Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Venezuela. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

SENTADA NUM POTE DE OURO – Péricles Capanema


Péricles Capanema

 

Pote de ouro enterrado. A Venezuela tem o maior volume de reservas de petróleo comprovadas na Terra. Nesse aspecto, reservas de petróleo, é a nação mais rica do mundo. Estão por volta de 300 bilhões de barris de petróleo as reservas comprovadas. Em segundo lugar vem a Arábia Saudita, com 270 bilhões. Têm 39 bilhões de barris comprovados os Estados Unidos. O Brasil, 16 bilhões de barris. Em números redondos, a riqueza de petróleo comprovada da Venezuela é quase 20 vezes superior à do Brasil. São aproximativos os números, variam segundo as fontes consultadas, mas um ponto é comum entre elas: a Venezuela está em primeiro lugar. É preciso ainda considerar que o custo de extração por barril na Venezuela é maior que o da Arábia Saudita, o que diminui a vantagem do país sul-americano. Façam as contas, o barril de petróleo está por volta de 80 dólares; pode subir muito ainda. Para a Venezuela, adiantou muito ser assim o passado, adianta quase nada hoje. Afunda sem parar já faz uns dez anos. Logo abaixo, a causa.

Prosperidade passada. A Venezuela foi chamada de “Venezuela saudita”, “o país que mais consome uísque no mundo”. A riqueza jorrava. Caracas maravilhava pelos prédios modernos. Sua renda per capita em 1998 beirava 16 mil dólares, logo atrás da renda per capita dos argentinos, então no primeiro lugar da América do Sul. É o passado; dele, pensa a maioria esmagadora do país, nada ficou, além das lembranças de uma era dourada.

Desgraça presente; pote de ouro que não serve para nada. O Haiti sempre foi o país mais pobre da América Latina. Não é mais. Quando 2021 acabou, segundo projeções do FMI, ele entrou no penúltimo da lista, com renda per capita de 1.690 dólares. Agora é a Venezuela, com renda per capita de 1.627 dólares, o país mais pobre da América Latina. O país tem mais de 4 milhões de refugiados — venezuelanos que fogem da fome, da perseguição política, do desemprego, da vida sem futuro. Está no oitavo ano consecutivo de recessão, desde 2013 a economia encolheu 80%. Por causa da hiperinflação já cortou 14 zeros da moeda. Na prática, o povo abandonou a moeda nacional e dolarizou a economia. Tudo é comprado e vendido com cotação em dólares. Oito milhões de pessoas estão desempregadas em população de pouco menos de 30 milhões.


O socialismo do século XXI destruiu a Venezuela.
A causa, agora. O chavismo [ou socialismo bolivariano] do coronel Hugo Chávez [na foto, com Fidel Castro] estraçalhou a Venezuela, reduzindo-a a frangalhos. Ela hoje vive dos apoios de Cuba, Nicarágua, China, Rússia. No Brasil, tem um apoio fervoroso, o PT, sempre firme em sua defesa mitomaníaca da igualdade, não importa o sofrimento popular. O PT ocupa hoje no Brasil espaço político similar ao que foi tomado ao longo do século XX pelos PCs de orientação soviética em muitos dos países ocidentais. A propósito das eleições venezuelanas de novembro passado, o PT divulgou comunicado de apoio ao pleito venezuelano, fraudulento e autoritário: “o processo eleitoral ocorreu em total respeito às regras democráticas e concedeu a vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em vinte estados, tendo a oposição vencido nos três restantes”. O presente governo estimula a corrupção entre altos oficiais da Forças Armadas (de onde vem parte de seu apoio) e mantém laços com o tráfico de drogas. Tal situação repercute no Brasil, repercutirá ainda mais, se a situação se perenizar na Venezuela, em especial em nossa região norte. E repercutirá de forma devastadora, se o PT sair vitorioso nas eleições de 2022. É inafastável a constatação: a aplicação das políticas preconizadas pelo PT (parecidas com as políticas do chavismo) precipitará o Brasil em situação semelhante à da Venezuela.

Passividade suicida. A situação dantesca que, sem perspectiva de mudança rápida, padecem Venezuela e Cuba, é mortal entre nós para os objetivos eleitorais do PT? Pode “pegar mal” no povo, já que Venezuela e Cuba são hoje o que poderemos ser amanhã, caso o PT volte e se aninhe no poder.

Acoitados no poder. Cuba, Nicarágua, Venezuela, China, perenidades infernais. São modelos para a ação petista. A esquerda deixa o poder? Certo, admito, essa realidade trágica pode prejudicar a força eleitoral do PT. O prejuízo será mortal para seus objetivos? Tenho minhas dúvidas. Lula e Dilma sempre apoiaram Fidel Castro [modelo de Hugo Chávez e Nicolás Maduro] e ganharam quatro eleições presidenciais. E os deputados do PT formam bancada forte, apesar de sempre terem apoiado o socialismo cubano e venezuelano. O dinheiro brasileiro jorrou solto para os dois países e ninguém acha que um dia voltará. O escândalo não tem sido mortal para os objetivos petistas. Sei que há muitos fatores que atenuam a gravidade, e até a culpabilidade, presentes em tomadas de posição do público em geral.

