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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

PARABÉNS, BRASIL! (Acróstico) – Eglê S Machado

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Parabéns, Brasil! (Acróstico)


Pátria!  Na força do povo
A paz se estabeleça,
Reine o encanto da verdade
confiança só cresça!
Brilhante no bom combate
Esperança não pereça
Nas soluções e conquistas
Supere-se, não esmoreça!

Bendigo o seu seio amável,
Refúgio, amor, gratidão,
Aguerrido e inovador
Sem medo da opressão,
Inteiro a assegurar
Liberdade em profusão!


Eglê S. Machado


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A LAVA JATO MATOU O EUFEMISMO por Felipe Moura Brasil

2018 é hoje

07 de Setembro de 2017



A lava jato matou o eufemismo
 por Felipe Moura Brasil


Lula, no Twitter, em 28 de abril:
“Não tenho preocupação com nenhuma delação. Palocci é meu companheiro há 30 anos, é um dos homens mais inteligentes desse país.”

Lula, no Facebook, em 6 de setembro:
“Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena.”

Entre uma declaração e outra, claro, o companheiro Antonio Palocci, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, entregou Lula e o “pacto de sangue” do petista com a Odebrecht para o pagamento de R$ 300 milhões a si próprio e ao PT.

Como “um dos homens mais inteligentes desse país”, o ex-ministro deu uma aula a Cristiano Zanin, advogado do comandante máximo, sobre a relação entre oito contratos da Odebrecht com a Petrobras e a compra de uma sede para o Instituto Lula.

“A empresa trabalha com a Petrobras; a Petrobras dá vantagens para essa empresa; com essas vantagens, cria uma conta para destinar aos políticos que a apoiaram; o presidente mantém lá diretores que apoiam a empresa, para dar a ela contratos; esses contratos geram dinheiro; com esse dinheiro, eles pagam propina aos políticos. A Odebrecht fez um caixa (com os contratos da Petrobras) e desse caixa foi sacado um dinheiro que comprou esse prédio que foi dado ao presidente Lula.”

Zanin ainda perguntou “por que a Odebrecht estaria envolvida na compra deste imóvel” na Rua Doutor Haberbeck Brandão, 178, em Vila Clementino, São Paulo.

Palocci respondeu:
“Porque o doutor [José Carlos] Bumlai e o doutor Roberto Teixeira [advogado e também amigo pessoal de Lula] sabiam que a Odebrecht era uma colaboradora...”

O ex-ministro interrompeu a própria frase e se corrigiu:
“Colaboradora talvez seja uma palavra...”

Interrompeu-se de novo e, dirigindo-se a Moro, disse:
“O senhor desculpa, às vezes eu... Eu sou [há] trinta anos treinado para falar dessa forma. Mas...”

Reformulando, então, sua frase com foco no que Bumlai e Teixeira sabiam, Palocci prosseguiu:
 “Que a Odebrecht dava PROPINAS frequentes ao presidente Lula e ao PT. Como se tratava de um pagamento de uma propina, ele [Bumlai] achou que a Odebrecht poderia pagar esse terreno”, explicou o ex-ministro, considerando que Bumlai lhe pediu para que solicitasse dinheiro a Marcelo Odebrecht justamente porque sabia que Palocci conversava com o então presidente da empreiteira “sobre essas coisas”.

A recente entrevista à Veja com o autogrampeador Joesley Batista, que está longe de ser um dos homens mais inteligentes do país, também teve um momento similar.
“Falei de propina com a presidente [Dilma] na sala da presidente da República!”, disse o empresário, dono da JBS.

“O senhor falava ‘propina’?”, perguntou a repórter.
 “Não, essa palavra aprendi agora, no Ministério Público. Eu falava ‘ajuda’. ‘Vou dar uma ajuda, um apoio e tal.'”

A diferença entre Joesley e Palocci, portanto, é que um alegou que dizia “ajuda” por ignorância, o outro admitiu que falava “colaboração/colaboradora” por treinamento – até que a Lava Jato matou os eufemismos, restaurando o trânsito normal entre língua, percepção e realidade, sem o qual os atos criminosos soam como caridade exercida.

Curiosamente, o tempo de treino em disfarce verbal admitido por Palocci a Moro é exatamente igual ao tempo admitido por Lula de companheirismo com Palocci: 30 anos.

