22 de abril,que segue a linha das concepções do Papa Francisco:
A Mãe Terra está claramente fazendo um chamado à ação. A natureza está sofrendo. Incêndios na Austrália, recorde de calor e a pior invasão de gafanhotos no Quênia. Agora, enfrentamos o COVID-19, uma pandemia de saúde mundial ligada com a saúde de nosso ecossistema. […] Recordemos mais do que nunca neste Dia Internacional da Mãe Terra que precisamos mudar para uma economia mais sustentável que funcione tanto para as pessoas quanto para o planeta. Vamos promover a harmonia com a natureza e a Terra.
(Nações Unidas, acessado em 6 de maio de 2020, https://www.un.org/en/observances/earth-day ‒ Nossa tradução)

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Notas:
[i] No original espanhol: “ajuste de cuentas de lanaturaleza”.
[ii]Em espanhol: “pateando.”
[iii]‘Espero que los Pueblos Aprendan la Crise para Revisar Sus Vidas’, Dice el Papa a Jordi Évole”, Religión en Libertad, 23 de março de 2020, https://www.religionenlibertad.com/noticias/197972338/Espero-que-los-pueblos-aprendan-de-la-crisis-para-revisar-sus-vidas-dice-el-Papa-a-Jordi-Evole.html. (Todas as ênfasessãonossas).
[iv]Austen Ivereigh, “Pope Francis Says Pandemic Can Be a ‘Place of Conversion,’” The Tablet, Apr. 8, 2020, https://www.thetablet.co.uk/features/2/17845/pope-francis-says-pandemic-can-be-a-place-of-conversion.
[vi]INCONTRO DEL SANTO PADRE CON I GIORNALISTI DURANTE IL VOLO VERSO MANILA. Volo Papale. Giovedì, 15 gennaio 2015. http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/january/documents/papa-francesco_20150115_srilanka-filippine-incontro-giornalisti.html (Original italiano – Nossa tradução).
[vii]6. Ver Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, “Notas sobre a filosofia e a teologia inaceitáveis ​​da Laudato Si’”https://docs.wixstatic.com/ugd/71cd9f_03a494a236154791b42cac69986ce6f1.pdf
[viii]Ver Luiz Sérgio Solimeo, Resisting the Grave Errors in Pope Francis’sApostolicExhortation Querida Amazonia( “Resistindo aos Graves Erros da Exortação Apostólica do Papa Francisco Querida Amazônia”), TFP.org, 3 de março de 2020, https://www.tfp.org/resisting-the-grave-errors-in -pope-franciss-apostolic-exortation-querida-amazonia
[ix]Ver Luiz Sérgio Solimeo, Depois do culto à Pachamama, o Papa Francisco agora nega a co-Redenção de Nossa Senhora. IPCO.org. 10 de janeiro de 2020. https://ipco.org.br/depois-de-adorar-pachamama-o-papa-francisco-agora-desrespeita-o-papel-co-redentor-de-maria/
[x]Pe. José F. Sagües, S.J., “De Deo Creanteetelevante”, Sacrae Theologiae Summa, vol. II, tr. II, n. 204.
[xi]Ver Pe. SixtusCartechini, S.J., De Valore NotarumTheologicarum (Roma: TyposPontificiaeUniversitatisGregoriane, 1951; Sainte Croix du Mont, França: TRADIBOOKS, n.d.), p. 83.
[xii]“Création”, in Dictionnaire de Théologie Catholique, vol. III, col. 2172.
[xiii]Papa Francisco, Encíclica Laudato Si ‘, 24 de maio de 2015, n. 236,http://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html 21/05/2020 17:26. Ver também Arnaldo Xavier da Silveira, “Notas sobre a filosofia e a teologia inaceitáveis ​​de Laudato Si ‘”
[xiv]Citações bíblicas da Biblia Ave Maria.