Alarma regenerador. Contudo, fato é que alarmam os atuais índices obtidos por Lula nas presentes pesquisas (passageiros, pouco consolidados, até em parte falseados, concedo). Tendo-os como fundamento de análise, o Brasil pode ter quatro, oito anos, até mais, de governos que admiram sem rebuços a tortura infligida pelos chavistas ao povo venezuelano. De outro lado, tal fato triste e trágico pode ser alarma regenerador, toque de rebate para o começo de atitudes de reconquista. O que será necessário? Em primeiro lugar, entendo, ver com clareza, sem ilusões, a situação, mesmo em seus pontos mais débeis e preocupantes. A seguir, energia e pertinácia, o que implica emprego intenso e arguto dos instrumentos lícitos, sempre na lei e na ordem. Sem coordenação de esforços dificilmente se evitará a tragédia. Adiante do Brasil que presta estão meses de batalha para evitar que a epidemia socialista tome conta do país. Seria atitude de reconquista. Pois parte do público, hoje passiva, letárgica, indiferente, iludida até, precisa ser reconquistada.

Exemplo de reação salvadora. Winston Churchill foi grande condutor político, sempre traz bons exemplos para horas difíceis e estamos em uma delas. Em situação grave da Inglaterra, até desesperadora, o dirigente não escolheu enfiar a cabeça na areia. Fez o contrário. Pintou com cores sombrias (e reais) para o povo inglês o quadro geral. Lembro palavras suas aos britânicos: “Estamos diante de uma das maiores batalhas da História. Digo para a Câmara dos Comuns o que disse para os que apoiaram o governo. Só vos prometo sangue, fadigas, lágrimas e suor. Temos diante de nós muitos longos meses de luta e sofrimento. Vocês perguntam, qual é nossa política. Digo, fazer a guerra por mar, terra e ar, com todo nosso poder e com toda a força que Deus nos dê, fazer a guerra contra uma tirania monstruosa, nunca ultrapassada no negro e lamentável catálogo do crime humano. Esta é nossa política. Perguntam qual é nosso objetivo. Respondo com uma palavra: vitória. Vitória, não importam os custos”.

Ad augusta per angusta. Vitória não vem sem lutas. E clareza de vistas. Que Deus nos ajude.

 

https://www.abim.inf.br/sentada-num-pote-de-ouro/

* * *

domingo, 19 de maio de 2019

PODE A VENEZUELA ESTAR SUJEITA A PODERES INFERNAIS?


19 de maio de 2019

É difícil explicar como o povo venezuelano se resigna ante a degradação imposta pela tirania socialista-comunista.

Vídeos no Youtube apresentam o povo servindo-se da água de esgotos ou comendo restos obtidos em caminhões de lixo.

Essa inércia da população, segundo testemunhas venezuelanas, seria resultado de invocações públicas a espíritos obscuros, em rituais parecidos à macumba, espiritismo ou satanismo, para tomar conta do país.

Um casal venezuelano exilado no Brasil descreveu os cultos de líderes socialistas-populistas às potências infernais, para manter o país sob controle.

Seria esta uma explicação para a desgraça que se abateu sobre a nação vizinha, cujas consequências já atingem o Brasil.



* * *

quinta-feira, 2 de maio de 2019

UM BOLIVARIANO TUPINIQUIM – Marcos Machado


1 de maio de 2019
Marcos Machado

Matéria recente da jornalista Amanda Almeida, estampada em “O Globo”, de 8 de abril, informa que o ditador e opressor do povo venezuelano Nicolás Maduro, lacaio de Cuba e Rússia, tenta reeditar a manobra do “Cavalo de Troia”, servindo-se para isso de um senador do Pros, de Roraima.

      Como se sabe, o Senador Telmário Mota [na foto acima, com o ditador que afunda a Venezuela na miséria e no caos] — do PROS de Roraima e conhecido defensor de Dilma Rousseff no processo de impeachment, e cabo eleitoral de Lula na farsa da manobra de se candidatar em 2018 — acaba de tomar uma decisão contrária aos interesses nacionais.

      Depois de visitar Maduro e tratar com ele sobre as dificuldades pelas quais passa o seu vizinho estado de Roraima — como se o Brasil estivesse falido e sem governo — voltou ao País, como se fosse um office boy, trazendo uma carta-cavalo-de-troia de Maduro ao presidente do Senado, David Alcolumbre.

      Ainda segundo a versão da jornalista, Telmário Mota diz querer buscar soluções imediatas para o sofrimento que aflige o povo de Roraima. Num texto sobre o encontro, o senador diz que as trocas comerciais com a Venezuela são fundamentais para a economia de Roraima, além da energia elétrica produzida pelo país vizinho.

      Convenhamos. Querer buscar soluções imediatas com Nicolás Maduro nesse momento em que o país dirigido por ele se torna campeão de miséria, de hiperinflação, de repressão popular, de cidadãos — mais de três milhões — em fuga do socialismo bolivariano, é trabalhar contra os interesses do Brasil.

      Pouparei o leitor do trabalho de correr os olhos nos tópicos da carta-arenga de Nicolás Maduro, na qual afirma que o giro inesperado e ofensivo da política exterior de Brasília vem se tornando doloroso, mas que não interpretaria o sentir do povo brasileiro.