Graças à Lava Jato – contra a qual Palocci ainda admitiu ter atuado –, também está cada vez mais claro que a palavra “companheiro” usada por Lula e demais petistas é apenas um eufemismo para comparsas ou cúmplices de crimes e de seus acobertamentos.

felipemb@oantagonista.com



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GRITO DOS EXCLUÍDOS – Frei Betto

Grito dos excluídos


       Há décadas o 7 de setembro, data da independência do Brasil em relação à coroa portuguesa, é comemorado pelas pastorais sociais de Igrejas cristãs e movimentos sociais de nosso país como o dia do Grito dos Excluídos.

       Os temas variam de ano a ano, embora haja íntima conexão entre eles. Este ano é a democracia e a defesa dos direitos dos trabalhadores, que no Brasil andam capengas. Somos governados por um executivo que retrocede direitos historicamente conquistados, e cujas principais figuras estão convocadas a sentar no banco dos réus e responder pelos graves crimes de que são acusados.

       Somos governados por um legislativo que majoritariamente atua de costas para os seus eleitores, já que 95% da população desaprova o governo Temer e 81% considera que o presidente deveria responder pelos crimes que lhe pesam aos ombros perante a suprema corte do país.

       Somos governados por um judiciário que se agarra como carrapato às mais aberrantes mordomias, recebe vultosos salários engordados por penduricalhos, e pratica com frequência o nepotismo (parentes e amigos não merecem cadeia).

       A democracia brasileira exclui o acesso de todos ao bem-estar, já que temos 14 milhões de desempregados, 60 milhões de pessoas endividadas e 63 milhões de trabalhadores que ganham por mês menos de dois salários mínimos, dos quais 47 milhões ficam com menos de um.

       Nossa economia não prioriza a inclusão social, e sim o crescimento do PIB. Prefere a especulação à produção. A exclusão econômica e social faz do Brasil uma das nações mais desiguais do mundo. Nas relações pessoais, a exclusão se manifesta no racismo, no machismo, na homofobia, e esta modalidade demoníaca que consiste em discriminar e agredir quem abraça uma prática religiosa diferente da minha.

       A exclusão se estende até mesmo à natureza, vilipendiada em função dos interesses do capital, como o comprova o desmatamento da Amazônia, a poluição de nossos rios e mares, a impunidade de graves crimes ambientais como o provocado pela Samarco no Vale do Rio Doce.

       Há muitas formas de exclusão. A social, que retalha a população em classes objetivamente antagônicas; a cultural, indiferente às expressões artísticas das esferas populares; a semântica, que por ofensas introduz a divergência onde deveria haver apenas diferença.

       Hoje, muitos europeus se sentem incomodados com a chegada de refugiados cujos países, durante décadas, foram saqueados e oprimidos pelas potências europeias. Trump promete erguer um muro entre o seu país e o México, sem admitir que a extensão territorial dos EUA resulta da anexação do Texas, em 1845 e, logo em seguida, do Novo México e da Califórnia.

       Que tipo de gente eu não suporto? A resposta a esta pergunta aponta quem são aqueles que excluo ou apoio quem os exclui. Há exclusões violentas, como as praticadas pelos adeptos da Ku Klux Klan e os assassinos de homossexuais; exclusões preconceituosas, como a de brancos que se julgam superiores aos indígenas; e a auto exclusão de quem cruza os braços ou se entrega à apatia e à indiferença diante de crises como a que o Brasil atravessa.

       O protótipo da prática da não exclusão ou da solidária inclusão, sem nenhuma atitude de preconceito ou discriminação, foi Jesus de Nazaré. Acolheu o cego, o coxo, o hanseniano, e proclamou que todo ser humano é templo vivo de Deus. Acolheu o centurião romano que professava o paganismo; a samaritana que tivera cinco maridos e, agora, vivia com um sexto homem; a prostituta que lhe perfumou os pés e os enxugou com os cabelos. 

       Jesus acolheu pecadores e enfermos, ricos como Zaqueu e pobres como Bartimeu, o cego que mendigava à entrada de Jericó. Não acolheu, contudo, os promotores da exclusão, como os religiosos moralistas; o governador Herodes Antipas, corrupto e assassino; o homem rico que se recusou a partilhar seus bens com os necessitados.

        Data cívica, o 7 de setembro mereceria ser a festa de uma democracia inclusiva, na qual o desfile das forças armadas fosse substituído por uma grande manifestação cívica das forças amadas.



Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

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QUANDO O SAL NÃO SALGA… - Gabriel J. Wilson

Quando o sal não salga…

7 de setembro de 2017
Gabriel J. Wilson

Como a maioria dos católicos que prezam e amam a verdadeira religião fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, os leitores de Catolicismo devem sentir na pele — dir-se-ia melhor na alma — o mal-estar causado pela desordem verdadeiramente diabólica que domina todos os campos do mundo contemporâneo. E o mais doloroso é que essa desordem tenha penetrado nos lugares mais sagrados e até nos próprios ambientes da Santa Igreja Católica, Apostólica Romana.

O exemplo mais frisante desse caos vem da vizinha Venezuela. Seus miasmas se fazem sentir também no Brasil, desservido por setores de uma classe política sem princípios e demagogos apoiados por uma esquerda dita “católica” que tudo fazem para precipitá-lo no mesmo caos. O motor dessa demolição encontra-se sobretudo na enxurrada de leis igualitárias e demolidoras aprovadas na era petista.

A tal ponto a fé católica é hoje calcada aos pés que, para nos lembrarmos dela em seu esplendor, será certamente útil recordarmos algumas verdades esquecidas ou propositadamente ocultadas por uma “igreja nova” igualitária, populista, ecumênica, demagógica, que nada tem a ver com Aquela nascida do preciosíssimo Sangue que jorrou do flanco sagrado de Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.

Leão XIII não foi santo, mas foi um grande Papa. Num de seus mais belos documentos ele descreve os frutos da verdadeira Igreja Católica, que transbordaram do campo religioso para o civil. Trata-se da conhecida encíclica Immortale Dei, na qual lemos este belo parágrafo:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à proteção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (nº 28).

A ordem civil assim descrita é o que chamamos “civilização cristã”, a qual floresceu principalmente na Europa, a partir da conversão dos povos bárbaros até a sua decadência, no declínio da Idade Média. Leão XIII enumera também os frutos dessa civilização:

Feira em Gante na Idade Média – Félix de Vigne (1806-
1862). Musée des Beaux arts, Gante, Bélgica [click na 
imagem para ampliá-la]

“Se a Europa cristã domou as nações bárbaras e as fez passar da ferocidade para a mansidão, da superstição para a verdade; se repeliu vitoriosamente as invasões muçulmanas, se guardou a supremacia da civilização, e se, em tudo que faz honra à humanidade, constantemente e em toda parte se mostrou guia e mestra; se brindou os povos com a verdadeira liberdade sob essas diversas formas, se sapientissimamente fundou uma multidão de obras para o alívio das misérias; é fora de toda dúvida que, assim, ela é grandemente devedora à religião, sob cuja inspiração e com cujo auxílio empreendeu e realizou tão grandes coisas” (nº 29).

A seguir, o grande Pontífice insiste no fato de que muito maior teriam sido os frutos dessa civilização se tivesse prevalecido a harmonia entre os poderes espiritual e temporal:

“Todos esses bens ainda durariam, se tivesse perseverado o acordo entre os dois poderes, e havia razão para esperar outros ainda maiores, se a autoridade, se o ensino, se os conselhos da Igreja tivessem encontrado uma docilidade mais fiel e mais constante. Porquanto se deveria ter como lei imprescritível aquilo que Yves de Chartres escreveu ao Papa Pascoal II: ‘Quando o mundo é bem governado, a Igreja é florescente e fecunda. Mas, quando a discórdia se interpõe entre eles, não somente as pequenas coisas não crescem, mas as próprias grandes deperecem miseravelmente’”(Epist. 238).

         Eis a explicação das mazelas que atormentam o mundo atual. Não existem governantes honestos porque não há mais santos e a decadência moral e de princípios penetrou até nos recintos mais sagrados.

Hoje não são poucos os analistas que atribuem essa decadência à aplicação dos discutíveis documentos do Concílio Vaticano II e à série de pontífices que sucederam ao Papa Pio XII (ele mesmo reformista a partir de 1954, na segunda fase de seu pontificado). Sob o pretexto de trazer o mundo à Igreja, o Concílio entregou a Igreja ao mundo. Não espanta, assim, que em consequência o neo-paganismo se instale e progrida em todos os países. Em muitos casos são os próprios representantes da Igreja — e por vezes da mais alta hierarquia — que favorecem essa invasão dos inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo. A respeito deles vem ao caso lembrar a advertência do Divino Mestre:

         “Vós sois o sal da terra! Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? Não serve mais para nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.” 
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Fonte: Revista Catolicismo, nº 801, Setembro/2017.


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7 DE SETEMBRO: Feliz Aniversário, BRASIL!