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PLANO DIVINO: DE DEUS PARA A TERRA 97 PENTÁGONO confirma O V N I s, e outros temas

quinta-feira, 28 de maio de 2020

MORRE NO RIO DE JANEIRO, AOS 91 ANOS, O ACADÊMICO MURILO MELO FILHO

O Acadêmico e jornalista Murilo Melo Filho faleceu na manhã do dia 27 de maio, no Hospital Pró-Cardíaco, vítima de falência múltipla de órgãos. O sepultamento foi feito no mausoléu da Academia Brasileira de Letras. Diante da recomendação de se evitar reuniões e aglomerações por conta do coronavírus, não houve velório.

“Murilo Melo Filho foi um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX. Acompanhou de perto a política nacional, a construção de Brasília e a guerra do Vietnã. Conheceu inúmeros chefes de Estado, a quem dedicou páginas antológicas, dos mais variados espectros políticos.  Foi também um acadêmico exemplar, assíduo, com a disposição de emprestar seu talento aos mais diversos cargos e serviços na Academia. Guardo a imagem de um homem bom, de uma alta sensibilidade humana, voltada sobretudo para os mais vulneráveis e desprovidos. Um momento de tristeza.”, afirmou o Presidente da ABL, Acadêmico Marco Lucchesi

“Murilo sempre foi aquele homem de caráter primoroso, amigo de seus amigos. Chamava aqueles que trabalhavam com eles de "coleguinhas", e assim ele era correspondido, sempre com muita admiração e sempre com muito carinho. Ele entrou para a Academia Brasileira de Letras na Cadeira nº20 e eu tive o privilégio de saudá-lo. Isso foi para mim uma das honras maiores da minha vida acadêmica. Murilo partiu, mas deixou uma obra extraordinária; na minha opinião foi o maior repórter político do Brasil durante todos os anos em que trabalhou ativamente na imprensa. Ele deixou um estilo cristalino, um estilo direto, formidável. Esse é o Murilo que nós saudamos.”, comentou Arnaldo Niskier, acadêmico ocupante da Cadeira nº18.

"Foi um jornalista atento, incansável, tinha fontes excelentes entre os políticos, era absolutamente sério na sua produção e fez escola no jornalismo político com o seu estilo sintético, informativo e analítico. Como companheiro na Academia Brasileira foi também sempre presente e ativo. Não havia livro de confrades ou confreiras lançados que ele não tivesse a oportunidade de dissertar. Foi uma presença ativa na Academia, foi diretor da Biblioteca, jamais faltou a uma sessão enquanto pôde. infelizmente, passou por uma fase muito dificil da doença e agora perdemos um companheiro, vamos lamentar muito e vai nos deixar muitas saudades”, declarou o Acadêmico Cicero Sandroni.

“Eu sempre fui amigo dele e de sua adorável mulher companheira, colaboradora, e que deve estar começando a sentir profundas saudades dele. E eu a entendo. Murilo vai fazer falta para nós. Ele ficou me devendo uma informação: Desapareceu da casa do embaixador brasileiro em Cuba, numa visita de Fidel Castro, o revólver do Fidel. Ele tirou e o botou em cima da mesa. Ele [Murilo] me prometeu que um dia diria, nunca disse quem roubou, mas agora que não vou saber. Saudades de Murilinho, como a gente chamava.” lembrou o Acadêmico Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça.

 

O Acadêmico

Sexto ocupante da Cadeira nº 20, foi eleito em 25 de março de 1999, na sucessão de Aurélio de Lyra Tavares e recebido em 7 de junho de 1999 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

Murilo Melo Filho nasceu em Natal no dia 13 de outubro de 1928. Filho de Murilo Melo e de Hermínia de Freitas Melo, é o mais velho de uma irmandade de sete. Fez o curso primário no Colégio Marista e o colegial no Ateneu Norte-Riograndense. Aos 12 anos, ainda de calças curtas, começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo e ganhando o salário de 50 mil réis por mês.

 Trabalhou, a seguir, em A Ordem, com Otto Guerra, Ulysses de Góes e José Nazareno de Aguiar, e em A República, com Valdemar de Araújo, Rivaldo Pinheiro, Aderbal de França, Luís Maranhão e Luís da Câmara Cascudo; na Rádio Educadora de Natal, com Carlos Lamas, Carlos Farache e Genar Wanderley; e na Rádio Poti, com Edilson Varela e Meira Filho.

Aos 18 anos, veio para o Rio, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia.