      Na verdade, tal afirmação do ditador venezuelano tem o valor de um recibo passado à eficácia da reação conservadora brasileira que desbancou Dilma Rousseff e o PT do poder, produzindo esse giro — para ele inesperado — na política exterior de Brasília.

      Graças a Deus, o Brasil tendo imposto uma derrota à esquerda de todos os naipes, retorna ao caminho do qual nunca deveria ter saído, e ocupa o seu importante lugar nos rumos da América Latina. Venezuela, sim. Ditadura socialista de Maduro, não!


* * *

terça-feira, 5 de março de 2019

A IGUALDADE ESTRANGULA A PLENITUDE - Péricles Capanema


5 de março de 2019
Péricles Capanema


CLAP na Venezuela significa Comitê Local de Abastecimento e Produção [foto]. São dezenas de milhares pelo país, distribuem e, por escassas vezes, produzem um pouquinho de alimentos. Vendem bolsas de alimentos a preços subsidiados apenas às pessoas neles registradas. O registro supõe inexistência de militância oposicionista e alguma forma de adesão ao regime. Sem registro, nada das doações dos alimentos de primeira necessidade.

Comunicado da TV estatal afirma, os CLAPs “constituem a nova forma de organização popular encarregada da distribuição, casa por casa, dos produtos de primeira necessidade”. Casa por casa. Num país esfomeado, controlam grande parte da comida entregue a conta-gotas aos pobres. É, na prática, instrumento eficaz de pressão, perseguição e prêmio, enfim, de meticuloso controle social. Estrangula as reações no nascedouro. Enorme retrocesso humano, sem dúvida, mas gigantesco avanço revolucionário. Em inglês, clap significa aplaudir. Os partidários dos comitês têm ainda essa missão, havia me esquecido: aplaudir a tirania no poder até as mãos ficarem em carne viva.

Os CLAPs têm a mesma inspiração dos sovietes implantados na Rússia em 1917. Eram conselhos operários que, rezava a teoria, controlavam todos os assuntos no patamar local e depois se articulavam para comandar o Estado. Ainda em doutrina, levavam ao extremo a autogestão. Por meio deles, supostamente, pela primeira vez na história, a igualdade triunfaria, surgiria o governo dos operários. Entre as atribuições, naturalmente está produzir, regular e distribuir a produção. Os bolchevistas em 1917 lançaram a revolução sob o lema “Todo o poder aos sovietes”. Lero-lero. Na prática, outra a realidade, o Partido Comunista dirigia tudo, os sovietes nunca passaram de “longa manus” dos líderes partidários.

Volto ao calvário da Venezuela. Do CLAP, soviete em construção, disse Nicolás Maduro: “O CLAP é ritmo, o CLAP é alegria, o CLAP é poder popular, são [os CLAPs] a expressão da igualdade, da solidariedade e da cooperação, do trabalho popular, são a expressão do futuro”.

De novo, na teoria: o trabalho se daria em conjunto, em ambiente de cooperação e solidariedade. Daí serem “expressão da igualdade”, “expressão do futuro”. De outro modo, o objetivo do futuro é a igualdade dentro dos CLAPs. Na prática o que acontecerá é a repetição de todos as tentativas anteriores: ambiente crescentemente pesado, aproveitadores, brigaria, criminalidade em alta, baixíssima produtividade, pobreza e exploração dos fracos; no fim, extinção por completa inviabilidade. Desde o século XIX, os ensaios sempre deram nisso.

Nicolás Maduro reafirma obstinado a concepção totalitária, melhorando, a obsessão totalitária mitomaníaca, que sempre acompanhou o comunismo, empurrar todo mundo para dentro da igualdade nessas pequenas comunidades. A utopia comunista vive nos escombros do socialismo real, o soviete, cadinho do homem novo, para dentro do qual todos devem ser empurrados, para ali trabalhar e viver; na casca, a sociedade dos livres e iguais, no miolo, o inferno na terra). Em 1917 foi tentado assim, aconteceu desse modo em boa medida nos kibutzim judeus. Deixo de lado esboços na Espanha, Alemanha, Hungria, Polônia, Itália, expostos em ampla literatura sobre os conselhos operários. Agora o regime chavista os impõe à Venezuela. Na esquerda católica, eco fiel da utopia socialista, tivemos (e ainda temos) os sonhos (melhor, os delírios de ordem social) das comunidades eclesiais de base.

O MST se nutre dessa mesma doutrina tóxica. Os assentamentos, meninas dos olhos do INCRA e do MST, têm também aqui sua origem. Essas duas organizações — o MST claramente orcrim, organização criminosa, e o INCRA, em sua atuação, vezes sem conta, também orcrim pelo contubérnio de décadas de destacados funcionários seus, de carreira ou em cargos comissionados, com MST, CPT e afins — sonham com um Brasil contaminado por assentamentos, na prática pústulas cancerosas na carne da Pátria, favelas rurais. Em verdade, a inspiração maior é o soviete. Pasmem, ninguém parece ter peito para gritar o óbvio ululante: é preciso acabar de vez com essa doidice, já velha de décadas, dos assentamentos. São mais de 30 anos de fracassos, dinheiro torrado, bilhões e bilhões de reais, baixíssima produtividade, roubalheira, valhacouto de desordeiros, favorecimento de agitadores da extrema esquerda, em regra com a parceria solícita e contínua do INCRA.

De onde vem tanta desgraça, que não morre, resiste à realidade óbvia, por tanto tempo em tantos países do mundo? Da idolatria da igualdade. Para atingir sua igualdade, os revolucionários conhecedores dão origem a sabendas, quase nunca confessadamente, a homens atrofiados. São décadas a fio produzindo personalidades estioladas, sacrificadas nas aras da igualdade.

Corta. Nenhuma igualdade buscar? Sim, igualdade proporcional, de matriz aristotélica. Daí, desigualdades harmônicas, estão explicadas na doutrina social católica.

Volto. Quero tratar em especial de ponto que está lá em cima no título e é em geral enterrado nas discussões: a plenitude. Os homens, por inclinação natural, buscam e devem buscar a plenitude. Têm direito à plenitude pessoal. Dela, existem incontáveis espécies, moral, cultural, artística, financeira. Respeitada a moral, a qualquer delas. Age contra direito humano quem propõe regime que estiole e atrofie qualidades pessoais; mais no ponto, cerceie o florescimento da pessoa.

Meses atrás publiquei livro pequeno exatamente sobre esse ponto, era um conto. O título do livro, “Brigo pelos homens atrofiados”. Para ficar mais leve, o trabalho teve caráter jocoso e saiu com pseudônimo: Zeca Patafufo foi o autor. De passagem, para quem não sabe, patafufo, em Minas, é o epíteto faceto que recebe quem nasceu em Pará de Minas, nasci lá.

No meio do conto, um chefe revolucionário de expressão explica didático numa roda: “Minha opinião, a gente sempre buscou o avanço, outro modo, foi atrás da igualdade; é continuar por aí, não tem porque mudar. Lá adiante chegará a hora de matar a pessoa-rei, simples realidade datada. Não massacramos os reis? Vamos abater também esse e jogar o cadáver ao lado de Luis XVI e Nicolau II. Taqui a grande conquista progressista na rota da igualdade. Entendo, custoso se acostumar, por ora fica entre nós. Esmiúço mais: a igualdade, o fio condutor das revoluções nos Tempos Modernos, é o primeiro valor social fundante, é falar, o absoluto supremo, cuja generalização representa o fim da exploração do homem pelo homem. […] O nivelamento só é possível por compressão das possibilidades de realização pessoal. Daí escorre: seres humanos estiolados são o barro da sociedade igualitária. No choque da igualdade amigada à atrofia, de uma banda, contra, da outra, a floração das mais variadas plenitudes, tenho lado: brigo feio pela vitória dos homens atrofiados. É o resumo de tudo”.

Brigo feio pela vitória dos homens atrofiados. Este é inconfessado o brado autêntico das hostes que procuram implantar o igualitarismo revolucionário. Estrangulam a plenitude.



* * *

domingo, 13 de janeiro de 2019

VENEZUELA, UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO


13 DE JANEIRO DE 2019

A Venezuela socialista de Nicolás Maduro 
“virou um campo de concentração, onde estão sendo exterminados os cidadãos”. Esta foi a denúncia de Mons. Jaime Villarroel, bispo de Carúpano, que expôs muitos dados terríveis: “Está sendo praticada uma tragédia de dimensões inimagináveis. […] Hoje morrem milhares de venezuelanos por falta de comida, de remédios; 80% das indústrias estão destruídas; só em outubro a inflação beirou 270%; o salário mínimo é entre 4 e 6 dólares” (de R$ 16,00 a 24,00); em 2017 “morreram mais de 20.000 crianças recém-nascidas, porque não há como atender as mães no parto”. Apesar de tudo isso, o Papa Francisco continua insensível aos apelos dos bispos venezuelanos e aos gemidos de um povo inteiro, recluso nesse satânico “campo de concentração”.


* * *

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

BBB, REALIDADE MACABRA, NENHUM SHOW - Péricles Capanema


22 de novembro de 2018
♦  Péricles Capanema

O BBB (Big Brother Brasil) é um programa de televisão que mostra cenas da vida real de participantes confinados por certo tempo. É um reality show. A expressão Big Brother tem origem no romance 1984 de George Orwell. O Big Brother (Grande Irmão ou Irmão Mais Velho) é o ditador que vigia o povo 24 horas por dia num estado mítico Oceania. O idioma oficial era a newspeak (fala nova) em que o expresso queria dizer exatamente o oposto. No livro, Orwell prevê o totalitarismo sombrio que ameaçava o mundo. Não vou tratar do BBB, programa da televisão.

Orwell foi visionário, acertou. Vou comentar um totalitarismo moderno. Na China comunista, especialmente mediante a ação da ZTE, estatal de telecomunicações, vem sendo implantado celeremente o programa intitulado oficialmente (e eufemisticamente) “construção de um sistema de crédito social”.  Em 14 de junho de 2014 o Conselho de Estado determinou medidas que o tornaria inteiramente efetivo em 2020. Trata-se de vigilância intensa. O país já tem 200 milhões de câmeras ligadas a programas para interconectar dados. Terá 600 milhões em 18 meses. E informações de todos os lados alimentam os computadores dos órgãos de segurança do regime comunista.