Trabalhou seguidamente na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardim, San Thiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de S. Paulo, com Júlio de Mesquita Filho e Prudente de Moraes Neto; e na Manchete, com Adolpho Bloch.

Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou em Direito. Chegou a advogar durante sete anos. Costumava dizer que quem se forma em Direito pode até advogar.

Como repórter free-lancer, entrou para a Manchete, criando a seção "Posto de Escuta", que escreveu durante 40 anos. Nessa mesma época, dirigiu e apresentou na TV-Rio, com Bony, Walter Clark e Péricles do Amaral, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos, sendo a princípio produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.

Viveu na Nova Capital durante o atribulado qüinqüênio de 1960 a 1965, que testemunhou em centenas de reportagens. Construiu ali a sede de Bloch Editores e da Manchete e foi, a convite de Darcy Ribeiro e de Pompeu de Souza, professor de Técnica de Jornalismo na Universidade de Brasília.

Sempre em missões jornalísticas, acompanhou os ex-presidentes Juscelino Kubitschek a Portugal; Jânio Quadros a Cuba; João Goulart aos Estados Unidos, ao México e Chile; Ernesto Geisel à Inglaterra e à França; e José Sarney a Portugal e aos Estados Unidos.

Cobriu a Guerra do Vietnã, com o fotógrafo Gervásio Baptista, em 1967, e foi o primeiro jornalista brasileiro a cobrir a Guerra do Camboja, com o fotógrafo Antônio Rudge, em 1973, tendo chegado a Saigon e Phnom-Penh, via Tóquio.

 


27/05/2020

 

http://www.academia.org.br/noticias/morre-no-rio-de-janeiro-aos-91-anos-o-academico-murilo-melo-filho

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quarta-feira, 27 de maio de 2020

QUANDO UMA CONVERSÃO É PROFUNDA – Plinio Maria Solimeo

27 de maio de 2020

 Plinio Maria Solimeo


          Às vezes vemos notícias sobre conversões ao catolicismo de atletas famosos. O que nos surpreende é a seriedade com que os neo convertidos passam a viver a vida religiosa, sendo comum procurarem a forma antiga da liturgia para as suas devoções. John Scott é um desses exemplos. Nascido no Canadá 37 anos atrás, passou sua vida profissional entre seu país e os EUA, onde se formou em engenharia pela Universidade de Michigan. É casado e pai de cinco filhas, incluindo duas gêmeas.

         Scott se tornou conhecido como jogador da Liga Profissional americana de hóquei sobre gelo, a qual move milhões naquele país. Esse esporte é tão violento ou mais que o futebol americano. Por isso, com seus quase dois metros de altura ele se sobrepunha aos adversários. Sua maior notoriedade ocorreu na temporada 2015-16, quando foi escolhido pelos fãs como capitão da equipe da Divisão do Pacífico da Conferência Oeste para o All-Star Game.

 

        Desde criança começou a praticar hóquei, esporte muito popular no Canadá devido à neve. Ele confessa que aprendeu a interagir com outras pessoas por meio do esporte. Como não possuía formação religiosa, o hóquei teria sido para ele a coisa mais próxima de uma religião, pois coloriu a sua visão da vida. Como profissional, Scott adquiriu fama de violento durante os jogos: “Lutar era parte rotineira da minha carreira. Fui pago para proteger meus colegas de equipe, mas gostaria de não ter feito isso”.    

          Universitário, ele conheceu sua futura esposa, Danielle, uma moça católica cuja fé lhe proporcionou uma base estável de vida. Ele estava de algum modo ‘patinando no gelo fino’, pois não tinha uma explicação geral de como o mundo foi montado ou seu significado. Quando pernoitava na casa de sua namorada, dormia no porão, enquanto ela dormia em seu próprio quarto. Iam juntos à missa com os pais dela.

 

        Quando os dois falaram sobre o casamento, Danielle deixou claro que “se eu quisesse me casar, teria de ser na Igreja Católica, e eu teria que concordar em criar nossos filhos como católicos. Depois nos reunimos com um padre e discutimos o compromisso de toda a vida um com o outro, a procriação e instrução das crianças”. Nessa conversa ficou bem claro que o casamento era para toda a vida, que não fariam controle artificial da natalidade, pois a Igreja o proíbe, e deveriam aceitar todos os filhos que Deus mandasse.