O que é o crédito social? É um sistema de pontos (créditos), já largamente empregado na China (chegará a um primeiro nível de perfeição em 2020). Recolhe dados continuamente sobre cada chinês: locais onde está, renda, tempo que passa jogando games, fumante ou não, alcoólatra ou não, multas de trânsito, velocidade do carro, rotas, atraso em pagamento de prestações, desfalques, fraudes nos negócios, frequência em igrejas, se o vigiado (todos) ou parentes dele manifestaram opinião contrária à linha do Partido em comentários de sites, tanta coisa mais. E pontua a seguir. A exata metodologia de coleta e avaliação é secreta (chamada por alguns de sistema de pontuação psicométrica), mas todos sabem, com base em bilhões e bilhões de referências, recolhidas, conectadas e classificadas, a contagem vai subindo ou descendo no crédito social de cada um; e ali está seu futuro. De outro jeito, pioram ou melhoram as perspectivas do vigiado e de sua família. Por vezes, são totalmente destruídas.

Com base nos pontos, os filhos podem frequentar ou não escolas de elite, são concedidas ou não passagens para trens-bala e aviões, permissão para ou veto a viagens ao Exterior, acesso ou interdição a bons empregos, transferências, demissões, descontos nas contas de água e luz, internet mais rápida ou mais lenta, e vai por aí afora. Até melhoram ou pioram as possibilidades de casamento nos sites especializados. Num segundo estágio, a pessoa entra para uma lista negra, ostracismo, fim de qualquer perspectiva de ascensão na vida social e econômica. É forma nova e minuciosa de controle da conduta e da vida econômica. Trata-se de um totalitarismo sem as nuvens de agentes secretos e das brigadas de defesa da revolução, comuns décadas atrás em países comunistas. Na prática, é um totalitarismo mais asfixiante e mais minucioso. Aqui o BBB é realidade macabra e nenhum show.

Saio da China e entro na Venezuela. O governo venezuelano contratou a ZTE, a estatal chinesa que está no centro do programa do crédito social para implantar no país um sistema semelhante ao que vem sendo posto em prática na China inteira. Só em 2017, é o que se divulga, a ZTE recebeu 70 milhões de dólares por esse trabalho. E muitos venezuelanos já não estão recebendo os pacotes de alimentos subsidiados, nem remédios de órgãos estatais, por causa de pontuação que obtêm no “carnet de la pátria”.

O senador Marco Rubio, dos mais destacados homens públicos norte-americanos advertiu a respeito: “A China está exportando seu totalitarismo. A crescente dependência do regime Maduro em relação à ZPE na Venezuela é apenas o último exemplo da ameaça que as estatais chinesas representam para os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”.

Não tenhamos ilusões, é programa prontinho para ser aplicado no Brasil. Desencaixotam-no, logo que voltem ao poder os derrotados no último pleito. Para isso, trabalha o PT, auxiliados por inocentes úteis e companheiros de viagem. As linhas auxiliares do PT são políticos de esquerda em partidos burgueses, PSOL e a miuçalha de partidos de esquerda, movimentos sociais, acadêmicos e empresários de esquerda ou “progressistas”, gente assim. Em 2010, em artigo intitulado “Inocentes úteis e companheiros de viagem, expressões banidas nas eleições de 2010”, lembrei: “O inocente útil é o que, sem se dar conta, facilita a execução do programa, do qual ele é real ou supostamente adversário. Ajuda a tomada do poder por alguém que, no futuro, vai trucidá-lo, moral ou fisicamente. O companheiro de viagem é o que caminha junto até um ponto da estrada. Ajuda o parceiro a chegar a um ponto determinado de seu programa. O maior exemplo de companheiro de viagem e inocente útil das últimas décadas é a CNBB. Ninguém mais que ela foi companheira de viagem e inocente útil do programa de fazer do Brasil um país libertário e coletivista”.
 ...............

Comentários:

Marcos Costa
22 de novembro de 2018
A China comunista está realizando o maior controle dos cidadãos que nem sequer a Science Fiction conseguiu imaginar.
Sao 200 milhões de câmeras espalhadas pelo Pais e um total controle da população pelo “crédito social”.
Onde fica a “liberdade” tão prometida pela Revolução como ideal metafísico sempre a ser superado?
E por que razão a ONU e o Papa Francisco também não se pronunciam contra a ditadura comunista de Xi?
Aliás, com Fidel Castro, Xi também foi confirmado Presidente Vitalicio!
Marcos Costa


Luiz Guilherme Winther de Castro
22 de novembro de 2018
Não foi Napoleão Bonaparte quem disse lá pelos anos de 1816 que a China era um gigante adormecido e o dia que ela acordasse dominaria o mundo, ou algo nesse sentido?
Está aí a profecia, mas, acredito que ainda haja tempo, ao menos para nós no Brasil. É só o povo continuar acordado e não permitir que ninguém de esquerda volte ao poder e que a CNBB abra os olhos para a realidade da doutrina da nossa Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, expulsando ou anulando de seus quadros os bispos e padres esquerdistas.
Para tanto, esperemos a complacência de Deus e mais a intervenção de sua mãe, a Virgem Santíssima.


* * *

sexta-feira, 2 de março de 2018

VENEZUELA: igrejas sem hóstias para a Comunhão


28 de Fevereiro de 2018
Paulo Roberto Campos
         

           
A derrocada da Venezuela, fruto da implantação do regime bolivariano-comunista — que os governos petistas queriam reproduzir no Brasil, nunca é suficiente insistir — trouxe à cena não somente um grande êxodo, centenas de milhares de venezuelanos fugindo da fome, mas também famílias procurando comida no lixo, outras comendo carne de cachorro, mercados com as prateleiras vazias, farmácias e hospitais sem remédios, crianças morrendo de desnutrição, pais que entregam os filhos para adoção por não terem como sustenta-los, inflação astronômica etc. etc.

          Na outrora prospérrima Venezuela, o descalabro não para aí. Ele atingiu o inimaginável: os jornais noticiam que em várias igrejas do país não há distribuição da Sagrada Eucaristia durante a Missa por falta de hóstias! Ou seja, não há farinha para produzi-las e assim os fiéis católicos ficam sem a comunhão.
       
            O Vaticano — cujo atual Secretário de Estado foi durante vários anos Núncio em Caracas — não tem conhecimento dessa calamidade? Não escutou nada, não viu nada e não fala nada? Sobretudo, não condena os ditadores Fidel castristas que estão transformando a nação venezuelana numa Cuba de extrema miséria espiritual e material?

Rezemos pela pobre, infeliz e castigada Venezuela. Lembrando a parábola do “Filho pródigo” do Evangelho, posso afirmar que ela está literalmente comendo as bolotas dos porcos. Quando regressará à casa materna da Virgem de Coromoto, sua tão bondosa e querida Padroeira? Não estará Ela muito esquecida? Nossa Senhora poderá obter de seu Divino Filho a solução para todos os problemas, desde que os venezuelanos se voltem para sua Padroeira com verdadeiro arrependimento, com o coração contrito e humilhado.


* * *

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

VENEZUELA VIVE IMPASSE, MAS INTERVENÇÃO EXTERNA NÃO DEVE SER DESCARTADA A PRIORI

4 de janeiro de 2018
O ex-ministro do Planejamento da Venezuela (1992-1993) e ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ricardo Hausmann, que é diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard, escreveu um polêmico artigo para a Project Syndicate esta semana considerando uma intervenção militar estrangeira na Venezuela como uma alternativa, uma vez que a ditadura socialista de Maduro vem destruindo o país e jogou a população no completo caos social. Diz ele:

No que se refere a soluções, por que não considerar a seguinte: a Assembleia Nacional poderia declarar o impedimento de Maduro e do vice-presidente Tareck El Aissami, narcotraficante e sancionado pelos EUA.

A Assembleia poderia indicar constitucionalmente um novo governo, que por sua vez poderia pedir ajuda militar a uma coalizão de países dispostos, incluindo latino-americanos, norte-americanos e europeus.

Essa força libertaria a Venezuela, assim como canadenses, australianos, britânicos e americanos libertaram a Europa em 1944-45. Mais perto de nós, seria como quando os EUA libertaram o Panamá da opressão de Manuel Noriega, instalando a democracia e o mais rápido crescimento econômico da América Latina.

Segundo o direito internacional, nada disso exigiria a aprovação do Conselho de Segurança da ONU (o que a Rússia e a China poderiam vetar), porque a força militar seria convidada por um governo legítimo buscando apoio para o cumprimento da Constituição do país. A existência dessa opção poderia até melhorar as perspectivas das atuais negociações na República Dominicana.

Uma implosão na Venezuela não é do interesse da maioria dos países. E as condições lá constituem um crime contra a humanidade que deve ser detido por razões morais.

O fracasso da Operação Mercado Jardim em setembro de 1944, imortalizada no livro e no filme “Uma Ponte Longe Demais”, levou à penúria nos Países Baixos no inverno de 1944-45. A fome na Venezuela hoje já é pior. Quantas vidas devem ser destruídas antes que chegue a salvação?

Hoje, a folha publicou dois textos em resposta. O primeiro foi a coluna de Matias Spektor, que considerou a proposta “estapafúrdia”. Ele apresenta três motivos: a falta de alternativa de poder, a limitação geopolítica de quem poderia realizar tal intervenção, e a falta de legalidade ou legitimidade a ela. Diz ele:
A Venezuela encontra-se em seu pior momento, mas ir à guerra contra o chavismo no que seria a primeira intervenção na América do Sul no século 21 não é solução. Há alternativas para lidar com o problema que não trazem o risco embutido de uma aventura militar questionável e de resultado incerto.

Resta perguntar: quais? Que alternativas são essas, se até hoje só vemos a Venezuela afundar mais e mais no caos ditatorial? Vamos acreditar em “diálogo” ainda? Há algo menos legítimo do que o regime atual? Gostaria de saber quais alternativas concretas o especialista apresenta, pois não consigo nem imaginar quais sejam.
O segundo texto é de Xabier Coscojuela, resposta direta ao original, e que rotula a proposta de Hausmann como “desesperada”. De fato. Mas a situação na Venezuela não é de desespero? “Os males desesperados são aliviados com remédios desesperados ou, então, não têm alívio”, disse Shakespeare em Hamlet. Coscojuela, porém, rejeita a ideia, e diz:

Considero-a uma alternativa totalmente inconveniente para o país. Uma possibilidade que só geraria mais anos de instabilidade para a Venezuela.