         Quando o repórter lhe observa que o tamanho de sua família é maior que o da maioria dos americanos, ele afirma: “É estatisticamente incomum, mas o importante não é ser mediano, mas viver como a Igreja nos ensina a viver, estando abertos à vida”. Ele, com efeito, sabe o que quer e quer o que faz: “Com famílias maiores, há amigos incorporados e oportunidades de abnegação e expansão dos horizontes, há sempre algo para aprender”.

         Embora fosse à Missa com a esposa e seus familiares, John não deu logo o passo decisivo para se tornar católico. Foi só em 2016, quando se aposentou, que ele fez o curso completo de catequização, sendo batizado na Páscoa de 2017. Cumpre salientar que, além de profundos, esses cursos de catequizaçãonos EUA são muito conservadores do que no Brasil. Para ele, os católicos são obrigados a compartilhar a fé, mas, ao mesmo tempo, permitir que cada pessoa tome a própria decisão.

           A família de John Scott adota o homeschooling, ensinando suas filhas em casa. Ele comenta que como estavam com isso perdendo um pouco o senso de comunidade, decidiram procuraram uma paróquia em que houvesse muitas famílias numerosas para se relacionarem. Encontraram então igreja do Santíssimo Rosário, em Cedar, Michigan, conhecida por seus vitrais em estilo gótico e cuja Missa é celebrada com suma reverência no rito extraordinário, além de ser uma rica fonte de catequese familiar.

           Scott comenta: “Somos afortunados por assistir a uma missa solene aos domingos. É gratificante fazer parte dela, com a precisão dos acólitos, o incenso, a música celestial, e a língua usada. Eu até estou aprendendo mais o latim para poder acolitar a Missa”. A igreja tem uma capela de adoração perpétua do Santíssimo Sacramento: “Aguardo com expectativa minha hora semanal de adoração eucarística, que é um período muito valioso para estar na presença direta de Deus”, onde há paz e se obtém ajuda para viver melhor.

         Perguntado sobre as devoções familiares, Scott diz: “Todos nós temos nossas devoções individuais. Mas juntos rezamos um Rosário diário em família, que é a coisa mais importante que todos podemos fazer juntos agora”. Em sua casa foram entronizados o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, praticam a devoção recomendada em Fátima da Primeira Sexta-feira e o Primeiro Sábado do mês, além das orações da manhã, do Ângelus, e ainda, quando podem, assistem à Missa durante a semana. Essas devoções lhes dão uma sensação de estrutura e lhes recorda a necessidade de pedir ajuda para superar as tentações do mundo e fazer a vontade de Deus.

         Em uma demonstração da profundidade de sua conversão, John Scott fala da pouco praticada devoção ao castíssimo esposo de Maria: “O que também faz todo sentido, especialmente para nós, homens, é aprender mais sobre São José, e confiar em sua ajuda”. Considera São José o modelo de todos os maridos e pais cristãos. Foi ele quem deu o nome a Jesus e salvou-O de Herodes. Seu silêncio foi sua força, liderou e protegeu a Sagrada Família.

         John Scott fala sobre a necessidade de se praticar abertamente a fé: “Este é o momento em que precisamos ouvir mais sobre a grandeza do catolicismo, que oferece uma alternativa ao que ouvimos e vemos tanto hoje. A felicidade do mundo é muito superficial, mas a felicidade do catolicismo é profunda”. Para ele, existem muitos caminhos possíveis para partilhar a fé, mas todos eles são motivados pelo desejo de ajudar as pessoas a encontrar o caminho para o Céu. Essa é a luta que importa. A Igreja Católica, com suas devoções e seus sacramentos, torna isso possível.

         John Scott escreveu sua autobiografia [capa acima], com o título: A Guy Like Me: Fighting to Make the Cut (em tradução livre: Um homem como eu: lutando para fazer a diferença).

 

 http://www.abim.inf.br/quando-uma-conversao-e-profunda/


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