O sensato, o conveniente, é que as negociações que estão sendo realizadas na República Dominicana terminem com acordos nos quais se inclua a eleição presidencial com garantias de respeito à vontade popular ali expressada e que também se eliminem ou se imponham limites, muito precisos, à atuação da Assembleia Nacional Constituinte.

Não tenho nenhuma dúvida de que os que governam a Venezuela não são democratas, que utilizaram e utilizarão todas as alternativas ao seu alcance para manter-se no poder, sem importar a opinião da maioria dos venezuelanos, mas é preciso tirá-los do poder mediante o voto e constituir um governo de muita amplitude porque a crise nacional é das mais graves que a Venezuela teve em toda a sua história.

Se o próprio autor reconhece que Maduro não vai sair por livre e espontânea vontade, como ele será retirado por meio do voto? Se ele manipula as “eleições”, como os votos vão derruba-lo? Entendo o argumento dele, e também de Colette Capriles, de que propor essa intervenção já serve como arma para Maduro justificar a intensificação da opressão. Mas não é por isso que será um erro considerar esta opção.

Não sei se a ideia é exequível, se há como colocá-la em prática mesmo, se haveria coordenação de vários países, ou se o governo americano tomaria uma decisão dessas de forma unilateral. Só sei que o “diálogo” não vai resolver nada, e acreditar nisso é uma quimera perigosa, típica de românticos pacifistas, os mesmos que vibraram quando Chamberlain assinou um pacto com Hitler, ou quando Obama assinou um pacto com o Irã.

A Venezuela vive um grande impasse. Não há saída fácil. É sempre assim com experimentos socialistas: todos terminam em miséria, terror e escravidão. E a imensa maioria só caiu com luta, com intervenção externa, com muita pressão. Com “diálogo” realmente não temos caso na história para contar…

Rodrigo Constantino

..........


Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.
* * *

terça-feira, 18 de julho de 2017

A VENEZUELA EXISTE E É LOGO ALI - Percival Puggina

5 de julho de 2017
No Brasil, a violência política se faz visível em dois níveis de radicalização. Num, há a perda da noção de limites; o discurso se exaspera, os poderes e seus membros se retaliam verbalmente, xingamentos agitam as redes sociais, a verdade apanha e a razão é posta à prova. Noutro, tem-se algo mais perigoso. Refiro-me à violência que nasce da ideologia, que não ocorre em assomos de indignação, nem se manifesta naqueles momentos em que o sangue ferve e as estribeiras são perdidas. Trata-se de algo fora dos parâmetros pelos quais se orientam pessoas normais.

Ao entender isso começa-se a compreender a razão pela qual, sem quê nem porquê, certos grupos passam a incendiar ônibus, a dar “voadoras” nas vitrinas e a disparar rojões contra a autoridade policial. Mauro Iasi citando Brecht, Guilherme Boulos e João Pedro Stédile com seus exércitos, falam por eles.

Em 1968, o general vienamita Vo Nguyen Giap, em artigo publicado em “El hombre y el arma”, escreveu (tradução de Igor Dias): “… os revisionistas contemporâneos e os oportunistas de direita do movimento comunista e do movimento operário seguem vociferando sobre ‘paz’ e ‘humanitarismo’; não se atrevem a mencionar a palavra ‘violência’. Para estes, a violência é um tabu. Temem esta assim como a sanguessuga teme o cal. O fato é que negam a teoria marxista-leninista sobre o papel da violência na história”. Mais adiante, lecionará o general: “Os comunistas expõem o papel histórico que cumpre a violência não porque sejam ‘maníacos’ por esta, mas sim porque é uma lei que rege o desenvolvimento social da humanidade. Não poderá triunfar nenhuma revolução e nenhum desenvolvimento da sociedade humana sem entender tal lei.”

Para Marx a violência é a parteira de toda velha sociedade que leva em seu seio outra nova. Assim, ela acompanha a ação política de tantas referências da esquerda brasileira, começando, entre outros, pelos nossos patrícios Prestes, Marighela, Lamarca; e vai importando seus bandidos – Fidel Castro, Che Guevara, Tiro Fijo e por aí afora. Se há acusação que não se pode fazer a qualquer desses senhores é a de prezarem a democracia, seus valores e suas regras. Assim também se explicam 100 milhões de mortos com vistas ao tal “desenvolvimento social da humanidade”. Fala-me de teus amores e te direi quem és.

Para pôr freio nesses desequilibrados e em seus desequilíbrios, a democracia se afirma, aos povos, no horizonte das possibilidades. “Mas não se faz democracia sem democratas”, disse alguém, com muita razão. A democracia é um sistema e uma filosofia. Uma boa democracia exige que ambos sejam bons e andem juntos. O sistema é definido pelas regras do jogo político, ou seja, pelo conjunto de normas que legitimam a representação popular, regem eleições, determinam atribuições aos poderes, e definem o modo segundo o qual as leis são elaboradas, aprovadas e aplicadas. A filosofia é marcada por um conjunto de princípios e valores elevados, honestamente buscados e socialmente ratificados.

Sem a filosofia, o sistema pode dar origem a toda sorte de abusos, entre eles a ditadura da maioria. Sem o sistema, a filosofia pode descambar para a anarquia, ou para a ditadura da minoria, posto que faltarão os instrumentos de legitimação conforme a vontade social. Defender insistentemente o constitucionalismo e promover os princípios e valores que inspiram o regime democrático é a melhor proteção contra as perversões que se expressam pela violência. Não chegamos lá, mas tudo pode piorar. A Venezuela existe e é logo ali. Cuidado, pois.


* * *

segunda-feira, 17 de julho de 2017

VENEZUELA: ORAÇÕES DO PAPA NO ÂNGELUS

Tradução integral das palavras depois da oração mariana


Angelus 16/07/2017, CTV

“Dirijo uma saudação especial à comunidade católica venezuelana presente em Itália, renovando a minha oração pelo vosso bem-amado país”: foi o que declarou o papa no angelus de 16 de julho de 2017, enquanto um grupo compacto de venezuelanos agitava uma grande bandeira do seu país e balões de múltiplas cores.

Neste domingo devia haver na Venezuela um referendo popular, promovido pela oposição para protestar contra a Assembleia Constituinte que o presidente Maduro quer. Os bispos da Venezuela apoiam esta iniciativa, que não é reconhecida pelas autoridades, por ser um obstáculo a “uma ditadura militar marxista”, referiu o Vaticano. Neste contexto, a crise humanitária agravou-se no país.

Depois da oração mariana, o papa também saudou as carmelitas e os carmelitas no dia da festa de Nossa Senhora do Carmo: “Desejo que possam continuar com determinação o caminho da contemplação”.

Eis a nossa tradução das palavras que o papa pronunciou.

AK/JDL

Palavras depois do angelus

Caros irmãos e irmãs,

Saúdo-vos de todo o meu coração; os fiéis de Roma e os peregrinos de diversas partes do mundo, e também as famílias, os grupos paroquiais, as associações.

Saúdo em particular as Irmãs Filhas da Virgem das Dores, que receberam a aprovação pontifícia do seu Instituto há 50 anos; e também as Irmãs Franciscanas de S. José, por ocasião dos 150 anos da sua fundação; os dirigentes e os hóspedes da “Domus Croata” de Roma, no 30º aniversário da sua instituição.

Desejo saudar de modo especial as Irmãs e os Irmãos carmelitas no dia da sua festa. Desejo que possam continuar com determinação no caminho da contemplação.

Dirijo uma saudação especial à comunidade católica venezuelana em Itália, renovando a minha oração pelo vosso bem-amado país.

Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom apetite! Adeus!

Tradução de Zenit, P. JDL




* * *

sábado, 24 de dezembro de 2016

E OS DEFENSORES DA VENEZUELA? – Rodrigo Constantino


E os defensores da Venezuela?
22.dez.16

Hugo Chávez despertou a esperança de muitos, levou às lágrimas de felicidade inúmeros esquerdistas mundo afora, inclusive no Brasil. Foram diversos artigos em defesa do “socialismo do século XXI”, intelectuais explicando como finalmente um país latino-americano focava na “justiça social” e declarava guerra à ganância capitalista. Não faltou gente na imprensa em defesa do modelo bolivariano. Mas agora todos sumiram. O que aconteceu? Como presidente da Associação dos Socialistas Notáveis e Obstinados (ASNO), não lamento o desaparecimento dos defensores do modelo venezuelano, que contou com apoio do PT e do PSOL. Os poucos que restaram tecem comentários tímidos, sem coragem de defender o legado de Chávez e de Maduro, endossado por Lula e Dilma. Por quê?

Só porque a inflação disparou no país vizinho, levando a população ao desespero, com muitos dispostos até a atravessar para Roraima. Não percebem que tudo não passa de conspiração capitalista contra o sucesso socialista? É verdade que os liberais alertaram que isso aconteceria, mas essa previsão não muda nada. Os empresários venezuelanos se mostraram egoístas demais, ao contrário dos americanos e canadenses, que enchem as prateleiras com fartura a preços acessíveis. Os liberais dizem que isso se deve ao interesse no lucro, mas estão enganados, claro. Os empresários dos países capitalistas, onde há abundância de produtos, são abnegados, enquanto os empresários venezuelanos só podem ser sovinas safados. É a explicação!

Como presidente da Associação dos Socialistas Notáveis e Obstinados (ASNO), lamento repentino desaparecimento dos defensores do modelo venezuelano.

A violência também explodiu na Venezuela, apesar do desarmamento civil defendido até por ONGs brasileiras. Mas a culpa é do capitalismo, por vender as armas. Sim, há muitas armas nos EUA, na Suíça e em Israel, países com índices menores de criminalidade. Mas é que na Venezuela os que são roubados ostentam em meio à desigualdade. Por isso as “vítimas da sociedade” precisam reagir. O culpado é sempre o capitalismo, como meu professor marxista explicou.

Maduro está tendo que aumentar a repressão no país, mas é porque muitos egoístas se recusam a aceitar as maravilhas do socialismo, como ocorreu em Cuba. Por isso é preciso reagir com força, impedir a saída do povo ingrato. Até o dia em que o novo homem será criado, e todos ficarão cantando “Imagine” sob a chuva. Será lindo!

Até lá, temos de insistir. Esses relativos fracassos que os liberais apontam não são do socialismo em si, mas do “socialismo real”. Deturparam Marx. Nós, da ASNO, temos a convicção de que na centésima-oitava tentativa o socialismo dará certo…

Sobre o autor
Rodrigo Constantino é economista, escritor e um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta


* * *